Desculpem-me se houver algum erro.

Capítulo 4

— Onde você está, Edward? Santo Deus, estou como louca desde que você sumiu!

Edward não tinha ilusões. Sabia que a preocupação de Tânia se devia a ele ter deixado a equipe sem um líder, e não ao seu bem-estar. Durante os dez anos em que haviam convivido, Edward jamais duvidara de sua fidelidade, mas sabia que a melhor parte de seus esforços ela reservava à companhia. E era por isso que era uma assistente administrativa tão eficiente.

Edward reclinou-se contra a cabeceira de sua cama no chalé e pensou, pela primeira vez, por que sempre considerara aquela qualidade tão positiva.

— Encontrei Bella.

As palavras de Edward, pronunciadas com calma, cortaram a torrente de palavras dela. Às vezes ele se perguntava o que seria necessário para deter a implacável Tânia. Agora, escutando o silêncio do outro lado, viu que descobrira.

— É verdade, então. O que... O que ela alegou em sua defesa?

— Nada. Ela não se lembra de nada de sua partida, nem do que veio fazer aqui.

— Que conveniente para ela! Vou entrar em contato com Seth agora mesmo. Ele vai adorar entregar a ela os papéis do divórcio. E com certeza recomendará que você tenha o mínimo contato possível com ela. Quando voltará? Há várias questões pendentes que...

— Tânia...

A bem da verdade, Tânia jamais se intrometia em sua vida privada, a não ser no que se referisse a Bella. E só depois que Bella partira ela fizera algo além de insistir em que ele estivesse seguro de suas decisões, seguro a respeito dos motivos de Bella. Fora Seth, seu advogado, quem insistira para que Bella assinasse um acordo pré-nupcial. Mas, desde o dia em que ela desaparecera, Tânia expressara todas as suspeitas que aparentemente vinha guardando para si e insistira para que Edward tomasse todos os passos legais necessários para se proteger de qualquer processo que Bella pudesse mover contra ele no futuro.

— Nada de divórcio — disse ele. — E não vou voltar. Pelo menos não de imediato.

— Nada de divórcio? Edward! Depois de tudo, ela acabou enrolando você? E, como assim, não vai voltar? Sabe o que isso pode fazer com nossa agenda?

— Bella precisa de mim aqui.

— Bella precisa de você? — A voz de Tânia se elevou, com uma falta de controle que ele jamais escutara, antes de baixar de novo e voltar ao tom calmo, ou quase isso, que associava a ela: — Você não lhe deve nada, depois do que ela lhe fez. Vai ficar aí, enterrado nesse fim de mundo? Onde ela foi parar, Edward? E como espera dirigir as Empresas Cullen daí, seja lá onde for, enquanto você toma conta de alguém tão... tão...

— Com a ajuda da minha equipe — respondeu ele, interrompendo-a. — Ponto final. —Embora ela sempre lhe houvesse parecido inestimável, era hora de lembrar quem é que dirigia as Empresas Cullen. — Estou em Avalon, Novo México. Mande alguém pegar o avião em El Paso. Quero Tim aqui o mais rápido possível para improvisar um escritório para mim, enquanto você decide o que trazer. Quero você aqui comigo, Tânia, no máximo em uma semana. Enquanto isso, envie uma máquina de fax e um laptop, e tudo o que não possa ser adiado.

— Você está se arriscando, Edward. E por quê? Por uma mulher que já provou o quanto não é confiável?

— Por minha esposa, Tânia.

— Esposa?! — repetiu, incrédula. — Como pode dizer isso? Como pode pensar que lhe deve alguma lealdade? É óbvio que ela não cumpriu os votos que fez...

— Talvez não. Mas quando eu fiz os mesmos votos, pretendia cumpri-los. E até Bella estar em condições de se explicar ou se defender, ou mesmo de admitir o que aconteceu, pretendo cumpri-los.

~~x~~

Edward a encontrou no jardim, sentada no mesmo banco em que a vira no primeiro dia. A sós. Mas desta vez não viu nenhum sorriso, nenhum ânimo em suas feições juvenis.

"Quem era ele, Bella?", Edward se perguntava. "Com quem você partiu? A quem você amava mais do que a mim? Em quem confiou mais do que em mim? E por que traiu essa confiança? E por que ainda me importo?"

Naquela manhã, os aromas e ruídos do jardim, o calor do sol em seu rosto, não traziam alegria a Bella. Dissera a si mesma várias vezes durante os últimos meses que em algum lugar existia alguém que a amava, que estava procurando por ela e iria encontrá-la. E, no dia em que isso acontecesse, embora jamais houvesse expressado aquela esperança, ela se lembraria do passado, se lembraria do amor.

Não acontecera.

E talvez fosse melhor assim. Edward, seu marido, não estivera procurando por ela. Nem estaria ali agora se não fosse a interferência do reverendo Weber. Por que não? Por que um homem não iria procurar a mulher com quem acabara de se casar? Em especial alguém como Edward Cullen.

Claro, passara apenas alguns minutos com ele, mas naqueles instantes ele parecera... Decidido. Recusara-se a falar com ela até que houvesse outros a seu redor para lhe dar apoio, caso precisasse. Decidido e honesto.

Então por que não procurara por ela? A não ser que... A não ser que ela houvesse feito alguma coisa.

Agarrou a beirada do banco, sentindo um calafrio, apesar do calor do sol em seu rosto. Não acreditava que fosse capaz de magoar quem quer que fosse de propósito, ainda mais alguém a quem prometera amar para todo o sempre. Mas se não fosse isso, o que seria?

Sentiu uma presença próxima e, por um instante, o medo e a incerteza a perturbaram. Até se lembrar de que estava no jardim cercado do pastor, a salvo de intrusos e captou os aromas sutis, mas sedutores, de sabonete, xampu e do homem que tanto a afetara no dia anterior.

— Edward — falou, calma, esperando não trair nenhum de seus medos.

— Em pessoa.

Ouviu seus passos se aproximando. Afastou-se para um lado para lhe dar espaço no banco e fez um gesto para que ele se sentasse.

— Tem certeza?

Ela notou a hesitação na voz dele, uma insegurança sobre se era bem-vindo ou não, e tentou, com todas as forças, sorrir.

— Por favor.

Ele se sentou a seu lado, ereto, e ela sentiu a sua relutância, ou talvez dificuldade, em relaxar na sua presença, e achou que a última ideia que tivera devia estar mais próxima da verdade do que desejaria.

— Edward? — O tom de sua voz era suave, porque sabia agora que precisava fazer a pergunta. — Você não tentou me procurar, não é?

Ele se sentou ainda mais ereto e ficou em silêncio por um longo instante.

— Não — respondeu, enfim.

— Por quê? — perguntou ela, tentando não deixar a dor invadi-la, nem as lágrimas rolarem.

E então, precisando ir adiante, se esforçou por manter a voz tranquila.

— O que... O que foi que eu lhe fiz?

A tensão dele era palpável e real, e vibrou entre os dois. Tensão e frustração. Raiva e traição. Dor e uma calma assustadora e controlada.

— Você me deixou — declarou Edward.

Aquela resposta ela jamais imaginara. E nem poderia acreditar. Não ela. Não se fazem promessas eternas com leviandade. E, tendo-as feito, não se pode quebra-las.

— Por quê?

Ela sentiu o ar se agitar quando ele ergueu a mão, mantendo-a junto a seu rosto. Sem tocá-la, porém, pousou-a no banco.

— Ah, Bella — disse ele, deixando transparecer sua dor —, se tivéssemos a resposta a esta pergunta, talvez nem conseguíssemos lidar com ela, no momento. Nem você, nem eu.

~~x~~

Ele estava chegando. Dois dias haviam se passado desde que Edward a deixara sentada no jardim. Dois dias para Bella rememorar a dor de Edward quando lhe dissera que ela o deixara. Dois dias para ela se assustar por ter feito tal coisa. Para se espantar com o fato de ele conseguir voltar a encará-la.

O Dr. Phil dissera a Bella e, contra a sua vontade, a Edward também, que passarem algum tempo juntos poderia... Ajudá-la a lembrar-se de como viera para Avalon. E o xerife Black, se encarregara de chamar Edward.

Inquieta demais para aguardar no quarto, Bella se preparava para descer as escadas. Estancou diante do som de passos firmes no vestíbulo e da porta da frente se abrindo.

— Cullen...

Era a voz do xerife Black, mas num tom que jamais usara com ela. Perplexa, mas acima de tudo curiosa, parou ao topo da escada.

— Black...

A voz de Edward era tão grave e contida quanto à do xerife.

Ela sabia que tudo o que eles precisavam fazer era olhar para cima para vê-la parada ali, então, querendo escutar o desenrolar daquele estranho encontro, Bella puxou o longo tecido da saia e sentou-se no último degrau, com a cabeça reclinada, para escutar melhor.

— Transferiu o seu gabinete para cá? — Havia um leve sarcasmo na voz de Edward.

— Só estou cumprindo meu dever. — Jacob Black imprimia às palavras uma agressividade que Bella jamais ouvira.

Ela passou o braço em torno de um dos pilares do corrimão e descansou o rosto contra a madeira polida e fria.

— Ah, sim? E qual seria?

— Cuidar para que Bella não seja mais ferida do que já foi.

A porta da frente se fechou com um baque.

— E ainda acha que eu iria feri-la?

— Há diversos tipos de dor, Cullen. Não acho que você tenha tido algo a ver com os ferimentos físicos que ela sofreu. Já lhe falei isso. Mas acho que tem poder para feri-la muito mais.

— Então eu deveria deixá-la aos seus cuidados? Não, Black. Está se esquecendo: Bella é minha esposa.

— Não. Foi você quem se esqueceu disso, que aceitou sem questionar algo tão absurdo que eu tive de me perguntar por que um homem considerado inteligente iria acreditar em algo tão obviamente falso. Então escavei mais fundo, atrás do seu passado.

— Meu passado não é da sua conta.

O xerife suspirou.

— Cullen, não quero reabrir velhas feridas. Sei que ainda devem ser bastante dolorosas, por mais antigas que sejam. Mas precisa saber que esse tipo de horror pode se repetir...

— Basta! — exigiu Edward, com uma calma assustadora, interrompendo as palavras do xerife e deixando Bella num suspense terrível, louca para saber o que havia ferido o homem que se dizia seu marido. — Basta! O que aconteceu há vinte e cinco anos não tem nada a ver com o que está acontecendo agora! E, repito, não é da sua conta.

Com certeza, aquele tom deteria a maioria das pessoas. Mas não Jacob Black.

— Errado. O que acontece em Avalon, e com as pessoas aqui, inclusive sua esposa, é da minha conta.

— Então, em vez de se preocupar com meu passado, deveria descobrir quem a empurrou montanha abaixo.

A mão de Bella cerrou-se em torno do pilar. Deixou escapar um arquejo. Empurrou? Ela caíra, não caíra? Não era o que haviam lhe dito? Ou não lhe disseram nada? Será que apenas havia presumido que caíra? Então por que, agora, as palavras de Edward pareciam tão verdadeiras? Por que agora se sentia tão ameaçada?

O terror a invadiu de forma inesperada, trazendo à tona palavras indesejadas das trevas de sua memória: "Não! Você não pode fazer isso! Não vai conseguir escapar". "Cale a boca! Você tem de morrer, porque sabe demais."

Sabe o quê? Ela não sabia de nada. Nada!

— Bella?

Estava em pé. Como conseguira? Sentiu a força do medo em sua garganta, a inutilidade de correr, mas sabia que precisava...

— Bella!

Edward a segurou antes que caísse e levantou-a nos braços. A salvo. Bella detestou o gemido que deixou escapar, odiava a fraqueza que ameaçava dominá-la. E sabia, enquanto se deixava conduzir para a bem-vinda escuridão, que não tinha nada a temer enquanto ele a segurasse.

A salvo.

Oh, sim. Por fim, estava a salvo.

Edward a carregou até uma cadeira e hesitou. Não queria segurá-la mais tempo que o necessário, pois isso era doloroso, mas não conseguia afastar a cabeça dela de seu ombro, soltar os braços que a enlaçavam e deixá-la na cadeira. Fazia tanto tempo que não a abraçava...

— Aqui — falou Black, aproximando-se para tirar Bella dos braços dele.

Edward o fuzilou com os olhos.

— Chame um médico.

Black lançou lhe um olhar duro e firme, e assentiu com a cabeça, saindo do quarto. Edward olhou para a cadeira antes de se inclinar para largá-la.

As pálpebras de Bella se abriram, trêmula.

— Thony? — sussurrou.

Thony. O nome pelo qual apenas ela o chamava. O nome que lhe dera por brincadeira e, pensara ele, por amor. Um nome de um passado que era todo ilusão. Edward sentiu seu coração se contrair diante das lembranças dolorosas, embora os dedos permanecessem acariciando lhe o rosto.

— Estou aqui, Bella.

A mão dela subiu para encontrar a dele, sua respiração se aprofundou, e ela sorriu enquanto mergulhava mais fundo nas trevas que a tragavam. Edward notou as outras pessoas no quarto e ergueu a cabeça, vendo Black e Sue Clearwater diante de si. A expressão da mulher era de espanto e ao mesmo tempo satisfação.

— É esse o nome — disse, em voz serena. — Sabia que havia escutado bem.

— Anthony, é claro — falou Black.

— É esse o nome? O que querem dizer? — perguntou Edward.

Black deu um sorriso tristonho.

— O nome que ela chamou quando recuperou a consciência pela primeira vez. Sua primeira palavra, seu primeiro pensamento foi para você. Diga-me, Cullen, isso parece típico de uma mulher que fugiu de alguém de quem só queria se aproveitar?

Edward empalideceu. Não, não parecia. Mas, se ela não o deixara, o que acontecera? E por quê? Não houvera nenhum bilhete de resgate. Nenhuma mensagem, a não ser aquela que ele acreditara ser dela, nenhuma indicação de que houvesse ocorrido algo diferente.

Imaginou-a só, machucada, chamando por Edward, enquanto ele aceitava a devolução de seus anéis mutilados e relia o bilhete que ela deixara. Sentiu suas defesas ruindo naquele instante. Mentiras? Haviam sido apenas mentiras?

De quem?

E por quê?

E se fossem, Bella o perdoaria por haver acreditado nelas? E ele, poderia se perdoar?

Bella lutou em meio às trevas, combatendo a dor lancinante em sua cabeça e a desorientação de tempo e espaço que agora lhe era familiar. Escutou uma respiração firme e próxima e ficou tensa, até reconhecer o leve aroma silvestre de loção mesclado ao cheiro extravagante da marca de sabonete da pensão.

Edward.

Ele estaria dormindo?

Será que fazia muito tempo desde que... Desde o quê? O que provocara o último ataque?

Com calma, se apoiou no cotovelo, sentindo o deslizar suave da coberta que a envolvia, e estendeu a mão para a mesinha ao lado da cadeira. Sue devia ter deixado alguma coisa ali para dor de cabeça, sempre deixava.

A respiração de Edward se alterou abruptamente. Bella o escutou se mexendo na cadeira e então sentiu a mão dele sobre as suas, estendidas para pegar o remédio e a água. Ele lhe deu duas cápsulas. Ela suspirou, engoliu-as com a água do copo que ele lhe estendeu, depois afundou nos travesseiros.

— Isso acontece com frequência? — perguntou Edward. Desmaiar? Não. Entrar em pânico? Não. Lembrou-se do segredo que as palavras de Edward ao xerife Black lhe revelara e o lampejo de memória que haviam provocado.

— Dores de cabeça? — Tentou não estremecer quando as palavras reverberaram em sua cabeça. — Sim.

Fechou os olhos e sentiu um grande alívio quando ele colocou um pano úmido em sua testa. Sorriu em agradecimento, mas não tentou falar de novo. Compreendendo o mal-estar de Bella, Edward também não falou mais. Vários minutos se passaram até que ela suspirasse, com a tensão e a dor por fim aplacadas.

— Sente-se melhor, Bella?

— Sim.

— Mas não passou ainda?

Ela sacudiu a cabeça, desafiando a pressão e a dor que a acometiam.

— Às vezes duram horas.

— Então vou deixá-la descansar.

— Não, por favor. Não quero ficar sozinha.

— Bella, você não está sozinha! Tem toda a cidade a seu dispor!

Lutando contra o desapontamento, ela tentou fazê-lo entender.

— É, mas eles não são... Não são meus, entende?

Tarde demais, lembrou-se de sua última conversa. Lembrou-se que ela o havia deixado sozinho, e não só por uma tarde. Recordou que ele também não era mais dela, se é que fora mesmo algum dia.

— Desculpe-me. Não tenho o direito...

— Não? Eu me pergunto...

Algo acontecera desde a última vez em que haviam conversado. Mas o quê? Algo que mudara sua convicção íntima de que ela o abandonara. Bella notou isso na voz dele.

— Descanse agora, Bella. Vou ficar aqui com você. Ao menos por um tempo.

"Mas a que preço para você mesmo?", ela se perguntou, afundando de novo nos travesseiros, com a mão agarrada à dele, porque notou o tom contido em sua voz.

~~x~~

Bella ainda dormia quando a Sra. Clearwater levou a Edward o breve recado de que a primeira parte de sua equipe chegara ao aeroporto.

— Vá e faça o que precisa ser feito — a senhora lhe recomendou — Eu fico com Bella.

— Falei que ficaria com ela — argumentou Edward, dizendo a si mesmo que sua promessa era a única razão pela qual não queria deixar a indefesa Bella dormindo.

A expressão preocupada da Sra. Clearwater suavizou-se.

— Tomarei conta dela. Prometo.

— Eu sei, Sra. Clearwater. A senhora já fez isso muitas vezes.

A boa senhora deu um suspiro, mas seu olhar demonstrava certa frieza em relação a ele.

— Há algo errado, Sra. Clearwater? Algo que eu deva saber?

Ela hesitou, mas, depois de um instante, sorriu.

— Não. Nada com que precise se preocupar. Agora é melhor se apressar. A Srta. Denali parecia terrivelmente impaciente.

Tânia? Tânia já havia chegado? Para alguém que não queria vir, havia conseguido arrumar as coisas num tempo recorde.

Bem, era melhor cuidar dos negócios.

Sem conseguir se conter, no entanto, antes de deixar Bella, inclinou-se sobre ela. Que Deus o ajudasse, pensou, pois não conseguia evitar. Levou os dedos aos lábios de Bella. "Eu voltarei", sussurrou, perguntando-se se aquelas palavras eram uma promessa ou uma ameaça.

Dá para perceber que o Edward está muito confuso, pois não sabe se confia nas evidências ou em seu coração. Me digam o que acharam do capítulo. Infelizmente não poderei responder as reviews por falta de tempo, mas agradeço de coração a cada uma que envio. Beijos e até quarta-feira.