CAPÍTULO VI

Na noite anterior, Edward dissera que durante o sábado arrumaria sua bagunça, separaria as coisas que levaria na mudança e as que jogaria fora. Mas estava tão encantado com Nicky que parava toda hora para brincar e insistia em dar a mamadeira.

Enquanto lavava a louça do almoço, Bella olhou várias vezes na direção dele. Observou que Nicky respondia às brincadeiras sempre com alegria, agitava as mãos e sorria. Qualquer um que visse a cena, sem saber de nada, diria que se tratava de uma família feliz, sem qualquer outra preocupação no mundo.

A notícia de que teriam de se mudar temporariamente para Laramie, no entanto, tirara-lhe o sono. Temia que o desejo repentino de Edward tivesse outro motivo. Talvez quisesse humilhá-la na frente dos amigos... Seria muita crueldade colocá-la em uma situação dessas, e era claro que os McCarty também se sentiriam incomodados. Edward lhe dissera que Rosalie os convidara para ficar na casa deles por algum tempo, como hóspedes.

Será que ele não percebia que a situação causaria constrangimentos para ambas as partes? Os McCarty seriam forçados a ser gentis com ela, quando provavelmente a desprezavam, por ter magoado Edward.

Bella achava aquela idéia absurda, mas a decisão não estava em suas mãos. Teria de encontrar forças para suportar tudo isso, mas sabia que não seria fácil, mais gente significava mais perguntas e mais mentiras para respon dê-las. Jacob seria o centro das conversas, isso era certo.

Quando tivera a idéia de inventar a história do noivo, nunca imaginou que pudesse tomar essas proporções. A intenção era apenas afastar Edward, não lhe dar falsas esperanças, mas a mentira se transformara em uma verdadeira armadilha. Tudo o que queria, desde que Nicky nascera, era contar para Edward que tinham um filho, jamais poderia imaginar tamanha reviravolta em sua vida. Agora, era obrigada a mentir mais e mais, a ficar na defensiva o tempo todo.

Enquanto preparava um bolo salgado para o jantar, notou que ele pusera o bebê de volta no cercado e apanhara uma das caixas que empacotara.

— Vou levar isso para o dr. Banner — anunciou, sem olhar para ela. — Pretendia levar Nicky comigo, mas está muito frio e parece que vai chover. Voltarei logo. Tranque a porta quando eu sair.

Sem esforço, pegou a caixa e saiu. Nicky começou a chorar. Era a primeira vez que via o bebê reagir daquela maneira à saída do pai. Como Edward reagiria, ao saber que o filho não queria se separar dele? Na certa, iria adorar.

— Tudo bem, meu querido. Papai já volta. — Bella explicou e correu para pegar o menino do cercado.

Era um alívio poder ficar sozinha um pouco. Bella trancou a porta, sentou-se no sofá com Nicky e pegou o celular. Precisava ouvir uma voz amiga.

Com certeza, seus pais estavam em casa, pois era sábado. Sabia que a notícia de que teria de sair de Nova York não teria o mesmo impacto que tivera nela, mas mesmo assim, queria mantê-los informados da situação. Enquanto se acomodava para discar, o telefone tocou. O bebê se agitou, e ela, pensando tratar-se de um telefone ma qualquer, atendeu, enquanto acalmava com beijos seu querido filho.

— Residência do dr. Cullen.

Houve um silêncio demorado, mas Bella podia ouvir alguém respirar do outro lado da linha. Um pressentimento em forma de calafrio percorreu seu corpo.

— O que quer dizer com residência do dr. Cullen? O que é isso?

Era a mãe de Edward! Bella reconheceria aquela voz autoritária em qualquer lugar do mundo. Os dedos aperta ram o telefone, gelados. O mal-estar da noite anterior não era nada, em comparação ao que sentia agora. Seu primeiro impulso foi de desligar, mas isso levantaria ainda mais suspeitas. Enquanto pensava no que iria fazer, as mãos suaram. "Por que atendi a ligação?, Por que não deixei que tocasse?", perguntava-se, desesperada. Nicky sempre percebia quando estava nervosa. Sua agitação cresceu e estava a ponto de chorar. Ela rezava para que ficasse quieto.

— Aqui é a srta. Black. O dr. Cullen saiu há pouco, mas não deve demorar. — Tentava manter um tom de voz formal.

— O que está fazendo no trailer, dele?

— Bella ficou tensa e apertou o bebê, que começou a chorar.

— Sou a nova secretária.

Depois de um silêncio pesado, a mãe voltou a atacar.

— Ele não tem secretária alguma.

— Fui contratada há uma semana.

— Não acredito. O que faz um bebê aí? Não me diga que ele deixou você levar o bebê para o trabalho. — Parecia furiosa, ou melhor, escandalizada.

Não adiantava acariciar as costas de Nicky para tentar acalmá-lo. Ele não parava de chorar, pois percebera que havia algo de errado com a mãe e reagia da única forma que um recém-nascido poderia reagir.

— Quer deixar algum recado para o dr. Cullen? Ele poderá ligar assim que voltar — ela tentou encerrar aquela conversa.

Outro silêncio ameaçador pairou no ar.

— Como disse que era mesmo o seu nome?

Será que tinha reconhecido a voz de Bella?

Sua boca estava completamente seca. Tomada pelo pânico, sentia-se paralisada. Nicky gritava. Nesse momento Edward apareceu, e bastou olhar para perceber o estado de nervos em que ela se encontrava.

— Oh, só um momento. — Ia passar o telefone para ele, mas deixou-o cair.

Com um movimento rápido e seguro, tipicamente seu, Edward conseguiu pegar o telefone antes dela, os olhos verdes atentos, como se fizessem uma pergunta que não verbalizara. Levando em consideração a súplica que lhe fizera, ele levou o telefone ao ouvido. Enquanto atendia, ainda o franzir preocupado de suas sobrancelhas negras ainda eram bem visíveis.

— É a sua mãe. Por favor não diga que sou eu — implorou, antes de pegar a mamadeira de Nicky e ir para o quarto.

Fechou a porta e começou a andar de um lado para outro, apesar do pequeno espaço. Nicky não tirava os olhos do rosto da mãe. Depois de alguns minutos, acalmou-se e tomou o restante da mamadeira.

— Oh, Nicky, Nicky! — murmurou, beijando-lhe a tes ta. — Estou com tanto medo, preciso dar um jeito nessa situação, antes que fique pior. Ajude-me, querido! — Era a segunda vez, nas últimas doze horas, que uma simples menção à mãe de Edward fazia Bella perder a cor.

— Até que enfim, querido! Daqui a pouco, vai ser preciso autorização do Congresso para falar com você.

Parecia recomposta, com seu jeito descontraído de ser. Ele se perguntava o que a mãe teria dito para provocar aquela reação em Bella. Tentava se lembrar se algo acon tecera antes de deixar o trailer, alguns minutos antes, que justificasse aquele estado de choque.

Na noite anterior, estava tão bonita e sensual, sentada na cama com o filho que Edward sentiu-se tentado a beijá-la. Para Bella, fora ele quem perdera o autocontrole, mas a tentativa pelo menos servira para provar uma coisa: ela era incapaz de amar alguém.

— Mãe? — chamou impaciente. — Como vai?

— Se se dignasse a me telefonar de vez em quando, eu não perderia metade do meu dia tentando encontrá-lo nesta espelunca que você chama de casa. — Era sempre a mesma ladainha.

— Aqui está perfeito para o que eu preciso. Por que está ligando?

— Será que preciso ter um motivo para falar com meu filho preferido?

Desde a infância, ele implorava para não ser chamado assim. Certo dia, a mãe dissera isso sem perceber na presença do seu outro irmão, Ben. As consequências desta atitude desastrada haviam sido dolorosas para todos. Edward lembrou-se também de Tania, sua mimada irmã mais velha que tinha mesma personalidade prepotente da mãe, como não poderia deixar de ser.

Esfregou a nuca, meio indiferente.

— Você sempre consegue me encontrar.

Ela ignorou a resposta.

— Seu tio Colin está em Nova York a negócios. Ele e seu pai estão tendo aulas de golfe. Por falar em seu pai, na semana que vem é aniversário dele, caso tenha se esquecido.

— Eu não me esqueci, mamãe. Alguma coisa mais?

— Não precisa me dispensar desse jeito. Claro que tenho mais coisas para lhe falar. Pretendo dar uma festa de aniversário para seu pai e quero que participe.

— Acho que não vai ser possível.

— Mas o que todos irão dizer?

— Digam o que quiserem. Mamãe, já está na hora de perceber que não gosto de chantagens emocionais.

— Seu pai está com saudade de você.

— Duvido. De qualquer maneira, agora é tarde demais para isso.

— Se tivesse um pouco de amor filial, pararia de dizer bobagens e viria para casa, de onde não deveria ter saído.

As manipulações da mãe não o afetavam de modo al gum, nem mesmo suas constantes ameaças. O pai era o único que tinha poder de influenciá-lo, mas havia muito tempo que perdera a capacidade de se comunicar com o pai. Com certeza, ele era incapaz de dar a Edward a única coisa de que precisava.

Ele olhou para a porta do quarto e notou que estava fechada.

— Mais alguma coisa? Preciso desligar.

— Sim, quero saber quem é a mulher que atendeu o telefone — gritou, com a voz estridente.

— Ela trabalha em minha equipe. Por que quer saber?

— Eu o criei para ser mais discreto. Você é solteiro e é um Cullen. Onde está com a cabeça para permitir que uma mulher com um bebê trabalhe dentro do seu trailer? Se continuar assim, as pessoas vão ter um péssimo conceito de você.

Ele deu um suspiro resignado. Sua mãe jamais mudaria.

— Essa mulher — disse com sarcasmo — é a única pessoa com os requisitos necessários para fazer o trabalho.

Edward tinha de admitir que Bella era uma mãe exemplar. Apesar de todas as faltas que cometera, nunca vira uma mulher tão dedicada e apaixonada pelo filho e, levando-se em conta a inconstância que demonstrara diante dos homens, isso, para ele, era uma verdadeira revelação.

Tania deveria ter aulas com ela. A irmã de Edward não conseguira viver sem uma babá, que a acompanhara desde que saíra do hospital com o bebê. Ele próprio e todos na família Cullen tinham sido criados por várias babás.

— Isso é ridículo. Você nunca precisou de secretária antes. Se é tão imprescindível nesse momento, deveria ficar em um trailer separado do seu. Não posso aceitar isso, Edward!

— Não precisa — respondeu, com voz calma. — Na semana que vem vou para Laramie e não voltarei mais para cá. Assunto encerrado. Mais alguma coisa? Preciso desligar.

— Essa mulher vai junto com você? — Ela não desistia nunca.

Edward tencionou a boca.

— Adeus, mãe. Foi um prazer falar com você.

Desligou o telefone e foi direto para o quarto. Bella, que caminhava de um lado para o outro com Nicky no colo, levou um susto e virou-se, ao ouvir o barulho da porta.

Por sorte, o bebê dormia nos ombros dela. Assim, Edward teria a chance de conversar sem a interferência do filho.

— O que minha mãe falou para você pelo telefone? — Evitando-o, respondeu, titubeante:

— Na... nada

— Não minta para mim.

— Não estou mentindo!

— Deveria ter visto a sua cara, quando me disse que era ela no telefone. Estava pálida como cera. Ontem à noite foi a mesma coisa. Passou mal, depois de ver as fotos de minha mãe quando bebê. Exijo uma explicação, já que vamos continuar juntos por mais um tempo.

Observava-a morder os lábios. Daria tudo para poder fazer o mesmo! Se ao menos tivesse certeza de que o amava!

— Tudo bem! Sua mãe ficou um pouco desapontada porque não conseguiu falar com você imediatamente, e acho que por isso ficou irritada.

— Irritada como?

— Naturalmente, ficou surpresa ao saber que tinha uma secretária. Sua mãe é uma pessoa muito conservadora e deve ter pensado o que todo mundo pensou: que estou morando com você. Claro, foi um choque.

— Tenho trinta e cinco anos e há muito tempo moro sozinho. Ela já deveria ter superado esse choque.

— No entanto, você não é um homem qualquer. É o filho querido dela, como Nicky é para mim. Acha que você é perfeito. Também sei que você é o filho preferido.

Edward corou.

— Quando foi que ela lhe disse isso? Quando viemos para Nova York no último inverno?

Teve que esperar um longo tempo pela resposta. Por fim, apenas concordou com um movimento de cabeça.

— A insensibilidade de minha mãe é incrível.

— Não fale assim de sua mãe. Ela o adora.

Mas ele não estava em condições de ouvi-la.

— Que espécie de mãe fala uma coisa dessas na frente dos outros filhos?

No mesmo instante, Bella sentiu os olhos mareados. Incrêdula, balançou a cabeça negativamente.

— Sua mãe fez isso?

Edward lutava para conter as próprias emoções.

— Esme Cullen é sutil como um elefante. Nem preciso dizer que, desde então, meu irmão nunca mais foi o mesmo.

— Então foi por isso que não saímos com ele, na época em que viemos para Nova York... — murmurou.

As defesas de Edward não resistiam diante do olhar soli dário de Bella. Cada vez que o olhava desse jeito, sentia-se ainda mais traído, crucificado. Nada do que ela fizera parecia ter sentido, não combinava com a sua maneira de ser.

— O que mais ela disse que a deixou tão assustada?

— Não sei o que quer saber.

— É claro que sabe!

A resposta ríspida fez com que o bebê abrisse os olhos e se mexesse, antes de voltar a dormir.

— Assim que responder minhas perguntas, poderemos mudar de assunto — disse em voz baixa, contendo a raiva.

Acariciar as costas do bebê era uma maneira de controlar o próprio nervosismo. Mas o gesto, ao contrário do que supunha, revelava seu estado de tensão, despertando, mais ainda a curiosidade de Edward.

— Quando terminei com você, ela deve ter pensado coisas horríveis a meu respeito. Toda mãe acha que o filho é um herói, ainda mais se for como ela, que o ama de maneira incondicional. Ficou transtornada só de ouvir uma mulher atender o telefone. Acho que não poderia suportar a raiva dela se descobrisse que na verdade a srta. Black sou eu. Você não contou para ela, contou? — Ela prendeu a respiração enquanto esperava pela resposta.

— Não.

— Graças a Deus! Se ela descobrisse que era o nosso filho que estava chorando do outro lado da linha, então teria mais motivos para se preocupar com você. Edward, eu sei que seus pais um dia vão ter que saber sobre Nicky, só que esse não é o momento. Você entende meu ponto de vista?

Sim, ele entendia. Mas havia alguma coisa a mais na reação de Bella na noite anterior que não passara des percebido. Não tinha nada a ver com o telefonema inesperado de sua mãe. Algo lhe dizia que ela estava escon dendo a verdade. No entanto, resolveu esperar. Por enquanto.

— Tenho muito trabalho para fazer.

— Eu também — respondeu, nitidamente aliviada.

Passou a mão pelos cabelos e voltou para terminar o trabalho que começara. Quando Bella pôs Nicky de volta no berço, estava tão trêmula que precisou se apoiar na grade para recuperar o equilíbrio. Não sobreviveria a outro telefonema daqueles! Edward podia considerar o assunto temporariamente encerrado, mas ela temia que a mãe dele houvesse reconhecido sua voz e estivesse desconfiada de sua presença ali.

Encontrou Edward no outro aposento, empacotando as coisas.

— Precisa de ajuda?

— Por quê? — Nada lhe passava despercebido, parecia ler os pensamentos de Bella.

— Quatro mãos podem fazer o serviço na metade do tempo.

— E?

— Estive pensando que talvez pudéssemos ir amanhã para Laramie, em vez de segunda-feira.

— É muito estranho — ele comentou contrariado. — Quando lhe disse que Rosalie nos convidara para ficar na casa dela, você quase teve um ataque de nervos. Agora, de repente, muda de idéia.

— Acho que é porque em casa eu costumava andar muito a pé na praia. Aqui, tentei caminhar, mas não deu certo. — Bella procurou por uma desculpa. — Pensei que talvez fosse bom passar uns tempos no campo, claro que Laramie não será igual a San Diego mas só o fato de poder passear ao ar livre, em um espaço aberto seria mui to saudável para mim e para Nicky.

— Acho que o caminhão só estará disponível para par tir na segunda-feira. No entanto, também estou exausto. Por que não tiramos uma folga e vamos ao cinema em Warwick, hoje à noite?

A idéia parecia ótima, mas havia um problema.

— Não podemos levar Nicky.

— É verdade, mas posso dar um jeito nisso.

Ela permaneceu de pé, atônita, enquanto Edward procurava um número na lista telefônica. Dentro de alguns minutos, estava ligando para um hotel. Fez reserva de um quarto com serviço de babá.

Depois de desligar, virou-se para Bella.

— Está tudo resolvido. Temos um quarto com um berço e duas camas de solteiro. A sra. Wood, aquela que cuidou de Nicky para você, vai ficar com o bebê. Vai estar livre às sete da noite.

Tudo parecia muito planejado, como se fosse um encontro de namorados. Ela estava ansiosa.

— Que bom, acho que vai ser divertido — murmurou. — Quer comer alguma coisa antes de sairmos?

— Não, vamos nos divertir na noite. Por que não toma um banho agora. Eu tomarei mais tarde, depois de terminar de empacotar minhas coisas. Até lá, o reservatório de água vai estar cheio de novo. Ponha algum vestido casual. Estou com vontade de comer comida francesa.

— Acho que só tenho uma blusa de algodão e aquela saia que usava quando cheguei aqui.

— Tudo bem, não se preocupe. Só pensei que seria bom nos divertirmos um pouco.

Era evidente que estava cansado de vê-la sempre com as mesmas duas roupas que trouxera. Quando planejara a viagem para Warwick, jamais sonhara que passaria tanto tempo fora. Por isso, pusera na mala apenas algumas camisetas e dois jeans básicos.

Quatro horas mais tarde, puseram tudo de que precisariam no carro. Edward prendera o bebê na cadeirinha, sob o olhar atento de Bella.

Ele ficava bem com qualquer roupa, mas naquela noite estava especialmente atraente. Usava terno verde-oliva, com camisa social creme e uma gravata listrada. Tendo saído do banho, exalava o aroma do sabonete que Bella sempre associava a ele.

Enquanto se dirigiam para Warwick, a dor que havia quase um ano a atormentava pareceu se tornar ainda mais aguda. No hall do hotel, todas as mulheres olhavam acintosamente para Edward. Mas, com olhos só para o filho, ele nem percebia os olhares que o acompanhavam onde quer que fosse.

Quando Bella se lembrava do tempo em que usara o anel de noivado, esperando com impaciência o dia em que se tornaria sua esposa, sentia uma tristeza profunda. A mãe dele forçara aquela menina feliz e de olhar tão vivo a se transformar em uma sombra que desaparecera na escuridão. A sra. Cullen dissera apenas: "Suma daqui, sua erva daninha."

Como ela ficaria furiosa se descobrisse que a erva da ninha estava de volta! Depois de instalados no quarto do hotel, encontraram a sra. Wood. Ela olhou com admiração para Edward e cumprimentou Nicky como se fosse seu próprio neto. Parecia muito feliz de poder ajudar mais uma vez. Edward gostou da atitude dela, pois inspirava confiança.

No jantar para dois, regado a vinho, pediram filé à Chateubriand, em vez do usual frutos do mar, prato pre ferido de Edward. Naquele clima romântico, era como se ela fosse de novo sua noiva. Quando ele levantou a taça para fazer um brinde a Nicky, Bella sorriu e, mirando-se nos olhos verdes dele, ouviu o tilintar do cristal.

— Ao nosso querido filho. Que ele possa crescer e se tornar um homem admirável e maravilhoso como o pai!

Mas a euforia deu lugar ao pânico, quando ela viu o anel de noivado em sua mão e se lembrou de que tinha que agir como se estivesse noiva de outra pessoa.

Percebeu o erro tarde demais. Ao observar o brilho enigmático nos olhos de Edward, por entre as franjas negras de seus cabelos, disse:

— Sabe, estou um pouco tonta. Talvez seja porque não bebo álcool desde antes de ficar grávida. Acho melhor eu dar uma volta lá fora, para tomar um ar fresco.

Claro que inventara essa história da tontura por causa do vinho como desculpa para seu comportamento inadequado. No entanto, ao levantar-se, de fato cambaleou. Edward a segurou pelo braço, para que se reequilibrasse. Mais do que tudo no mundo, ela desejava ser amparada por aqueles músculos, por sua força masculina, e nunca mais sair dali. Mas não se atreveu.

— Vá com calma! Assim.

Ele pôs uma nota de cem dólares sobre a mesa e a acompanhou para pudesse tomar um pouco de ar. Bella precisava fazer alguma coisa para clarear as idéias e evitar que perdesse o autocontrole outra vez.

— O cinema fica logo ali, vamos a pé.

Sem condições de falar, seguiu-o, tomando cuidado para não esbarrar nele. Mesmo assim, eventualmente seus quadris roçavam nas pernas de Edward e era como se um calor lhe percorresse o corpo. A sensação era tão intensa que temia explodir em chamas, de tanta paixão.

Pelo jeito, Edward estava interessado no filme, que absolutamente não fazia o gênero de Bella. Pelo menos, a distração pusera um fim à conversa, e ela não diria mais nada de que pudesse se arrepender mais tarde.

Quando o filme terminou, já recuperara o equilíbrio e foi capaz de caminhar sozinha até o carro. Por muito tem pousara Nicky como escudo contra a aproximação de Edward. Sem o bebê, sentia-se vulnerável e perdida.

Ao chegarem ao quarto do hotel, olhou o filho que dormia profundamente. Queria pegá-lo no colo, abraçá-lo, mas não na frente da babá.

— Obrigada por tomar conta de Nicky, sra. Wood.

— Ele é adorável. Espero que me chamem de novo. — Bella evitou dizer qualquer coisa. O que dizer? Não é o que a senhora está pensando... Daqui a algumas semanas, vamos embora e nunca mais ficaremos assim tão juntos...

— Pode ter certeza de que quando voltarmos a Warwick vamos chamá-la — assegurou Edward à enfermeira aposentada, e perdeu-se em pensamentos.

— Bella? Vou acompanhar a sra. Wood até o carro.

Bella sempre apreciara a gentileza de Edward.

— Boa noite, sra. Wood.

— Boa noite.

Assim que saíram do quarto, Bella certificou-se de que o bebê estava confortável. Em seguida, correu ao banheiro para se trocar. Vestiu o robe sobre a camisola, entrou rapidamente debaixo das cobertas e pegou o celular no criado-mudo. Edward tinha de pensar que ela aproveitara os minutos em que estivera sozinha para falar com o noivo.

Quando voltou alguns minutos depois, viu-a deitada com o telefone ao ouvido.

Caminhou até a cama e permaneceu ali, de pé. Bella sentia que a encarava e vírou-se para que ele soubesse que notara sua presença. A cara amarrada dele foi o sinal para que desligasse o telefone e pusesse um fim àquela conversa de faz-de-conta.

— Preciso desligar, Jacob. Falarei com você amanhã. Eu também o amo. — Desligou o celular e o colocou de volta na mesinha. Criou coragem e olhou para ele mais uma vez. Notou que seu rosto perdera completamente a expressão e se transformara, como se fosse um boneco de cera.

— Faz uma semana que você não dorme em uma cama de verdade, Edward. Eu cuido de Nicky nessa madrugada, assim você poderá descansar. Antes de dizer boa noite, gostaria de agradecer pela noite maravilhosa, eu estava mesmo precisando me divertir um pouco.

— Que bom ouvir isso. Já que pretende cuidar de nosso filho esta noite, então acho que não se importa se eu não for dormir agora.

Aonde ele iria?

Antes de ela reaparecer na vida de Edward, ele vivera perto de Warwick por vários meses. Durante esse tempo, poderia ter conhecido muitas mulheres interessantes e até mesmo poderia estar relacionando-se com uma delas. Talvez ainda estivesse!

Ao pensar nisso, lembrou-se de que Edward estava muito ansioso por passar a noite fora. Arranjar um hotel com babá para Bella poderia ser um plano perfeito para dar uma escapada. Era um jeito de deixá-los sozinhos, porém em segurança.

Ela não podia suportar isso!


Capítulo 6 postado!

Obrigada a todo mundo q deixou review, domingo eu posto o próximo capítulo.
Bjs... até lá!