N/A: Sorry a demora, guys! Aí vai mais um, espero que estejam gostando e que comentem.
Harry
Cacete de dia.
Traguei fortemente o cigarro de palha, soltando a fumaça lentamente enquanto passava a mão pelos cabelos.
Agora os imbecis que passavam por mim só faltavam passar com o rabo entre as pernas.
Desde que o Lorde informara a morte de Saúlo – a morte muito bem merecida, – aos demais, o clima se tornara pesado e tenso.
E estava ainda pior por saberem que fora eu que havia apagado o inútil.
Nunca antes isso havia acontecido. Não era o nosso estilo, comensais não matavam comensais. Mesmo eu, que era autorizado pelo Lorde para isso.
E agora, de repente, um de nós estava morto e enterrado por ter mexido com uma garota.
A situação parecia bizarra, à julgar que comensais eram conhecidos por suas festas noturnas, onde passavam a madrugada com mulheres enfeitiçadas (ou não), revezando-as e dividindo-as entre o grupo. Tudo regado a muita poção alucinógena.
Matar um companheiro por uma mulher parecia contra a lei para nós.
A questão agora era que a lei girava em torno desta garota. Ela não era qualquer uma. Era a futura esposa do Lorde das Trevas.
E este havia sido apenas o primeiro aviso.
O Lorde havia feito questão de mostrar o que seria feito se algum outro engraçadinho se atrevesse a fazer algo do tipo com sua noiva.
Todos estavam fodidamente tensos com tudo isso. Incluindo eu.
Mesmo que eu não me arrependesse de tê-lo apagado.
Há quase uma hora, havíamos tido uma reunião com o Mestre - mesmo que só tivéssemos contato através de um espelho.
Após todos terem sido dispensados, a voz macia e hipnotizante me chamou.
-Harry.
Eu encarei a face do Lorde através do espelho.
-Mestre?
-Eu sei que já nos entendemos sobre isto, mas queria novamente agradecer pelo que fez com Saúlo. Escória. –O Lorde mudou os olhos, com desprezo. –Você realmente me prova fidelidade à cada ano que passa. Nunca se esqueça que quanto mais demonstrar isto, mais será recompensado. –O rosto disforme se esticou num sorriso fraco.
-Sim, mestre. Sempre ao seu comando. –Abaixei a cabeça em sinal de respeito.
-O que está fazendo por Hermione é mais do que eu poderia pedir. –Ele me encarou por cima, quase arrogantemente. Suas mudanças bruscas de humor, ou de feições, hipnotizavam quem o observava. –E você é o único a quem eu confio esta tarefa. Fico contente que alguém de confiança a proteja enquanto eu ainda não posso estar por perto.
Assenti.
-Agora não vou mais tomar seu tempo. Vá.
Com uma pequena reverência de cabeça, me levantei e deixei a sala.
E agora aqui estava eu, fumando feito um condenado em busca de qualquer alívio para a ansiedade.
Nem eu sabia por que estava tão ansioso. Geralmente nada conseguia abalar meu humor. Eu costumava ser indiferente a qualquer coisa.
E agora aquela criança que era da metade do meu tamanho aparecia e jogava tudo de pernas pro ar.
Hermione.
Aquela porra de nome não me deixava mais em paz.
A verdade era que eu estava puto comigo mesmo. Eu jamais diria aquilo em voz alta, mas na noite em que peguei Saúlo prestes a abusar da garota... eu havia perdido o controle.
Eu poderia ter usado um feitiço apenas para desacordá-lo e levá-lo ao mestre para que ele decidisse o que fazer com o rato.
Mas na hora eu não pensei em nada disto. Fiquei furioso – e aquilo não fazia nenhum sentido.
Quando eu iluminei o quarto e vi as marcas e arranhões na pele branca...
Maldito Saúlo.
Eu sabia que meu dever era cuidar da garota. Desde o primeiro dia eu fora nomeado quase um protetor.
Mas reações impensadas e trazidas para o lado pessoal não estavam na planilha.
Com um suspiro impaciente, levei a ponta do cigarro ao cinzeiro e amassei-o ali até apagar. Levantei e tomei o cuidado de sair discretamente.
Claro que poderiam ver – eu era o chefe ali na ausência do Lorde – mas naquele momento eu não queria que ninguém me visse.
Subi apenas os dois andares que restavam, e fui até o último quarto.
Abri a porta com lentidão e olhei para dentro.
Para meu alívio, ela estava dormindo.
Engoli em seco, sentindo meu pomo-de-Adão descer quase arranhando.
Entrei no quarto silenciosamente e fechei a porta.
Me aproximei , com ambas as mãos dentro do bolso da calça. À medida em que eu chegava mais perto, menor o corpo da garota me parecia.
De repente me senti grande demais. Ela parecia muito jovem e intocável ali naquela cama enorme.
E como era bonita... !
O Mestre até que teria sorte em tê-la.
Sem controle, meus olhos passaram lentamente do rosto, e foram descendo.
O pescoço fino ainda estava ferido por causa da barba daquele verme.
Aquilo fez meu maxilar travar.
Pensei que se um dia eu fosse passar meu queixo por aquela pele perolada eu teria que fazer a barba várias vezes ao dia para não machucar.
Travei no mesmo minuto.
Passar seu queixo...? Ela é a noiva do seu Mestre, pequeno traidor de merda.
Tirei uma das mãos do bolso e levei rapidamente aos cabelos, desarrumando-os. Foi a primeira vez na vida que tive um resquício de embaraço.
Sem poder tirar o olhar de cima, observei como o quadril redondo dela ficava elevado devido à posição – ela estava deitada de lado.
A cintura estava marcada através da camiseta. As pernas longas estavam cobertas – pela primeira vez – por uma calça escura que se aferrava às coxas femininas como uma segunda pele.
Com um gemido baixo e suave – o membro dentro da minha calça reagiu àquele som com uma rapidez impressionante – Hermione passou uma mão pelos próprios fios de cabelo, desarrumando-os e espalhando-os sobre o travesseiro; e virou-se para o outro lado.
O pequeno e formado traseiro ocupou minha visão e eu senti os lábios secos.
Que merda estava acontecendo comigo?
Eu estava sentindo tesão pela noiva do meu Lorde.
Meu membro naquele minuto estava duro como pedra, retorcendo dentro da calça como se procurasse por ela.
O temido Harry Potter desejava foder a intocável prometida do Lorde.
Quão ruim isso poderia ser?
X
Dois dias se passaram, e eu estava pronto para avisar à garota que dali a uma semana – finalmente – o Mestre viria para conhecê-la. E daquela vez não seria adiado.
Estava saindo de minha sala para ir ao quarto dela, quando Nott me chamou.
-Potter.
-O que é? –Virei-me.
-Acabou de chegar uma visita. –Nott pareceu sério, e eu franzi a testa. –Ele diz que teve permissão do Lorde e que veio passar alguns dias.
-Quem é? –Ergui uma sobrancelha, impaciente.
Antes que ele me respondesse, alguém apareceu por detrás. O rosto saiu das sombras e eu vi aquele sorriso familiar e convencido.
-Damon. –Eu constatei com a voz dura, observando-o entre meus cílios.
-Quanto tempo, companheiro. –Ele sorriu, mostrando os dentes brancos e retos.
Tive que cerrar meus dentes para não xingar em voz alta. Nott me olhou com a expressão muito parecida à minha.
-Então. –Damon bateu as mãos, numa palma, animadamente. –Onde está ela? A princesinha do Lorde é mesmo tudo isso que estão comentando?
Minha expressão deixou claro que toda a cortesia poderia ir por água à baixo a qualquer momento.
-Ela não é da sua conta, Damon. –Respondi com frieza. -Espero que não banque o engraçadinho por aqui e que tenha sido muito bem adestrado nesse tempo em que esteve fora.
-Ora, Ora. –Ele riu, me estudando atentamente com quase incredulidade. –Será que nesse pouco tempo aqui ela conseguiu tirar você do foco, Potter? Não. Acho que isso é uma missão impossível. –Sorriu abertamente. -Estou curioso sobre ela.
Olhei para ele com indiferença e frieza cortante como navalha.
-Cuide de tudo para o hóspede, Nott. –Falei, virando para o outro. –Eu tenho o que fazer agora.
-Está indo vê-la? –Damon apareceu atrás de mim.
Sem ouvir minha resposta, ele deduziu que sim.
-Posso? –Ouvi a risada em sua voz.
"Tanto faz", resmunguei comigo mesmo, olhando desconfiado para trás. Sentia como se tivesse uma onça me seguindo.
Eu entrei no quarto de Hermione sem bater na porta. Ela estava sentada sobre a cama, distraída com alguns papéis e canetas. Escrevendo algo, ou desenhando. Quando ouviu a porta, ela ergueu os olhos.
Aqueles olhos inocentes foram direto para mim – ela sequer olhou para o babaca que me acompanhava.
-Senhor. –Ela murmurou, colocando as pernas para fora da cama.
Merda.
Aparentemente ela havia decidido usar as roupas do armário, finalmente. De qualquer maneira, ela não tinha tido muita escolha.
Ela usava um vestido curto como o inferno. Branco. Que a deixava com a imagem perfeita de uma bela virgem ao sacrifício. Tinha expostas as pernas brancas e delicadas que aparentavam a maciez de um algodão – e estava descalça.
Ao ouvi-la dizer Senhor, olhando para mim, com aquela roupinha; aquilo fez algo querer rosnar em meu peito e meu membro dar uma sacudida.
-Perfecta. –Ouvi Damon ao meu lado.
Os olhos dela finalmente viajaram para ele, olhando-o com especulação.
-Este é Damon. –Apresentei, à contra gosto. –Ele vai... ficar conosco por alguns dias.
-Seu servo. –Damon foi calmamente até ela, olhando-a sem parar. Pegou a mão delicada e beijou demoradamente. Eu me movi, trocando o peso de perna. –Ao seu dispor, querida princesa. Se estes ogros não a estiverem tratando como merece, poderá falar comigo.
Dei uma risada pelo nariz, sem conter a irritação.
-Por favor, Damon. Ainda não é hora de mostrar tanta falsidade. Agora, se me permite, eu tenho que falar a sós com ela.
Ele sorriu, ainda segurando a mão de Hermione. Acenou de forma fingidamente cavalheiresca e se retirou.
Eu fechei a porta com força em suas costas.
-Não caia nesse papo da carochinha. Ele não é confiável. –Eu disse calmamente assim que fiquei a sós com ela.
-Prefiro que deixe o julgamento para mim mesma, senhor. –Ela me respondeu.
Atrevida.
-Muito bem. –Dei um sorriso cortante. –O que eu vou dizer vai ser rápido. Em sete dias aproximadamente o Lorde fará uma cerimônia para que o conheça pessoalmente.
-Acho que já ouvi isso antes. –Ela suspirou.
-Desta vez não será adiado. –A promessa em meus olhos fez com que ela ficasse mais séria e estremecesse. Eu sorri. –Esteja pronta para isso. –Avisei, antes de deixar o quarto.
Como eu esperava, Damon estava parado no corredor. Encostado na parede, com os braços cruzados, dirigindo um sorriso malicioso a mim.
-Agora escuta atrás de portas? –Perguntei sem alterar minha expressão.
-Você sabe que eu não preciso disso.
Infelizmente eu sabia. Aquele merda tinha seus poderes especiais de bruxo. Um deles era que tinha a audição aumentada várias vezes, de modo que podia controlar a aumentar ou diminuir isso.
-Mas não se preocupe. Não o culpo por não confiar em mim. –Ele sorriu.
O olhei de baixo à cima, cheio de desprezo.
-Agora você me deixou comovido. Obrigado por entender. –Ironizei.
Quando eu estava saindo, prestes a deixá-lo falando sozinho, Damon provocou:
-Agora eu entendo porque toda essa comoção ao redor dela. É realmente uma raridade, não é? Só tenha cuidado para não se envolver demais na sua missão, Potter.
Eu o olhei pelo canto do olho, desejando lhe dar um belo soco na fuça como ele merecia. Ou até mesmo matá-lo. Mas sabendo que eu não podia fazer nem um, nem outro, lhe mandei um olhar sujo e saí dali batendo a porta.
