Minutos depois, Sara aparecia no saguão. Parecia atordoada.
"Não íamos continuar vendo o caso?"
"Relaxe, Sara! Hoje é dia de folga! Afinal, estamos em Paris!"
Sara arregalou os olhos, não conseguindo acreditar no que ouvira!
Grissom explicou em poucas palavras, aonde iriam. Sara pediu-lhe um minuto para pegar a máquina fotográfica em seu quarto e ele concordou com a cabeça e foi esperá-la, na porta. Estava de excelente humor, não fosse o senão de ópera, poder-se-ia dizer que seu dia estava perfeito, e além de tudo ia caminhar com Sara, nessa bela manhã!
Se sentia um "grã- senhor", sendo tratado por Mimi e os outros funcionários do hotel, com respeito e consideração. "Os europeus são infinitamente mais educados que os americanos", pensou, "nossa civilização, se encontra em plena barbárie!". Interrompeu seus pensamentos, assim que viu Sara, despontando no saguão.
"A tout l'heure! (até logo!) Bom passeio" disse Mimi, num sorriso.
"A tout l'heure! E obrigada!" retribuiu Sara, a passos largos, se dirigindo para a porta.
Na rua, Sara voltou a sentir uma boa sensação de liberdade. Ela não sabia, mas era a sensação que o anonimato numa cidade grande e desconhecida proporciona. Não tinha os olhares perscrutadores dos CSI. Podia se dar ao luxo de ser ela mesma, e principalmente, de poder sentir-se como mais uma turista. Respirou fundo, como a querer guardar os cheiros característicos de Paris, e ouviu os ruídos da cidade, como se fosse uma sinfonia a se guardar, tudo compunha aquela cidade encantadora!
A caminho da Torre Eiffel, tirou vários fatos que achou interessantes para mostrar a verdadeira Paris, que não era apenas feita de cartões postais. Entre suas fotos estavam a de uma verdureira gorda, discutindo com um freguês, por causa de uma couve-flor; um motorista de táxi xingando um pedestre; um pedestre idoso dando umas bengaladas num automóvel cinza; um cachorro enorme puxando um rapaz raquítico...
Grissom ia a seu lado orgulhoso; com o passar dos anos, Sara fora ficando cada vez mais esperta (via pelas avaliações), e cada dia mais apetitosa, como mulher, bastava olhar para ela.
Sara tinha uma sensualidade que lhe era natural, embora às vezes escondida. Ela não fazia nada para alimentá-la: ela era própria à moça, e conseguia mexer incrivelmente com Grissom.
"Muito gentis, aqueles Laffon e Thierry, não te pareceu, Grissom?"
"Sem dúvida! Especialmente com você,Sara!", pensou Grissom, de má vontade. Limitou-se porém, a concordar.
O seu "sim", foi abafado pelo som de uma freada brusca e, logo depois o vociferar em francês, de um motorista bilioso,dirigindo-se a Grissom.
Sara, num relance, embora nada tivesse visto, podia adivinhar o que acontecera: Grissom atravessara a rua distraído, um carro quase o atropelara e agora, o motorista descarregava sua tensão, sobre o pobre Grissom, que apatetado pelo susto, no meio da rua, não sabia o que fazer. Sara, visivelmente preocupada, foi até ele e perguntou se estava tudo bem. Ele acenou.
Já na calçada em segurança Grissom, totalmente envergonhado, não sabia que desculpas dar a Sara. Não podia contar o que estava pensando nela. Ocorreu-lhe dizer, que estava distraído, pensando no crime.
"Mas você está bem, mesmo?" certificou-se ela.
"Sim, foi apenas um susto".
Continuaram seu caminho. Sara falava muito e compulsivamente. Parece que o nervosismo destravara sua língua.
"O Warrick já ligou?"
"Ainda não, Sara, temos de considerar o fuso... Sara!"
Grissom, de repente, se vira sozinho: onde estaria Sara? Amedrontado com aquela solidão súbita, estancou e girou para trás, dando com uma Sara a poucos passos atrás dele, imóvel, muda, olhando para a Torre a sua frente de boca aberta.
"Impressionante, não? Tem mais de 300m de altura e pesa cerca de 7.000 toneladas!" Informou ele vindo em sua direção e, pegando-a pelo braço.
Não era por medidas que a moça ficara impressionada, mas sim pela sua imponência. A torre parecia mais majestosa vista de perto.
Grissom continuava segurando-lhe o braço, como se repentinamente, ela fosse fugir. Sara apreciou muito o gesto. Sentir-se aconchegada e protegida pelo homem que amava representava muito.
Subiram, até o último "étage" (andar) e, lá em cima, tão alto, com Paris a seus pés, Sara não pode deixar de sentir, um friozinho na barriga. Debruçados na amurada, olhavam, sem se cansar da bela vista. Grissom começou a falar do histórico da torre.
Sara sorriu ao pensar nele, pesquisando o assunto. Percebeu então, que ele era tão solitário quanto ela. Enquanto ela passava horas navegando pela Internet, ele se agarrava por horas, aos seus livros estranhos.
"Você sabia, Sara, que a Torre Eiffel foi feita, em comemoração ao centenário da revolução francesa, em 1889. Tendo vencido o projeto arquitetônico de Gustave Eiffel's, entre 700 propostas apresentadas".
"A construção dela deve ter sido interessante." rebateu Sara se interessando, pelo assunto.
" Ela quase veio ao chão, em 1909, e isso não aconteceu, porque ela tinha antena pro telégrafo, que era muito importante, naqueles dias!"
"Que horror!" Disse Sara, juntando às palavras, uma careta contorcida, de quem não podia conceber Paris, sem a SUA Torre Eiffel!
Entraram no elevador e foram até o 2º "étage". Lá conheceram um simpático casal de Dallas, que tirou algumas fotos, deles dois. Grissom parecia descontraído: pôs o braço no seu ombro, pra tirar fotografia e até arriscou uma ou duas piadas com os Andersons, o casal texano.
Depois, Grissom quis ir até a Loja de souvenires. Sara foi com ele, mas o deixou livre para escolher o que quisesse. Ela apenas olhava de vem em quando, para ver qual objeto chamava a atenção dele. Estava curiosa, já que ele não dissera o que queria, nem pra quem. Escolheu um chaveiro com a Torre Eiffel, que estava mesmo precisando. Depois escolheu um relógio de mesa, com a torre colada ao lado.
Enquanto esperava pelo pacote ele parecia muito feliz com a aquisição.
Sara se viu pensando em quem ganharia o mimo. Catherine? Outra qualquer? Um lampejo de ciúme a invadiu.
"Sara controle-se, você não pode desmoronar a cada coisa que acontece, afinal, ele não se comprometeu com você nem com ninguém". – pensou ela, tentando se convencer, com pouco sucesso.
Após visitar a Loja de Souvenires, Grissom sentiu fome e tentou entrar no Restaurant Jules Verne, naquele mesmo pavimento. Foi barrado, porém, e depois de um breve bate-boca, explodiu com Sara:
"Mas que diabo de cidade!Tudo aqui precisa fazer reserva!?!" lembrou-se da ópera e, ficou azedo de vez.
Sara já devia estar acostumada, mas a verdade é que durante esta viagem, ela não sabia porque, o humor de Grissom andava muito mais instável do que nunca. Ela atribuiu ao estresse, a que ele era submetido pela profissão.
Foi Sara, quem resolveu a situação. ela disse que havia visto uma portinha do Mac Donald's, e eles podiam ser americanos e almoçar lá! Grissom não ficou muito satisfeito, mas acabou concordando.
Antes visitariam o 1º étage, para ver o que havia ali, e depois iriam almoçar.
Sara viu que ainda estavam bem alto, aproveitou para tirar umas fotos panorâmicas e, depois foram visitar um Museu de Áudio e Visual, que contava a história da Torre - coisa que acabou atiçando a curiosidade de Grissom.
Quando foram à procura do Mac Donald's, já iam dar 14 h, e Sara começava se impacientar, mas ele pediu, que ela não se afobasse, pois o dia era todo deles e, o próximo passeio não tinha hora marcada.
"Que passeio?" Questionou Sara.
"Surpresa!" Disse ele. (Sara ficou mordida, com aquela resposta que nada respondia, e Grissom achou graça da cara dela).
Da mesinha que ocupavam na lanchonete ainda podiam avistar a imponente torre que parecia agigantar-se e estar em toda a parte.
Pegaram o metrô e desembarcaram na Estação que Mimi indicara e, de fato, ficaram cara a cara com a Pont Neuf e dali, alcançaram a Marina, com facilidade.
"Barco?!" Exclamou Sara. "Você quer passear de barco?"
"Por que não?!"
TBC
