Notas:
Ruído ensurdecedor… Poeira oriunda da chaminé… Gargalhadas maléficas… Será? Será? É o irmão malvado do…
Ho! Ho! Ho! Santa Claus chegou!
Hnf! É só o Pai Natal e ainda por cima está super atrasado! Rodolfo, erraste o caminho outra vez e acabaste em Vénus? Seu mulherengo!
Capítulo 5
Casamento de Verão
Os gémeos Jackson observaram com curiosidade a porta que parecia emitir estranhas vibrações potencialmente nocivas.
― Quantos dias passaram desde que ele se encerrou naquela sala?
― Vai fazer uma semana. Não sai nem para comer. Como é que ele sobrevive?
― Temos de fazer algo, Harry, caso contrário o nosso plano vai acabar por ir por água abaixo.
― Concordo, mas como é que vamos tirá-lo de lá? Nem sequer sabemos o motivo pelo qual se trancou…
As palavras do jovem de olhos verde-água foram interrompidas pelo chiar da porta a abrir.
― Terminei ― murmurou o Mestre de Poções, apoiando-se na soleira da porta desfalecidamente.
Severus deu um passo e caiu inconsciente no solo do corredor de Snape Manor.
A luz bateu teimosamente contra as sensíveis pálpebras do moreno que pestanejou lentamente.
― Bom dia, Severus, penso que temos de colocar algumas regras nas tuas incursões no interior do Laboratório de Poções ― declarou a muggle com confiança ganha através de coabitação e convivência.
― Sally? ― interrogou com a visão desfocada pela desnutrição e cansaço.
― Qual foi a tua ideia exatamente?
― Não queria desiludir-te depois teres por fim reunido a confiança e coragem para me contar a verdade.
― Ah! Sinceramente, Severus, pensei que já tínhamos esclarecido o assunto…
― Mas consegui resolver o problema, Sally ― exclamou o homem, impedindo-a de prosseguir com o raspanete.
― Como assim? ― perguntou com ligeiro interesse.
― Uma poção tradutora! ― exclamou o Mestre de Poções com confiança e satisfação ― Assim que a tomarem, todos os textos que lerem aparecerão em grego antigo, não que eles se vão aperceber disso e para as pessoas à sua volta tudo parecerá normal ― disse, procedendo a explicar detalhadamente. ― Ninguém irá desconfiar da procedência divina deles, pois para as pessoas comuns o texto permanecerá no idioma original. É simplesmente perfeito. Deu algum trabalho, devido às diversas alterações que tive de realizar à versão protótipo que tinha criado primeiramente, mas valeu completamente a pena.
― Estou muito grata por toda a tua ajuda, mas como é que vamos fazer para que as crianças tomem a poção sem desconfiar?
― Também já pensei nisso, diremos que é um tratamento para a dislexia severa.
― Hmm… Sim, deve funcionar.
― Sally, não te perguntei isto antes, uma vez que ainda não sentia que houvesse confiança suficiente para abordar um tema tão delicado… Os gémeos sabem sobre a identidade do pai deles? Quem ele é? Ou melhor, o que ele realmente é?
― Não, quero esperar que cresçam um pouco mais.
― Compreendo. No entanto, devemos assegurar-nos que ninguém no Mundo Mágico descubra, seria demasiado perigoso. Para tal criei um amuleto para proteger a tua mente de qualquer possível invasão.
Severus abriu a gaveta e pegou num pequeno medalhão que havia enfeitiçado previamente e cedeu-o à muggle.
― Nunca o tires, principalmente na frente de Albus Dumbledore ― concluiu, enquanto esta passava o pendente em forma de lágrima pela corrente de ouro que utilizava ao pescoço junto com um misterioso anel.
Já mais reposto, o professor uniu-se à família Jackson durante o almoço, onde administrou a poção tradutora a ambos, relembrando-os de tomá-la uma vez por ano, sem falta ou a sua dislexia atacá-los-ia novamente.
O mês estava a chegar ao fim, providenciando um crescimento ao nível de pânico dos gémeos que desejavam que a mãe fosse com eles para Hogwarts, razão pela qual estavam a discutir o assunto nesse preciso momento.
― Realmente querem assim tanto que eu vá com vocês que não se importam que me case com alguém que mal conhecemos?
― Mãe, eu nunca frisaria tanto a ideia se não achasse que o Senhor Snape é de confiança ― disse Harry com um brilho de maturidade rara no olhar.
― Eu concordo, neste mês que passámos juntos, pude aperceber-me de que ele é de facto uma boa pessoa, um pouco tosca, silenciosa e extremamente desajeitada no âmbito social, mas uma boa pessoa no final de contas.
― Confesso que apesar de não ter gostado da vossa atitude inicial… Casamento não é para ser levado tão ligeiramente. Bom, vocês têm razão e não me quero separar de vocês.
― A sério? ― perguntaram os gémeos em uníssono com semblantes luminosos pela expectativa.
― A sério, mas só seguiremos em frente com isto se Severus concordar ― falou Sally, encerrando o tema pelo momento.
Uma nova manhã chegou e os gémeos aguardavam ansiosamente a resposta do Mestre de Poções.
― Muito bem ― murmurou, intercalando um suspiro. ― Mas se realmente pretendem seguir em frente com isto, há algumas regras que devemos seguir de forma a validar o matrimónio no Mundo Mágico ― disse o homem, recebendo acenos entusiasmados por parte de Harry e Percy.
Como tal, dirigiram-se à conservatória de registo civil para formalizar o casamento e de seguida a Diagon Alley para proceder aos termos ditados pela lei mágica.
― Uau! O arquiteto tinha de estar muito, mas mesmo muito bêbado para projetar algo assim! ― exclamou Percy arrancando gargalhadas ao irmão e à mãe ― Ei! Porque é que se estão a rir? Vão dizer que não pensaram algo semelhante?
― Yep! Totalmente! ― respondeu o gémeo mais jovem ― Como é que conseguiram fazer um edifício tão torto? Nunca pensei que fosse sequer possível construir algo assim. Quase chega a desafiar as leis da física.
― Mas não mais que a Torre Di Pisa em Itália ― constatou o jovem de olhos verde-água.
― Hmm… Se recordo corretamente, o ângulo foi puramente acidental ― murmurou Severus, tentando recordar o que havia lido num livro da Biblioteca de Hogwarts tempos antes. ― Um mago com demasiado tempo livre decidiu ir ao Mundo Muggle, mas já tinha muitos copos em cima e uma varinha predisposta a causar catástrofes. Essa nem foi a maior, apenas a mais famosa ― disse, encerrando o assunto e entrando no edifício conhecido comummente como Gringotts Wizarding Bank.
Após assinar os respectivos papéis, o casal foi informado que o certificado comprovativo seria enviado ao Ministério da Magia e agregado ao Registo Matrimonial Ministerial o mais tardar no prazo de quarenta e oito horas.
De regresso a casa, a família recém-formada Snape-Jackson decidiu celebrar o início dessa nova experiência com um pequeno piquenique veranil.
Sally ordenou aos gémeos que estendessem uma manta sobre o jardim e pediu a Severus que a ajudasse a levar os alimentos, colocando-os em pequenas cestas que o Mestre de Poções dispunha sobre a toalha de xadrez azul e branco.
― Acho que orquestrámos um verdadeiro milagre, crianças! ― exclamou a mulher de olhos azuis com sorriso pintado na sua bela face ao observar a fachada imaculada da casa.
As persianas, agora livres de sujidade, apresentavam um bonito tom verde pinho metálico, selecionado rigorosamente por Severus sob a supervisão da única mulher da família, que contrastava perfeitamente com a pintura nívea das paredes que circundavam a porta de madeira lacada em negro que combinava perfeitamente com o telhado igualmente escuro, conformando um conjunto bonito e bastante estético.
As janelas haviam sido abertas pouco antes para arejar o interior da casa, deixando passar uma leve brisa de verão que brincava travessamente com os cortinados azuis esverdeados.
― Tenho uma dúvida ― falou Harry repentinamente, quebrando o agradável silêncio que os rodeara, dirigindo-se ao novo padrasto. ― Deveria chamar-te pai? ― perguntou com um sorriso brincalhão.
Severus quase desmaiou de susto.
"Isso… nem sequer me tinha ocorrido… Agora sou pai?", pensou o pocionista. Severus nunca se considerou uma pessoa do tipo paternal, pelo que a mera ideia havia-o chocado ligeiramente.
― Pelo pouco que o Senhor Snape nos contou e pelo que nós nos pudemos aperceber, os outros professores provavelmente terão um ataque cardíaco do tipo fulminante caso venham a descobrir ― disse o jovem de olhos verde-mar.
― O que achas de testarmos a tua teoria, irmãozinho querido? ― questionou Harry com voz traquina, passando o braço direito por cima dos ombros de Percy.
― Oh! É uma ideia fantástica! Qual preferes, pai ou papá? ― soltou na direção do Mestre de Poções.
― Deveríamos subir as apostas e adotar o sobrenome Snape? Dessa forma colapsariam assim que fossemos chamados para a Cerimónia de Seleção ― declarou o gémeo menor ao que o homem se arrependeu da hora em que lhes explicara o regulamento de Hogwarts, nomeadamente a existências da Casas e como estas funcionavam.
Notas:
Espero que tenham gostado do capítulo e que não atentem contra a vida do pobre Santa que não tem culpa nenhuma do atraso.
Pobre Pai Natal… ter uma rena armada em playboy, que só pensa em meninas bonitas e em vez de ir entregar os presentes decidiu tomar um atalho por Vénus e perdeu-se por lá. O que é que se há-de fazer?
Feliz 2018!
