Sem aviso nesse capítulo ^^ Entenderão porque logo logo (ou agora mesmo).
Ian corria como nunca correu antes, porém não sentia aquele vento estúpido batendo em seu rosto. O vento estava lá, e ao mesmo tempo não estava. Ele não se cansava de correr e nem sabia o porquê de estar fazendo aqui – e ainda no meio de uma floresta! Mais aleatório, impossível.
Correu como se não houvesse amanhã até a sua visão e deparar com um borrão vermelho e fraco em um raio de vinte metros. Ele semicerrou os olhos com força após parar de correr.
Ian Kabra tinha encontrado a pessoa que menos imaginou encontrar ali.
Voltou a correr desesperado ao encontro dela, chamando por seu nome. Ela não respondia, não se mexia. Ian entrou em desespero depois de ficar frente a frente com a menina. Ela estava de cabeça baixa, Ian não podia ver seus olhos, mas podia ouvir um soluço fraco. Ele sabia que a menina estava chorando.
Sacudiu-lhe os ombros, gritou por seu nome. Fez de tudo, mas só convinha na sua cabeça que ela não estava ali e aquilo tudo era um truque da sua mente.
– I-Ian... – ele ouviu pela primeira vez algo sair de seus lábios.
Respirou aliviado. Ela estava lá
– Sim, amor. Pode falar.
Amy levantou a cabeça lentamente, deixando os olhos vermelhos e cansados encontrarem os de Ian.
– E-Estou com frio.
Ian levantou uma sobrancelha, erguendo a cabeça para olhar o céu. Mais quente ou ensolarado somente no centro da Terra. Voltou a encarar Amy, botando uma mão em sua testa. Fervendo.
– Amy, vamos para um hospital, que tal? É impossível você estar com frio.
Amy sacudiu a cabeça.
– O frio não é por fora – ela suspirou, desviando por um momento o seu olhar para o peito de Ian, colocando uma mão no lado esquerdo do mesmo. – É por dentro.
– O quê? – Ian não entendeu mesmo assim.
– O f-f-frio é por dentro. – ela tocou o seu próprio lado do peito, onde encontrava-se o coração. – Pode me ajudar?
Ian respirou fundo. O que Amy planejava que ele fizesse?
– Como? Fale que eu ajudo.
Seus olhos encheram-se de lágrimas pequenas e o lábio começou a tremer. Ian abraçou-a, em choque, e disse que tudo estava bem. Amy só repetia "Ajude-me... Ajude-me..." e ele entrou em pânico. Queria ajudá-la, mas não sabia como.
Ian não sabe porque fez aquilo. Era o desespero de fazer Amy parar de chorar, soluçar, talvez? Era a angustia de vê-la triste? Ou... Por que ele queria em seu subconsciente?
Independente do porquê de tê-lo feito, não mudava o fato de que ele havia beijado-a.
Acordou erguendo o seu corpo, com a boca semiaberta, respirando com dificuldade. Olhou para cima, para ver se a câmera ainda estava ali. Não estava.
Bom. Não, ótimo. Ele não queria que Natalie tivesse gravado aquilo, ainda mais se ele realmente tivesse chamado o nome de Amy como fez no sonho.
Ian, para ser uma narradora honesta, não queria demonstrar que se preocupava com algo além de sua aparência. Se Amy visse aquilo, poderia pensar grandes absurdos – ou nem tão absurdos assim.
Sonho... Teria sido realmente aquilo um sonho? Tudo era tão real, como se Amy realmente estivesse lá... Até o beijo parecera real. O Kabra sacudiu a cabeça – não podia pensar nisso naquele estado. Olhou para o relógio do lado da sua cama, enquanto mexia no cabelo. Uma e quarenta da manhã, Sábado. Largou o relógio de qualquer jeito e empurrou as costas para trás com raiva. Ele tinha certeza absoluta que não conseguiria dormir.
Uma coisinha chamada insônia interromperia o seu desejo de dormir e talvez continuar o sonho inacabado. Teria sido isso o que a Amy do sonho dizia? Aquecê-la por dentro com um beijo...
Ian rolou os olhos para a própria fraqueza. Ele não pensaria na Cahill daquela maneira. Nunca. Aquela história toda de desejo do corpo, eu te amo aqui e acolá, era para irritá-la e ele divertir-se com isso.
Irritá-la era uma coisa muito cômica para ele esses dias. Ele precisava irritá-la todos os dias. Precisava daquele ódio disfarçado de amor para afastá-lode seus verdadeiros problemas.
Na verdade, ele não precisava irritá-la, ele precisava dela, mas parecia não querer acreditar que precisasse de algo para ser feliz além de dinheiro.
Encarando o escuro do seu quarto, tomou um leve susto ao ver que uma luz se acendeu no escuro. Olhou para o lado e sorriu maliciosamente. Já sabia o que era, e, como um relâmpago correu para o computador, como sempre fazia.
– Amy digitando no blog. – a voz automática disse.
A página inicial da sua internet era o blog da Cahill já logado. Por ter a melhor tecnologia – somente perdendo para a rapidez dos eletrônicos dos Ekat –, o computador ligou automaticamente. Ele sorriu ao ver o que Amy estava digitando. Insônia, hein? Pelo jeito, sofremos das mesmas coisas de noite, amor.
E assim se seguiu mais um post no blog de ambos.
Ele começou a suar frio por razão nenhuma. Amy veria o vídeo? Oh não. Não, não, não. Ele achava que a prima só estava tentando fazê-lo assumir que realmente sonhava com a Amy e nada mais. Ian achava que ela não tinha posse daquele vídeo.
Ian Kabra cruzou os dedos praticamente para não ser o vídeo que ele pensava – em um ato de completo desespero. Esperou, esperou – até mandou um e-mail para a Amy dizendo para não abri-lo! – até que percebeu na volta da Amy que não fora aquele vídeo.
A prima Ana nunca teria posse daquele vídeo. E, se tivesse... Ele nem poderia pensar no que seria de sua sanidade, e no material de chantagem que Amy teria sobre o mesmo.
Sua vida estaria arruínada se qualquer um visse o que ele disse em voz alta.
Continuando com a honestidade, Ian disse que uma coisa que nunca afirmaria de novo. Uma coisa bastante séria e que nunca diria novamente. Quatro palavras, consegue adivinhá-las? Uma delas é um nome. Um nome que Ian Kabra já mencionara.
Sim. Eu sei no que você está pensando. Ian poderia ser mais óbvio?
Explicado o porquê de não ter aviso e o nome do capítulo? Ótimo.
Ah, e só falando mesmo, eu não sou a narradora ^^
~CaahT39C
