Chapter 6: Conter

Summary: Olá a todos, demorei? Espero que não. Rsrs.
Então, lembram que eu disse que esse capítulo estava concluído e que eu já tinha adiantado alguns... não era mentira, maaaaas, eu tive a BRILHANTE ideia de assistir a terceira temporada antes de concluir essa fic então... eu não fiquei satisfeita com o capitulo atual e tive de reescrevê-lo.
Aí está a modificação.
Esse capítulo deveria ser escrito sobre o ponto de vista do Scott, mas, eu senti que ele não tinha direito de integrar na fic, ainda, ele irá, no futuro. Mas, por hora, não sei até quando, a fic vai se voltar apenas nas pessoas do pack e Stiles, que estão interligados. Algumas informações pra não se confundirem. Como eu escrevi essa fic antes da terceira temporada começar, eu não sabia do apartamento do Derek, muito menos do Peter e, para mim, Isaac continua sempre fiel ao Derek e não ao Scott. Eles estão vivendo em uma parte da mansão Hale, onde, para mim, não teve grande interferência do incêndio. E pra não dar desconexo da história, não vou simplesmente fazer o Derek aparecer com o apartamento do nada.
Por enquanto é só. Boa leitura.


Capítulo seis. Conter.

Uni, duni, tê?

Porto do Mediterrâneo, 1654? Ano ruim. Safra ótima.

Sala, me, mingue.

Braga, 1933? Ano chato. Safra mais ou menos.

E o escolhido...

França, Paris, 2001. Ano comum. Safra incomparável.

- Foi você. – cantarolou, puxando uma garrafa de vinho da adega escondida embaixo da mansão. Mesmo com o incêndio provocado, apenas um quarto da adega fora prejudicada. Onde estavam os barris de festa da família.

Olhou entristecido para a garrafa de vinho, abrindo-a deliberadamente para poder sentir o cheiro doce e refinado. Cheirava às festas da família, às boas histórias em frente à lareira entre os mais jovens, os casais que se formavam na sala confortavelmente. As conversas e brincadeiras entre os adultos, as danças e, principalmente, os banquetes.

Os Hales eram ricos por natureza, além da natureza lobo, é claro. A Família era um símbolo nobre e virtuoso, era um brasão dos antigos guerreiros, uma memória viva das épocas de cavalaria e títulos nobres. Mesmo que ele não tivesse vivido tanto para ver àquela época, Peter sabia muito bem o que era viver em luxo, o que era ter nobreza. Tantos anos sendo guiado por lobos mais velhos, lobos de épocas barrocas, se assim podem me compreender melhor. Peter fora criado para ser rei, para coroar o topo da família, ele era A Família.

Fungou ruidosamente, esfregando os olhos cansados. Derramou o líquido escuro e fino em uma taça de açúcar, sorvendo demoradamente. O líquido esquentou sua garganta e fez seus músculos internos relaxarem em gozo maravilhoso.

Sim. Peter era um nobre.

E ele sabia quais as escolhas para um nobre.

Desde vinhos, às decisões importantes para a família. Como seus companheiros.

Soprou um suspiro longo, sentando-se em um barril chamuscado e sorveu mais do vinho.

Era difícil para um lobisomem de embebedar. Por isso ele não tinha medo de beber toda aquela adega de uma vez. Apenas bebidas específicas podiam surtir algum efeito nele. Mas o cheiro. O cheiro de álcool pobre do dia anterior podia continuar impregnado neles. E aquilo era... deselegante.

Por isso ele bebia em raros momentos.

Momentos oportunos.

E ali. Naquela hora, ouvindo a conversa conturbada de seu sobrinho e seu respectivo companheiro. Era mais que oportuno. Era quase um dever de Peter dar aquele espaço para ambos.

Além dele mesmo ter um espaço próprio.

Ser caçado, ser torturado, ter sua família tirado de você e ser acusado por isso era... demais. Até mesmo para Peter.

Como as pessoas poderiam sequer pensar que um lobisomem, alguém que, além de ser membro da matilha, alguém da família poderia pensar em atear fogo em sua própria casa? Qual o proposito disso? Não havia sentido.

Só humanos mesmo para pensarem assim.

Tossiu um som amargurado e voltou a beber do vinho, dessa vez até à ultima gota da taça. Olhou para o vidro vazio como se ele fosse o motivo de todos os seus problemas. Bufou indignado e encheu novamente a taça, não perdendo tempo em sorver do líquido novamente. Por fim colocou a taça apoiada em seu joelho e se recostou na parede atrás de si.

Não era confortável, mas era melhor do que o chão.

Onde ele estava mesmo? Antes daquele sentimento horrível transparecer seus pensamentos obscuros?

Ah, claro.

O companheiro perfeito.

Muitas pessoas acreditam tanto que o companheiro perfeito é apenas aquele submisso e recatado que apenas obedece às ordens de seu alfa ou abri as pernas quando lhe é exigido. Não poderiam estar mais enganados.

- Um companheiro é... a eternidade em sua plenitude. – Todos os lobisomens nascidos tem conhecimento de que sua vida dura, em média, mais de mil anos. Não, eles não são eternos, duram bastante, mas não para sempre.

Eles não envelhecem como os humanos. Suas peles ficam "esticadas", seu corpo cria um mecanismo de retardamento que o impede de envelhecer no mesmo ritmo que os seres humanos. Claro, eles ficam velhos por dentro, seus lobos se cansam também, fica mais difícil resistir aos impulsos algumas vezes, mas... por fora, parecem terem parado no tempo.

Houve uma época em que os lobos nascidos, depois de um tempo, sem companheiro ou matilha, decidem por se deixar dominar pelo seu lobo interior. Virando a criatura. Esquecendo-se do lado humano.

O companheiro torna eterno o equilíbrio com o lado humano. – Ele é a nossa ancora. Para toda a eternidade. – Em terra, ou na morte.

Esticou o pescoço para o lado, sentindo-o estalar e relaxou novamente, tomando mais do vinho.

- Por que eu tenho de ouvir aqueles dois se amassando em plena cozinha? – ouviu um resmungo vindo em direção da escada.

- Prefere ir ver? – gracejou, rindo do som enojado que Isaac deu. Não precisava se virar para vê-lo sentado, com os joelhos sobrados juntos ao peito, cansado e vestido nas roupas elegantes que Peter e Derek compraram para ele.

O menino era uma gracinha pra brincar de bonecas. – Por que está aqui? – falou o dito cujo sem sair do lugar.

- Preferia que eu estivesse lá vendo?

- Você não está aqui ouvindo de qualquer maneira?

- Stiles não sabe disso. – riu para si e virou-se para o mais novo, suspirando para o jeito típico desolado do adolescente. Um filhote que se sente abandonado. Abandonado por seu alfa. Pior, em troca de um humano. – Seja um bom menino e pegue outra taça ali no baú.

Ouviu mais do que viu o garoto se levantar e arrastar-se para pegar o objeto. Então ele se aproximara de Peter, estendendo o vidro para ter um pouco do vinho nele.

- Sabe que sou menor de idade, não é? – burlou-se o adolescente, recebendo um sorriso de lado do mais velho.

- Então prometa pro titio que não dirá nada ao papai e o titio promete ficar quieto sobre suas escapadas durante o treino não supervisionado. – falou baixo o suficiente só para eles dois ouvirem e riu da cara pálida que Isaac mostrou. – Vamos, brinde comigo. Afinal, nossa família vai crescer.

- Por que está fazendo isso?

- Gosto de vinho, não preciso realmente de um motivo para beber. E beber sozinho é chato, apesar de mais lucrativo. – gracejou, sorvendo o líquido ao mesmo tempo em que Isaac desabava aos seus pés, de costas pro barril.

- Você sabe o que eu quis dizer! – rosnou Isaac, brincando com o vidro entre os dedos. – Por que deixar Derek e Stiles se aproximarem? Sabe que Stiles nunca permitirá se tornar lobisomem, ele ama demais o pai pra se deixar levar por uma boa transa. Mesmo por Derek.

- De fato. – murmurou, rodando a taça de maneira elegante, sorrindo para o olhar curioso do mais novo. – O que?

- Você sabe disso, não é?

- Sim, eu sei que Stiles não quer se tornar um lobisomem. Mas as coisas mudam – deu de ombros em descaso – apesar de eu achar que eu deveria ter mordido ele há muito tempo, ele é um prêmio mais valioso se for humano. – seu tom fora arrastado, misterioso.

Isaac sabia que tinha muito mais por trás de tudo aquilo que Peter queria dizer, muito mais do que ele tinha de imaginar. E por isso e muito mais ele tinha medo de Peter, ele temia Peter com sua vida, sabia que tinha sempre de estar com um pé atrás quando se tratava do lobisomem mais velho. Ele não gostava desse sentimento.

Ele não gostava de Peter.

Mas o que ele podia fazer?

Peter era tio de Derek, a única ligação familiar que ele tinha. Isaac era só um moleque que acabara de entrar naquela matilha, um lobisomem jovem e inexperiente que não podia nem mesmo sair de uma briga sozinho. Sempre precisando de Derek para guia-lo.

E Isaac o seguiria cegamente. Sem pestanejar.

- Então, vamos filhote? – brincou Peter, abaixando-se o suficiente para afagar os cabelos de Isaac, o mesmo não sabendo como reagir, mas surpreendeu-se ao quase choramingar quando os dedos longos saíram de seus cabelos.

Que diabos foi aquilo?

Ele estava confuso, amedrontado, ele estava curioso também.

Ele conhecia aqueles sentimentos, sabia o que viria depois.

Mas ele não ligava. Por que ele sabia que se Peter tentasse machuca-lo, Derek iria socorrê-lo. Isso é, antes de Stiles aparecer ao menos era assim. E Isaac sabia que seu medo era pela presença do humano.

Medo de não aceita-lo. Medo de Derek não olhá-lo mais. Medo de perder a única boa coisa que aconteceu com ele desde... sempre.

E ele não gostava de ter medo.

Ter medo era dizer aos inimigos que ele era fraco. Ter medo era expor uma abertura para ataca-lo. Ter medo, para Isaac, era uma prisão.

Ele viu Peter saltar do barril e, em um movimento elegante, guardou a garrafa de vinho em seu lugar, dando um meio giro e se curvou levemente para a plateia invisível.

Isaac ergueu uma sobrancelha, então se levantou também, sem saber ao certo o que dizer, apenas esperou Peter tomar à dianteira. O que não aconteceu, até que Peter aproximou-se o suficiente para suas respirações se batessem. – O que está fazendo? – sussurrou Isaac, corando por saber que Peter estaria ouvindo seu coração bater rápido.

Medo, ansiedade, insegurança.

Ele não queria deixar Peter entrar, ele não precisava do mais velho. Ele podia lutar sozinho. Ele só queria Derek, queria segui-lo e se submeter. Ele só precisava de uma palavra. Uma palavra de Derek e Isaac se atiraria sem pestanejar.

Por que foi Derek quem o salvou na primeira vez, não Peter. Muito menos Stiles.

E mesmo que os sentimentos ruins se manifestassem de maneira estranha dentro dele, mesmo que ele sentisse vergonha de si mesmo por sentir rancor e mágoa de pessoas que não tinham culpa pelo o que ele passava nas mãos abusivas de seu pai. Ele não podia deixar de culpar aos outros por não vê-lo, não podia deixar de se sentir excluído. De se sentir alguém invisível.

Ninguém enxergou o seu perigo. Ninguém sequer olhou para ver se ele estava bem. Ninguém olhou duas vezes para suas feridas, engolindo facilmente suas mentiras fajutas de como as obteve simplesmente porque... porque eles não se importam!

Ninguém se importou.

Foi preciso toda uma cena de um crime, uma reviravolta na sua vida para que alguém o notasse.

Um lobo o notou! Derek, precisamente.

E Isaac não conseguia ver outra maneira de agradecê-lo senão seguindo-o.

Ao Derek, não ao Peter.

- Acalme-se, filhote. – sussurrou o mais velho, levando a mão novamente aos cabelos do outro, bagunçando-os com os dedos.

E mesmo que o mais velho dissesse isso, mesmo que ele o acarinhasse. Isaac ainda tinha raiva, sentia seu lobo se remexer.

Porque Stiles estava querendo tirar Derek dele.

Isaac sentiu seu corpo entrar em erupção, um calor estranho e aconchegante o fez se derreter quando os dedos do mais velho enrolaram-se em seus cachos. Quase choramingou quando os dedos se afastaram, mas inclinou o pescoço quando o carinho se voltou para logo abaixo de sua orelha esquerda, fazendo-o esquecer de todo o resto e se focar apenas nos olhos muito azuis de Peter a sua frente.

- Tudo vai terminar bem filhote. – ouviu o mais velho sussurrar. – Logo tudo acaba.

Sim, ele queria que acabasse. Ele queria que tudo o que Derek estivesse sentindo fosse um desejo passageiro.

Tudo acabaria.

Se Stiles fosse embora.


Notes: Comentários são bem vindos.