Título: Eternity
Ficwriter: Felton Blackthorn
Beta: Paulili
Pairings: HPDM
Classificação: M (apenas por precaução)
Gênero: Slash (masculino)
Disclaimer: Harry Potter e seus personagens pertencem à J.K. Rowling e empresas associadas. Este é um trabalho feito de fã para fãs sem fins lucrativos.
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Atenção: talvez esta história fique um tanto longa, e talvez eu resolva abordar temas como m-preg, incesto e lemon slash explícito (entre outros). Nada disso acontecerá nos primeiros capítulos. Mas aviso desde já que tudo pode acontecer...
Atenção02: essa fic não segue todos os acontecimentos dos livros fielmente. Apenas alguns. Tecnicamente se passa no início do 6º ano.
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...os dois continuam andando...
...porque depois não poderão voltar...
mas agora no fundo de seus corações
a dor de um crime nunca irá se apagar...
CAPÍTULO SEIS
PARTIDA
- Não estou com fome. - afirmou Draco, cruzando os braços e mirando o Frei com seu olhar mais desinteressado.
Harry reparou que sempre que estava nervoso, o Slytherin cruzava os braços daquela maneira tão peculiar. No segundo seguinte empurrou aquele pensamento para o fundo de sua mente. Concluir coisas como aquela não lhe deixava confortável.
- Então apenas sente-se comigo. Quero saber mais sobre seus infortúnios.
Draco fez um esforço para não mostrar todo o seu aborrecimento.
Sem saída acabou concordando com um aceno de cabeça. Satisfeito, Frei Tomás virou os olhos azuis para Harry, analisando-o mais a sério pela primeira vez naquela manhã. Parecia resolver o que faria com ele.
- Vá ajudar o irmão Gonzales a selar os cavalos.
- Sim... senhor...
- Venha comigo, Jovem Senhor.
Draco deu um último olhar na direção de Harry antes de seguir Frei Tomás. Por um segundo o Gryffindor pensou em impedir, julgando ter visto a chama de um pedido de socorro nas íris acinzentadas. Por fim, mudou de idéia. Aquele era Draco Malfoy, ou seja, provavelmente o Frei que precisaria de ajuda...
Saiu desanimado, pensando em procurar irmão Gonzales. As coisas estavam começando a se complicar mais e mais. A separação fora muito brusca, quer dizer, não deveria acontecer, os bruxos deveriam ficar juntos.
Claro que não era definitiva. Na primeira oportunidade (ou seja, assim que chegassem em Londres) Draco e ele escapariam das garras do religioso e rumariam para a segurança de Hogwarts. Até lá só tinham que se manter vivos.
E isso já seria um grande feito, em vista das circunstâncias...
Para sorte do Gryffindor, ele nem precisou procurar pelo outro padre. Ele estava rodeando a sacristia e começou a seguir para fora da igreja, indicando, com um gesto de cabeça, que Harry deveria segui-lo.
Foram em silêncio até a cocheira, localizada atrás da construção. Era um tanto pequena e estava lotada com quinze animais. Havia uma bonita carruagem mais a frente. A igreja ficava de costas para um extenso campo verde, de grama alta, numa direção contrária a cidade.
O moreno perdeu bons segundos admirando a pitoresca paisagem, quando sentiu um olhar pesar sobre si. Virou-se para o lado e notou que um mal-humorado padre Gonzales começara a selar o primeiro cavalo e olhava de mal jeito para Harry, que não dera nem um passo em direção a cocheira.
Caindo em si, o jovem bruxo percebeu que nunca fizera uma coisa dessas antes! Na verdade nunca havia andado a cavalo na vida. Já vira vários pela televisão... mas ao vivo e a cores... por onde devia começar?
Não podia perguntar ao padre, porque teoricamente ele achava que Harry devia saber fazer aquilo, na condição de Escudeiro...
Maravilha...
Se houvesse um feitiço para isso... (Harry apertou a bolsa por baixo da capa, lembrando-se da varinha que estava escondida ali.) Pensando bem... onde Draco havia enfiado a dele? Que soubesse o loiro não estava com uma mochila... e também não deixara a varinha nas roupas que foram queimadas...
Então percebeu que o padre ficava com uma expressão mais feia a cada segundo, com certeza temendo ter que fazer tudo sozinho...
Disfarçando que sabia selar um cavalo, Harry aproximou-se de um, preto e gordo, de aparência magnífica, e dissimuladamente começou a vigiar o que o padre fazia, pretendendo imitar-lhe os movimentos.
O homem pareceu satisfeito e parou de olhar feio para o Gryffindor.
Ajeitando o óculos na ponta do nariz, Harry lembrou-se das aulas de Trato das Criaturas Mágicas com o Hagrid. A com o Bicuço parecia encaixar-se quase perfeitamente ali. Primeiro tocou no pêlo do animal.
Esperou que ele se afastasse (ou quem sabe lhe mordesse) mas nada aconteceu. Era um bicho muito dócil.
Satisfeito, voltou a se concentrar na sela e...
Percebeu que era muito mais difícil do que parecia.
Merda.
E enquanto tomava uma verdadeira surra daquele negócio complicado, Harry mal percebeu que sua concentração se perdia, graças a pensamentos preocupados em relação ao jovem Slytherin.
"Espero que aquele cabeça oca não se meta em problemas... quero dizer... não nos meta em confusão outra vez."
HPDM
- Tem certeza de que não está com fome?
Frei Tomás inquiriu, enquanto se servia de uma fumegante broa de fubá.
Draco olhou a mesa e torceu o nariz. Havia comido dois enormes pedaços de bolo de milho, ou seja, estava satisfeito. O loiro simplesmente odiava sentir-se empanturrado. Isso era apenas para os pobretões.
- Tenho. - ele só abria exceção para doces... adorava sentir-se empanturrado de doces.
- Irmão Marpple cozinha muito bem. Está perdendo uma saborosa refeição. Talvez tenhamos que almoçar no campo, e será incômodo.
Draco não respondeu. Apenas deixou os olhos grises percorrerem a rústica cozinha. Era maior do que a casa de Joanne, a mesa estava em melhor estado de conservação e o fogão de lenha parecia ter sido reformado a pouco tempo. Porém o chão estava sujo e haviam teias de aranha no teto.
- Então - começou o homem atraindo a atenção de Draco - o que foi que aconteceu com você e seu Escudeiro?
- Ah... sofremos um terrível imprevisto e viemos parar aqui, sozinhos.
- Isso eu sei.
- Quanto tempo vamos levar daqui até o Condado?
Draco desviou descaradamente o rumo da conversa, fazendo o outro erguer uma sobrancelha. Frei Tomás considerou um instante, depois relevou, dando a entender que aquela troca de assuntos não era nada mais do que curiosidade de um Jovem Nobre entediado.
- Meio dia de viagem. Chegaremos antes do anoitecer.
- Ah... e... - Draco suavizou a voz, querendo ocultar sua ansiedade - quanto tempo até Londres?
O mais velho deu um gole no vinho, observando o Slytherin por cima da borda da taça.
- Depende do julgamento.
- Oh! - assunto delicado... assunto delicado!
- Se essas mulheres declararem sua culpa poderão ser julgadas e sentenciadas logo. Caso insistam em alegar inocência, será um pouco mais demorado.
- Nesse caso meu Escudeiro e eu teremos que partir. Meus pais devem estar morrendo de preocupação.
- Parece ansioso para voltar para casa.
- Claro.
Ao ouvir a afirmação audaciosa, Frei Tomás presenteou Draco com outra de suas caretas (que deveria ser um sorriso) causando um arrepio no garoto.
- É difícil encontrar jovens como você por aqui.
O jovem bruxo estufou o peito e teve que fazer um esforço para engolir a resposta malcriada. Na verdade, aquele cara nem imaginava o quanto Draco era diferente dos outros jovens. Afinal, quantos ali eram realmente bruxos e tinham viajado centenas de anos no passado? Falando nisso, ele precisava descobrir em que ano exato haviam voltado.
- Onde estudou? - perguntou o Frei enquanto recolhia uma nova broa - Seu comportamento é... interessante. Creio que não foi em um colégio de padres.
Draco pensou por um segundo. Não podia responder Hogwarts. Já bastava influenciar a situação. Quanto menos dissesse, melhor.
- Tive um professor particular. - não era mentira. Mas seu tutor fora até os dez anos e onze meses (exatos, antes de ingressar na escola de magia).
- Quantos anos tem?
- Estou sendo interrogado?
O frei ficou sério.
- Evidentemente que não, Jovem Senhor. Eu interrogo apenas bruxos e bruxas prestes a serem julgados. Para os outros, guardo meu... interesse.
Draco mordeu os lábios sem saber o que era pior: a dúvida sobre ser interrogado ou receber o interesse daquele homem esquisito. Apesar da pose, não estava nem um pouco a vontade sozinho com o frei.
Preferia que Harry... er... Potter! Preferia que Potter estivesse ali. Afinal estava acostumado a guarda-costas, se bem que Harry... er, POTTER, se bem que Potter era bem mais bonito que Crabbe e Goyle.
"Eu não pensei isso! Eu não pensei isso! É culpa... do cansaço, isso. Eu sou tão cansado... que comecei a pensar besteiras..."
- Não fique preocupado. Vai voltar em segurança para casa.
Draco voltou de seus pensamentos e fez um gesto de pouco caso com as mãos.
- Sei disso. Não me preocupo com nada, tenho outros pra se preocupar por mim. Estava pensando em como esse ano anda perigoso... tantas... bruxas... o ano passado...
- O ano passado foi tão terrível quanto este - o frei afirmou para desgosto de Draco que julgara ter cometido uma gafe - o erro foi eu não estar presente. O Papa sabia de tudo o que acontecia, e simplesmente percebeu a necessidade de um Inquisidor como eu na Grã-Bretanha. Se eu estivesse aqui, 1477 não seria conhecido como o Ano do Terror.
Draco teria engasgado se estivesse bebendo algo. Então eles tinham voltado a 1478? Era muito mais do que pensara a princípio. Começou a contar os anos, mas o Frei voltou a falar com ele, requisitando atenção.
- Sente-se mal, Jovem Senhor? Insisto em que alimente-se parece muito...
- Não quero nada! - Draco interrompeu pouco se importando em soar grosseiro - Estou perfeitamente bem. Quero apenas ir embora.
Tomás assentiu. Nobres. Sempre pedantes e invariavelmente insuportáveis. Porém, poucos tinham a sorte de ser tão bonitos quanto aquele jovem loiro a sua frente. E se existia alguma coisa que podia alcançar a obsessão em se livrar do mal essa coisa era considerada o ponto fraco em sua vida...
Não poucas vezes, Frei Tomás tivera que ser acobertado pelos superiores, para que o terrível pecado da luxuria não viesse ser do conhecimento. Apesar de se castigar e auto flagelar, Tomás não se livrara da paixão por jovens garotos...
Principalmente quando tinham aparência angelical como aquele Jovem Senhor... Ah... as coisas frágeis...
Entrementes, Draco desligara-se completamente da presença do Frei. Fora um choque saber finalmente o ano em que estavam. Parecia um sonho... ou um pesadelo... 1478...
Existiria mesmo uma Hogwarts naquele tempo, ou as histórias de sua criação não passavam de lendas? E quando chegasse lá, (se chegassem lá...) O diretor acreditaria neles? Aceitaria ajudar? Poderiam voltar para casa em segurança?
Estariam afetando o futuro de algum jeito? O plano de Har... Potter!
Maldição! Era Potter! Potter!
Desde quando passara a pensar no outro como Harry? Ah, desde vinte minutos atrás, quando a presença solitária do Frei fora forte a ponto de lhe intimidar, e ele pensava em Har... Potter como uma proteção. Um muro que o manteria longe e afastado do homem mais velho e... assustador (ninguém precisava saber que Draco o achava assustador...)
Mas estava errado. Aquele não era Harry! Era Potter. O maldito Cabeça Rachada que sempre se metia a ser herói. Que tornara sua vida um desastre nos últimos anos. Eram inimigos desde a primeira série. E O Slytherin não queria que as coisas fossem de outra maneira.
Não queria começar a chamá-lo de Harry...
Nunca seriam amigos. Nunca!
Estavam apenas passando por uma situação atribulada juntos. Ótimo. Fizeram uma trégua visando a sobrevivência, depois que retornassem pra casa, tudo voltaria a ser como antes. Ele, seria Draco Malfoy e o outro... apenas um filhote órfão de Troll com uma cabeça rachada. Uma pedrinha na sua bota caríssima de couro de dragão.
E toda a confusão era culpa de quem? Do Maldito Testa de Cicatriz. Claro.
"Ok. Harry, eu te odeio! Harry? Não!"
De repente bater a cabeça na mesa até se auto nocautear pareceu quase tentadora... se não fosse causar dor... "Nota mental: criar um castigo que não me cause dor. Nada que envolva doces poderá ser considerado punição."
Totalmente irritado, Draco se pôs em pé e fitou Frei Tomás de cima, com o nariz inacreditavelmente empinado.
- Posso parecer ingrato, mas... não me importo. Poderia apressar-se? Eu preciso mesmo voltar para casa, o senhor não faz idéia do quanto. Se não puder, eu entendo, e nesse caso terei que insistir em prosseguir viagem com meu Escudeiro. - ao fim do arroubo, Draco estava ligeiramente corado, numa mistura de raiva e receio. Teria passado dos limites?
Frei Tomás avaliou o Slytherin demoradamente, enquanto terminava de ingerir seu vinho em pequenos goles. Parecia indeciso entre se ofender com a petulância sem medidas ou se divertir com a atitude exigente.
- Parece acostumado a ter todas as suas exigências satisfeitas, Jovem Senhor.
- Evidentemente.
- Me coloca em uma situação complicada. Não poderei ser condescendente em nada irresponsável, por outro lado, minha missão também clama urgência.
- Podemos partir, então?
- Assim que o ferreiro terminar a incumbência que lhe confiei.
- Oh... espero que seja rápida.
- Será. Ele está providenciando correntes para que possamos levar as mulheres até o Condado. Não há cavalos em número suficiente... Elas terão que ir caminhando. E será uma excelente oportunidade de repensar e se arrepender de todos os pecados cometidos.
Draco não disse nada. Permaneceu em pé, tentando afastar a desagradável imagem mental de Joanne e sua sobrinha acorrentadas.
- Vou providenciar que os preparativos sejam adiantados. - assegurou Frei Tomás enquanto limpava os lábios com um guardanapo de pano - Talvez queira esperar aqui.
- Talvez.
O frei pestanejou.
- Você é uma criança estranha. Seus modos me desconcertam. - o homem ficou em pé e se dispôs a sair da cozinha. - Antes que me esqueça. Alegro me que tenha encontrado roupas tão bem assentadas.
E foi-se sem esperar resposta.
Draco fez uma careta, mas resistiu ao impulso infantil de mostrar a língua para as costas do Frei. Definitivamente não gostava nada dele.
Esperou alguns segundos de precaução, depois saiu também, pensando em encontrar o Gryffindor e ver o que estava acontecendo com ele.
Draco refez o caminho até a sacristia e depois para fora da igreja. Na rua olhou de um lado para o outro se perguntando onde o moreno estaria... onde os Muggle colocariam os tais cabalos... aliás, o que seriam cabalos?
Sem saber o que fazer, o loiro resolveu dar a volta na igreja, talvez achasse algo no terreno ao redor.
Com certa surpresa viu que acertara. Encontrou Harry Potter e um dos religiosos junto de alguns animais estranhos. Tais bichos eram semelhantes a unicórnios, porém não tinha o chifre, e eram em variadas cores, não apenas brancos.
Caminhou até a cocheira, mas não se aproximou muito. Lembrava-se muito bem do acidente com Bicuço pra arriscar ser ferido por uma besta selvagem.
- Ei, Potter. Então você está aí.
Harry, que se mantinha entretido selando o quinto animal (finalmente pegara o jeito da coisa) surpreendeu-se com a chegada repentina de Malfoy. Primeiro olhou ao redor procurando o frei, depois voltou-se ao companheiro de desventura.
- Você está bem?
- Claro. - deu um passo a frente - Porque não estaria, Potter?
Harry franziu as sobrancelhas ao ouvir a ênfase em seu sobrenome, mas não disse nada. Olhou distraído para o padre que terminava de selar o ultimo animal (ele era muito mais rápido do que Harry na tarefa, acabaras selando dez dos quinze em menos tempo do que o Gryffindor selara cinco) notando que ele parecia não prestar atenção a conversa.
- Potter, vejo que você arranjou um passatempo. Está se divertindo, Potter?
- O que aconteceu, Malfoy? Bateu a cabeça ou bebeu alguma coisa?
- Nada disso, Potter. Estou apenas usando seu nome. Você é Potter. E como não temos intimidade alguma, eu vou continuar chamando você de Potter. Apenas de Potter.
- Você precisa fazer terapia, Malfoy. Deve ter batido muito a cabeça quando era bebê... hum... isso explicaria muita coisa...
Draco estava prestes a mandar o Gryffindor catar gnomos, mas lembrou-se a tempo de que os dois não estavam sozinhos, e falar de seres mágicos perto de um padre, naquela época não poderia fazer muito bem a sua saúde.
Ao invés disso deu outro passo. Estava quase confiante de chegar perto, afinal o cabalo que Harry selava parecia dócil ao extremo.
- Ei, Potter... - Draco abaixou o tom de voz - descobri que estamos em 1478.
O queixo do moreno caiu. Sua incredulidade não foi menos do que a de Draco.
- Voltamos tudo isso? - perguntou em igual tom de voz. - Será que existe alguma magia capaz de nos mandar para o nosso tempo?
- Tem que ter! - Draco resmungou - Não posso viver o resto dos meus dias aqui! Esse lugar é horrível, e eu não gosto das pessoas daqui! Digo, da maioria... er... pelo menos desses sacerdotes.
Harry olhou fixamente para o loiro, mas Draco evitava seu olhar esverdeado, parecendo muito interessante uma mancha branca no meio do pelo castanho do cabalo que Harry encilhava.
O mais alto observou a franja de fios platinados e muito lisos, que caiam sobre a testa de Draco, alcançando-lhe os olhos prateados. Definitivamente Harry gostava de franjas. Ou melhor, gostava da franja de Draco.
Corando ao perceber o rumo de seus pensamentos, Harry terminou por desviar o olhar. Malfoy era o inimigo. Não podia gostar de nada em seu inimigo. Mesmo que a trégua existisse naquele momento, era apenas com o intuito de ajudá-los a sobreviver. Quando voltassem para Hogwarts tudo seria como antes.
- Potter... esses bichos são engraçados... - Draco disse, em voz baixa, parecendo fascinado - São como unicórnios, mas sem o chifre.
- É.
- Ou pegasus sem as asas - continuou, na mesma voz baixa.
- É...
- Ou...
- Já entendi, Malfoy! Pare com essas comparações antes que alguém escute.
O loiro ficou quieto, olhando para Harry com uma expressão estranha. Não parecia ofendido... parecia... magoado? Não. Não podia ser...
Constrangido, Harry tentou concertar sua perda de paciência fazendo uma pergunta que lhe deixava com a pulga atrás da orelha:
- Malfoy... onde foi que você colocou sua varinha?
O Slytherin não respondeu. Levantou uma parte da capa negra e mostrou a varinha presa no cinto branco, mais para o lado esquerdo do corpo magro. Ah, claro, como Harry não pensou nisso logo de saída?
- O que foi que vocês conversaram?
Draco não respondeu. Voltou a se concentrar na mancha que quebrava a perfeição pelo castanho. Harry rolou os olhos e bufou. Conhecia aquela expressão muito bem. Não era a primeira vez que a via naquele dia.
Sabia o que fazer. E por mais que lhe deixasse fulo da vida (com vontade de esganar o outro), o moreno apenas murmurou por entre os dentes cerrados:
- Desculpe, Malfoy. Sinto muito por você ser um poço de complicação e um moleque sensivelmente fresco. Prometo que vou ter mais paciência num futuro próximo.
Draco olhou pra ele entre indeciso e satisfeito. Indeciso pela parte do moleque sensivelmente fresco, e satisfeito pelo segundo pedido de desculpas em menos de 24 horas. Resolveu ficar com as desculpas, sorrindo zombeteiro. Quase feliz, deu outro passo a frente. Se esticasse a mão poderia tocar no cavalo.
Olhou para o lado do outro padre, mas ele se afastara, indo guardar um último arreio que não seria usado.
- Potter... - o loiro apontou o animal - Como se usa isso?
- Montando e cavalgando - Harry ainda estava irritado.
- Oh... e ele não faz nada? Quero dizer... não tem perigo de morder?
Harry olhou para o outro de maneira distraída. Mil e uma traquinagens passaram por sua cabeça... ah, se ele fosse como os gêmeos Weasley...
Depois balançou a cabeça, um pouquinho arrependido por querer zoar o Slytherin (apenas um pouquinho).
- Esses são muito mansos.
- Você já usou um deles antes?
- Não se diz 'usar'. Se diz 'montar' ou 'cavalgar'.
- Você entendeu o que eu quis dizer. Não se faça de bobo.
- Dane-se, você e os seus chiliques.
- Potter, isso não é jeito de um Escudeiro tratar seu Jovem Senhor.
Harry abriu e fechou as mãos, mostrando sua irritação.
- Posso lhe ensinar o jeito certo de tratar o meu Jovem Senhor. Claro, estou me referindo a um pescoço torcido, duas ou três costelas partidas. Um nariz quebrado e inchado... e a sangue. Muito sangue.
- Oh... talvez mais tarde... obrigado. - respondeu Draco, elevando o nariz e cruzando os braços de forma esnobe.
Harry balançou a cabeça. Malfoy era mesmo uma figura. Porque não percebera isso antes? Ah, claro, estava ocupado demais odiando seu inimigo desde o primeiro ano.
O moreno ia falar alguma coisa quando uma movimentação lhes chamou a atenção.
Frei Tomás voltava com o resto dos padres. Ele caminhava a frente, e os religiosos cercavam um grupo de cinco mulheres. Elise era a mais jovem de todas, e Joanne a mais velha. A maioria chorava e murmurava coisas incoerentes e todas, sem exceção, apreciam assustadas.
Mais atrás alguns aldeões observavam de longe, trazendo expressões ferozes nos rostos, e um ou outro arremessaram pedras, tentando acertar as mulheres no meio do comício.
Gritavam ofensas e palavrões.
Harry e Draco se entreolharam. Ambos pálidos e preocupados.
- Vamos partir imediatamente. Os ânimos estão extremamente exaltados, e eu temo não poder conter essas pessoas que exigem linchamento. Mas temos que levar as bruxas até Condado para serem interrogadas.
Enquanto ouvia o homem, Harry pensou que se uma daquelas cinco mulheres fosse bruxa, ele seria um Leprechaun e começaria distribuir moedas assim que algum sereiano começasse a cantar...
Entrementes, Frei distribuiu ordens e organizou todos os padres. Depois voltou-se para Draco, enviando-lhe um dos característicos sorriso-careta.
- Gostaria de viajar comigo na carruagem?
- Não! - Draco respondeu muito depressa, tentando não demonstrar todo o horror que a idéia de ficar com o Frei naquela pequena carruagem lhe causava - Eu adoro cabalos. Prefiro aproveitar a chance.
O Frei entreabriu os lábios, mas não disse nada, apenas torceu os lábios e afastou-se, olhando o loiro de maneira curiosa.
- Cavalo, imbecil - Harry soprou baixinho, com os dentes cerrados e movendo os lábios o mínimo possível.
- Foi o que eu disse. - respondeu Draco num sussurro, sem olhar para Harry. - Cabalos.
Assim que o Frei entrou na carruagem, dois padres subiram no assento do condutor, deixando dois cavalos livre para Harry e Draco. Outros três adiantaram-se e tomaram conta da cordas atreladas as correntes que prendiam as supostas bruxas tomando posição logo atrás da carruagem do frei.
Os restantes montaram e se posicionaram ao final do cortejo. Apenas um deles ficou, supostamente para entrar em contato com o irmão de Joanne, padre da cidade e lhe explicar tudo o que acontecera.
Harry, que observara cuidadosamente cada um dos padres ao montar, virou-se para Draco e lhe disse em tom baixo:
- Preste atenção em mim, e tente não cair do cavalo. Supostamente devemos fazer isso com desenvoltura.
Draco balançou a cabeça concordando.
O moreno aproximou-se de um dos dois animais que sobrara, e tentando não cair do cavalo, montou. Não foi tão difícil quanto imaginou que seria. E felizmente ninguém lhe prestava muita atenção.
Na vez de Draco, o Slytherin também se saiu bem, conseguindo se equilibrar na sela com alguma desenvoltura (apesar de ainda ter medo de levar uma mordida). Afinal, ele era um Malfoy, e Malfoys são perfeitos em tudo o que fazem, mesmo que seja pela primeira vez.
Logo o cortejo se pos em marcha e os jovens bruxos entenderam que deviam controlar os animais usando as rédeas, para que indicassem em que direção os bichos deviam seguir.
Sob o olhar de extrema desconfiança e infinito alívio dos moradores, a caravana começou a se afastar, levando aquelas pessoas tão singulares e com objetivos extremamente diferentes para um mesmo destino: o Condado...
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HPDM
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Agradeço a: Nicolle Snape (Draco e seu bocão, né? n.n), Jad' Malfoy (Harry abusado, né?), Samantha (i.i Eu adoro seus e-mails), Carol Yui (que bom que gostou da roupa!), Harumi chan (chato do Harry, estraga nossos sonhos!), Ia chan (Frei estranho? Boa!), Daphne Pessanha (ah! Isso ainda piora!) e Paulili (minha beta!)
Para quem revisou e por um motivo ou outro não pôde deixar review, agradeço mesmo assim e espero que estejam gostando!
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HPDM
4ever
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