- O que você está fazendo aqui? – perguntou Emma, ainda surpresa.

- Há uma recompensa por você, amor. O rei Henry pediu a sua cabeça e da Evil Queen. Eu só vim pegar o meu prêmio.

- Henry foi coroado rei?

- Depois que os avós dele morreram e a mãe foi trocada por uma falsa, o que você esperava?

- Eu não sou falsa! Eu sou a Emma! – ela protestou.

- Por mim você pode ser quem quiser, desde que venha comigo. Estão pagando bem pela sua cabeça.

- Você vai ter coragem de me levar direto para a morte? – indagou Emma, magoada.

- Tenho coragem pra isso e muito mais, linda. Agora chega de conversa. Vamos. – Hook segurou o seu braço.

August acordou e se jogou contra Hook, que caiu no chão. Os dois começaram a trocar socos e pontapés. Killian bateu com o gancho na cabeça de August, que desmaiou. Emma arregalou os olhos e Killian se pôs de pé.

- Agora é entre nós, amor.

Emma pegou a espada que August havia deixado caída no chão e apontou para o pirata.

- Não tão fácil assim, pirata.

- Hum, uma presa difícil... Gosto disso. Dá mais emoção.

Os dois começaram a lutar com as espadas até que Killian fez Emma recuar até encostar na parede. Ele deu um sorriso cafajeste.

- Seu cheiro é inebriante, donzela. Morangos, talvez? Se não fosse pelo quanto vale a sua cabeça, poderia ter mostrar o mundo lá fora.

- Já conheço e não sou mais donzela! – ela exclamou e conseguiu empurrá-lo. Deu um soco na cara dele. – Então é assim que você seria sem... ''mim''. – completou em pensamento.

Killian tocou no rosto e sorriu.

- Eu já me cansei de donzelas mesmo... Mulheres experientes são muito mais interessantes. Elas podem ensinar algumas coisas... – deu um sorriso malicioso. – Que pena que não temos tempo para trocarmos experiências.

- Você que pensa que vai trocar algum fluído corporal comigo desse jeito! – Emma voltou a atacá-lo, mas ele a desarmou. – Ei!

Killian a segurou pela cintura e o puxou para ele. Emma não pode deixar de se sentir atraída. Aquela versão era como o Captain Hook que ela conhecera pela primeira vez. Emma sabia que havia um homem honrado e pronto para a redenção por trás daquele ar selvagem e cafajeste.

- Não me culpe por isso, milady.

Killian deu um beijo em Emma. Ela pensou em afastá-lo mas acabou cedendo. Só depois lembrou que aquele não era o seu Killian Jones e o afastou, dando-lhe um tapa no rosto.

- Isso é pra você aprender.

- Ah então você gosta de bater, né? Interessante. – ele disse, sorrindo. – Uns tapinhas na hora certa são bem-vindos. Ninguém gosta só de feijão com arroz, é preciso pimenta.

- Você só pensa nisso?

- Nisso o que?

- Não se faça de tonto! Acha mesmo que eu transaria com você?

- Querida, é você quem está dizendo. – ele disse com um ar sacana.

Emma rolou os olhos. Viu Regina saindo da taverna acompanhada por Robin. Percebeu que August estava acordando e suspirou, decidida. Estendeu a mão.

- Infelizmente, vamos deixar a conversa pra outro dia. – usou a magia e Hook desapareceu.

Hook se viu no Jolly Roger. Ficou surpreso e depois fez uma careta.

- Ela tem poderes. Vai dar mais trabalho do que imaginei...

Emma ajudou August a se erguer enquanto Regina e Robin se aproximaram.

- Esse Hook é bom de briga... – comentou August, limpando a poeira da roupa.

- Killian é um sobrevivente, como ele mesmo diz. – murmurou Emma. Olhou para Robin. – Deixa eu adivinhar: você também vai conosco?

- Vai sim. – Regina disse, olhando apaixonada para Robin. – Vamos atrás da Fada Azul. Já sei como invocá-la. Já cansei desse lugar.

- Hum-hum. Com licença. – Emma puxou Regina para um canto. – Regina, você não está pensando em levar esse Robin para nossa realidade, não é? Ele não é o Robin real.

- Ele é a minha segunda chance.

- Regina, isso pode dar problema... – avisou Emma. – Ele não é o Robin que conhecíamos. Sei que foi dolorosa a morte dele, mas...

- Sem sermões, Srta. Swan. – Regina cortou. – Se você pudesse e soubesse onde o Hook está, iria atrás dele, aposto. Por sua causa, todos desceram ao submundo para trazê-lo de volta, não é?

- Vocês foram por que quiseram. Eu ia sozinha. – lembrou Emma.

- Talvez tivesse sido melhor mesmo. – Regina disse, sombria e se aproximou de Robin. – Estão todos prontos?

- Não. Espera. – Emma ergueu as mãos. – Se quem nos trouxe até aqui foi um feitiço da Evil Queen, então ela mesma pode reverter isso.

- E o que te faz pensar que ela ou eu, faria isso? – Regina disse, cruzando os braços.

- Porque ela quer a minha cabeça. – disse Emma, simplesmente. – É um modo de fazer o Henry entender que não sou uma fraude e enganarmos a Evil Queen. Um trapaceador também pode ser trapaceado. E conheço a pessoa certa para passar a credibilidade. Vamos atrás do Capitão Gancho.

- Estava demorando. – Regina deu uma risadinha irônica. – Você só quer tentar recuperar o seu amor perdido.

- Fale por si mesma, Regina. – disse Emma, séria. – Não fui eu quem trouxe um Robin que nem ao menos é da nossa realidade. Mas nem me surpreende você pensar em si mesma antes de todos.

Regina estreitou os olhos e Emma a encarou. O clima ficou tenso.

- É impressão minha, ou vocês não são muito amigas? – indagou Robin.

- Somos aliadas. – definiu Emma. – Mas não dá pra esquecer que tudo isso começou porque a Regina aqui quis se vingar de uma criança inocente.

- Por causa da Snow White, Daniel morreu! – gritou Regina, irritada.

- De novo essa ladainha, Regina?! – Emma rebateu.- Quando você vai assumir que foi a megera da sua mãe que matou o Daniel? Cora quem te privou do seu amor verdadeiro! Ela quem manipulou toda a situação! Minha mãe carregou uma culpa quem nem deveria ser dela! E quer saber, eu te acho bem falsa, porque a Mary Margaret te perdoou e te trata mais como filha do que a mim, mas você não esqueceu que foi a Snow que contou para Cora sobre o Daniel! – desabafou.

- Ah, esse é o problema...- Regina riu. – Não tenho culpa se você e sua mãe não são tão próximas.

- Claro que tem culpa. A culpa é toda sua e daquele celerado do Rumpelstiltskin! Vocês estragaram a vida de todos com as suas obsessões!

- Você deveria agradecer o Dark One, se Baelfire não fosse filho dele e não tivesse te conhecido, Henry não teria nascido. Ou você não gostaria disso? Deve ser por isso que o abandonou assim que nasceu.

- Não tente virar o jogo pra mim, Regina! Você pode pegar quantos Robins quiser, isso não vai te fazer feliz nunca, porque primeiro é preciso limpar esse seu coração de pedra! Parar de achar que é a vítima, sendo que todas as escolhas foram tomadas por você mesma!

- Você sempre se acha a dona da razão, Swan! Você não sabe pelo que passei!

- Todos passamos por momentos difíceis e nem por isso pisamos nos outros!

- Como você é santa, Swan, deveriam construir um altar para te colocar lá! Mas nem Hook, nem mesmo seus pais ou Henry aturam essa sua chatice, no final, todos vão embora e Henry ficará comigo por que é meu filho! Eu nunca o deixei pra trás!

- Porque te foi conveniente!

- Nunca duvide do meu amor pelo Henry! Eu sou a mãe dele! – Regina apontou o dedo no rosto de Emma.

- Abaixa esse dedo se não quiser ficar sem ele!

- Senhoras, por favor, se acalmem! – pediu Robin.

Emma e Regina trocaram tapas no rosto e logo estavam rolando no chão a socos e puxões de cabelo. August e Robin tentaram separá-las, mas elas se livraram, ergueram-se e usaram a magia uma contra a outra. O choque dos poderes fez com que um portal se abrisse.

Surpresos, puderam ver Storybrooke.

- Pelo visto, o atrito de vocês serviu para alguma coisa. – disse August, animado.

Regina olhou para Robin.

- Você vem conosco, não é? – perguntou, esperançosa.

- Claro. A minha história por aqui terminou. Vai ser interessante conhecer esse novo mundo. – ele disse, tranquilo e Regina sorriu, satisfeita.

- Então vamos logo antes que o efeito acabe.

Emma, August, Regina e Robin entraram pelo portal, saindo daquela realidade criada pela Evil Queen.