A Escolha

Capítulo 6 - Descobrindo Segredos

Passada a aula de Poções, Christine e Helena se despediram de Dhrimian e Richie e foram para a aula de Leitura Facial, onde encontraram Alice. A aula consistia em desvendar os pensamentos e sentimentos do "oponente" através do rosto e, principalmente, dos olhos. A aula correu normalmente, com Helena mantendo seu rosto insondável ao ponto de deprimir o Aladus com quem fazia par, fazendo com que este pensasse que havia perdido seu dom.

- Helena, falando sério, você gosta de judiar dos Aladus, não é? - Perguntou Christine enquanto saíam para jantar.

- Não, apenas desprezo essa suposta superioridade da "classe A". Se eles pensam que vou facilitar para eles só porque se dizem "perfeitos" estão muito enganados. - Respondeu Helena com um (quase imperceptível) tom de desprezo.

- Tá bom. - 'É, ela gosta de judiar dos Aladus' pensou Christine - E quanto a você, Alice? Por que está chateada?

- Como assim Chris? Eu não estou chateada! - Resmungou Alice, sem muita convicção.

- Alice, eu fiz par com você na aula. Você está chateada, ouso até dizer desapontada. O que houve, não conseguiu informações sobre o professor Snape? - Perguntou Christine, preocupada (com a amiga e não com as informações).

- Não, bem, também, mas... ah esqueça.

Christine olhou para Helena, que confirmou o pensamento curvando a cabeça. 'Verdade... Alice é muito transparente. '

- Há algo de errado com o handgel? - Assim que Christine terminou a frase, Alice sobressaltou-se, agora com um olhar onde se lia claramente: 'Como você adivinhou?'. Christine se limitou a sorrir com ar de vitória.

- O que houve? Quebrou a asa? - Perguntou Helena, quebrando o silêncio.

- Não, pior. Parece que o diretor quer suspender o torneio de handgel! - Disse Alice em voz chorosa. Christine então abraçou Alice e começou a acariciar sua cabeça, como uma mãe a uma criança desapontada.

- Não se preocupe. Olhe, eu vou falar com meu patriarca, tá bom? Só não chora. - Christine sempre consolava Alice. Afinal, ela era a caçula, a mais ingênua do grupo, que sempre ficava sob as asas de alguém (normalmente, de Christine).

- E não se preocupe com a pesquisa sobre o professor Snape, afinal, hoje só analisaremos as informações básicas.

Christine, Alice e Helena foram então ao salão principal onde jantaram juntas na mesa da Corvinal, enquanto Dhrimian e Richie comiam na Grifinória. Christine foi a primeira a acabar e dirigiu-se direto para a mesa dos professores, onde o diretor Caliel estava sentado, ignorando os olhares curiosos de Dhrimian e Richie e o olhar furioso de Snape.

- Senhor diretor Caliel, eu gostaria de falar sobre...

- Eu sei sobre o que deseja falar, Christine, mas deixemos para mais tarde, pois ainda estou jantando e parece-me que você tem um compromisso. - Disse, olhando para os amigos de sua filha. - Que tal conversar na biblioteca quando estiver mais disponível?

Christine acenou com a cabeça e começou a sair do salão. Ao mesmo tempo em que passava, seus amigos iam se levantando um a um e dirigindo-se à porta, de modo que, quando saíram do salão principal, todos estavam perfeitamente alinhados um ao lado do outro. Dirigiram-se uniformemente para o salgueiro lutador, se certificando estar a uma distancia segura. Christine então virou-se a eles e disse bem séria:

- Então, contem-me o que conseguiram.

- Até que foi fácil, seu professor é bem famoso por aqui.

- Eu não pedi para me contar vantagens, Richie, e sim resultados. - Disse Christine num tom de voz mais frio do que o de Helena. A luz do luar incidia sobre Christine dando-lhe uma aparência etérea, mais assustadora e menos humana. Seus amigos, ao perceberem, resolveram ir direto ao ponto.

- Não descobri muita coisa - disse Alice dando um passo em frente na direção de Christine, mas mantendo a cabeça baixa - Só descobri que o nome dele é Severus Snape, que ensina Poções e que é muito mau! - Essa última parte foi pronunciada com uma ênfase que fez Christine sorrir.

- Além disso, ele almeja o cargo de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, no qual ele se inscreve todo ano, mas nunca é aceito. - Continuou Helena, juntando-se a Alice ao dar um passo a frente e mantendo seu olhar fixo em Christine.

- E por qual motivo? - Perguntou Christine num tom de voz que poderia ser de um dementador.

- Desconhecido. - Respondeu Helena sustentando o olhar. Elas continuaram se encarando até Dhrimian se aproximar de Helena e dirigir-se a Christine, sério:

- Ele possui também o cargo de diretor da casa Sonserina, auxiliando no trabalho de Dumbledore. E pelo que pude averiguar ele se apresenta de forma parcial quanto aos seus julgamentos, valorizando sempre os membros de sua tão estimada casa.

Christine encarou os três em sua frente, um por um. De repente, um vento repentino balançou seus cabelos e Christine ouviu uma voz grossa em sua mente: 'Richie... ' Christine focou seus olhos violetas em Richie, que entendendo o sinal deu um passo a frente.

- Eu interroguei a casa Grifinória, não achei muita coisa por falta de tempo, mas encontrei alguém que sabe.

- Quem?

- Harry Potter. Parece que ele tem desavenças com Snape.

- Huh, e quem não tem? - Comentou Alice, dessa vez sem nenhum pingo de inocência ou ingenuidade.

- Acontece que essa desavença é sanguínea. - Disse Richie sem desviar os olhos de Christine.

- Desavença sanguínea? Disse Christine franzindo a testa.

- Sim, o pai de Harry praticava bullying em Snape.

Mesmo sem mover um músculo sequer, o rosto de Christine apresentou um semblante de interesse.

- Acredito que este garoto será útil para nossos propósitos. - Terminou Richie.

- Concordo. - disse Christine - Quero que volte a interrogá-lo, arranque todas as informações que puder. Helena, marque um dia para irmos à biblioteca, precisamos encontrar os registros escolares de Potter e Snape. Dhrimian, seu trabalho começa esta noite, já sabe o que fazer. Quero tudo pronto para no mínimo semana que vem, ouviram?

Todos assentiram com a cabeça. Christine então fechou os olhos e respirou fundo. Suas narinas encheram-se de um leve odor de cravos brancos, e quando seus olhos se abriram seu semblante já não era mais tão etéreo. Christine e seus amigos se apressaram em sair para não chamar atenção. Enquanto estavam andando, Helena perguntou a Christine:

- Seu pai possui interesse em Snape?

- Eu não sei. Ele não me disse nada a respeito.

Helena olhou nos olhos de Christine. Aparentavam cansaço, mas permaneciam firmes. Helena desviou o olhar e perguntou:

- Ainda vai se encontrar com o diretor na biblioteca?

- Sim.

- Não está cansada demais?

- Isso é irrelevante. Devo cumprir meus deveres antes de qualquer coisa. - e antes que Helena protestasse, enfatizou - Qualquer coisa. - E seguiram o resto do caminho em silêncio.

Christine despediu-se de Richie e Dhrimian na porta do dormitório masculino, e de Helena e Aline na do feminino. Seguiu o resto do caminho alienadamente até encontrar uma porta ao lado de um quadro onde uma menina dormindo se apoiada numa harpa. Invejando a menina, Christine abriu a porta revelando uma enorme biblioteca amontoada de livros. Christine, esquecendo o sono automaticamente, pôs-se a observar uma prateleira quando ouviu uma voz atrás de si:

- O livro que procura não esta aqui.

Christine se virou para olhar a figura imponente de seu "pai", com seus gélidos olhos azuis nela cravados. Christine fez uma reverência de 90° graus dizendo:

- Meu diretor. - Houve então uma breve pausa até que Christine se ajoelhar silenciosamente, dizendo: - Meu patriarca.

Caliel esperou até que Christine se levantasse para dizer:

- Se veio me pedir a autorização do torneio de handgel, desista.

- O senhor sabe muito bem que desistir não é o meu forte - disse Christine com um sorriso sarcástico - diretor, o handgel é nosso esporte oficial e...

- Um incentivador de violência - cortou Caliel - Christine, você sabe muito bem que, ao contrário dos jogos normais, o handgel era usado para incentivar a guerra e não a paz.

- É por isso que o proibiu, meu patriarca?

- Quem me garante que, depois do jogo, os feiticeiros em êxtase não venham a ferir os bruxos, ou pior, os matem?

Christine entendeu a preocupação do diretor, mas não desistiu. Pensou um pouco e disse com firmeza:

- Eu garantirei que não.

- Você?! - Ele olhou incrédulo e havia desdém em seus olhos – E quem é você para garantir alguma coisa?

Christine não falou, deixando que a resposta viesse de seus olhos. Ficaram em silencio por um tempo, enquanto um encarava o outro, até Christine dizer sem perder seu contato visual:

- Façamos um trato, diretor. Autorize o handgel, faça uma partida, e eu prometo que nenhum bruxo vai se machucar.

Caliel a olhou desconfiado.

- Bruxo? Ele repetiu.

- Eu não garanto os feiticeiros, principalmente os jogadores. Só posso afirmar que nenhum bruxo sairá ferido.

Caliel a encarou com seus olhos claros. Travou-se então uma batalha de olhares que terminou quando Caliel suspirou, dizendo:

- O primeiro jogo será Lobos Bastardos versus Cobras Metálicas no mês que vem. Se eu não ouvir um bom plano até lá cancelarei o jogo e direi que foi culpa sua. Fui claro?

Christine deu um sorriso vitorioso e curvou-se.

- Sim, meu diretor.

Ela encaminhou-se para a saída, quando viu outra porta se materializando ao seu lado. Olhou para Caliel, que sorria. Christine abriu a nova porta e viu que ela dava para seu dormitório. Ela se voltou para agradecê-lo, mas o diretor já havia sumido. Entrou então em seu dormitório e fechou a porta.

Avistou imediatamente Helena e Alice conversando, já em trajes de dormir. Ao perceber a aproximação de Christine, Alice correu até ela, apreensiva, e perguntou:

- E então, você conseguiu?

Christine suspirou numa expressão de cansaço:

- Bem, eu fiz o melhor que eu pude... - e abriu um sorriso - Eu consegui!

Alice deu um gritinho e começou a pular.

- O primeiro jogo será Lobos Bastardos contra Cobras Metálicas no mês que vem. - Concluiu Christine.

Helena se aproximou de Christine com a cara fechada e disse:

- E que tipo de acordo você fez com o diretor? - O sorriso morreu nos lábios de Christine, que olhou para Helena e Alice.

- Eu prometi que nenhum bruxo se machucaria na batalha pós-handgel.

- Você prometeu o quê? - Helena sussurrou ameaçadoramente.

- Christine, você sabe que é impossível. - Disse Alice apreensiva.

- Não, não é impossível. Só precisamos saber uma maneira de assustá-los.

- Assustar os anjos?! - Exclamou Alice, incrédula.

- Chris, você sabe a história dos anjos tanto quanto eu. Eles foram o exército mais poderoso da história. Não tem como você derrotá-los! - Concluiu Helena.

- Você está certa, Helena - disse Christine de cabeça baixa - Eu não posso derrotá-los. Mas eu não vou lutar contra eles. Eu vou assustar um bando de estudantes que apenas usam o mesmo feitiço que eles para jogar um jogo.

- Mas este "jogo" incita o instinto assassino de todos os feiticeiros, os levando para uma batalha entre jogadores e torcedores rivais. - Disse Helena, séria.

- Se eles tivessem 1/3 do instinto assassino do lendário exército, aí sim eu ficaria com medo. - Retrucou Christine.

- Está dizendo que não temos instinto assassino? - Disse Alice com fúria nos olhos.

Christine e Helena trocaram olhares assustados. Alice era o exemplo perfeito do "efeito handgel". Uma garota pura e inocente que dentro do campo se tornava uma soldada violenta e impiedosa. A diferença era tão drástica que até Helena sentia um frio na espinha quando Alice ameaçava enfurecer-se. Christine foi logo apaziguando a amiga:

- Eu não quis dizer isso. Olhe, eu vou pesquisar mais para ter alguma idéia. Enquanto isso, de o melhor de si nos treinos, pois quero que as Serpentes ganhem.

Alice mudou instantaneamente sue semblante para uma radiante alegria, abraçando Christine e repetindo diversas vezes a mesma palavra: "Obrigada, obrigada, obrigada..."

Christine sorriu ao ver a felicidade de Alice, um dos poucos sorrisos que atingiam seus olhos. Vestiu-se para dormir e deitou-se na cama, mas antes de fechar os olhos, ouviu Helena dizer:

- É melhor ter uma boa idéia. Pode não parecer, mas eu não estou a fim de morrer tão cedo.

Christine sorriu. Helena iria ajudar também, 'e provavelmente os outros' pensou. Sentiu seu corpo relaxar, pronto para cair lentamente no abismo dos sonhos, quando uma voz grave lhe disse paternalmente:

-'Boa noite'.

-'Boa noite'. Desejou para a voz antes de dormir.

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N/A: PERDÃO!!!!! PERDÃO!! Eu juro q naum foi minha intenção demorar tanto! Este cap já estava pronto dede o início do mês. Mas minha beta estava em semana de provas e depois EU fiquei em semana de provas! Eu realmente espero q vcs naum parem de ler minha fic por causa desse atraso, ou de me mandarem reviews, por favoooorr!!!! Eu prometo q o próximo capítulo naum vai demorar tanto (eu espero)!!!

Um detalhe: sempre que eu for falar de cravos, será da flor e não do tempero, e será sempre dos brancos ta legal? Espero que gostem e continuem lendo a história dessa feiticeira insana e com tendências para assassina. Ops! Falei demais ;p !