N/A: Gabi, aqui vai uma pequena homenagem à voce. Agradeço por cuidar de mim aí do céu, meu anjo. Sinto sua falta, muita, muita falta, MELHOR
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Remédio para dormir, remédio para prisão de ventre, remédio para dor no estômago, remédio para dor de cabeça, remédio para ânsias de vômito... Grissom foi passando os olhos sobre as prateleiras da drogaria, tentando encontrar o remédio ideal para sua ressaca.
- Bom dia – disse ele, dirigindo-se ao atendente –, o senhor tem algo para desvanecer, ou atenuar, dor de cabeça, náuseas, vertigem... ?
- Um cura ressaca?
- É, isso mesmo. Tem?
- Vou dar uma olhada. Tinha uns cinco, não sei se venderam...
Ele se abaixou, procurando nas gavetas.
Grissom reparou que o relógio marcava 12h30min. Estava na hora do almoço, contudo comida era a última coisa que ele queria nesse momento. Na verdade, o CSI não tinha muita certeza do que queria.
Enquanto o homem revirava as coisas em busca do tal cura ressaca, Grissom viu algo que supôs, primeiramente, ser fruto de mais uma vertigem. Do outro lado da drogaria, uma cabeleira castanha surpreendentemente familiar lhe chamou a atenção.
Grissom caminhou discretamente até a estante ao lado, que ainda assim era distante demais para confirmar ou negar o que ele seriamente desconfiava. Ele foi se aproximando, pé ante pé, desejando veemente que estivesse enganado. Parou bruscamente ao ver a mulher se virando, e chamando uma mocinha que trabalhava ali.
Não conseguiu ouvir o que a mulher falara para a atendente, nem ao menos ver seu rosto, pois ela movimentava-se sem ficar de frente para ele.
Ardendo em curiosidade, Grissom ousou avançar mais. Olhou para o balcão; o homem ainda não tinha encontrado seu remédio.
Foi a primeira vez, pelo menos a que ele recordava, em que agradecia a lerdeza alheia. Quando tornou o rosto de volta para a mulher, seu coração acelerou... Lá, onde estivera a mulher um segundo atrás, só se achavam agora as mercadorias organizadas na estante.
- Buuu – ouviu um sussurro na sua orelha, que o fez arrepiar e quase explodir de susto.
Virou-se, o coração martelando no peito, e deparou-se com uma cena que deflagrou distintas e confusas sensações.
Primeiro, surpresa. Quando Grissom adivinharia que ela seria tão ágil?
Segundo, ódio. Odiou tudo o que sentira na noite anterior por culpa dela.
Terceiro amor. Mas que culpa ela tinha?
Quarto, uma frieza aguda. E muita. Muita culpa.
E apesar de tudo o que lhe causara, estava radiante diante dele, sorrindo-lhe como se não houvesse acontecido.
- Sabe, se eu não te conhecesse, diria que estava me espionando – disse Sara, levantando uma sobrancelha e sorrindo.
- Mas como conhece, sabe que eu estava só lendo os rótulos de algumas coisas – respondeu Grissom, apontando as mercadorias atrás de si.
- Hmm, não sabia que absorventes te interessavam.
Virando-se, Grissom viu na estante uma enorme variedade de absorventes. ''Touché''.
- Então, você vai levar o noturno, o diário...? - o sarcasmo escorria pela boca de Sara. Ela estava descarada e explicitamente divertindo-se da situação em que Grissom se metera. – Se me permite, sugiro o noturno com abas, é bem mais confortável, sabe...
Grissom endireitou o queixo como se tivesse levado um soco na cara. Vasculhou alguma resposta em sua cabeça, mas sabia que seria inútil. Estava em um despenhadeiro e ela o cutucava com uma lança.
- Você é maléfica.
Sara sorriu.
Um anjo, pensou Grissom. Do mal, completou.
- Então, eu devo acreditar que você realmente está comprando absorvente? - perguntou ela.
- Ah. - Grissom quase se esquecera o que viera fazer. Sendo assim, caminhou em direção ao balcão, e Sara o seguiu, claramente curiosa – ou a fim de conversar, o que Grissom desconsiderou.
- Não estava me sentindo bem – por sua culpa, emendou mentalmente.
Sara murmurou algo que ele não conseguiu compreender.
- Ah, pensei que tivesse ido embora. – disse o homem do balcão – Achei uma só. Era a última.
Isso devia explicar sua lentidão. – pensou Grissom.
- Tudo bem. – Grissom pagou a caixinha de remédios e a enfiou no bolso. Tomaria em casa; as náuseas haviam cessado por causa do inesperado encontro com Sara – Obrigado.
- Você podia ter me ligado – ouviu-a dizer, em voz baixa. Ele a encarou, sem acreditar se tinha ouvido realmente aquilo. Ela olhava para o bolso dele. – Eu tenho uns desses lá em casa. Faz um tempo que eu não preciso, então eles estão sobrando... - completou, agora com a voz normal.
- A noite foi boa, então? - Sara sorriu, e Grissom entendeu imediatamente o que ela quis dizer.
- Nem tanto. – sorriu, ironicamente – A balada estava... Boa.
- Eu não te vi lá.
- Cheguei mais tarde. – disse ligeiro – Mas eu vi você.
A última frase teve um efeito instantâneo em Sara: seu sorriso murchou, e seu semblante adquiriu um aspecto não muito distante de dor.
E uma tensão quase palpável renasceu entre os dois.
- Ahm... Se eu disser que não foi nada do que você está pensando, eu estaria mentindo. – suspiro.
Grissom foi pego de surpresa pela sinceridade de Sara. E tudo aquilo que ele tinha planejado falar nesse momento, foi por água a baixo.
Vendo que não conseguiria fazer com que Grissom falasse alguma coisa, Sara continuou.
- Sim, eu saí da boate com o intuito de fazer a noite valer a pena, mas eu não consegui ir até o fim com isso. Apesar, de ter conhecido uma pessoa que realmente merecia meu coração, não pude dá-lo a ele. Pois, já o dei a outra pessoa.
Nisso Sara olhou para ele esperando uma resposta. Mas, Grissom estava tão atônito que mesmo querendo, e muito, dizer de uma vez tudo que sentia, sua mente não conseguia elaborar uma só frase.
E, mais uma vez, ele a viu se afastar, decepcionada, em direção ao seu carro, enquanto ele ficava estático e perplexo sem conseguir ordenar ao seu corpo que se mexesse, que fosse atrás de Sara.
De repente, a sua dor de cabeça voltou, muito mais forte que a anterior. Ele tirou um comprimido e engoliu, sem precisar de água.
Grissom não conseguia formular pensamentos coerentes. Em sua cabeça, uma avalanche de emoções e ideias ganhava mais força, se emaranhando mais e mais.
Se perguntassem o porquê de sua recusa quanto ao relacionamento com Sara – se é que o que tinham poderia ser denominado assim -, ele de certo citaria uma longa lista, com motivos plausíveis. Porém sempre é possível achar justificativas; essas são fáceis de encontrar. O problema era como enfrentar a situação.
- Por que isso é tão complicado? - afligia-se Grissom.
Grissom ficou andando sem rumo, até que chegou a uma praça. Ficou parado encostado em arvore até que uma moça que passava por ali, parou, olhou para Grissom e chegou mais perto.
- Você está bem? – perguntou.
- Não... Quer dizer, fisicamente sim.
- Venha cá. – disse a moça puxando Grissom pelo braço até um banco ali perto – O que aconteceu?
- Ahn... Posso perguntar seu nome?
- Oh, desculpe. Meu nome é Gabrielle. Gabrielle Morais.
- Prazer, Gabrielle. Meu nome é Gil. Gil Grissom.
- Então, Gil. O que aconteceu para você ficar assim, em estado de choque?
- Sabe quando você conhece uma pessoa e todo seu conceito sobre o mundo muda? Que de repente o que te mantém vivo é essa pessoa? Que a gravidade não tem mais importância, porque o que te mantém ali é ela?
Como Gabrielle não disse nada, ele resolveu continuar.
- Então, eu conheço essa pessoa, o nome dela é Sara. Mas, toda vez que eu chego perto dela ou ela de mim, eu não sei o que fazer, e acabo me tornando ríspido, grosso e insensível e ela ficando magoada. Mas, também, não pode ser diferente... Já que eu sou chefe dela e 16 anos mais velho...
- E ela – interrompeu Gabrielle – se importa com esses 'problemas'?
- Não, mas... Eu não posso fazer isso com ela, não posso dizer nada. Porém, ao não dizer nada ou tentar afastá-la de mim, só a faço sofrer. Eu não sei o que fazer.
- "Dói amar alguém e não ser amado em retorno, mas o que é mais doloroso é amar alguém e nunca encontrar a coragem para deixar esta pessoa saber como você se sente".
Grissom suspirou. Vendo que ele não falaria, ela continuou.
- Apesar de não se saber o autor dessa frase, esse sem dúvida foi uns dos grandes gênios do nosso mundo. Gil, ao não dar uma resposta definitiva a Sara, você a prende a você e ao rejeitá-la em seguida a faz sofrer. Mas, ao não contar a ela o que sente, você magoa aos dois.
- Eu não posso contar a ela, Gabrielle. Eu estragaria todo o futuro que ela tem pela frente, ele é uma ótima profissional, é ótima no que faz.
- Gil, você não pode decidir isso por ela. Tenho certeza que ela já é bem grandinha para tomar essa decisão. Conte como se sente, exponha o que pensa, fala sobre essas questões que tanto lhe preocupam e deixe que ela decida sobre a própria vida.
- Realmente parece mais certo assim. Obrigado, Gabrielle. – disse Grissom se levantando.
- Você vai atrás dela? – perguntou Gabrielle visivelmente animada.
- Sim. Já adiei isso por muito tempo. Obrigado, mais uma vez.
- Não por isso.
E ambos foram embora. Ao ir embora, Grissom não pegou com Gabrielle qualquer coisa que pudesse usar para encontrá-la novamente. Gabrielle foi, para Grissom e Sara, uma espécie de cupido, um anjo. Apareceu de repente, cumpriu sua missão e, assim como veio, foi.
