Capítulo 6
Uma Vez Slytherin, sempre Slytherin
Ele disse Astúcia e a serpente da parede sibilou enquanto se deslocava e a parede se abria.
Os primeiranistas foram na frente, seguindo os monitores, alguns olhando surpresos, alguns assustados e outros com confiança digna de um Sonserino nato.
Slytherin não se importava muito com quem estava no quarto de quem, uma vez que não havia nenhum feitiço que impedisse alunos de sexos diferentes entrassem no dormitório de outro.
Os alunos do primeiro e segundo ano eram os únicos que tinham parceiros de quarto, uma vez que os mais velhos podiam ter quartos a parte - a não ser que escolhessem continuar compartilhando.
Crab, Goyle e Zabini dividiam o mesmo quarto, mas tinham posto barreiras de individualidade segundo Draco me contou. Susan e Emma também dividiam o quarto assim como Pansy dividia com uma outra garota e Dylan dividia com Lucca. Draco dormia sozinho num quarto no final do corredor cuja vista era para uma caverna subáquatica.
Ele me levou até a porta do quarto que seria meu.
-Bom, Snape disse que devia trazê-la até aqui. Esse aposento foi usado pela sua mãe e ficou trancado desde então. Ela pôs algum feitiço antigo porque ninguém conseguiu abrir ainda.
-E Sev acha que eu conseguirei abrir?
-Sim.
Fechei os olhos respirando fundo e quando os abri, toquei a porta.
Ela brilhou sob minha mão e runas prateadas e douradas brilharam por toda ela enquanto um zumbido suave e um cheiro doce se espalhavam pelos corredores. Logo pudemos ouvir o som dos curiosos enquanto a porta continuava a brilhar.
Um click foi ouvido e então ela abriu suavemente, deslizando para o lado e não para dentro como era o esperado.
Dentro, tudo estava em perfeito estado de conservação, como se tivesse sido feito no dia anterior.
Ouvi o arfar de alguns dos que se aglomeraram no corredor e então o burburinho.
Meu malão estava na parede do corredor e com um feitiço silencioso de levitação o deixei aos pés da cama.
-Aaan, boa noite. -Draco disse e sorri.
-Boa noite Drake. -Beijei sua bochecha e ele sorriu indo ao seu dormitório. -E vocês? -Perguntei retoricamente as garotas que continuavam ali e elas foram voltando a seus quartos.
Amanhã Hogwarts inteira saberá antes do almoço.
Sorri enquanto analisava os pertences de minha mãe.
Quando deitei, deslizei rapidamente aos braços de Morfeu.
Levantei-me com Dusk sibilando ao meu lado.
-O que é Dusk?
-SSSSSenhora é pressciso levantar-ssse.
- Terá de começçar a ficar ssob minha pele, possso deixxá-lo ssair sssempre que for lá pra fora, mass presscissará ter cuidado.
-Sssim Sssenhora. Entendi.
-Então o faççça.
Sussurrei as palavras necessárias enquanto Dusk deslizava por minha pele e tomava a forma da serpente tatuada. Com último sibilar tornou-se parte dela, parecendo não mais do que uma tatuagem comum.
Vesti-me e peguei o material. Olhei-me no espelho e assobiei.
-Isabella, você é gostosa. - Os primeiros botões de minha camisa estavam abertos, a gravata frouxa de maneira sexy, o suéter tinha um decote em V maior do que o normal, mas não era vulgar. A saia tinha alguns centímetros a menos e meus sapatos eram no estilo ankle boot.
Pousei a palma da mão direita sobre a porta e ela moveu-se silenciosamente, fechando imediatamente após minha saída.
O corredor estava silencioso e supus que todos já haviam ido ao salão.
-É verdade que você conseguiu abrir A Porta? Só com um toque? -Uma garota me parou e assenti.
-Que irado! Meu nome é Elizabeth, mas pode me chamar de Liz.
-Prazer. -Sorri levemente e voltei a andar.
-Você é Isabella não é?
-Sou. -Suspirei.
Quando chegamos a sala comunal ela deu um aceno e juntou-se a outras duas garotas.
Emma e Susan estavam na porta.
-Bom dia Bell! Vem, a Pansy está do lado de fora com os garotos.
-Bom dia.
Passei pela abertura e tirei a franja dos olhos pela milésima vez.
-Oi. -Cumprimentei
-Se ela cai tanto porque não corta? -Pansy perguntou reparando quando estávamos andando.
-Porque é sexy. -Respondi e ela bufou.
Drake passou o braço por meu ombro.
Chegamos ao salão e como esperado vários alunos perguntaram sobre a porta - inclusive os de outras casas.
Já estávamos tomando café quando Emma fez a pergunta e todos da mesa se calaram para ouvir a resposta.
- E então Belsy, qual sua história de verdade? Porque as fofocas são muitas e ninguém sabe direito como você acabou parando na casa dos Malfoy. -Falou apontando com o garfo para Draco.
-Meu pai e a tia dele, Andrômeda, tiveram um caso e então...Voilá! Grávida. Ela escondeu a gravidez, estava com medo e meu pai havia apaixonado-se por outra. Quando nasci fui levada para a Eslovênia, e cresci com alguns parentes. Com uns treze anos vim pra cá, vivi um tempo com meus tios, mas logo meu pai teve uma crise de arrependimento e me levou para morar com ele no mundo trouxa. Cansei de ficar lá, não podia usar magia. Voltei pra cá, e agora vou cursar o que me resta na escola. Fim.
-Mas como ninguém nunca te viu com os Malfoy? Alguém devia ter visto uma garota como você, ou ficava trancada o dia inteiro?
-Não ficava trancada. Mas minha mãe fez jurarem segredo a não ser que eu resolvesse cursar a escola.
-Então como...?
Fiz calarem-se quando diante de seus olhos fiquei igualzinha ao Draco.
-Um beijo? –Perguntei a Pansy e ela franziu a testa se afastando.
-Oh Meu Merlin! Você...você...!
-Transformaga? Sim.
-Mas...
-A família Priden sempre teve transformagos e animagos.
Percebi que não só os Sonserinos como outros alunos faziam silêncio e encaravam-nos.
-Faz de novo! –Emma pediu e dessa vez assumi sua forma. –Aah! Ellie agora somos trigêmeas. –Ela disse chamando a atenção de Ellie que riu.
-Pode ficar igual ao... Hagrid?
Fiz careta, mas concentrei-me na imagem dele e logo o banco ficou pequeno pra mim.
-Hey! Eu não! –Ele exclamou e percebi que os professores também ME encaravam.
Dei de ombros e lançando um olhar para os Cullen decidi brincar.
-O que acham dessa imagem? –Mudei no meio da frase, a voz grave de Hagrid sendo substituída por uma um pouco mais fina e baixa que a minha atual, a voz de Isabella Swan... e seu corpo também.
Vi Edward fazer menção de levantar e Emmett segurar seu braço fazendo-o sentar-se.
-Izzye, volte ao normal, é melhor que essa, não que seja feia... É que...
-A verdadeira não é sem sal! –Exclamei voltando a minha forma.
Os Cullen me encararam por um tempo ainda antes de Mcgonagall entregar nossos horários.
As corujas chegaram e três cartas foram deixadas a minha frente.
Abri a primeira.
"Bella,
Desculpe-me. Devia ter lhe contado em algum momento, mas Narcissa foi clara, você devia ficar em segurança, escondida. Sua aparição foi rápida, e Renée nunca teve tempo de perceber que os bebês foram trocados. Felizmente sua mãe era inteligente e sabendo que devia ficar oculta deixou-a parecida em tudo com a minha Isabella.
Desde pequenos nós queríamos filhas com esse nome e... enfim.
Como deve saber, neguei minha natureza mágica, e esta é a primeira vez que tenho contato com qualquer meio mágico, em anos.
Espero que um dia me perdoe.
Eu te amo.
Tio Charlie."
Sorri. Charlie.
Dobrei a carta e guardei-a no envelope.
A segunda era de Sissa, Lúcio e Trix.
"Espero que esteja gostando da escola!
Pelo que a conhecemos é muito provável que já esteja arrasando não é?
Bella está dizendo que deve explodir alguns sangue-ruins, mas ignore, ainda não é hora.
Lúcio está desejando bom período letivo e disse que devem lembrar de manter a história.
Eu quero dizer que vi, você sabe o que eu vi. Fiquei feliz! Mas tenham cuidado.
Espero resposta, ainda hoje!
Seus tios"
Sorri ainda mais largo.
Abri o terceiro envelope.
"Saudações minha querida.
Perdoe-me pelo instinto paterno talvez exagerado.
Não se esqueça de seus objetivos, e mostre a todos que você é A melhor.
Aproveite sua estadia e tenha um bom dia.
Espero por você Princesa.
T.R"
Acho que meu rosto estava rasgando a essa altura e Draco sorriu para mim mostrando o pequeno bilhete que vinha com a carta de seus pais.
Arqueei a sobrancelha como se perguntasse se era dele e Drake riu assentindo.
-Acho que não é uma ameaça.
- Não. -Limitou-se a dizer e senti que provavelmente nunca saberia o conteúdo do bilhete.
-Qual é sua próxima aula?
-Estudo dos...WTF? Não me martriculei nisso! -Exclamei
-Está sendo obrigatório esse ano. Eles acham que se falarem bastante e adularem as qualidades trouxas todos vamos aceitá-los. - Emma fez careta.
-AAah, e adivinha? É com o pessoal da Grifinória! Que merda para começar o dia!-Pansy reclamou e vários acenos de concordância foram feitos.
Meneei a cabeça.
- Depois temos DCAT e depois do almoço Poções.
-Não é tão ruim. -Emma tentou ser positiva.
-De fato, a primeira aula é a única realmente ruim. Vamos lá. - Peguei a bolsa e levantei guardando as cartas no bolso interno da capa.
-Minha bolsa está muito pesada, coloquei TODOS os materiais nela! -Susan reclamou
-Espere. -Falei e ela parou. Saquei a varinha e murmurei - Minimum Pondus
Ela arregalou os olhos.
-Agite a varinha suavemente para a direita e a abaixe mirando no que está muito pesado-Falei e ela testou na bolsa de Emma que sorriu.
-Funciona bem!
-Claro que funciona. -Falei e recomeçamos a andar.
Em determinado momento percebi Rosalie vindo em minha direção.
-Oi Rosalie. -Falei parando de costas, sem olhar para ela.
Meus colegas pararam.
-Podem ir. -Falei e eles fincaram pé no chão. -Vão. -Falei novamente, entredentes.
Crab, Goyle, Zabini e Pansy se encolheram. -Vocês quatro, vão logo. Já alcançamos vocês.-Falei de novo e eles saíram. -E vocês ein? - Encarei Draco, Emma, Susan e Dylan.
Drake passou o braço por meus ombros, Emma ficou ao meu lado, Susan e Dylan encostaram na parede.
-Vou ser direta. -Rosalie disse jogando o cabelo para o lado. No final do corredor os outros Cullen se apressaram com o trio.
-Desembucha loira.
-O que você fez lá no salão... Você é a Bella não é?
-Não querida. Sou Isabella pra vocês.
-Isabella Swan, não Priden.
-Você não sabe de nada mesmo não é? Eu fui Isabella Swan, mas aquela lá ficou para trás.
-Mas você... sempre foi... assim?
-Sim.
-Você sabia da sua magia então? Não era a frágil humana que pensamos?
-Humana ainda sou. Só sou bruxa...ou melhor, sou bruxa e feiticeira. Porque, é claro que você sabe, os Priden sempre foram feiticeiros da linhagem antiga, mais antiga que toda a história conhecida. Enfim. Era só isso? Estamos atrasados.
-Nós... nos arrependemos de ter...
-Apoiado o cabeçudo boiola e purpurina? -Draco completou e nós rimos.
Rosalie assentiu.
-Não acredito. E mesmo que acreditasse, perderam qualquer fiapo de confiança. Agora, se nos der licença...
Virei as costas e andei com meus novos amigos até a sala de aula, rápido agora, uma vez que estava quase na hora de começar.
Entramos na classe e sentei-me com Drake e Emma, Dylan e Susan com Pansy, Zabini com Crab e Goyle, Lucca estava na frente deles e estava sozinho até que Rosalie e Jasper se sentaram ao lado dele. Lucca fez careta e nos encarou, depois deu de ombros e começou a secar uma loira da Grifinória que estava sentada com mais uma garota e um garoto.
O trio sentou bem em frente a nós e os três Cullen restantes sentaram-se ao lado.
-Bom dia alunos. - Arqueei a sobrancelha quando Esme entrou, deixando um aluno atrasado passar e sentar-se no único lugar vago da sala. Encarei-o e percebi que era o tal de Neville e deduzi que os outros dois garotos com os quais sentou fossem os colegas de quarto dele e Potter. Simas e Dino? É, acho que é.
-Falarei sobre os trouxas, que são os que não são bruxos. Na realidade eles não são tão diferentes assim dos bruxos.
-Não? -Uma menina baixinha da Sonserina interrompeu. -Meu pai diz que todos são idiotas, que o lufano mais bobo que existir, é cem vezes mais inteligente e melhor que qualquer trouxa.
Esme pareceu aturdida por um momento.
-Não... Srta...?
-Bowes.
-Srta. Bowes não é assim. Os trouxas são como os bruxos, a única diferença deles é que não podem fazer magia! Ao menos, não a magia verdadeira, natural. Podem fazer ilusões, e vez ou outra eles tem dons que os permitem praticar um pouco.
-Mas, esses dons são na verdade o sangue bruxo diluído em suas veias. Não é? -Emma arqueoou a sobrancelha e Esme a olhou por um momento.
-Sim, mas...
-Então ele não é totalmente trouxa e não pode ser visto como tal. - Continuou, interrompendo Esme novamente.
-Embora continuem sendo inferiores a nós. -A loira que Lucca estava secando disse.
-E não são todos os tipos de dons que eles podem vir a ter que derivam dos bruxos, então ainda são trouxas! - Lucca disse e eu ri.
Esme estava ficando nervosa.
-Sim, sim todos estão certos, mas...
-O quê? -Perguntei controlando o riso.
-Mas não devem ser visto como seres inferiores. -Respondeu me encarando.
-Mas, se todos os humanos são vistos como seres inferiores pelas criaturas sobrenaturais, porque os bruxos não podem ver os trouxas como tal?
Ela me olhou por alguns instantes, os olhares dos outros Cullen queimavam. Ignorei. Todos entenderam a indireta. Draco soltou um risinho.
-As criaturas sobrenaturais...
-Que tipo de criaturas Sra. Cullen? -Susan perguntou
-Os Frios? - Draco "especulou".
-As criaturas sobrenaturais, sejam elas os Frios ou não, não veem os humanos como inferiores.
-Claro que veem. Os humanos são o lanchinho não são? - a loira disse novamente.
-Você é?
-Luize Greengrass.
-Srta. Greengrass, nem todas as criaturas tem os humanos como "lanche".
Hermione ergueu a mão.
-Poderíamos voltar ao tema "trouxas" ? -Tentou socorrer Esme que a olhou agradecida.
-Claro Srta. Granger. Voltando, gostaria que abrissem seus livros sobre Estudo dos Trouxas na página 36 e após uma rápida leitura me digam o que podem comparar nas diferenças diárias.
A maioria abriu os livros e pôs na mesa começando a ler imediatamente, mas apenas cruzei as pernas e comecei a batucar com a varinha em minha coxa. Uma mania adquirida, obviamente.
-Srta... -Parou a minha frente.
-Priden.
-Srta. Priden, poderia abrir seu livro?
-Até poderia se o tivesse comprado.
-Porque não o comprou?
-Vivi com trouxas, sei como as coisas são.
-Existem alunos que vieram de famílias trouxas e mesmo assim...
-Não vou ler livro nenhum. Ok? -Interrompi-a.
-Se não acompanhar a leitura com seus colegas de mesa serei obrigada a...
-Sra. Cullen? - Nick Quase Sem Cabeça entrou na sala.
-Sim?
-Professor Dumbledore gostaria de falar com a Srta. Priden.
Peguei a bolsa e lancei um beijo no ar em direção aos meus amigos.
-Estou indo Nicholas. -Falei -Com licença professora.
Ouvi o risinho de meus colegas e saí tendo tempo de ver o olhar desolado que ela me lançou. Dei de ombros.
A aula acabou sendo melhor do que o esperado.
Nick guiou-me até a gárgula que guardava a porta da sala do diretor.
-A senha de hoje é bolinho de abóbora.
-Bolinho de abóbora. -Falei para a gárgula que permitiu que a passagem abrisse.
-Boa sorte Senhorita.
-Quem precisa de sorte é Dumbledore. -Falei. Ele se encolheu levemente e fazendo uma messura, saiu.
