.::Ao Cair das Folhas::.
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Larissa que pertencem a Saga de Uma Nova Vida.
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Presente para Flor de Gelo.
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Capitulo 7: Ainda é cedo pra dizer Adeus!
.I.
Estacionou o carro em frente ao solar, ouvindo o cavaleiro suspirar aliviado e relaxar sobre o assento. Um fino sorriso ameaçou despontar em seus lábios, mas controlou-o, vendo que a face de Minos estava variando entre o verde e o branco a cada segundo.
Deveria ter pegado mais leve com ele, mas ainda estava aborrecida; Larissa pensou, desligando o carro, no momento que Dona Beatriz saiu de dentro da casa.
-Vamos? –ela indagou voltando-se para ele.
-Vai na frente; Minos sussurrou, ainda tentando soltar o cinto, entretanto suas mãos estavam um pouco tremulas.
Droga, havia se esquecido completamente de como seu estomago era sensível a essas coisas. Por isso normalmente evitava viagens longas de carro e avião, já que sempre acabava ficando enjoado; ele pensou.
-Você não me parece muito bem, eu te ajudo; Larissa falou virando-se para ele e soltando o cinto.
-Obrigado; ele balbuciou voltando-se para ela.
Estremeceu ao deparar-se com os orbes dourados sobre si, eles pareciam levemente castanhos agora. Sentiu a face aquecer-se quando o cavaleiro tocou-lhe a face suavemente, deixando a ponta dos dedos correr até o queixo antes de puxá-la em sua direção.
-Min-...; as palavras morreram em sua garganta quando sentiu os lábios dele tomarem os seus de maneira intensa.
Um arrepio correu pelo meio das costas, quando o braço dele envolveu-lhe a cintura e uma das mãos prendeu-se entre uma mecha que caia sobre seus ombros.
Lembrava-se vagamente de ter visto alguém sair da casa e chamá-los, mas os pensamentos aos poucos foram sendo banidos de sua mente. Um fraco gemido saiu de seus lábios ao sentir as unhas finas arranharem sua nuca.
O beijo tornou-se mais quente e possessivo, com um "Q" a mais de punição, pela situação penosa que passara há poucos minutos atrás; ele pensou suspirando entre os lábios quentes da jovem. O caminho que deveria ser percorrido em pelo menos quarenta minutos, fora feito em quinze. Se não houvessem quebrado algumas leis físicas, não diria nada.
Ofegou, sentindo os lábios dormentes sobre os dele, quando a língua quente deslizou sobre a sua, acompanhando seus movimentos, lhe fazendo esquecer-se de tudo e de todos. Até que uma batida no vidro da janela lhes despertou.
Afastou-se sentindo o rosto em chamas, ao ver a face arredondada de Dona Beatriz a lhes fitar com um largo sorriso, semelhante aquele do Gato Maluco de Alice no País das Maravilhas; ela pensou e antes de conseguir concluir pensamento algum, ela falou.
-Vou esperá-los lá dentro, não tenham pressa crianças; Beatriz completou antes de se afastar.
-Oh meu Deus; Larissa balbuciou, passando uma das mãos nervosamente pelos cabelos.
-Não faça drama, por favor; Minos falou dando um baixo suspiro. Da próxima vez o primeiro que interrompesse iria fazer uma visitinha a Hades; ele pensou tentando controlar a frustração, aquela era a segunda vez.
-Oras, mas o q-...; ela se deteve quando sem aviso algum, ele lhe puxou novamente para seus braços, dando-lhe um beijo igualmente intenso.
Ele deveria ser proibido de fazer isso; Larissa pensou, sentindo-se derreter entre os braços dele.
-Não faça tempestade num copo de água; Minos sussurrou entre seus lábios, enquanto acariciava-lhe a face com a ponta dos dedos. –Já é difícil manter minhas mãos longe de você sem isso, então não torne tudo um martírio para nós dois; ele completou fitando-a intensamente vendo os orbes serrados e os lábios ainda mais vermelhos, antes de se afastar e descer do carro.
Abriu os olhos atordoada, ouvira bem? Ele falara realmente aquilo? –ela pensou confusa, mas não teve muito tempo de indagar mais nada, já que sua porta foi logo aberta e ele lhe estendeu a mão.
Hesitou por alguns segundos, mas logo aceitou. Minos ajudou-lhe a sair e ironicamente uma pedrinha resolveu surgir em baixo de seu pé naquele momento. Escorregou, sendo amparada por ele no meio da queda.
Sorriu sem graça, tentando recuperar o equilíbrio para se afastar, mas ele ainda mantinha as mãos em sua cintura, acabando com seus planos de manter seu lado racional por mais alguns segundos.
-Já disse que você é um desastre ambulante? –ele indagou, enquanto fechava a porta e a puxava consigo em direção a casa, sem dar margem para que ela se solta-se.
-Não; Larissa resmungou voltando-se para ele com os orbes serrados, pronta para começar a discutir, mas corou furiosamente ao encontrar o olhar dele sobre si, precisamente sobre seus lábios. De imediato compreendeu o que ele pretendia se começassem a discutir de novo e um pensamento insano surgiu em sua mente, dizendo que não seria tão ruim assim.
Afinal, o mundo seria tão feliz se todas as brigas acabassem em beijos... Aproximaram-se da porta que logo se abriu, Dona Beatriz os recebeu com um sorriso cordial.
-Boa tarde, meus jovens; ela falou.
-Boa tarde; o casal respondeu.
-Obrigado por terem vindo;
-Não por isso; Larissa respondeu sorrindo, embora ainda estivesse constrangida pelo flgrante.
-Mas venham, vou lhes apresentar os amigos do jovem Considine; a senhora falou fechando a porta e indicando-lhes a sala de visitas.
Deixou os orbes correrem a sua volta surpreso. Aquele lugar não parecia à mansão imponente que vira de fora, ali dentro tinha um ar mais rústico de casa antiga e cheia de histórias. Os moveis pareciam bem conservados e os toques de modernidade ali eram tão sutis que se olhassem com menos atenção nem os notaria.
-Senhor Hades e senhora Cora, estes são Larissa e... Ahn desculpe meu jovem, mas não lhe perguntei seu nome. Beatriz falou chamando-lhe a atenção.
Assim que ouviu o nome do casal, virou-se rapidamente deparando-se com os dois a lhe fitar igualmente surpresos. Sentiu o coração falhar uma batida e instintivamente, estreitou ainda mais os braços em torno da jovem.
-Minos; Larissa respondeu por ele, sem notar a nuvem negra de tensão que caira sobre o ambiente.
-Bem, esses são Larissa e Minos; Beatriz completou voltando-se para o casal.
-Como vão? –Hades falou mantendo o ar impassível, embora intimamente quisesse esganar o cavaleiro de melenas negras por não tê-lo avisado que a "guia" que lhes arrumara era a jovem que estava envolvida com Minos.
-Bem, e vocês. Fizeram uma boa viagem? –Larissa perguntou animada, sem notar o ar sombrio que caiaram sobre seu acompanhante.
-Ocorreu tudo bem sim; Cora respondeu sorrindo amigavelmente, depois de se recuperar do choque.
-Larissa como vai? –Lucas indagou aparecendo na sala.
-Bem e o senhor? –ela falou voltando-se para ele.
-Bem, muito bem; ele respondeu sorrindo. –Vim lhe avisar que Emmus deixou um recado pra você no escritório e pediu que você fosse até lá antes de saírem; ele avisou.
-Ta certo; Larissa murmurou pensativa. Voltou-se para seu acompanhante, vendo Minos observar o casal ainda serio. –Se importa de esperar um pouquinho?
-Não, vai lá; ele falou voltando-se para ela. Tentou sorrir, mas assim que ela se afastou, notou que fora inútil, afinal, não era tão bom ator para esconder o quão aturdido estava com aquela situação.
-Com licença, nós já vamos sair; Larissa avisou ao casal antes de se afastar com Lucas.
-Porque não se senta, vou trazer um chocolate quem para vocês enquanto esperam Larissa voltar; Beatriz falou pedindo licença antes de ir para a cozinha.
Logo viram-se apenas os três na sala, sentou-se em um dos sofás coberto por uma bela manta de juta, antes de voltar-se para o imperador.
-O que estão fazendo aqui? –os dois homens falaram ao mesmo tempo.
-Querido, fique calmo; Cora pediu, pousando a mão suavemente sobre o braço do marido.
-Imperatriz... Hades... Me desculpem, mas o que vocês estão fazendo aqui? –Minos perguntou com a voz mais tremula do que desejava.
-Estamos de férias; ela respondeu sorrindo. –Emmus nos emprestou a casa para que passássemos uma temporada aqui;
-Emmus? –ele indagou incrédulo.
-Olhos Vermelhos; Hades respondeu emburrado.
-O que ele esta armando dessa vez? –Minos resmungou, serrando os punhos.
-Bem...;
-Nada; Hades cortou a esposa. –Estamos apenas de férias e foi uma, ahn... Feliz coincidência encontrá-lo aqui, principalmente quando achávamos que você estava em Estolcomo ou até mesmo Atenas;
-Eu estava; Minos respondeu.
Não, o cavaleiro negro não poderia ter feito aquilo de caso pensado; ele pensou. Alias, não teria motivos para isso, ou teria? Porque era muita coincidência ele ser amigo de Larissa. Será que ela sabia quem ele era e estava escondendo o jogo? –ele se perguntou desconfiado.
-Sei o que esta pensando Minos; a jovem de melenas negras falou, chamando-lhe a atenção. –Mas não, ela não sabe quem somos, muito menos que você é; Cora respondeu com ar serio.
-Como?
-Emmus nos disse que ela era de confiança, mas que não sabia sobre quem realmente éramos; a jovem explicou. –E duvido muito que se você não contar a verdade, ela jamais vai saber disso. Entretanto, a um valor alto de mais a se pagar para correr o risco; ela completou de maneira enigmática.
-Eu não...; deteve-se por alguns minutos. Larissa merecia saber a verdade, mas não estava certo de que, a hora de contar fosse chegar antes do termino das últimas duas semanas que tinham.
-Aqui esta; Beatriz falou, entrando na sala com uma bandeja.
-Eu ajudo; Cora falou adiantando-se ao levantar-se e seguir até a senhora.
-Não se preocupe querida; a senhora falou sorrindo, ao pousar a bandeja na mesa de centro. –Espero que gostem;
-Obrigada; a jovem respondeu sorrindo.
Conteve um suspiro exasperado, não esperava por essa e detestava ser pego de surpresa; Minos pensou aborrecido. Antes de pegar a caneca de chocolate quente. Até agora tudo estava caminhando bem, mas a chegada inesperada de Hades e Cora ali, simplesmente lhe deixara sem rumo. Pelo visto, sua temporada em Campos, iria terminar antes do que desejava.
.II.
Entrou no escritório no segundo andar, acompanhada de Lucas, o senhor já de certa idade indicou-lhe um envelope em cima da escrivaninha.
-Vou deixá-la agora, qualquer coisa é só chamar; ele avisou, antes de fechar a porta e sair.
-Tudo bem; Larissa balbuciou, antes de sentar-se na cadeira em frente à escrivaninha e pegar o envelope.
Era estranho, mas embora a cadeira a sua frente estivesse vazia era como se a presença do amigo ali fosse palpável. Mesmo ele não estando, era como se em cada canto daquele lugar que olhasse poderia ver ele o Ariel.
Balançou a cabeça levemente para os lados, tudo bem que Emmus exercia um forte magnetismo sobre as pessoas, mas imaginar que existia algo alem disso, era insano.
Abriu o envelope, encontrando uma folha timbrada dentro da mesma. Desdobrou-a com cuidado e logo reconheceu os traços clássicos e refinados do jovem de melenas negras.
-x-
Mais uma vez gostaria de me desculpar pelo pedido inesperado. Imagino que você tenha muitos compromissos e coisas a resolver na cidade, mas eu realmente não os confiaria a um estranho.
Quando estiver lendo essa carta, provavelmente já estará no escritório e já deve ter conhecido também o casal. Como você pode ter reparado e creio eu, você reparou... Eles irão precisar da sua ajuda para se adaptar a Campo do Jordão.
Duvido que mesmo eu avisando, eles tenham pensando que aqui faz realmente tanto frio quanto algumas cidades européias, por isso gostaria que você providenciasse o que for necessário para a estadia deles aqui.
Na primeira gaveta da escrivaninha, você vai encontrar um cartão. Use-o para cobrir qualquer despesa que você tiver ao longo dessa semana e se for necessário mais alguma coisa, você sabe como entrar em contato comigo.
Imagino que em breve você estará levando-os até o centro, se preciso, Beatriz poderá providenciar alguns agasalhos que Ariel e eu deixamos ai para emergência, basta apenas que peça a ela para abrir os quatros.
Sinceramente, espero que você também se divirta nesses próximos dias, em breve estarei lhe fazendo uma visita. Ariel manda lembranças.
Um abraço
E.C.
-x-
Suspirou pesadamente, havia notado mesmo que aquele casal era grego demais. A jovem de melenas negras estava usando um vestido de corte grego, que descia até pouco abaixo dos joelhos, mas o tecido era fino demais para lhe aquecer. Enquanto ele, parecia casualmente confortável vestindo-se com roupas pretas, mas também grego demais.
É, seria uma longa semana; Larissa pensou levantando-se e dando a volta na mesa. Emmus tinha essa mania de sempre precaver-se em tudo. Às vezes se perguntava se ele alguma vez em sua vida, foi pego de surpresa; ela pensou, antes de deixar o escritório e voltar à sala.
.III.
Levou a xícara aos lábios, enquanto fitava o nada com ar pensativo. Prometera a Larissa ficar com ela nessa semana em que o casal estaria nada cidade, mas agora que sabia quem eram, não iria dar certo.
Suspirou pesadamente, sentindo o vapor quente chocar-se contra sua face. Poderia dar uma desculpa qualquer amanhã a ela, dizendo que não poderia acompanhá-la e quem sabe, depois, dizer que devido a um parente doente teria de ir embora. Nunca mais se veriam, mas talvez fosse melhor para ambos se as coisas terminassem dessa forma.
As perdas seriam menores do que esperava se ficarem ainda mais envolvidos do que estavam um com o outro.
-Desculpem a demora; Larissa falou entrando na sala novamente acompanhada de Lucas e Beatriz.
-Não tem problema; Cora falou sorrindo.
-Bem, o Emmus pediu que eu confirmasse com vocês, se vocês trouxeram agasalhos para o frio? –ela indagou casualmente.
-Ahn! Bem...; Cora balbuciou, voltando-se para o marido. –Meu querido marido achou que talvez não fosse necessário e que o frio seria suportável; ela completou sem esconder o sarcasmo.
-Dona Beatriz, será que o Emmus já pensou em trabalhar de vidente? –Larissa indagou voltando-se para a senhora.
-Não sei queria... Por quê? -a senhora indagou confusa.
-É, ele não erra uma; a jovem murmurou. –Bem, ele e Ariel deixaram algumas coisas para vocês, caso fosse necessário e creio eu, será; ela explicou.
-Como? –Hades indagou, arqueando a sobrancelha.
-Roupas, ele disse que vocês talvez não fossem levar tão a serio o fato de aqui fazer frio e já que na Grécia é calor o ano todo; Larissa falou dando de ombros. –De qualquer forma, por favor Dona Beatriz, poderia mostrar as coisas para eles? –ela indagou.
-Sim querida, venham comigo, por gentileza; a senhora falou indo em direção as escadarias na outra extremidade do hall.
Trocando um olhar de assentimento, o casal seguiu em frente, deixando os dois sozinhos ali.
Sentou-se ao lado do cavaleiro, recostando-se no sofá e dando um baixo suspiro.
-O que foi? –Minos indagou casualmente, não contendo o impulso de enlaçá-la pela cintura e aconchegá-la entre seus braços.
-Nada; Larissa murmurou pensativa.
Poderia chamar isso de sexto sentido ou não, mas sentia que alguma coisa estava errada ali, ou como se um muro invisível houvesse se erguido entre os dois. O tempo estava correndo ainda mais rápido e logo teriam de dizer adeus. Não queria ficar ainda mais envolvia com o cavaleiro e depois, ter de ir embora lambendo as feridas que talvez jamais fossem se fechar.
Foi um erro deixar as coisas evoluírem até aquele ponto, porque agora a perspectiva dele partir parecia ainda mais pungente entre os dois.
-Não é o que parece; Minos sussurrou virando-se no sofá para acomoda-la melhor entre seus braços, antes de apoiar o queixo em seu ombro. –Você esta seria; ele murmurou.
-Só estou pensando em algumas coisas que eu tenho de resolver; ela mentiu.
-Precisa de ajuda com algo? –ele indagou, entrelaçando os dedos da mão, nos dela.
Precisava, claro que sim, mas infelizmente ele não podia resolver seus problemas, principalmente quando ele era metade deles; ela pensou contendo um suspiro.
Nós éramos estranhos
Começando uma jornada
Nunca sonhamos
Com o que teríamos que atravessar
Agora estamos aqui
E de repente eu estou de pé
E irei até o fim com você
-Não, não ainda; Larissa respondeu, forçando um sorriso que não lhe chegou aos olhos.
Estreitou os braços em torno da cintura fina, ouvindo-a suspirar. Porque tinha essa estranha sensação de que a estava perdendo aos poucos.
Sabia que mais hora menos hora isso iria acontecer, mas porque era tão difícil aceitar?
Ninguém me disse
Que eu ia encontrar você
Inesperadamente
Porque as Deusas do Destino tinham de ser tão sádicas? -ele pensou, dando um baixo suspiro. Deixara o santuário com a intenção de começar a viver sua vida, quebrando as correntes e seguindo em frente, mas novamente via-se preso entre os planos iniciais e os sentimentos conturbados do agora.
O que você fez com meu coração?
Quando eu perdi a esperança
Você estava lá para me lembrar
Este é o começo...
-Quanto tempo ainda pretende ficar em Campos? –Larissa indagou hesitante.
-Não sei; ele balbuciou.
Esse era o momento de dizer a ela que partiria ao raiar do próximo dia, mas as palavras perderam forças e permaneceram apenas em seus pensamentos.
A vida é uma estrada
E eu quero continuar seguindo
O amor é um rio
Eu quero continuar fluindo
-E você? –Minos indagou incerto em querer realmente saber a resposta.
-Daqui uma semana; Larissa respondeu.
-Mas...; ele balbuciou surpreso. Pensou que ainda haveriam duas semanas para o termino da temporada. Porque ela estava adiantando a viagem?
A vida é uma estrada
Agora e para sempre
Numa incrível jornada
-Eu iria ao meio da semana, mas como Emmus me pediu para recepcionar os amigos dele, eu decidi estender a viagem até domingo; ela explicou.
Fechou os olhos por alguns segundos, sentindo-os marejados. Antecipando as despedidas que logo viriam ao termino daqueles sete dias.
Eu estarei lá
Quando o mundo parar de girar
Eu estarei lá
Quando a tempestade passar
E no final eu vou ficar em pé
E irei até o começo com você
-Quando pretendia me contar? –ele indagou num fraco sussurro.
-Você sabe que isso iria acontecer a qualquer momento. Pode ser eu, ou você. Mas vai dar na mesma de qualquer forma; Larissa falou, tentando ser impassível.
Eu sabia que havia alguém em algum lugar
Como eu
Sozinha no escuro
Agora eu sei que meu sonho continuara a viver
-É, tanto faz; ele murmurou.
Não, isso era mentira. Não poderia ficar se enganado dessa forma. Não estava pronto para aceitar um Adeus, precisavam de mais tempo. Entretanto, não conseguia pensar em nada que pudesse mudar o destino, dali para frente.
Eu tenho estado esperando por tanto tempo
Nada vai nos separar
-Ainda temos uma semana; Minos sussurrou, tocando-lhe a face delicadamente.
-Uhn? –Larissa murmurou, voltando-se para ele.
Sentiu a face aquecer-se, quando os lábios do cavaleiro roçaram os seus.
-Temos uma semana para viver uma vida; ele sussurrou, antes de tomar-lhe os lábios num beijo intenso.
Não queria pensar, alias, queria banir de ambas as mentes o pensamento melancólico do inevitável. Nesse momento, não sabia o que fazer, nem possuía as respostas que tanto almejara conseguir desde que começara aquela viajem.
Mas de algo tinha certeza, ainda a queria entre seus braços e não iria permitir que aquela parede de gelo continuasse entre eles. Pelo menos não enquanto ainda lhes restassem aqueles sete dias.
Sete dias para viver uma vida...
-Já estamos prontos; Cora avisou entrando na sala, mas estancou ao ver o casal.
Sentiu a face aquecer-se por colocá-los numa situação tão constrangedora quanto a sua, como espectadora, mas eles logo se afastaram e voltaram-se em sua direção com expressões casuais, como se num pacto licencioso, houvessem decidido não lutar contra aquilo que estavam sentindo. Pelo menos não pelos próximos sete dias.
-Podemos ir então; Larissa falou levantando-se e estendendo a mão para o cavaleiro.
Entrelaçou os dedos nos dela e se levantou, mantendo-a junto de si através de um meio abraço.
A idéia inicial era partir no dia seguinte, mas definitivamente ela fora banida de vez de seus pensamentos.
-Sim, claro; Cora balbuciou, assim que sentiu a presença do marido a suas costas.
Voltou-se para ele, lançando-lhe um olhar indagador. Não conseguia entender porque sentia uma aura tão triste vinda do casal. Isso era confuso.
-Dessa vez, eu dirijo; Minos avisou, tirando as chaves da mão de Larissa assim que ela tirou-as do bolso.
-Mas...;
-Lembra-se do que conversamos? –ele indagou arqueando a sobrancelha, antes de se despedirem de Beatriz e Lucas, encaminharam-se para o carro.
-Você é muito convencido; Larissa resmungou, enquanto ouvia o alarme ser destravado seguido pelas portas.
-E você teimosa; ele falou, vendo-a rolar os olhos, antes de voltar-se para o casal.
-Eu estava pensando, pelo horário podemos ir até o teatro, o pôr-do-sol de lá é incrível e depois a noite, podemos conhecer o centro e jantar, por lá. Tudo bem para vocês?
-Claro, está ótimo; a jovem de melenas negras falou animada. –Emmus falou sobre uma coisa chamada Tim Festival, o que é? –ela indagou curiosa.
-É um show que vai acontecer na arena armada logo na entrada da cidade, são algumas bandas e cantores que se apresentam no final da temporada aqui. É bastante agitado. Vai acontecer amanhã o primeiro show se vocês quiserem, podemos ir;
-O que acha querido? –ela indagou, voltando-se para o marido silencioso.
-O que lhe agradar, por mim estará tudo bem; ele respondeu calmamente.
-Está certo, amanhã vamos discutir o resto do itinerário, para que vocês consigam ver tudo com calma; Larissa falou, abrindo a porta e indicando que entrassem. Minos, ainda se lembra do caminho? –ela indagou em tom de provocação.
-Claro e pode parar, não vou mudar de idéia quanto a não deixar você dirigir; ele falou assumindo o volante.
-Arrogante; Larissa resmungou, tomando seu assento ao lado dele e colocando o cinto.
-Se você não corresse tanto, isso não seria necessário; ele falou sorrindo, enquanto arrumava o espelho na altura de seus olhos e ligava o carro.
-Ah Ah Ah; ela riu de maneira sarcástica. –Vou me lembrar disso depois; ela completou fazendo-o engolir em seco.
-Todos estão com o cinto de segurança, então vamos nessa; ele completou.
Logo os portões do Solar foram abertos e o carro deixou a propriedade.
Continua...
