CAPÍTULO VI
Naquela noite, recostada em travesseiros na cama, Lily apertou o fone no ouvido enquanto James desabafava, exagerava e praguejava:
— O camarada era um vigarista, sem dúvida! — avaliava ele. — Implantou seu sistema de computador, pegou o dinheiro e sumiu. A polícia está atrás dele, claro, porque esta não foi a única empresa em que ele atuou. Uma bagunça. O pior é que consertei o problema aqui, mas o espertinho implantou o sistema com duas inicializações. Uma aqui em Tulsa e uma conexão com o escritório em Dallas. Vou para o Texas amanhã cedo refazer tudo lá.
Lily sentou-se na cama, tensa, e agarrou o telefone com mais força.
— Não vai voltar para casa?
— Não. — James suspirou. — Tentei encaixar um pulo rápido em Ventura, mas não vai dar mesmo. O escritório de Dallas está parado, sem sistema. Tenho de ir para lá imediatamente.
— Oh. — Lily baixou os ombros. — Bem, sim, claro, faz sentido… acho. Não, esqueça. Definitivamente faz sentido. É só que eu…
Hesitou, confusa.
Sentia saudade de James e o queria ali, em casa, com ela… naquele instante. O mais estranho era que se tratava de uma saudade diferente da que experimentara antes, um sentimento com o qual começava a se acostumar.
Não saberia apontar precisamente a diferença, mas definitivamente havia alguma. Era como se uma nuvem negra estacionasse sobre sua cabeça ao se dar conta de que James não bateria três vezes na parede para anunciar sua chegada por… quem sabia quanto tempo?
— É só que você… o quê? — instigou ele.
— Oh, bem, nada. Lamento que esteja com tantos problemas, James.
— Eu também. A única coisa boa é que já sei o que está errado no sistema e não devo levar tanto tempo em Dallas.
— Quanto tempo?
— Não sei dizer ao certo… talvez um mês, em vez dos dois que passei aqui.
— Mais um mês inteiro? — protestou Lily, quase gritando. Bateu a mão livre na testa e abandonou-se sobre os travesseiros. — Ignore-me, James. Estou parecendo uma esposa ranzinza.
Ele riu.
— Se casasse comigo, teria todo o direito de reclamar, Lírio.
— Não, obrigada. — Ela fez uma pausa. — Precisa desabafar mais sobre a situação aí? Não o estou apressando, só estava pensando se já terminou.
— Sim, vou fechar a boca — replicou James. — Descarregar em você não vai mudar nada.
— Fico contente em ouvir.
— Eu sei, Lily, e estou agradecido. Então! Como vai você? E o bebê? Ora, espere um pouco. Você teve uma consulta com Jane hoje. Atualize-me. O que ela disse?
— Estou bem. O bebê também — resumiu Lily. — Mas estou gorda, uma leitoa mesmo.
Ele riu.
— Duvido, ruiva. Só está de três meses.
— Não estou brincando, James. Não consigo mais fechar as saias e calças. Jane disse que aparentemente vou ser uma grávida do tipo que estufa logo. Todo mundo vai saber antes do que eu imaginava.
— Bem…
— James, tenho de lhe contar e lamento muito mesmo… estava conversando, você sabe como eu fico às vezes, e dei dicas aqui e ali sem perceber, e Jane… James, sua irmã descobriu que você é o pai deste bebê.
James permanecia em silêncio.
— Oh… Você está furioso, não está? Jane prometeu que não contaria a ninguém da família… que você… que nós… eu lamento tanto, tanto…
— Calma — pediu James. — Calma, Lírio. Não estou zangado. Em absoluto. Por mim, todo o clã Potter podia ser avisado sobre o bebê agora mesmo.
Ela se sentou, tensa novamente.
— Não diga absurdos! Serão meses de especulação: "Por que não se casam?". Não. De jeito nenhum. Ninguém vai saber até eu não conseguir mais esconder minha condição. Prometa que não vai contar a nenhum Potter ainda, James. Por favor, prometa.
— Está bem, está bem, não fique estressada, Lily. Mas quando eu voltar para casa, precisaremos conversar mais.
Lily estreitou o olhar.
— Sobre o quê?
— Prefiro esperar para falar, porque é realmente muito importante.
— James, não é justo! Vou ficar aqui sentada, fervendo, maluca tentando descobrir o que se passa na sua cabeça. De tão preocupada, vou me esquecer de seguir o esquema de horários para tomar leite.
— Isso é chantagem, ruiva.
— Se funcionar…
James praguejou, e ela se encolheu.
— Está bem — concordou ele, finalmente. — Você ganhou, mas realmente preferia esperar e falar pessoalmente sobre isso. Lírio, apesar das longas horas de trabalho aqui, tive tempo para pensar, no meu quarto de hotel, à noite. Bastante tempo.
— E?
— Você está gerando um filho meu.
— Um filho nosso.
— Você entendeu. Bem, quero que nosso filho tenha o meu nome, que seja um Potter. Preciso que ele saiba que estou orgulhoso e feliz por ser seu pai, não quero que duvide jamais de que sempre o quis muito mesmo.
— Ohhh — entoou Lily, com os olhos marejados. — Isso é tão meigo.
— Ouça, está bem?
— Sim. Desculpe-me.
— Sei que acha que não devemos nos casar, Lily, porque somos tão diferentes, e também porque você acha que amar, amor romântico, não fraternal, é o mais importante na hora de fazer os votos.
— Isso mesmo.
— Então, não sei o que dizer — prosseguiu James. — Não posso pedir que dê a nosso filho o meu nome, como se você não existisse. A única solução, acho, seria ligar nossos sobrenomes, algo como "Garotinho" Evans-Potter.
— É muita coisa para uma criança aprender a soletrar na primeira série, James — observou Lily, amuada.
— Eu sei, mas é realmente importante para mim que ele tenha o meu nome… de algum modo. Promete pensar no assunto enquanto eu estiver fora, para discutirmos quando eu voltar?
— Está bem. Claro. Vou pensar bastante nisso. — Lily fez uma pausa. — James, por que fala do bebê como se fosse menino?
Richard riu.
— Porque é menino, Lírio, tenho certeza. Sou um Potter, lembra-se? Sabe a aposta que Alvo faz toda vez que vai nascer um bebê?
— Ted Sharpe quebrou a seqüência invicta de Alvo e, desde então, os papais sempre ganham. Quando o pai diz o sexo da criança, é batata.
— O amigo de Jack, Brandon, do Arizona, disse que ele e a esposa, Andréa, teriam uma menina e… bingo… tiveram. Agora Jack disse que ele e Jennifer iam ter uma menina… que deve chegar este mês, aliás. Acredite, Jennifer vai ter uma menina.
Concluiu:
— Portanto, nós vamos ter um menino, Lily. Pode ir preparando tudo em cor-de-azul... e verde para combinar com seus olhos.
Lily pousou a mão no abdome levemente arredondado.
— Um filho — sussurrou, extasiada. — Um precioso garotinho. Você o torna tão real, James.
— Ele é real, e é nosso, Lírio — festejou ele. — Ele é nosso filho, nosso milagre.
— Sim — sussurrou Lily.
Um calor estranho parecia chegar pelos fios do telefone, aproximando-os, tornando o momento especial e significativo.
Então, devagar, mas com certeza, o calor suave transformou-se em chama pulsante a gerar desejos e trazer lembranças sensuais do ato de amor que haviam partilhado tantas semanas antes.
— Ruiva, eu… — retomou James, finalmente, rouco. Mas se deteve e pigarreou.
Lily piscou e saiu do devaneio passional no qual flutuava.
— Sim, bem, é melhor que durma um pouco — aconselhou ele. — Telefono amanhã à noite, de Dallas. Lamento muito ter de ficar tanto tempo longe, Lírio. Gostaria de estar aí com você.
— Eu gostaria que estivesse aqui também, mas entendo que não pode. Sempre ficou fora por longos períodos e sempre ficará, acho. Tem de ser assim, por causa da sua carreira.
— Estive pensando nisso também, mas… Cuide-se, e do nosso filho. Boa noite, meu Lírio.
— Boa noite, James.
Lily desligou e fitou o aparelho por um longo tempo.
— Tenho saudade de você, James — sussurrou, suspirando para aplacar as lágrimas. — E nem lhe contei sobre Winston Churchill.
James sentou-se na beirada da cama do hotel, ainda com o telefone na mão.
Não queria romper a ligação com Lily, percebeu. Era como se tivesse partido de Ventura para nunca mais voltar. Nunca mais ver Lily, nunca conhecer o filho de ambos, que crescia dentro dela.
Os telefonemas noturnos não estavam adiantando, não bastavam. Precisava ver Lily, abraçá-la, assegurar-se de que ela estava bem. Queria pousar a mão na barriga de leitoa, segundo ela, e estabelecer contato com o filhinho.
Com um suspiro doído, forçou-se a largar o telefone e estendeu-se na cama, apoiando a cabeça nas mãos entrelaçadas.
Tinha de voltar para casa. Não importava que parecesse um garotinho birrento que fugira do acampamento de férias. Queria ir para casa… para Lílian.
Também queria se casar com Lílian Evans, comprar uma casa que tornariam um lar, onde formariam uma família… mãe, pai e filho.
Mas isso não ia acontecer, porque Lily nunca concordaria em se casar com ele, porque não estavam apaixonados um pelo outro.
— Ah, raios! — praguejou, e franziu o cenho enquanto fitava o teto. — Tudo é tão complicado.
Por que Lily não via que o que tinham era especial, que ser amigos era importante e significava muito, mais do que muitas pessoas tinham?
Claro, não andavam ofuscados de paixão um pelo outro, mas o que tinham era valioso, verdadeiro, e contava. Formariam uma frente única, pais dedicados ao filho, que criariam num lar cheio de alegria e brilho.
Riu e meneou a cabeça.
Seria um lar com a geladeira sempre vazia, porque Lily não encontrava as listas de supermercado que elaborava.
Mas, e daí? Ele podia se encarregar das compras e contratar uma empresa de limpeza para manter a ordem na casa. Até podia conviver com música country, desde que pudessem ouvir valsas de Strauss de vez em quando.
Raios, por que Lily estava sendo tão difícil, tão… feminina, teimando em querer viver um conto de fadas?
Pensando bem, como alguém sabia quando estava apaixonado? Que ingredientes deveriam ser misturados para que aquele tipo de amor surgisse? Lily sabia? Ele sabia? Não, não fazia à mínima idéia.
Cercavam-se de casais Potter apaixonados. O que eles tinham que faltava a ele e Lily com seu amor de amigos? O que faltava para ele e Lily transformarem a amizade em amor? Não imaginava.
Só sabia, naquele quarto de hotel vazio e impessoal, que sentia falta de Lílian Evans, que precisava ver seu sorriso e seus olhos verdes brilhantes.
Pela primeira vez em tantos anos viajando a trabalho, sentia-se sozinho.
Queria ir para casa.
Suspirando novamente, pousou os pés no chão, calçou os sapatos e foi tomar banho, preparando-se para outra longa noite de insônia, revirando-se na cama… e desejando…
Lily trabalhou como nunca nas três semanas seguintes, tentando atender clientes desesperados por um pacote de viagem para fora da cidade antes do fim do verão e do reinicio das aulas. Com os telefones tocando sem parar na agência de turismo Boa Viagem, Lily e sua equipe de três atendentes mal tinham tempo de tomar um café ou de conversar entre si.
Lily chegava exausta em casa, praticamente arrastando-se. Jantava, tomava um banho de espuma e rastejava até a cama para esperar o telefonema de James.
Quando percebeu que ela acordava do cochilo para atender, ele se descontrolou:
— Raios, Lílian, não são nem nove horas e você está tão cansada que já estava dormindo! Não é preciso ser gênio para perceber que está trabalhando demais na agência de turismo. Isso tem de parar. Está me ouvindo, ruiva?
Ela bocejou.
— Hum… estou ouvindo, James. As coisas vão se acalmar na agência em poucas semanas. É sempre assim em agosto.
— Mas nunca esteve grávida em agosto — resmungou ele. — Ficar exausta noite após noite não deve fazer bem a você nem ao bebê. Jane sabe que está trabalhando assim?
— Não falei com Jane. Tenho consulta na semana que vem. Pare de gritar comigo, James. Tenho responsabilidades com meu trabalho, assim como você. Nunca reclamei do fato de você trabalhar sete dias por semana, reclamei?
— Não sou eu que vou ter um bebê — retrucou ele, alterado. — E as suas responsabilidades com nosso filho?
Lily estreitou o olhar.
— Não ouse insinuar que não estou cuidando direito do nosso bebê, James Potter. Não estou vendo você aqui me servindo leite. Faço tudo sozinha e não estou negligenciando minha saúde nem a do bebê. Portanto… portanto… pare de resmungar comigo.
James suspirou.
— Tem razão. Não estou aí com você, e devia estar. Desculpe-me por ter gritado com você, Lírio. Sinto-me como se estivesse em outro planeta, e não apenas em outro Estado. — Fez uma pausa. — Você está tomando o leite, não está?
— Aaaiii! — berrou Lily. — Você está me deixando maluca.
— Desculpe, desculpe, desculpe — apressou-se James. — Vamos mudar de assunto antes que você comece a planejar o meu assassinato. Quer ouvir trivialidades do Texas?
— Claro — respondeu Lily, e bocejou novamente.
— Muito bem, esta é apropriada, considerando o volume das nossas últimas conversas. Pronta? Sabia que a palavra monossílaba mais longa da língua inglesa é screeched? Que tal?
— Nada mal — avaliou Lily, assentindo. —Acontece que também tenho uma da área de lingüística. Dreamt é a única palavra em inglês que termina com mt.
— Mesmo? "I dreamt of you last night". Sonhei com você ontem à noite, Lírio.
— Sonhou? Como foi?
— Meio confuso… sabe como são os sonhos, mas o principal era que estávamos dançando… valsa, acho, num grande salão cheio de gente. Você usava um vestido longo florido, e eu, smoking. Então, de repente, estávamos dançando em um campo florido.
— Ohh — emitiu Lily. — Que romântico. Dançar valsa em um campo florido. Ohh.
— Isso é romântico?
— James, você não reconheceria um romance nem que o esfregassem no seu nariz. O que mais aconteceu no sonho?
— Ficou esquisito depois disso — avisou ele. — Estávamos dançando e então… bem… estávamos segurando bebês. Um punhado deles, tentando equilibrá-los nos braços, pois eram tantos. Muito estranho.
— É simbólico — analisou Lily. — Teremos de equilibrar nossas carreiras e os cuidados com nosso bebê. É uma idéia desanimadora, assustadora até.
— Mas não no sonho, Lily. Ríamos e nos divertíamos com os bebês. Era divertido. Então, meu despertador tocou, e acordei. Mas a impressão que ficou era que estávamos nos divertindo dançando e cuidando dos bebês.
— Oh. Bem, é reconfortante — opinou ela. — Tem certeza de que estávamos dançando valsa? Talvez estivéssemos fazendo o dois passos ao som de música country.
— O sonho era meu, ruiva. Era valsa de Strauss. Não tente mudar o roteiro.
— Não fique ranzinza de novo. Acho maravilhoso que tenha sonhado comigo e com o bebê. O fato de haver mais bebês no sonho deve significar que esta criança é um ponto importante em nossas vidas, exigindo todo tipo de ajuste da nossa parte.
— Desde quando virou especialista em interpretação de sonhos?
— Só estou ponderando.
— Bem, faz sentido — concedeu James. — Tudo ficará mais fácil para nós dois quando eu estiver em casa. Então, você não ficará mais sozinha e eu não me sentirei tão… tão excluído do que está acontecendo.
— Mas você parte em poucos dias… em uma semana no máximo, James. Sempre parte.
— Veremos. Vou desligar para que você durma. Talvez sonhe conosco esta noite.
— Seria ótimo — aprovou Lily, gentil.
— Ou talvez você sonhe comigo.
— Sim, talvez. Isso seria ótimo também.
— Boa noite, meu Lírio.
— Boa noite, James. Tenha… bons sonhos.
Três noites depois, Lily entrou no apartamento e correu a atender ao telefone.
— Alô?
— Lily? É Jilian Potter.
— Oi, Jilian — saudou Lily. — Como vai? E Alvo? E as trigêmeas?
— Estamos todos bem. Ouça, você está na minha lista de chamada de família. Jennifer entrou em trabalho de parto no Hospital de Misericórdia neste momento.
— Oh, que notícia boa, Jilian. E que agradável saber que estou na lista de chamada da família.
— Bem, você é como um membro do clã, Lily. De qualquer forma, alguns de nós irão ao hospital, e outros ficarão com as crianças. Estou aqui com as trigêmeas, mas Alvo já foi para a maternidade. Ele disse que Jack já estava nervoso quando telefonou. Se Jack desmaiar na sala de parto, nunca vai suportar a gozação.
— Com certeza — concordou Lily, rindo. — Pobre Jack. Espero que agüente firme. Jilian, imagine só, a filha de Jack e de Jennifer vai nascer nesta noite ainda!
— Ah, estou vendo que acredita na brincadeira da família. Jack disse que seria menina, portanto, deve ser.
E este, pensou Lily, levando a mão ao ventre, é um menino, pois James disse que seria.
— Vou para a maternidade agora mesmo, Jilian — prontificou-se. — Obrigada por ter me avisado.
— E eu vou torcer daqui. Até, Lily.
— Até.
Lily desligou o telefone, agarrou a bolsa e saiu. No corredor, trombou com um grande objeto inflexível e gritou, surpresa. Ergueu o olhar e não acreditou no que viu.
— James! James?
— Em carne e osso — afirmou ele, sorrindo enquanto a abraçava. — Como é bom ver você, Lírio.
Ela aninhou a cabeça no peito de James, saboreou o calor, inalou seu cheiro familiar e sentiu os braços fortes envolvendo-a por inteiro.
— Estou contente em ver você, também — confessou, afastando o rosto para fitá-lo. — Por que não me disse que estava voltando?
— Não sabia se conseguiria acabar o serviço lá em Dallas — contou ele. — Mas consegui e estou aqui. E aonde a senhora ia com essa pressa toda?
— Oh, à maternidade! Jennifer entrou em trabalho de parto. Jilian acaba de me telefonar, porque estou na lista familiar de chamada dos Potter. Não é especial? Fiquei comovida.
Lily contou detalhes:
— Alvo disse que Jack está desmoronando. Conhecendo Alvo, ele deve organizar uma aposta para saber se Jack vai ou não desmaiar na sala. Acha que seu irmão vai conseguir ver a filha nascendo? É uma menina, sabe, porque Jack disse que era, assim como você disse que teríamos um menino e…
James beijou-a.
Fez isso porque estava muito contente em vê-la, afinal, e de alívio, por estar em casa.
Beijou-a também porque ela parecia uma flor de verão delicada naquele vestido bonito, e porque seus olhos verdes brilhavam como esmeraldas à excitação do nascimento da filha de Jennifer e Jack.
Beijou-a porque ela estava gerando seu filho, e apenas esse fato o deixava atônito.
Beijou-a porque era Lílian, e sentia muita, muita saudade dela.
Encerrou o beijo com relutância, o que era inquietante, e viu uma emoção semelhante no semblante confuso Lily.
— Você está em casa — constatou ela, sem fôlego. Bem, era algo banal para se dizer, mas espantava que conseguisse falar, depois daquele beijo. Um beijo maravilhoso, de tirar o fôlego, passional, ao qual correspondera com total abandono. Oh, raios, o que estava acontecendo? — James?
— Eu… estou contente por estar de volta — improvisou ele, com a voz embargada. — Não planejava beijá-la assim, mas… mas beijei. Então, processe-me ou atire em mim, ou… — Deteve-se, arregalou os olhos e fitou Lily ainda aninhada em seus braços. — Oh, Lírio, estou sentindo nosso bebê se mexendo. Seu ventre está…
— Como o de uma leitoa — completou ela, rindo. — Está vendo? Eu disse que estava engordando rápido.
James tomou-lhe os ombros delicados e afastou-a. Atentou à barriguinha que se insinuava sob o vestido. Ergueu a mão.
— Tudo bem se eu… Quero dizer… eu realmente gostaria de… Mas, se você não quiser que eu…
Lily pegou a mão dele e pousou-a em seu abdome.
— James, este é a seu… nosso filho — apresentou, sorridente.
— Olá, meu garotão — saudou ele. — Como vai? Sou eu, seu pai, seu papai. Estou em casa, filho.
Mas por quanto tempo? Pensou Lily, sentindo um arrepio. A simples imagem de James fazendo as malas novamente e deixando-a sozinha era tão deprimente, tão triste e angustiante… Não queria que James a deixasse de novo, não.
Por quê? Indagou a si mesma, no mesmo instante. Para poderem se beijar a toda hora? Não queria processá-lo, atirar nele, nem nada, só queria que ele a beijasse mais uma vez, e outra, e outra.
Oh, era loucura. E aquela linha de pensamento tinha de parar… já. Aquele era James, seu melhor amigo, que por acaso era o pai do bebê em seu ventre.
O beijo que partilharam não significava nada no quadro geral. James simplesmente se empolgara com o momento, exultante por estar em casa, encantado por sentir o bebê. Não a beijara de fato, apenas reagira à situação, às circunstâncias. E ela correspondera ao beijo pelos mesmos motivos.
Pronto. Tudo esclarecido. Felizmente. Estava tudo sob controle, satisfatório. Exceto que se encontrava parada à porta de seu apartamento, com a mão de James Potter sobre seu abdome, céus.
— Vai comigo à maternidade esperar sua nova sobrinha? — indagou Lily, desvencilhando-se.
— Como? — James meneou a cabeça. — Oh, sim, pode apostar. Não perderia isso por nada. Mas tem certeza de que quer ir? Sem dúvida, teve outro longo dia na agência de turismo.
— Estou bem — garantiu Lily. — Vamos indo. Só espero que estejam todos concentrados em Jennifer e Jack e não reparem muito em mim. Um olho experimentado, que os Potter têm, veria logo que estou grávida. Estamos tão ocupados na agência que ninguém notou ainda. Acho que não estou pronta para encarar a sua família com relação ao bebê, James.
Mas ele estava mais do que pronto, pensou James, enquanto Lily trancava o apartamento. Queria contar ao clã Potter inteiro… raios, queria anunciar ao mundo… que ia ser pai, que ele e Lily iam ter um bebê.
Pousou o braço nos ombros de Lily enquanto percorriam o corredor.
E mais, pensou ele, queria se casar com Lílian Evans. Ser vizinho dela não bastava. Não, senhor. Precisava participar de cada momento possível da vida daquela criança.
De algum modo… mas qual?… precisava convencer Lily de que não tinham de estar apaixonados um pelo outro para ser marido e mulher, que ser amigos bastava, pois proporcionava uma base forte e honesta na qual apoiar o futuro, que lhes permitiria criar aquela criança.
Enquanto dirigia o carro rumo à maternidade, James olhou para Lily.
— Trivialidade! — anunciou, sem descuidar do trânsito. — A libélula tem uma expectativa de vida de vinte e quatro horas.
— Verdade? — espantou-se Lily. — É triste, não é? — Riu. — Não me diga coisas assim, James. Meus hormônios de gravidez provavelmente vão me fazer chorar por uma semana por causa da pobre libélula.
— Bem, isso me faz pensar. — James lançou outro olhar a Lily. — Nós, humanos, somos abençoados com anos e anos de vida e devíamos nos esforçar para agarrar qualquer chance de felicidade que se apresente. Pode não ser o ideal, como fantasiamos ou sonhamos, mas, céu é melhor que nada.
— Fico imaginando como Jennifer e Jack vão batizar a filha — desconversou Lily.
James baixou os ombros e franziu o cenho
Tanto trabalho para ser significativo e profundo. Calculara com cuidado aquela trivialidade, com certeza.
Mas tinha uma missão agora, um propósito, um objetivo. Era um Potter, e os Potter lutavam com fé e venciam. Iria se casar com Lílian Evans. Ela veria a luz, passaria a entender a situação como ele, perceberia que, embora não estivessem apaixonados, amavam-se e respeitavam-se, e isso bastava.
Afinal, eram amigos.
E formariam uma família… mãe, pai e filho.
Criariam o filho e se felicitariam pela proeza.
E nunca, nunca mais… ficariam sozinhos.
Só precisava de um plano para realizar tudo aquilo.
CONTINUA...
Olá, garotaas!
Próxima atualização no dia 14.12.2012
Só vamos ter uma atualização na próxima semana porque vou tentar deixar pronta a adaptação de alguns capítulos, pois trabalho e faço faculdade (e infelizmente não vou ter férias nem tão cedo, por causa da greve que teve nas federais :( !), então o meu tempo é bastante corrido, mas quero continuar com duas atualizações semanais!
Sem contar que já estou com outros projetos de adaptações, mas só quero começar outro quando terminar este, pra não acumular muita coisa e não ter tempo de continuar... Isso NUNCA! Quando começo, termino! Fico muito triste com algumas fics que gostei muito de ler e infelizmente nunca foram concluídas isso é uma falta de respeito com todas nós que acompanhamos, não acham? #FICOREVOLTADACOMISSO!
VAMOS AOS AGRADECIMENTOS!
Lady Aredhel Anarion, Joana Patricia, IBlackI, wana campos, Chipped Cup, Evellyn Rodrigues, Delly Black Fenix, Julia Menezes, Julie, Thaty, JulieHoran... Fico tão, mas tãããão FELIZ quando leio os coments/rewies de vocês! Vocês são demais! Tem tanta coisa pra acontecer com esses dois... Vocês vão amar ainda mais o que está por vir! James é simplesmente tudo de bom (Vocês já sabem, né!) rsrsrsrrs
EU QUERO JAMES POTTER PRA MIM! :DDDDDD
É isso, até semana que vem!
Tenham uma semana abençoada!
Aguardo retorno de vocês!
Beijinhos ;**
MaryGheizon.
