Disclaimer: Naruto não é meu, mesmo que eu queira muito.
E o enredo de também não, Liberte Meu Coração pertence a maravilhosa Meg Cabot e eu somente juntei duas coisas que amo muito e vamos ver no que vai dar.


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Liberte Meu Coração

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Capitulo 7

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Lorde Sasuke Uchiha, o sétimo conde de Stephensgate, olhou para a garota aninhada ao lado dele e perguntou-se como diabos tinha se envolvido nesse jogo ridículo.

Em Jerusalém, tinha estado em várias ciladas, muitas delas perigosas, outras completamente obscenas. Mas não conseguia se lembrar de algum dia ter lidado com uma virgem antes. Os problemas de todo tipo que essa apresentava ameaçavam dominá-lo, de várias formas.

Uma razão era o fato de que quando acordou alguns minutos antes, na manjedoura onde tinha entrado na noite anterior, com cuidado para não incomodar Sakura, que dormia profundamente, ele percebeu que a garota tinha rolado durante a noite e se aconchegado ao lado dele para se aquecer.

As nádegas curvilíneas estavam pressionadas contra as calças de Sasuke, as costas moldadas ao peito dele e o queixo macio apoiado sobre o braço esticado. Era como se o pequeno corpo tivesse sido criado especialmente para se encaixar nas reentrâncias de Sasuke. Ela dormia ao seu lado tão confortavelmente, e tão profundamente, que parecia uma esposa de longa data.

Por mais que apreciasse a sensação do corpo dela perto do seu, Sasuke não estaria sendo honesto se dissesse que estava confortável. O problema parecia ser o fato de ele estar apreciando um pouco demais a proximidade de Sakura . Aquela sua parte que desejava acima de tudo o toque dela estava mais firme do que em qualquer manhã de sua memória recente, e estava ansioso para se aliviar.

Mas, na noite passada, Sakura Haruno tinha deixado perfeitamente claro que tal alívio não seria encontrado ao seu lado. Sasuke sabia que não era uma

questão de não desejá-lo. Ele era bem versado na arte da sedução e tinha sentido desejo nos lábios dela. Sakura era uma mulher com um profundo reservatório de paixão, embora ainda não explorado.

Mas, muito provavelmente por causa do que tinha acontecido com a conivente Ino, explorar aquelas profundidades não era uma opção.

No entanto, se ela continuasse a se aconchegar nele desse jeito, essa opção teria de ser explorada, porque ele não estava nem um pouco certo de mais quantas manhãs como essa conseguiria aguentar. Talvez quando chegassem a Stephensgate no dia seguinte pudesse buscar alívio com uma das prostitutas da aldeia. Fat Maude ainda estaria trabalhando? Ele desejou saber. Certamente estaria aposentada e alguém mais jovem deve tê-la substituído.

Mas espere. Não. Ele era o lorde do solar agora, e condes não buscavam prazer com as prostitutas da aldeia. Seu pai certamente tinha companheiras, mas com certeza não as dividia com o resto dos homens de Stephensgate. Não, era isso. Sasuke teria de encontrar uma amante, mas essa tarefa certamente seria problemática. Amantes requeriam casas próprias, pois eram geralmente exigentes e, assim, desagradáveis de se conviver por longos períodos tempo. Era preciso dar-lhes bonitos presentes, jóias e dinheiro. Mas isso não era problema, visto que Sasuke tinha muito dos dois.

O que ele não tinha era tempo. Se o que Sakura dissera para ela noite passada fora verdade, e ele não conseguia imaginar Sakura dizendo menos que a mais pura verdade, o solar Stephensgate fora deixado pelo pai em um estado lamentável, e piorado desde a morte do homem devido à sua imprudente escolha de um intendente. Sasuke conhecia o primo Hiashi Hyuuga muito bem, e podia facilmente imaginar que o homem estivesse roubando os fundos do Estado. Um pouco para ele mesmo, outro pouco para o prefeito da aldeia, para que fizesse vista grossa. Logo Hyuuga teria um generoso pote de ouro para se aposentar assim que o último herdeiro de Sua Senhoria retornasse.


No entanto, o fato de o homem deixar os servos mortos de fome estava além da compreensão de Sasuke. As famílias que trabalhavam havia décadas nos campos do solar Stephensgate mereciam um tratamento melhor que o que

o pai de Sasuke sempre lhes oferecera, os impostos sendo um dos mais altos de Shropshire. Mas ter os impostos que já eram ridiculamente altos aumentados ainda mais por um homem que queria apenas encher os próprios bolsos,.. bem, Hiashi Hyuuga teria de dar algumas explicações quando Sasuke

voltasse para casa, e grande parte dessas explicações seria dada na prisão.

A última coisa que Sasuke queria fazer era voltar para casa e vê-la como um lugar de desavença. Mas, se era para ser assim, ele enfrentaria o problema.

Ter uma amante teria necessariamente de esperar até que todas essas outras questões fossem resolvidas. Seria muito mais simples, Sasuke suspirou olhando para a companheira adormecida, se Sakura Haruno não fosse tão

pudica e estivesse um pouco mais disposta a se livrar daquelas calças de couro tentadoramente justas...

Um pingo grosso de chuva caiu do céu plúmbeo, que, havia muito tempo, tinha ficado granulado pela aurora e depois sido coberto pelas nuvens, atingindo a exata lateral do nobre nariz de Sakura . Ela acordou assustada, uma das mãos voando para o rosto, a outra envolvendo o cabo da faca. Sasuke ficou completamente imóvel, rezando para que ela não percebesse o volume em suas calças, e quando aqueles olhos arregalados viraram-se para ele, repletos de sono e surpresa, ele botou seu sorriso mais cínico no rosto.

— Bom-dia — disse ele com satisfação, a voz o mais grave possível. — Espero que você tenha dormido bem. Estava quente o bastante?

O olhar de Sakura desviou do rosto para o corpo dele, e depois para o próprio corpo. Surpresa, ela ergueu olhos acusadores, as sobrancelhas finas curvadas e os lábios franzidos em uma carranca.

— Não olhe para mim — disse Sasuke, levantando rapidamente as duas mãos, uma das quais estava presa pela cabeça dela, que ainda estava apoiada contra as curvas de seu bíceps. — Não tenho nada a ver com isso.

Com um gemido abafado de fúria, Sakura sentou-se, uma torrente de palavras desagradáveis pairando sobre a língua, Sasuke tinha certeza. Mas, antes que ela pudesse se livrar da primeira blasfêmia, o rosto ficou pálido, e ela botou a mão na costela.

Sasuke ficou instantaneamente pesaroso. Estava bastante ciente de que seu escudeiro a tinha machucado e de que sua tolerância para dor era notável. Por mais divertido que fosse implicar com ela, Sasuke preferia uma companheira de discussão que não estivesse contorcendo-se de dor.

— Está doendo? — perguntou ele gentilmente, depois repreendeu a si mesmo pela pergunta. Claro que estava doendo. Sakura olhou para ele, os olhos cintilantes de fúria.

— Ah, não — disse ela, obviamente mentindo. — Estou bem.

— Deixe-me ver.

Ela sacudiu a cabeça, a palha caindo dos longos cabelos rosados, que durante a noite tinham desmanchado a trança na qual estavam presos.

— Não — disse ela. —Já disse, estou bem...

Mas Sasuke era insistente. Já tinha visto muitos homens ignorarem pequenos ferimentos que depois infeccionaram e acabaram com suas vidas, quando deveriam ter cicatrizado sem maiores problemas.

— Vou ver — disse Sasuke, agarrando com dedos de aço o antebraço macio de Sakura . Felizmente, no espaço apertado da manjedoura, não havia muita chance de ela escapar. E, de qualquer maneira, o corpo imponente de Sasuke ocupava a maior parte do espaço disponível, e ela não tinha escolha além de ceder, embora tenha feito com a má vontade que Sasuke já estava esperando.

— Tudo bem —. disse ela bruscamente, tirando a aba de sua camisa de

linho de dentro das calças. — Você pode olhar, mas não toque.

— Não me esqueci do nosso acordo — disse Sasuke brandamente, erguendo uma única sobrancelha.


Ele manteve o olhar cuidadosamente desviado enquanto ela desenrolava a atadura de seda sob os seios. Ele ficou aliviado quando viu que seu desconforto estava diminuindo, principalmente porque ela não estava mais com o corpo encostado no dele. Ainda estava longe do conforto de que precisava, mas pelo menos a necessidade não era mais tão crucial. Não queria, porém, passar por tentações semelhantes, e encarou as nuvens escuras e tempestuosas até que Sakura educadamente limpasse a garganta.

Sakura, com o rosto virado de lado de forma pedante, levantou a blusa e revelou um ferimento esverdeado e preto exatamente abaixo da curva de seu seio pequeno e redondo. Sasuke curvou-se para examinar o machucado e viu, com satisfação, que a beirada do machucado estava ficando amarelada, o que significava que estava melhorando. Podia ser doloroso, mas não fatal.

Ergueu o corpo, Sasuke disse gentilmente:

— Está melhorando. Deixe-me colocar a atadura novamente, e vou dar-lhe mais algumas gotas da essência de papoula.

— Melhorando? — repetiu Sakura, a voz rouca totalmente descrente. — Mas está doendo muito mais do que ontem!

— Sim, mas parece muito melhor. — Amarrando as tiras do forro de sua capa em volta da fina caixa torácica, Sasuke ficou levemente admirado com o fato de ela ter finalmente admitido sentir algum desconforto. — Além disso, ontem você se colocou em uma provação e tanto, cavalgando, caçando, me rejeitando...

Sakura virou o rosto na direção dele, o suficiente para encará-lo, furiosa, com o canto de seus olhos expressivos.

— Não entendo por que você ainda está aqui.

Nem o próprio Sasuke entendia, mas ele tentou explicar com um gracejo despreocupado:

— Já disse. Sou um cavaleiro. É meu dever não deixar que se aproveitem de donzelas. Sakura bufou, exatamente como ele previu.

— Exceto por você, certo?

Sasuke ignorou o que ela disse, dando um laço na atadura e sentando-se para admirar o jeito como seu trabalho tinha empurrado aqueles seios empinados na sua direção.

— Agora, café da manhã — disse ele, sentindo-se muito satisfeito, embora não totalmente, e o motivo era óbvio. —Vamos ver como nossa sopa se comportou durante a noite.

Ele desceu da manjedoura, depois se virou para esticar os braços para ela. Como deveria ter previsto, ela ignorou-o, descendo sem a ajuda dele. Em seguida, assim que as botas dela encostaram-se no chão, Sakura estava longe, pisando firme na direção do bosque mais próximo.

A sopa estava melhor do que Sasuke esperava. A adição da carcaça do coelho de Sakura engrossou-a e conferiu-lhe um sabor marcante que não teria se contivesse apenas vegetais. As ervas dos alforjes dela, no entanto, eram o que fazia a diferença. Embora fosse frustradamente casta, Sakura parecia ser tão acostumada a viajar quanto ele, carregando provisões como essas que, embora pequenas, podiam fazer a diferença em uma refeição preparada durante uma viagem.


Tudo que ela possuía tinha cheiro de cerejas, e ele encontrou diversos botões secos no findo dos seus alforjes de couro, o que explicava o fato. O contraste entre a garota que podia acertar com uma flecha o olho de uma lebre a cinquenta passos e a donzela que guardava rosas secas nos alforjes para manter as vestes com um perfume agradável fez Sasuke sacudir a cabeça de espanto.

Quando Sakura regressou, Sasuke viu que ela tinha se lavado no córrego, tirado a palha dos cabelos e molhado o rosto. A juba rósea e comprida estava solta, balançando sobre os ombros estreitos. A garoa já tinha se acumulado

nos cachos volumosos, cada gota brilhando como um diamante. As bochechas estavam coradas pelo frio da manhã, e ela tinha colocado a capa sobre os ombros para proteger-se.

O frescor de Sakura fez Sasuke desejar saber que tipo de aspecto tinha, com a barba e os cabelos tão descuidados. Em algum momento teria de fazer alguma coisa em relação à sua aparência, visto que ocasionalmente pegava Sakura olhando para ele com consternação, uma reação com a qual não estava nada acostumado. Normalmente, sua aparência atraía olhares de admiração de mulheres atraentes, não lábios apertados.

— Aqui — Sasuke disse secamente quando Sakura aproximou- se. Ele colocou nas mãos dela a tigela de sopa quente, uma colher de madeira, que tinha pegado no próprio alforje, e o frasco de xarope de papoula. Ela esforçou-se para não derramar o vidro inteiro; olhando para ele como se tivesse ficado doida — Duas gotas — advertiu ele enquanto caminhava na direção do córrego. — Nada mais.


Um vislumbre do próprio reflexo no córrego revelou o que ele suspeitava. Parecia um velho ermitão enlouquecido. Apesar do fato de não haver sinal de fios brancos nos cabelos negros, parecia ter uns dez anos a mais do que tinha.

Mas não havia nada que pudesse fazer em relação a isso agora. Não podia se barbear sob a chuva, embora tivesse feito o melhor que podia para escovar a barba e os cabelos na altura dos ombros. Não sabia por, que isso tinha importância nem o que essa excêntrica filha do moleiro achava dele, exceto que ela o atraía como nenhuma mulher o atraíra antes. Frutas proibidas eram sempre as melhores; pelo menos foi assim que lhe ensinaram.

Quando ele voltou para a manjedoura, Sakura olhou para ele, a colher na boca. Se ela percebeu a tentativa que ele fizera de se amimar, o rosto não demonstrou. Em vez disso, ela disse, indicando a tigela:

— Está gostoso. Quer um pouco?

Sasuke aceitou, e pegou a tigela e a colher da mão dela, agachando-se sob o pequeno abrigo que a manjedoura fornecia para proteger-se da garoa.

— O dia está horrível. — ele anunciou entre colheradas do caldo.

— O que você me diz de encontrarmos uma estalagem e ficarmos na

frente de uma boa lareira?

Sakura tomava as gotas do analgésico, a língua estava esticada para pegar o líquido vermelho. Depois de engolir e fazer várias caretas dramáticas para demonstrar como o gosto era ruim, ela disse, com o nariz enrugado:

— Digo não.

— Assim? Sem nem considerar a possibilidade?

— Eu considerei. — Sakura deu de ombros. — E rejeitei a ideia. Tenho de estar em Dorchester até o anoitecer.

— Por quê? — Sasuke perguntou. — Por que a pressa? A barriga de Ino já está aparente?

Ela lançou-lhe um olhar rabugento. E devolveu-lhe o frasco.

— Não. Não é nada disso. Mas se eu me demorar muito, Gaara pode suspeitar de alguma coisa...

— Suspeitar do quê? — Sasuke levantou uma sobrancelha. — Parece-me que a irmã de quem se deveria suspeitar alguma coisa é a que está em casa, esperando na frente da lareira.

— Sim — admitiu Sakura, com uma amargura surpreendente.

— Gaara nunca deu muita atenção a Ino. É comigo que ele está sempre preocupado. Ino nunca dá trabalho para ninguém. É a mim que o xerife está sempre ameaçando prender.

—Se Gaara tivesse prestado mais atenção em Ino, talvez ela não estivesse na situação em que está agora. - Sakura olhou para ele com apreço, como se ele fosse um surdo-mudo que tivesse de repente começado a falar.

— Sim — disse ela. — Isso pode muito bem ser verdade. — Então - suspirou, tirando dos olhos uma mecha de cabelos molhados de chuva. —Mas, seja como for, tenho de chegar a Dorchester no máximo até hoje e assim conseguir estar em Stephensgate amanhã. Melhor eu ir andando.

— Eu? — ele repetiu. — Melhor eu ir andando? Você não está esquecendo ninguém? - Ela virou o rosto e olhou para ele sarcasticamente.

— Não, não estou. Você não vem comigo.

— O que você está querendo dizer? — Sasuke sentiu-se emocionalmente ferido. — Ainda sou seu prisioneiro, não sou?

— Não é. Libertei você a noite passada, lembra-se? - Ele ficou absurdamente desapontado. Esperava que ela tivesse se esquecido da noite passada.

— Mas e Ino? — ele rapidamente perguntou. — Como ela vai juntar dinheiro para conseguir comprar malte e levedo sem meu resgate?

Sakura olhou furiosa para ele, depois se abaixou e, para surpresa de Sasuke, pegou a tigela das mãos dele. Parece que a discussão tinha terminado, mas ele não estava certo de quem tinha ganhado. Sem mais uma palavra, ela virou-se e caminhou até o córrego. Ele supôs que ela considerava isso uma troca de tarefas — ele fazia a sopa e ela lavava a tigela. No entanto, a domesticidade do gesto comoveu-o, porque Sakura não era alguém que ele podia imaginar realizando tarefas domésticas como uma boa esposa.

O que aconteceria com ela? Ele desejou saber. Afinal de contas, ela estava em idade para se casar. Não podia esperar encontrar um marido que aprovasse as caçadas, as calças de couro e as longas viagens pelo interior. A não ser que ela casasse com um homem rico o bastante para não precisar que a esposa fizesse as tarefas domésticas.

Alguém como ele, por exemplo.

Balançando a cabeça, o que lançou no ar um fino espirro de água de chuva, Sasuke repreendeu-se. No que estava pensando? Não podia, não iria se casar com Sakura Haruno. Casar-se com a filha do moleiro? O pai se reviraria no túmulo. Não, Sasuke iria se casar com uma viúva rica e acrescentar a Stephensgate fortuna e propriedade. A única coisa que Sakura Haruno podia dar-lhe, eram crianças, que inevitavelmente teriam a cabeça cor de rosa, e carne para o jantar todas as noites.


Quando, porém, ela retornou do córrego, Sasuke não conseguiu evitar oferecer-lhe as mãos para que ela as atasse, na esperança de que fosse fazê-lo prisioneiro mais uma vez, uma oferta para a qual Sakura torceu o nariz. Em seguida, ela negou a sugestão de que andassem na mesma sela, como tinham feito no dia anterior, para que melhor se protegessem do frio e da chuva.

Ela ressaltou, com muito sarcasmo, que ele não era mais seu prisioneiro e que então ela não precisava evitar que ele fugisse. Na verdade, ele estava livre para cavalgar para onde quisesse, e lhe desejou tudo de bom. Sasuke sabia que era absurdo, mas estava se sentindo humilhado.

Estivera ansioso para dividir novamente a sela com ela. Ela era uma companhia agradável quando não estava dando cascudos na sua cabeça. A contrariedade dela em relação a ele era um alívio das atenções interesseiras que normalmente recebia das mulheres que conhecia.

— O que eu não entendo — disse Sasuke quando terminaram de limpar o local do acampamento e estavam montados em seus cavalos e afastando-se da manjedoura — é como você vai dar a assistência financeira que ela está precisando agora se me soltar.

Sakura estava curvada sob a gola de pele de sua capa, estreitando os olhos contra a garoa. Ela parecia estar ignorando-o completamente, exceto quando ele se enfiou diretamente na sua linha de visão.

— Meu Deus — ela praguejou, não tinha certeza se para ele, para a chuva ou para os próprios pensamentos. — Não sei. Acho que vou ter de encontrar outra pessoa.

— Outra pessoa? — Sasuke guiou Skinner para mais perto do flanco da égua, incerto de que a havia escutado corretamente. — Você disse que vai ter de encontrar outra pessoa?

— Sim. — O perfil dela, o que ele conseguia enxergar acima da gola de pelo da capa, estava soturno. — Embora eu não saiba onde encontrarei outro prisioneiro tão promissor quanto você. Hinata Hyuuga aparentemente já capturou pelo menos uma vez todos os homens das cercanias. Acho que suas famílias não pagarão uma segunda vez. Pelo menos, não um resgate generoso.

Sasuke avançou o corcel para mais perto da cabeça de Violeta.

— Quem você está considerando? Porque eu gostaria de dar uma sugestão.

— O quê? — Ela olhou para ele, e as sobrancelhas delgadas ergueramse de forma questionadora. — Isso pode ser interessante. E qual seria a sua sugestão?

— Não use a mesma isca que você usou comigo. Você tem uma reputação a zelar, você sabe. Não pode ficar por aí permitindo que toda a população masculina de Shropshire veja você nua. Terá dificuldades para encontrar um marido quando chegar o momento de se casar. - Ele não apreciou o sorriso que ela rapidamente prendeu.

— Ah? Então, esse é o seu conselho?

— Sim. E sugiro um homem mais jovem que eu.

— Ah — disse ela sabiamente. — Você achou o papel de refém rigoroso demais para um homem de idade avançada como a sua, não achou?

— Com certeza, não — retrucou Sasuke, ofendido. — Só quis dizer que pode ser mais fácil lidar com um homem mais jovem, e ter menos chances de causar problema para você.

— Menos chances de fazer investidas, você quer dizer?

— Não disse isso.

— Não precisou. Sua preocupação comigo é comovente, Sr. Hugh. De verdade. Mas acho que sou capaz de fazer minha própria seleção no que diz respeito a futuros reféns.

— Se eu puder ser de alguma serventia, não hesite em pedir.

— Obrigada, mas acredito que essa tarefa seja por tradição um, problema puramente feminino. Sua ajuda não será necessária. - Ele não ficou convencido com o tom com que Sakura o dispensou.

— Se você permitir, ofereceria com prazer meu escudeiro, Peter, para ser seu próximo refém.

Ela olhou para ele com os olhos arregalados e caiu na gargalhada. Sasuke encarou-a, sem conseguir ver algo de engraçado na oferta que ele havia feito.

— O que há de errado com Peter? — perguntou ele. — Ele está sob meus cuidados. Pagarei com prazer qualquer resgate que você peça por ele.

— É muito difícil que eu tenha certeza disso — disse ela entre risadas.

— Porque seu escudeiro é ainda mais cansativo que você! Teria de mantê-lo amarrado e amordaçado só para evitar matá-lo. E eu sinceramente duvido que alguém, incluindo você, pagaria alguma coisa para tê-lo de volta. - Sasuke não gostou muito de ter sido chamado de cansativo.

— Além disso — Sakura continuou, alheia à raiva dele —, foi o seu Peter quem me machucou, Dificilmente o sequestraria. Da próxima vez, pode me matar. Cavalheirismo é uma coisa que o senhor ainda não ensinou ao seu escudeiro.

— Então, quem você vai sequestrar? — perguntou Sasuke, irritado. — Algum ferreiro de braço musculoso que vai ficar tão encantado com você que vai provavelmente segui-la como um cachorrinho mesmo depois de ter sido libertado?

Sasuke ficou aliviado quando ela não ressaltou que, na verdade, ele estava fazendo exatamente isso.

— E o que haveria de tão errado nisso? — ela perguntou.

— Se é assim que você se vê, eu acho que não tem nada de errado nisso. Não imagino você como a esposa de um ferreiro de peito musculoso, mas se é esse o futuro que você escolheu, não posso tentar impedi-la. - Sakura deu risada, e o ruído estridente arrepiou Sasuke de cima a baixo.

— Estou procurando um refém, não um marido — lembrou-o, com um sorriso condescendente de enfurecer. Dando um chutinho com os calcanhares nos flancos de Violeta, ela trotou alguns metros à frente de Sasuke e de sua montaria, as patas da égua impressionantemente firmes no caminho enlameado. — Além disso — disse ela alegremente, olhando para trás — você não deveria falar tão desdenhosamente dos ferreiros. Eles realizam muitas funções vitais para a comunidade. Ficaria honrada em me casar com um ferreiro.

Sasuke revirou os olhos ironicamente, imitando-a.

— "Ficaria honrada em me casar com um ferreiro" — murmurou ele, alto o bastante para ela escutar. — Vamos ver como você vai ficar honrada quando estiver com seu décimo terceiro fedelho e seu marido ferreiro estiver chegando da taberna local fedendo a cerveja e mandando você preparar o jantar. Ah, sim, então vamos ver como a bela Sakura ficará honrada.

Quando Sakura não virou o rosto, ele não conseguiu evitar acrescentar:

— Mas o fedor de cerveja não deverá incomodar suas narinas sensíveis porque é provavelmente um cheiro com o qual você está extraordinariamente acostumada. Sua irmã é uma donzela que faz cerveja. Ou deveria dizer matrona que faz cerveja?

Sakura deu outro chute em Violeta e de repente estava se afastando em um ritmo que, na chuva e na lama, provavelmente não era prudente. Sasuke instigou o corcel a acompanhá-las, o cavalo mais corpulento e menos confiante em seus passos no mau tempo. Só alguns minutos depois, olhando para trás e vendo que ele ainda a seguia, Sakura fez sua montaria diminuir o passo.

Quando Sasuke a alcançou, estava sem fôlego e ressentido.

— Isso que você fez foi estúpido — ele acusou-a, com a respiração entrecortada. — No que estava pensando para colocar sua égua em perigo desse jeito? Ela podia ter escorregado e quebrado uma pata.

Sakura não disse nada. Ela tinha colocado o capuz sobre a cabeça para proteger o cabelo da chuva, então ele só conseguia enxergar a ponta de seu nariz afilado.

— Não está falando comigo, certo? — observou Sasuke, tirando a água da chuva da testa. — Acertei em cheio, não acertei, quando chamei a sua irmã de matrona?

Sakura virou os olhos furiosos na direção dele.

— Por que você não me deixa em paz? — perguntou ela. — Por que você fica por perto, me insultando e implicando comigo? Eu lhe dei liberdade, disse para você ir embora. Por que você insiste em me atormentar?

— Uma razão é o fato de você ainda estar com a minha esmeralda. A outra é que eu gostaria de saber por que você insiste em acreditar numa mentira — ele atacou. Ela voltou a atenção para a estrada enlameada que havia adiante.

— Não sei do que você está falando — ela disse.

— Dessa sua irmã Ino. Ela está usando você.- Sakura tirou dos olhos uma mecha de cabelo ensopado de chuva.

— Não está. — ela disse de forma arrogante. — Não consigo nem imaginar o que você está dizendo.

— Você sabe exatamente o que estou dizendo. Você é inteligente demais, Sakura, para não saber. Ela enganou você para embarcar nessa missão ridícula. Foi ela quem ficou grávida, e, no entanto, é você quem está cavalgando sob frio e chuva com um homem estranho enquanto ela está segura e confortável. E você ainda diz que ela não está usando você? — Ele deu uma risada seca. Sakura olhou para ele, furiosa.

— Ela é minha irmã — disse ela entre dentes que estavam quase, mas não ainda, começando a bater por causa do frio do inverno. — Irmãs fazem coisas umas pelas outras. Você não entenderia.

— Acho que eu entendo muito bem. Eu tive um irmão, sabe. - Isso lhe chamou a atenção. Ela piscou para ele.

—Teve?

— Tive. Um irmão mais velho. Ele era o herdeiro do meu pai. Tudo o que queria ele tinha, Mas eu era o filho mais novo. Esperavam que eu entrasse para a Igreja.

A crise de riso de Sakura foi tão explosiva que a montaria de Sasuke colocou as orelhas para trás e relinchou de forma questionadora. Quando a garota tinha se acalmado o suficiente, Sasuke continuou:

— Sim, por mais surpreendente que isso possa parecer para você, Sakura, o maior desejo da minha mãe era que eu me tornasse um monge. - Ele percebeu que Sakura estava rindo com tanta intensidade que chegava à verter lágrimas dos olhos.

—Você! — ela disse em meio à risada. — Um monge! Ah, Deus, tenha piedade!

— Engraçado, não? — A boca dele curvou-se de forma sarcástica. Sasuke pegou as rédeas de Skinner com uma das mãos nervosas. — Mas essa era a intenção dela. Implorei para que ela reconsiderasse, e para meu pai também, mas eles não me escutavam. Eu deveria ser um monge, e eles não financiariam nenhuma outra carreira, muito menos a minha ambição de me tornar um soldado.

— Bem, mas isso é errado. Se você quisesse ser um soldado, eles deveriam deixar que você fosse. Afinal de contas, é a sua vida— Sakura disse, da forma mais calorosa que já tinha falado com ele, Sasuke concluiu em pensamento.

— Exatamente o que eu pensava. Então, recorri a meu irmão, que naquela época já era um homem maduro, e pedi que intercedesse por mim e explicasse para nossos pais que me era impossível fazer os votos. E você sabe o que ele fez?

Sakura negou com a cabeça, uma gota de chuva caindo da ponta do nariz.

— Ele contratou uma dupla de salteadores para entrar sorrateiramente no meu quarto tarde da noite e me raptar para o monastério local. - Sakura arfou.

— Não, não pode ser!

— Foi assim. Quando dominei os dois, eles me disseram. Empacotei meus poucos pertences e fui para Londres naquela mesma noite. E nunca mais voltei para casa desde então.

Sakura ficou com a expressão pensativa.

— Seu irmão cometeu um erro lamentável, mas que bom que você está deixando o passado de lado e fazendo as pazes com ele agora.

— Não estou fazendo as pazes com ele — Sasuke disse. — Ele está morto.

— Ah.

— Estão todos mortos. Minha mãe e minha irmã morreram de uma febre alguns anos atrás, e meu pai morreu ano passado. - Sakura disse, em voz baixa:

— Então agora você está sozinho.

— Sim. E sou herdeiro, apesar dos maiores esforços do meu irmão. Então, não venha me dizer que irmãos são incapazes de fazer mal uns aos outros. Sua irmã está usando você, e você está permitindo que ela faça isso.

Sakura estava olhando fixamente para as próprias mãos, nas quais tinha colocado um par de luvas justas de couro. Ela parecia estar tão aflita, tão infeliz e com tanto frio que Sasuke ficou arrependido de ter falado com ela de forma tão ríspida.

O que houve com o dote da sua irmã? — perguntou ele, esperando que seu tom de voz fosse mais gentil.

— Ela gastou — disse Sakura de forma pesarosa. — Em vestidos e quinquilharias. Acho que é verdade o fato de Gaara não cuidar dela com o cuidado que deveria.

Irmão Gaara, Sasuke pensou, é um idiota que deveria se juntar a Hiashi Hyuuga na prisão quando eu voltar para o solar.

— Mas, — disse Sakura, olhando para ele com olhos tão grandes quanto a esmeralda que ainda usava entre os seios — me usando ou não, Ino é minha irmã e tenho de ajudá-la, se puder. — Ela deu de ombros. — E eu posso, então vou ajudar.

Sasuke encarou-a. Ela parecia tão pequena montada na sua égua malhada, engolida por uma capa grande demais para seu tamanho e os cabelos rosados colados na cabeça. Deixava-o surpreendido o fato de uma pessoa tão pequena ser capaz de conter a paixão que ele tinha sentido quando a beijara na noite passada, mas estava lá, tudo bem, e ele não permitiria que outro homem tivesse acesso a isso.

— Não vejo por que você não pode continuar me mantendo como seu prisioneiro — ele disse, a voz cuidadosamente sem entonação. — Acho que fui um bom prisioneiro.

Ela olhou para ele, e o sorriso lançado por ela foi tão iluminado que embora breve, o fascinou.

— É — ela disse, voltando os olhos para a estrada com um franzir de olhos pensativos. — Às vezes, sim.

— Nunca tentei fugir, tentei? Poderia facilmente ter dominado você e, no entanto, me contive.

— Na maior parte do tempo — ela corrigiu-o.

— E eu particularmente não me lembro de você ter se importado com a vez em que dominei você.

Novamente, aquele sorriso, que dessa vez não foi direcionado a ele, mas foi acompanhado por um rosto corado. Com uma relutância aparente, ela disse, olhando para as mãos:

— Acho que como você não vai me deixar em paz...

— Meu senso de cavalheirismo não vai permitir — ele disse rapidamente. — Acompanho você até a porta de casa. - Ela estremeceu como se aquilo fosse algo de que estivesse com medo.

— Tudo bem. — Ela suspirou. — Acho que como já estamos viajando na mesma direção...

— Caterbury fica apenas a meio dia de viagem de Stephensgate — elem salientou.

— Acho que faz todo o sentido.

— E vai lhe poupar um bom tempo. Sem falar no fato de que se você fosse se despir nesse tempo, poderia muito bem pegar um resfriado.

— Tudo bem. — Ela deu risada, — Vou manter você meu prisioneiro então. Mas você tem que prometer não ser tão... irritante... dessa vez.

— Nunca tive intenção alguma de ser irritante — ele disse, com um sorriso dissimulado. Ele sabia o que ela estava querendo dizer com irritante. —Só estava sendo eu mesmo. - Ela suspirou profundamente.

— Era disso que eu tinha medo.

— Se faz com que você se sinta melhor, pode amarrar meus pulsos — Sasuke se ofereceu, erguendo as duas mãos. — Só não vou poder guiar Skinner, então você vai ter que cavalgar comigo...

— Não — Sakura riu. — Isso não será necessário, tenho certeza.

Sasuke deu de ombros como se não fizesse diferença para ele, de um jeito ou de outro, mas não podia deixar de ficar satisfeito com os desenrolar dos acontecimentos. Levou quase duas horas, mas finalmente estava diluindo a raiva que ela sentia dele. Uma mulher que não conseguia ficar com raiva de um homem por mais de duas horas era de fato uma rara descoberta.


Havia algo de muito errado. Normalmente, se uma mulher não demonstrasse nenhum interesse por ele — e isso, embora raro, já tinha acontecido uma ou duas vezes no passado de Sasuke —, ele prontamente também perdia totalmente o interesse por ela. Mas essa garota, com os olhos grandes e esmeraldinos e uma faca afiada, intrigava-o tanto quanto o frustrava. Ele tinha tido uma oportunidade perfeita para deixá-la e, no entanto, tinha ficado.

Por que a possibilidade de ela fazer outro homem de prisioneiro o irritava de forma tão irracional? Normalmente não era um homem ciumento. No passado já compartilhara mulheres com outros homens com satisfação. Por que a possibilidade de dividir essa o incomodava tanto, quando, para começar, ela nem sequer era dele?

Teria muito tempo para refletir sobre esses assuntos, visto que a lama na estrada estava funda e a chuva às vezes caía com força no rosto deles. Estavam lentos, e mesmo Sakura estando determinada a chegar a Dorchester antes do anoitecer, começou a olhar com ansiedade pelas espirais de fumaça que saíam das chaminés das pequenas fazendas pelas quais passavam.

Quando estavam passando por um campo sendo preparado por um arado puxado a boi, uma voz surgiu no meio do sussurro constante da chuva, e Sakura puxou as rédeas da égua e olhou ao redor, assustada.

—Vossa Senhoria!

Sasuke viu que Sakura estava imóvel sobre a sela, os olhos tão arregalados que parecia uma estátua. Ele virou o rosto e viu que o homem que operava o arado estava vindo apressado até eles com o carro de boi em meio à lama pesada. O homem abanava o chapéu.

— Vossa Senhoria!

O fazendeiro vigoroso andava com dificuldade pela estrada e, ergue o chapéu ao peito, olhou para Sakura. Era um homem jovem, Sasuke percebeu, não mais de 20 anos, e embora as roupas estivessem enlameadas, o que não era de admirar com um tempo desses, eram de boa qualidade, nem puídas nem muito remendadas.

— Um bom dia para você, Pain Fairchild — disse Sakura, com uma graciosidade que nunca tinha demonstrado para Sasuke.

— E para você também, Tobi. Está um tempo terrível para o arado.

— E para cavalgar também — lembrou o fazendeiro Fairchild, segurando o freio de Violeta como um homem que sabia que podia fazer isso. Sasuke olhou furioso. — Eu disse para Tobi, se for a dona Sakura passando por aqui, Konan vai me matar se eu não a convidar para entrar e comer alguma coisa.

Embora o sotaque do homem deixasse Sasuke muito confuso, Sakura parecia entendê-lo perfeitamente. Ela já tinha começado a dizer não para o convite — porque era isso que parecia ser —, embora o lavrador ainda não tivesse acabado de falar.

— Ah, Pain, é de fato muito gentil da sua parte nos convidar, mas tenho de estar em Dorchester antes do pôr do sol.

— Que sol? — disse Pain entre risos. — Vai ter tempo de sobra. Entrem, venham se aquecer e beber um copo.

— Um copo? — Sasuke perguntou, pois lhe pareceu promissor.

— Sim, um copo da sidra da minha esposa Konan. É a melhor que tem. E, como eu disse, ela não vai gostar de saber que passaram por aqui e não entraram para ver o pequeno.

Sakura, ensopada até os ossos, olhou com desânimo para a estrada a sua frente, e Sasuke pôde imaginá-la fazendo os cálculos necessários para determinar por quanto tempo poderiam ficar e se teriam de partir muito de imediato. Depois suspirou, embora estivesse com um sorriso radiante no rosto.

— Achei que fosse a senhora — exclamou o fazendeiro, lançando um grande sorriso para uma Sakura que parecia surpresa. — Eu disse para o Tobi aqui: Tobi, não é que é a dona Sakura passando por aqui?

O espanto de Sakura tinha diminuído o suficiente para que ela conseguisse sorrir graciosamente para o fazendeiro e seu assistente, que não conseguia levantar o rosto, de tão envergonhado que estava.

— Obrigada, Pain — disse ela. — O Sr. Hugh e eu ficaríamos muito honrados em nos juntar a você e Konan.- Pain riu de alegria e, batendo de leve com o chapéu na cabeça de Tobi, disse:

— Corra e vá dizer a sua senhora que ela vai ter visita e diga que é a dona Sakura. Só vou levar Goliath para o estábulo. A senhora sabe o caminho, não sabe?

— Sei, sim — disse Sakura com um sorriso. Ela fez Violeta virar o corpo com um leve puxão no freio e seguiu em direção a um caminho de terra que saía da estrada principal e que parecia ser feito somente de lama. Sasuke seguiu-a com Skinner, um sorriso torto na boca.

—Vossa Senhoria? — ele não conseguiu se segurar. — Ah! Vossa Senhoria, desculpe incomodá-la, mas tem alguma coisa que não me contou? - Os lábios de Sakura, ele viu quando Skinner alcançou a égua da garota, tinham se fechado em uma expressão séria.

— Cuide do que é da sua conta, senhor — ela sugeriu com um sorriso de desprezo. Sasuke não se sentiu atingido pelo desdém dela.

— Se eu soubesse que estava viajando com uma pessoa nobre, teria insistido para que você me acomodasse em uma hospedaria em vez de em uma manjedoura.

— Usam esse tratamento como uma cortesia — ela disse com um suspiro, mantendo os olhos na lama pela qual Violeta caminhava altivamente.

— Já pedi que não me chamassem assim, mas eles insistem. É realmente umanbbobagem. Mas Pain é muito gentil.

— Esse Pain parece conhecer você muito bem — Sasuke disse, e surpreendeu-se com a impaciência de seu tom de voz. — Ele já foi um de seus prisioneiros?

Sakura olhou para ele furiosa; a raiva do olhar poderia ter aquecido as mãos de Sasuke.

—Já disse que você foi o único homem que eu...

— Então, o que esse Pain tem a ver com você? Um pretendente fervoroso, pelo que parece. — O tom dele era áspero, e Sakura levantou as sobrancelhas.

Xingando a si mesmo, ele se perguntava por que não conseguia parecer desinteressado no que dizia respeito a essa garota? Ele amenizou a acusação acrescentando de forma delicada: — Quero dizer, se você não se importa de eu estar perguntando. - Sakura sacudiu a cabeça.

— Para um cavaleiro, você tem uma imaginação bastante fértil. Pain é um homem livre, um fazendeiro que trabalha naquele pedaço de terra que você viu da beira da estrada. Ano passado, se apaixonou pela filha de um dos servos do conde de Stephensgate, Konan Poole. Quando pediu a mão dela em casamento, Hyuuga exigiu que uma indenização ridiculamente fosse paga para que ele a liberasse dos serviços do conde.

— Deixe-me adivinhar o resto — disse Sasuke levantando uma das mãos.

—Você juntou a quantia necessária vendendo a carne que caça ilegalmente nos domínios do conde. - Sakura desviou o olhar arrogantemente.

— Eu não sei do que você está falando — ela disse em tom de desprezo.

— Ha! — Sasuke bufou descontente. — Não é de admirar que eles a tratem por Vossa Senhoria. Você fez mais por eles que qualquer castelã que o solar Stephensgate jamais viu... - Sakura o ignorou.

— Konan deu à luz seu primeiro filho não faz muito tempo. Teria sido alta de educação passar por aqui sem parar para conhecê-lo.

Sasuke balançou a cabeça. Os talentos dessa garota não tinham fim? Ela fazia Sasuke se lembrar das histórias que a babá lhe tinha contado quando criança sobre o lendário e fora da lei Robin de Loxley.

Essa criminosa em particular não tinha apenas uma mira perfeita e ajudava os pobres. Também era, aparentemente, uma casamenteira. E tudo isso encerrado em um corpo deliciosamente delgado e finalizado por aquele impressionante volume de cabelos rosados.


Sasuke ficou surpreso quando a casa dos Fairchild apareceu adiante. Em vez do casebre rústico que tinha imaginado, viu um chalé alegre com um teto de sapê e um jardim extenso, circundado pelos três lados por pinheiros altos. A fumaça espiralava-se promissoramente da chaminé e o cheiro forte de pão assando fez o estômago de Sasuke roncar em antecipação. Fazia muito tempo que tinham tomado a sopa de coelho, e estava faminto.

Pain Fairchild, o homem livre, aparentemente estava se saindo muito bem. Tinha até mesmo uma construção, separada da casa, onde guardava o gado, uma raridade na comunidade dos lavradores. Normalmente, um lavrador e sua família dividiam o mesmo espaço com porcos e ovelhas.


Sakura tirou a capa encharcada dos ombros e sacudiu-a, lançando uma cascata de água na direção de Sasuke. Levantando um braço para se proteger do banho inesperado, Sasuke resmungou:

— Olhe eu aqui! — Quando Sakura sorriu afetadamente, ele abaixou o braço e olhou furioso para ela. —Você fez de propósito.

— Eu? — Os olhos esverdeados de Sakura arregalaram-se, fingindo inocência. — Você é meu prisioneiro, lembra? Posso tratar você do jeito que eu quiser. E você olhou para mim como um homem necessitado de água.

—Vou mostrar para você quem precisa de água — Sasuke declarou e saiu correndo atrás dela, mas ela era rápida demais.

Abaixando a cabeça, Sakura saiu correndo na chuva em direção à porta da frente do chalé, onde ficou esperando Sasuke de braços cruzados e rindo da tentativa desajeitada de segui-la, pois os pés grandes lutavam contra a lama pegajosa do jardim.

Talvez por ter escutado toda a balbúrdia do lado de fora, a dona da casa abriu a porta e exclamou:

— Sra. Sakura!

Não mais velha que a própria Sakura, Konan Fairchild era uma mulher bela e tinha cabelos escuros e olhos amendoados e uma expressão alegre. Ela abriu os braços para Sakura, que parecia espantada, e abraçou-a com força.

— Ah! É tão bom ver a senhora, e num dia tão cinza e úmido. Ah, mas a senhora está toda molhada. Entre, a senhora tem que entrar e se secar.

Avistando Sasuke andando apressado na direção da porta, a Sra. Fairchild parou, a expressão revelando claramente quão pouco respeitável Sasuke parecia com seus cabelos desgrenhados, a barba por fazer e as botas e a capa enlameadas.

— Sra. Fairchild — Sakura disse, com um sorriso afetado que Sasuke não pôde deixar de perceber. — Este é o Sr. Hugh, de Caterbury. Ele voltou há pouco tempo da prisão no Acre. - O rosto de Konan Fairchild iluminou-se.

— Ah! Um cavaleiro voltando da Terra Santa! Bem, isso explica tudo. - Sasuke estava na chuva, olhando para as duas mulheres que o olhavam pesarosamente da entrada da casa protegida da chuva. Konan Fairchild mordeu o lábio inferior e disse:

— Bem, se a senhora limpá-lo um pouco, talvez não fique tão ruim assim. — Sakura pareceu em dúvida. — Quero dizer, ele é terrivelmente grande, mas, com um corte de cabelo e sem essas roupas horríveis, talvez possa parecer apresentável. - Sakura franziu o nariz.

— Você é uma mulher generosa.

A Sra. Fairchild sussurrou, alto o bastante para as palavras serem perfeitamente audíveis para Sasuke.

— Ele é tão simplório que fica embaixo da chuva desse jeito? - Sakura suspirou.

— Acho que sim.- Sasuke sentiu-se ofendido. Jogando os ombros largos para trás, ele limpou a garganta.

— Sra. Fairchild — disse ele em seu tom mais impressivo. — Não sou nem simplório, nem impolido. Eu poderia entrar na sua casa e esquentar-me perto do fogo, como seu marido sugeriu? - Os olhos de Konan Fairchild se arregalaram.

— É claro, senhor. — Ela abriu caminho, e uma Sakura risonha passou por ela e entrou no chalé.


Sasuke seguiu-a, acenando educadamente para a anfitriã quando passou por ela. Ele teve de abaixar a cabeça para entrar no chalé, mas, quando levantou o corpo, viu que a casa era organizada e mais próspera do que havia esperado. A casa dos Fairchild tinha piso de madeira, uma raridade em Shropshire, e era dividida em duas pequenas salas, o espaço comum no qual Sasuke estava de pé e o que provavelmente era um quarto além dele.

Possuíam até mesmo alguns móveis de madeira, incluindo uma sólida mesa, sobre a qual vários pães esfriavam.

O fogo da lareira estava alto e agitado, e Sakura foi imediatamente para a frente dele, onde abriu a capa molhada, tirou as luvas encharcadas e esquentou as mãos diante das chamas tremeluzentes. Não parecia haver muita esperança para o resto do corpo; as calças de couro estavam molhadas e exalavam o cheiro que só o couro molhado produzia, e a camisa de linho branca estava molhada e grudada em sua pele.

Na verdade, era uma visão apetitosa, e, quando Sasuke juntou-se a ela perto do fogo para aquecer as mãos, não conseguiu evitar lançar-lhe olhares furtivos. Viajar com uma mulher estava provando-se muito mais interessante do que Sasuke jamais teria imaginado.

— Tomem, vocês devem estar congelados até os ossos.

Konan colocou canecas fumegantes nas mãos deles, e, quando Sasuke levou a sua ao lábio, encontrou a prometida sidra, quente e temperada com cravo. Ele sugou o líquido com vontade e sentiu o interior do corpo se aquecer imediatamente.

Sakura foi um pouco mais educada. Agradeceu à dona da casa antes de experimentar a bebida quente e temperada e perguntou sobre a saúde do bebê. Isso gerou uma sucessão de palavreados animados da parte da Sra. Fairchild, que Sasuke quase não conseguia acompanhar.

No entanto, quando ela curvou-se ao lado de um berço rústico de madeira que

havia perto da lareira e que Sasuke não tinha notado anteriormente, concluiu que ela estava falando poeticamente do primogênito. Apenas um olhar disse-lhe que a criança em questão era grande e saudável, exatamente a que qualquer um desejaria como herdeiro, e ele imediatamente perdeu o interesse. Em vez disso, olhou para a linda sequestradora.


À luz do fogo, o cabelo de Sakura brilhava lustrosamente, e quando ela se curvou para examinar o bebê, Sasuke foi premiado com uma excelente visão de seu traseiro em forma de coração. As calças de couro podem ter-se provado inapropriadas para a chuva, mas eram de fato muito encantadoras numa mulher das proporções de Sakura , as quais, na opinião de Sasuke, eram as proporções exatas que uma mulher deveria ter: delgada na cintura, grande nos quadris, e, se os seios não eram tão volumosos quanto as nádegas, não importava muito, pois Sasuke tinha visto que o que ela tinha acima, era perfeitamente adequado ao seu gosto.

A entrada abrupta do fazendeiro e do desconcertado Tobi interrompeu a contemplação reverencial de Sasuke, mas apressou o início de uma refeição. Saídos do nada, potes de queijos cremosos e frascos de picles acompanhados por pães crocantes ainda quentes provaram ser um lanche melhor do que Sasuke havia esperado receber.

Sentado perto da lareira com o sempre silencioso Tobi e seu chefe, o jovem Pain, falavam sobre as condições da lavoura e sua esperança para um verão frutífero. Sasuke quase não escutou uma palavra que o lavrador pronunciou, porque toda a sua atenção estava voltada para uma única coisa. E essa coisa estava do outro lado da sala, paparicando um bebê gordinho e escutando a conversa agradável da esposa do fazendeiro.

Sakura estava parecendo se sentir em casa com essas pessoas, e o houve mudança em seu jeito casual que marcasse o fato de ela estar conversando com pessoas que estavam alguns degraus abaixo de sua própria classe social.

Pelo que Sasuke podia lembrar, a família Haruno era composta por homens livres já fazia muito tempo. Foram libertos da servidão por um conde de Stephensgate, um dos antepassados de Sasuke, aparentemente agradecido por algum ato de bravura que o tataravô de Sakura tinha realizado.

O que mais chamava a atenção de Sasuke era o respeito que Pain e a esposa tinham por essa jovem. Mas ele achava que o casal e devia a atual e inegável felicidade. Por mais que isso a deixasse desconfortável, ele achava engraçado quando a chamavam de Vossa Senhoria, e as várias vezes em que seus olhares se cruzaram, ele piscou para ela. Sakura apenas reprimia um sorriso e desviava os olhos.

Quando a Sra. Fairchild começou a insistir para que tomassem um terceiro "copo" e Sasuke já estava começando a ficar com um sono agradável depois dos dois primeiros — Sakura levantou-se e educadamente rejeitou a oferta, insistindo que eles tinham de partir.

O cabelo dela tinha secado e formado uma auréola volumosa e cacheada em volta da cabeça e sobre os ombros, indubitavelmente devido à umidade do ar, e Sasuke não pôde deixar de admirar a curva delgada que o pescoço formava onde a gola da camisa se abria. Ocasionalmente, a camisa abria a ponto de revelar uma visão tentadora dos seus seios.

Olhares rápidos na direção de Pain e de seu assistente asseguraram a Sasuke que ele era o único homem presente que tinha notado o agradável fenômeno.

Embora Pain e a esposa os tivessem convidado para que passassem a noite com eles, insistindo que estava chovendo demais para viajarem e que Dorchester era muito distante para chegarem antes do cair da noite, Sakura não seria desviada do plano original. Mesmo os olhares demorados de Sasuke para a lareira não a fariam mudar de ideia, e eles partiram em meio a exclamações de que voltassem sem demora.

— E da próxima vez traga um pouco da cerveja da sua irmã Ino — brincou Pain, e Sakura alegremente assegurou-lhe que faria isso. Sasuke ficou extraordinariamente contente com o fato de atravessar o campo lamacento em direção ao galpão, fora da visão dos anfitriões, antes de agarrar o braço de Sakura e virá-Ia na sua direção.

— O quê? — perguntou ela, erguendo as pestanas volumosas e olhando para ele com espanto. Mas antes que ela pudesse proferir outro som.

Sasuke levou os lábios na direção dos dela. Ele sentiu o corpo dela tenso, mas, quando ela tentou afastar-se, duas coisas para evitar sua fuga aconteceram simultaneamente. A primeira foi o fato de ela esbarrar no flanco sólido de Violeta. Mastigando placidamente um pasto, a égua simplesmente olhou para eles, demonstrando que não se moveria dali. A segunda foi o fato de Sasuke envolvê-la com os braços, tirando-a um pouco do chão enquanto enfiava a língua na sua boca...

Sakura soltou um protesto que foi rapidamente abafado pela boca dele... mas o protesto pareceu ter vida breve. Ou Sakura era uma mulher que apreciava um bom beijo ou gostava dele, pelo menos um pouco. Porque um segundo depois que a boca dele uniu-se à dela, a cabeça caiu nos braços dele e os lábios se abriram como um botão de flor. Ele sentiu que ela estava relaxando e que as mãos que antes tentavam empurrá-lo de repente envolveram o pescoço dele para trazê-lo mais para perto.

Quando Sasuke sentiu a língua dela mover-se hesitantemente, ele perdeu o cuidadoso controle. De repente, estava beijando Sakura com ainda mais urgência, as mãos acariciando as laterais do corpo dela, passando pelos quadris até agarrar aquelas nádegas cobertas pelo couro das calças e ergue-la para que se encaixasse perfeitamente no corpo dele.

Os seios firmes estavam imprensados contra o peito dele, as coxas fecharam-se com força em volta dos quadris de Sasuke, que moldava Sakura a seu corpo, beijando-lhe o rosto, os cílios, o pescoço. A reação sensual que ele tinha evocado nela o surpreendia e o excitava ao mesmo tempo, e quando ela segurou o rosto dele entre as duas mãos e salpicou-o de beijos, ele gemeu, tanto pela doçura do gesto quanto pelo fato de poder sentir o calor entre as pernas dela aquecendo ainda mais o próprio desejo.

Segurando-a com um dos braços, ele abriu a gola da camisa dela e colocou a mão sobre o coração, sentindo o botão enrijecido de um mamilo na palma da mão, envolvido pelo volume sedoso do seio... Sakura soltou mais um ruído, dessa vez um suspiro tão profundo que Sasuke não conseguiu reprimir um gemido de desejo. Sasuke olhou para uma pilha de feno, espessa o bastante para se deitarem... e quando se virou viu o insensato Tobi à porta do celeiro, de queixo caído, os olhos que os encaravam vermelhos como fogo.

Sakura deu um grito sufocado e acotovelou Sasuke com força, no diafragma. Resmungando, ele largou-a para colocar a mão na barriga, e Sakura apressou-se em fechar a camisa.

— A se-senhora esqueceu as lu-luvas — gaguejou Tobi, segurando as luvas de cavalgar de Sakura. — A do-dona man-mandou eu trazer...- Sakura disparou na direção de Tobi e arrancou as luvas de sua mão.

— Agradeça a ela por mim, por favor, Tobi — disse ela com uma voz ofegante. — Foi um prazer ver você novamente.

— Sim — disse Tobi, e lançou um último e curioso olhar na direção de Sasuke antes de virar-se e sair andando pela chuva.

— Meu Deus! — resmungou Sakura assim que ele ficou fora do alcance da visão. Ela enterrou o rosto ardente na crina de Violeta. — O que você fez? Sasuke apertou suavemente as mãos na barriga.

— Acho que você me machucou — disse ele. - Sakura tirou a cabeça do pescoço de Violeta, a expressão consternada.

— Ele vai dizer alguma coisa! Tobi vai contar para Pain e depois Pain vai contar para um dos meus cunhados, que vão contar para Gaara, e eu nunca vou saber aonde essa história vai parar!

Sasuke olhou para ela com desejo. O cabelo dela estava totalmente desgrenhado, a blusa metade dentro das calças e metade fora. Havia marcas vermelhas nas bochechas. Ela parecia, em outras palavras, uma mulher que precisava ser atirada no feno e amada por inteiro.

E era exatamente isso que Sasuke queria desesperadamente fazer. Mas o milagre que a fizera ficar maleável em seus braços tinha acabado, e agora ela tinha a expressão de quem logo lhe daria um soco na goela dele, não a de quem o beijaria. Ajeitando a sela de Violeta, ela irradiava hostilidade, como se Tobi tivesse pegado os dois fazendo algo consideravelmente mais sério do que simplesmente se beijando.


Sasuke suspirou. De repente foi melhor que o garoto os tenha interrompido. O estábulo de um cavalo não era um lugar apropriado para a arte da sedução. Não, uma mulher delicada como Sakura Haruno merecia um lugar melhor que uma cama de feno para perder a virgindade. Se Sasuke pudesse fazer o que desejava, levaria Sakura para a cama dele no solar Stephensgate.

Era uma cama grande e de dossel, com um colchão macio de penas de ganso apoiado sobre uma rede de cordas trançadas.

Como ele queria que já estivessem em Stephensgate! Mais que tudo no mundo, queria passar esse dia frio e úmido na cama com essa mulher, saboreando cada centímetro do seu corpo, explorando-a, sentindo seu cheiro...

Mas ela se tornara casta novamente, e agora estava ocupada amarrando a capa e colocando as luvas.

Num repentino ataque de fúria, Sasuke ergueu um pé e chutou a porta do celeiro. Sakura olhou para ele, assustada. Os olhos arregalaram-se quando viu a tábua que Sasuke tinha arrebentado. Ele também ficou um pouco surpreso, e afastou-se desejando saber o que o tinha possuído.

— Por que diabos você fez isso? — ela perguntou, a boca formando uma expressão zangada. — Não é culpa dos Fairchild. Sasuke enfiou a mão no bolso da capa e pegou uma moeda.

— Olhe — disse ele grosseiramente, arremessando a moeda de ouro na gamela de água para os animais. — Isso paga um celeiro inteiramente novo. Está satisfeita?

Olhando de modo feroz para ele, Sakura subiu na sela da montaria. — O senhor fica grande demais para suas calças — disse ela de forma arrogante. Sasuke olhou furioso quando ela passou por ele.

— Esse é exatamente o problema — sibilou ele, dando um puxão frustrado nas calças.

.


Próximo Capítulo

— Todo mundo na Fogo e Lebre conhece Sakura Haruno. Mas ninguém aqui me conhece. E ninguém aqui conhece minha esposa.

— Esposa? — ela repetiu.

— Sim, minha esposa.

— Ma-mas — ela gaguejou. — Mas, quando eu perguntei para você ontem lá na cachoeira, você disse que não tinha esposa...

— E não tenho. Mas os proprietários e clientes da Fogo e Lebre não sabem, sabem?

— Você entende, Sakura? Aqui,deixe-me mostrar para você.

E, sem mais uma palavra, ele abriu os alforjes, primeiramente tido a escova e os alfinetes, e depois o vestido sobressalente que sempre carregava com ela.

— O pessoal da Fogo e Lebre conhece a Bela Sakura em suas calças couro e tranças.

— Não.

— Por que não? — Sasuke olhou para o vestido em suas mãos. — Se estão acostumados a ver você de calças, nunca reconhecerão você nisso. Com os cabelos presos e um capuz na cabeça, vão achar que você é a modesta esposa do Sr. Hugh Fitzwilliam.

— Eu disse não. Quantas vezes terei de repetir isso até você entender? Não, não, não.

— Achei que você tivesse dito que não tem medo de mim.

— Não tenho, mas...

— Talvez — disse Sasuke, olhando pesarosamente para o vestido cor de

creme — a Bela Sakura não seja tão corajosa quanto fui levado a acreditar.

— Ah, tudo bem — respondeu ela com impaciência, caminhando na direção de Sasuke e arrancando a roupa das mãos dele. — espere lá fora enquanto eu me troco.

—Vou fazer melhor que isso. Vou reservar o quarto e o banho para nós dois. Daqui a pouco volto para apanhá-la, senhora... humm... — Ele olhou para ela, a sobrancelha erguendo-se mais de implicância do que de dúvida, e disse: — eu penso nisso na volta.

— Agora, saia! — ordenou Sakura, e ele obedeceu com uma risada.


Oie queridos como estão? Espero que estejam gostando ^^

Capítulo beeem grandão esse...

Esse capítulo foi um pouco caliente ;) e o outro vocês nem perdem por esperar. Esses dois safadinhos só aprontam!

Até o próximo!

Feliz Dia dos Pais *-*

Beijos de pudim de leite!