Capítulo 6 – Aquela vez em que nós quase fomos presos

1988

Um selo postal nos EUA custa 24 centavos.

Columbia Records lança um álbum dos maiores sucessos no Journey, que se mantém registrado como o best-seller da banda.

George H W Bush se torna o primeiro vice-presidente a ser eleito Presidente dos EUA desde Martin Van Buren em 1836.


Tradução: Irene Maceió


~ Bella ~

"Então, Emmett disse que você tem um namorado?" Minha mãe pergunta quando eu piso no freio e dou uma parada brusca na esquina da Tropicana com a Las Vegas Boulevard.

"Quando você conversou com Emmett?" Pergunto a ela. Emmett e eu dirigimos para Vegas um ou dois finais de semana por mês para ver a minha mãe. Ela me comprou um carro no meu aniversário de 16 anos, um Rabbit da VW preto. Não é novo, mas tem ar condicionado. Nós nunca tivemos um carro com ar condicionado antes. O único problema é que ele é manual. Jacob tentou me ensinar a dirigi-lo, mas eu ainda estou um pouco nervosa com a embreagem.

"Ele veio aqui depois das provas finais na semana passada." Emmett pegou algumas aulas de administração financeira na Faculdade Comunitária em Nevada no último semestre.

Eu ajusto o rádio, tentando encontrar uma música que eu não despreze, mas tudo o que posso encontrar são músicas pop idiotas. Por que nenhuma banda no rádio pode escrever uma canção decente para o rádio?

"O sinal está verde, Bella." Minha mãe diz. Eu soco o acelerador enquanto solto a embreagem, fazendo as rodas girarem na calçada quente. Ela respira de forma acentuada e crava suas unhas feitas no painel quando eu dobro para a esquerda rapidamente e puxo para o estacionamento do Tropicana. Estaciono na porta, mas minha mãe se recusa a sair do carro.

"Eu não vou sair até você me dizer sobre esse namorado." Ela puxa um cigarro da sua bolsa e o coloca entre seus lábios pintados. Ela acende, abaixa a janela e olha para mim com expectativa.

"Foi apenas um encontro. O irmão de Leah, Seth. Fomos ao boliche. Ele não é meu namorado. Não é nada demais." Eu não digo a ela como nós demos uns amassos e que, quando ele me apalpou, ele gozou em cima de si mesmo. Então ele disse a todos na escola que eu era sua namorada. Eu tive que corrigi-lo e agora Leah está chateada comigo. Ele nem sequer parece chateado, ele estava agarrando uma das irmãs Voltera no horário de almoço. Mas Leah age como se eu tivesse cometido crimes contra a humanidade, ou algo assim.

Desde que Sam quebrou o coração dela no verão passado, Leah ficou cínica em um nível totalmente novo. Eu acho que isso é uma coisa boa, no entanto. Leah estava completamente resignada a viver em Willow Cove para sempre. Ela se casaria com Sam e o ajudaria a administrar o negócio, mas ela teve que reavaliar todo o seu plano de vida. Ela decidiu voltar para a faculdade e está vivendo no campus da UNLV*. Ela nem sequer voltou para casa para o Natal, mas agora ela está de volta à marina até a faculdade começar para conseguir um dinheiro extra. Meu pai a deixou ficar em um dos quartos do hotel, o que vai custar a ele, mas ela não pode ir para casa, não com Emily e o novo bebê lá, e ela não pode se dar ao luxo de alugar algo por quatro meses, então meu pai está dando a ela uma oportunidade.

*UNLV: Universidade de Nevada em Las Vegas, grande universidade pública situada na cidade de Las Vegas no estado de Nevada (Estados Unidos)

"E quanto a Jacob? Ele ainda está tentando atrair você?" Minha mãe provoca, sacudindo a cinza do cigarro pela janela. Ela sabe que eu odeio esse assunto.

Eu tenho tentado muito fortemente não pensar em Edward este ano. Eu fui em alguns encontros, principalmente com caras da minha aula de fotografia, mas às vezes eu vejo algo na televisão, ou ouço uma música no rádio, e isso me lembra dele. Toda vez que penso em Edward, eu penso sobre como eu nunca serei capaz de fazer as merdas bobas da época de escola com ele. Ele nunca me acompanhará para a aula, ou carregará meus livros. Ele nunca matará aula comigo para ir buscar um sorvete no Dairy Burger. Ele nunca me levará em um primeiro encontro, ou a um jogo de futebol na sexta-feira, ou me deixará vestir seu casaco de jogador. E ele nunca me levará ao baile.

Então, quando Jacob me chamou para ir ao baile Júnior, eu disse que sim. Eu tinha ouvido Don't Stop Believin'*do Journey no rádio naquela manhã, a música número sete da minha fita Músicas para lembrar Bella do seu Super Incrível Amigo Edward e eu estava sentindo tanta falta de Edward que eu não conseguia respirar. Eu estava brava com ele por ter esse poder sobre mim e brava comigo mesma por deixá-lo ter. Eu não sei por que eu disse sim. Talvez fosse a irritação, ou medo, ou dor, ou para provar a mim mesma que Edward não controla a minha vida. Seja qual for a razão, eu disse sim para Jacob.

*Don't Stop Believing: Não pare de acreditar, na tradução literal.

Jacob é realmente muito popular na escola. As meninas o acham quente, os caras pensam que ele é um bad boy. Ele monta uma moto velha e a reputação dos seus irmãos o faz parecer mais legal do que ele realmente é. De qualquer forma, Jacob geralmente sai com meninas populares e com os rapazes, então eu fiquei chocada quando ele me convidou. Eu pensei que ele me odiasse. Acontece que eu fui completamente ingênua.

Minha mãe comprou-me um vestido com rendas e cetim e mangas bufantes. Eu enrolei e assanhei meu cabelo, exatamente como dizia para fazer na Cosmo e contemplei cortar minha franja por um milissegundo. Jacob usava um smoking e me trouxe um buquê e eu trouxe a minha Polaroid e tirei fotos do espetáculo em toda sua glória. Jacob fumou maconha com os amigos atrás do ginásio e bebeu uísque de uma garrafa que carregava em seu bolso e, depois ele tentou me ensinar a dançar.

Tudo estava bem e então aquela canção começou. Aquela maldita música do Styx, número três na minha fita, Lady. Eu surtei. Eu queria tanto que fosse Edward que envolvi meus braços em torno do pescoço de Jacob e enterrei meu rosto em seu ombro e eu fingi. Eu imaginei que era o ombro de Edward contra o qual meus lábios estavam pressionados, seu cabelo através do qual eu estava correndo meus dedos, suas mãos deslizando sobre a parte inferior das minhas costas.

E então Jacob me beijou, um beijo desleixado e molhado com língua e nem um décimo do cuidado e ternura que o beijo de Edward contém. Isto chocou-me de volta para a realidade, e então tudo que eu podia sentir eram as grandes mãos desajeitadas de Jacob apertando a minha bunda e seu hálito quente no meu ouvido enquanto ele balbuciava as letras, estragando para sempre a música para mim. Eu me odiei. Fiquei decepcionada por ter dito que sim e enojada por ter fingido que ele era Edward. Eu não deveria ter feito isso. Uma pequena lasca em meu escudo e eu estava completamente exposta e isso doía. Passei a próxima meia hora no banheiro desmoronando e depois me coloquei de volta. Felizmente, Jacob tinha saído para fumar novamente e sequer notou que eu tinha desaparecido.

Ele me convidou para sair três vezes desde então e cada vez eu inventei uma desculpa. Eu tenho trabalhos de casa. Eu tenho que ir para a casa da minha mãe. Eu tenho que trabalhar. Eu simplesmente não gosto de Jacob assim. Eu mal gosto de Jacob como amigo. E ele não gosta de mim, não realmente. Ele só acha que ele deveria gostar.

"Jacob é incansável." Eu murmuro, desabando no volante. "Eu não sei o que fazer, mãe".

"Basta ser honesta, querida. Jacob gosta de você porque você é uma pessoa maravilhosa. É bom que ele se importe tanto." Minha mãe corre os dedos pelo meu cabelo e eu quero discutir com ela. Eu não quero que ele seja agradável. Eu não quero Jacob gostando de mim porque eu nunca poderei retornar o gesto. Eu nunca poderei ser o que ele quer que eu seja.

Porque, no fundo, sob a casca, florescendo dentro do casulo, não importa o quanto eu tente negar, eu sei em meu coração que eu já pertenço a outra pessoa. Alguém que está esperando por mim na marina agora.

"Da próxima vez você deve trazer seu amigo, o de Washington. Eu gostaria de conhecê-lo." Minha mãe sugere. Ela dá mais uma batida na cinza do seu cigarro e exala para fora da janela. "Ele ainda está na cidade?"

"Sim, a família dele chegou um par de horas atrás." Eu digo calmamente. Eu vi o carro dos Cullen na marina quando eu estava saindo, mas eu já estava atrasada. Eu tive que pisar fundo para chegar aqui a tempo para a pausa do almoço da minha mãe e estive sentada com uma mistura de medo e ansiedade desde então. Tanto quanto eu estou morrendo de vontade de vê-lo, estou determinada a não deixar Edward me seduzir. Nós somos amigos e é isso. Isso é o suficiente. Sem beijos, sem transa seca, sem massagem nos peitos de qualquer tipo. Não posso deixar minha parede ceder nem por um segundo, a menos que eu queira uma repetição da existência depravada deste último ano. É melhor assim, desconectada e protegida. Sem obrigações, sem expectativas, sem dor.

"Você poderia vir para cá no Quatro de Julho! Podemos fazer um churrasco e assistir os fogos de artifício. Você pode ver o show na avenida do meu quintal." Minha mãe diz antes de verificar seu relógio. Ela joga o que resta do seu cigarro pela janela e agarra sua bolsa com pressa. "Conversamos depois, querida, eu vou chegar atrasada. Obrigada por almoçar comigo".

Minha mãe me beija na bochecha, seu batom marcando a minha pele antes de ela entrar no prédio chamativo. Eu limpo minha bochecha e a observo partir, seu cabelo capacete balançando enquanto ela anda e eu penso sobre o seu convite. Eu não posso me imaginar trazendo Edward para conhecer a minha mãe em Las Vegas. A marina é como a nossa pequena bolha de segurança, onde tudo faz sentido e é como deveria ser. Eu não sei como nosso relacionamento seria fora de Willow Cove, e isso me deixa desconfortável.

Oh, inferno, quem eu estou enganando? Eu não sei como nosso relacionamento será dentro de Cove Willow.

Eu volto rapidamente para a marina, desacelerando a insuportáveis 25 km por hora pela cidade antes de passar ao longo do pavimento irregular. Os policiais na cidade são realmente ligados nos limites de velocidade. Eu acho que é o que acontece quando você é um policial em uma cidade com uma população de menos de 500 habitantes. Você não tem nada para fazer.

Eu nem sequer me incomodo em ir para casa primeiro. Estaciono meu carro ao lado do grande Mercedes preto e corro os degraus para a porta da frente. Três batidas rápidas depois, Edward está parado diante de mim, sua mandíbula forte coberta de barba, seu cabelo desalinhado em torno das suas orelhas e pescoço, e ele sorri. Eu sinto meu coração amolecer e franzo a testa. Isso será mais difícil do que eu pensava.

Edward desliza seus pés em um par de chinelos ao lado da porta da frente e eu viro e começo a caminhar para os balanços, para o nosso lugar onde talvez as coisas parecerão melhores e eu saberei o que dizer.

No minuto em que Edward desliza sua mão na minha, eu percebo que o meu plano todo está fodido. Sua mão está quente e suave enquanto nossos dedos entrelaçam. Estamos apenas de mãos dadas. Amigos podem dar as mãos, certo?

Eu o deixo guiar. Ele não diz uma palavra, apenas me joga olhares travessos por cima do ombro de vez em quando. Ele me puxa para a Lavanderia e então sua boca está na minha e eu o bebo ansiosamente, perdendo-me na forma como ele me toca e no seu gosto, um doce alívio para a dor lancinante que vem me atormentando durante todo o ano. Seus dedos deslizam por baixo da barra da minha blusa e eu derreto, todo o meu corpo exalando quando ele envolve em torno da minha cintura, seus braços apertando em minha pele nua. Por um momento, tudo faz sentido.

E então eu lembro da minha parede e me afasto. Esse não foi um beijo de amigo. Esse foi um beijo oh meu Deus, minhas partes de menina estão pulsando, exatamente o que eu estava tentando evitar. Eu sento no balcão para colocar algum espaço entre nós. Ok, então, tocar está fora dos limites. Além disso, ele não vai realmente querer me tocar depois que eu contar a ele sobre Seth e Jacob. Especialmente Jacob.

Edward olha para o chão, sua mão percorrendo seu cabelo, as luzes fluorescentes capturando o brilho vermelho e iluminando contra a sua pele pálida. Eu me concentro na dispersão de minúsculas sardas em todo o seu nariz, seus cílios como penas nas maçãs do seu rosto, e leva cada grama de força que possuo para não puxá-lo para mim.

Preciso dizer algo, o silêncio é como um leite espesso na sala quente, coalhado e fedorento.

"Eu fui a um encontro com o irmão de Leah." Eu deixo escapar. Edward olha para mim e cruza os braços sobre o peito antes de passar os olhos de volta para o chão. "E eu fui ao baile com Jacob. E ele me beijou".

Edward não se move. Ele fica quieto por um longo tempo e eu espero.

"Eu sei." Edward diz finalmente, e eu olho para ele, confusa.

"Emmett. Ele escreve cartas para Rose, liga para ela no telefone algumas vezes." Ele diz baixinho e eu estou completamente surpresa. E furiosa. Eu não gosto de meu irmão fofocando sobre a minha vida amorosa.

"O quê?" Eu pergunto, espantada.

Isto também significa que Edward poderia ter me ligado, poderia ter escrito cartas, mas ele não o fez.

Eu tenho que admitir, a rejeição dói.

"Espere, o quê?" Pergunto novamente e um sorriso se espalha pelo rosto de Edward. O pensamento deles dando uma boa risada sobre a minha desculpa patética para uma vida amorosa é simplesmente enlouquecedor. Traída pelo meu próprio irmão? Eu vou matá-lo!

"Está tudo bem, Bella. Eu não estou chateado nem nada." Edward diz e eu bufo.

"Bom, porque você não deveria estar." Eu digo, a minha voz orgulhosa como todo o inferno e eu não me importo. Isso ainda nem começou a fazer sentido na minha cabeça, mas tudo que eu posso pensar é em como eu me sinto estúpida, pensando que Edward ficaria chateado, pensando que o que temos é algo mais do que apenas um flerte.

"Eu só quis dizer que eu não espero nada. Eu não quero que você se sinta restringida por mim. Você tem permissão para estar com outras pessoas. Assim como eu." Ele acrescenta calmamente.

"Oh, bem, eu estou feliz por ter a sua permissão." Eu digo sarcasticamente. Eu ainda estou irritada que Edward saiba tudo e eu não saiba nada. É simplesmente tão injusto.

"Eu dormi com essa garota da minha escola, Lauren." Edward diz de repente. Eu pisco, minha mente completamente entorpecida.

"Por dormir, você quer dizer..." Eu paro, confusa.

Os olhos de Edward queimam nos meus, ardendo e mostrando exatamente o que isso significa. Sexo.

"Oh." Eu suspiro, o vento batendo para fora de mim. Meu coração dispara e eu aperto o balcão. Eu não posso fodidamente respirar! Oh, Deus, eu vou desmaiar.

Não, Bella, relaxe. Esqueça. Desconecte.

"Foi horrível." Edward continua. "Eu estava completamente bêbado e fora da minha mente e isso foi um erro total".

"Está tudo bem, eu não estou chateada nem nada." Eu minto. Eu minto como uma filha-de-uma-puta.

"Eu queria que fosse você." Ele sussurra e eu inalo drasticamente enquanto ele caminha em minha direção, emoções conflitantes balançando através do meu corpo. Isso é tão errado. Eu quero gritar com ele, dizer a ele que isso nunca acontecerá, nem agora, nem nunca, mas não consigo encontrar minha voz.

Além disso, eu nem tenho certeza se acredito em mim mesma.

"Eu ainda quero que seja você." A voz de Edward é suave e baixa e minha parede desmorona, uma mera pilha de poeira que sua declaração atropela e chuta no ar.

Suas mãos seguram minha cintura, seus quadris deslizam entre meus joelhos e ele fecha o espaço entre nós. E eu o deixo.

Apenas pelo verão, apenas pelo verão, apenas pelo verão, eu canto em minha cabeça enquanto sua boca se fecha sobre a minha e puxa de mim a última gota de força de vontade que me resta.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

"Oh, merda, você é republicana?" Emmett diz, exasperado quando se recosta em sua cadeira dobrável na enseada de areia. Meu pai está debruçado sobre a pequena churrasqueira portátil a gás, cutucando os bifes de carne sobre a chama crepitante. Como sempre, ele insiste em nos levar a uma enseada no Quatro de Julho. Sem fogos de artifício novamente. Eu juro, um desses fodidos dias eu vou ver alguns malditos fogos de artifício. Eu aponto minha câmera para o meu irmão e ele mostra a língua para mim quando eu tiro a foto. A câmera vibra e cospe a imagem cinza, o cheiro químico agora equiparado com antecipação enquanto espero para a foto aparecer. Um par de minutos depois, lá está ele, meu irmão contra o pano de fundo pintado, seu rosto espertalhão capturado no pequeno retângulo de papel.

"Não, eu disse que votaria em Bush. Eu não acredito em partidos políticos. Um político é um político. Eles são todos fantoches, suas cordas sendo puxadas pelas mãos potentes mais substanciais." Rose diz, empurrando os óculos até a ponta do seu nariz. Alice revira os olhos e vira sobre a toalha ao meu lado. Ela puxa as alças de seus ombros para que ela não fique com marcas antes de dobrar os braços sob o queixo.

"Oh não, eu acho que o casamento acabou." Edward sussurra no meu ouvido, sua mão na parte inferior das minhas costas e eu abafo uma risadinha.

"E quem seriam esses poderes substanciais?" Emmett pergunta com ceticismo.

"Aqueles que controlam a maioria das riquezas." Rose responde como se fosse completamente óbvio.

"Então, você quer dizer os Republicanos." Emmett brinca. "Assuma, baby, você foi sugada para dentro do centro bipartidário tanto quanto o resto de nós. Francamente, eu não confio no governo".

"Emmett!" Meu pai o repreende, puxando o cigarro de entre seus lábios. "Não diga merdas como essa. Hoje é Quatro de Julho, maldição. Isso não é patriótico".

"Na verdade, pode-se argumentar que, na sua raiz, a declaração dele é muito patriótica. Quero dizer, não é isso o que nossos fundadores fizeram há mais de 200 anos? Questionaram seu governo?" Rose desafia.

Meu pai dá uma olhada para Rose deitada em sua cadeira, seu chapéu de abas largas sombreando seu rosto do calor de julho. Rose é meio que estonteante. Quero dizer, além de ser exageradamente inteligente, ela tem o corpo de uma supermodelo. Seu cabelo dourado cai pelos seus ombros em ondas grossas. Suas pernas são longas e bem torneadas, sua cintura fina compensada pela curva voluptuosa dos seus quadris, e um peito que me faz corar. Ela é tão confiante, relaxada em seu biquíni verde e desafiando o meu pai na política, de todas as coisas. Eu posso ver totalmente por que Emmett é tão atraído por ela.

"Sim, Emmett é um descendente de Thomas Jefferson." Meu pai responde e se move para a caixa de gelo. "Ei, me dê uma dessas cervejas, Bells".

Eu cavo em torno da caixa, procurando pela lata vermelha e branca, e pego a Budweiser para ele. Limpo o suor da minha nuca e testa. Cara, eu estou derretendo aqui fora. O calor rola do meu corpo, meu rosto e meus ombros tencionam e coçam e é hora de um mergulho.

Eu atravesso a baía e mergulho minha cabeça, a água fluindo através do meu cabelo trazendo um doce alívio para o meu couro cabeludo superaquecido. Eu nado até que sou cercada pelo silêncio, calma e paz, situada entre as paredes de sedimentos e rochas, as camadas de vermelhos e laranjas e marrons expostos de eras de erosão. Isso tudo começou como um fluxo, um fio lento e persistente de água forçando a terra dura, terra embalada ruindo e amaciando no lodo sob meus dedos.

"Linda." A voz de Edward me faz pular. Gotas de água sobre a ponte do seu nariz, seus cabelos molhados escorrendo em seus olhos e eu estou oprimida por quão bonito ele é. Eu quero capturar esse momento para que eu possa mantê-lo comigo por todo o ano.

"Eu sei. Olhe para as rochas. Você vê isso, as camadas? Você acredita que está olhando para algo que está aqui por literalmente milhões de anos? Você pode imaginar o que aquelas rochas já viram?" Eu flutuo nas minhas costas, o sol brilhante me obrigando a fechar os olhos. A água ondula em torno de mim, um fantasma de um toque no meu braço, meu ombro, acariciando meu rosto e puxando através do meu cabelo. Uma sombra paira acima de mim e eu levanto minhas pálpebras para encontrar o cabelo cor de fogo de Edward e seus olhos dançando, seus lábios puxados para um sorriso estupefato.

"Não as rochas, sua tonta." Ele ri. "Você. Você é linda".

Linda. Cheia de beleza. Não apenas um rostinho bonito, não apenas um apelo físico, mas ele acha que eu sou cheia de beleza. É o maior elogio que alguém já me deu.

Ele lambe seus lábios enquanto sua mão estende através da água para envolver ao redor do meu pulso. Ele me puxa para dentro da água profunda por trás do barco do meu pai. Tecendo seu braço em torno da minha cintura, ele puxa meu corpo para ele e me beija suavemente. Não há nada além de uma fina camada de maiô separando nossa pele, e o pensamento dos meus seios nus contra o peito dele me estimula a aprofundar o beijo, nossas línguas torcendo em uma conexão suave e forte. As mãos de Edward seguram nas minhas costas e eu envolvo minhas pernas em torno da sua cintura. Seus olhos arregalam, sua boca para, mas eu não me importo. Ele não pode me chamar de linda e me beijar assim e esperar que eu me comporte.

"O quê? Isso não está bem?" Eu pergunto, meu coração martelando no meu peito, meus braços em volta do seu pescoço.

"Está tudo bem. Um pouco chocante, mas definitivamente bem." Ele sorri. Eu corro minhas mãos pelo seu cabelo úmido e me puxo para mais junto dele, meus lábios pressionando na pele molhada da sua mandíbula, seu pescoço, seu ombro. Eu não gosto do jeito que eu preciso dele, do jeito que eu o quero aqui sempre. Este é precisamente o meu raciocínio para a regra de não tocar, e agora tudo foi direto para o inferno.

Meu cérebro não cala a boca. Eu me pergunto se ele acha que a tal de Lauren é linda. Eu me pergunto se ele a beijou como ele me beija. Pergunto-me como é fazer sexo com Edward, é tudo no que eu posso pensar. Eu tenho ciúmes por alguém ter estado perto dele, mais perto do que eu já estive. Eu quero estar perto dele. Quero senti-lo como ela sentiu, para que eu, mais uma vez, seja sua número um, sua favorita.

Eu beijo Edward de novo, com fome e determinada enquanto corro minhas mãos sobre seu peito, meu dedo roçando um dos seus mamilos e eu o ouço gemer um pouco na minha boca. Ele gosta disso. Eu faço isso de novo, a carne endurece sob meu polegar e Edward suspira, sua boca movendo para o meu queixo e depois para o meu pescoço, seus lábios mordiscando o lóbulo da minha orelha e eu aperto minhas coxas ao redor da sua cintura. Prazer e dor, ambos começam a se mexer entre as minhas pernas e eu preciso de atrito. A boca de Edward se move para o meu ombro e depois para o meu peito, sua língua pastando a ondulação de ossos ali. Sua mão desliza para cima para pressionar em um dos meus seios, puxando o pico através da minha roupa fina e eu agradeço a Deus por não ter comprado o maiô com estofamento. Ele olha nos meus olhos, seu dedo prende na alça no meu ombro e ele lentamente a abaixa, seus olhos nos meus o tempo todo. A água flui em torno dos meus seios nus e eu pressiono minha testa à sua e tento me concentrar em respirar.

"Porra." Edward rosna, seus dedos traçando as linhas bronzeadas sobre o meu peito e eu estou ofegando. Ele levanta-me para fora da água, o ar nos meus mamilos faz com que eles enrijeçam, e tudo que eu posso pensar é 'por favor, coloque-o em sua boca, por favor, oh, por favor, oh, por favor, lamba meu mamilo'. Eu nunca pensei que quereria que um menino colocasse a boca no meu peito.

Mas este não é apenas um menino, este é Edward. E ele é tudo.

Ele beija meu peito e eu ofego, a sensação fazendo-me contorcer-me contra a sua cintura. A visão disso é simplesmente tão linda, seus lábios vermelhos se movendo pela pele branca e pálida, pele que nunca foi exposta ao sol quente do deserto antes. Eu observo sua boca se mover enquanto ele suga e gira sua língua em volta do meu mamilo e eu simplesmente não consigo chegar perto o suficiente. Eu aperto minhas pernas e esfrego meus quadris contra ele, mas com cada pressionada, eu preciso dele mais, mais forte, mais rápido, mais, qualquer coisa, eu simplesmente preciso dele.

"Seu coração está batendo rápido." Edward sussurra e eu tento recuperar o fôlego. Suas mãos deslizam sobre minha pele e descem pelas minhas coxas e eu fecho meus olhos enquanto seus dedos pastam entre as minhas pernas. Eu gemo e meu corpo treme quando uma nova onda de calor ferve nas minhas veias.

"Isso está bom?" Ele pergunta.

"Isso é chocante." Eu digo, imitando suas palavras. "Mas definitivamente bom".

"Posso tocar você de novo?" Edward murmura contra o meu pescoço, seus lábios suaves sobre a minha pele corada e úmida. Eu aceno com a cabeça, encontrando seus lábios e os puxando em minha boca. Eu já estou ofegante quando seus dedos pressionam na lycra do meu maiô. Ele pressiona na carne sensível, seus lábios ainda se movendo com os meus, seu braço envolto baixo em torno da minha cintura e minha cabeça começa a ficar confusa.

Eu trilho minhas mãos pelo seu peito e sobre os músculos longos e magros do seu estômago. A mão de Edward faz uma pausa por um milésimo de segundo, enquanto seus olhos rolam para trás em sua cabeça, e palavrões sussurrados escapam da sua boca contra a minha. Sua mão se move mais rápido e mais forte e a pressão começa a construir profundamente na minha barriga, como uma corrente elétrica preparando-se para estourar. Meus dedos deslizam exatamente sob o cós da sua bermuda e eles se encontram com carne sedosa, e eu suspiro. Puta merda, eu acabei de tocá-lo. Eu acabei de tocar isso e é macio e suave e tão quente.

"Bella!" Ele respira. Seus dedos afastam o elástico do meu maiô e ele está me acariciando, e só a mim, circulando a carne lisa enquanto meus quadris se contorcem contra a sua mão. É quase insuportável, muito sensível em alguns pontos e tão incrivelmente bom nos outros.

"Oh, puta que pariu!" Eu gemo alto, minhas pernas tremendo em torno da sua cintura.

"Shhh." Ele sussurra com um sorriso e eu estou queimando para sentir mais.

Eu deslizo a minha mão na sua sunga e envolvo meus dedos em torno dele enquanto ele suspira. Ele é tão quente, e há cabelo e é macio e eu me alegro na contradição da maciez e dureza como mármore. Eu acaricio ao longo do seu comprimento uma e outra vez, apenas sentindo Edward, segurando Edward, conhecendo Edward.

"Edward." Eu ofego, incapaz de controlar minha respiração e desesperada por algum tipo de alívio para a dor profunda. "Coloque seus dedos dentro de mim".

"Bella, oh, Deus, pare! Eu vou gozar." Edward suspira no meu pescoço quando seu corpo treme e arremessa, sua dureza pulsando na minha mão por baixo da superfície da água. A forma como o rosto de Edward fica quando ele se desfaz na minha mão é realmente cheia de beleza. Estou prestes a beijá-lo novamente quando ouvimos o zumbido do motor do barco em direção à nossa enseada. Nós imediatamente nos separamos e tentamos nos recompor enquanto o Dr. e a Sra. Cullen marcham lentamente até a costa. Nadamos para chegar ao barco, fingindo que não estávamos nos acariciando debaixo do cobertor de proteção da água. Edward me dá um sorriso malicioso e eu reviro os olhos, mas, para ser honesta, eu nunca me senti tão poderosa em toda a minha vida.

Eu fiz Edward se sentir bem, eu o fiz respirar meu nome. Mesmo que tenha sido apenas pelo verão.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

"Bella! Pare de apalpar seu namorado e volte ao trabalho!" Eu ouço Leah gritar da frente da loja e eu congelo, tentando ignorar Edward chupando meu lábio. Ele empurra seu quadril no meu, prendendo-me contra o muro de concreto e eu gemo em sua boca antes de empurrá-lo para longe, um sorriso tímido em seus lábios.

"Você está destruindo a minha produtividade." Eu digo, pegando uma caixa de sacos de salgadinhos.

"Dane-se a sua produtividade, você não deveria nem estar aqui. Você devia estar na água comigo." Edward diz quando pega a caixa dos meus braços. Eu suspiro e pego mais duas caixas, antes de voltar para dentro da loja.

Leah está empoleirada atrás do balcão em um banquinho, um grande romance em sua mão, sua perna saltando enquanto ela lê.

"Ele não é meu namorado." Eu murmuro para ela enquanto coloco as caixas no chão e ela bufa, começando uma gargalhada alta que ela exagera de propósito.

"O que é então?" Leah pergunta.

"O que você quer dizer?" Pergunto hesitante. Tenho quase certeza que está na hora do seu intervalo, mas minha curiosidade substitui o meu senso comum.

"Vivendo em negação. É realmente tão bom como dizem?" Leah sorri.

"Vá se foder, Leah." Eu digo em voz baixa. Dou uma olhada por cima do meu ombro para ver Edward reorganizando os salgadinhos no corredor de lanches, seu foco sobre nós. Ele rapidamente desvia o olhar e acidentalmente deixa cair um saco de batatas fritas quando eu o pego espionando. Eu mordo meu lábio, suprimindo um sorriso.

Olho de volta para Leah e seu rosto está congelado, seus olhos cinzentos frios enquanto ela olha para mim. Ela não diz uma palavra, apenas coloca seu livro para baixo e puxa um maço de cigarros da prateleira atrás do balcão. Ela vai para fora, puxando o tabaco enrolado da embalagem e um isqueiro do bolso e logo ela está envolta em uma névoa. Seus braços estão cruzados na frente do seu peito, seus olhos focados no céu enquanto ela fuma.

Emily teve o seu bebê em março, uma menininha que ela chamou de Claire. Claire Black. Ela abandonou a escola e está trabalhando na recepção do lugar de armazenamento dos Black. Ontem, Sam a pediu em casamento. Ele vai comprar uma casa móvel na cidade e se mudar com Emily e o bebê assim que possível. Leah não está aceitando isso muito bem.

Os braços de Edward tecem em torno da minha cintura por trás e dobram ao redor da minha barriga enquanto seus lábios pressionam no meu pescoço. "Sobre o que vocês estavam discutindo?" Ele murmura, sua respiração fazendo cócegas na minha pele.

"Nada, não é importante." Eu suspiro e nós assistimos Leah rapidamente acender outro cigarro.

"Ei! Emmett disse algo sobre irmos à casa dos Trackers? Devemos fazer isso esta noite." Edward diz exatamente quando eu vejo meu pai subindo a calçada e instantaneamente os braços de Edward desaparecem da minha cintura.

"Que merda." Eu ri e ele encolhe os ombros e inclina-se contra o balcão. Meu pai dá um tapinha no ombro de Leah antes de entrar na loja. Seu bigode treme quando ele olha entre nós dois.

"Oi, pai." Eu digo o mais discretamente possível. Meu pai não é idiota. Tenho certeza que ele sabe que há algo acontecendo entre nós, mas eu acho que é melhor se ele achar que Edward e eu somos apenas amigos. Muito, muito bons amigos. Nós não estamos namorando, não somos namorado e namorada, não estamos "vendo" um ao outro. Nós apenas somos nós. E isso é realmente difícil de explicar para o meu pai à moda antiga.

"Ei, garotos, como estão as coisas?" Meu pai resmunga enquanto caminha até a caixa registradora. Ele bate um par de botões, verifica a fita e puxa as notas da bandeja, fechando-as em um saco de vinil preto. Todo o tempo, seus olhos estão correndo para Edward, então para mim, então de volta para a caixa registradora.

"Edward, por que você não vai dar um mergulho." Meu pai diz. Edward olha para mim com confusão e eu encolho os ombros.

"Eu não me importo de ficar." Edward diz confiante.

"Saia daqui, garoto. Vá curtir suas férias." Meu pai diz em uma voz fria e Edward hesitantemente se move em direção à porta.

"Vejo você mais tarde, Bella." Ele murmura antes de sair e andar pela calçada.

"Que diabos, pai?" Eu pergunto, exasperada.

"Ele não precisa ficar pendurado por aqui o tempo todo. Isso é um negócio, e você é minha funcionária. Você não precisa de nenhuma distração." A voz do meu pai é significativa e fria, e isso me irrita sem fim.

"Eu não sou um negócio." Eu afirmo. "Eu sou sua filha e Edward é praticamente da família".

"Edward é um hóspede, um Cheque de Pagamento, Bella. Eu sei que você meio que o adotou e ele é um bom garoto, mas ele não é da sua família. Sua família está aqui, na marina." Eu começo a argumentar, mas meu pai não me dá a chance.

"Edward não pode mais ficar pendurado em volta da loja enquanto você estiver trabalhando." Seu tom de voz me diz que este assunto não está em debate.

"Mas, pai, isso é-" Eu tento explicar, mas ele me corta.

"Essa discussão está encerrada." Ele diz definitivamente. "Olha, sinto muito, querida, mas isto é para o melhor".

Isso é simplesmente tão injusto! Eu odeio este trabalho. Eu odeio essa marina. Eu odeio que meu pai ache que sabe o que é melhor para mim e, acima de tudo, eu odeio que ele chame Edward de Cheque de Pagamento. Lágrimas pinicam debaixo dos meus cílios enquanto eu olho para o seu olhar frio e duro. Não chore, Bella. Não ouse fodidamente chorar.

Ele me beija na testa quando Leah entra de volta na loja. Com uma volta, ele se foi e eu sou deixada aqui sozinha. Com Leah. Pelo resto do verão fedorento.

Passo a próxima hora quebrando caixas no estoque, visualizando o rosto do meu pai quando eu soco as caixas com o meu punho. Eu reúno os pedaços de papelão e os levo para o lixo do lado de fora, jogando-os na lixeira com gosto.

"Ei." Eu giro ao redor e vejo Edward sorrindo pela porta dos fundos. "Então, imagino que as coisas não foram bem".

"Você não pode mais ficar aqui na loja." Eu chuto o lado da lixeira, meu dedo do pé doendo um pouco com o impacto.

"Eu imaginei. Nós ainda podemos sair depois e nos dias que você não tiver que trabalhar, certo?" Edward pergunta e eu aceno. "Então está tudo bem".

"Não está não. Ele acabou de cortar o nosso tempo juntos pela metade." Eu digo amargamente. Edward caminha vagarosamente até mim e beija minha bochecha.

"Vamos fazer alguma coisa." Ele diz com uma voz suave e meu coração dá uma cambalhota no meu peito.

"Eu estou trabalhando." É assim que será pelo resto do verão: Edward querendo fazer coisas, e eu não podendo. Que merda.

"Diga a Leah que você está doente. Encontre-me aqui de volta e vamos fugir, como geléia de menta." Os olhos de Edward brilham com um verde profundo e desonesto.

"Mas o meu pai-"

"Ele não voltará para a loja. E ele não espera que você esteja em casa por mais duas horas." É verdade, meu pai nunca volta para a loja uma vez que ele limpa o caixa. Isso é toda a persuasão que eu preciso.

Eu entro cambaleante na loja, segurando minha barriga enquanto uso o balcão como apoio. Leah me olha desconfiada e eu me encolho, fingindo que não a vi observando.

"Qual é o problema com você?" Ela pergunta.

"Nada, eu estou bem." Eu digo, afastando-me dela.

"Cólica?" Leah pergunta e eu congelo. Por que eu não pensei nisso antes? É o disfarce perfeito! Meu pai não vai me perguntar sobre problemas femininos, mesmo que ele volte.

"Acabou de descer. Eu sinto que estou sendo rasgada ao meio." Eu aperto meu estômago novamente, provavelmente um pouco demais, mas Leah apenas encolhe os ombros.

"Simplesmente vá para casa." Ela ordena e eu quero aplaudir, mas eu me forço para parecer com cólicas.

"Acho que vou." Eu digo com uma voz triste e Leah volta para sua limpeza. Eu saio discretamente pela porta e encontro Edward lá atrás da lixeira e corremos em direção à pista de caminhada que passa ao longo dos penhascos perto da marina. Uma vez que estamos escondidos da vista, caminhamos até a água para nadar. Nós damos uns amassos na praia, um emaranhado molhado e enlameado de braços e pernas e eu estou tão feliz por estar livre da loja, da marina e do meu pai. Somos apenas eu e Edward e, por duas horas, nós somos tudo o que importa.

Eventualmente, voltamos para a casa de Edward para ver se Emmett ainda está pensando em levar as meninas para a velha casa dos Tracker. A mansão vitoriana é uma grande casa branca com terraços e uma cumeeira* no meio do nada. As crianças na escola dizem que os Trackers eram assassinos em série e que há uma passagem secreta subterrânea que leva ao rio, no caso de terem que fugir rapidamente.

*Cumeeira: parte superior de uma parede construída em forma de triângulo.

A Sra. Cullen está enrolada no sofá e envolvida em um romance grosso, um par de óculos empoleirados na ponta do seu nariz. O Dr. Cullen está sentado na pequena mobília de jantar. A mesa é uma bagunça dispersa de documentos, livros e cartas, e ele está datilografando em uma máquina de escrever elétrica. Ela olha para mim e sorri quando eu entro pela porta e eu sinto que não os vi durante todo o verão.

"Ei, crianças! Bella, você acabou de perder de ver o seu irmão. Ele levou as meninas para um passeio de carro." A Sra. Cullen diz.

"Eles disseram para onde estavam indo?" Eu pergunto e os lábios da Sra. Cullen franzem.

"Acho que ouvi algo sobre Trackers? Isso parece familiar?" Ela empurra os óculos no nariz e eu sorrio. Na mosca!

"Uhm, sim. É um local histórico, uma pequena casa acima da estrada." Eu desvio, não querendo nos colocar em problemas.

"Eu vou trocar de roupa e então nós vamos encontrá-los, está bem?" Edward pede ao seu pai, mas o Dr. Cullen apenas continua digitando, aparentemente imerso em seu trabalho. A Sra. Cullen olha nervosamente para o marido enquanto Edward espera ser reconhecido pelo seu pai. "Pai? Tudo bem?"

"Huh?" O Dr. Cullen inclina sua cabeça, digitando algumas letras mais antes de finalmente ver seu filho. "O quê? Sim, claro, divirta-se".

"Sim, obrigado." Edward murmura e caminha pelo pequeno corredor para uma porta que deve ser seu quarto.

Sento-me desajeitadamente na cadeira em frente ao sofá e espero que o clack, clack, clack da máquina de escrever do Dr. Cullen encha o ar morto. A Sra. Cullen retorna ao seu livro, as sobrancelhas vincadas e preocupadas.

Quando Edward retorna, ele está usando um shorts e uma camisa pólo e há uma reviravolta no meu intestino. Estas são roupas de Seattle, não do rio.

"Pronta?" Ele pergunta baixinho e eu aceno de cabeça, seguindo-o para fora da porta. Uma vez que estamos fora, Edward tece seus dedos nos meus e, por um minuto, porque aparentemente eu me odeio, eu finjo que somos realmente um casal. Sua camisa pólo branca rói a minha fantasia e eu não posso evitar a carranca que puxa em meus lábios quando eu o vejo. É um lembrete. Edward não é meu.

"Por que você odeia essa camisa?" Ele pergunta.

"Eu não odeio essa camisa." Eu respondo, irritada comigo mesma por ser tão transparente.

"Sim, você odeia. Você sempre faz essa cara quando eu a uso." Ele pressiona.

"Que cara? Eu não faço nenhuma cara." Eu nego. Eu nego com todo o meu coração.

"Você totalmente faz uma cara." Edward ri. "É tipo como..." Seus lábios curvam em um rosnado, ele cruza os olhos e finge vomitar.

"Eu nunca faço essa cara." Eu rio. "Temos que pegar um carrinho. Eu não quero correr o risco de ir para casa para pegar meu carro e é muito longe para ir a pé. Podemos usar um da marina." Eu balanço meu pulso, as chaves penduradas na corda e Edward sorri, um sorriso dissimulado se espalhando por todo o seu rosto.

"Você é a rebelde esta noite, Senhorita Swan." Edward comenta. "Fugindo do trabalho e roubando um carro".

"Não é roubo se eu tenho as chaves. É um empréstimo sem o consentimento." Esclareço quando nos aproximamos da parte de trás do escritório do meu pai. As luzes estão apagadas, então eu sei que meu pai já saiu. Eu desconecto o carro e enrolo o cabo antes de virar a chave. Edward fica ao meu lado e eu coloco o carro elétrico na marcha a ré, as rodas girando no cascalho enquanto eu me afasto do prédio.

"Você tem certeza que sabe o que está fazendo?" Edward pergunta, segurando o teto do carro.

"Relaxe, este carrinho só vai até cerca de 20 quilômetros por hora. Se você cair, apenas role para o lado." Eu respondo e Edward ri quando nós dirigimos para encontrar meu irmão.

Nós dirigimos ao longo da estrada escura, vagando em silêncio, apenas uma pequena parte da lua iluminando nosso caminho. É assustadoramente silencioso, e o zumbido do motor elétrico e o giro das rodas de borracha no asfalto rachado me mantêm distraída. O ar é denso com a umidade e cheira como se uma tempestade estivesse chegando. Estou começando a ficar um pouco assustada, mas eu não quero parecer uma covarde na frente de Edward, então eu permaneço em silêncio até que chegamos à antiga casa. A frente é uma montanha de sucata, caminhões velhos e enferrujados, restos de carros, pneus, colchões velhos, simplesmente uma tonelada de lixo jogada no terreno. Eu posso ver o outro carrinho estacionado no lado e suspiro de alívio, sentindo-me mais confiante agora que eu sei que meu irmão está aqui.

Edward e eu andamos até a porta da frente. Está aberta, um murmúrio tranquilo de vozes dentro e eu menciono para Edward ficar quieto. Ele entende e nós nos esgueiramos através da porta. A casa é quente e mofada e o cheiro de mofo misturado com os restos de festas antigas, a fumaça de cigarro e álcool embebidos nas paredes. Edward desliza sua mão ao longo das minhas costas e por cima do meu quadril, tentando encontrar minha mão na sala escura e meu coração acelera ao seu toque. Se nós vamos encontrar Emmett, Edward tem que parar de me tocar. Meu coração batendo contra a minha caixa torácica vai totalmente nos entregar.

Nós nos aproximamos das vozes sussurrantes, um cheiro de erva desliza pela casa. Eles estão fumando maconha. Não vai demorar muito para ficarem loucos. Eu vejo um feixe de luz surgindo em nossa direção e suas vozes se calam. Eles já ouviram alguma coisa.

Eu lentamente arrasto as unhas contra a parede. Sem dúvida, o teatro de Emmett deixou as meninas bem assustadas. Eu ouço uma voz em pânico, provavelmente Alice, e depois outra. Eu posso sentir Edward rindo, seu rosto caindo na parte de trás do meu ombro. Eu faço isso de novo, e desta vez Edward bate a mão e arrasta contra o gesso oco.

"Vamos dar o fora daqui, isso não está mais divertido." Diz Alice, sua voz aumentando de volume à medida que se aproxima do corredor onde estamos nos escondendo.

"Alice, espere." Eu ouço Rose agora, seus passos cada vez mais altos também, seguidos pela batida pesada da pisada do meu irmão, tenho certeza.

"Oh, deixe-a ir." Jacob? Merda, o que Jacob está fazendo aqui? E onde está meu irmão?

De repente, uma forma maciça me agarra por trás e eu grito do topo dos meus pulmões, meu coração martelando no meu peito e sobrecarregada com pânico. Eu agarro com força em Edward enquanto ele amaldiçoa e tenta puxar-me para longe do que quer que esteja tentando me raptar. Eu ainda estou gritando, meus olhos fechados apertados quando eu percebo que alguém está chamando meu nome.

"Bella! Bella, abra os seus olhos!"

"Talvez você devesse esbofeteá-la".

"Vá se foder, Rose".

É a voz de Edward que me puxa do meu estado de histeria e eu abro um olho para encontrar meu irmão segurando meus ombros e sorrindo para mim como um idiota.

"De todas as coias estúpidas, fodidas, imbecis e de merda que você poderia fazer." Eu digo amargamente enquanto bato nele com cada insulto. "Eu quase tive um ataque cardíaco! Como você sabia que éramos nós?"

"Ouvimos vocês atravessando o cascalho." Emmett ri e eu tento bater nele novamente, mas ele agarra meu pulso para bloquear o golpe. Ele bebeu demais também, eu posso sentir o cheiro da cerveja em seu hálito. "Vamos, Bella! Foi um clássico".

"Você ainda é um idiota." Eu murmuro, irritada que ele tenha me feito gritar como um demônio.

"Você ainda é uma covarde." Emmett comenta.

"Então, o que vocês estavam fazendo antes de decidirem tentar me matar com um susto de gelar o sangue?" Eu pergunto, puxando meu braço para longe dele e tentando mudar de assunto.

"Invocando os mortos." Alice diz e eu levanto minhas sobrancelhas.

"O quê?" Pergunto a ela.

"Ela," Rose aponta acusadoramente para Alice, "trouxe um Tabuleiro Ouija*".

*O Tabuleiro Ouija ou Tábua Ouija, criada para ser usado como método da necromancia, é qualquer superfície plana com letras, números ou outros símbolos em que se coloca um indicador móvel, utilizada supostamente para comunicação com espíritos.

"É apenas por diversão." Alice defende, as mãos nos seus quadris. Ela deve ter visto Dirty Dancing no ano passado, porque ela está vestida exatamente como Baby com jeans colados e uma camisa branca de colarinho com um nó na frente e descobrindo sua pequena barriga. Ela está até mesmo usando um Keds* branco.

*Keds: tênis baixo de pano, parecido com um AllStar, mas mais feminino.

"Claro que é, é um brinquedo. É feito pela Parker Brothers, pelo amor de Deus." Edward comenta sarcasticamente.

"Onde está?" Eu pergunto, olhando ao redor e Alice pega a minha mão e me puxa pela porta baixa para a outra sala. Há uma grande lareira de pedra em uma das paredes e a luz da lua prateada mal consegue iluminar através das janelas sujas. O tabuleiro está no chão ao lado de um pacote de seis cervejas fechadas. Alice senta no chão ao lado do tabuleiro e eu faço o mesmo. Ela me entrega uma das cervejas fechadas e eu a abro, mas meu irmão a puxa da minha mão.

"Eu acho que não, mana." Emmett diz, antes de tomar um grande gole. "Você é menor de idade".

"Somos todos menores de idade." Eu defendo, mas Emmett balança a cabeça e engole o resto da minha cerveja, esmagando a lata e a jogando no canto com as outras.

"Ok, todos toquem no ponteiro." Alice instrui e Rose é a primeira a obedecer, depois Jacob e até mesmo Emmett sentam e cruzam suas pernas compridas. Eu olho para Edward, esperando que ele venha brincar, mas ele só olha pela janela.

"Edward?" Eu pergunto, mas ele balança a cabeça.

"Não, obrigado." Ele faz uma carranca. Jesus, o que o deixou irritado?

"Ok, então vamos fazer uma pergunta, e ver onde ele vai. Não coloquem nenhuma pressão em seus dedos. Vocês devem apenas deixá-lo descansar no ponteiro de plástico e ver o que ele diz." Alice termina de explicar. "Tudo bem, façam uma pergunta".

"Eu vou conseguir transar este fim de semana?" Jacob pergunta sarcasticamente e eu abandono o jogo. Eu prefiro descobrir por que Edward está chateado.

"O quê? É uma pergunta legítima." Jacob zomba por eu sair.

"Sim, uma que todos nós já sabemos a resposta." Eu respondo friamente.

"Eu sei, que tal, o pai de Bella descobrirá que ela abandonou o trabalho para vagabundear por aí com um menino?" Jacob zomba e eu quero torcer seu pescoço estúpido. Maldito seja! Como diabos ele sabe disso?

"Você abandonou a loja?" Emmett pergunta e eu encolho os ombros.

"E? O que, como se você nunca tivesse fugido do trabalho antes?" Eu acuso.

"Não, eu não fugi." Emmett rebate.

"Malditas luzes. É a polícia!" Edward interrompe freneticamente. "Eles parecem estar desacelerando na frente da casa".

Eu espio pela janela para ver o carro de polícia de Aro lentamente rastejando na frente da casa. Temos que sair daqui. Temos que sair agora. Ele vai dar a volta e voltar e meu pai vai me matar!

"É o Aro." Eu digo em pânico. "Saiam! Saiam por trás!"

Nós dispersamos, tropeçando no escuro e, assim que estamos do lado de fora, nós nos separamos. Edward fica comigo e nós corremos ao longo do lado da casa, à procura de um esconderijo. De repente, ouvimos o ruído de cascalho sob os pneus na entrada da frente. Merda, porra, merda, filho da puta!

Edward anda até um caminhão velho e enferrujado. Merda, ele quer se esconder lá. Eu ouço a batida de uma porta de carro, pés marchando através do cascalho e nós nos arrastamos em direção ao caminhão exatamente quando ele abre a porta e entra na casa.

Meu coração dispara quando eu subo rapidamente na parte traseira do caminhão. Eu deito plana no pequeno espaço enquanto Edward sobe atrás de mim. A cama está coberta com uma lona suja e minha camisa satura com lama quente e ferrugem. Espero que eu não precise de uma vacina antitetânica quando esta noite acabar. Eu não quero nem pensar sobre as cobras ou aranhas ou roedores que, provavelmente, vivem aqui. Meu único consolo é que talvez o sol quente faça com que esse seja um espaço inabitável.

A menos que você esteja fugindo da polícia, então é perfeitamente habitável.

Olho para Edward ao meu lado e tento não rir da confusão em que estamos. Com alguma sorte, Aro verá que ninguém está aqui e vai embora antes de qualquer um de nós ser encontrado. Então eu penso nas latas de cerveja vazias e a casa cheirando a erva e eu começo a entrar em pânico, meu peito arfando com suspiros frenéticos. A mão de Edward desliza sobre o meu estômago e vem para descansar entre os meus seios, bem em cima do meu coração.

"Shhhh." Ele sussurra em meu ouvido, seus lábios no meu lóbulo e depois em meu pescoço e eu sinto uma onda de calor escoar através do meu corpo. Oh Deus, que distração.

Viro minha cabeça para pegar sua boca, tentando permanecer o mais silenciosa possível enquanto nós nos beijamos. Suas mãos movem com carícias lentas e lânguidas sobre os meus seios, barriga, quadril e então entre as minhas pernas.

"Bem, o que temos aqui?" Uma luz brilhante nos cega quando a mão de Edward desaparece e eu aperto os olhos para ver a silhueta de uniforme, uma luz nos cega enquanto ele sorri, o brilho branco dos seus dentes fazendo com que meu estômago role.

"Porra." Edward murmura ao meu lado.

Sim, exatamente os meus sentimentos.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Meu pai anda de um lado a outro enquanto eu sento no sofá, meu polegar tentando apagar uma mancha de graxa na minha palma. Ele não disse nada desde que o Policial Aro saiu. Aro não nos prendeu, graças a Deus, e ele não encontrou qualquer um dos outros. Ele assumiu que Edward e eu éramos os únicos lá fora. Ele também assumiu que éramos responsáveis por todas as latas de cerveja vazias. Mas o Policial Aro conhece meu pai, por isso, em vez de nos levar para a delegacia, ele nos deixou na marina. Ele fez Edward ficar sentado na viatura enquanto explicava ao meu pai como ele nos encontrou passando dos limites e agora eu estou em apuros por muitos motivos, eu não sei nem mesmo qual explicar primeiro.

"Pai, eu juro, nós não estávamos bebendo." Eu imploro, esperando soar convincente.

Meu pai passa a mão sobre o seu queixo antes de colocá-las em seus quadris, seu olhar apertado, como se ele estivesse tentando descobrir isso. E então seu bigode treme.

"Não minta para mim, menininha. Eu sei de tudo o que acontece na minha marina Tudo. Eu sei que você saiu cedo do trabalho. Você roubou um carro para fazer só Deus sabe o quê com aquele menino, e depois você arrombou uma casa abandonada para ficar bêbada." Meu pai está furioso e lágrimas quentes de raiva começam a se construir por trás das minhas pálpebras.

"Aquele menino é o meu melhor amigo." Eu digo na defensiva. "E eu saí do trabalho mais cedo porque eu tinha estado lá o dia todo e eu estava cansada disso".

"É um trabalho, é claro que você estava cansada dele. O que diabos você está fazendo, Bella? Eu não a criei para se comportar dessa maneira." Meu pai aponta o dedo para mim e eu cerro meus dentes, o gesto tão condescendente que eu mal posso suportar isso.

"Você me criou para eu fazer o que você quiser, para aceitar ordens. Eu não quero trabalhar na loja. Eu não me importo com essa marina estúpida." Eu grito, mas meu pai simplesmente me para. Sem julgamento, sem apresentar o meu caso, ele só vai direto para a condenação.

"Nada mais de Edward. Você está de castigo e você não poderá deixar a marina." Meu pai estabelece a lei.

"O quê? Isso inclui a água, passeios de esqui e outras coisas?" Eu pergunto, espantada.

"Você não sai da marina." Meu pai late e eu quero gritar.

"Por quanto tempo?" Eu vou pirar, eu quero quebrar alguma coisa. Eu posso sentir minhas mãos trêmulas e eu estou morrendo de vontade de pegar algo que eu possa destruir.

"Pelo tempo que for preciso." Meu pai diz, mais uma vez o dedo estúpido me provocando quando ele o enfia no ar.

"Isso é uma grande merda!" Eu grito.

"Olhe o seu palavreado, mocinha!" Meu pai rosna.

"Oh, o que, Emmett pode xingar, mas eu não posso? Emmett pode fazer o que diabos ele queira por aqui e você simplesmente o ignora. Eu odeio viver aqui!" Eu corro para o meu quarto e bato a porta, procurando algo para quebrar. Meus olhos caem nas minhas garrafas de vidro e, por um minuto, eu me visualizo as jogando na parede e as observo quebrarem. Em vez disso, eu desmorono na minha cama, escondendo minha cabeça em meu travesseiro e deixando minhas lágrimas ensoparem meus lençóis, ofegando no algodão macio que cheira à minha mãe.

Emmett bate na minha porta um pouco depois da meia-noite. Eu conto a ele o que aconteceu e ele tenta me fazer sentir melhor oferecendo-se para lavar toda a roupa na próxima semana, mas não adianta. Eu não estou autorizada a ver Edward e eu estou arrasada. Até o momento em que eu estiver livre de novo, Edward terá ido embora e o verão terá terminado.

Edward me visita na loja na parte da manhã, compra um chiclete para que ele possa defender a sua posição como um cliente. Ele não teve problemas com nada. Seu pai lhe deu uma palestra sobre o consumo de álcool e o que ele faz para o corpo e só isso. Quando eu digo a ele que eu não tenho permissão para vê-lo, ele fica furioso e quer marchar para o escritório do meu pai e confrontá-lo, mas eu digo a ele que não. Isso só vai piorar as coisas. Meu pai não volta atrás, nunca.

Edward não pode suportar isso. Naquela noite, ele está em minha janela. Mesmo eu sabendo que não deveria, eu não consigo me impedir de destravar a minha tela e deixá-lo entrar. Jogamos Uno e Edward resolve meu cubo de Rubik*, e depois faz isso mais três vezes quando eu o acuso de ter roubado. Às vezes, ele me traz sorvete ou Pixy Stix. Eu digo a ele sobre minhas aulas de fotografia e ele me diz sobre o basquete. Nós argumentamos e rimos e discutimos as coisas mais estúpidas, sussurrando sob o zumbido do INXS e Bon Jovi e o resto das bandas da minha fita com meu sapato enfiado debaixo da porta, no caso meu pai decidir invadir sem bater.

*Cubo de Rubik, também conhecido como cubo mágico, é um quebra-cabeça tridimensional, inventado pelo húngaro Ernő Rubik em 1974.

Nós fazemos outras coisas também.

A primeira vez que Edward me dá um orgasmo, eu rio descontroladamente. Eu li na Cosmo que deveria ser como uma explosão e então eu sempre imaginei um vulcão em erupção, ou fogos de artifício, saindo da minha vagina. A Cosmo não mencionou que isso poderia fazer todo o meu corpo se debater como um daqueles peixes pulando sob o píer. A Cosmo não mencionou os tremores posteriores, ou a severa sensibilidade, ou os sons ridículos que sairiam da minha boca. Então, quando Edward usou os dedos para me fazer gozar, todas as coisas embaraçosas que meu corpo estava fazendo, combinadas com a imagem de fogos de artifício na virilha me deram um péssimo acesso de risadas apenas alguns segundos após o desaparecimento do formigamento eufórico. Edward fica todo triste no começo, mas eu rastejo em seu colo e explico e ele ri também.

Eu gosto de brincar com Edward. Ele é gentil e brinca com o meu cabelo enquanto nos beijamos, o que faz tremer o meu couro cabeludo. A maneira como ele me toca é realmente muito especial, como se ele estivesse lidando com algo que ele quer cuidar. É sempre lento e persistente e apaixonado e eu não posso sequer lembrar de me sentir tão acarinhada como eu me sinto quando estou com ele.

Isso meio que assusta completamente.

Edward vem na noite anterior a que ele deveria ir embora. Ele está usando suas roupas do rio, shorts jeans e camiseta regata, e seu cabelo está escondido sob um boné do Chicago Bulls. Ele está quieto e sombrio quando sobe na minha janela e eu posso dizer que esta não será uma noite cheia de risadas e mãos bobas.

Ele senta na minha cama, um pequeno saco de presente em suas mãos e olha para o papel de seda rosa pálido. Eu sorrio porque rosa não é nada a minha cor. É muito feminino e suave, e isso simplesmente não sou eu. Eu sou dura, vibrante, vermelha e laranja em negrito, como o céu ao entardecer, ou como as camadas de sedimentos que o rio tem.

Edward não diz nada, apenas aponta para o papel em seu colo. Eu não quero gastar nossa última noite juntos toda triste.

"Você está bravo comigo, ou algo assim?" Eu pergunto, meu tom agudo e acusador e não é como eu quero soar.

"Por que você não ligou?" Edward pergunta e eu olho para ele, confusa. "No ano passado, quando eu te dei meu número de telefone, por que você não ligou?"

"É ligação de longa distância." Eu murmuro, mantendo as outras razões para mim. Ele não precisa saber como a mera menção de ligar para ele faz meu coração apertar no meu peito e envia um fogo queimando através das minhas veias e que eu desmorono quando ouço músicas que me lembram dele. Isso só o fará sentir-se obrigado e isso seria injusto para nós dois.

"Emmett ligou, e ele escreveu cartas. Cartas são praticamente de graça." A testa de Edward vinca, formando dois dentes finos de frustração.

Mesmo que eu queira negar, há esse pequeno inseto que continua sussurrando em meu ouvido para simplesmente ser honesta e explicar por que eu tenho que dobrá-lo em uma pequena caixa organizada, por que eu não posso ligar para ele e fingir que tudo entre nós está bem. É porque não está bem. Eu não estou bem. E se ele estiver muito ocupado para me escrever de volta? É fácil ignorar coisas que não estão bem na frente do seu rosto.

"Eu realmente sinto sua falta quando estou em casa." Edward diz calmamente. "Quando você não ligou, eu pensei que, talvez... você não quisesse mais ser minha amiga".

"Amiga?" Eu pergunto. Eu olho para Edward para encontrá-lo olhando para mim, seus olhos verdes familiares segurando uma dor familiar.

"Você sabe que é mais do que isso".

Eu olho para as minhas mãos, forçando-me a não chorar.

"Bella, eu-" Edward começa e eu não quero ouvi-lo dizer isso. Se eu ouvi-lo dizer isso, então é real e só vai tornar tudo muito pior quando ele for embora amanhã, e ele vai embora. Isso é uma certeza.

"Não!" Eu grito, apertando meus olhos fechados como uma criança de cinco anos dando uma birra. "Não diga isso. Só vai tornar tudo insuportável".

"Insuportável?" Seu rosto se desfaz e tudo simplesmente derrama.

"Quando você vai embora, é insuportável. E se você disser o que eu acho que você vai dizer, só vai tornar as coisas muito mais difíceis. Eu amo nossos verões. É tudo no que eu posso pensar, é tudo para o que eu vivo, mas não é a realidade." Eu tento explicar. Eu quero que Edward saiba que eu me importo com ele, e o quão feliz esse tempo com ele me faz. Mas eu vou lidar com a realidade por conta própria.

"Por que isso é tão difícil? Em casa, quando eu gosto de uma menina, peço a ela para sair e pronto, está feito. Mas com você, é tão diferente. Tudo é tão diferente." Edward diz. Meu peito palpita e eu trago a minha mão para cima para parar o tremor, como se eu estivesse tentando manter meu coração dentro do meu corpo.

"Você está certo. Isto não é como na sua casa." Eu sussurro, as lágrimas em meus olhos. Eu viro o rosto para ele. Sua cabeça inclina contra a traseira do meu sofá-cama, seus olhos presos ao teto enquanto seus cílios escuros piscam furiosamente. Uma minúscula lágrima desliza pela sua bochecha, e depois outra e eu só quero engatinhar em seu colo e pressionar meu rosto em seu pescoço e sentir seus braços em volta da minha cintura. Mas é tarde demais para isso agora.

Eu aliso meu polegar sobre a ponte do seu nariz, os pequenos flocos de pele descascando rolando sob a ponta do meu dedo. Ele fecha os olhos, seu rosto se virando no meu toque, outra lágrima deslizando das suas pálpebras.

"Eu não espero nada de você, Edward. Eu não sei o que tudo isso entre nós significa. Eu não sei o que fazer ou como me sentir sobre você. Eu só sei que eu gosto quando eu estou com você. Eu gosto da maneira como você me faz sentir. E eu sempre serei sua amiga. Não importa o que aconteça, ok? Nós seremos amigos." Edward olha para mim e eu não sei o que ele está pensando.

Ele não diz uma palavra quando ele me entrega o presente. Removo o papel de tecido e puxo uma garrafa. É alta com um pescoço grosso e a boca tampada, tem letras brancas pintadas contra o vidro. Ela está preenchida com areia e seixos, um galho de pinheiro verde e um punhado de grãos de café presos dentro da água turva.

"Big Red*, hein?" Eu leio e Edward dá de ombros.

*Big Red: Grande Vermelho, na tradução literal.

"É como me chamam na minha cidade." Edward diz timidamente. "Você sabe, por causa do cabelo vermelho".

"Eu não entendi isso." Eu admito, segurando a garrafa e me sentindo como uma total idiota.

"É Seattle. Veja, há um graveto e uma pedra da floresta, areia e água de Alki Beach, grãos de café porque, bem, todos em Seattle bebem café e está tudo embrulhado em uma garrafa. Big Red. Eu." Edward explica e eu fico sem palavras.

"Edward, eu... eu não sei o que dizer." Eu sussurro, o significado do presente pesando no meu peito. "Eu amei isso. É perfeito".

"Eu pensei que talvez você pudesse colocá-la junto com a sua coleção." Ele diz e eu imediatamente a coloco junto à minha caixa de jóias. Eu sufoco um soluço que está queimando no meu peito e escondo o meu rosto dele. Não chore, Bella. Não chore.

"Sinto muito, Bella. Sinto muito por eu viver tão longe. Sinto muito que eu não possa levá-la ao baile, ou em encontros. Sinto muito que você esteja triste. Eu simplesmente sinto muito." Edward diz. Eu não quero que Edward sinta pena de mim. O pensamento me deixa doente, Edward em Seattle, cercado pelas suas namoradas e seus amigos atletas e sentindo pena da pobre menina da pequena cidade com quem ele brincava no rio.

"Não sinta." Eu digo com muito orgulho, voltando-me para encará-lo finalmente. "Eu ficarei bem, Edward. Não sinta pena de mim".

"Não é isso que eu quis dizer." Edward murmura. "Por que parece como se estivéssemos terminando, ou algo assim?"

Sua pergunta me espanta, porque enquanto eu nunca pensei em Edward e eu como um casal de verdade, isso é exatamente o que parece.

"Edward, nós não estamos terminando. Nós nunca estivemos juntos. Você não pode perder algo que você nunca teve." Sento-me na minha cama e deixo meu ombro cair contra ele.

"Você ainda é minha amiga, certo? Você promete que seremos sempre amigos?" Edward sussurra e eu não posso mais suprimir as lágrimas. Eu lambo meu polegar, lágrimas rolando silenciosamente pelo meu rosto e seguro levantado o meu dedo mindinho trêmulo.

"Promessa de dedinho*".

*Promessa de dedinho (Pinky promise): é uma promessa feita entre dois amigos próximos que não pode ser quebrada nunca. Ela é selada quando as duas pessoas lambem o dedo mindinho e os cruzam.


Nota da Autora:

Parece haver alguma confusão quanto à quantos anos Bella tem e em que ano na escola ela está. O número do capítulo coincide com a idade de Bella durante o verão antes do seu aniversário em setembro. Capítulo 1, ela tem 11, Capítulo 2, ela tem 12 anos, e assim por diante... Edward é sempre um pequenino ano mais velho que ela porque seu aniversário é em junho.

Eu baseei o ano de Bella, Jacob e Edward na escola como todos eles tendo nascido em 1971 e começando o jardim de infância quando tinham feito cinco anos. Portanto, este capítulo é o verão antes do último ano deles do ensino médio. Classe de 1989!


Nota:

Ai ai, Edward e Bella se descobrindo é realmente "quente"... e papai Charlie é realmente "linha dura" com Bella, mas ainda bem que Edward consegue se esgueirar pela janela e passar um tempo com ela. A cada despedida, mais tristeza em nossos corações, não é?!

Próximo capítulo na sexta-feira, se chegar a pelo menos 700 reviews.

Bjs,

Ju