N/A: Atualização de mentirinha, porque este capítulo já estava escrito há tempos. :3 Na verdade, eu estou em hiatus para o concurso de fic de WK, mas enquanto eu não desempaco lá, eu continuo por aqui.
Dedicado à Paty (Maho), que merece cada linha da fic!
Disclaimer: Weiß Kreuz não me pertence.
Monopoly
Capítulo 07
Na manhã que se seguiu a incrivelmente proveitosa noite na piscina, Schuldig rolou para o lado, cruzando os braços sobre o tórax do americano e apoiando sua cabeça sobre o mesmo, olhando o executivo que ainda dormia.
Memórias maravilhosas da noite anterior voltaram à sua mente, e o advogado se encontrou de olhos fechados, repassando tudo que havia acontecido dentro da sua cabeça; ele estava certo quando deduziu que Crawford era excelente companhia e muito melhor na cama. Schuldig tinha o talento para descobrir tais coisas. Ele também havia ganhado uma pequena amostra do que o aguardava quando se divertiram em pleno escritório do executivo.
De repente, o alemão sentiu-se observado e abriu os próprios olhos, encontrando o americano desperto e olhando para ele de forma atenta. Um sorriso satisfeito tomou seus lábios lentamente, enquanto ele mudou de posição para beijar o outro homem languidamente.
- Guten Morgen. 1
- Bom dia, Schuldig. - Brad retribuiu, descendo uma das suas mãos pelo lado direito do corpo do advogado e parando na sua cintura - Parece bem-disposto.
- Mas eu estou. Uma noite de sexo incrível sempre me deixa feliz de manhã.
O executivo deu um sorriso quase imperceptível.
- Entendo. - Brad rapidamente mudou de posição, ficando por cima do alemão como na noite anterior, sua face a milímetros do outro homem - Sexo me deixa com fome.
Um sorriso estonteante antecedeu a resposta de Schuldig:
- Isso é um convite?
- Um convite para você me mostrar onde é a cozinha.
- Mas você conhece a sala, a suíte principal e a piscina... São os melhores lugares da casa. Não, espere. - ele puxou o americano para si, seus lábios colando e abrindo em perfeita sincronia, deixando que cada um explorasse a boca quente e já tão familiar do outro - Você precisa conhecer o banheiro da suíte. - ele acrescentou, lambendo os próprios lábios após se separarem para respirar, ganhando um olhar de aprovação de Brad.
- Depois do nosso café-da-manhã. - o americano saiu de cima do corpo do outro homem, sentando-se na beirada da cama e vestindo um roupão extra que estava no quarto por coincidência. Ou não tão coincidência assim, afinal, aquela era a casa de Schuldig. E ele havia planejado tudo muito bem.
- Ja, ja. Você realmente está com fome, Bradley.
- Claro. Eu nunca estou satisfeito, Schuldig.
O alemão só se levantou da cama com a última resposta do executivo, que agora colocava os óculos que haviam deixado seu rosto durante toda a noite. Enrolando uma mecha de cabelo cor de fogo no dedo indicador, o advogado sorriu.
- Aaah, Bradley. Não diga essas coisas logo cedo.
- Como você quiser, Schuldig.
Finalmente, o anfitrião vestiu um roupão idêntico ao de Brad e caminhou para a porta do quarto, que havia ficado aberta quando ambos vieram da piscina. Naquele exato momento, seu corpo foi bruscamente jogado contra a superfície de madeira, sua boca vorazmente devorada pelo americano:
- Já disse que é Crawford.
Sem mais palavras, o executivo saiu para o corredor, e Schuldig logo o seguiu e passou a liderar o caminho. Se cada vez que ele desobedecesse uma ordem do outro homem fosse ser castigado daquele jeito, Schuldig não planejava ser nada obediente.
Os dois sentaram-se na imensa sala de jantar no andar inferior da cobertura, ligando a televisão e ouvindo o jornal da manhã, mas sem prestar total atenção ao mesmo. Brad serviu-se de café extremamente forte e sem açúcar, fazendo Schuldig torcer o nariz.
- Você vai ter problemas de estômago.
- Preocupado com a minha saúde? - o americano perguntou, sorrindo e virando a cabeça na direção da televisão que informava sobre um engavetamento no centro da cidade.
- Claro. Qualquer coisa que possa interferir na sua saúde me preocupa. Nunca se sabe o quanto isso pode influenciar a sua performance à noite... - o alemão inclinou-se para a frente e esticou um dos braços, virando o rosto do executivo para si e acrescentando um dos seus maravilhosos sorrisos nada inocentes.
Antes que o americano pudesse elaborar uma resposta, ambos ouviram um nome conhecido no jornal: "Fujimiya". Quase no mesmo instante, os dois se viraram para a televisão, acompanhando o desdobramento do caso.
- ...As últimas informações constam que Fujimiya Ran, irmão da vítima, está determinado a processar a firma de Takatori Reiji pelo acidente. Segundo o professor de história da faculdade de Tokyo, ele já tem planos formados, e não acredita que Takatori saia ileso do incidente. A empresa ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. A garota em coma, Fujimiya Aya, ainda não deu qualquer sinal de que irá voltar ao estado consciente.
Schuldig e Crawford se entreolharam, mas sem sorrisos dessa vez.
- Takatori ainda não se pronunciou oficialmente? - inquiriu o advogado, removendo a sua mão e usando-a para espalhar geléia em uma fatia de pão.
- Não. E muito provavelmente, não o fará até alguma medida legal ser tomada.
Aparentemente, o rosto do alemão não conseguia ficar muito tempo sem um sorriso, de forma que um logo se formou, torcendo os lábios extremamente viciantes do advogado em segundos.
- Ah, mas isso acontecerá em breve, muito breve.
Crawford tomou um gole do café da sua xícara, olhando intensamente para Schuldig.
- Você está insinuando alguma coisa, Schuldig? - ele perguntou, pousando a xícara de volta na mesa e não tirando os olhos de cima do outro homem.
- Talvez. - o alemão replicou, inclinando-se para trás e apoiando a cabeça no encosto da cadeira, fechando os olhos enquanto mordia a fatia de pão. Se Crawford não estivesse tão preocupado com as palavras que o outro homem havia acabado de dizer, ele provavelmente olharia com apreço para a forma lânguida de Schuldig quase deitada na cadeira, o simples ato de comer se transformando em algo tão sensual.
- Your "maybe" sounds like a "yes" to me. 2
- Você já me conhece bem o suficiente para saber isso, não é? - o homem de cabelos laranja abriu os olhos, terminando a sua fatia e se levantando, seus movimentos sendo acompanhados pelos olhos escuros do outro homem.
Schuldig parou ao lado de uma cristaleira na sala de jantar, abrindo uma pasta preta que Crawford reconheceu como a que o alemão carregava quando ia ao seu escritório. Ele a abriu e retirou alguns papéis de dentro, fechando-a e voltando para a mesa logo em seguida. Sentou-se elegantemente, jogando os papéis no meio da mesa.
Os mesmos foram ignorados em detrimento de uma foto, que estava por cima das outras folhas. O executivo observou a pessoa na foto: era um bonito homem, de cabelos também compridos mas de cor cereja, trançados e jogados para frente, apoiados no seu ombro direito. De tom de pele quase pálido, seus olhos eram extremamente chamativos, além de serem de uma tonalidade quase impossível: violeta.
Óculos normais estavam pendurados na gola da sua camisa, que tinha o último botão não abotoado; atrás dele, um imenso bloco de concreto, e alguns outros ao redor, pelo que se via na foto. Ele parecia feliz, ou satisfeito, pelo que Brad podia deduzir pelo pequeno e quase imperceptível sorriso no rosto do outro.
- Brad Crawford, Ran Fujimiya. Ran, Brad. - o alemão falou, apresentando os dois e fazendo com que o americano erguesse a cabeça para fitá-lo.
- Este é Fujimiya Ran?
- Ja. O belíssimo Fujimiya Ran, como pode ver.
O jeito que o outro homem estava se portando começava a deixar Crawford incomodado. Muito incomodado. Alguma coisa estava acontecendo.
- Não quer saber por que eu tenho uma foto dele, Bradley?
- É Crawford. E não sei por que pergunta, se é óbvio que quer falar.
Schuldig sorriu, mostrando seus dentes brancos e perfeitos.
- Fujimiya tem planos para derrubar Takatori, certo? E ele sabe que isso só vai ser possível se ele recorrer ao melhor advogado.
O americano balançou a cabeça afirmativamente. As coisas estavam fazendo sentido agora.
- E você aceitou o caso?
- Ainda estou pensando. - o alemão se levantou, dando a volta na mesa e parando atrás do outro homem, deslizando suas mãos pelo seus ombros e depois pelo seu tórax, parando quando estava com a sua cabeça apoiada no ombro esquerdo de Crawford. Sua voz agora não passava de um sussurro, seus lábios muito perto da orelha do americano.
- Pensando?
- Eu só aceito casos onde o meu cliente tenha potencial... - ele explicou, mordendo o lóbulo da orelha de Brad - Mas isso vai colocar em risco o seu trabalho.
- Quanta consideração.
- Mas não podemos negar que Fujimiya tem potencial. De sobra.
Brad sorriu ligeiramente, ouvindo o pequeno gemido que Schuldig deixou escapar logo depois de olhar para a foto e terminar seu raciocínio.
- Decerto.
- Mas ele está oferecendo o que eu quiser para pegar o caso. Então a minha idéia é a seguinte: ofereça mais que ele e me impeça de ajudá-lo. Porque se eu aceitar, sua carreira naquela empresa está terminada... Bradley.
Schuldig literalmente não viu o que aconteceu, mas quando se deu por si, estava no chão, seu roupão praticamente aberto e o corpo de Brad estava novamente sobre o seu.
- É Crawford.
A voz fria do americano atingiu seus ouvidos antes de sentir os dentes do mesmo afundarem no seu pescoço e as mãos do outro homem descerem pelo seu corpo quente, em chamas por antecipação e completamente entregue.
Agora, Brad Crawford estava devidamente apresentado à sala de jantar da casa de Schuldig também.
Nagi acordou com uma dor de cabeça violenta no sábado. Ele torceu o nariz; toda vez que ele acordava daquele jeito, alguma coisa não dava certo no dia.
Esfregando os olhos, ele se levantou da cama, preguiçosamente se arrastando até a cozinha. O pequeno moreno não sentia vontade de cozinhar, e desejava que toda a comida se aprontasse em um gesto simples da sua mão.
Vendo que aquilo não ia acontecer, ele colocou água para ferver enquanto checava as mensagens na sua secretária eletrônica. Eram todas da noite de sexta-feira: a primeira era um engano, a segunda era de Schuldig, dizendo que Crawford havia acabado de chegar no prédio dele e estava subindo pelo elevador e a terceira era de... Tsukiyono Omi? De onde havia surgido aquela pessoa? Deveria ser um engano. Franzindo o cenho, ele apertou o botão para repetir o recado.
- Naoe Nagi? Aqui é Tsukiyono Omi, irmão de Fujimiya Ran. Estou ligando para pedir uma resposta de Schuldig-san assim que for possível a respeito do caso de Fujimiya Aya. O irmão dela pede urgência. Era isso, muito obrigado e tenha um bom dia.
Nagi esfregou a testa com o dedo indicador em círculos. Como alguém tinha seu telefone? As únicas pessoas com quem ele tinha contato eram sua irmã, o noivo dela, Schuldig e agora... Aquele tal de Tsukiyono Omi.
Ele decidiu que a melhor atitude era ligar para o próprio "chefe", para descobrir se ele havia passado seu telefone. Ele pegou o fone da base e discou o número da casa do advogado, largando-se no sofá. O telefone tocou e ninguém atendeu.
Nagi tentou mais algumas vezes, até se dar por vencido e concluir que seu brilhante superior deveria ter desligado o próprio telefone ou qualquer outra coisa que pudesse a vir interferir na sua esperada noite com Crawford.
Suspirando, ele discou um segundo número bem familiar, e ao contrário das suas tentativas fracassadas anteriormente, dessa vez a ligação foi atendida.
- Naoe Nanase.
- Ne-chan. 3 Pode falar?
- Nagi-kun, claro que posso. Não muito, eu tenho que desligar porque vamos entrar em um templo logo, logo.
- Wakatta 4. Ne-chan, você conhece algum Tsukiyono Omi?
- Tsukiyono Omi? Iya...
- E o Farfarello?
- Deixa eu ver. - ele ouviu a irmã perguntando rapidamente para o noivo se ele reconhecia o nome - Também não. O quê houve, Nagi?
- Alguém pegou o meu telefone sem eu saber como.
A irmã mais velha do jovem secretário riu.
- Ah, Nagi-kun! Não se preocupe! Você trabalha com alguém famoso, isso acontece.
- Nanase. Eu acordei com dor de cabeça hoje.
- Não há de ser nada. - ele ouviu Farfarello dizendo alguma coisa sobre realmente precisar desligar o telefone - Eu tenho que ir.
- Hai hai. Ja ne. Quando você vem para Tokyo?
- Assim que a nossa viagem por Kyoto acabar. Mas lembre-se que vamos para o Peru depois!
- Eu lembro.
- Bom, tenho que ir! Se cuida, Nagi-kun.
Antes que o secretário pudesse esboçar qualquer reação, o som de linha ocupada encheu seus ouvidos. Suspirando, ele devolveu o telefone para a base e encarou a parede branca da sua sala, na esperança de que ela lhe dissesse quem era Tsukiyono Omi. Schuldig não era cuidadoso ao extremo em relação a negócios e clientes, e advocacia era um campo de trabalho que tinha seus jogos de influência e tráficos de poder; poderia ser perigoso.
Mas como sempre, isso tudo era deixado para que ele resolvesse; e o alemão levava o crédito pela sua eficiência. Nagi duvidava que Schuldig estaria no seu atual posto se ele não tivesse ajudado durante todos esses anos.
Arregalando os olhos, o moreno pulou do sofá, correndo para a cozinha. A água que havia deixado no fogão estava borbulhando perigosamente, e ele correu para desligar o fogo. As coisas não estavam indo muito bem.
Quando Naoe Nagi acordava com dor de cabeça, seu dia definitivamente não ia bem.
1 Bom dia.
2 Seu "talvez" soa como um "sim" para mim.
3 Jeito usado para chamar a irmã mais velha.
4 Entendido.
Continua...
N/A²: E olhem o Farfarello, que nem ia entrar na história mas acabou aparecendo. E o Nagi tem uma irmã. oo Bom, eu prometo que Schuldig e Brad continuarão sendo o tema central, talvez com a adição de Aya a esse problema? Hmmm.
Obrigada por todas as reviews e até o próximo capítulo!
Mari-chan.
