Ola meus amores!
Mais um capitulo para vocês.
O trecho da música desse capitulo é da banda Evanescence e se chama Lost In Paradise.
Bjos e até a próxima.
"A verdade é uma coisa bela e terrível, por isso deve ser tratada com grande cautela."
— Harry Potter e a Pedra Filosofal - J.K. Rowling
Ela não sabia se estava viva ou não, sentia apenas um vazio ao seu redor controlando tudo desde seus sentidos até seus sentimentos. As lembranças era a única coisa que conseguia ter para acalenta-la e foi nela que se segurou.
FLASHBACK
O dia havia amanhecido nublado fazendo com que Cassandra olhasse pela janela com certo aperto no peito. Seu pai anda pela casa arrumando os últimos pacotes da mudança.
Sua mãe ainda não havia voltado ainda. Na noite anterior, ela tinha saído dizendo que iria comprar algumas coisas no mercado. Entrou pela porta do quarto, lhe beijou a fronte e lhe entregou o cordão que a mesma sempre carregava com sigo. E logo saiu novamente a deixando só.
FIM DE FLASHBACK
Uma despedida. Na época não tinha pensado nessa possibilidade. Quando o telefone do pai tocou naquele momento dando a noticia, ela não pensou em mais nada. Algo lhe tinha sido arrancado. Nem mesmo o abraço terno do pai foi capaz de consola-la.
O enterro foi feito no mesmo dia e na parte da noite partiram daquela pequena cidade no interior de Minas em direção a São Paulo. Na época seu pai lhe disse que foi um acidente de carro, no qual o veiculo tinha derrapado na pista por causa da chuva da noite anterior. Cassandra por mais que tentasse não conseguia lembrar se havia ou não chovido, mas como era pequena simplesmente assimilou a informação como verdadeira.
"Acha mesmo que um acidente de carro pudesse matar uma amazona bem treinada? Tola." As palavras daquele ser sem rosto se repetiam a forçando a ir e vim dentro das memórias daquele trágico dia. Seria possível escapar daquele ciclo? Ela não tinha certeza.
*~v~*
A busca pelo bosque parecia não dar em lugar nenhum. Era como se a jovem tivesse desaparecido. Em um local marcado Aldebaran e Milo voltaram a se encontrar. Nenhuns dos dois tinham a encontrado e a noite de lua nova não ajudava nas buscas.
–Quem sabe Mu ou Shaka possam nos ajudar? Estamos praticamente cegos aqui. –O escorpiano falou para o companheiro tirando um galho que estava em sua frente para abrir caminho.
Antes que Aldebaran pudesse responder, ele e Milo sentiram o cosmo de Shaka próximo e foram em direção a ele. Ao chegarem viram o virginiano usando seu cosmo nas inúmeras feridas sobre o corpo de Cassandra.
O rosto da jovem estava pálido pela provável perca de sangue, suas roupas estavam em frangalhos como se algo muito afiado a tivesse perfurado em diversas direções. O taurino a olhou com tristeza, como alguém pode ter sido tão cruel a ponto de atacar alguém com tão pouco treinamento como ela? Só teriam aquela resposta quando acordasse.
–Quem quer que seja já se foi. –Disse o guardião da sexta casa colocando a ariana nos braços. Ele parecia ter lido o pensamento dos companheiros, principalmente o de Milo que olhava para todos os lados em busca do autor do ataque. - Vou leva-la para virgem. A colocarei em minha responsabilidade.
–O grande mestre já sabe sobre o que aconteceu?-Milo parecia incerto sobre aquela decisão do amigo, mas nada disse. Shaka sabia ser muito enigmático às vezes.
–Sabe. Ele me pediu para vim averiguar o que aconteceu.
–Temos que avisar as meninas que a encontramos. Elas devem está preocupadas.
–É verdade. Vamos indo, mais tarde passamos em virgem para saber noticias.
O virginiano assentiu e com a jovem partiu em direção as doze casas. Aldebaran e Milo foram em direção contraria.
*~v~*
Na praia, todos estavam apreensivos. Camus ficou dez vezes mais sério quando sentiu o cosmo de Shaka. Se ele tinha interferido aquilo não era apenas um mero acontecimento.
Novamente ele olhou para Katrina. Ela apertava uma mão contra a outra e olhava em direção ao mar, como se ali estivesse à solução de todos seus problemas. Ele sentiu naquele momento uma imensa vontade de ir até ela e envolve-la com seus braços e afirmar que tudo se resolveria, mas tentava afastar de si aqueles pensamentos e sentimentos.
Quando Milo e Aldebaran voltaram todos olharam para ambos como se eles tivessem todas as respostas.
–A encontramos. –Um suspiro de alivio preencheu o ar. Katrina ainda olhava para eles sabendo que aquilo não era tudo. Aldebaran continuou: - Ela foi atacada por alguém, não é possível dizer ao certo quem foi ou o porquê.
Antes que a escorpiana caísse no chão, Agacia a segurou ajudando-a a se sentar. O dia alegre havia se tornado sombrio e não entendia o motivo.
–Onde ela está?-A voz da escorpiana saiu com certa dificuldade. Ela estava muito abalada. Cassandra era uma pessoa que mesmo apesar dos apelidos que colocavam sobre ela, nunca havia dado motivo para que ninguém a ferissem.
–Shaka a levou para a sexta casa. Ficou responsável por cuidar dela até se recuperar. Posso leva-la até lá. –Milo respondeu do melhor modo que pode. Sabia como era sentir como se quase tivesse perdido um companheiro.
–Acho melhor não. –A voz de Agacia parecia autoritária como se fosse uma mãe mostrando o jeito certo de fazer certa coisa. - Ambas precisam descansar. Não vai adiantar nada ir até lá se ela ainda não está bem. Precisa ser forte por ela e por você também. Cassandra não iria gostar de te ver apática.
Camus olhava para ambas garotas em busca de ver qual seria a reação da novata. Kat apenas concordou aceitando a ajuda de Tara para se manter em pé.
A caminhada a vila das amazonas foi devagar e silenciosa. Aldebaran ia à frente abrindo caminho seguido das meninas e mais ao fundo por Milo e Camus, com o escorpiano colocando o amigo a par dos fatos.
Ao chegarem na entrada da vila, despediram-se rapidamente um dos outros. Katrina precisava de um bom banho, uma bela noite de sono e alguém que pudesse está ao seu lado naquele momento.
*~v~*
Quando seu mestre adentrou a sexta casa, Shun foi prontamente recebe-lo. Sentia que algo o incomodava, mas não conseguia saber o que. Quando viu Cassandra ferida nos braços de Shaka, soube que aquela sensação estava relacionada com o que aconteceu.
–Shun peça que uma das servas prepare um banho com ervas medicinais, uma roupa limpa para ela e curativos.
–Sim.
Andrômeda não perguntou nada ao dourado sabendo que a prioridade era a saúde da jovem. Quando tudo estivesse em seu lugar, ele falaria exatamente o que aconteceu sem ser necessário perguntar.
Micea a serva do templo, tomou o corpo da jovem delicadamente dos braços do virginiano. Limpou gentilmente as feridas espalhadas pelo corpo da mesma, pensava o quanto a vida de cavaleiro era perigosa, principalmente para as mulheres. A colocou na cama e a secou com o máximo de cuidado para depois fazer os curativos. Pensava em como seria sua filha se está tivesse chegado a nascer. Quando terminou foi em direção ao salão principal, anunciar ao mestre que tinha terminado, deixando ele e seu pupilo a sós.
Após retirar o elmo da armadura de virgem, Shaka contou tudo que tinha acontecido ao jovem que cada vez que ouvia ficava mais assustado.
–Mais uma guerra está preste a começar não é mestre? –Andrômeda tentava não pensar negativamente, mas era impossível. Mesmo não gostando de ferir os outros, protegeria aqueles que amavam.
–Sim. Temos que descobrir antes que ela comece sobre qual é a ligação daquele que a atacou com ela, mas isso não será possível no momento. É necessário que se recuperar primeiro do que aconteceu. Estou indo comunicar o que ocorreu ao grande mestre, cuide dela enquanto eu estiver fora.
–Sim.
Recolocando a parte de cima da armadura, o virginiano partiu. Shun se dirigiu ao quarto de hospedes para a qual Cassandra havia sido levada. Ela esta pálida, diferente da aparência cheia de vida e energia de quando a havia conhecido. Sentando em uma cadeira perto da cama, o cavaleiro falou baixinho como se fosse uma oração:
–Melhore logo.
*~v~*
Quando Shaka adentrou o salão do décimo terceiro templo, Shion já o esperava. Ao contrario da maioria das vezes, ele estava sem o elmo cobrindo seu rosto. Quando o joelho do cavaleiro tocou o chão em uma reverencia, ele acenou dando permissão que se fala.
–Como foi pedido fui investigar a origem do cosmo. Ao chegar no local encontrei uma das aprendizes que chegaram nessa semana, a de cabelos acobreados. –Naquele momento uma imagem de Cassandra passou pela mente do lemuriano. -Seu corpo apresentava vários cortes feitos de alguma arma afiada. Não havia sinal do inimigo, apenas um pequeno sinal de sua passagem, marcas que houve perseguição e rastros de um cosmo energia pesada.
Shion não disse nada de imediato, parecia refletir sobre as informações que tinha. Andava de um lado para outro. Aquilo era um mal sinal. Não haviam sentido presença de cosmo inimigo, se não fosse pelo ataque talvez nem saberiam que alguém havia invadido.
–Me deixe a par do estado da aprendiz. Comunicarei a Shina e Marin sobre o caso. Pode se retirar.
Com aquelas palavras, o cavaleiro deixou o grande mestre sozinho.
–Qual será o interesse do inimigo por ela. Não entendo.
–Falando sozinho Shion?-Naquele momento um homem de baixa estatura adentrou o recinto com um grande sorriso que aos poucos foi deixando o rosto de seu dono ao ver o estado do outro.
–Estou tentando entender à situação que estamos prestes a entrar. –O lemuriano relaxou mais sua expressão ao ver Dohko. O chinês cuja estatura media 1,70 tinha uma aparência atípica para sua nacionalidade. Seus olhos eram de um verde musgo profundo, enquanto seus cabelos castanhos escuros batiam poucos centímetros abaixo do ombro. Vestia uma túnica verde água ao estilo campesino¹ e por baixo uma calça da mesma cor.
–Tem haver com o cosmo que senti há pouco tempo atrás?
–Sim. Uma aprendiz foi atacada no bosque por alguém cujo cosmo energia é maligna.
–Um espectro?
–Não. Depois que Zeus voltou para o Olimpo, Hades desistiu cordialmente de lutar contra Atena. É outro deus. Algum com interesse nessa aprendiz.
–E quem é essa aprendiz afinal?
–É uma das duas garotas que chegaram essa semana. Foram trazidas de algum lugar para o santuário através e um deus. A mais frágil delas foi a vitima. - O olhar de Shion se voltou em direção a janela.
–Porque diz isso?-O libriano olhou com desconfiança para o amigo de longa data.
–Quando a conheci, vi em seu olhar uma tristeza bem grande. Maior do demostrava por fora. Uma alma marcada pela dor. Acertei de certa forma, Shina me comunicou que ela sofre depressão há anos, que vai e volta com frequência. Ela toma remédios controlados.
–Ela disse o que iniciou a doença? Isso é algo realmente sério Shion. Podemos está auxiliando o desenvolvimento da mesma.
–Pelo que Ofiúco me contou, aparente o gatilho foi a morte dos pais. Estou começando a achar que talvez isso tenha haver com esse ataque.
–Vai investigar sobre os pais dela?
–Sim. Primeiramente quero saber o máximo possível sobre quem a atacou, para depois iniciar a investigação. Precisamos saber o porquê e com quem estamos lidando. Não quero que mais ninguém seja atacado, principalmente Atena.
O chinês concordou, não saber sobre o inimigo é algo perigo principalmente quando ele sabe mais do que você. Indo até o amigo, Dohko o tocou no ombro e lhe disse para descansar. Não havia muito a ser feito. Com certa hesitação o ariano concordou.
*~v~*
Dois dias se passaram, sem que Cassandra acordasse. Durante os dias na casa de virgem, ela balbuciava palavras sem sentindo, se contorcia e chorava deixando Shun, que havia sido incumbido de protegê-la, preocupado. Shaka sempre aparecia nessas horas e através de seu cosmo a acalmava.
No terceiro dia de manhã, o dourado resolveu dar uma folga ao pupilo. Andrômeda havia ficado junto dela por horas e aos poucos sem perceber acabou ficando sem dormir direito. Ele havia se apegado a ela.
Os fios castanhos carmesins jogados sobre o travesseiro começaram a se mover, mas o que parecia ser mais um pesadelo, se transformou em alivio. Cassandra havia acordado.
Ela tinha um olhar assustado no rosto como se ainda tivesse presa aos últimos acontecimentos. Para acalma-la Shaka sentou-se na beirada da cama e falou com o tom mais afável possível.
–Tudo está bem agora.
–Shaka!
Ao ouvir seu nome a expressão calma deu lugar a uma cheia de duvidas. Ele pareceu esquecer-se momentaneamente de tudo e só percebeu que ela chorava quando os soluços ficaram altos. Sem querer acabou lendo os pensamentos da jovem. Neles ela parecia fazer um resumo da própria vida, desde a morte da mãe e a mudança brusca de estado, viu quando a mesma conheceu Katrina, viu a própria história dele e dos companheiros em animação, viu quando o caminhão veio em direção ao carro das duas e depois cenas dos poucos dias no santuário até aquela noite. Para finalizar viu as sombras debocharem da ingenuidade da garota ao acreditar que sua mãe havia morrido em um acidente.
I've been believing
Estou acreditando
In something so distant
Em algo tão distante
As if I was human
Como se eu fosse humano
And I've been denying
E estou negando
This feeling of hopelessness
Esse sentimento de desesperança
In me, in me
Dentro de mim, dentro de mim
Ele não sabia o que fazer principalmente depois da garota ter se jogado em seus braços. Não sabia como consola-la, nem o que dizer para que a dor imensa passa-se. Não podia concertar o que havia sido quebrado, não podia transformar mentiras em verdades.
As much as I'd like
Por mais que eu queira
The past not to exist
Que o passado não exista
It still does
Ele ainda existe
As much as I'd like
Por mais que eu queira
To feel like I belong here
Sentir que pertenço a esse lugar
I'm just as scared as you
Estou tão assustada quanto você
O virginiano timidamente aceitou o abraço. Como um pai foi pedindo baixinho para que ela se acalma-se e deixa-se a tristeza sair. As lagrimas que caiam no inicio devagar tomaram força. Ela não queria, mas tinha molhado boa parte do tecido do sári branco que o indiano usava aquela manhã. A ariana havia se deixado levar por seu descontrole. Ela não podia controlar a dor que sentia. A voz que gritava em sua mente dizendo que havia sido traída por que mais amava.
I have nothing left
Não tenho mais nada
And all I feel is this cruel wanting
E tudo que eu sinto é este desejo cruel
We've been falling for all this time
Pelo qual estivemos caindo esse tempo todo
And now I'm lost in paradise
E agora estou perdida no paraíso
Alone and lost in Paradise
Sozinha e perdida no paraíso
Aos poucos o fluxo das lagrimas foi diminuindo como um rio cuja aguas baixavam após a tempestade. Elas haviam ido embora, mas deixavam para trás duvidas e sentimentos confusos.
–Como se sente?-Shaka sabia o quanto ela estava confusa, mas precisava avaliar a fundo o tamanho do estrago provocado.
–Eu não sei ao certo. Me pergunto o que é ou não real nisso tudo O que é verdade e o que é mentira.- Cassandra que havia se sentado no outro lado da cama segurava os cabelos demonstrando seu descontrole emocional. O pior de tudo era os sintomas da depressão parecia esta voltando com força total.
Reconhecendo os sinais, o dourado se aproximou. Usou parte de seu cosmo para acalma-la, o que surtiu efeito, pois a mesma tirou as mãos da cabeça e se sentou normalmente. Seu olha ainda parecia vazio, mas ele acreditava que aos poucos aquilo ia passar.
–Ficou muito tempo sem comer. Vou pedir para que uma das servas faça uma sopa leve.
–Shaka!- O cavaleiro não pode deixar de estranhar novamente o fato dela saber seu nome. E pelo que viu na mente dela, entendia menos ainda, mas deixaria aquelas perguntas para outro momento. Ao olha-la novamente a escutou falar em um tom fraco:- Obrigada. Obrigada por tudo.
O dia correu agitado. Varias pessoas entraram e saíram da sexta casa. Todos viam ver como Cassandra estava. A mesma quase não falava muito, quando o fazia eram monossílabos de agradecimento. A situação não mudou nem quando Katrina, Agacia e Tara tinham vindo vê-la. A primeira a notar a mudança foi à canceriana. Não havia mais o brilho em seus olhos dourados, eles pareciam vazios, como se tivesse ido ao inferno e voltado sem parte de sua alma.
A escorpiana pareceu absorver parte da aura da amiga. Quando voltaram para o alojamento no fim da tarde não havia a animação de quando Shina havia dispensado as três dos treinos para ir até virgem.
–Aquela não é a minha melhor amiga.- Aquelas foram as primeiras palavras de Kat desde que tinham passado por aries.
–Ela está em choque ainda. Logo ela vai voltar a ser o que era. –A leonina tentou animar a escorpiana sem sucesso. Silenciosamente Agacia concordou com a amiga. O quer que aconteceu naquele bosque modificou profundamente a garota.
–Não. Aquela que conheci não vai voltar.
Depois daquelas palavras de Katrina, o silencio voltar a reinar entre as jovens.
*~v~*
Quando as estrelas começaram a despontar no céu, Cassandra tentava mover as pernas em busca de voltar a sentir novamente normalmente suas pernas. Ainda doía move-las, tanto pelo tempo deitada quanto pelos cortes que não tinham cicatrizado direito ainda.
Micea havia acabado de lhe dar banho. Tentou faze-la comer mais um pouco, mas não havia fome. Tudo que queria naquele instante era voltar a ter parte de sua vida de volta. Precisava se reerguer e seguir em frente, juntar seus cacos.
Uma batida na porta fez com que se libertasse momentaneamente de seus pensamentos.
–Pode entrar.
Ela esperava que fosse Shun ou até mesmo Shaka, mas ao ver aqueles longos cabelos esverdeados não podem deixar de abrir a boca e encarrar Shion como uma retardada. Nunca imaginou receber a visita do grande mestre do santuário.
–Vejo que não esperava me ver. –O lemuriano abriu um sorriso contido. Como o virginiano havia dito, realmente havia sido baste ferida. Seu olhar parecia ter perdido parte de sua vivacidade e sua pele parecia bem mais pálida. –Pelo que vejo está melhor. Consegue se lembrar do que aconteceu?
–Sim. Só não consigo colocar em palavras direito. Não sei dizer como soube que era para correr, simplesmente fiz. Depois veio aquele ser sem rosto, me disse que eu tinha algo que ele queria, mas não tinha como pegar. Falou que minha mãe deu diversão a ele antes de morrer e então me atacou, dizendo para acender meu cosmo e pedir por ajuda.
O ariano notou o quanto ela se esforçava para colocar tudo que aconteceu em palavras. Mentiras sempre faziam o pior com aqueles cujo coração é puro o bastante para não conta-las. Verdades doem no momento e depois passam, mas as mentiras perduravam por muito tempo como um aviso que fazia questão de lembrar que fora enganado. Ele como grande mestre sabia o que aquilo significava e principalmente o quanto tudo ficava pior quando viam daqueles que diziam nos amar.
–Seja qual foi o motivo dos seus pais não terem contado a você, não muda o fato de ser filha deles. O amor tem varias faces, algumas boas e outras nem tanto. Pode-se mentir sobre tudo menos sobre o que sentimos. Às vezes acreditamos que a melhor maneira de proteger quem gostamos é não falando sobre determinado assunto, quando o correto é colocar tudo em pratos limpos. Sei como deve se sentir traída, mas tente entender o lado deles.
–Obrigada Shion. Vou pensar sobre o que me disse.
–Sei que vai. Antes de ir gostaria que me contasse uma coisa. Quando chegou aqui, sabia exatamente como se portar em minha presença. Sei que existe algo por trás disso, gostaria que me contasse.
Naquele instante Cassandra estava com os olhos arregalados. Sabia internamente que uma hora ou outra alguém descobriria, mas não pensou que seria logo o ariano.
–De onde eu e a Kat vimos, vocês do santuário fazem parte de uma animação japonesa que eu acompanho desde meus sete anos. Quando chegamos aqui eu reconheci as construções, mas não tive certeza até ver o Shun. Tive medo que nos achasse loucas e nos jogasse dentro do cabo Sunion.
–Posso ser um pouco agressivo e rabugento maior parte do tempo, mas nunca as jogaria lá por esse motivo. Sei que diz a verdade, mesmo que ela seja um tanto quanto estranha até mesmo para mim que viveu por mais de duzentos anos. Peço apenas que não escondam mais nada de mim.
–Sim, grande mestre.
–Me chame de Shion. Outra coisa, até que parte sabem da história daqui?
–Katrina sabe apenas o que contei, quando a mim, sei sobre as duas ultimas guerras santas.
O ariano que estava em pé teve que se sentar. Ele imaginava que ela devia saber algo sobre os cavaleiros, mas não imaginava ser ao ponto de saber sobre ambas as guerras contra Hades.
–Duas guerras santas. –Shion estava mais pálido que papel de seda branco. –"Por Atena, o que eu faço agora?"
–Você está bem grande mestre? Quer que eu chame alguém?- A ariana tentou ficar sobre suas pernas para ir até o ex-cavaleiro, mas ainda isso não foi possível.
–Não precisa. Volte para cama, ainda não consegue andar direito. – Cassandra obedeceu prontamente as ordem dele. –Não imaginava que sabia tanto. Sabe sobre Saga ter me matado? Sobre Sasha e Alone?
–Sim. Não vou contar nada sobre o que sei para ninguém, pode ficar tranquilo.
–Faça isso. Quanto aos seus pais, vou fazer o possível para descobrir algo sobre eles.
–Obrigada por tudo.
–Não precisa me agradecer. Família não precisa ser necessariamente de sangue. Vou indo. Descanse logo vai precisar voltar aos treinos.
Com essas palavras aparentemente desconexas Shion se retirou. Depois dessa visita inesperada algo dentro do peito de Cassandra pareceu se acalentar. A parte que parecia ter sido quebrada havia sido colocada no lugar mesmo que com algumas falhas. Aos poucos a ariana deixou que o sono a levasse, dessa vez sem interferência e medos.
1- A roupa que Dohko está usando foi inspirada nessas daqui: . /fotos/sitio-preferido/1181/66374
