CAPÍTULO SETE
Meia hora depois, o estômago de Hinata roncava de fome, mas ela procurara ignorar.
— EU trouxe um pouco de café e de comida.
Hinata virou-se e viu Itachi entrar na tenda, trazendo um bule de café e um pratinho cheio de frutas e bolinhos. Ele lhe trouxera um pouco de comida? Hinata estava confusa. Mentalmente o rotulara de cruel e sádico, mas naquele instante ele se comportava com uma consideração e uma preocupação com ela que demonstravam o quanto estava errada. E não era a primeira vez! Esses relances de um outro lado de Itachi a maravilhavam. Como se, em algum lugar no fundo de seu ser, tivesse surgido uma pequenina fonte de felicidade, e ela estivesse transbordando.
— Para sua sorte, a mãe de El Khalid concluiu que a sua recusa em aparecer esta manhã era sinal de timidez.
Mas ele não achava que ela era tímida! E a tristeza substituiu a alegria anterior de Hinata.
Itachi colocou o bule do café e o prato numa mesinha, e Hinata logo notou que estava faminta, apesar de tudo.
— Eu preciso sair. Lembre-se de que não pode deixar a tenda, a não ser que vista o manto e o véu.
Hinata esperou Itachi sair para comer. O cheiro do café era maravilhoso, e o sabor, melhor ainda. Com as frutas suculentas, doces ao paladar, e os bolinhos de amêndoas que derretiam na boca, era um café-da-manhã perfeito para refazer suas energias.
Enquanto se ocupava cuidando da égua, Itachi tinha a mente longe do paciente animal que lhe fuçava o ombro com tanto carinho.
Por que se deixava afetar tanto pela idéia de Hinata com outro homem? Por que se excitara tanto ao vê-la, a ponto de ter de sair da tenda para colocar uma distância segura entre eles? Certamente não era tão tolo a ponto de se deixar afetar pelo ritual antigo de um casamento. Afinal, tudo aquilo não passara de uma necessidade, a única saída para proteger Hinata de Gaara. E já se decidira a pedir ao irmão para anular o casamento.
Itachi acariciou a égua atrás das orelhas. Era uma puro-sangue árabe, cria de um dos garanhões premiados de seu irmão. Os olhos escuros e inteligentes refletiam sua origem.
Por que se deixara afetar pelas olheiras nos olhos de Hinata esta manhã? Ao vê-la, sua vontade foi se aproximar e beijar-lhe os lábios levemente trêmulos. Tais pensamentos e sentimentos eram insanos, e sua vida não comportava isso.
Depois de examinar a égua, Itachi seguiu na direção do oásis, como quem passeia distraído. El Khalid certamente avisara aos homens de sua confiança para ficarem de olho nos outros, e sem dúvida Madara tinha ali alguns espiões para garantirem sua própria segurança.
Itachi ficou tentado a telefonar para o irmão. O telefone celular estava no bolso, mas Madara poderia estar interceptando os telefonemas do soberano, embora, oficialmente, devesse estar fora do país.
De repente, um som longínquo, indistinto, chamou sua atenção. Protegendo os olhos do sol, Itachi olhou na direção do horizonte, e avistou um helicóptero ao longe que se aproximava do acampamento.
Só podia ser Madara! Não haveria melhor meio de retornar a Zuran e, em seguida, sair rapidamente da cidade, após ter alcançado o objetivo de assassinar o soberano. Itachi duvidava que Madara tivesse contado a El Khalid seus verdadeiros planos. Não que o líder rebelde fosse desistir, mas certamente exigiria uma soma muito maior para estar envolvido no assassinato.
Além do mais, Madara era muito astuto para fornecer a alguém uma informação que pudesse depois ser usada contra ele. Não. A morte do soberano seria publicamente atribuída aos rebeldes.
O helicóptero, com pintura de camuflagem e sem marcas de identificação, se aproximava. Itachi virou de costas para fingir estar estudando o oásis. Não fazia sentido chamar atenção para si parecendo estar curioso.
Ele queria estar presente quando o helicóptero aterrissasse, assim voltou para o acampamento.
Como era de se esperar, a chegada do helicóptero provocou muita curiosidade e especulação, e Itachi se reuniu ao grupo de homens que estava mais próximo.
Depois de estacionado, um homem desceu do helicóptero. Embora tivesse deixado crescer a barba para se disfarçar, e usasse o manto tradicional em vez dos costumeiros ternos italianos, Itachi não teve problema para reconhecer o meio-primo pelo seu andar.
Então ele estava certo! Embora fosse bom poder confirmar suas suspeitas sobre Madara, seu sentimento era de ódio pelo primo. Durante a vida inteira o soberano o tratara com amor e generosidade, mas sua ambição de poder era tamanha que ele estava pronto para assassiná-lo e assumir o seu lugar. Itachi jamais permitiria que isso acontecesse! E agora estava feliz por saber que poderia manter Madara sob observação.
El Khalid saiu da tenda para receber o recém-chegado e o cumprimentou com uma reverência. Itachi aproximou-se sem chamar atenção, querendo ouvir a conversa dos dois.
JÁ fazia uma hora que Itachi se fora, e Hinata cansara de ficar na tenda sem fazer nada.
Ela se levantou e se aproximou da saída, decidida. Não fazia sentido Itachi dizer o que devia ou não fazer. Afinal, eles não eram casados de verdade.
Pensar em Itachi tratando-a como igual, respeitando-a e amando-a, provocou-lhe emoções tão complexas que não se sentia capaz de administrar.
E mesmo não sendo esposa de Itachi de fato, era sua prisioneira, relembrou-se Hinata.
Por quanto ele pretendia aceitar o resgate? O departamento do governo para o qual Hinata trabalhava era pequeno e com fundos muito limitados. Ou ele achava que ela tinha uma família pronta a pagar por sua libertação? Ouvia-se falar de prisioneiros sendo resgatados em troca de dinheiro, mas Hinata jamais imaginara que isso lhe aconteceria!
Ela gostaria de ser corajosa e tentar fugir, mas o acampamento era muito bem vigiado. Ainda que conseguisse escapar dos guardas, sabia o que lhe aconteceria ao sair do oásis. Morreria no deserto.
Obviamente poderia roubar um veículo, mas ele teria que estar equipado com um sistema moderno de navegação por satélite, além de ter o tanque cheio.
Fazia muito mais sentido permanecer onde estava.
Ou será que sua motivação vinha das perigosas emoções que Itachi lhe provocava, e que secretamente ela ansiava por... Hinata sentiu que uma excitação, agora já sua conhecida, a inundava.
Estava no século XXI. As mulheres não precisavam mais esconder sua sexualidade como uma necessidade em si mesma e por si mesma. Não precisavam se convencer de que a atração física só poderia existir como conseqüência do amor. Se quisessem, tinham o direito a uma intimidade física sem compromisso emocional, pelo simples prazer. Se assim o desejassem, poderiam dormir com um homem sem maiores conseqüências. E ela, Hinata, poderia agir assim? Ela queria isso?
Absorta em seus pensamentos, andando para lá e para cá sobre os tapetes, sem reparar no que havia no chão, Hinata esbarrou os dedos dos pés na quina de uma arca de madeira que se projetava sob o divã.
Ao se abaixar para friccionar os dedos, e depois se ajoelhar para tirar a caixa do caminho, descobriu que na verdade a tirava de seu esconderijo. E o peso era tanto que ela ficou ofegante.
O que haveria ali dentro? Não tinha o direito de bisbilhotar, mas não resistiu, e levantou a tampa.
Dentro da caixa, Hinata encontrou vários livros. Por isso era tão pesada. Com muito cuidado, retirou o que estava em cima. Não eram livros comuns, mas verdadeiras obras de arte, adequadas à biblioteca de um connoisseur, com encadernação de couro e letras grossas gravadas em ouro na lombada, e páginas com as bordas douradas. Quando novo aquele livro deve ter custado uma fortuna. Hinata abriu o livro com muito cuidado. Uma primeira edição, objeto de colecionador, e provavelmente muito raro. Era um livro de poesia que incluía, dentre outros, os poemas de Fugaku Uchiha para Mikoto Barrett. Dentro, numa caligrafia perfeita, estavam escritas as seguintes palavras:
"Para minha amada Mikoto."
Lágrimas de emoção nublaram-lhe os olhos. Eram palavras simples, mas para ela tinham mais valor do que mil primeiras edições. O livro fora um presente de amor. Delicadamente, Hinata o fechou e devolveu ao lugar, antes de pegar outro.
Esse era de literatura francesa clássica, cujo autor ela não reconheceu, mas, como o anterior, estava dedicado a "Mikoto". E a assinatura masculina estava acima da conhecida insígnia do soberano de Zuran.
Hinata ficou nervosa. Aquilo significava que os livros pertenciam ao palácio real. E que essa Mikoto fora muito amada por um príncipe do reino.
Ela pegou mais um livro, desta vez escrito em árabe.
Não precisava ser especialista para concluir que os livros valiam uma fortuna e que eram muito especiais. Aos seus olhos, no entanto, seu maior valor e importância não vinham do valor material, mas do sentimento demonstrado pelas dedicatórias. Esses livros tinham sido um presente de amor para uma mulher.
Tudo neles indicava terem sido muito estimados, mas agora estavam em posse de Itachi, e Hinata não tinha dúvida de como os conseguira. Eles tinham sido roubados.
Embora não estivesse frio, Hinata sentiu um arrepio. Por que estava tão chocada, seja sabia o que Itachi era?
Depois do incidente na alameda do mercado na cidade de Zuran, e da admissão fria de sua intenção de trocá-la por dinheiro, descobrir com ele bens roubados não deveria entristecê-la tanto assim. Com o coração sofrido, Hinata começou a guardar os livros no baú.
— O que está fazendo?
Hinata não ouvira Itachi entrar e, ao ouvir a voz furiosa, deu um pulo de susto, quase deixando cair o livro que tinha nas mãos. Mas não se renderia. Ela se levantou e se virou para confrontá-lo, mas ele a ignorou. Itachi ajoelhou-se para examinar o conteúdo da caixa, depois fechou a tampa e, com uma pequena chave que retirou do cinto, a trancou.
— Como ousa bisbilhotar minhas coisas? — perguntou, muito irritado.
— Suas coisas? — desafiou-o Hinata, sem se amedrontar. — Esses livros não pertencem a você. Vi a inscrição. Você os roubou!
Itachi não podia acreditar no que ouvia. Hinata remexera seus objetos pessoais — as preciosas recordações de seus pais — e ousava acusá-lo de tê-las roubado! Sua raiva era tanta que ele esqueceu as razões pelas quais Hinata questionava sua honestidade, e só pensava no quanto sempre guardara e protegera os livros que tanto estimava os presentes de seu pai a sua mãe antes de se casarem.
Os livros significavam muito para ele, desde quando era pequeno e não sabia definir o que sentia, mas sabia que, quando os segurava, era como se tocasse uma parte da mãe que não chegara a conhecer. Os livros eram seu talismã, e Itachi não ia a lugar algum sem eles. Se algum dos rebeldes de El Khalid os encontrasse, obviamente teria de fingir que os roubara, mas entre os rebeldes havia uma lei tácita pela qual eles respeitavam a privacidade e os bens dos outros.
Uma lei que Hinata não observava! E agora ali estava ela, a mulher que já lhe causara mais noites mal dormidas e preocupações do que tinha direito, ousando afirmar que ele não tinha direito aos objetos de sua mãe.
— Os livros são meus — declarou ele, obviamente com muita raiva.
Hinata, contudo, não estava disposta a acreditar e falou-lhe com ar insolente.
— Isso é impossível. Eles valem uma fortuna. São itens de museu, primeiras edições.
Itachi estava muito próximo e emanava uma aura de muita hostilidade. Tarde demais, Hinata percebeu o quanto suas palavras o afetavam, e o quanto ele estava furioso, com um olhar que quase chegava a queimar. Apreensiva, ela tentou se afastar, recuando, mas o divã a impediu de ir além.
— Você ousa mesmo me acusar de mentir? — perguntou ele, acompanhando-lhe os passos, com uma voz ao mesmo tempo feroz e suave, e as palavras eram frias como o hálito gelado contra sua pele.
Não se renderia a ele! Por que deveria?
— Você é um mentiroso! — respondeu Hinata, sem muito pensar. — Mentiroso e ladrão!
As palavras carregadas de emoção e o desprezo que Itachi percebeu na voz e no olhar de Hinata o atingiram em seu orgulho.
Hinata tentou recuar, quando ele lhe segurou os braços com tanta força que chegou a doer.
— Nunca diga isso de mim, entendeu? — gritou Itachi, os olhos ardendo de ódio.
— Por que não? Eu só disse a verdade! — retaliou Hinata, já tão fora de si quanto ele.
— Esses livros me foram presenteados por minha mãe. —Itachi não conseguia mais se calar. Era como se as palavras tivessem sido arrancadas de seu coração, deixando um lugar que queimava de uma dor muito amarga.
Hinata o fitava incapaz de acreditar no que ouvia. Ele esperava mesmo que ela acreditasse?
Ela sentia no ar a intensidade das emoções de ambos. Percebia o calor que o corpo de Itachi emanava e, para sua surpresa, também a sua reação, imediata e inegável, a ele. Por mais ultrajada que se sentisse, teve pânico. Como podia se sentir assim? Como podia se sentir atraída por um homem a quem não podia respeitar? Não podia. E começou a fazer tudo para não fugir da realidade.
— Isso não é possível. — Hinata precisou se esforçar para dizer aquilo, rezando para que ele não visse em seus olhos o quanto ela gostaria que fosse diferente, que ele estivesse dizendo a verdade, e também que ele finalmente estivesse confiando nela, permitindo que soubesse alguma coisa sobre sua verdadeira origem.
Mas é claro que não era nada disso! Esse conhecimento a fazia sofrer muito além do que podia suportar. Hinata precisou lutar contra a dor de suas próprias emoções para conseguir dizer, numa voz calma:
— Os livros trazem a assinatura do soberano de Zuran.
As palavras pesaram no silêncio cheio de tensão Hinata não suportaria olhar para ele. Não suportaria ver nos olhos de Itachi o reconhecimento de que ela não podia ser enganada. A tensão no ambiente era tanta que parecia uma pressão invisível que a envolvia e a esmigalhava. Ela precisou se esforçar para respirar.
— Não faz sentido continuar mentindo para mim, Itachi — disse Hinata, com a voz rouca. — Não posso acreditar. Você é um mentiroso e um...
A resignação desesperadora na voz de Hinata atingiu Itachi em seu orgulho, e, pior, ele percebeu, espantado, que a recusa dela em acreditar nele era como uma lança cravada em seu coração. A dor provocada era pior do que tudo o que já experimentara, e ele não podia suportar.
— Chega! — falou num som de lamento, como se estivesse morrendo, querendo alcançá-la, para silenciar tanto Hinata quanto sua própria dor, da única maneira que ele podia, com a pressão forte de sua boca contra a dela.
Foi um beijo de punição, carregado de raiva, uma marcação deliberada da dominação masculina. Mas no instante em que Itachi sentiu os lábios de Hinata sob os seus, algo se passou dentro dele, impossível de evitar e de controlar. Alguma alquimia sobre a qual ele não tinha nenhum poder transformou sua raiva em atração, e a punição a Hinata no seu próprio castigo, pois seus sentidos doíam de desejo, derrubando todas as barreiras que com tanto cuidado emergira contra sua própria vulnerabilidade frente a ela.
A suavidade da boca de Hinata, o leve estremecer do corpo, a doçura que sua língua saboreava ao se entranhar possessivamente entre os lábios entreabertos excitavam cada célula de seu corpo.
Itachi a queria mais do que jamais desejara outra mulher... Ele a queria... queria saboreá-la, abraçá-la, possuí-la, deixar nela sua marca para toda a eternidade.
Pensamentos, sentimentos, desejos o invadiam, e ele não tinha poder para evitar, pois só conseguia obedecer à necessidade que o impulsionava... O desejo intenso de possuí-la.
Hinata tentou interromper o que estava acontecendo, livrar-se da pressão daquele beijo, se libertar, mas seus lábios, presos aos dele, se entreabriam, ávidos para recebê-lo.
A sanidade, a lógica, sua normalmente alerta sensação de auto preservação se mostravam subservientes à excitação e ao desejo que a invadiam. Hinata sentia sob os dedos o cabelo espesso de Itachi, os músculos tensos do pescoço e o calor da pele. Ele era tão másculo e tão perigoso. Então por que não o afastava, em vez de enterrar os dedos em seu cabelo e abraçá-lo, sentindo um prazer que chegava a doer?
Ela deveria ter recuado diante da pressão daquele beijo, mas, em vez disso, se excitava cada vez mais.
Ao entrelaçar a língua na dele, Hinata sentiu a reação imediata do corpo de Itachi, e logo ele a deitou nas almofadas de seda sobre o divã. A única reação de Hinata foi envolvê-lo possessivamente num abraço, prendendo-o a si.
O fogo ardia em suas veias, acendendo o desejo que tanto ela lutara para resistir. Em seus sonhos, imaginara um homem como ele, de paixões selvagens e intensas, indomável, simples, cujo toque excitaria seus sentidos de mil e uma maneiras, assim como Itachi a excitava agora. E naquele sonho muito íntimo, ela sentira a intensidade de sua reação a ele. Como acontecia agora!
Quando Hinata caiu no divã, as mãos que lhe seguravam os braços de algum modo deslizaram para ficar embaixo dela, apoiando-a e protegendo-a.
Itachi sabia que não deveria fazer isso. Mas a recusa de Hinata em acreditar nele despertara emoções incontroláveis. Ele só não sabia o que levara o orgulho ferido e a raiva a se transformarem no desejo ardente que o enlouquecia. Mas sabia que estava sendo impulsionado por uma necessidade básica de possuí-la como nenhum outro homem jamais a possuíra, e de lhe arrancar do corpo a memória de qualquer outro homem que não fosse ele.
Com a mão que estava livre, Itachi segurou-lhe o rosto para poder olhar dentro dos olhos e neles só ver a sua própria imagem.
— Olhe para mim!
A ordem dura impeliu Hinata a fitá-lo. Uma reação de sensualidade percorreu-lhe o corpo quando ele afastou seu cabelo do rosto com dedos suaves.
Se não tivesse percebido naquela ordem tanta raiva, Hinata quase acreditaria que havia alguma ternura na maneira como ele a tocava.
Mas a boca que reclamava a sua não era terna, mesmo assim, seus lábios reagiam com uma avidez irrefreável. Ele separou seus lábios com a língua, e com o peso do corpo a afundou nas almofadas macias.
O argumento que os levara a este lugar e a esta intimidade desapareceu, insignificante. O comportamento de Itachi deixou de ser dominado e impulsionado pelo orgulho e pela necessidade de puni-la, e passou a ser comandado pela intensidade de seu desejo por ela.
Hinata sentiu as mãos em seu corpo, removendo as roupas que a protegiam, mas em vez de interrompê-lo, ela se dobrava e se curvava ávida, querendo acomodá-lo e ajudá-lo a rapidamente se livrar das barreiras ao toque daquelas mãos masculinas em seu corpo.
Pouca luz do sol conseguia penetrar as proteções grossas da tenda, mas era suficiente para dourar o corpo nu de Hinata, como se tivesse sido pintado de pó dourado. Ela viu Itachi subitamente ficar paralisado ao observar sua nudez, e um leve estremecimento de timidez e incerteza a percorreu. Itachi era o primeiro homem que a via nua. O único homem por quem ela quis ser vista nua.
Insegura, Hinata o fitou. O olhar de Itachi provocou nela uma reação que intumesceu-lhe os mamilos e fez vibrar a sua parte mais íntima. Itachi sequer a tocara, mas seu corpo reagia como se ele tivesse corrido os dedos ao redor dos mamilos excitados, e depois descido para separar os lábios sensualmente intumescidos de seu sexo, para encontrar o clitóris pulsando, ávido, à sua espera.
Ela o queria, ansiava por ele, o desejava, agora, ali... Hinata produziu um som suave de excitação, e Itachi não pôde mais suportar. Ele arrancou a própria roupa, quase não lhe concedendo tempo para vislumbrar a pele dourada pelo sol do deserto, sobre músculos bem-marcados, e o pêlo escuro e sedoso que a cobria, tentador, formando um arco para baixo sobre a barriga seca.
A sensação de ter Hinata em seus braços lhe provocava algo que ele nunca imaginara que alguma mulher pudesse provocar, muito menos essa. E itachi cedeu à necessidade premente de preencher seus sentidos com o cheiro, o toque e o sabor de Hinata.
A sensação das almofadas de seda amontoadas no divã contra a pele nua era muito sensual, mas muito mais erótica e perigosamente excitante era a sensação do corpo nu de Itachi contra o seu, da pele dele contra a sua, sem dúvida o mais próximo que ela podia chegar do céu. E ela cedeu ao prazer de correr as mãos possessivamente pelos ombros dele, acariciando-o, de olhos fechados, para que o prazer fosse pleno.
Ainda que nunca mais o tocasse assim, aquela lembrança permaneceria intacta pelo resto da vida. Hinata estava criando uma imagem visual preciosa, na qual imprimiria tudo o que seus sentidos experimentavam. O cheiro da excitação que sobrepujava a colônia fresca que ele sempre usava, conscientizando-a plenamente da masculinidade rude, almiscarada, repleta de feromônio, daquela pele quente e suave, da definição dos músculos provocando nela uma vibração feminina de reconhecimento da força dele e da excitação que o tomava por inteiro. Hinata ainda não o tocara intimamente, mas podia sentir o sexo quente e ereto pressionando sua pele, e isso a excitou de uma maneira que ainda teve o poder de surpreendê-la e de desafiar suas próprias crenças a respeito de si mesma.
O que a confundiu mais ainda foi querer desesperadamente tocá-lo ali, explorá-lo, conhecê-lo, senti-lo crescer mais ainda sob seu toque. E isso deveria ser suficiente para espantá-la, pois jamais experimentara esse tipo de sentimento antes.
Mas analisar agora seus pensamentos e sentimentos estava acima de sua capacidade. Itachi se apossara de sua boca, e impulsionava a língua em seus lábios pedindo para entrar. Com as mãos, ele lhe segurava os seios, como se saboreasse a sensação dos globos redondos, mas depois a língua penetrou mais fundo em sua boca, e os dedos massagearam-lhe os seios, puxando sensualmente os mamilos intumescidos.
Hinata curvou o corpo contra o dele, a pele úmida da sua excitação.
Olhando para o corpo de Hinata, arqueando-se de encontro a suas mãos, os olhos fechados, ela suspirando de desejo, Itachi percebeu que se apossava dele uma necessidade intensa de assegurar que o único homem que o corpo dela jamais reconheceria ou se lembraria como seu era ele! Ele queria, aliás, precisava deixar impressa sua marca, de tal forma que ela jamais pudesse esquecê-lo.
Ele inclinou a cabeça, aproximando-a dos seios de Hinata, movendo com a ponta da língua o mamilo intumescido. Imediatamente Hinata gritou seu nome. Ela não percebia que cravava as unhas na pele macia dos ombros de Itachi, e que ele lhe levantava os quadris para pressionar a parte inferior do corpo contra sua ereção. Hinata se esfregava frenética e ritmicamente, ansiando pelo alívio da ânsia que a possuía.
A naturalidade com que ela se soltava e se entregava estava destruindo Itachi, que o reconheceu, numa explosão de excitação e raiva. Cada movimento sensual do corpo experiente e ávido incitava uma reação no corpo dele.
— Itachi, eu quero você.
As palavras abafadas foram murmuradas contra o ouvido de itachi, enquanto sua língua quente e ávida o explorava.
Ele sentiu seu autocontrole explodir num frenesi de desejo ardente.
— Você me terá — respondeu ele, com a voz rouca —, por inteiro. E eu a terei. Eu a terei e a preencherei, e a farei sentir como nenhum outro homem já fez ou jamais fará... É isso que você quer?
— Sim, ah, sim — murmurou Hinata. Ela diria ou faria qualquer coisa que ele pedisse, de tanto que o queria.
Itachi afastou-lhe as pernas, acariciando a pele sedosa e macia e fazendo-a vibrar com a intensidade de seu desejo.
Ele lhe cobriu o sexo com uma das mãos, afastando os grandes lábios, e roçando o dedo na carne úmida. Ela o ouviu gemer de satisfação ao acariciar-lhe o clitóris intumescido, a ponta do dedo movendo-se eroticamente sobre ele, e a excitando a tal ponto que ela mal podia suportar a intensidade de seu próprio prazer.
Itachi ouviu uma voz silenciosa dentro dele dizer que estava agindo errado, mas o aviso foi afogado pelos pequenos gemidos de excitação que Hinata fazia e pelo seu próprio desejo intenso.
Ele jamais quisera uma mulher como queria Hinata, e nem sabia que era capaz de sentir um desejo tão devastador e apaixonado. Era uma sensação que o impulsionava, ardia e o possuía como ele ansiava por possuir Hinata.
Ele se posicionou entre as pernas já separadas que o chamavam. Hinata estremeceu ao ver Itachi posicionado sobre ela, e seu coração começou a bater freneticamente. Era chegado o momento de intimidade que imaginara e com que sonhara, com um misto virginal de curiosidade e de medo.
Ela sentiu os músculos de Itachi tencionarem. Quase que implorando, segurou-lhe o rosto, sussurrando, engasgada:
— Beije-me...
Rapidamente, Itachi inclinou-se e a beijou, demorado, numa intimidade ardente, enquanto seu sexo lhe atravessava impetuosamente os grandes lábios, e a penetrava no mais íntimo recôndito, que o abraçava, apertando.
E ela de fato era apertada, e os músculos o seguravam tão apertado que era quase insuportavelmente erótico.
Tolamente, talvez, ela não esperava sentir dor, e seu corpo se retesou do choque, mas a excitação era maior que o choque e a dor. Ela uniu seu corpo ao de Itachi, oferecendo-se, para que ele penetrasse mais fundo e mais rápido.
Itachi sentiu a barreira da virgindade de Hinata e ouviu o grito surdo, reprimido. Ficou chocado. Estupefato. Era inacreditável.
Hinata estremeceu quando o corpo de Itachi ficou imóvel, dentro dela. A dor se fora, mas as pequenas contrações em seu sexo denunciavam sua excitação. Elas se intensificavam, fazendo-a mover-se ritmadamente contra o corpo de Itachi, compelindo-o a acompanhar seus movimentos.
Ela o ouviu gemer, seus dentes lhe mordiscaram os ombros, e a excitação aumentou, até que a inundou num êxtase glorioso, e ela gritou seu nome num prazer agonizante. A explosão profunda e estimulante do corpo de Itachi dentro do seu era puro prazer, e ela se entregou, perdida no que estava experimentando, a liberação de seu orgasmo fazendo-a estremecer da cabeça aos pés. Mas foi o derramamento quente do orgasmo de Itachi que levou seus olhos a arderem de lágrimas de emoção.
Com um suspiro suave, Hinata aninhou o rosto no ombro de Xander e se aconchegou em seu corpo.
— Como você podia ser virgem?
A pergunta feita em tom de cobrança a confundiu.
— Até onde eu sei, só existe uma maneira de ser virgem — respondeu ela, num jeito irreverente.
Que importância tinha o que ela era, se neste instante se sentia gloriosa, totalmente realizada, deliciosamente satisfeita e, ainda por cima, por ele?
— Não é incomum as mulheres comprarem a virgindade por uma operação simples feita por um cirurgião capacitado — observou Itachi, sem rodeios.
— Talvez, mas eu não fiz isso — afirmou Hinata.
Itachi sabia que ela dizia a verdade, mas ainda se esforçava para superar o choque diante de tamanha surpresa. Descobrir que Hinata era virgem e que ele era o primeiro e único homem de sua vida mudava tudo. De acordo com sua criação e sua cultura, ele era moralmente responsável por ela.
— Você deveria ter avisado.
Ele falava com frieza, demonstrando certa irritação, e Hinata, para seu desgosto, em vez de estar muito feliz, de repente se sentia miserável, a ponto de chorar.
— Eu disse que Orochimaru não era meu amante — lembrou ela.
— Você poderia ter pedido para eu parar. — Itachi fez uma pausa, e Hinata não conseguiu identificar a expressão que viu em seu rosto. — Quando eu vi que precisava parar, já era tarde demais.
Itachi a criticava pelo que tinha acontecido, talvez a culpasse. Apesar de indignada e com muita raiva, Hinata sabia que ele tinha certa razão. De fato, ela poderia ter dito, mas preferira não fazê-lo. Intuitivamente, sabia que ele interromperia o ato de amor. E ela o queria muito, com desespero. Mesmo assim, uma tristeza profunda e sofrida aos poucos tomou conta dela: uma mescla de rejeição, desespero e a percepção de que seu envolvimento emocional na intimidade que eles tinham vivido não fora recíproco. Um leve tremor sacudiu seu corpo ainda desnudo.
— Vista isso.
Hinata ficou tensa quando Itachi a vestiu com o mesmo manto que ele tirara há pouco. Ele agia muito rápido e metódico, sem nenhuma ternura, embora seu toque fosse surpreendentemente suave.
— Você percebe, claro, que isso muda tudo entre nós! Se eu soubesse da sua virgindade, nunca teria...
Hinata fazia de tudo para não deixar as lágrimas brotarem de seus olhos.
— Percebe o quanto você é desprezível? — perguntou, emocionada. — Você acreditava que... quando concluiu que eu tinha... que eu não era... — Ela estava tão nervosa que mal conseguia falar. Respirando fundo, recomeçou. — Como na sua cabeça eu era amante de Orochimaru, obviamente você achou que era perfeitamente aceitável que... fizesse o que fez, mas agora que descobriu que eu era virgem, a situação é diferente. Pois bem, você pode ter mudado o que sentia com relação a mim, mas eu não mudei o que sinto por você! — disse ela, furiosa. — Na verdade, se alguma coisa mudou em mim, foi o meu desprezo por você que aumentou! O tipo de homem que eu respeitaria é um homem que me valorize como pessoa e não pela minha virgindade! Você é desprezível, abominável!
Hinata viu nitidamente quando a raiva aos poucos o inundou, e sentiu o olhar cruel de orgulho quase queimar, mas não se intimidou. Tinha tanto direito de dizer o que pensava quanto ele! Sentia vergonha e desprezo por si mesma, por ter sido tão tola a ponto de acreditar que ele era especial. Ela se iludira e agora pagara o preço, não com a virgindade, mas com seu coração e suas emoções.
Pelo menos agora poderia destruir aquele amor burguês relembrando-se do que acontecera hoje e do quanto ele fora cruel.
As palavras de Hinata pegaram Itachi de surpresa, assim como ele se surpreendera diante do nível de excitação que ela lhe provocara.
Ele mentira ao dizer que só fizera amor com ela por acreditar que era experiente. Na verdade, ele não conseguira se conter, mas era orgulhoso demais para admiti-lo. Agora, era tarde demais para voltar atrás e dizer a verdade. Também era tarde para se repreender pelo fato de não ter tomado nenhuma precaução.
Não tinha nenhuma preocupação quanto à saúde. Apesar do que outras pessoas pensavam sobre o seu passado, não se imiscuirá com uma infinidade de parceiras, mas havia outros perigos, outros riscos, e quanto a isso ele não fora capaz de se dominar!
Itachi olhou para Hinata. Seu rosto pequenino e redondo estava pálido, e os olhos estavam arregalados.
Embora envolta no manto, ainda tremia.
Ele se levantou de repente e, sem dizer palavra, pegou Hinata no colo e a levou para os aposentos internos da tenda.
Hinata ficou em pânico. O que ele pretendia fazer? Mas em vez de entrar na área de dormir, ele se dirigiu para o pequeno banheiro. Abriu a porta do chuveiro com o ombro e entrou, ainda com ela no colo.
Quando a colocou no chão, tirou o tecido que a envolvia, jogou do lado de fora do chuveiro e fechou bem a porta.
— O que pensa que está fazendo?
A pergunta de Hinata não teve resposta. Itachi abriu a torneira do chuveiro, enquanto ela esbravejava, impotente, sob o delicioso calor da água.
— Você está com frio e talvez um pouco abalada — disse ele, sério.
Era verdade que ela estava trêmula, mas o motivo tinha muito mais a ver com os comentários furiosos de Itachi do que com a intimidade que tinham partilhado.
Hinata arriscou olhar para Itachi. Ele ensaboava sua pele molhada, aparentemente sem haver nada de sensual ou prazeroso naquilo, mas infelizmente no caso de Hinata, seu corpo não reagia com a mesma indiferença.
E é claro que o fato de Itachi também estar nu não ajudava. Incapaz de se controlar, Hinata olhou para o corpo dele, e ficou espantada de ver que o sexo não estava pequeno e flácido como ingenuamente supunha. Ao contrário, estava impressionantemente grosso e firme.
Ela franziu levemente a testa.
— Qual é o problema? — perguntou Itachi.
Seu rosto ficou vermelho. Hinata não percebera que Itachi a observava.
— Nada. Quero dizer... Eu pensava... — começou ela, a voz sufocada, o rosto cada vez mais corado, quando ele também olhou para o próprio corpo.
— Pensava o quê? — desafiou ele, friamente. — Que eu poderia estar planejando levá-la de volta para a cama?
— Não! — negou Hinata imediatamente. E era verdade, embora o súbito intumescimento dos mamilos mostrasse que seu corpo era favorável à possibilidade.
— Não? Então o que era?
Hinata concluiu que ele insistiria até que ela dissesse a verdade.
— Eu só pensei que... Depois de fazer sexo... Você parecia estar muito maior do que eu imaginava — contou ela, finalmente, nada à vontade.
— Imaginava?
Era uma provocação que a pegava desprevenida, invocando os pensamentos e fantasias eróticas que mentalmente criara em torno dele e a deixando sem fala.
Itachi debruçou-se sobre ela e passou a esponja cheia de espuma nas costas de Hinata, descendo até a curva firme das nádegas.
— E então, o que exatamente você imaginou? — perguntou ele, baixinho.
— Nada — negou ela rapidamente.
Ele largou a esponja e a fitou, o olhar atento, especulativo, examinando-lhe o rosto.
— Embora os homens, como as mulheres, sejam basicamente iguais, dentro dos parâmetros dessa igualdade, há tamanhos diferentes, e essa é uma das razões pelas quais você deveria ter dito que era virgem.
Itachi enxaguou-a no jato do chuveiro.
— É de espantar que seus pais, sua mãe, e principalmente o seu pai não a tenha alertado para esse tipo de situação...
— Eu não tenho pais — explicou Hinata. — Eles morreram num acidente quando eu era adolescente.
— Acidente?
— Eles eram cientistas. Estavam trabalhando num sítio ecológico na Turquia, quando um telhado caiu sobre eles.
Hinata ouviu-o inspirar, surpreso.
— Não precisa ter pena de mim, não quero que ninguém sinta isso. Fico feliz por eles terem morrido juntos, e sou grata pelo amor que me dedicaram e que tinham um pelo outro.
Ela falava com uma dignidade que mais uma vez tocou Itachi no seu íntimo. Ele precisou lutar contra um desejo repentino de envolvê-la nos braços e ficarem assim, abraçados.
Em vez disso, disse, áspero:
— Fique aqui. — Ele fechou o chuveiro e saiu do box, voltando quase imediatamente com uma enorme toalha macia e a envolveu com firmeza.
Quando Hinata sentiu a suavidade da toalha, ele explicou, secamente:
— É algodão egípcio, muito superior a qualquer outro. — E muito mais caro — retrucou Katrina, com tristeza, logo ficando tensa ao se lembrar do que ele era.
Mas é claro que ele conseguira as toalhas da mesma maneira que conseguira os livros. No entanto, ao se lembrar do resultado de suas acusações quanto aos livros, Hinata preferiu não o desafiar uma segunda vez.
Depois de envolvê-la numa das toalhas, Itachi prendeu uma outra em volta da cintura e começou a enxugá-la, com mais energia do que paixão. Ao completar a tarefa que se impusera, embrulhou-a numa toalha seca e a pegou nos braços.
— Eu posso andar — objetou Hinata, zangada, mas daria no mesmo não dizer nada, pois ele não prestou atenção.
No estreito corredor, ela sentia o cheiro da pele limpa, recém ensaboada, de Itachi. Seu coração batia acelerado. Queria beijar-lhe o pescoço, depois subir, lambendo e mordiscando, até a boca.
Uma excitação que já lhe era familiar começava a tomar corpo novamente. "O que ele fizera?" Hinata se perguntava. Como a transformara de virgem inocente numa mulher com necessidades e desejos libidinosos, que já ansiava por ele de novo?
Hinata quis se convencer de que era alívio o que sentia, enquanto era levada para o compartimento de dormir e colocada na cama.
— Agora, descanse.
— Não preciso de descanso — objetou Hinata imediatamente. — Só porque era virgem, não significa que sou delicada.
Itachi estava pronto para se afastar, mas parou e se virou para fitá-la, deslizando a mão por sua garganta, de modo que ela foi obrigada a corresponder ao olhar.
— Você podia ser virgem, mas, admita, estava com muito desejo e pronta para mim, não estava?
Uma expressão que Hinata não conseguiu definir, mas que seu corpo obviamente entendeu, surgiu no rosto de Itachi, e ela estremeceu de excitação, mas comprimiu os lábios e tentou desviar o olhar.
— Responda — insistiu ele, roçando perigosamente o polegar nos lábios de Hinata, que se expandiam ao seu toque, querendo saborear o polegar que a atormentava.
— Responda — repetiu ele, afastando o polegar.
— Está bem. Sim, eu estava. Você obviamente é um homem experiente — disse ela, sem emoção, determinada a não permitir que ele visse como se sentia de fato.
— Pois amanhã estará muito mais apta a saber exatamente o quanto sou experiente — disse ele, brincando. — Você mal começou a conhecer o prazer do sexo, embora confesse que é uma aluna muito receptiva. Agora mesmo, no chuveiro, me olhou com um olhar de desejo como se fosse uma mulher muito mais experiente. Você tem idéia do quanto é sedutor e erótico uma mulher mostrar a um homem que o deseja?
— Eu não fiz isso! — objetou Hinata, o rosto corado.
— Mentirosa! — disse ele, carinhosamente. — Descanse agora, e esta noite eu lhe mostrarei o que é o prazer de verdade.
A arrogância de Itachi era inacreditável. Embora irritada com isso, Hinata sentia a pulsação acelerada de sua excitação. Sabia que estava permitindo que algo muito perigoso acontecesse, mas não conseguia evitar.
Deveria sentir por ele ódio, e não amor; deveria...
Amor? Não o amava. Não podia amá-lo. Como aquela palavra foi parar na sua cabeça? De fato ele a atraía, a excitava, a enlouquecia de desejo. Talvez ela sentisse até muito mais, mas não o amava!
