8- Perda
Darcy recebeu uma visita surpresa de Bingley em seu escritório e logo se preocupou. Ele estava com um semblante sério. "Bingley! Aconteceu alguma coisa?"
Bingley respirou fundo. "Eu vim aqui para buscar você. Antes de qualquer coisa, eu quero que você saiba que está tudo bem e que Elizabeth não corre nenhum risco."
Antes que Bingley pudesse continuar, Darcy pulou de sua cadeira alarmado. "O que aconteceu com ela, Bingley?" Imagens de Elizabeth no hospital depois daquele horrível acidente anos atrás surgiam em sua mente.
"Eu não sei ao certo. Tudo o que Jane me disse foi que Lizzie se sentiu mal e como as duas estavam juntas, Jane a levou para o Hospital e Lizzie vai ter que passar a noite lá."
Darcy já estava perdido. Ele pegou sua carteira, celular e a chave do carro e parou de repente. "Qual hospital, Bingley?"
Bingley segurou o braço do amigo. "Se acalma, Darcy. Jane estava tranquila quando ligou. Se fosse algo grave ela estaria histérica. E eu vou levar você. Você não pode dirigir."
Darcy disse para a Sra. Reynolds cancelar todos os compromissos que ele tinha naquele dia e no outro e seguiu Bingley até o carro.
Pouco tempo depois, ele estava entrando no quarto onde a esposa estava. No mesmo momento ele percebeu que ela estava triste. Depois de um ano e meio de namoro e dois anos de casamento, ele aprendeu a ler o humor dela por meio da música que ela estava escutando, e naquele momento, o celular na mesa ao lado da cama tocava Fake Plastic Trees do Radiohead em um volume baixo.
Darcy se aproximou e pegou a mão de Elizabeth, acariciando delicadamente. "O que aconteceu, meu amor?"
Elizabeth tinha um olhar que Darcy nunca viu antes. Era uma mistura de confusão e tristeza, mas ela não estava chorando. "Eu sofri um aborto espontâneo. Eu nem sabia que estava grávida."
As palavras atingiram Darcy de uma maneira que ele não esperava. Ele não soube o que dizer. Ele não tinha ideia do que Elizabeth estava sentindo. Tudo o que ele fez foi abraçá-la e acariciar suas costas.
"Eu nem sei direito o que estou sentindo, William. É estranho sentir falta de alguém que eu nem sabia que existia?"
Era isso! Ele estava sentindo falta de alguém que não sabia que existia. Darcy não queria falar e nem olhar para ela, senão ela perceberia seus olhos marejados e sua voz embargada. Percebendo que o marido não tinha falado nada desde que ela lhe deu a notícia, Elizabeth se soltou do abraço para olhar no rosto dele.
"Querido, você está chorando?"
"Desculpa, Elizabeth. Isso me pegou de surpresa."
"Eu sei exatamente o que você quer dizer. É tão estranho..."
Ele acariciou o rosto dela. "Você está com dor? Tem alguma coisa que eu possa fazer por você?"
"Só fica comigo, William. Eu realmente preciso de você. Eu preciso sentir você."
"Sempre, meu amor." Darcy sentou na cama ao lado de Elizabeth e a abraçou. Eles ficaram assim por um longo tempo, até Elizabeth dormir. Darcy pensou na possibilidade que nunca aconteceria. Seria menino ou menina? Pareceria mais com ele ou Elizabeth? Seria tão obcecado com música como a mãe? Teria os olhos dela? Ele não conseguiu impedir um sentimento de culpa. Ele sabe que não poderia fazer nada para impedir, nada para ajudar, mesmo assim o sentimento estava lá. Ele não deveria ser a pessoa que protegeria sua mulher e filho?
Filho... De repente era uma linda palavra. Ele olhou para Elizabeth e sorriu. Imaginou uma pequena menina, cabelos selvagens e olhos escuros, correndo pela casa. Imaginou Elizabeth cantando uma cantiga de ninar com um bebê no colo. Cenas lindas!
Eles perderam uma possibilidade naquele dia, mas de repente, ele enxergava várias outras possibilidades e uma vida cheia de felicidade pela frente. Inconscientemente, seu abraço em Elizabeth apertou e ela despertou o olhando com um rosto sonolento. O olhar de Darcy era penetrante.
"O que foi, William?"
"Eu quero construir uma família com você."
Elizabeth sorriu. "Eu também quero."
