O Segredo dos Anjos II – Revelações.
By Dama 9 e Hana-Lis
Nota: Os personagens de Saint Seiya não nos pertencem, apenas Diana e Aisty são criações únicas e exclusivas para essa trilogia, como os demais personagens não licenciados pela Toei.
Boa Leitura!
Capitulo 7: Diana ou Amélia?
A arena estava vazia, constatou ao lançar um olhar demorado por toda a extensão do Coliseu. Isso era tudo o que mais queria nesse momento, ficar só. Desceu a passos lentos os inúmeros degraus até chegar ao último, onde se sentou abrindo o livro que trazia nas mãos.
Ainda era cedo, o sol mal havia despontado no horizonte e por isso mesmo estava ali, afinal mais tarde certamente a arena estaria cheia para os costumeiros treinos entre amazonas e cavaleiros. Haviam se passado alguns dias desde o retorno a Ilha das Brumas e o "acontecido" ainda a deixava perturbada, tanto, que nem mesmo a noite sua mente a deixava em paz.
Treinava até a exaustão todos os dias na esperança que quando a noite por fim chegasse, literalmente desmaiasse, mas não. Durante a noite as lembranças pareciam ser mais vivas e perturbadoras que durante o dia. Fechava os olhos e imediatamente via os orbes castanhos sobre si, os quais havia evitado ao máximo durante os últimos dias. Entretanto, ele parecia fazer o mesmo e isso já lhe era de grande ajuda.
Precisava por as idéias em ordem e talvez ler um pouco a faria parar de pensar e... Pensar.
Balançou a cabeça para os lados tentando afastar os recentes pensamentos e fixou os olhos sobre as páginas do livro, mas intimamente sabia não conseguir tal feito.
-O Crime do Padre Amaro; A amazona leu e logo depois fechou o livro, voltando os olhos para a contracapa do mesmo. –Ardente e sedutor Amaro sempre...
Ainda podia sentir o calor de seus lábios, de seu corpo...; Pensou instintivamente levando os dedos até os lábios, sentindo a face esquentar. Aquilo havia sido loucura, jamais pensou que um dia se deixaria levar daquela forma, ainda mais por aquele...
Aquilo não estava ajudando em nada; pensou Diana, sentindo um arrepio involuntário correr por seu corpo. Havia decidido ler para tentar esquecer certos acontecimentos que a haviam deixado mais do que perturbada, mas o conteúdo daquele livro de certa forma, a estava fazendo reviver o que a todo custo tentava esquecer.
De fato os últimos dias não haviam sido os melhores; Suspirou com um olhar perdido. Não sabia o que era pior, cruzar com o espanhol e sentir o chão sumir sob seus pés ou ter de passar pelo interrogatório de Aioros que insistia que havia algo de errado consigo.
Dificilmente encontraria alguém que lhe conhecesse daquela forma. Sabia quando estava triste, quando estava feliz e também quando algo lhe perturbava. No entanto dessa vez não poderia contar com a sua ajuda. Jamais teria coragem de lhe revelar o que tanto lhe perturbava ultimamente... Só de pensar em tal possibilidade sentiu o rosto arder feito ferro em brasa.
Sentiu a brisa suave e matutina roçar-lhe as maçãs do rosto, o tênue calor daquela manhã e voltou os orbes azuis para o céu. Mais um dia despertava e é claro que podia se ocupar com outras coisas além de...
-Ardente e sedutor Amaro sempre...
-O que?; Exasperou a amazona, sentindo um arrepio correr-lhe a espinha assim que a voz grave e masculina chegou-lhe aos ouvidos.
Imediatamente fechou o livro com tamanha brusquidão que o baque ecoou por toda a arena. Fitou o chão durante alguns instantes ponderando se seria uma boa idéia deixar de contemplá-lo e por fim voltou os olhos para cima, temerosa, um olhar de soslaio e percebeu que seria melhor continuar a contar quantos grãos de areia existiam pela extensão do Coliseu. Sentiu o chão sumir sob seus pés...
A alguns passos de distância no degrau à cima, Shura a observava, ou melhor, mantinha os olhos fixos no livro em suas mãos.
-Não sabia que gostava desse...; Shura ponderou, enquanto descia os degraus. Viu a amazona baixar os olhos e os fixar num ponto qualquer da arena. Um sorriso maroto lhe crispou os lábios. –Tipo de leitura; Sorriu, se divertindo com o desconcerto da amazona que havia ficado extremamente corada.
-"Por Zeus..."; Pensou Diana, como se não acreditasse no que via, fixando os olhos no espanhol que havia parado a sua frente. As mãos nos bolsos da calça num gesto descontraído e os braços fortes expostos pela regata branca. Comum, roupas de treino, porém o porte altivo e o sorriso maroto a deixavam perturbada.
Só agora entendia o porquê de se sentir tão perturbada com a leitura. Era como se estivesse diante do personagem criado pelo escritor português que com o olhar podia tocar...
"Ardente e sedutor..."; As palavras pareciam ecoar em sua mente como um mantra, porém, não seria a "Amélia" dessa história...
Piscou como se estivesse saindo daquele transe e se levantou. O olhar fixo do cavaleiro sobre si a estava deixando muito mais que perturbada. Deu as costas e saiu.
-Espera; Disse Shura, repentinamente puxando a amazona pelo braço fazendo com se seus corpos se chocassem. –Precisamos conversar;
-Não. Não precisamos; Respondeu a amazona puxando o braço e se afastando. Se apenas o ver já estava sendo perturbador, estar tão perto era algo que com toda certeza preferia evitar. Não sabia, não queria pensar no que faria se sustentasse aquele olhar por mais algum tempo, se sentisse o seu toque mais uma vez.
-Precisamos sim; Respondeu Shura acompanhando a amazona que apenas caminhava até a outra extremidade da arena sem ao menos se voltar para trás. –Até quando vamos ficar nos evitando? – ele indagou. –Aquele dia eu...;
-Se não se importa, estou a fim de treinar; Respondeu seca. Não estava nem um pouco disposta a recordar "aquele dia" e muito menos junto com ele.
-Sozinha? –Indagou Shura. –Desculpa um tanto esfarrapada, não acha? Ainda mais trazendo um livrinho de...
-Eça de Queiroz, excelente, ou melhor, o mais importante romancista português do século XlX; Interpelou a amazona se voltando para trás com um olhar cortante. –Mas era de se esperar que alguém, como você, desconhecesse tal informação;
O sorriso de escárnio desapareceu dos lábios do espanhol, indo moldar os lábios da amazona que sorriu satisfeita diante do muxoxo injuriado do cavaleiro. Um pesado silêncio caiu entre ambos.
-Pronto? Posso treinar agora que já recebeu a sua aulinha diária de literatura? –Indagou impaciente mantendo as duas mãos na cintura e nem por um segundo abandonando o tom de escárnio.
-Por que você faz isso? –Shura abrandou o olhar.
-O que? –Diana indagou sem entender.
-Usa de todo esse escárnio toda vez que nos encontramos e tenta me rebaixar, ofender de todas as formas possíveis? Tudo isso é pra tentar me manter longe de você ou seria... Do que sente? –ele indagou aproximando-se da amazona.
-Do que sinto? E o que eu sinto, me diga? –Ela indagou mantendo o olhar de superioridade sobre o cavaleiro, tentando manter-se indiferente e foi a sua vez de dar um passo a frente.
-O mesmo que eu sinto...; Disse Shura dando mais um passo e sentiu-a ficar tensa como se fosse retroceder.
Fixou o olhar sobre os orbes azuis e temerosos como se quisesse ver através deles e por fim continuou, dando um passo a cada palavra proferida:
-Sente o seu corpo clamar, desejar como se esse instante fosse o último. Sente o seu coração dilacerar em seu peito, pulsar descompassado como se quisesse saltar pra fora. Sente a extrema necessidade, como a do ar que respira, de tocar e ser tocada...; Sussurrou-lhe em tom de confidência, enquanto as pontas dos dedos tocavam com suavidade a lateral de um dos braços da amazona.
Sentiu como se uma corrente elétrica corresse seu corpo todo, sua pele se eriçar e se afastou, mas a cada passo que recuava ele avançava dois.
-Admita, eu sei que esse sentimento é recíproco; Continuou Shura, levando uma das mãos ao rosto da amazona numa suave caricia. Viu-a corar, mas sem retroceder e aproveitou a brecha. Aproximou-se mais. –Me deseja, como desejo você...
Viu-o cerrar os orbes e aproximar os lábios dos seus, um leve roçar. Queria poder fugir, sumir. Aquele olhar a consumia, minava suas forças e por mais que dissesse a si mesma que aquilo não era verdade, que tudo não passava de mera pretensão daquele idiota arrogante, como o chamava, seu corpo, seu coração lhe traíam...
Desde o episódio da ilha, intimamente sonhava, desejava sentir os lábios do cavaleiro mais uma vez. Desejava ser beijada, tocada por ele. Aquilo era mais forte do que pensara, mais forte até mesmo que muitos dos princípios que trazia consigo durante todos esses anos.
"Jamais sucumbiria a homem algum, jamais...".
Afastou-se no exato momento em que sentiu o toque cálido dos lábios do cavaleiro no canto esquerdo dos seus, prestes a moldá-los.
-Vai fugir de novo, é isso? –Exasperou Shura ao vê-la dar lhe as costas.
A amazona resmungou algo como "Idiota pretensioso" e começou a caminhar, mas parou ao senti-lo segurar-lhe pelos ombros.
-Está fugindo, fugindo da verdade porque sabe que estou certo...
-Verdade? Certo? –Diana rolou os olhos e num gesto brusco livrou-se das mãos do cavaleiro em seus ombros, porém não se voltou para trás, apenas bufou irritada. –Puff... Não seja pretensioso!
-Eu pretensioso? –Reclamou Shura vendo que a amazona continuava a caminhar sem se voltar para trás. –Pelo menos não estou fugindo do que sinto...
O sangue subiu-lhe a cabeça...
Jogou o livro com brusquidão sobre o chão da arena e por fim voltou-se para trás, investindo com força total sobre o cavaleiro. Fugindo? Quem ele pensava que era?
Golpeou-o uma, duas, três vezes, sem tréguas enquanto o cavaleiro apenas se afastava mantendo-se na defensiva. Com os braços cruzados na frente do corpo Shura apenas se defendia dos socos desferidos pela amazona o que lhe deixava ainda mais irritada do que já estava.
Sorria, um sorriso maroto, jocoso o que só aumentava cada vez mais a irritação da amazona, porém era exatamente essa a intenção...
A cansaria, deixaria que despejasse toda a sua raiva, frustração e depois seria a sua vez de agir. Faria com que lhe escutasse e lhe mostraria quem é que estava errado. Já a conhecia bem o suficiente para saber que a reação explosiva e hostil nada mais era que um escudo, um escudo que usava todas às vezes que sentia a situação fugir do controle. Nem tudo na vida podia ser controlado e o que sentiam era uma dessas coisas. Iria lhe provar isso.
-Grrrrr; Bufou a amazona investindo com tamanha força sobre o cavaleiro que o ouviu gemer devido ao impacto, porém em nada mudou a sua posição. Continuou na defensiva. –Covarde, por que não me ataca? Tudo isso é medo de perder? Ou quem sabe de se ferir? –Indagou sarcástica.
-Medo? –Shura sorriu. –Do que? Isso já está acabado...
-O que? –Diana indagou confusa para minutos depois entender.
Finalmente Shura se moveu, segurou o punho da amazona no exato momento em que tentava lhe acertar o lado esquerdo da face.
-Agora que já descarregou toda a sua raiva vai ter que me ouvir. Ouvir seu coração...
Dito isso o cavaleiro a segurou firmemente pela cintura, prendeu-a em seus braços, colando seus corpos sem que houvesse brecha para sair. Ouviu um baixo gemido de surpresa escapar dos lábios da amazona que imediatamente ficou tensa e sorriu. Adorava vê-la assim, acuada. Os lábios entreabertos e a respiração descompassada o estavam deixando extasiado, parecia ainda mais bela quando provocada; pensou.
-Me solta, seu...; Exasperou Diana batendo as mãos freneticamente sobre os ombros do cavaleiro, pois isso era tudo o que conseguia fazer diante da força com que lhe segurava. Sentia os braços comprimidos contra o peito do mesmo.
-Não até que me ouça e ouça a si mesma; Disse Shura, apertando mais os braços em torno do corpo da jovem. O sorriso maroto se esvaindo e dando lugar a uma expressão séria. –Pare de fugir do que sente! –Ele exigiu e por alguns instantes apenas se fitaram.
"Ouvir a mim mesma?"; A amazona ponderou, um sorriso quase imperceptível aos poucos tomando conta de seus lábios com a recente idéia que tivera em mente.
Repentinamente parou de se debater. Aconchegou-se nos braços do cavaleiro apoiando ambas as mãos de forma delicada sobre seus ombros, fato que obviamente Shura estranhou, mas não teve tempo para analisar o que realmente significava aquela mudança repentina.
-Tem razão...; Sussurrou aproximando-se do rosto do cavaleiro, tanto, que sentiu sua respiração se chocar com a dele. Aproximou-se como se tivesse a intenção de beijá-lo, mas a milímetros de completar o ato mudou de direção. –Obrigada...; Sussurrou-lhe ao pé do ouvido, sentindo-o afrouxar os braços em torno de sua cintura.
Finalmente...; Suspirou Shura, finalmente havia admitido que...
-Obrigada por me fazer lembrar sobre quem eu realmente sou...
A voz da amazona soou de forma estranha em sua mente.
-Uma amazona; Diana completou e antes que Shura percebesse a sua real intenção viu-se prostrado no chão.
A amazona reuniu todas as forças que tinha e o empurrou fazendo com que fosse ao chão. Uma nuvem densa de poeira se levantou com o impacto. Atônito Shura piscou os olhos repetidamente, até que percebeu estar deitado de costas sobre o chão da arena.
Via uma fina nuvem de poeira esvoaçar sobre si e a luz dourada do sol ofuscava-lhe os olhos, até que uma sombra esguia e conhecida pairou frente a si. Apertou os olhos, discernindo um par de orbes azuis como o céu sobre sua cabeça a lhe fitarem com um brilho diria que, "maligno". Tentou se levantar, porem sentiu as costas estalarem.
-Ah, que pena se machucou foi? –A amazona sorriu zombeteira dando a volta pelo cavaleiro que havia franzido o cenho e se deixado cair ao chão novamente.
O circundava feito um predador, um felino prestes a acabar com o último fio de vida de sua presa.
-Isso é pra que aprenda a deixar de ser um idiota pretensioso! –Bufou irritada.
Com dificuldade Shura abriu os olhos, ainda sentia as costas doerem e não duvidaria muito se tivesse quebrado algumas costelas com o tombo.
Viu-a caminhar até ficar frente a si. Afastou as longas pernas para que pudesse caminhar "sobre" o cavaleiro e então se abaixou, sentando-se sobre o seu corpo com o único intuito de aumentar a pressão em suas costas e a dor que sentia.
-Uh...; Shura gemeu fazendo uma expressão de dor.
A amazona riu, vê-lo "sofrer" principalmente depois de lhe provocar era algo que lhe dava prazer. Com cautela foi se aproximando, aproximando o rosto do seu, inclinando-se enquanto ambas as mãos percorriam demoradamente o peito do mesmo como se o estivessem acariciando.
Estava lhe provocando...; Pensou Shura sentindo as unhas afiadas lhe arranharem de forma provocante. Definitivamente não conseguia entender aquela mulher. Ora provocava, ora batia, provocava... Batia. Provocava. Estava pisando num terreno perigoso, o qual parecia desconhecer...
-Sua pretensão lhe custou caro não foi? Algumas costelas quebradas talvez...; Murmurou-lhe ao pé do ouvido.
Afastou-se parcialmente para que pudesse ver sua expressão e então exasperou segurando-o pela gola da camisa:
-Toque em mim de novo e não serão apenas costelas quebradas que terá, ouviu bem? –Ameaçou-o com um olhar cortante, por fim se levantando.
Aquela mulher tinha o dom de lhe humilhar, de...; Pensou Shura, sentindo o sangue ferver, porem não sairia ilesa...
Fora como se tivesse esquecido da dor nas costas. Fora rápido e antes que a amazona se levantasse por completo segurou-a pela mão e a puxou derrubando-a sobre si.
Surpresa pelo ato inesperado do cavaleiro, Diana fitou-o confusa, mas antes que dissesse ou fizesse algo viu-o inverter as posições. Empurrou-a de encontro ao chão da arena e voltou-se sobre ela. A amazona gemeu diante do impacto entre seus corpos, mas Shura parecia pouco se importar, segurou-lhe ambos os braços de encontro ao chão próximos à sua cabeça.
-Mas que droga! Será que você não percebe? –Exasperou Shura. –Não percebe que somos muito mais que amazona e cavaleiro? Que temos sentimentos, desejos... Que somos pessoas comuns?
-Diga por você... Isso é coisa para fracos! –Exasperou a amazona tentando inutilmente se soltar, pois era mais fácil mover uma montanha do que afastá-lo de si.
-Não, isso não é fraqueza. Por Zeus...; Suspirou Shura aumentando a pressão nos pulsos da amazona. –Até os Deuses se dão o direito de viver o que sentem... Diga-me, por que somente você deve ser privada disso? Eu sei e por mais que você diga que não, eu sei que quando eu lhe toco, quando te beijei aquele dia na ilha você me correspondeu. Eu senti, eu sinto e isso você não pode ocultar. Sinto o seu corpo pedir por atenção...
Mais uma vez aquele olhar...; Pensou a amazona, se perdendo nos orbes castanhos. Parecia um felino, prestes a devorar sua presa após acuá-la até que não tivesse outra escolha além de sucumbir ao seu predador. Havia virado a presa.
Sentiu os lábios cálidos mais uma vez percorrerem o seu pescoço, úmidos, provocantes, porem não sucumbiria...
-Me solta; Falou entre dentes ameaçando-o.
-Por que? Vai me morder? –Brincou o cavaleiro, voltando-se para a amazona ao vê-la praticamente rosnar para si.
-Se não me soltar... Talvez sim; Respondeu seca.
-Pode morder; Disse Shura o sorriso maroto se alargando nos lábios. –Uma mordida sua com certeza eu irei gostar...
Viu-a corar furiosamente diante do comentário e podia jurar que sentiu o seu corpo estremecer sob o seu. Aproximou-se rumo aos lábios da mesma, vendo-a se reprimir virando o rosto para ambos os lados a fim de não deixá-lo tocar-lhes. Por fim soltou uma das mãos da amazona e com a mão livre segurou-lhe o rosto com firmeza.
Via nos orbes azuis um misto de confusão, medo, porem a faria esquecer, esquecer seus temores e incertezas.
Por ínfimos instantes apenas mirou os lábios rubros e convidativos até que aproximou os lábios dos dela, um toque sutil e a mão que ainda se detinha no rosto da amazona passou a acariciar-lhe de forma suave, acalentando-a, indo deter-se entre as melenas escuras próximas a nuca.
Os lábios cálidos moveram-se lentamente, a espera de que tudo o que sentia lhe fosse transmitido através daquele gesto. Sentiu que aos poucos a amazona se acalmava e que começava a lhe corresponder, e tão logo se entregavam a um beijo sôfrego. Sem pressa esperou que cedesse, entreabrisse os lábios e aprofundou a caricia, ouvindo um fraco gemido escapar dos lábios da amazona. Mais uma vez a sentia entregue.
Provocante, Shura mordiscou-lhe levemente a cerne úmida, sugou-lhe o lábio inferior e um longo gemido escapou dos lábios da amazona. Afastou-se momentaneamente, apenas para que pudesse contemplar o rosto rosado e os orbes fechados, prova concreta de que desfrutava do mais puro deleite.
Os orbes castanhos deteram-se um pouco mais abaixo e extasiado, vislumbrou os seios da jovem arfarem sob a malha fina que vestia. Voltou os olhos para o rosto rosado onde os orbes azuis ainda detinham-se fechados, os lábios entreabertos pareciam aguardar por si. Sorriu, sentindo o corpo reagir, clamar por mais e aproximou os lábios dos dela mais uma vez, mas assim que os tocou sentiu uma dor aguda lhe invadir...
Reprimiu o grito de dor e curvou-se pendendo para o lado.
-Definitivamente...; Murmurou pausadamente com os orbes cerrados, não sabia se de dor ou de raiva. –Pretende acabar com todas as minhas futuras gerações de herdeiros, não é?
-Eu lhe avisei...; Exasperou a amazona levantando-se rapidamente, como se temesse ficar presa nos braços do cavaleiro mais uma vez, enquanto o mesmo se comprimia com as mãos no baixo ventre, devido a joelhada certeira da amazona. – Lhe avisei que da próxima vez não seriam apenas costelas quebradas...
Com um olhar impassível, a amazona bateu a poeira das roupas e já ia se afastando quando percebeu que havia se esquecido de algo... O livro, que não era seu e fazia parte do acervo da biblioteca do Santuário. Simplesmente não o podia deixar jogado ali. Voltou-se para trás vendo que o cavaleiro ainda estava no chão com uma expressão atônita, talvez se recuperando do... Golpe; sorriu maldosa. Abaixou-se temerosa, pois o livro estava a exatos cinco passos de distância do mesmo.
-Louca; Exasperou Shura, ao ver que enquanto estava "naquela" situação, ela se divertia.
Sentiu o cosmo da amazona oscilar como se a qualquer momento fosse explodir. Uma tênue aura prateada envolver seu corpo, porem ela nada fez além de caminhar na direção contrária. Observou-a até que sumisse de vista.
Passados alguns minutos, por fim se levantou, sentindo as costas estalarem novamente.
"Droga..."; Praguejou levando as mãos a coluna. Por que toda as vezes que se encontravam era sempre ele quem saia levando a pior?
"Por que você é um idiota Shura..."; Murmurou pra si mesmo. –Um idiota que gosta de apanhar pra ficar atrás de uma... Uma; Ponderou enquanto a passos lentos caminhava até as arquibancadas. –Doida que não sabe nem ao menos como demonstrar o que sente e pior, que se esquiva disso usando a força.
Sentou-se num dos degraus da arquibancada lançando um olhar perdido pela arena.
-Doida, era isso o que era, uma maluca que...; Ponderou sentindo uma suave essência de flores silvestres chegar-lhe as narinas.
Ainda podia sentir o seu cheiro, o seu perfume impregnado em seu corpo, em suas vestes. O gosto de seus lábios incrustado em sua boca...
"Mulher amazona nunca mais? Sei...". A frase dita pelo francês há meses atrás imediatamente ecoou em sua mente. Balançou a cabeça para os lados. Havia literalmente se "quebrado" graças à amazona e ainda sim não conseguia parar de pensar nela.
"Droga..."; Recriminou-se mentalmente, levando ambas as mãos a cabeça. O que estava acontecendo consigo afinal? Era estranho, mas de certa forma aquilo parecia ser mais que uma simples atração, como julgara a principio e...
Ou estava mesmo com o intuito de tornar-se masoquista, como Milo dissera. Definitivamente tinha que parar de pensar nela, ou melhor, se afastar daquela maluca se um dia ainda quisesse ter herdeiros.
Continua...
N/A (Hana): O Crime do Padre Amaro,é um livro que eu li e gostei muito, o qual indico a quem deseja uma excelente leitura. De certa forma o personagem principal me lembrava o Shura, por isso a citação.
