Título: Enquanto A Chuva Caía

Autora: Lab Girl
Categoria:
Bones, B&B, 5ª temporada, romance, sexo
Advertências:
Linguagem e situações adultas. Conteúdo inapropriado para menores.
Classificação: NC-17
Capítulo: 7


Você está sentindo como se não tivesse para onde correr
Posso ser seu abrigo até que a chuva passe


Revelações

Ela estava rindo?

Uma parte de Booth não sabia se se sentia levemente ofendida, enquanto a outra lhe informou que talvez ela apenas estivesse sentindo cócegas. Talvez Bones fosse o tipo que sentia cócegas nos pés.

Mas logo afastou a possibilidade, quando ela parou de rir em seguida. Apenas uma sombra de sorriso sobreviveu nos lábios dela, mas nenhum sinal de que estava com cócegas. E, se fosse o caso, sabia que ela teria instintivamente afastado o pé de suas mãos – o que ela não havia feito em nenhum momento.

O riso provavelmente tinha sido provocado por outra razão. Provavelmente algum pensamento do tipo que só passaria pela cabeça de Temperance Brennan – e que somente ela julgaria engraçado. Talvez ela estivesse recitando mentalmente os nomes dos ossos dos pés, pensou. Não seria de se admirar. Afinal, ela era Bones.

O pensamento o fez sorrir. Provavelmente fosse algo totalmente distinto, mas não iria se preocupar em tentar adivinhar o que. Desde que ela continuasse relaxada sobre o sofá, se entregando sem protestos a seus dedos, ela podia rir se quisesse.

Enquanto suas mãos deslizavam, prosseguindo com a massagem, seus olhos começaram a se desviar do rosto dela, caindo de comum acordo sobre o tecido do robe que ela vestia. Sem querer, e sem poder evitar, seu olhar percorreu a linha exata que mantinha as duas partes da peça unidas na frente do corpo dela.

Booth engoliu a saliva com dificuldade, os movimentos das mãos sobre os pés de Bones se tornando mais lentos à medida que sua atenção se perdia naquele estreito vão que escondia os seios dela... subindo e descendo ao ritmo da respiração tranquila e relaxada que ela experimentava.

O que estava debaixo daquela seda? Ela estaria vestindo alguma outra peça menor por baixo, ou estaria... nua?

A pergunta varreu seu cérebro, enviando uma onda de eletricidade por todo seu corpo, culminando em um ponto que já estava suficientemente consciente da proximidade e do calor que emanava dela.

Numa espécie de resposta involuntária ao fluxo de sangue que o deixou ainda mais excitado, Booth apertou a planta do pé de Bones, fazendo-a arquear as costas e gemer – alto. O som, a princípio, chamou sua atenção de volta à massagem, e sentiu-se constrangido pela repentina falta de controle. Seus olhos correram para o rosto dela, esperando que ela o estivesse encarando agora e que o mandasse embora naquele instante. Mas, para sua surpresa, ela não só continuava de olhos bem fechados, como seguia gemendo baixinho, quase como se estivesse lutando contra as sensações.

Booth sentiu-se vitorioso. Saber que estava sendo capaz de arrancar reações sobre as quais ela não estava tendo nenhum controle era como um potencializador. Então, num átimo de loucura, suas mãos foram subindo pelo tornozelo, apertando delicadamente a pele no caminho, enquanto seus olhos observavam cuidadosamente a resposta dela.

Bones não protestou. Ele continuou. Suas mãos então atingiram o ponto logo abaixo da barra do robe de seda. Ela não se moveu. Deixando que uma das mãos subisse lentamente por baixo do tecido, Booth esperou qualquer coisa. Qualquer coisa, menos o que ela fez.

Temperance inspirou… profundamente. E ficou parada. Completamente parada.

Sentido-se incapaz de não prosseguir, movido por uma força maior do que seu auto-controle, Booth afastou uma das metades do robe. O tecido queimou contra seus dedos, e ele então parou, o olhar fixo na brancura e maciez da coxa exposta.

Seus sentidos se aguçaram, todos se voltando para a parte de pele que acabara de ser revelada. E antes que seu juízo se perdesse, soltou o tecido, que deslizou, recobrindo a perna esguia.

Como se tivesse acabado de levar um choque, Seeley afastou as mãos de Temperance.

Tinha ido longe demais.

Então, por que ela não havia se afastado ou aberto os olhos, chocada e irritada com sua atitude?

Suspirou. O som chegou estranhamente frustrado a seus próprios ouvidos.

Quando seus olhos se atreveram a buscar o rosto dela outra vez, viu que ela ainda estava de olhos fechados. Uma sombra avermelhada tingia-lhe as bochechas, e sob a luz do abajur da sala foi possível notar a leve umidade que cobria o pescoço longo e esguio.

Tomou fôlego, numa repentina necessidade de ar, sentindo-se zonzo.

Um latido o fez dar um salto para trás, quase caindo de cima da mesinha onde estava sentado. Ela também foi tomada de surpresa, finalmente abrindo os olhos, mas não para encará-lo.

Booth a viu olhar diretamente para o cachorro, ainda aos pés dela, mas agora inteiramente acordado.

"O que foi?" ela murmurou, abaixando-se para checar o animal. O gesto permitiu que ele tivesse um vislumbre do estreito vão do robe que cobria os seios fartos.

Booth engoliu em seco, desviando a atenção para o cachorro.

"Está com frio?" a voz de Brennan era suave, e um tanto arfante, ele não pôde deixar de notar.

O animal simplesmente esfregou a cabeça contra as mãos dela, abanando o rabo enquanto ela acariciava-lhe o pêlo.

"Ele está carente" ouviu-se dizer, sem se atrever a tirar os olhos do cão e encará-la.

Mas notou, pelos movimentos dela, que Bones havia acabado de lhe lançar um rápido olhar.

Culpou-se por não poder corresponder. Mas decidiu agir como se nada fora do normal tivesse acabado de acontecer entre os dois.

"Booth?" a voz dela era um simples sussurro, e ele conseguiu captar as notas de confusão e medo... e algo mais que não foi capaz de identificar.

Irritação, talvez? Não sabia dizer.

Poderia olhar nos olhos dela agora, sabia que ela o estava encarando. Poderia olhá-la nos olhos e então saberia o que ela estava sentindo. Mas não foi capaz. Queria evitar o que não poderia controlar. E naquele momento, preferia não levar os olhos para ela, incerto se poderia conter-se e não vagar por aquele corpo tentadoramente coberto pelo robe de seda.

"Lembra-se do Ripley, Bones? De como você queria ficar com ele?" murmurou, olhando para o cão, e não para ela. "Você gosta de cães. Eu sempre observei isso. Seria bom se ficasse com esse. Ele precisa de um lar… vocês podem fazer companhia um para o outro."

"Acho que sim", ela murmurou, os dedos correndo languidamente sobre o pêlo do animal, que agora estava de olhos fechados, nitidamente desfrutando a atenção. "Os cães costumam ser muito fiéis. E dignos de confiança."

Os olhos de Booth então se ergueram, caindo imediatamente sobre o rosto dela.

"Algumas pessoas também são assim, Bones" se ouviu dizendo, antes que pudesse evitar.

"Eu sei. Mas eu não consigo ser como os cães. Tão abertos e prontos a confiar", ela sussurrou.

Sem resistir, Booth inclinou-se e com os dedos ergueu o queixo de Brennan, fazendo-a encará-lo. "Você é honesta e fiel, Bones. E não importa o que digam – nem o que você diga sobre si mesma – você tem um coração enorme e cheio de sentimentos", sorriu, "Metaforicamente falando, claro."

"Eu nunca neguei que tenho sentimentos", ela murmurou.

"Mas você sempre se nega a se entregar a eles", observou.

"O que é bom. Viver governado pelas emoções é não só estúpido como inútil."

"E viver se negando a sentir essas emoções é muito mais estúpido e inútil", ele a encarou. "Se você se protege demais, por medo de sofrer, acaba deixando de experimentar as coisas boas que a vida tem para oferecer."

"Eu não preciso ser como todo mundo para ser feliz."

"Não" concordou, balançando firmemente a cabeça. "E você não é como todo mundo. É por isso que é tão especial."

"Eu não sei ser de outra maneira", ela começou a dizer, desviando o olhar novamente para o cão. "Às vezes eu penso… às vezes eu acho que seria bom experimentar as emoções como a maioria das pessoas... me entregar ao... ao que eu sinto, sem me importar com as conseqüências. Mas eu não consigo… eu não posso…"

Booth notou o leve brilho de lágrimas deslizando pela pele branca. Levou as mãos suavemente ao rosto dela, secando-lhe as lágrimas com os polegares.

"Às vezes… vezes como agora… eu gostaria de ser com você", ela sussurrou, ainda sem olhá-lo nos olhos. "De me abrir… de simplesmente me abrir…"

Afastando as mãos do rosto dela, Booth inclinou-se ligeiramente para trás, o suficiente para olhar no rosto de Brennan.

"Teu mais ligeiro olhar, facilmente me descerra... embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar me abres, sempre pétala por pétala, como a primavera abre – tocando sutilmente, misteriosamente – a sua primeira rosa..."

Os olhos dela foram atingidos por um brilho de confusão. Ela o encarou. Ele podia dizer que Temperance havia sido tomada de surpresa por suas palavras.

"O que..." ela tentou questionar, mas logo seus dedos já estavam se perdendo, emaranhados nos cabelos dela antes que ela pudesse se afastar.

"Isso é um poema, Bones. Pode não parecer, mas eu gosto de ler", ele riu, tentando amenizar as coisas, ficando sério o suficiente em seguida para sussurrar as próximas palavras. "E o que isso significa é que você somente precisa se deixar abrir... pouco a pouco. Tudo a seu tempo."


Continua...