Capítulo VI

Edward exibia sua severa expressão habitual ao sentar-se à cabeceira da mesa para a refeição matinal. Havia ordenado que as cadeiras de James, de encosto alto e ornamentadas, fossem retiradas e sentou-se em um simples banco.

O olhar do grupo de pessoas que estava no salão, um grupo de soldados de olhos turvos devido à orgia da véspera e o pessoal de expressão reservada de Gastonbury, se voltou para ele. Todos abaixaram a cabeça e a conversa tornou-se um murmúrio, pois a atmosfera era de expectativa.

Isabella entrou. Olhou ao redor e depois sentou-se a uma mesa lateral, junto às esposas dos cavaleiros.

Estava muito bonita, com os cabelos ajeitados em um arranjo no alto da cabeça, e tinha no rosto uma expressão serena. Vestia-se com simplicidade, usava um traje bege-claro, cujas mangas revelavam uma túnica sob o vestido, delicadamente bordada com fios dourados. Alguns cachos rebeldes caíam sedutoramente nos ombros e emolduravam o rosto de pele de pêssego. Não usava maquilagem alguma, moda recentemente introduzida, e seu único ornamento era uma corrente de ouro ao redor dos quadris.

Faria idéia de que aquela simplicidade aumentava seu encanto? Edward acreditava que sim. Em sua experiência, todas as atitudes de uma mulher eram rigorosamente calculadas para produzir o efeito desejado. Certamente ela queria dar a impressão de não representar ameaça alguma. Mas aquele poderia não ser o caso.

Isabella havia deixado bem claras suas intenções, anunciara-se diretamente como sua inimiga. Assim, Edward só podia presumir que ela estava tentando aparentar modéstia por alguma razão. Seus sentidos ficaram em estado de alerta, advertindo-o contra a inocente fachada de donzela inofensiva. O que estaria ela tramando?

Isabella sentia o minucioso e discreto exame de Edward. Era como se seu olhar penetrante quase a locasse, deixando-a nervosa. Mas estava resolvida a não deixar transparecer sua insegurança. Evitando olhar na direção dele, forçou-se a relaxar, fingindo apreciar a companhia das ladies tediosas e irritantes.

— Ele não deseja que nos rebelemos — uma mulher sussurrou.

— Bem, se ele quer que Henrique o favoreça, precisa demonstrar que pode manter a paz e o controle — uma jovem loura acrescentou, corando ante os olhares surpresos das demais. — É o que Sam costuma dizer.

— Ele não teme uma rebelião, Emelly. Sam está certo, ele age assim por ambição e não por medo. O que tem ele a temer? Já nos derrotou.

Emelly inclinou-se para a frente, olhando dissimuladamente para a mesa principal.

— Bem. se ele está procurando boa acolhida, deve me procurar.

— Ele? Não notou sir Jasper? Podia me fazer desmaiar apenas com uma palavra! — exclamou outra, revirando os olhos.

— Ora, você é capaz de desmaiar com uma palavra do velho Harry! — uma mulher de meia-idade escarneceu.

Isabella forçou-se a rir com elas, embora lhe fosse difícil acompanhar a conversa. Estava cansada, havia passado a maior parte da noite revistando os baús de James, agora guardados em segurança em seu aposento. Era difícil decidir qual o melhor uso a fazer deles. Precisava observar certas leis. Um camponês não podia usar determinados materiais ou cores reservados à nobreza e ao clero. Mas ela não tinha escolha e precisava interpretar as restrições do código de vestimenta de modo amplo. Estava resolvida a que os trajes roubados servissem a seu propósito, e os camponeses do feudo iam exibir atavios dignos de um rei.

Edwars continuava a espreitá-la de seu lugar no estrado. Ela riu mais alto.

— Lady Isabella — ela ouviu a voz de sir Jasper chamá-la, sorridente. As ladies ao redor apressaram-se em apresentar ansiosas saudações ao cavaleiro. Ele se limitou a cumprimentá-las com uma leve inclinação de cabeça. — Parece estar desfrutando uma manhã agradável.

— Bastante agradável — respondeu ela.

Gostava dele. Era um flerte ultrajante, mas a bondade dele era transparente.

— Posso sentar-me com você? — perguntou o cavaleiro.

Assim que teve a resposta positiva, ele não perdeu tempo em colocar-se a seu lado.

— É bom vê-la passar tão bem hoje. Os últimos eventos não parecem tê-la afetado — ele observou.

— Realmente. — A resposta foi sucinta.

Os olhos dele a fitavam calorosos, e Isabella sentiu que Jasper a distinguia com sua atenção. As outras a observavam com inveja.

— Bem, suponho que ninguém espere que tudo retorne ao normal imediatamente — afirmou o interlocutor —, mas admito que rir não deixa de ser um bom remédio.

Uma outra voz se fez ouvir, chamando a atenção de todos.

— De fato, sua alegria é intrigante, milady. Raramente se ouvem povos conquistados darem risada tão cedo após sua derrota. Por favor, compartilhe conosco, assim todos poderemos nos divertir com você.

Isabella virou-se. Era, obviamente, Edward Cullen. A voz era neutra, mas a expressão facial estava assustadora. Havia percebido que ela estava fingindo alegria para irritá-lo. E havia conseguido.

As mulheres ficaram em silêncio.

— Foi apenas uma história divertida que me fez rir, pois era muito ridícula — explicou Isabella, dando de ombros.

— Por favor, mademoiselle — ele insistiu —, deixe nos compartilhar de sua hilaridade.

— Ora, não se divertiria com bobagens! — Ela estreitou os olhos faiscantes.

— Mas insisto — ele a contrariou. — Se continuar se esquivando vou acabar pensando que estavam falando de mim. — Ele a fitava, o olhar negro brilhante e duro.

Isabella percebeu que estava sendo provocada, mas não resistiu e rebateu a afronta.

— Oh, por favor, não se ofenda — começou, dissimulada. — Não estávamos nos referindo a você, mas sim a um homem completamente diferente. A piada era sobre um senhor mal-educado, de origem inferior, que captura um castelo e os que nele vivem, depois se pavoneia como seu lorde. É uma anedota muito engraçada.

Ela ouviu alguém respirar fundo e imediatamente soube que havia ido longe demais. Um rápido olhar ao redor confirmou seu receio. Emmet, em pé atrás de seu lorde, parecia apoplético, e mesmo o sorriso de Jasper havia se desvanecido. O único que não parecia abatido era o próprio Cullen.

— Que interessante — ele observou, seus olhos exprimindo exatamente o contrário das palavras. — Quando eu tiver tempo no futuro, para desperdiçar com os meandros obtusos da mente de uma mulher, gostaria de ouvir mais sobre o assunto. As circunstâncias de sua história cômica não são diferentes da minha. Oh, não havia percebido? Era o que eu esperava... Pergunto-me se esse pobre infeliz também é atormentado por mulheres tolas que falam bobagens sem parar durante a refeição matinal. — Ele saboreou seu insulto antes de oferecer a ela um sorrisinho diabólico. — Passe uma manhã agradável, milady. Jasper! Emmet!

As mulheres fitavam-na com estranheza.

— Ai — disse Emelly—, certamente você o impressionou.

Todas desataram a rir. Isabella endireitou-se. Erguendo-se, pediu licença, ouvindo as risadas atrás de si ao sair.

Algum tempo depois, estava de volta a seu quarto, com sua ama, ainda remoendo as palavras de Emmet Cullen.

— Ah, olhe esta roupinha! — exclamou Alice, segurando uma pequena túnica que havia costurado para uma criança.

— Acho que precisa de pele de arminho — Isabella brincou, colocando uma pele ao redor da gola.

— Que Deus nos proteja, servos usando arminho! O novo senhor nos estraçalharia se visse isso!

— É bom que ele não saiba o que vamos fazer, pois essa pele iria secar devido ao seu mau humor.

Isabella deu de ombros. Alice a fitou curiosa.

— Não acha que ele é bonito?

— Está maluca? — irritou-se a moça. — Bonito? Com toda aquela carranca, mal se distinguem seus braços. Além disso, estava demasiado zangada para perceber. Posso afirmar-lhe que nada vi que me chamasse a atenção.

— É difícil não perceber. Mesmo que seus traços não fossem belos, ele seria atraente por sua postura orgulhosa. Não percebeu ao menos como ele é alto e forte?

Isabella se perguntou qual seria o estratagema de sua ama.

— Alice — respondeu com sarcasmo —, de fato me ocorreu, quando ele me arrastou ao quarto para derramar seu sangue sobre os lençóis, que era bem forte. Depois, quando estava me insultando e ameaçando, fiquei muito impressionada com sua boa aparência.

— Mas não observou seu rosto? — O sorriso de Eurice era estranho.

— Ele está sempre franzindo a testa — Isabella retorquiu.

— O homem é assombrado — comentou a ama.

— Talvez — ela refletiu, continuando a costurar. — E agora ele arranjou mais um fantasma para atormentá-lo.

Ficaram em silêncio, trabalhando até a hora do almoço. Isabella sentiu alívio ao ver que Edward não estava no salão com os demais. Entretanto, ficou aborrecida ao saber dos preparativos que estavam sendo feitos para o festim da noite. Todos falavam excitados a respeito, surpresos com o modo como seu novo lorde conduzia seus primeiros dias no poder.

Os moradores de qualquer castelo estavam habituados à guerra, que fazia parte de sua rotina diária, e aceitavam seu destino resignados. Após o reinado de ferro de James, imperava o alívio.

Isabella se surpreendia com a facilidade com que Edward Cullen estava ganhando aprovação.

Depois de se alimentar, visitou a enfermaria e alegrou-se quando encontrou os enfermos em melhores condições, especialmente Charlie, que se recuperava bem. Depois que terminou as tarefas que se havia imposto, ficou satisfeita por não ser mais tão necessária, retornou a seu quarto e recomeçou a costurar.

Decidiu não comparecer aos festejos da noite.

— Mandarei avisá-lo de que estou doente ou cansada, alguma desculpa qualquer — argumentou diante dos protestos da ama. — Não me sujeitarei outra vez à sua onerosa companhia.

— Isabella — Alice advertiu —, não o provoque!

— Bobagem, ele não vai se importar. Odeia-me tanto quanto eu a ele. Mesmo que se irrite, não vai criar caso.

Alice a deixou com um olhar desaprovador. Isabella vestiu uma túnica de linho macia e se acomodou junto ao fogo da lareira para continuar a costurar. Era bom distrair sua atenção do injurioso Edward Culle. Sem aviso, sua paz foi interrompida pelo ruído abrupto da porta do quarto sendo aberta. Aterrorizada, ela saltou em pé.

Sua tranqüilidade esvaiu-se ao ver Edward Cullen com uma expressão ameaçadora.

— Acabam de me avisar que você não vai se juntar a nós. — Ele a examinou por um momento, sombrio, antes de falar. — Sua mensagem diz que está doente. Estranho, parecia muito bem hoje cedo.

Falava entre os dentes, irado. Isabella demorou para recobrar a voz.

— Não estou me sentindo bem. Deve ser cansaço, mas imploro seu perdão.

— Mas não concedo perdão, lady, pois parece ter-se recobrado excelentemente de qualquer doença misteriosa que a tenha afligido. De fato, parece a própria essência da saúde.

Ele passeou o olhar devagar por seu corpo, avaliando suas formas. Seu exame lânguido fez Isabella dar se conta de sua roupa ligeiramente transparente a luz do fogo. Enrubescendo, ela virou-se e agarrou seu vestido. Depois de trajada, voltou-se para enfrentá-lo outra vez.

— Seus modos são abomináveis, sir. Edward Cullen, como sempre, embora eu não devesse esperar que um homem de origem inferior como você pudesse demonstrar outra coisa a não ser rudeza, como é seu costume, aliás.

Edward arqueou as sobrancelhas.

— Esta é a segunda vez que diz isso. O que a leva a pensar que eu seja de origem inferior?

Isabella escarneceu dele com uma risada zombeteira.

— É óbvio que não está acostumado a companhias educadas. Acho que se diverte em chocar e ofender. Nada sei sobre como foi criado, e de fato, já aprendi que direito de nascimento raramente é indicação de caráter.

— Lembre-se de seu falecido marido, por exemplo — Edward aparteou.

— Seu comportamento revela sua ignorância, não importa sua origem — respondeu tensa, tentando ignorar o comentário sobre o falecido esposo.

— Ah, acho que a divertiria ouvir a história de meus antepassados — Edward observou sombrio.

— Comporta-se como se não tivesse coração e depois esbraveja quando é acusado de impiedoso. É um enigma, sir. Edward Cullen. Estivesse eu interessada, acharia seu comportamento muito estranho. É terrivelmente inconsistente, quase tão volúvel quanto uma mulher!

Conseguira atingir o alvo, tornando-o ameaçador.

— Em relação a comportamentos — ele se zangou —, o seu deixa muito a desejar. Suas mentiras para me evitar são admiráveis, embora não espere algo diferente de uma mulher. Entretanto, é a viúva do falecido lorde e nessa qualidade exijo sua presença na festa. Aos meus olhos, esbanja saúde. Seu problema anterior parece ter sido resolvido. Agora, vista-se imediatamente e junte-se a nós no salão. Mandarei que a aguardem antes de começar a servir.

— Não! — exclamou Isabella, ofendida pela ordem arrogante. — Não vou bancar a lady do castelo para um lorde como você.

Edward moveu-se com rapidez inesperada, como um tigre atrás de sua presa, e se aproximou dela. Isabella levantou a cabeça enfrentando o olhar fuzilante. De perto, ela fitava os olhos castanhos de cílios escuros e longos. Tentando parecer corajosa, ergueu o queixo.

— Não volte a jogar comigo outra vez, lady, pois sabe bem que não pode vencer. Quero sua presença no salão esta noite a meu lado. Pense nos privilégios que desfruta, pois tenho sido mais que generoso permitindo-lhe certas liberdades. Esses arranjos podem ser alterados com facilidade.

Isabella se intimidou com a ameaça. Mas antes de poder replicar, ele continuou, seu olhar suavizado pela jocosidade.

— Sua rebelião me surpreende. É tolice. Embora tenha muitos defeitos, burrice não parece ser um deles. Faria melhor em tentar me agradar. Não é nisso em que seu sexo se distingue? Cultivar o poder tecendo encanto ao redor de um homem, do mesmo modo como uma aranha enreda uma presa em sua teia antes de devorá-la? E quem sabe, demoiselle, talvez descubra que meu favor não é tão caro.

— O que o faz pensar que eu quereria seus favores? — Isabella perguntou com a voz entrecortada.

— Vocês, homens, pensam tão bem de si próprios, assumindo que qualquer mulher se derreteria ao ser agraciada com suas atenções. Bem, algumas de "meu sexo" não se importam em agradar um homem. Nao se engane, suas boas graças são a última coisa que desejo. O que procuro é ficar longe de sua presença odiosa e arrogante o quanto conseguir.

Abaixou a voz ao continuar em tom solene:

— Esperarei pela decisão do rei Henrique, mas não duvido que conquistarei minha liberdade, e quando estiver livre, se me ocorrer de lembrar de você, será apenas com um dar de ombros indiferente. Agora, saia deste quarto, pois não tem direito algum sobre mim que eu reconheça.

Edward a fitou sereno por um longo momento antes de se afastar. Dirigiu-se à porta e, quando Isabella estava se sentindo triunfante, ele falou em tom neutro.

— Guarde-se em sua solidão, então, gélida lady. Sua língua afiada e disposição negativa provavelmente iam nublar nossa celebração. Meus convidados e eu ficaremos mais felizes sem você.

Isabella ficou boquiaberta ante aquela declaração, surpresa com o impacto de suas palavras. Ficou muda enquanto ele se retirava, fechando a porta do quarto com infinita gentileza.


Resposta de Review

Thais

Oi, Ah super feliz por mais uma review sua!

A Victoria vai dar muito problema pra eles ainda. Mas a resolução deles vai ser... muiTOOO BOA.

Pra fazer a conta é só clicar Sing in algo assim que fica no canto da pagina. O tal do tempo é complicado, eu to com tempo por que facul esta em greve :( . não apareceu seu MSN , vou passar o meu aii você só edita o escrito por símbolo! naomiiy (arroba) Hotmail ( ponto) com

Beijinho.

Tatianne Beward, xD