BEIJINHO DE BOA NOITE
Dohko olhou embaixo de todas as mesas, e dentro dos armários mais baixos e baús velhos. Conferiu também sob todas as camas de Libra, dentro do balde de roupa suja, e até mesmo na urna da sua armadura de ouro.
_Onde ela adormeceu dessa vez? – disse tomando o caminho até Virgem. Entretanto, ele parou ao ouvir a voz de Milo, que descia de Escorpião:
_Dohko?
_Pode entrar.
_Olha quem eu achei na escadaria de novo – disse trazendo a pequena Lin nos braços.
A menina dormia agarrada a uma boneca, com o dedinho polegar na boca.
_Eu já estava indo até Virgem para procurá-la.
_Mas aposto que ela gosta mais do caminho até Escorpião – Milo sorriu ao entregar a menina ao pai.
_Isso é. Obrigado, Milo. A Lin tem mesmo essa mania de adormecer nos lugares mais inesperados.
_De nada, Dohko. Ela é uma graça.
O libriano, percebendo que a filha estava prestes a acordar, começou a niná-la devagarzinho.
_Eu já vou – despediu-se Milo, num sussurro.
Dohko sorriu e caminhou lentamente até o quarto da filha, cheio de borboletas coloridas de papel, que desciam do teto penduradas por fios. Com toda a delicadeza do mundo, ele pôs Lin na caminha. No entanto, ela acordou como sempre fazia.
_Papai... O meu beijinho – disse a menina de quase quatro anos.
Dohko sorriu e beijou a testa dela.
_Agola o da Shunlei – falou Lin ao entregar sua boneca a ele.
Dohko também beijou a testa da boneca e cobriu a filha com uma colcha rosa.
_O Shilyu vem amanhã da China?
_Vem, Lin.
A menina sorriu. Amava as visitas de Shiryu, e dizia a todos que ele era o seu irmão mais velho. Ela adormeceu, e, no dia seguinte, fez a maior festa. Passou todo o tempo correndo atrás do cavaleiro de bronze, que também a adorava. À noite, Dohko começou a sua busca: encontrou Lin adormecida e encolhida perto do sofá, no chão. O papai libriano tomou a filha nos braços e fez o mesmo caminho até o quarto rosa dela. As borboletas de papel pareciam voar ao toque gentil do vento, e o cavaleiro colocou a menina sobre a cama com cuidado. Entretanto...
_Meu beijinho, papai.
Dohko repetiu o gesto de todas as noites, já esperando por...
_O da Shunlei também.
O cavaleiro beijou também a testa da boneca.
_E o Shilyu também – lembrou a menina.
Dohko riu. Depois, fechou a janela do quarto e cobriu a menina com um lençol. Já no caminho para o próprio sono, o antigo Mestre Ancião viu Shiryu adormecido no sofá, prestes a cair no chão.
_Sempre assim – falou sorrindo antes de ajeitar o cavaleiro de bronze.
_Mestre?
_Sou eu. Continue dormindo.
Shiryu sorriu e voltou a fechar os olhos. Dohko balançou a cabeça e disse:
_Essas minhas crianças...
