Harry não sabia o que dizer. Nunca pensou que pudesse ficar sem reação alguma, apenas escutando um zumbido em seu ouvido, sem conseguir ao menos pensar. Mirou Draco e no momento ele lhe lembrava muito o menino de dezesseis anos que fora, assustado e perdido. Encontrava-se com as mãos nos bolsos e os ombros encolhidos, toda a frieza e arrogância parecia ter ido embora. Harry não queria pensar o que não devia, sabia que não poderia confiar em Draco, o loiro era traiçoeiro.
- Harry...
Fechou os olhos com força, sentindo o impacto de ouvir seu nome sendo sussurrado por ele com tamanha urgência. Normalmente, quando o outro se referia a ele sem ser em alguma transa, chamava-o de 'Potter', com sua típica voz arrastada e cheia de indiferença.
- Eu não me orgulho das coisas que fiz, não me orgulho da forma como te tratei, mas antes me parecia tão... Certo. E quando eu percebi que realmente havia te perdido, não tive mais paz, fui obrigado a reconhecer meus sentimentos ! – passou as mãos pelo rosto, parecendo cansado – Eu sei que sou uma pessoa difícil... Insuportável, nas palavras de Astória. – sorriu com certo carinho, e aquele ciúme doentio que sempre o acometia quando pensava no loiro com a esposa voltou – Mas eu estou tentando concertar meus erros... – suspirou, aproximando-se.
Harry afastou-se automaticamente, não sabendo lidar com a força de seus sentimentos no momento.
- Fale alguma coisa... – pediu o loiro, em voz baixa e rouca.
Harry sentia como se tivesse um grande nó em sua garganta e simplesmente não conseguia falar. Olhando Draco ali, tão aberto e humilde, Harry não pôde evitar sua impulsividade grifinória, e agarrou o loiro, beijando-o apaixonadamente.
O beijo de Draco estava diferente.
Diferente de um jeito que fazia com que suas pernas bambeassem e seu coração batesse como uma bateria de escola de samba. Sentiu os braços do loiro envolvendo-o com força e em segundos ambos caíam na cama, ainda abraçados. Malfoy se afastou por um segundo, mas ao invés de espalhar beijos quentes em seu pescoço, grudou os lábios em seu ouvido e sussurrou:
- Ouça com bastante atenção, pois eu não irei repetir essa frase muitas vezes, Harry. É difícil para mim... – suspirou e Harry teve medo que seu coração explodisse tamanha era a força e rapidez com que batia.
- Draco...
- Eu amo você.
E voltou a beijá-lo com ânsia, provavelmente querendo evitar que Harry respondesse, principalmente respondesse algo que não fosse de seu agrado.
Era como se o seu coração doesse pela intensidade de seus sentimentos. Merlin, ele havia falado ! Realmente havia falado aquelas três palavras. Ainda não conseguia convencer-se de que aquilo não era um sonho. Agarrava-se ao loiro com força para certificar-se de que aquilo era real.
Arrancaram as roupas um do outro com urgência, tocando-se como se fosse a primeira vez. Sentia-se arder, e tudo lhe parecia desfocado. Só via Draco, só ouvia Draco, só sentia Draco. Draco. Draco. Draco.
Os dedos longos embrenhavam-se entre seus cabelos e seu nome saía repetidamente dos lábios finos, como um mantra. Sentia-o tremer sob si e sabia que Draco estava se deixando sentir tudo o que antes não se havia permitido. Ouviu Draco murmurando um feitiço lubrificante, e apertou os olhos com a leve pontada de dor que sentiu quando um dedo do loiro o invadiu.
- Shiii... Relaxe... – sussurrou em seu ouvido e beijou-o levemente, olhando-o sempre nos olhos.
Harry suspirou com o inegável sentimento que via naqueles orbes cinzas. Eles estavam sempre tão cheios de desdém e indiferença, que era como se não fosse o mesmo Draco que estivesse ali.
Mordia os lábios e soltava gemidos abafados enquanto Draco o preparava. Abraçou-o com força quando o loiro finalmente postou-se sobre ele, afastando suas pernas com delicadeza.
- Draco...
- Potter, não... – o sonserino suspirou, a testa franzida.
- Eu também amo você.
Draco sorriu, um sorriso triste, que não tirava nem passava nada. Beijou-o mais uma vez e começou a penetrá-lo lentamente. Fazia tempo que não ficava por baixo, e quase arrancou sangue dos lábios de tanto mordê-los, procurando descontar a dor em algo. Apertou as costas do loiro com força e envolveu as pernas na cintura magra, que gemeu alto, enterrando-se fundo no moreno. Moviam-se juntos, numa sincronia perfeita, fazendo-o sentir-se leve, finalmente leve, em muito, muito tempo. Draco fazia aquilo tão bem que era até de se estranhar que na maioria das vezes o ativo fosse ele. Harry era muito desesperado, o loiro era um cetim, leve e fino, sabia como ninguém como retardar o prazer para depois deixá-lo vir com força total, como um redemoinho em alto mar. E beijando-o, apertando-o, incitando-o, conduzindo-o, Draco levou-o ao prazer delirante, ao caos, ao fogo, ao melhor orgasmo de sua vida. Deitaram-se juntos, e pela primeira vez em anos, Draco puxou-o para junto de si depois de transarem.
- Você sempre consegue o que quer, não é, Potter?
- Nem sempre...
Se conseguisse, eles estariam casados há vinte anos.
- E agora? – Harry questionou.
- E agora o quê? – sentiu o loiro sorrindo contra seus cabelos.
- Você...
- Você quer saber se eu vou me separar de Astória?
Harry suspirou, sabendo que isso seria impossível.
- Não, Draco. O que eu quero saber é como nós vamos ficar.
- Você quer que eu me separe dela?
Harry prendeu a respiração. Seria possível que Draco se separasse de sua perfeita esposa por ele?
- Draco...
- Eu me separaria... – ele resmungou, suas feições extremamente sérias – Mas depois disso, não terei nada a perder, Potter. E você?
Harry entendeu o que o loiro queria dizer. Seu filho sabia deles, sua esposa saberia deles, e ele iria querer que todo aquele sacrifício valesse de algo.
- Eu... Eu tenho que acertar as coisas com Ginny... Ela foi embora furiosa.
- O que houve entre vocês?
- De algum jeito, ela descobriu sobre nós. Pensei que fosse me matar ! – riu, sem humor algum.
- E como ela descobriu?
- Não sei, ela não quis me falar... – suspirou – Mas independente disso, há meus filhos... Scorpius sabe e aceita, o seu único problema será Astória e...
- Ela sabe de nós, Potter. – cortou-o.
Harry sentiu uma onda de choque atravessar seu corpo. Como diabos... ?
- Desde quando?
- Desde sempre.
- Por que... Por que... Por que você nunca me disse nada? – perguntou, virando-se de frente para o loiro para olhá-lo com indignação.
- Não achei necessário. – Draco respondeu com indiferença.
- Ora essa... – o moreno bufou – Claro, era totalmente desnecessário citar que sua mulher sabia de nós ! E... Ela não se importa?
- Claro que se importa... Mas ela te classe.
- Coisa que você está insinuando que eu não tenho... – Harry disse, fechando a cara.
- Bem... – murmurou, tenso.
Harry levantou-se, e postou-se em frente à cama, olhando-o.
- Draco, eu não sei o que fazer. Você sabe que se fosse por mim, e por minha estúpida impulsividade grifinória, como você diz, nós iríamos pra bem longe, onde ninguém pudesse nos achar. – disse em tom baixo e observou um leve sorriso abrir-se no rosto do loiro – Mas eu tenho meus filhos, e...
- Faça o que tem que ser feito, Potter. Eu já desisti de tentar me livrar de você. – soltou um suspiro sofrido.
Por incrível que parecesse, Harry sentiu-se lisonjeado. O ardor nos olhos claros era evidente. Harry o entendia, porque com ele se passava o mesmo. Aquele amor era doentio, perverso e maligno, e o mais sensato seria se afastarem. O mais sensato, mas desde quando sentimentos eram sensatos? Já perdera a sensatez havia vinte anos, não havia escapatória.
- Eu...
- Eu volto daqui a uma semana. – resmungou e se levantou, vestindo-se rapidamente – E realmente espero que tenhamos o final feliz que você queria ter tido há vinte anos atrás. – deu-lhe um beijo suave e saiu.
Harry estava afundado em um mar de incertezas, pensando no que seria de sua vida dali para frente, pensando se dessa vez, seria o destino que o separaria de seu amor.
Escolheu aparecer na casa que morara por quase vinte anos quando os filhos não estivessem. Não queria que eles presenciassem nenhuma cena constrangedora. Ginny provavelmente ainda estava furiosa, e Harry provavelmente deveria esperar, mas ele nunca fora bom nisso. Quando tocou a campainha, surpreendeu-se com a aparência da esposa. Sim, esposa, ainda era muito cedo para conseguir pensar nela como ex.
Estava descabelada e extremamente pálida. Seus olhos estavam fundos e com olheiras negras, e parecia estar mais magra também. Seu coração se contorceu de culpa, não queria que ela sofresse, não queria que ela passasse por aquilo. Ela não merecia. Fora a melhor e mais dedicada mulher que algum homem poderia querer. Ao ver sua expressão sofrida, Ginny suspirou e surpreendeu-o quando disse:
- Entre, Harry. Fiz chocolate quente.
Ele entrou, sentindo a esperança acender-se em seu peito. Talvez houvesse perdão. Não que ele o merecesse.
Muito obrigada á Ingrid Ayalla, Triele e Yann Riddle Black pelo comentários. Espero que todos gostem deste capitulo, e lembrem-se REVIEW! :)
