Part ONE: JARED

Zzzzzzz.

Zzzzzzz.

Zzzzzzz.

O barulho poderia ser igualado ao de uma vespa voando ao lado do meu ouvido, mas quando abro os olhos é meu celular que está vibrando em cima do criado mudo.

Meu corpo todo está doendo, parece que eu fui atropelado por um caminhão.

Reúno forças e pego o aparelho que ameaçava cair de cima do móvel. A luz forte da tela me deixa cego por alguns segundos, mas depois de piscar algumas vezes identifico quem está ligando: Chad.

Quem mais seria, não é mesmo?

Fecho os olhos novamente e deixo o telefone cair no meu peito. Apenas um fino lençol cobre o meu corpo e o corpo ao lado do meu.

O homem loiro respira suave e ordenadamente, dormindo sereno com o rosto enfiado nos travesseiros. Suas panturrilhas, coxas e um pedaço da bunda estão descobertos, meu corpo se eletriza só de olhar para aquele pedaço de carne alvo e salpicado por pequenas sardas e delicioso aos olhos.

Esfrego as mãos no rosto para espantar o sono e tentar me levantar da cama, mas ele não vai embora. Mesmo contra a minha vontade, me levanto fazendo o mínimo possível de barulho e vou para o banheiro avaliar meu estado.

Fico em pé, na frente do espelho, os cabelos desgrenhados, a pele marcada por mordidas, beijos e chupões. O mais arroxeado é na curva do pescoço com o ombro esquerdo, enquanto do outro lado vinte e oito dentes podem ser contados na marca da mordida. Agora ambos estavam ardendo.

Nem consigo acreditar que transei com Jensen a tarde e noite inteira, nem sabia que isso era possível no sexo anal. Mas ele deu um jeito, fez ser gostoso em todas as vezes. Era para ter sido só uma. Uma vez e pronto, estaria tudo acabado, as palpitações no coração, as borboletas no estomago, a eletricidade no ar... tudo. Mas então veio a segunda vez. E então a terceira e depois a quarta e depois dessa eu parei de contar.

Minha bunda está ardendo, tanto nas minhas nádegas, quanto na minha entrada, parece que eu levei uma surra com uma cinta de couro. Meu corpo se contrai quando eu dou um passo para frente, e sinto a ardência no meu ânus. Droga, como dói.

Abro a torneira e encho uma concha de água com as mãos, jogando no rosto para me despertar. Repito o processo mais algumas vezes e então libero a minha bexiga na privada, me sentindo aliviado quando paro na porta do banheiro.

Jensen ainda dorme, de bruços, com uma perna esticada e a outra contraída, é desse lado que dá pra ver a sua bunda e só com essa visão meu membro já ameaça sair do descanso.

Passo a mão pelo cabelo e o ajeito da melhor forma que consigo, sentindo os nós nos fios formados por Jensen ter me segurado por eles na noite passada.

É impressionante a quantia de embalagens de camisinha que tem espalhadas pelo chão do quarto. Haviam dez quando chegamos, na gaveta do criado mudo, e Jensen pediu por mais pelo interfone duas vezes.

Meu cérebro ainda não estava assimilando corretamente o que aconteceu na tarde e noite anterior. Parecem só flashes muito detalhados, gemidos, gritos, insultos, cheiros, gostos, sensações. É tudo diferente do que eu jamais tinha experimentado antes.

O vibracol do celular avisa novamente que alguém está tentando me ligar, mas eu não tenho a mínima vontade de ir atender. Apesar disso, obrigo minhas pernas a me obedecerem e irem até a cama novamente, onde o aparelho está.

– Graças a Deus. – É a primeira coisa que ouço ao atender ao telefone. – Eu te liguei umas trezentas vezes, estou quase morto de preocupação, onde você está? Eu vou aí te buscar agora.

Rio discretamente depois que Chad sugere vir me buscar.

Claro, estou no motel junto com Jensen Ackles, na rodovia 78, só não repara nas embalagens de camisinha espalhadas pelo chão quando entrar.

– Eu disse que dormiria fora. – Lembro preguiçosamente.

– Não – Chad me interrompe –, você disse que talvez dormisse fora. Pensei que, sei lá, iria me ligar avisando.

Eu estava muito ocupado transando.

– Desculpe. Acabei bebendo um pouco junto com Jus e perdi a noção do tempo. Logo eu chego aí.

Não tenho a mínima ideia de como vou fazer para chegar a menos de dez metros do Chad sem que ele perceba as marcas e o meu jeito torto de caminhar.

Ele ainda diz mais coisas, mas nessa hora eu já estou com os olhos fechados o ignorando. Me despeço e tento soar o mais convincente possível.

Consigo. Mas a impressão que eu tenho é que estava mentindo para um Mestre dos Segredos, que sabe de tudo a todo momento. Me odeio por isso.

Quando desligo o celular e o deixo sobre o peito, olho para o lado e vejo Jensen me observando. A quanto tempo ele está acordado?

Como se lesse minha mente, ele responde:

– Não a muito. Acabei de acordar, quando estava dando tchau.

Jensen se espreguiça e se aproxima mais de mim, rolando por cima do meu corpo e ficando a milímetros da minha boca, com aqueles lábios grossos onde um sorriso maroto rasgava a face.

– O que está fazendo?

– Mmm... Te beijando? – Ele diz simplista, quase dando de ombros, mas não o fazendo por causa da posição.

– Me larga, a gente já fez o que tinha que fazer... agora me deixa f...

Minha fala é cortada no meio por Jensen, que me beija avidamente, parecendo morrer de fome, como um Leão atacando um Antílope no meio da savana.

Correspondo imediatamente, levando as mãos as costas dele e apertando seus músculos decorrentes da natação.

Deus, como é gostoso beija-lo e senti-lo assim.

Em pouco tempo ele sai do meu colo e fica entre as minhas pernas abertas. Nós dois estávamos pelados, e as ereções cresciam orgulhosas e entumecidas, roçando uma na outra.

Sem nunca desgrudar meus lábios dos dele, levo minha mão para os nossos baixos-ventres e agarro os dois paus, os masturbando juntos. A maioria das pessoas sentiria dificuldade em fazer tal coisa, mas agradeço aos céus nesse momento por ter uma mão grande.

– Ah, Jay, porra cara... que delícia...

Os gemidos roucos da voz grossa de Jensen no meu ouvido fazem meu abdômen estremecer e meu pau pulsar. No espelho acima de nós, no teto, consigo ver a bunda redonda e branquela dele, se mexendo, comprimindo e relaxando a cada vez que eu aperto o pau dele ao meu.

– Me come. Eu quero o seu pau em mim agora mesmo! – Ordeno, com os olhos escuros de tesão. A vontade ainda não tinha passado, como imaginados, mas provavelmente era por ainda estar vendo um ao corpo do outro nu e excitado.

Ele morde o lábio e me olha com desejo, balançando a cabeça em concordância e gemendo grave. Puta que pariu, Jensen Ackles deveria ser proibido de gemer.

Abro a gaveta do criado mudo e pego uma camisinha, procurando pelos saches de lubrificante e não encontrando nenhum. Jensen percebe o que estou procurando, e também que não vou encontrar, então faz menção de sair de cima de mim para pedir mais na recepção, mas eu o seguro com as pernas ao redor da cintura dele.

– Usa saliva. Você só sai daqui depois de me foder.

Jensen me olha com mais tesão ainda, durante as outras transas notei o quanto ele gosta de falar sacanagem na hora do sexo e o quanto isso deixa ele louco.

Abro o pacote da camisinha e desenrolo-a sobre o membro inchado e pulsante dele, as veias estufadas e grossas pela sua extensão bufam de vontade. Cuspo na minha mão e primeiro lubrifico o máximo que consigo do pau dele, e então esfrego minha saliva no meu cu, que pisca e me causa arrepios pelo corpo. Estava inchado e um pouco dolorido, mas que se foda – literalmente –, tudo que eu quero é ser preenchido pelo pau grosso e delicioso do Jensen.

Antes de meter em mim, ele segura na parte de trás da dobra dos meus joelhos e me inclina sobre o meu próprio corpo, fazendo meus pés chegarem ao meu rosto e minha bunda ficar na altura da boca dele.

– Ahhh, caralho... porra... isso com a língua, mete a sua língua aí! – Gemo manhoso, meio engrolado pela posição, mas com tanto tesão que não me importo nem um pouco com a dor nos ossos do peito.

Jensen me lambe, beija e chupa até me fazer quase gozar, o pré-gozo vaza da cabeça do meu pau e pinga no meu rosto, enquanto ele continua metendo a língua e beijando minha bunda.

Ele faz tudo com tanta fome, parece se deliciar com tanta vontade que eu quero que ele chupe a minha entrada pelo resto dos meus dias.

Depois de mais algum tempo, e quando ele finalmente perde todo o controle, ele me deita novamente e mete tudo de uma vez. Os espelhos ao redor fazem tudo ficar mais erótico e mais gostoso. No espelho do teto os músculos das costas do Jensen se contraem e dilatam a cada estocada que ele dá em mim, enquanto no em frente a cama, consigo ver a entrada dele pulsando quando ele vai para trás e empina a bunda.

Ai! Porra, que tesão do caralho... ele me faz sentir tanto tesão que eu sinto que vou explodir.

Jensen me fode mais lentamente do que na noite passada, apreciando cada entrada e cada saída do membro dele. A extensão grossa e veiúda e saco dele batendo na minha bunda fazem as borboletas do meu estomago se agitarem e meu pau doer.

Enfio um dedo na boca dele quando ele separa nossos lábios por um segundo, melecando-o de saliva. Ver o cuzinho dele tão apertadinho e tão necessitado pelo espelho me dá ideias.

Arranho a pele das costas dele e agarro uma das bandas de sua bunda com a mão, esfregando meu dedo no seu anel de músculos e metendo todo de uma vez quando ele mete em mim.

Os dois gemem mais alto, e ele se contrai ao redor do meu dedo, me segurando dentro, enquanto volta a me foder, agora com mais força, batendo o quadril nas minhas nádegas.

– ISSO! – Grito. – Me fode, Jensen! Com força! – Dou a ordem e ele obedece, enquanto, agora, meto meu dedo livremente nele, a cada estocada que ele me dá. Quando ele soca minha próstata diversas vezes, não aguento mais, meus pés repuxam e meus dedos se curvam para frente, enquanto eu gozo sem me tocar sobre a minha barriga e ele continua me fodendo como um animal.

– Goza na minha boca, eu quero sua porra espirrando em mim. – Falo no ouvido dele e ele concorda com a cabeça, insaciável, me beija mais uma vez e sai de dentro de mim, sentando sobre o meu peito e tirando a camisinha, enquanto se masturba com o pau na minha boca.

Seu esperma vem quente e espesso, ele goza tanto que minha boca fica cheia e escorre pelos lábios. Engulo tudo que encontro, ficando extasiado com o gosto. Esse orgasmo parece ter sido um dos mais fortes para ele, pois ele cai na cama e fica imóvel, com os olhos fechados e a respiração descompassada.

Vou até ele, do outro lado da cama engatinhando, e deito ao seu lado, procurando os lábios dele e o beijando, calmo, devagar, deliciando-me com cada vez que ele lambe meus lábios e os puxa entre os dentes.

Coloco a mão sobre o peito dele e brinco com seus mamilos, que enrijecem na hora e Jensen morde o lábio.

– Eaí, o que fazer agora?

Pergunto. Era uma pergunta tosca e que ele não tinha o dever de responder, mas o faz mesmo assim.

– Acho que cada um segue com a própria vida. Agora que já fizemos bastante sexo e já provamos o que queríamos um do outro, essa atração vai diminuir e, então, sumir. E a gente pode acabar sendo... amigos. – A pausa que ele faz deixa um leve tom triste ao que ele falou, mas deve ter sido uma interpretação errada.

– É, tem razão. Nos vemos por aí... no Rotary, na empresa quem sabe.

Levo a mão ao rosto dele e ele ao meu e nos olhamos nos olhos por apenas uma fração de segundo, que é suficiente para me deixar cheio de dúvidas se é o que ele quer mesmo, mas então nossos lábios se juntam por uma última vez, num beijo doce e profundo, lento e com línguas lambendo tudo que podem, guardando cada gosto e cada sensação.

Quando saio pela porta do quarto ele fica me olhando da cama, no mesmo lugar onde eu o deixei para tomar banho e me vestir.

E então ir embora.

Part TWO: JENSEN

Três semanas.

Aquele sábado completavam três semanas.

A música alta do mesmo pub onde alguns meses atrás eu beijei Jared no banheiro ecoa estridente pelos meus ouvidos, me deixando meio tonto. A bebida que eu estou tomando também pode estar ajudando nesse efeito.

Tom está dançando na minha frente, não demorou dois dias, depois eu ele me deu seu ultimato, para voltarmos. Ele pediu desculpas, eu pedi desculpas, e tudo voltou a ser como era. Ou mais ou menos como era.

Não vi mais Jared na Marchall ou no Rotary, não sei se ele anda me evitando ou se são só vários pontos de coincidência. De qualquer forma, depois do sexo com ele as coisas não aconteceram como eu gostaria. A atração não passou, na verdade as alucinações com o corpo gostoso e a voz rouca gemendo só se tornaram mais reais, já que agora eu tenho material para imaginar.

Droga. Tudo que eu menos precisava agora é de mais um problema com um homem.

Na verdade, há meses esse problema vem me alucinando, a diferença é que a três semanas atrás eu tinha esperança que isso passasse, agora eu só consigo pensar que talvez eu esteja condenado para o resto da vida.

Melodramático demais da minha parte, talvez. É só um sentimento platônico que está durando mais do que deveria. Não é amor. Não têm como ser. Pensar nessa possibilidade é ridícula.

Jason, Chris e Ian estão na mesinha de canto do pub, bebendo e jogando conversa fora.

Termino de virar meu copo e chamo Tom para perto, para avisar que iria pegar uma cerveja, a tequila já estava fazendo meu estomago revirar, mas apesar disso eu não iria parar de beber. Aquele era o dia para eu não me lembrar do que aconteceu.

No bar, depois que o rapaz platinado pega uma garrafa para mim, eu a abro e tomo um gole, dando dois passos para frente e então sendo atingido por um copo de uma bebida vermelho-sangue, que se espalha pela minha camiseta branca como se eu tivesse levado uma facada.

O loiro que me derrubou a bebida parece se sentir muito culpado, se desculpando várias vezes e se oferendo para limpar. Mas como diabos ele a limparia? Suspiro e digo que está tudo bem, seguindo para chamar Tom para ir embora. Aquele drink estava secando e deixando todo o açúcar incrustrado na minha pele.

Jason zomba de mim por ser tão fresco quanto a apenas uma bebida derramada e estar indo embora, mas a tequila e o whisky de mais cedo me impedem de pensar em qualquer resposta para ele, então só concordo e saio dali com Tom.

Part THREE: JARED

A música alta enche minha cabeça de vibrações, e a que está tocando é uma que eu particularmente adoro. Ela fala sobre ter tido o momento mais divertido da vida, e dever tudo isso a alguém.

A parte mais divertida da minha vida aconteceu a poucas semanas atrás, num ato de loucura impensada.

Correr dele não estava mais sendo fácil. Ele parecia se multiplicar e aparecer em diversos lugares ao mesmo tempo. Até Sadie me arrastou para um lugar onde ele estava na semana passada, isso me fez questionar de que lado ela está.

Três semanas não são muitos dias. Vinte e um, para ser exato. Quinhentas e quatro horas. Não que eu tenha contado, essa informação só havia passado em um noticiário qualquer na TV.

Depois de dançar a minha música favorita, eu volto para a mesa junto com Stephen, Justin, Misha e Victória – ou Vicky, como ela gosta de ser chamada – enquanto Chad vai buscar mais do drink que ele está tomando.

Ainda nem acredito que só descobri hoje que Misha está namorando a garota com a qual ele tinha sonhos molhados. As coisas aconteceram bem rápido, na verdade. Depois que saíram juntos pela primeira vez, saíram de novo e de novo e de novo e de novo até que ambos perceberam que aquilo já contava como namoro, então apenas compraram alianças para firmar tudo e pronto.

Queria que minha vida se resolvesse tão facilmente assim.

Stephen passa cada vez mais tempo olhando Justin quando ele não está olhando, não sei como Jus ainda não percebeu os olhares dele sobre si. Eu gostaria de dar um empurrãozinho e contar para o meu melhor amigo que tinha um loiro gostoso querendo ele, mas Stephen me fez prometer que não o faria quando me contou tudo e acabou com as minhas dúvidas sobre os olhares.

Chad volta a mesa, com respingos de vermelho na roupa e um copo cheio na mão. Está rindo.

– Vocês não vão acreditar! – Ele diz quando se senta e toma um gole do drink chamado Lamento de Viúva, seu preferido. – Eu peguei meu drink no bar e quando fui voltar para cá, um loiro se enfiou na minha frente e eu derrubei um copo inteiro disso na camiseta branca dele. Ele ficou furioso, e saiu bufando. Acho que aquela roupa dele já era.

Ele termina seu relato e todos rimos juntos. Coitado do cara, além de perder a camiseta, provavelmente acabara com sua festa também.

O resto da noite passa rápido, a festa estava agitada e incrivelmente atrativa, tanto que só vamos embora depois que a música para e as luzes se acendem. Fazia muito tempo que eu não me divertia tanto com Chad, é até meio estranho.

Quando chegamos em casa, quase amanhecendo, e ele vem para cima de mim para conseguir sexo, eu não recuso e tento fazer de tudo para gostar, mas parece que alguma coisa está faltando.

Na semana seguinte, a correria dos dois trabalhos e mais a natação estavam me deixando exausto, exaurido de toda a minha disposição, tanto que acabo esquecendo de passear com Sadie por alguns dias.

Ela se enrosca na minha perna quando eu chego em casa naquela quinta-feira à tarde, pulando e latindo para mim, exigindo a atenção que eu não estava dando.

Me abaixo, depois de soltar minha mochila em cima da mesinha de centro da sala, e afago seu rosto com vontade, enquanto ela lambe minhas mãos e solta grunhidos doces, manhosa.

– A minha garota quer passear, é isso? Quer, não é mesmo, Sady? Garotona do papai. – Falando com ela carinhosamente só serve para ela ficar mais enérgica ainda e pular em cima de mim, latindo e lambendo meu rosto, enquanto sua calda é abanada freneticamente como quem diz "Isso! Isso! É isso mesmo que eu quero!".

Troco de roupa, colocando uma mais leve e fresca, pois estava quente, mesmo sendo outono, preparo-a com a coleira no pescoço e a guia de corrida e em poucos minutos estamos saindo de casa.

Não sei onde está Chá. E nem me preocupei muito com isso, Sadie precisa da minha atenção agora e ela vai ter.

Corremos até o parque Jardim de Cima, aquele que ficava no Morro Azul, e então, entre as linhas dos ciclistas – as quais estavam vazias – damos várias voltas ao redor do campo do Ciclismo – lugar onde ocorriam as competições.

Depois de ficar mais cansado ainda, sento no gramado grande e aberto do parque, onde não se via uma árvore sequer. Era o lugar de camping, onde muitas pessoas montavam acampamento nas épocas de temporada, mas que agora estava também vazio.

Os únicos seres vivos daquele lugar pareciam ser eu e Sadie, até que eu ouço o barulho de um latido e então Sadie se agita, parecendo reconhecer o dono daquele som. A solto e ela corre mais do que depressa em direção ao som, um labrador aparece correndo junto com ela e eles correm para longe, um atrás do outro. Me distraio olhando para eles e quando meu olhar volta a ficar centrado, percebo alguém já bem perto de mim.

Jensen.

Ele anda a passos lentos, quase se arrastando e se joga no meu lado na grama, suspirando cansado.

– Parece que os nossos cachorros se gostam.

Mordo o lábio, mesmo só estando perto dele meu corpo se arrepia.

– É, acho que sim. A Sadie é muito fresca, ela vai com qualquer cachorro... – Falo sem maldade, entendendo que chamei o cachorro dele de qualquer pouco depois. – Quer dizer, não que o seu cachorro seja qualquer cachorro... ele é o seu cachorro e na verdade ele é qualquer cachorro sim. Qual o nome dele mesmo?

Passo a mão no cabelo molhado de suor e o ajeito. O cheiro de suor que Jensen está exalando faz lembranças nada puras virem a minha mente e meu membro já quer começar a se animar. Droga! Por que eu o associo tanto a sexo? Jensen não é só isso, sei que não é. Mas tudo nele me excita.

– É Harley. O nome dele é Harley.

Por alguns segundos a única coisa que pode ser ouvida é o som das nossas respirações, parece que cada um pode ler os pensamentos do outro e quando ele monta no meu colo e me beija eu quase nem me surpreendo, correspondendo imediatamente e enfiando as mãos por dentro da camiseta dele e apertando seus mamilos entre os dedos.

– Droga, que boca deliciosa, eu senti saudade... – Ele murmura entre os beijos e então desce para o meu pescoço, beijando e mordiscando. Enfio a cabeça na grama para dar mais acesso a ele, enquanto Jensen lambe o suor que escorre do meu cabelo e nuca.

– Que porra... porque é tão bom? – Falo gemendo, com Jensen se esfregando em mim, no meu pau.

Em um estalar de dedos me lembro que estamos em um parque público e aberto, onde qualquer um pode nos ver

O empurro de cima do meu colo e ele luta contra, mas então a ficha dele também parece cair.

– Não podemos ficar nos agarrando aqui no meio do parque. Quer dizer... não podemos nos agarrar em lugar nenhum. Deus do céu, nós namoramos e além do mais tem...

Ele me agarra de novo e segura meu rosto enquanto me beija, enfiando os dedos no meu cabelo.

– Então vamos achar um lugar fechado, por que eu tô tão duro que se eu não te foder agora mesmo eu vou ficar doido.

Ele sussurra de forma provocante, daquele jeito que ele conseguiria convencer até a Rainha Elizabeth a abandonar o cargo.

Nos levantamos e para nossa sorte os banheiros do parque estavam abertos e próximos.

O que acontece a seguir é uma confusão de mãos e roupas, tesão acumulado e uma paixão avassaladora.

Só consigo recuperar meus sentidos quando estou cavalgando no colo dele, com ele sentado em cima da pia me beijando.

Depois que nós dois gozamos, nos limpamos e vestimos nossas roupas de novo, vamos até um quiosque que vende sorvete.

– Eu acho que transar uma vez não basta...

Ele diz e eu sorrio, lambendo meu picolé.

– É, eu concordo. Mas não acho certo mantermos isso. É gostoso... – respiro fundo – você é gostoso e eu sinto tesão pra caralho em você mas não dá pra ficar fazendo isso.

– Eu sei. Você acha que eu tô escolhendo trair meu namorado com você? É claro que não. Só acontece. Toda vez que estamos perto eu tenho vontade de arrancar sua roupa e transar com você até não me aguentar mais em pé. É muito louco, mas não é um sentimento que eu não gosto.

Suspiro e olho para baixo, ele tem razão, não é como se pudéssemos evitar.

– Tudo bem. Já que não dá pra evitar, vamos só... fazer. Somos adultos e eu acho que sabemos lidar com isso, né? Se é uma necessidade biológica que os nossos corpos estejam juntos, vamos fazer com que estejam sempre que precisarem.

– Está sugerindo que sejamos amantes? – Ele fala como se fosse um bicho de sete cabeças.

– Nós já somos, só estava querendo tornar oficial.

Ele ri e eu acompanho e então os nossos cachorros estão de volta.

– Será que eles também querem ser amantes?

Jensen pergunta debochado.

– Sadie não é comprometida, então se o seu cachorro também não for, acho que eles podem ter um compromisso sério.

Sorrio covinhas.

– Ele está solteiro.

– Então temos um compromisso.

Continua...