Capítulo 7 – Alma de dragão

Na casa da Lucy:

- Vou pegar algo para comermos e já volto, então não saia daí. – Lucy sorria para Gray ao sair do quarto já devidamente vestida.

Então a garota pisou em algo estranho, talvez um urso de pelúcia que tivesse esquecido no chão. Mas não era. Ergueu do chão aquele buquê horrível de flores murchas enquanto apressava-se a pensar como aquilo poderia ter vindo parar ali. Até que...

- Natsu! – A vontade de chorar voltara novamente. Que pessoa terrível ela era! Precisava encontrá-lo rapidamente, mesmo que não soubesse o que dizer. Não poderia ignorar isso.

Mas Happy chegou voando logo em seguida, muito assustado e desesperado.

- Lucy! – grandes lágrimas rolavam por seu pêlo azul. – Levaram o Natsu embora!

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Em algum lugar:

Pequenos pontos de luz entravam em foco conforme o Dragon Slayer recuperava a consciência, descobrindo que eles pertenciam aos archotes presos nas paredes de pedra, pois não haviam janelas.

Encontrava-se em uma masmorra. Escura, fria e sombria, nada que combinasse com ele.

Sentia o corpo dolorido, mas ao tentar alongar-se descobriu que algo prendia firmemente seus membros impossibilitando qualquer movimento.

Só então se deu conta de que estava acorrentado a uma parede; e não apenas por simples correntes, mas as mesmas que sugaram sua magia horas mais cedo.

Mas nenhuma corrente deteria Salamander! Natsu puxou os braços tentando se soltar; forçou sua magia o máximo que pode. Não iria perder para aqueles pedaços de metais enferrujados! Cerrou os dentes e as correntes estralaram para segurá-lo.

Seus músculos arderam com o esforço, mas as correntes não cederam. Restou ao Salamander rugir de frustração ao desistir da batalha; ou melhor, não desistir, mas recuperar-se antes de tentar escapar novamente.

- Finalmente acordou, Salamander! – Daisuke descia os degraus da masmorra à frente de Natsu, fazendo cada passo ecoar pelas paredes úmidas.

Dessa vez Daisuke não ocultara a face com o capuz, revelando cabelos brancos e longos presos por um elástico. Seu rosto era marcado por estranhas tatuagens; figuras sem forma que entrelaçavam entre si e tinham a cor da madeira quando se decompõe na água; pareciam até que estavam úmidas.

Seus olhos cinzentos fitaram o Salamander enquanto se aproximava exibindo um sorriso cínico.

- Não sei quem é você, mas me solte agora! – Natsu gritou disparado. – Espera, eu conheço você? - Perguntou de repente, esquecendo-se da raiva ao sentir uma estranha sensação de que já vira aquele homem antes.

- Não, mas deve se lembrar do meu irmão. Aquele inútil tem a aparência igual a minha. – Daisuke cruzou os braços com desgosto ao falar do irmão.

- Não me lembro. Ei! Me solte logo, não estou de bom humor hoje!

Daisuke riu. Aquele cara era mesmo tão idiota assim para pensar que ele o soltaria?

- Que pena, Salamander. Não se preocupe; daremos um jeito para melhorar o seu humor. – O sorriso cínico de Daisuke se alargou, ficando sério logo em seguida ao ver que Natsu continuava remexendo tentando se soltar das correntes. – Pare de se mover tanto! Está deixando minhas correntes irritadas.

Com um estralo dos dedos de Daisuke, as correntes puxaram os braços de Natsu, esticando-os dolorosamente para cada lado.

- O que você quer? Por que eu estou aqui? – Natsu grunhiu.

Daisuke aproximou-se de uma das correntes e acariciou-a. Mostrando um estranho sentimento de afeto para com o objeto.

- Essas correntes não são vivas, Salamander; mas elas têm consciência e têm alma. – falou calmamente, parecia mais que estava dirigindo-se a corrente do que ao Salamander.- Há uma técnica antiga e proibida que consiste em arrancar a alma de uma criatura e colocá-la em um objeto de meu controle. Esta aqui é uma quimera – ele apontou para a corrente que estava acariciando. – A outra é um leão. Mas ultimamente tenho preferência por... – olhou fascinado para Natsu – dragões.

As pupilas de Natsu alargaram-se, enquanto os dentes rangiam de ódio. Quem aquele cara pensava que era? Sentiu uma vontade assassina nascendo dentro de si.

- A parte ruim é que para controlar uma alma ela deve ser entregue de bom grado. – Continuou Daisuke.

- Que dragão entregaria a alma a você? – Havia chamas de raiva nos olhos de Natsu.

Daisuke desviou as pupilas para o alto, pensativo.

- O dragão de pedra entregou sem hesitar quando ameacei sugar toda a magia do filhote dele.

Isso era mais do que Natsu agüentaria ouvir. Se ao menos pudesse usar magia...

- Ameaçou... O filhote dele?!

- A segunda parte ruim – Daisuke prosseguiu fingindo não ouvir o comentário do Salamander – é que estranhamente não encontro mais dragões em lugar algum. Parece que todos desapareceram ao mesmo tempo. – Ele voltou a mirar as pupilas do Salamander, caminhando lentamente até ele. – Então que solução melhor para isso do que usar a alma da criatura mais próxima de um dragão? – Aproximou o rosto ao de Natsu para sussurrar em seu ouvido – Um Dragon Slayer?

Ele estava perto, muito perto. Natsu poderia atacá-lo agora. Seus instintos bufavam para que arrancasse a cabeça daquele homem, mesmo que fosse mordendo. Virou a cabeça rapidamente para o ataque, mas foi impedido por uma terceira corrente que prendeu a algema em seu pescoço.

- Aí está meu manticore! – Daisuke deu um passo para trás. – Não perca seu tempo tentando escapar, Salamander; nas condições em que se encontra fugir é impossível. Além disso, ninguém da sua guild irá descobrir onde você está graças à magia de Tadao.

- Que magia é essa? – Natsu temia outro ataque a guild enquanto não estava lá para protegê-la.

- A magia de abrir portais em qualquer lugar do mundo. O portal não deixa o cheiro nem qualquer rastro da pessoa que o atravessou. Em outras palavras, não há nada que impeça sua alma de dragão de ser minha. – Daisuke virou-se para subir as escadas novamente.

- He! – um sorriso confiante e provocador estampou-se no rosto de Natsu – Eu jamais darei minha alma a você.

Daisuke respirou fundo. Então virou apenas o necessário para visualizar o Salamander enquanto dizia:

- Não importa o quão ferido esteja, se não estiver morto o corpo não afetará a alma. Salamander, já fiz criaturas maiores que você desistirem de suas almas. Não tenho pressa, pode levar o tempo que desejar.

E com isso Daisuke iria subir as escadas... Se não ouvisse o barulho de alguém descendo apressado e gritando: "Nii-san!".

O irmão de Daisuke chegou à masmorra arfando. A única diferença entre ambos era o cabelo curto do mais jovem.

- Por que não me chamou antes de descer aqui? – perguntou indignado a Daisuke. – Você sabe que tenho assuntos a serem resolvidos com ele!

Daisuke respirou fundo mais uma vez tentando não perder a paciência com o barulho irritante do irmão.

- Faça o que quiser, terminei por hoje.

- Nii-san, você sempre pega leve nos primeiros dias, mas eu não vou fazer isso.

- Eu disse para fazer o que quiser. – E Daisuke subiu as escadas, deixando o irmão e Natsu na masmorra.

- Já vou avisando que não vai conseguir a minha alma! – Natsu gritou enquanto o irmão de Daisuke vinha em sua direção.

- Não tivemos tempo para nos apresentar da última vez, Dragon Slayer. Sou Eri.

- Não me importo com que você seja. – Natsu olhou para ele com desinteresse.

- Se esqueceu de mim? O líder dos ladrões que você massacrou há alguns dias? – Eri estralou os punhos, animado. – Não sou um mago como meu nii-san, mas não pense que isso seja uma desvantagem.

- Mas naquele dia deve ter sido uma grande desvantagem. Sinto que conheço você, mas ainda não me lembro. Você era aquele cara que eu joguei no monte de esterco? – Natsu provocou. – Ou aquele que saiu correndo choramingando pelo irmão?

- Não é muito inteligente da sua parte me provocar quando está impossibilitado de usar magia, Dragon Slayer.

- Não me subestime, Eri-chan – Natsu ainda exibia o sorriso zombeteiro.

- É você quem não deve me subestimar. – Eri também sorria, mas de forma perversa.

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No próximo cap q tal um pouco de tortura?? *-*