DISCLAIMER: Apenas a fanfic me pertence. Personagens, localizações, nomes, feitiços e artefatos pertencem a J. K. Rowling/Warner Bros ©.


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- Você vai comer isso? - Peter perguntou enquanto cutucava com a ponta da faca o pedaço de carne solitário no prato do amigo. Remus franziu o nariz para a comida. O período da lua cheia sempre o deixava com hábitos diferentes de seu normal, mas ao notar que a carne estava mal passada e com sangue virou o rosto. Peter levou isso como um sim e a espetou para si mesmo.

- Você tem que comer. - James brigou. Remus deu de ombros e voltou a descascar a mesa e tirar a pintura e soltar no chão.

- Isso é uma péssima ideia. - ele afirmou. Sirius levantou os olhos para e como se dissesse: "Nós já não tivemos essa mesma discussão?", porém não respondeu nada, se limitando apenas a dar um tapa na mão do amigo, para que parasse com o hábito feio. – Não adianta me distrair, Padfoot, não vai dar certo.

- Claro que vai! - Sirius latiu. - É genial.

Remus suspirou e olhou para ele com ar assassino. Ia começar a falar quando o moreno o cortou.

- Sim, sabemos do plano. Devemos aguardar Madame Pomfrey voltar do túnel e então Pete aqui - ele pôs a mão no ombro do amigo - vai apertar o botão no Salgueiro, então iremos até você na Casa dos Gritos sob a capa do Prongs. Madame P... - ele ia continuar, mas Remus o cortou.

- Tá, tá bem, chega. - ele disse. Suspirou e olhou para o céu do lado de fora. Já estava escurecendo e Remus estava sentindo a pele formigar e o sangue pulsar mais forte. Peter terminou de mastigar e apontou para o céu.

- Você já não deveria estar indo, Moony? - ele perguntou. - Acho que já está tarde.

Sirius fez uma careta para o amigo, mas assentiu para Remus, que suspirou e se levantou.

- Por favor, tomem cuidado. - ele disse antes de sair andando e deixando os amigos sentados olhando para ele em silêncio. Desde quando essa ideia surgiu, ele a detestou. Afinal quem em sã consciência gostaria de passar uma lua cheia ao lado de um lobisomem, que não tinha ciência alguma do que fazia, apenas por diversão? Ele sacudiu a cabeça e afastou os pensamentos. Os amigos queriam apenas ajudá-lo a suportar um fardo que era pesado demais para carregar sozinho, porém isso não significava que Remus iria aprovar o perigo que eles estavam se metendo. Subiu ao dormitório sem que ninguém o visse e separou roupas limpas e também coisas que iria precisar. Trocou de roupa e colocou a capa que o pai havia lhe dado, se ajustando perfeitamente em seu pescoço e joelhos. Saindo da sala comunal ele colocou a bolsa no ombro e desceu até a enfermaria em silêncio. Remus tinha aprendido da maneira mais difícil como andar invisível por Hogwarts sem chamar a atenção de ninguém, recebendo 'boa-noite' apenas dos quadros da escola e alguns fantasmas. Ao passar na frente do salão principal podia ouvir as conversas e risadas do jantar e quase desejou entrar e tentar convencer novamente os amigos a não fazerem aquilo. Bufou e continuou andando. Eles não o dariam ouvidos de qualquer maneira. Ele encontrou Madame Pomfrey parada em frente a porta principal do castelo, enrolada em casacos grossos e segurando a varinha acessa perto do rosto.

- Boa noite, Sr. Lupin - ela disse.

- Boa noite Madame Pomfrey, como vai? - ele perguntou. Ela sorriu e ele a acompanhou para fora do castelo, agora sem a luz da varinha. Eles caminharam em silêncio, como normalmente sempre faziam. As vezes trocavam perguntas um com o outro, mas essa noite ele havia se atrasado um pouco no horário marcado. Madame Pomfrey continuava a olhar para o céu. Ele não precisava olhar para cima para saber que a lua já estava em seu posto, a sentia em cada poro. Ele observou Madame Pomfrey enfeitiçar o botão perto das raízes do Salgueiro e os galhos se desdobrarem silenciosamente abrindo sua passagem. Seu cérebro brincou com seus olhos ao imaginar um rato cinzento correndo através da grama e pousando com um salto em cima do botão, mas Remus piscou e se concentrou em outra coisa. Pensar isso era imaginar apenas mais uma maneira em como os amigos poderiam se ferir. O túnel surgiu a sua frente e eles entraram. O túnel era escuro e eles normalmente o seguiam com as mãos na parede. Depois de alguns minutos andando, eles chegaram.

- Você já sabe de quase tudo, acredito. - ela disse afofando uma almofada no sofá - Voltarei assim que o sol raiar. Se acordar antes, tem comida no armário e coberta em cima do sofá. Mantenha as janelas fechadas e assim que eu sair empurre a cômoda em cima do túnel. - Ele assentiu para ela, que acariciou seus cabelos com dó, lhe desejou boa noite e então foi embora. Remus suspirou e tirou a capa do pescoço, a pendurando em uma altura que seu eu quadrúpede não a alcançaria. Ele fez o que Madame Pomfrey tinha instruído, como era acostumado a fazer e checou todas as fechaduras das janelas duas vezes. Quando acabou, ele se sentou no sofá e pôs os pés para cima. Se pegou pensando em sua mãe, e fez uma nota mental que mandaria Pandora com uma carta pela manhã. Ele sabia que Madame Pomfrey iria demorar para retornar até o castelo, então os amigos (se viessem) iriam levar mais tempo do que o esperado. Remus suspirou e começou a puxar fiapos do sofá, tentando deixá-lo menos feio. Acabou se distraindo com a tarefa, sendo trazido de volta ao mundo real apenas quando ouviu um baque surdo do outro lado da cômoda que ele havia empurrado na porta. Ele levantou correndo e arrastou a cômoda para o lado, olhando para a passagem aberta. A cabeça e Sirius e James, e no ombro deles se encontrava Peter em sua forma animal. Remus teria se assustado se não estivesse acostumado com o efeito da Capa da invisibilidade.

- Vocês vieram. - ele suspirou derrotado e Sirius riu.

- Claro que viemos! - ele latiu. Com um braço ágil ele tirou a capa e James estava ao seu lado, e esticou o braço para baixo, na altura do braço do sofá para que Peter pudesse correr o usando como ponte. James o ajudou com a cômoda, para retorná-la no lugar. Remus continuou apoiado na cômoda, observando enquanto os amigos andavam apreensivos pela casa abandonada, registrando cada detalhe.

- Por Merlin, esse lugar precisava de uma nova decoração. – James brincou e Remus rolou os olhos. Claro, uma nova decoração para que ele pudesse destruí-la. Peter ainda farejava o ar delicadamente, registrando os novos cheiros e Remus notou que Sirius estava agachado perto de uma janela, com a mão na parede.

- Uau. - Ele disse abrindo os dedos para que se encaixassem na marca de garras que havia ali - Você deve ser imenso, olha o tamanho da pata, é quase do tamanho da minha mão humana! - ele disse baixinho. Remus engoliu em seco e andou até eles.

- Ainda acho uma péssima ideia.

- Não iremos embora.

- Eu sei - ele desistiu. Ele se apoiou na janela e limpou o suor das mãos nas calças. – Acho que vocês todos sabem que o que vão ver essa noite vai ser algo pesado. Não vou dizer que é divertido e nem que é bonito de se ver, mas preciso relembrá-los de alguns pontos. - ele cortou os amigos que iam falar – Sei que se importam comigo, e de verdade, eu agradeço muito por isso. Mas a partir do momento que a transformação começar, não serei mais eu ali, entendido? Eu não tenho consciência alguma nessas horas. Para mim, vocês serão estranhos que estão na minha casa. Eu não sei como vou agir ao ver vocês, então se for necessário, podem me morder, me bater, chutar, qualquer coisa, mas não me deixem morder nenhum de vocês. Entenderam? – ele fez uma pausa, mas nenhum dos amigos atrapalhou. – Isso é para a segurança de vocês, que acreditem ou não, é muito mais preciosa para mim do que a minha própria. Jamais me perdoaria se eu fizesse algo com um de vocês. Outra coisa, não fiquem em forma humana enquanto eu estiver na forma lupina. Vocês virarão alvos ainda mais fortes. Estamos contando que por serem animais eu não tentarei matá-los. Ok? - James pensou em contrariar, mas apenas assentiu devagar.

Remus suspirou e olhou para a janela. A lua estava alta e já estava começando a pulsar em suas têmporas. Ele pôs a mão na cabeça e massageou o lugar.

- Vocês foram pontuais. – ele brincou – Podem se transformar, logo irá começar.

Peter observou enquanto Sirius e James começavam a tirar as roupas e as deixa-las em cima da cômoda da porta. Estava frio e James tentou aquecer as mãos quando deixou os óculos ali junto, ficando temporariamente míope. Sirius foi o primeiro, não levanto mais do que 10 segundos para ser um cachorro negro completo. O mesmo se sacudiu e abanou a cauda, trotando até ficar próximo do sofá. James deixou a transformação começar e ao sentir os chifres nascendo deu um salto para frente, caindo sobre os cascos com um som oco na casa. Mais por costume do que por pensamento, ele sacudiu a pequena cauda, ajeitando os pelos.

Remus suspirou enquanto deixava as próprias roupas junto com a capa. A transformação nunca era fácil, e por mais que passasse por isso todos os meses, os instintos de Remus ainda lutavam contra. Claro que hoje seria diferente, ele estava sendo assistido. Ele esperou de frente para a janela por algum tempo, até sentir as leves mudanças começarem. Sons. Cheiros. Visão aguçada. A primeira coisa física que sofria alteração era sua coluna vertebral, e isso não era nem de perto leve. Com um choque ele caiu de joelhos no chão sentindo as dores seguirem suas costelas e peito. Ele apoiou as mãos no chão e tentou controlar a respiração enquanto sentia a pressão em suas veias pulsarem. Ele ofegou enquanto tentava se manter quieto. As orelhas começaram a ficar pontudas e subiram para o topo da cabeça, e quando seu focinho cresceu com os dentes rasgando a gengiva ele gritou com gosto de sangue até que virasse um rosnado. A cauda surgiu da ponta da espinha e o pelo apareceu nas mãos que viraram garras se afundando no chão. Os joelhos se entortaram e sem força para se manter de pé, ele caiu deitado no chão, as patas lutando para voltar ao controle e o pelo afofando a queda. O que era aquilo castanho e grande perto dele? Era um inimigo? Fosse quem fosse, se afastou com medo. Ele gostou daquilo. O lobo fechou os olhos com força sentindo o suor descer pelos olhos e molhar o pelo no focinho. A última coisa que sempre mudava eram seus olhos, que iam se enchendo de um rico dourado, passando por cima do caramelo, e assim ele perdia tudo o que restava de controle. Quando abriu novamente os olhos, a sala estava muita quieta. Como os instintos o mandaram, ele farejou o ar procurando a fonte do cheiro desconhecido. O que era aquilo? Não era normal ter outro cheiro fora o dele. Ele não gostou. Ele se deitou melhor e olhou em volta. Sua visão focou em dois animais enormes parados ali a frente, ambos apreensivos e completamente parados. Sirius foi o primeiro a se mexer, dando um passo para frente silenciosamente. A orelha do lobo girou com seus olhos e ele rosnou para o cachorro preto, que congelou no lugar. Aquela era sua casa. Não iam entrar mais ninguém. Sirius se manteve quieto diante do animal enorme, que lambia os dentes com raiva e com o pelo bege eriçado. O lobo se levantou e andou até o cão negro primeiro, o reconhecendo como um familiar. Ambos pararam de frente um com o outro, mas o lobo não parou de rosnar. Sirius se lembrou que o amigo havia brincado, mas ele realmente poderia matá-lo. Ele não era um cão pequeno, mas o lobo era descomunal. Ele sentiu sua cabeça ir para baixo, repuxando com medo e a cauda ir parar no meio das pernas institivamente. James olhava atento, procurando qualquer sinal de Remus atacaria. Quando o rosnado dobrou de altura, o cervo deu um passo para perto dos dois, e Sirius ganiu, o avisando para ficar longe. Foi aí que o lobo avançou e tudo aconteceu muito rápido. Por sorte, Sirius realmente era ágil. O cachorro pulou para trás com o lobo em cima dele, tentando desesperadamente agarrá-lo nos dentes. O cervo não se deixou pensar e girou a cabeça usando os chifres como arma, que acertaram algo peludo o jogando para trás. O animal bege rolou até o meio da sala e logo se pôs de pé, mostrando os dentes. Ele não tinha chegado a morder o amigo, mas com certeza tinha acertado uma patada ou duas nele. Eles ficaram parados durante um tempo, enquanto o lobo se perguntava se deveria ou não atacar. Percebendo a mesma coisa, James abaixou a cabeça e lhe mostrou os chifres de novo. Não eram pequenos e poderiam muito bem machucá-lo. Ficaram assim por um minuto, enquanto o cachorro se recuperava e se punha de pé rosnando. Ele andou silenciosamente e passou por debaixo das patas altas de James, se colocando embaixo do amigo. O rato correu e se juntou a dupla atraindo o olhar do lobo que afrouxou o rosnado surpreso. Os três pararam contra ele até que com uma rosnada final ele desistiu de atacar, vendo que essa ele tinha perdido. Ele abanou a cauda e começou a andar pela sala, como se nunca tivesse visto aquele lugar antes. Os outros três relaxaram e James olhou para baixo, com uma pergunta silenciosa nos olhos: "Você está bem?", mas o cachorro sacudiu os pelos e saiu andando até o sofá, onde se ajeitou deitado no chão com a cabeça no meio das patas. James acompanhou o amigo com os olhos, tentando procurar algum problema, mas decidiu que o amigo estava bem. Ele deitou onde estava mesmo, mas continuou atento a sala. Peter guinchou e subiu pelo flanco até seus chifres, onde se ajeitou. Tudo ocorreu muito lentamente e aos poucos um foi se acostumando com a presença do outro. Certa hora, quando Peter estava explorando a sala o lobo começou a rosnar com os olhos fixos no rato. Sirius latiu baixinho em aviso e o rato voltou o caminho correndo e guinchando, se escondendo embaixo do sofá. Assim seguiu.

Com o tempo James dormiu apoiando a cabeça no chão, com as patas embaixo de si mesmo. Sirius observou o amigo lupino a noite inteira, o vendo rosnar com o ar e se irritar com moscas que voavam perto dele. Na verdade, ele parecia irritado com tudo. A cada meia hora aproximadamente ele uivava, e era tão alto que para ouvidos aguçados de um cão, era doloroso. Era quase o meio da noite quando o lobo se levantou e correu até a janela contrária de James, se batendo na parede tentando sair, quebrar a parede ou se machucar. Isso acordou o cervo e o cachorro se pôs de pé e latiu alto. O barulho atraiu a atenção do lobo que virou o focinho e acabou mordendo o próprio flanco. Sirius correu até ele e parou em sua frente com as patas dianteiras estendidas no chão e latiu novamente abandando a cauda no alto. Se James pudesse falar teria soltado um alto: "Mas que merda você está fazendo?". O lobo parou de se morder e olhou para o cachorro sem rosnar, apenas surpreso. O cão latiu novamente e virou de barriga para cima, se mexendo com as patas no ar, simulando para James, o que lembrava um filhote travesso. O lobo hesitou e então bufou e se afastou, incomodado com a felicidade do outro e então deitou novamente roendo uma tábua do chão. Ao notar que o amigo tinha parado se se machucar, Sirius rolou de volta com a barriga no chão e trotou de volta para o sofá. James teve que admitir que foi uma ótima jogada. E assim, a noite seguiu. A Lua subiu e desceu, e eles dormiram e acordaram. Tudo estava quieto no amanhecer e os outros três estavam com preguiça. Peter olhou para a janela e viu a claridade dando as caras, e guinchou para avisar os amigos que seguiram seu olhar. Estava acabado. Sirius desviou os olhos e voltou a olhar para o amigo lupino, que encarava a claridade com raiva. Aos poucos ele começou a rosnar; os rosnados foram substituídos por grunhidos e então depois por gritos.

Sirius foi até o sofá e puxou nos dentes uma coberta. James se levantou, deixando Peter descer dos chifres cuidadosamente e trotou até o amigo que agora voltava à forma humana. Quando o lobo deu lugar a um menino com a cabeça empapada de suor e com olhos girando embaixo das pálpebras, Sirius soltou a coberta em cima dele o cheirou de perto. O amigo se assustou com os pelos próximos ao nariz, mas ao perceber o que estava acontecendo assentiu e permaneceu deitado. James esperou com que ele se acalmasse antes de abaixar a cabeça e lhe oferecer ajuda com os chifres. Remus abriu os olhos e estendeu a mão, usando o amigo de apoio e ajuda para se por de pé, ainda segurando a coberta. Peter foi o primeiro a voltar para a forma humana, seguido por Sirius e por último James.

- Moony? Está bem, amigo? - James perguntou, ainda o segurando nos ombros. O loiro assentiu levemente e sentiu Sirius se juntando a tarefa de carregá-lo. Eles o deixaram no sofá e então foram se vestir, com as roupas que Peter segurava estendidas para eles. James terminou de ajeitar os óculos e olhou para trás, para o amigo que estava deitado encolhido, mas olhava para eles perfeitamente sóbrio.

- Podem ir. Ficarei bem. Madame Pomfrey vai chegar logo.

Sirius assentiu.

- Nos vemos no dormitório. - Os dois correram e pegaram a capa de invisibilidade de James em cima do armário onde haviam deixado na noite anterior, e de repente, Remus se viu sozinho, com os três agora sumindo pelo túnel. Não demoraram a chegar aos terrenos do castelo, e o céu ainda estava escuro, apenas com os raios de claridade no horizonte. Madame Pomfrey vinha caminhando em silêncio e eles se mantiveram parados, a esperando passar de longe. Quando ela sumiu nos galhos, eles começaram a andar até o salão, agora já fora da capa. James olhou de relance para Sirius que andava com uma careta e uma mão no torso, e Peter, que rompeu o silêncio.

- Que noite. - o amigo loiro disse baixinho. - Quero dormir o dia inteiro. James assentiu e eles subiram para o dormitório, exaustos e respirando devagar e silenciosamente.

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- Estou impressionada, Sr. Lupin, apesar de não saber o que foi diferente. Mal se machucou esse mês, encontrei apenas alguns hematomas. - Madame Pomfrey disse baixinho na enfermaria. Ela trocou o curativo com cuidado e voltou a ajeitar a coberta. Ele a agradeceu e ela saiu para pegar algum coquetel de remédios próximo a porta de entrada. Remus olhou para as costelas e passou a mão devagar em cima da gaze. Não se lembrava de nenhum acontecimento da noite passada e tinha medo de pensar como aquilo havia ido parar ali. Engoliu em seco e tentou se lembrar da manhã. Ele ainda estava grogue quando os amigos o deixaram, se lembrava de pelos pretos e de chifres, nada mais.

- Ele está doente, não podem entrar para vê-lo. - Remus ouviu e olhou para porta de entrada onde três meninos tentavam olhar por cima de Madame Pomfrey. Em seus olhos era possível ler a palavra "preocupação". Sirius tentava convencer Madame Pomfrey com sorrisos e galanteios.

- Deixe-os entrar, madame Pomfrey. Estou bem! - Remus disse. A mulher olhou com uma carranca para ele por cima do ombro, mas os deixou entrar e continuou com seu trabalho medicamentoso. James foi o primeiro a se sentar no pé da cama.

- E aí? Como está se sentindo? - ele perguntou.

- Cansado - disse Remus olhando para todos os amigos procurando por ferimentos. James notou isso e sorriu. - O que aconteceu noite passada? - ele perguntou baixinho.

- Foi relativamente tranquilo - Sirius disse - Você rosnou para mim a noite inteira, acho que por que sou parecido com você. No começo quase nos matamos, mas James o parou. Não se preocupe! - ele adicionou quando viu o rosto do amigo - Estou bem.

- Você tinha medo de mim. - James riu fazendo chifres falsos com os dedos - acho que eram os chifres. Estão crescendo cada vez mais, estão me deixando orgulhoso. - ele brincou. Peter riu como qualquer brincadeira que James fazia. Remus respirou aliviado.

- Tem certeza que estão bem? - ele perguntou.

- Saudáveis como nunca - disse James sorrindo. Remus assentiu e encostou na cama.

- Madame Pomfrey disse que me machuquei muito pouco esse mês. - ele olhou para si mesmo - tenho uma mordida no ombro, alguns hematomas. Nada mais. Está latejando um pouco, mas é pequena. O que eu fiz a noite inteira? Não me lembro de nada!

- Não deixamos com que se machucasse. - Sirius disse - Eu te distraia toda vez que você tentava. Acho que foi isso que mudou. - ele bagunçou os cabelos e coçou o topo da cabeça. Remus assentiu. Ele ouviu o relato da noite anterior e várias vezes Madame Pomfrey brigou para que parassem de rir de alto. Remus estava preocupado no começo, mas conforme os amigos o contavam, ele ficou mais tranquilo. Não tinha acontecido nenhum problema. Mais tarde (após pularem todas as aulas), os três subiram para o dormitório deixando o amigo na noite de observação na enfermaria. Já no dormitório Peter foi o primeiro a dormir, caindo exausto na cama e já roncando. James estava dobrando a capa para por no malão quando viu Sirius tirar a blusa com uma careta e viu em suas costelas uma mancha roxa de pelo menos um palmo, povoada com pequenos furinhos de garras e arranhões.

- Não conte a ele, ficarei bem. - Sirius sussurrou. James olhou para os olhos do amigo e sabia que não deveria contar nada. Se contassem, Remus jamais os deixaria ir novamente. James se aproximou e forçou que Sirius o deixasse ver o machucado.

- Temos que cuidar disso, Pads. Vai infeccionar. Aquela casa é imunda. - ele disse. Andou até a cama e vestiu a capa novamente - Descerei na enfermaria e pegarei uma pomada para você. Não discuta. - ele disse quando Sirius abriu a boca e então assentiu. Sirius se deitou na cama e aguardou o retorno do amigo pensando que não teria problemas em passar por aquilo milhares de vezes se tudo continuasse assim para sempre.

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