CAPÍTULO XVII


Seus lábios movimentavam-se, voraz. Estavam agora nos aposentos de Chiyo, esqueceram-se de como foram lá ter ou como o futon estava no chão. O quimono de Okita Souji caiu para o chão, exibindo um corpo magro mas com músculos definidos das lutas. Os lábios de Chiyo percorreram-lhe o pescoço, o peito, os abdominais…!

Okita Souji pousou o corpo dela no futon e beijou-lhe os lábios. Suas mãos hábeis de samurai subiram até ao decote do rico quimono que ela usava e abriram-no, revelando o começo de um peito branco. Seus lábios desceram até lá, beijando o início dos seios, rumando até aos mamilos rosados. Abriu-lhe completamente o quimono e deitou-se sobre ela, com uma lentidão tortuosa para Chiyo.

O jovem entreabriu os lábios, mas ficaram alguns segundos apenas olhando nos olhos um do outro. Depois, os lábios uniram-se, enquanto Okita Souji entrava nela. A boca de Chiyo abriu-se e seus olhos arregalaram-se, com a dor. Okita parou, olhando-a, preocupado. Ela inspirava fundo e beijou os lábios dele. As ancas dela foram ao encontro das dele, fazendo-o entrar completamente nela. Um líquido quente escorreu para o futon, a prova da virgindade da moça. Okita começou a movimentar-se, lentamente ao início.

Chiyo soltava alguns gemidos, cálidos e ofegantes, enquanto Okita tinha na face uma expressão de esforço e prazer; às vezes, seus dentes cerravam-se, mas no momento seguinte sua boca já se abria e seus olhos rolavam nas órbitas.

As mãos da bela jovem atraiam o rosto dele contra o seu, seus lábios a unirem-se, seus perfumes misturam-se, enquanto seus corpos se uniam numa erótica dança, continuando a amar-se pela noite fora…!


Um novo dia raiou na Vila de Mibu.

Chiyo acordou, deitada no seu futon. Sua face virou-se para a shoji de seus aposentos, de onde raios solares penetravam levemente, iluminando a escuridão do quarto. Levou sua mão ao seu rosto e massajou os olhos, para afastar o sono. Ergueu seu tronco e soltou um pequeno gemido: sentia-se dorida entre as pernas; então lembrou-se da noite passada.

Foi como se um filme estivesse a passar pela sua cabeça; lembrou-se de Okita Souji nu, despindo-a, a beijar-lhe os lábios, o pescoço … os seios …! E depois, …! Depois aconteceu o que lhe provocava dor entre as pernas.

Ergueu-se rapidamente e arrumou o futon no armário. Retirou um bonito e caro quimono de seda azul-pálida com um obi preto da sua trouxa e vestiu-o. Passou os dedos pelo longo cabelo negro, para lhe dar melhor jeito e abriu a shoji, contemplando o sol a incidir sua intensa luz sobre si. Os samurais já estavam, grande parte deles, acordados e a treinar; combatiam-se uns aos outros com shinais e bokutos.

Caminhou em frente. Com sua mente ocupada, pensando que tinha de ir falar com Okita Souji sobre o que sucedera. Suas ideias ainda não estavam claras, mas tinha de lhe falar. Mas, ao mesmo tempo desejava não o ver. Começou a ensaiar discursos em sua cabeça.

- Chiyo!

A bela rapariga fitou Okita Souji, que estava frente a si, e depois baixou o olhar, corando.

- Souji-san, - começou Chiyo.

- Por favor…! – repreendeu Okita, num tom suave devido ao uso de "-san" para o seu nome.

- Souji, a noite passada…

- A noite passada foi uma loucura! – exclamou ele, ofegante – Mas não me arrependo dela! E … tu…?

Uma expressão de culpa surgiu no rosto de Chiyo. Okita temeu que ela estivesse arrependida do que sucedera e que decidira ir-se embora, mas nada poderia mudar a noite que passaram juntos.

- Claro que não estou arrependida! – confessou Chiyo e Okita soltou um suspiro de alívio – Mas eu estou noiva, Souji. Sinto como que traí ambos o meu pai e o meu noivo!

- E se tivesse traído o teu coração? – perguntou Okita.

O espadachim baixou a sua voz, quando reparou que os olhos dos outros Shinsengumi estavam colados a eles, querendo escutar a conversa que estavam a ter. Felizmente, estavam demasiado longe para conseguirem ouvir:

- Traíste-o?

- Não. – confessou Chiyo – Kami-sama sabe o meu amor por ti.

- Amo-te, Chiyo. – declarou Okita – Nem o teu pai ou o teu noivo podem mudar isso. De facto, se o teu pai me conhecesse acho que mudaria de ideias. Pedia-me a mim para casar contigo.

- Não podes casar comigo, Souji. – disse, tristemente, Chiyo. – É contra as leis dos Shinsengumi. O que nós temos é contra as leis.

- Acho que as leis já não importam para mim. – confessou Okita.

- Vamos terminar esta conversa, Souji-san. – pediu Chiyo – Estão todos a olhar para nós!

Chiyo fez-lhe uma pequena vénia de cumprimento e caminhou de regresso aos seus aposentos. Fechou a shoji atrás de si e deixou o seu corpo delgado cair no chão. Suas unhas enterraram-se no chão almofadado e sua cabeça caiu. De seus olhos debotaram lágrimas transparentes que marcaram o chão.

Deixou poder fugir para longe dali e nunca mais voltar; mas sabia que iria voltar. Pois o seu coração já não era seu; era de Okita Souji.


Na cozinha dos Shinsengumi, Ayu-nee cortava com uma faca afiada uma enorme leguminosa branca, preparando o almoço. Okita Souji entrou, sem dizer uma palavra e ficou apenas encostado á parede da cozinha, olhando para o vazio.

- Que se passa? – questionou Ayu-nee, vendo a falta de expressão no rosto de Okita Souji.

- Nada. – disse maquinalmente.

Ayu-nee pousou o legume que estava a cortar e limpou as mãos ao avental que trazia sobre o quimono. Olhou para ele, seriamente e caminhou na sua direcção.

- Sabes que a mim não me enganas. – relembrou – Sei que se passa alguma coisa. O que é?

- Não posso falar acerca disso.

- Claro que podes. – encolheu os ombros, Ayu-nee – Comigo podes falar acerca de TUDO. Nada do que me dizes, passa para outra pessoa.

- Ayu-nee-san, - começou Okita - o que pode acontecer a um Shinsengumi que faz amor com uma mulher que não é a sua?

A cozinheira olhou-o, e compreendeu automaticamente que ele falava de si próprio.

- Não sei o que pode acontecer. – respondeu ela – Depende das consequências desse acto, penso eu.

- E isso significa o quê, exactamente? – perguntou Okita.

Ayu-nee inspirou, profundamente e olhou-o, seriamente:

- Souji-kun, sabes que não podes abandonar os Shinsengumi nem casar com ela!

Okita olhou-a; seus olhos espelhavam uma triste sonata.

- Eu sei.

Ayu-nee caminhou, novamente, para a sua banca de cozinha e recomeçou a cortar o vegetal, olhando-o com um olhar triste. Ele permanecia com a mesma expressão, soturna e distante.

A cozinheira parou, uns segundos, e olhou-o, com um reconfortante sorriso:

- Mas isso não significa que não a possas amar secretamente.

Okita Souji olhou-a, intrigado e interessado.

- Como assim? – perguntou ele.

- Como amantes secretos. – sussurrou-lhe, com um sorriso matreiro – Prometo que não direi a ninguém!

Um enorme sorriso esboçou-se nos lábios de Okita Souji e correu para fora da cozinha.


N/: Kami-sama – Deus.


CONTINUA ...