Disclaimer: Twilight e seus personagens pertencem à Stephenie Meyer. Esse Edward problemático é todo meu.
Unfeeling
Capítulo Sete
:: Edward POV ::
Logo que Bella se acomodou no quarto de hóspedes, ela pediu licença para descansar. Eu imaginava que a viagem de Nova York até Chicago tinha sido cansativa mesmo, então eu a dei seu tempo, informando-a que eu pediria comida pro jantar. Ela assentiu com um sorriso.
Quando Bella fechou a porta do que seria seu quarto por um tempo, eu desabei de volta no sofá.
Eu ainda não sabia o que pensar sobre Bella, além do fato de que ela era incrivelmente bonita. E assim que eu pensei nisso, eu franzi para o pensamento. Isso não era eu. Desde quando eu ficava remoendo a beleza de alguma mulher? Eu já tinha visto mulheres bonitas antes e nem por isso eu ficaria pensando nisso.
Eu esfreguei a mão direita no meu rosto, para limpar a mente. Eu provavelmente só precisava de um bom banho frio e um copo de whisky. O estresse do hospital e de ter que enfrentar o orgulho do médico pomposo que cuidava de Alice estavam testando meus limites.
Era isso, eu decidi. Eu precisava relaxar.
Levantei do sofá e me dirigi ao bar que eu tinha na parte lateral da sala, perto da porta de vidro que dava para a varanda. Puxei uma garrafa de Black Jacke enchi um copo. Guardei a garrafa e abri a porta da varanda, me encostando no balcão e respirando fundo antes do primeiro gole, que desceu forte e confortador pela garganta.
Eu me mantive quieto enquanto bebia meu whisky e encarava a cidade, que estava pouco a pouco começando sua noite.
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— Então quando nos formamos, ela voltou pra cá e eu fui pra Nova York. — Bella terminou.
Ela vinha me contando os detalhes da sua amizade com Alice em Harvard e como as duas se tornaram tão amigas. Eu me vi surpreso por ter tanta coisa que Alice não me contara. Como, por exemplo, que as duas se conheceram na festa da irmandade da qual logo fizeram parte.
— Você foi pra Nova York por opção ou tinha algo que a atraiu pra lá? — perguntei, engolindo meu último pedaço de yakisoba.
— Eu nasci e morei minha vida toda em NY. Eu simplesmente amo aquela cidade. Meus pais ainda moravam lá na época, e um amigo deles me ofereceu um bom emprego em sua clínica, e eu aceitei. Foi meu primeiro emprego por quatro anos, até que eu fui contratada por uma empresa maior, onde eu estou até hoje. — ela deu de ombros.
Eu assenti em concordância, terminando meu prato e levando-os até a pia para lavar.
— Quer ajuda? — Bella perguntou, assim que ela própria terminou sua refeição, vindo até a pia também.
— Bella, você é convidada. Deixe que eu resolvo isso — eu disse, pegando o prato de sua mão e colocando junto com os outros na pia.
— Eu insisto — ela me ignorou — Onde tem um pano? Ah!
Ela pegou o pano de prato que estava pendurado no seu lugar e começou a enxugar os pratos que eu colocava no escorredor, ignorando totalmente meu olhar duro à sua ação.
— Bella... — insisti.
— Deixe de besteira, Edward. Eu já vim aqui antes várias vezes ver Alice, não sou tão visita assim. E além do mais, é o mínimo que eu posso fazer por você ter permitido que eu ficasse aqui por um tempo.
Eu rolei os olhos e suspirei.
Ela tomou isso como uma aprovação e continuou enxugando os pratos que eu lavava. Trabalhamos em silêncio por algum tempo, até terminar. Quando a cozinha estava impecável como eu gostava, Bella sorriu.
— Já vi porque esse apartamento anda sempre tão arrumado. Alice não é tão organizada assim, e todas as vezes que eu vim aqui eu fiquei imaginando se ela contratava alguém.
Eu soltei uma risada.
— Eu sempre fui meio maníaco por limpeza, não me pergunte por quê.
Ela riu e em seguida bocejou.
— Acho que vou me aprontar pra dormir... — ela disse.
— Claro. Eu vou estar trabalhando no escritório — eu informei — Se precisar de qualquer coisa é só me chamar.
Ela inclinou a cabeça de lado, e por um instante pareceu que estava me analisando, mas em seguida ela sorriu e assentiu.
— Tudo bem. Boa noite, Edward.
— Boa noite, Bella.
Ela se retirou até seu quarto, e eu fui até o bar. Peguei um copo e a garrafa de whisky que eu tinha aberto mais cedo e me dirigi até o escritório. Liguei o monitor do computador e abri o arquivo que Angela tinha me mandado mais cedo para análise, e comecei a trabalhar.
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No dia seguinte, quase às três da tarde, eu voltei para casa depois do trabalho. Tomei um banho rápido enquanto Bella me esperava na sala, e logo em seguida fomos ao hospital.
Bella torcia as mãos em seu colo, e eu franzi.
— Nervosa? — perguntei.
Ela sorriu. — Um pouco. Na verdade, estou com medo do que eu possa ver lá. Alice é a minha melhor amiga, quase minha irmã. Eu realmente não quero vê-la mal, entende?
Eu engoli.
— Entendo — eu disse — Não se preocupe, a aparência dela é de alguém que está dormindo. Nada assustador.
Ela sorriu e assentiu, e fomos num silêncio confortável até o hospital.
Quando chegamos, estacionei na vaga que sempre estava disponível para visitantes e nos dirigimos ao nono andar, e eu percebi Bella um pouco nervosa, mas relevei. No andar que Alice estava, eu me apresentei à enfermeira e lhe avisei que Bella estava comigo. Ela assentiu e nos fez assinar o livro de visitantes, como eu vinha fazendo todos os dias, e então seguimos para o quarto.
Bella respirou fundo enquanto eu abria a porta, e depois que ela entrou, eu fechei a porta atrás de nós.
Alice estava exatamente do mesmo jeito que ontem. Deitada na cama do hospital, com a cabeceira levemente levantada, um cateter de oxigênio em seu nariz, e alguns fios conectados em seu peito, que davam no monitor colocado numa prateleira acima da cama. O acesso venoso em seu braço esquerdo a ligava ao soro, e seus estavam olhos fechados, como se ela estivesse apenas dormindo.
Bella suspirou e sentou na cadeira de acompanhante ao lado de Alice. Eu me mantive em pé, a alguns passos das duas.
Bella pegou a mão direita de Alice, que estava livre de tubos e fios, e segurou em suas duas mãos, sorrindo para a amiga.
— Hey Allie — ela começou — Eu vim aqui ver você e você está em coma, que tipo de covardia é essa? — ela falou num tom brincalhão — Chicago como sempre está encantadora, mas dessa vez seu irmão deixou que eu ficasse no apartamento de vocês. De qualquer forma, eu vim passar uns dias aqui, e... Espero que você fique bem, Allie.
Bella suspirou e sua expressão caiu por um momento. Eu andei um pouco até ficar aos pés da cama de Alice. Eu olhei apenas o rosto adormecido da minha irmã, que de alguma forma parecia torturado pra mim, desde que eu a vira inconsciente em sua cama. Eu suspirei e fechei os olhos.
— Eu vou estar lá fora, Bella — eu avisei — Tome o seu tempo com ela.
Bella assentiu sem olhar pra mim e eu saí do quarto, sentando em um dos bancos disponíveis no corredor, perto da porta. Eu pus as mãos nos bolsos e encostei a cabeça na parede, tentando descobrir uma forma de voltar ao meu normal, que era simplesmente não me importar.
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Eu parei de visitar Alice na segunda semana. Bella continuou indo por uma semana e meia, pegando carona comigo pra ir e um táxi para voltar. Eu não poderia adivinhar o que ela fazia tanto por lá, mas parecia que quando ela voltava, ela estava esgotada. Eu decidi não interferir. Estava fazendo o possível pra voltar à minha rotina sem Alice e aos poucos, eu sentia que estava perto de conseguir.
Eu estava em dúvida de quando Bella iria embora. Não que eu a quisesse fora, eu apenas estava curioso. Ela chegara tinha duas semanas, e não tinha feito nada além de visitar Alice, passear esporadicamente nos arredores do apartamento e, eventualmente, cozinhado os jantares como mais uma forma de "agradecimento" porque eu a deixei ficar aqui.
Eu estava quase perguntando até quando ela ficaria, quando cheguei em casa do trabalho e a ouvi ao telefone enquanto ela mexia algo no fogão.
— É uma ótima ideia. Eu realmente acho que posso fazer um bom trabalho por aqui. — ela virou a cabeça um pouco apenas para acenar para mim quando me ouviu chegando.
Eu fingi que não estava interessado na conversa me servindo de um copo d'água e dando uma olhada na correspondência que estava na cesta.
Depois de alguns minutos mais de conversa, Bella finalmente desligou seu celular e olhou para mim com um sorriso.
— Eu vou trabalhar em Chicago agora.
Arqueei as sobrancelhas.
— Sério? — eu estava apenas surpreso. Eu não esperava que ela fosse ficar tanto tempo.
— Aham. Meu chefe estará abrindo uma filial de sua clínica por aqui no próximo mês e me pediu para trabalhar aqui e gerenciá-la. — ela informou, voltando a mexer o que quer que estivesse mexendo. — O trabalho está resolvido, agora o próximo passo é achar um apartamento e depois mandar minhas coisas de NY pra cá.
Eu fiquei quieto. Isso significava que ela iria se mudar no próximo mês. Eu estava aliviado. Ao menos, ela não ficaria o resto da vida aqui. Não que ela fosse má companhia, eu apenas queria minha privacidade de volta.
— Quer ajuda pra encontrar um apartamento? — ofereci, sem saber realmente até onde eu iria ajudá-la com isso. Não era como se ela fosse minha amiga, afinal.
— Isso não te atrapalharia? — ela mordeu o lábio inferior e me olhou, incerta.
Dei de ombros.
— Posso olhar alguma coisa quando estiver livre e deixarei você saber. Basta me dizer o que está procurando.
Ela sorriu.
— Acho que vou aceitar sua oferta. Obrigada, Edward.
Dei de ombros novamente e pedi licença para me trocar. No conforto do meu quarto, eu tomei uma bela ducha e deixei que a água tirasse toda a tensão do dia do meu corpo. Eu me enxuguei lentamente, e me enrolei na toalha, sentando no computador logo que saí do quarto.
Eu não sabia o que estava procurando na minha caixa de entrada, mas eventualmente eu fiquei satisfeito por não ver nada urgente e que demandasse minha atenção imediata. Levantei e fui colocar uma roupa confortável, saindo logo depois para a cozinha.
O jantar com Bella foi calmo e silencioso, como vinha sendo sempre. Ela eventualmente me perguntava uma ou duas coisas, que eu respondia vagamente. Eu não estava a fim de lhe mostrar muito de mim. Segundo Alice, ela era uma psiquiatra talentosa e podia ver e ler nas entrelinhas o que muita gente não conseguia. Eu não podia me arriscar a dizer-lhe algo que a faria ver demais. Então, eu me mantinha quieto.
Bella se retirou logo após nossa rotina usual de lavar e secar a louça do jantar. Eu fui deixado na sala depois de um breve "boa noite, Edward", e a primeira coisa que eu sabia era que eu estava novamente na varanda, com um copo de whisky na mão.
Eu respirei o ar impuro da rua e deixei que o cheiro penetrasse meus pulmões. De alguma forma, toda aquela impureza parecia me acalmar. Afinal, eu também não era exatamente um sujeito puro.
Eu me encostei no parapeito da varanda e me deixei pensar. Até aquele momento, eu não tinha reparado como minha reação ao coma de Alice e sua tentativa de suicídio tinha sido atípica. Quer dizer, eu cuidava de Alice, era verdade. Eu a levava às compras, eu a ajudava quando ela estava doente. Coisas básicas a se fazer quando se tem contato humano e uma relação próxima com alguém, eu diria.
Mas a minha reação tensa aos acontecimentos tinha ligado um alerta em mim. Eu tinha quase certeza que não havia nada em mim que fizesse eu me importar com outra coisa que não meu próprio interesse em me manter bem comigo mesmo. Eu tinha certeza que era assim, mas minhas reações haviam me confundido.
Eu suspirei quando uma pequena lembrança acendeu na minha mente.
— Shh... Calma, Allie. Vamos ficar bem. — eu disse, ainda sem certeza do que eu poderia fazer por ela.
— Pomete? — ela chorou.
— Prometo. — eu disse com convicção. — Vou cuidar de você. — e eu sabia que iria.
Não importava o que, Alice era minha irmãzinha e precisava de mim.
Eu instantaneamente soube o porquê eu tinha reagido de forma tão atípica. Minha promessa à Alice assim que nossos pais morreram tinha sido algo muito forte. Mesmo que eu não tivesse exatamente sentimentos em relação à tudo, algo na postura pequena e frágil de Alice me disse que eu tinha que tomar conta dela, e tinha sido isso que eu vinha fazendo nos últimos anos... Até recentemente, pelo menos.
Eu bufei e bebi mais do whisky, apreciando a queimação na garganta.
Toda essa história de analisar minhas ações já tinha me enchido. Eu provavelmente estava procurando explicações onde não existiam. Minha reação tinha sido exagerada, ponto. Mas eu não ia ficar discutindo isso ou pensando em qualquer coisa que pudesse explicar minhas ações. Era o que era.
E o que era, era que eu era um serial killer que não tinha sentimentos, e vivia muito bem assim, obrigado.
Alice estava sendo bem cuidada agora. Mesmo em coma, eu sabia que enquanto eu continuasse pagando o hospital e seu plano de saúde, nada lhe faltaria. Ela estava no melhor hospital da cidade, recebendo o melhor tratamento. Eu estava cumprindo minha promessa de cuidar dela, afinal, não estava?
Então era isso, decidi. Bebi o restante do Black Jack que estava no copo e voltei pra dentro. Alice estaria no hospital pelo tempo que deveria ficar, e eu deveria continuar com minha vida como ela sempre fora – fria e distante, apenas tendo o meu tempo para realizar meus próprios desejos e necessidades sombrias.
Então, o que acharam? Eu sei que o capítulo foi curto e provavelmente vocês querem me matar por demorar, mas eu juro que estou fazendo o possível pra não demorar. O problema é que muitas fics + faculdade + TCC + pouco tempo, é igual a minha pessoa surtando e tendo crises horríveis de bloqueio criativo. Espero que possam entender.
Bem, contem-me tudo que acharam do cap nas reviews, quero lê-las todas! =D Estarei esperando ansiosa. :)
E às lindas que mandaram reviews sem ter conta, vou responder aqui, ok? :D
Muska: Hehehe, sim sim Alice está viva! Eu juro que tentei postar em 15 dias, mas não foi possível. Mas aí está o capítulo, espero que goste. *-*
Renata: Awwn, você leu minha one nova, hehehe *-* Que bom que gostou. Sim, CSK é um xodózinho meu e essa fic aqui também. *-* Eu também acho essa área interessante, mas no meu caso é só achar mesmo. Eu não acho que seria boa trabalhando em qualquer área que envolvesse a mente como foco e objetivo. Enfim ^^ Eu também estou particularmente ansiosa pra escrever as sessões de terapia, HAHAHAHAHA =D beijos!
Camilla: Bem-vinda! Que bom que gostou, espero que goste desse capítulo também. *-* Bjos!
Obrigada pelas reviews, meninas! E agora, mandem mais! hehehe, quero ler, quero ler. :D
Enfim, até o próximo capítulo - que eu não sei quando sai, mas espero que seja logo.
Beijos e qualquer coisa me twitter (ARROBAkessy_rods),
Kessy.
