Capítulo 7
Pov Quinn
Segunda-feira tinha chegado e era o dia do mash off, eu estava muito confiante, tínhamos feito um ótimo trabalho com a música e ensaiado bastante. Duvido que os meninos consigam ganhar.
Era hora do intervalo e eu estava indo para o refeitório quando vi Rachel acenando para ir me sentar na mesa com ela, sorri e fui em direção a ela. Sentei ao lado de Rachel e senti o olhar de julgamento do Finn que estava sentando na frente da menina, o ignorei completamente.
"Bom dia, amiga." Rachel falou enfatizando a última palavra, eu sorri com isso.
"Oi, amiga." respondi enfatizando a palavra também e dando um beijo em sua bochecha. Nesse momento reparei que o olhar do Finn tinha um pouco de raiva, provavelmente ele estava desconfiado das minhas intenções, achando que eu estaria armando algo contra a Rachel. Não o culpo, afinal isso era realmente novo e diferente.
"Então, pronta para acabar com os meninos?" A morena me perguntou bastante animada e olhando para Finn continuou "Sem ofensas, amor." Só de ouvir ela chamando esse bobão de "amor" eu me senti mal, meu estômago revirou. Senti ódio do menino e inveja por tê-la só para ele.
"Não estou ofendido, porque vocês não vão nos ganhar." Ele disse com aquele sorrisinho típico dele. Minha vontade de vencer só aumentou com isso, precisava esfregar minha vitória na cara desse idiota.
"Veremos..." Foi tudo o que eu disse antes de me levantar da mesa e sair.
x-x-x-x-x
O coral seria agora e como combinado as meninas seriam as primeiras a se apresentar, então assim que tocou o sinal fomos nos trocar para a performance.
Start me up!
We're half way there
Livin on a prayer
Start me up!
We'll make it, I swear
Livin on a prayer
Já estávamos na metade da apresentação e eu não conseguia tirar os olhos da Rachel, eu precisava agradecer a Tina pelo figurino depois. Deus, essa mulher vai acabar me matando, ela está maravilhosa e essa coreografia não ajudava!
Os meninos não paravam de gritar, estavam praticamente babando o que só nos deixou mais confiantes.
Livin on a prayer
You got to start me up!
Terminamos de cantar, eles aplaudiram bastante e o Mr Shue como sempre soltou um "Bom trabalho, pessoal!" e bateu na mão de todas nós, típico dele.
Estávamos esperando os meninos entrarem, me sentei do lado de Rachel para assistir e notei que Santana nos olhava com aquele sorrisinho malicioso dela.
Eles entraram cada um com smoking azul marinho, calça social preta e gravata borboleta também preta e começaram a cantar um mash up de Stop, in the name of love com Free your mind. Achei extremamente clichê e a coreografia só reforçava esse meu pensamento.·.
Terminando, Mr Shue os parabenizou e bateu na mão de cada um, assim como fez conosco.
"Então, Mr Shue, pode acabar logo com isso e dizer que nós vencemos?" Santana falou confiante.
"É, Mr Shue! Acabe com a alegria da Satan e fale que nós acabamos com elas!" Dessa vez foi Artie que disse. Santana olhou furiosa para o menino, ela o fuzilava com os olhos. Logo quem foi implicar com a latina...
"Calma, calma, pessoal! Finn, que rufem os tambores!" Will disse e logo foi atendido, assim que o som da bateria acabou ele disse animado "Os dois ganharam!"
"Quer dizer que somos todos perdedores?" Brittany perguntou, claramente confusa.
Começou uma discussão na sala, ninguém aceitaria aquilo tão fácil, afinal ambas as equipes se dedicaram, para ninguém ganhar?
"Ei!" Will gritou para chamar a atenção de todos. "Essa tarefa era para despertar o lado competitivo de vocês, e claramente essa parte foi feita. Precisamos dessa garra agora, as Sectionals são daqui a algumas semanas e temos que dar tudo de nós!"
Com isso dito paramos de brigar. Embora ainda estivéssemos bravos por não ter tido um ganhador, Mr Shue estava certo, se teve uma coisa que aprendi com Sue na minha época de cheerio é que precisávamos de foco e determinação para ganharmos.
Fui arrumar as minhas coisas para ir embora quando avistei uma baixinha passando por mim, joguei tudo no armário de qualquer jeito e a alcancei.
"Hey, Rach!" Ela se virou para mim, percebi que ela estava com os olhos um pouco vermelhos. "Você está bem?" Perguntei preocupada.
"Vai ficar tudo bem..." Ela disse com a voz fraca, o que fez meu coração se quebrar.
"Você quer falar sobre isso?"
"Agora não..." Ela me olhou com os olhos marejados.
"Eu posso pelo menos te levar para casa? Não quero você andando nesse estado pela rua." Eu estava realmente preocupada e ao mesmo tempo curiosa para saber o que tinha acontecido.
"Eu adoraria. Obrigada, Quinn." Ela falou em um fio de voz, detestava ver Rachel assim, eu ficava triste por ela.
Entrelacei nossos braços e apertei um pouco o dela como um sinal de apoio. Logo chegamos no carro eu abri a porta para ela entrar e depois fui para o meu lado.
O caminho até a casa da morena foi silencioso como sempre, e dessa vez até mais, porque nem cantarolando ela estava. Chegamos em frente e eu encostei o carro, mas Rachel não desceu, ela estava praticamente imóvel, até que finalmente ela se virou para mim e ainda bem baixo falou:
"Quinn... Será que você poderia me fazer companhia essa tarde? Meus pais não estão em casa, e eu não queria ficar sozinha. Eu vou entender se você tiver outras coi-" Ela estava meio nervosa falando, dava para ver o quanto ela não queria ficar desacompanhada. Eu logo a cortei.
"É claro que eu fico, Rachel. Não se preocupe, mesmo se eu tivesse algo eu desmarcaria, sei que você precisa de um amigo agora." Ela deu um sorriso fraco e eu estacionei o carro, saindo dele e indo ajudar a menina a sair também.
Entramos em casa e eu apenas a segui para dentro de seu quarto, chegando lá, ela sentou em sua cama e eu fiz o mesmo, me colocando perto dela.
"Eu sei que você disse que não queria falar, mas ajuda colocar para fora, e eu não vou te julgar nem nada, você pode confiar em mim, Rach." Comecei dizendo ainda meio insegura, mas eu não queria que ela continuasse se sentindo mal assim. Percebi que ela estava meio pensativa, então ela deu um longo suspiro.
"Eu briguei com o Finn." Ela começou, olhando para as suas mãos. Eu olhava pacientemente esperançosa ela continuar. "Depois do mash off, nós estávamos conversando sobre os resultados e ele disse que claramente os meninos tinham ganhado, porque eles são melhores que as meninas em qualquer coisa que fazem." Ela parou novamente e olhou para mim, que continuava com os olhos fixos nela.
"Então eu disse algumas verdades para ele, dei exemplo de várias vezes que fomos melhores que eles, e acabei me exaltando e falando de nós." Dessa vez eu pude ver ela estava se segurando para não chorar, então cheguei um pouco mais perto e passei um dos braços por volta dela, como um semi abraço, já que estávamos de lado uma para outra, ela pareceu se acalmar um pouco com isso e voltou a contar.
"Disse que ele nunca sairia daqui, que mesmo eu sendo uma mulher eu chegaria muito mais longe que ele, que eu tenho força de vontade e tenho coragem para lutar pelo que eu quero, e ele mesmo sendo um homem é um covarde por não se permitir sonhar em ser algo maior e só se acomodar aqui." Ela começou a chorar essa hora, eu apertei mais o braço que estava ao redor dela é cheguei mais perto e assim que fiz isso ela encostou a cabeça no meu ombro.
"Ele ficou tão bravo e magoado, ele só olhou para mim e eu pude ver que ele tinha lágrima nos olhos, ele saiu chutando tudo pela frente e sem falar mais nada." Virei de frente para ela dessa vez dando um abraço de verdade, que ela apertou mais e se permitiu chorar. Tentava acalmar ela com um cafuné na cabeça ainda abraçada com ela. Ficamos um tempo assim e quando as lágrimas pararam ela voltou a falar:
"Foi algo idiota para se brigar, mas eu não suporto machismo e estava surpresa com o que ele havia dito, e acabei não me controlando e falando o que não deveria. Aliás eu sou mestra nisso..." Rachel ainda estava triste ao dizer isso, estava com os olhos inchados por conta do choro, mas ela parecia um pouco mais leve.
"Ei, vai ficar tudo bem." Ela olhou para mim e deu um sorriso forçado. "Ele te ama." Dessa vez eu que abaixei a cabeça, não estava acreditando que tinha falado aquilo, mas eu queria mais do que tudo acalma-la, estava me matando ver Rachel assim.
O meu ódio por esse menino aumentava a cada dia, se ele não tivesse aberto aquela boca para falar merda, ela não estaria aqui assim. E ouvi-la desabafar sobre o namorado dela, sendo que tenho sentimentos por ela também, não era fácil, mas agora estava pensando no bem estar dela, ela precisava de uma amiga, e eu tinha que estar aqui para ela, tinha que deixar meus sentimentos de lado para ajudá-la.
"Que tal você pegar um dos seus musicais para nós vermos? Isso deve te animar, não?" Ela concordou com a cabeça, se levantou pegando o dvd de Funny Girl, colocando no aparelho e voltou para a cama, dessa vez se deitando perto de mim.
O filme já devia estar na metade e eu não tinha prestado atenção em nada, só conseguia olhar a menina que agora estava deitada com a cabeça nas minhas pernas enquanto eu fazia cafuné em seus cabelos. Parecia que o musical estava realmente alegrando ela, pois volta e meia ela gargalhava com alguma cena e cantarolava as canções e eu abria um largo sorriso quando isso acontecia.
O dvd terminou e eu queria ter certeza que ela já estava melhor antes de voltar para casa, então puxei um assunto qualquer e ficamos conversando um pouco mais de meia hora, não falamos nada demais, apenas coisas do colégio e cometamos sobre as Sectionals, até dar a hora deu partir. Ela me levou até a porta, chegando lá ela me abraçou forte e eu retribui.
"Obrigada, Quinn." Ela falou baixo no meu ouvido enquanto ainda estávamos abraçadas, o que me fez arrepiar. Separei nossos corpos, dei um beijo em sua bochecha sorrindo para ela e fui para o meu carro.
Apesar de ter passado o dia ouvindo Rachel falar sobre o Finn e vê-la naquele estado, uma coisa que me deixou feliz com tudo isso foi ver que ela confia em mim. A amizade dela esta se tornando tão importante para mim, por mais que as vezes eu tenha que deixar meus sentimentos de lado, eu não quero perder isso que estamos construindo.
Pov Rachel
Os dois grupos tinham acabado de se apresentar, fui em direção ao meu namorado dei um selinho nele e nós dirigimos para o meu armário.
"Você sabe que nós ganhamos, né?" Ele disse enquanto esperava eu acabar de arrumar minhas coisas. Eu ri, fechei meu armário e me virei para ele.
"Isso é uma piada?" Ele continuou olhando para mim o que me fez perceber que ele estava extremamente serio. "Porque você acha isso?" Perguntei curiosa.
"Pelo simples fato de sermos homens. Está no nosso DNA ser melhor que vocês, somos o sexo forte. Conseguimos fazer tudo melhor." A cada palavra que saia da boca dele a minha raiva aumentava. Como ele podia estar falando uma coisa dessas? Ele era um pouco machista às vezes, mas isso era ridículo.
"Por favor, Finn, você nem sabe o que é DNA." Falei já sem paciência.
"Claro que eu sei, Rachel. Você só esta dizendo isso porque sabe que o que disse é verdade!" Ele falou como se fosse óbvio, o que só me fez ficar mais irritada.
"Você acha mesmo que os homens são melhores? Então me diz, algum homem que você conheça teria passado pelo que Quinn passou por exemplo?" Falei um pouco mais alto do que o normal, o garoto me olhava quieto.
"Você conhece algum que luta tanto como eu? Que desiste de tudo pelo seu sonho? Que usa todas as suas forças para correr atrás do que quer? Me diz Finn!" A cada momento minha voz ficava mais alta e ele se encolhia um pouco mais.
"O que você disse é muita burrice, se não pelo simples fato de você ser homem você alcançaria mais do que eu. O que claramente não vai acontecer já que você não acredita em si mesmo. E se as mulheres são "o sexo fraco" como ela conseguem fazer isso? Como eu consigo? Admita Finn, você não vai chegará ligar nenhum! Você é um covarde que não corre atrás, não se permite sonhar!" Eu já estava praticamente gritando nessa hora, e quando eu parei para reparar no rosto do meu namorado ele estava com lágrima nos olhos, ele virou sem falar nada e saiu chutando tudo que tinha pela frente.
Foi então que eu reparei o que havia dito e o quanto magoei aquele que eu amo, não consegui segurar as lágrimas que estavam caindo. Caminhei pelo corredor de cabeça baixa, só queria sair daquele lugar.
"Hey, Rach!" Ouvi uma voz me chamando e já sabia quem era. Logo me virei para ela, tudo o que eu queria era abraçá-la agora, mesmo nossa amizade sendo recente eu já me sentia segura perto dela.
Quinn logo percebeu meus estado e perguntou se eu estava bem, apenas respondi que iria ficar então ela perguntou se eu queria falar sobre isso, eu gostaria, mas não agora. Tinha acabado de brigar com ele, e ainda estava meio atordoada com a situação. Falei que não queria agora então a menina perguntou se poderia me levar em casa pois estava preocupada comigo, aceitei a carona e fomos para o seu carro.
Não falamos nada no carro e dessa vez eu nem cantei com as musicas do rádio, minha cabeça repassava a discussão com Finn várias vezes. Assim que chegamos ela encostou o carro, mas eu não sai, lembrei que meus pais não estariam em casa e eu realmente não queria ficar sozinha nesse momento. Fiquei um tempo parada tentando arrumar coragem para perguntar se Quinn me faria companhia e assim que perguntei ela logo aceitou.
Subimos para o meu quarto e sentamos lado a lado na minha cama, estava um silêncio até que a loira resolveu falar:
"Eu sei que você disse que não queria falar, mas ajuda colocar para fora, e eu não vou te julgar nem nada, você pode confiar em mim, Rach." Eu sabia que falaria mais cedo ou mais tarde, e ela tinha razão desabafar realmente ajudava. Comecei a brincar com as minhas próprias mãos pensando por onde começar.
"Eu briguei com o Finn" disse ainda com o olhar baixo, mas pude perceber o seu olhar atento sobre mim. Fui contando a história, alternando meu olhar entre ela e minhas mãos. Um hora eu percebi que não conseguiria segurar as minha lágrimas, a menina reparou pois colocou seu braço ao meu redor, tentando me confortar, mas a medida que eu ia falando eu quebrava mais um pouco. Quando terminei de contar já estava chorando e Quinn me abraçou, eu apertei o nosso abraço e me permiti chorar mais, ela começou a fazer carinho no meu cabelo o que ajudou bastante a me acalmar.
Estar nos braços dela agora era tudo o que eu queria, estava me sentindo tão segura, não queria sair desse abraço tão cedo, mas era impossível ficar ali para sempre então ela separou nossos corpos. Depois disso eu voltei a falar do Finn e pela primeira vez ela falou alguma coisa sobre tudo isso.
"Ei, vai ficar tudo bem." Ela me deu um sorriso falando isso e eu devolvi. "Ele te ama." Nessa hora ela abaixou a cabeça, ela parecia magoada falando isso. Será que ela ainda sentia alguma coisa por ele? Não queria pensar nisso agora, mas acho que com essa amizade ela não tentaria nada com ele, sabendo que estamos namorando, né? Eu espero que não, afinal ela tem se mostrado uma ótima amiga, ainda mais hoje.
Quinn sugeriu que víssemos um musical para me animar, eu concordei, Funny Girl sempre me ajudava quando estava para baixo. Logo estava deitada nas pernas da loira enquanto ela fazia cafuné em mim, eu realmente estava me sentindo melhor agora e estava até rindo das cenas do filme e catando algumas musicas.
O tempo passou rápido e logo Quinn teve que ir embora, levei ela até a porta e a agradeci, estava muito grata por tudo que ela fez hoje. Assim que ela foi embora tomei um banho e comi qualquer coisa para ir para a cama, tantas emoções assim me deixaram morta. Deitei e logo dormi pensando em como cada vez mais confiava e gostava daquela loira, estava muito feliz por essa relação.
