Saga de Poseidon – Versão Dourada
Capítulo 7
"Eles são ainda mais fracos do que eu imaginava. Logo, eu, Kasa de Lymnades, terei derrotado todos os Cavaleiros de Ouro e farei com que o sonho do Imperador Poseidon se torne realidade!"
"Sinto lhe informar que esse sonho não irá virar realidade."
A voz fez com que Kasa se assustasse. Olhando ao seu redor, não viu onde estava o dono dela, embora pudesse sentir seu poderosíssimo cosmo. Esse era muito mais forte do que o dos outros dois que havia derrotado.
"Apareça, Cavaleiro. Sei que está aí em algum lugar!"
"Se você insiste." A voz veio quase que um sussurro e, se virando rapidamente, Kasa deu de cara, literalmente, com o punho do seu adversário, atirando-o longe. "Eu, Dohko de Libra, serei seu oponente."
"Maldito! Como ousa me ferir? Você terá o mesmo destino que esses dois, seu covarde!" Falando isso, Kasa desapareceu. Dohko, entretanto, não se mostrou muito surpreso pela habilidade; ainda podia sentir o cosmo do seu oponente.
Dohko ficou surpreso, entretanto, quando sentiu algo tentar penetrar sua mente. Era como se seu oponente estivesse tentando entrar em seu coração, na sua alma. Entendendo o que estava acontecendo, decidiu não esperar mais e atacou o General Marina, pegando-o de surpresa. Kasa, entretanto, estava mais surpreso por outro motivo.
"Mas... Como? Eu não consegui entrar na sua mente. É como se você não estivesse aqui!" Olhando para o cavaleiro, via que seu corpo não parecia sólido, praticamente confirmando sua acusação.
"Quanta hipocrisia. Essa era sua técnica, e você ainda teve a coragem de me chamar de covarde?" disse Dohko, um pouco de irritação presente em sua voz; entretanto, para ele, isso já seria o equivalente a raiva em outra pessoa. "Fiquei preocupado ao perceber os cosmos de Mu e Aiolia quase sumirem, achei que tivessem enfrentado um inimigo realmente formidável. Mas vejo que não passa de um trapaceiro que brinca com os sentimentos dos outros."
"Você ainda não respondeu: como você pode estar aqui e não estar ao mesmo tempo?" Kasa percebia que sua frase não fazia muito sentido, mas Dohko entendeu o que ele quis dizer.
"Se quer tanto saber, lhe contarei. Diferente das suas Escamas, as nossas Armaduras são mais do que apenas proteções. Elas são como parte do Cavaleiro, diretamente ligadas a eles ao ponto de compartilhar seus sentimentos. Ao longo dos anos, aprendi a utilizar-la como uma extensão do meu corpo, usando o meu cosmo para criar algo parecido com uma projeção astral." explicou Dohko. Era uma técnica muito útil, especialmente para ele que não podia deixar os Cinco Picos Antigos; pelo que ouviu das batalhas do Santuário, Saga havia aprendido a fazer algo similar.
Kasa ficou ao mesmo tempo apreensivo e contente pela resposta. Por um lado, sua técnica de ilusão não funcionaria contra ele; por sempre depender de suas ilusões, não estava acostumado a ter que realmente lutar. Por outro, provavelmente o Cavaleiro não poderia usar todo o seu poder, o que significava que havia chance de derrotar-lo em um confronto direto. No fim, sua arrogância superou a apreensão e Kasa se deixou levar pela sua confiança na vitória.
"Então talvez você seja maior desafio do que seus companheiros aqui." Ao falar isso, Kasa pisou sobre o corpo de Aiolia, usando-o como um pedestal para fazer uma pose de superioridade, enquanto olhava para o corpo de Mu. "Mesmo sendo defensores de Athena, eles se deixam levar facilmente pelos seus sentimentos. Bastou tomar a forma de seu antigo mestre, o tal de Shion, para derrotar o Áries, e o Leão acabou domado pela visão de seu irmão." Levantando o olhar para o Cavaleiro de Libra, Kasa deu um pequeno sorriso malicioso. "Gostaria de saber quem faria você cair em prantos. Seria uma experiência magnífica."
O olhar 'holográfico' de Dohko parecia brilhar, a raiva começando a se fazer presente. Ninguém tinha o direito de profanar as memórias de um homem, e ele não poderia, nem iria, perdoar um inimigo que fosse tão baixo a ponto de cometer tal pecado. Decidia, naquele momento, que não teria piedade de Kasa.
"Mas acho que vou ter que deixar essa experiência para outra ocasião; tenha certeza que irei atrás do verdadeiro Dohko quando ganharmos essa guerra. Mas por hora, me contentarei apenas em derrotar a sua Armadura. Salamandra Satânica!" Tomando a iniciativa no combate, lançou sua técnica especial para atingir o cavaleiro.
Dohko apenas levantou sua mão, parando o ataque de Kasa. Este ficou abismado com a ação; não esperava que seu oponente pudesse conter seu ataque com uma única mão. Percebeu que estava enganado quando achou que Dohko não teria toda sua força, e via que era sua vez de estar em desvantagem.
"Agora está na hora de você pagar, Lymnades. É isso que você merece por brincar com os sentimentos de seus oponentes! Cólera do Dragão!" Avançando contra Kasa, o cosmo concentrado no braço de Dohko tomava a forma de um dragão. Ao receber o soco de Dohko, Kasa sentia como se um dragão realmente estivesse atingindo-o: as presas e garras do Dragão rasgavam sua Escama, ferimentos aparecendo por todo o seu corpo. Ele foi atirado para o alto e formou uma pequena cratera no chão ao cair de volta, sangrando e com dificuldade em se levantar de novo.
"Você tem apenas sorte por não estar aqui em pessoa." disse Kasa, com certa dificuldade. "Caso contrário, já estaria derrotado como os outros cavaleiros!"
"E quando foi que eu disse que isso era o que impedia você de entrar em minha mente?" Kasa foi surpreendido pela pergunta de Dohko. "Se tivesse prestado atenção no que falei, teria notado que nunca mencionei que isso impedia sua técnica. Aliás, até mencionei que minha Armadura compartilhava meus sentimentos."
A pseudo-imortalidade que Dohko havia recebido após a última Guerra Santa havia sido tanto um presente como uma maldição. Todas as pessoas que Dohko tinha como próximas, como importantes, acabaram morrendo sem ele poder fazer nada. Por isso, Dohko havia com o tempo aprendido a aliviar suas emoções, às vezes até bloqueando-as por completo. É claro que não a usava de tal forma muitas vezes, mas foi muito útil em impedir que Kasa invadisse seu coração. Mas mesmo ele não pode se impedir de lembrar momentos de seu passado ao ouvir o inimigo mencionar Shion: se lembrava que ele era como um pai para Mu, e sentia raiva ao imaginar como Kasa fez sofrer tanto o ariano como Aiolia.
Kasa também havia deduzido o verdadeiro motivo pelo qual suas técnicas não funcionavam em seu oponente. O General nunca imaginou que houvesse alguém capaz de esconder seus sentimentos de tal forma; o mais próximo disso havia sido Isaak, mas mesmo ele não conseguia se manter impassível como tanto pregava.
Entretanto, ao olhar nos olhos de Dohko, percebeu a emoção que refletia neles. Vendo que o Cavaleiro havia abaixado à guarda e estava demonstrando emoção, tratou de novamente tentar entrar em sua mente e, como esperava, dessa vez nada o bloqueava.
Vasculhando a mente de Dohko e vendo o seu coração, Kasa não podia evitar soltar uma forte gargalhada. Dohko, por sua vez, saiu do transe em que estava enquanto relembrava o passado. Percebeu o que ocorrera, e pôde sentir também seu cosmo começar a se elevar, junto com sua ira.
"Parece que era verdade afinal de contas! Já achava que talvez você não tivesse coração, mas você é ainda mais patético do que os outros cavaleiros! Hahaha!" provocou Kasa, sem notar que o cosmo do Cavaleiro de Libra aumentava furiosamente enquanto ele fechava os olhos tentando se acalmar. "Tantas memórias... Amigos e companheiros que morreram no campo de batalha... Discípulos que envelheceram e acabaram morrendo também... Seu melhor amigo sendo morto enquanto você, impotente, não podia fazer nada... O mesmo com seu mais novo discípulo, que se encontra entre a vida e a morte... Vejo até uma bela jovem..."
Sem conseguir agüentar mais, Dohko reabriu os olhos, que brilhavam de raiva. Seus punhos estavam cerrados com tal intensidade que tinha dúvidas se a Armadura de Ouro agüentaria. Seu cosmo se elevara a tal ponto que Kasa parou seu monólogo e agora tremia diante do enorme clarão de energia dourada que estava em sua frente, criando uma tempestade violenta nos arredores do pilar do Oceano Antártico.
"Você vai pagar no inferno por tudo que você fez, Lymnades! Farei com que jamais volte a botar suas patas imundas no que há de mais importante no coração humano!" De seu cosmo, centenas de dragões começaram a surgir, voando pelo ar ao redor de Kasa e formando o que parecia um tornado de dragões no meio da tempestade. "Cólera dos Cem Dragões!"
Com o comando de Dohko, um dos dragões voou em Kasa e o atingiu, atirando-o no ar. De lá, todos os dragões começaram a voar para cima deles, cada um tentando atingir o General com o máximo de força possível para destroçar-lo. Era como se os dragões estivessem dançando no ar: muitos veriam isso como um grande espetáculo, mas aqueles que olhassem de perto veriam que isso era muito mais parecido com uma carnificina.
Em todos os cantos do templo submarino foi possível ver o grande clarão de cosmo dourado de Dohko e, em seguida, a tempestade e o furacão de dragões. Os soldados marinas estavam maravilhados pelo 'espetáculo'. Não entendiam direito o que era aquilo, mas paravam para olhar como se fossem fogos de artifício no Ano Novo.
Io e Sorento já se contentavam com o destino de seu companheiro assim que o clarão surgiu. Lamentavam sua derrota, mas nenhum dos dois podia negar que a morte de Kasa não os afetara tanto quanto Isaak ou Bian.
Kanon só faltava arrancar os cabelos. Era como se os Generais estivessem fazendo de propósito para impedir seus planos! Até Kasa, que tinha o potencial de pelo menos segurar os cavaleiros por um tempo maior, havia sido derrotado facilmente. Mas, pela intensidade do cosmo e do ataque, podia ver que a culpa pela derrota tinha sido do próprio General.
"Kasa... SEU IDIOTA!"
