Muito obrigada ao meu carneirinho Orphelin pela revisão e pelo review. Espero que todos gostem deste capítulo. E feliz natal! Grande abraço a todos, até mais!
Redenção
- Aiacos... agora que cumpri com a minha missão, eu me entrego. Sei que cometi um grave erro, quando procrastinei com a prisão do Minos e me envolvi emocionalmente com ele. – O jovem agente estendeu os braços para o superior, que ergueu uma das sobrancelhas diante daquele gesto.
- E por que eu deveria prendê-lo? Não é da minha conta, desde que isso não prejudique no seu trabalho, com quem você se envolve. Tudo bem que demorou a concluir sua missão, mas, no final, você o prendeu. Faz ideia de quantos agentes já foram atrás dele e não conseguiram o mesmo que você? – E voltou sua atenção para Minos, embora, continuasse a falar com Lune. – Se bem que quem deve desculpas aqui, por tê-lo envolvido nisso, sou eu, ainda mais depois de alterar algumas informações e manter outras sob total sigilo. Sabíamos tanto que Minos não se deixaria enganar, caso você tivesse posse de todas as informações, quanto você mesmo não conseguiria lidar com a situação da mesma forma. Estou errado, Minos?
- Não. No início, eu ainda pensei que era apenas mais um agente enviado para me enganar, mas, aos poucos, percebi que vocês mexeram seus pauzinhos e convenceram Lune de que eu era um estelionatário perigoso a ser capturado. Falando nisso, que bando de amigos da onça eu arranjei, hum? Colocaram a Interpol inteira na minha cola, seus desgraçados!
- E que alternativa nós tínhamos? Acha que temos tempo para cuidarmos de você e se suas trapalhadas? Ordenamos que deixasse Albafica em paz, mas o que você fez? Continuou a infernizá-lo. Mais cedo ou mais tarde e devido à sua obsessão doentia, alguém iria descobrir de onde você retirava todas as informações sobre ele e as pessoas com quem ele convivia. Não foi à toa que perdeu, até mesmo, o seu cargo de supervisor em razão dessa loucura toda.
- Então... Minos não é um criminoso procurado? – O jovem agente arregalou os olhos, espantado com a conversa e com a visível intimidade entre Minos e os dois supervisores.
- Não. – Aiacos suspirou, apontando o amigo que permanecia sentado no chão, na mira de Radamanthys. – Você está diante de um dos mais brilhantes agentes que a Interpol já teve. Mas, claro, ele é também o mais louco de todos os tempos. Minos era um dos três supervisores gerais, mas foi rebaixado a agente depois de quebrar muitas regras devido à sua obsessão doentia pelo Albafica, que começou em Londres. Foi transferido para a Grécia, mas jamais assumiu o posto. A questão é que ele é amigo do chefe. Não estávamos atrás dele para prendê-lo, mas porque não conseguimos ninguém com capacidade suficiente para substituí-lo.
- Resumindo, só viemos atrás deste desgraçado porque não aguentamos mais cuidar de todo o trabalho sozinhos.
- Não estão aguentando ou não dão conta mesmo? Haha!
- Quer morrer agora, Minos? Será um prazer lhe mandar para o inferno. – Radamanthys engatilhou a pistola, que mantinha encostada na cabeça do outro.
- O que dirá ao chefe se me matar, idiota? E o trabalho, como fará? A verdade é que você é vingativo por demais, meu amigo... quer a minha cabeça só porque eu atirei no seu namoradinho? Você é tão desproporcional! Nem foi num ponto vital, eu peguei leve com ele.
- Bem lembrado, devo pegar leve com você também. – Radamanthys subitamente apontou a arma para a perna de Minos. Lune arregalou os olhos ao notar o sorriso sádico nos lábios do loiro, quase tão sádico quanto o de Minos, e percebeu que Aiacos não faria nada para impedir um colega de atirar no outro. Antes que fosse tarde, e apesar do medo que sentia em fazer um movimento contra um superior, empunhou o chicote na direção do loiro, enroscando-o no braço deste e puxando-o fortemente no momento em que tentou disparar contra uma das pernas de Minos. Por hora, foi o suficiente para o tiro pegar apenas de raspão.
Wyvern voltou seu olhar furioso para cima de Lune em uma ameaça velada. O norueguês engoliu seco, sabendo que, se quisesse, Radamanthys poderia acabar com ele ali mesmo. Tinha plena consciência de que suas habilidades não se comparavam às daquele homem, que, pelo que já ouvira muitas vezes, eram aterradoras. Imaginou que poderia ser o alvo do próximo tiro disparado pelo outro, mas Minos conseguiu tomar a atenção do agente Wyvern novamente, numa clara provocação, como era do seu feitio.
- Sua mira já foi melhor, meu amigo! – Lune estreitou os olhos para Minos ao vê-lo debochar da situação, mesmo machucado, e andou na direção dele antes que o agente Wyvern resolvesse atirar novamente.
- Ele tomou um choque muito forte antes que vocês chegassem, não sabe o que diz! – Lune tentou apaziguar os ânimos do alemão, que permanecia irritadíssimo, desenroscando o chicote do braço dele e abaixando-se para checar se o tiro tinha acertado Minos apenas superficialmente, como parecera. Retirou um lenço do bolso, pressionando-o contra a coxa do parceiro, que sangrava um pouco, mas suspirou aliviado, visto que, de fato, tinha conseguido alterar a rota do tiro. Voltou seus olhos para os de Minos, que continuavam fitando o agente Wyvern em puro descaso.
- Eu devia mandar internar os dois... e no mesmo quarto, vestidos com camisas de força! – Aiacos bradou com os amigos, mas foi solenemente ignorado por eles. As brigas entre ambos eram normais, sobrando para ele intervir antes que se matassem.
- Ainda vai pagar pelo que fez ao meu subordinado, desgraçado!
- Então, da próxima vez, venha você pessoalmente resolver seus problemas comigo.
Lune observava, apavorado, a briga que se desenrolava entre Radamanthys e Minos. A sorte foi que Aiacos estava ali para acalmar os ânimos, ou nem tanto, já que precisou atirar no chão para chamar a atenção dos outros dois. O alemão e o norueguês voltaram seus olhares para o grego, que respirava pausadamente, tamanha era sua irritação.
- Idiotas! Estamos conversando ainda, poderiam parar de brigar? Como eu ia dizendo, o chefe também quer Minos de volta, desde que ele pare de infernizar Albafica ou qualquer outra pessoa que encontre pela frente e se sinta obcecadamente interessado. – E mirou o amigo de infância em seguida. - Acha que é capaz, Minos, de reassumir seu cargo e suas tarefas? Ou prefere ser internado em um hospital psiquiátrico? Não vou deixar você ileso desta vez.
- A corporação é quase um hospício, para ser sincero... mas, ainda prefiro ela. Certamente, um hospital psiquiátrico não me oferecia muito luxo. Sabe como é... – comentou com desdém, como se tivesse pesado, de fato, as opções com demasiado interesse.
- Então será transferido e terá de se submeter a acompanhamento psiquiátrico, além de que precisará ter um agente na sua cola, para supervisioná-lo por enquanto. Isso quer dizer que se você for pego investigando a vida de Albafica, outra vez, será desligado da corporação de uma vez por todas e acabará enjaulado em alguma clínica. Fui claro o suficiente, meu amigo? Ninguém aguenta mais as suas confusões, pelo que pode perceber, nem mesmo o chefe, que tanto te estima.
- Tá! Tá bom! Tudo bem! Mas, espero que eu possa escolher esse outro agente que me acompanhará, a partir de então... – E sorriu dubiamente, destinando um sorriso cheio de quintas intenções para o amante.
- Bem... se ele estiver de acordo, por que eu discordaria? Até acho que ele seria o agente mais indicado para essa função, independentemente da relação extracurricular de vocês. – sorriu, percebendo o nítido desconforto de Lune com aquela conversa. – Além disso, ele será transferido para a Noruega, e, veja a ironia, os dois são noruegueses, certo?
Radamanthys bufou ao ouvir Minos gargalhar cinicamente com a colocação de Aiacos, então, virou-se e foi se sentar na beirada da cama de casal, onde não havia vestígios de sangue da tortura imposta a Albafica. Tudo o que pôde pensar, mais uma vez, observando o estado daquelas roupas de cama, foi no quão louco o ex-supervisor era. Observou Lune ajudar Minos a se levantar novamente, com cuidado, enquanto este se aproveitava para cingir a cintura do amante possessivamente, sob o pretexto de se amparar nele.
- Vocês estão transformando a Interpol em uma agência de casamentos, mas eu adorei a ideia! Quero Lune me vigiando, bem de pertinho... – E tratou de desfazer a trança que prendia o cabelo do companheiro, penteando-lhe os fios platinados e tão parecidos com os seus com uma das mãos. Em resposta, Lune levou as mãos à franja de Minos, afastando-a dos olhos dourados para encará-los com seriedade.
- Eu aceito ir com você desde que deixe seu passado junto a Albafica onde ele deveria estar: lá trás. Não estou mentindo ao dizer que lhe abandonarei no primeiro deslize que cometer, caso volte a importuná-lo, ou a alguma outra pessoa. Então, o que tem a me dizer?
- Adoro a sua intensidade... – E sorriu de lado, selando os lábios nos dele antes que pudesse se esquivar. – Quero você comigo de agora em diante, agente Balrog. – E sorriu largamente ao ver as faces de Lune tingirem-se de uma cor rosada em razão do constrangimento.
- Lune deve ser sua alma gêmea, Minos... não consigo imaginar outra pessoa que não teria corrido de você depois de tudo que fez ao Albafica! Arjava tinha toda a razão em dizer que vocês eram compatíveis.
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Sage andava angustiado de um lado para o outro, no hospital, aguardando notícias de Albafica, que permanecia no bloco cirúrgico. A falta de informações sobre o estado de saúde do holandês o torturava. Enquanto isso, seu telefone não parava de tocar. Teria de atendê-lo. Não teria como esconder aquela história de todo mundo. Enfim, resolveu atender ao gêmeo, contado a ele resumidamente o ocorrido, apenas ocultando o fato de que o ferido em questão era seu namorado. Para o gêmeo, disse apenas que o ferido era um amigo em comum entre ele e Shion, mas, mesmo assim, conversar com o irmão conseguiu aliviá-lo um pouco. Era sempre dessa forma, ambos não conseguiam esconder, um do outro, a tristeza que os acometia.
- Haku, como é mesmo aquele mantra que a mamãe repetia quando ficávamos doentes? Eu gostava tanto quando ela cantava... – E escutou atenciosamente o irmão ensiná-lo como pedir pela intervenção da deusa da misericórdia, Kuan Yin, começando a recitá-lo em baixos murmúrios quando finalizou a ligação.
- Ohm mani padme hum... ohm mani padme hum...ohm mani padme hum... ohm mani padme hum...
O celular tocou novamente após algumas horas e Sage se surpreendeu ao ver o nome de Mu no visor. Atendeu na mesma hora. Sorriu ao escutar o garoto perguntar por que ele havia mandado Dohko ir buscá-los na escola e por que o chinês havia pedido para eles não contarem nada a Shion sobre aquela mudança de planos. Inspirou profundamente, contanto ao menor que Albafica estava no hospital e que Shion ficaria muito preocupado se soubesse disso naquele momento. O sobrinho entendeu sua atenção para com a condição delicada de Shion e perguntou se Sage não queria sua companhia no hospital, já que estava sozinho e à espera de informações sobre o estado do holandês.
- Não, não! É melhor você se preocupar com os estudos, certo? Ok, eu ligo se mudar de ideia. Não se esqueça de cuidar bem do seu pai, viu? E do Dohko também. Beijo e boa noite!
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- Desgruda, Asmita! – Shaka empurrou o gêmeo de sua cama, fazendo com que este caísse sentado no chão, com um sorriso irônico no rosto.
- O que foi? Está com vergonha do nosso novo irmão? Você sempre me deixou dormir na sua cama, seu chato!
- Só que nós já estamos bem grandinhos para você continuar querendo dormir na minha cama, não acha? Vá para a sua! E use o seu travesseiro também! Por que raios eu tenho que dividir a minha cama e o meu travesseiro com você?
- Nós passamos nove meses juntos na barriga da mamãe e te garanto que a gente ficava mais perto do que quando eu durmo na sua cama.
- É, eu sei... mas não precisa ser assim para sempre. Você não está tão amiguinho do Camus? Por que não vai dormir na cama dele? Que saco!
- Por que ele não é você! E nem tem graça dormir na cama de quem não reclama. – Asmita alargou o sorriso, gargalhando enquanto o gêmeo torcia o nariz e o acertava na cabeça com o travesseiro diversas vezes.
- Sai daqui, Asmita! O chato aqui é você, parece chiclete!
- Não saio!
- Oh infortúnio!
- O meu!
- Cala a boca!
Um ruído foi ouvido quando Charles abriu a porta, pousando seu olhar ferino sobre os filhos. Asmita se levantou, andando silenciosamente até a própria cama para se deitar nesta. Shaka, por sua vez, permaneceu indiferente à carranca do pai. Foi Camus quem decidiu quebrar o silêncio, depois de perceber que começaria mais uma briga ali entre o militar e seu filho.
- Sr. Heaton, eu pedi a Asmita e Shaka que me mostrassem como eles brigavam quando eram pequenos. Eles estavam apenas brincando. Peço desculpas se o incomodei.
- Ah, não... tudo bem! Eu pensei que eles o estivessem incomodando, mas, já que não é o caso, boa noite para vocês.
- Boa noite! – Os três responderam ao mesmo tempo, assustados, e só se lembraram de respirar novamente quando o homem sumiu porta afora. Asmita agradeceu ao ruivo enquanto Shaka encarava o irmão postiço um tanto descrente daquela boa ação.
- Anda logo, Asmita. Vamos dormir...
- Tá... – O loiro se levantou da própria cama e apagou a luz, voltando à cama do irmão, que desta vez não reclamou da presença dele.
No dia seguinte, Camus percebeu que o rádio relógio não os havia despertado e correu até a cama de Shaka para acordar os gêmeos, antes que o pai deles armasse mais uma confusão.
- Acorda, Asmita... estamos atrasados, o relógio não despertou! – O garoto repetia em francês, sacudindo o loiro que estava à beira da cama, quase caindo no chão. O outro, que permanecia de costas para eles, provavelmente o havia empurrado durante a noite.
- Hum? – Shaka resmungou, esfregando os olhos e observando as horas no relógio. Arregalou os olhos, depois que percebeu que o ruivo ria do espanto dele. Aquela era a primeira vez que ele o via rir e estava surpreso ao notar que, olhando de perto, o sorriso daquele francesinho era muito bonito. Mas, sabia que aquele sorriso era para Asmita, e não para ele.
Camus, na pressa e devido ao atraso, acabou confundindo os gêmeos, balançando Shaka ao invés de Asmita, que continuava dormindo tranquilamente e alheio a tudo.
- Shaka! – murmurou entre bocejos. – Ele é o Asmita. – apontou para o outro loiro. – Obrigado mesmo assim... vou acordar o meu irmão. – Respondeu em francês e escondeu a cara no lençol, envergonhado, empurrando o outro gêmeo de volta para a parede, no que este começou a resmungar consigo. Destapou a cara somente quando ouviu o ruivo sair do quarto, só então fazendo o que queria desde que fora acordado.
- Acorda logo, Ananda! – Shaka ralhou, chamando pelo primeiro nome do irmão, e observou Asmita finalmente abrir os olhos, estreitando-os em seguida.
- Que foi, Sidharta? – Retrucou ao também chamar o irmão pelo primeiro nome, que, diga-se de passagem, sabia que o mesmo odiava.
- Acorda, idiota! O papai vai vir brigar com a gente se não se arrumar logo!
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Já se passava das dez da manhã quando Sage finalmente viu um médico seguir em sua direção, dizendo que Albafica estava fora de perigo e que seguiria para um quarto. Ele foi avisado de que o holandês continuava sedado e de que poderia, consequentemente, apresentar qualquer estado de confusão quando despertasse. Logo, que Sage deveria chamar por ajuda se isso acontecesse.
O médico também comentou que Albafica havia passado por uma cirurgia no braço, onde foram colocados pinos para firmarem melhor os ossos quebrados, e havia recebido transfusão de sangue devido à quantidade perdida em razão dos ferimentos, especialmente o da cabeça. Aparentemente, tudo estava bem, mas, a certeza só viria depois que o rapaz acordasse.
O tibetano seguiu para o quarto indicado e permaneceu aguardando a chegada do namorado, surpreendendo-se ao finalmente vê-lo deitado numa maca sendo carregado pelos enfermeiros. Notou o quanto o rosto dele estava inchado e arroxeado pelas agressões que havia sofrido, contendo-se para não chorar ou xingar, tamanha era a revolta que sentia naquele instante. Só conseguia imaginar o terror que o outro havia passado enquanto estava na companhia de Minos.
Depois que o holandês foi devidamente acomodado na cama do quarto, Sage pegou uma cadeira e sentou-se ao lado dela, velando pelo descanso do outro. Só que, cansado como estava e, também, devido a todo o estresse, acabou cedendo ao sono e dormindo com a cabeça recostada sobre as coxas do holandês.
Albafica abriu os olhos lentamente, observando o teto e as paredes brancas ao seu redor. Ergueu um pouco o tronco com visível dificuldade, sentindo como se algo o empurrasse de volta para a cama. Só então reparou que Sage dormia apoiado sobre si. Sorriu com certa satisfação e sentiu o rosto um tanto estranho. Apertou os dedos nas palmas das mãos e, então, percebeu que estava sob o efeito parcial da anestesia que, certamente, tinha tomado. Levou a ponta dos dedos ao local onde havia sido acertado por Minos, notando um curativo, e observou o próprio braço engessado e preso ao corpo. Usou a mão livre para acarinhar os longos cabelos lilases que se espalhavam por parte do seu corpo e pela cama, admirando os belos traços do rosto de Sage.
A pouca movimentação do holandês foi o necessário para despertar Sage, que se levantou de súbito, beijou e apertou a mão que lhe afagava os cabelos. Depois, encarou o namorado com intensidade.
- Alba, como você está se sentindo? – Sage perguntou, apreensivo, temendo que o rapaz ainda sentisse dores pelo corpo, ou que tivesse alguma sequela da pancada na cabeça.
- Anestesiado, é o que me parece... – E sorriu, apertando levemente a mão do outro. Tomado por um inesperado alívio, depois de se lembrar da promessa de Aiacos, seus olhos se encheram de lágrimas. – Acabou, não acabou?
- Sim, acabou. Aquele agente, que conviveu com você no orfanato, nos garantiu que Minos não irá mais importuná-lo. E eu ficarei ao seu lado até que esteja completamente bem.
- Você não pode, Sage. Sabe que tem de tomar conta da sua empresa.
- Deixei um assessor tomando conta de tudo, não se preocupe com isso.
- Preciso avisar no laboratório. O que será que a Mary está pensando? É melhor não deixar uma grávida preocupada... e o Shion? Ele sabe que estou aqui?
- Não, eu estava esperando você acordar para telefonar...
- Ah... foi tão ruim assim? Desculpe...
- Você não tem que me pedir desculpas, amor. Apenas descanse, certo? – E levantou-se da cadeira, abraçando o namorado carinhosamente e com leveza, para não machucá-lo. – Quando você tiver alta e estiver se sentindo bem, faremos uma viagem. Apenas nós dois...
- Apenas nós dois? Para onde?– Sorriu abertamente, pensando em como seria bom passar alguns dias sozinho com Sage, distante de todos os seus problemas e de tudo que o pudesse lembrar Minos.
- O que me diz da Itália?
- Os avós do meu pai eram italianos... ele falava tanto sobre a Itália...
Sage sorriu ao notar a felicidade estampada no rosto do namorado, tentando disfarçar o quanto o entristecia vê-lo tão machucado. Estava disposto a tudo para animá-lo e distraí-lo das lembranças ruins.
- Eu estive pensando... você faz questão de adotar um bebê ou gostaria de adotar uma criança um pouco maior? Eu conheci o Mu quando ele já tinha cinco anos... não sei se eu teria jeito com bebês, afinal, era o Haku quem cuidava sempre do meu irmão Shion, depois que nossos pais morreram. E são tantas crianças que adorariam ter uma família...
- Sim! Eu passei por uma situação parecida à dessas crianças... ficaria feliz em proporcionar uma vida melhor a uma delas. Mas acho que seria melhor um garoto, pois garotas possuem problemas que apenas mulheres entendem, e eu nunca tive convivência suficiente com elas para entendê-las melhor... acabo por chateá-las, o tempo todo, sem entender o motivo. – Albafica suspirou ao recordar-se de quantas vezes havia feito garotas chorarem, tudo por simplesmente não conseguir captar o que elas queriam dizer. Mary era a primeira amiga que ele havia feito, mas, ainda assim, e sem querer, já havia feito a moça chorar também.
- Verdade! Meu irmão Hakurei sempre me conta dos problemas que ele tem com a filha. Não é fácil para um homem criar uma garota... mesmo que sejamos dois. Não dá para saber como elas pensam! E principalmente quando estão nervosas... daí, não nos contam o que está acontecendo. E o pior é que esperam que adivinhemos...
Albafica acabou rindo das colocações de Sage. Certa vez, enquanto conversavam, Sage tinha confidenciado que um dos motivos de ter se afastado de Mu foi devido a ex-noiva não ter lhe contado sobre a gravidez, talvez, esperando que ele adivinhasse que ela não queria seguir com ele para a Europa, uma vez que queria permanecer perto da irmã. Havia escondido dele seus receios e medos e esperado que ele a entendesse mesmo assim.
- Sim, acho que nos daremos melhor com um garotinho. Mas, você sabe... Mu é uma exceção. Não sei se é a criação que ele recebeu, ou se é pela natureza dele mesmo, mas nunca vi um garoto tão pacato e prestativo quanto ele. Com certeza, o garotinho que adotarmos será bem mais... agitado.
Para Albafica era importante deixar aquilo muito claro para Sage, já que assumirem a responsabilidade como aquela não era brincadeira. Sabia que teriam de passar por muita dor de cabeça e preocupação.
- Eu sei disso e não me preocupo. Também, não quero adotar um garotinho que se pareça com ele. Quero amá-lo por quem ele for, e não por ser parecido com o filho que não tive a oportunidade de criar. Por isso mesmo, acho que será melhor se ele for bem diferente do Mu.
- Mas você teria paciência com um garotinho bastante espevitado? Você sabe que não é tão paciente quanto demonstra ser... – Albafica sorriu ao ver Sage franzir o cenho.
- Bem... eu farei o meu melhor. Não quero ser um pai chato.
- Mas será que vai conseguir? Eu não sei... tenho minhas dúvidas!
Sage suspirou aliviado ao notar como Albafica achava graça daquela situação. Procuraria se esquecer da raiva que sentia por Minos, de tudo que este havia feito ao seu amado, e procuraria, dali em diante, proporcionar ao holandês uma vida repleta de bons momentos e, claro, muito amor! Aquele era o momento de olhar para frente, de fazer o amante esquecer completamente o passado triste que teve.
Decidiu que encontraria a criança ideal para alegrar suas vidas, para trazer um sentimento de total plenitude para aquela relação, que, apesar dos obstáculos, tornava-se mais forte a cada momento.
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Fim deste capítulo!
Gostou? Então mande review, please!
Até mais, grande abraço,
Nathalie Chan
