REVIEWS DO CA RESPONDIDAS! =)

N/A: Eu sou viciada nessa música há alguns anos e sempre quis colocar para um personagem. Enquanto escrevia esse capítulo percebi que se aplicava perfeitamente para Draco dessa fic. Talvez até para o Draco da JK mesmo.

No final do capítulo fiz uma lista dos jogadores de cada time, caso precisem dar uma olhadinha para se acharem no jogo.

Enjoy!

Capítulo VII - Add it Up

(betado por Anaisa)

-Violent Femmes

Day after day
I will walk and I will play

But the day after today
I will stop
And I will start my way

Draco não conseguia parar de sorrir.

Mesmo vendo ao longe a cor rosada que o rosto de Ginevra Prewett tomara desde que começara a conversar com Harry, perto do lago, continuava sorrindo.

Desde a festa de Halloween seu humor havia melhorado consideravelmente. O sentimento opressivo em seu peito que sentia toda vez que via Ginny ou recebia uma carta de seu pai falando sobre sua cada vez mais próxima iniciação como Comensal da Morte parecia ter sumido depois de ter feito aquela aposta com a garota.

Ele sabia que as chances de perder eram quase nulas. A Sonserina era um time tão superior ao da Grifinória e sempre os massacrara de forma vergonhosa. Se fosse qualquer outra Casa já teria desistido da humilhação e parado de competir, mas os integrantes da casa dos leões eram teimosos e corajosos. Até Draco precisava admitir que era admirável o quanto eles continuavam tentando ano após ano, mesmo com a Sonserina sempre sabotando seus treinos.

Mesmo sabendo de tudo isso, ele dobrou a quantidade de treinos da Sonserina, só para garantir. Não desmarcando nem o treino que haviam marcado acidentalmente para depois da festa de Halloween, para a revolta da equipe. Harry, no entanto, apareceu mesmo com ressaca, sem reclamar. O rapaz chegou a agradecer a Draco por finalmente conseguir controlar a equipe e marcar mais treinos.

Harry era bem mais dedicado do que ele em quadribol e em tudo o que fazia. Inúmeras vezes Draco considerou que Harry era tudo o que Lucius queria para o filho. Determinado, responsável, talentoso e sem se deixar levar por distrações bobas. Não vivia em festas e pegando garotas como Draco em seus amigos. Em um verão em que os sonserinos foram para Ibiza Harry fora fazer um curso de férias de artes das trevas em Durmstrang. Algo que seu pai já havia lhe dito inúmeras vezes que gostaria que ele fizesse e Draco adiava sempre porque nunca conseguia abrir mão de suas férias de verão.

O que ele poderia fazer? Contrário ao que dizia aos amigos artes das trevas não era nem mesmo sua matéria favorita, e sim poções. Era o melhor da turma em poções, de longe. A ponto de os amigos lhe pedirem ajuda. Até mesmo Harry já lhe pedira ajuda algumas vezes. Quando Draco realmente gostava de uma coisa, ele conseguia dar o seu melhor.

Então não estava mais tão preocupado com as investidas de Harry em Ginny. Draco parara de relutar contra seu interesse pela garota mesmo não entendendo exatamente o que sentia por ela. Ao admitir finalmente o quanto a queria percebeu que sua determinação e vontade era tanta que nada ficaria em seu caminho. Harry poderia ser muito bom em tudo o que fazia, mas era tremendamente limitado por ideias de certo e errado, sempre considerando os sentimentos dos outros. Draco não tinha limite algum. Faria tudo o que fosse necessário para conseguir aquilo que realmente queria.

E, no momento, o que realmente queria era Ginevra Analeigh Prewett.

Ela podia corar o quanto quisesse para seu melhor amigo. No final, Draco iria vencer.

A começar por aquela aposta. Sabia que se conseguisse beijá-la e se ela se permitisse beijá-lo de volta poderia conseguir fazer com que Ginny sentisse algo por ele. Mesmo se ela o beijasse obrigada por uma aposta. Seja lá o que fosse que ele sentia por ela era muito forte para que a grifinória não conseguisse sentir quando ele a beijasse. Era muito forte para que não tivesse nenhum poder de atraí-la.

Com certeza mais forte do que seja lá o que fosse que Harry sentia. Seu amigo perceberia mais cedo ou mais tarde que Ginny não era para ele. Que deveria estar com alguém que tivesse mais a oferecer para ela, como Draco.

Tendo plena consciência de sua eminente vitória, Draco não conseguia ficar chateado nem ao flagrar Harry e Ginny conversando intimamente nos jardins. Ela usava roupas de malhação que realçavam seu corpo de uma forma que o fazia querer lamber os lábios.

Se ela soubesse as coisas que ele queria fazer com ela... Viria correndo para seus braços.

Ou correria na direção oposta.

-Eles vão se atrasar para o primeiro horário. - a voz de Astoria comentou atrás dele, assustando-o. Ela sorriu com seu sobressalto. - Oi.

Draco retribuiu o sorriso.

-Não vi você chegando. - ele admitiu. - Como você está, Tory? Quase não conversamos desde a festa.

-Culpa sua que só pensa em quadribol e não tá nem aí pra mim mais. - ela brincou, empurrando-o de forma brincalhona. - Posso saber o porquê do seu súbito interesse por quadribol?

Draco deu de ombros.

-Eu sempre amei quadribol.

-Não tanto quanto nos últimos tempos! Sendo que o seu primeiro jogo vai ser com a Grifinória então nem precisa de tanto... - Astoria pareceu chegar a uma súbita compreensão. Parou de falar subitamente, arregalou os olhos e sorriu. - Draco... você está querendo ficar melhor no quadribol pra impressionar uma certa grifinóriazinha quando estiver no campo?

Draco revirou os olhos. Por um instante achou que, de alguma forma, Astoria havia descoberto a aposta. Draco não queria que ela soubesse pois tinha certeza que ela tentaria convencê-lo de que isso era má ideia para proteger sua nova melhor amiga.

-Eu só decidi escutar um pouco mais meu amigo Harry. - ele mentiu, sorrindo. - Que sempre diz que devemos nos preparar para qualquer partida como se nosso oponente fosse mais forte do que a gente.

Foi a vez de Astoria revirar os olhos e rir da óbvia mentira dele.

-Olha, Draco... Isso de dar uma de atleta gostosão e humilhar o time da garota pode funcionar em muita gente, mas não acho que vai funcionar com uma grifinória. - Astoria desdenhou. - Eles são estranhamente unidos. Nunca vi nenhum deles trair a própria casa. Acho difícil ela querer te pegar depois de você massacrar com o time dela. Até porque... - ela apontou para a janela, da qual podiam ver Harry e Ginny. - Você não é o sonserino de preferência dela.

Draco deu de ombros. Astoria o analisou por alguns segundos, estranhando um pouco sua reação despreocupada.

-Tanto faz. - ela disse. - Hoje não vou almoçar com vocês, estarei na biblioteca fazendo dever de transfiguração. McGonagall vai arrancar meu couro se eu entregar atrasada de novo. E vou jantar com Ginny e as meninas em outra mesa. Então pensei de a gente se encontrar no Salão Comunal depois do jantar, abrir uma das caixas de chocolate suíço que sua mãe mandou e colocar o papo em dia. Que tal? - ela terminou, lhe oferecendo um amplo sorriso.

-Ótimo. - ele confirmou. A maior parte dos doces que sua mãe lhe mandava acabavam sendo devorados por Astoria. - Vamos para o café da manhã que já estamos nos atrasando também.

-Eu não vou tomar café da manhã. Vou comer chocolates essa noite. Dã. - ela disse, arrancando uma risada de Draco. Ela ergueu as sobrancelhas. - Quanto bom humor! Você só fica sorridente assim quando... - ela fez uma expressão exageradamente ultrajada. - Quem você está comendo? Qual o nome da vadia?

Draco riu alto novamente. Aproximou-se da amiga e lhe deu um estalado beijo na bochecha, despedindo-se antes de seguir para o Salão Principal.

Why can't I get just one kiss
Why can't I get just one kiss

Believe me there'd be somethings that I wouldn't miss
But I look at your pants and I need I need a kiss

Os dias passaram rapidamente. Em um piscar de olhos haviam chegado o dia da polêmica partida de quadribol.

Nas últimas semanas Draco havia deixado Ginny em paz. Não se aproximara, nem a importunara sobre a aposta. Nas poucas vezes que interagiram foi por causa das amigas (Astoria e cia.) em comum, e ele apenas a cumprimentara com educação.

Não era exatamente agradável para ele manter-se afastado enquanto via Harry se tornando cada vez mais próximo de Ginny, mas considerando que a garota teria que beijá-lo contra sua vontade achara melhor lhe dar um pouco de espaço por enquanto.

Draco não tinha certeza se Ginny tinha contado aos jogadores da Grifinória sobre a aposta, mas no café da manhã do dia da partida percebeu que a mesa em que a ruiva sentava com Longbottom, Loony e Weasley estava silenciosa. Weasley lhe lançava olhares de ódio ocasionalmente, e Ginny parecia perdida em pensamentos, concentrada na sua comida, que ela mexia de um lado para o outro sem realmente comer.

Claro que eles estavam chateados. Estavam percebendo que Ginny estava cada vez mais perto de perceber que era boa demais para andar com eles. Provavelmente detestavam a aproximação dela com Harry e Astoria e agora que Draco estava a cercando sabiam que não tinham chances de continuar monopolizando o tempo e a atenção da ruiva, mesmo que ela não fosse da Sonserina.

Em um determinado momento seus olhares se encontraram. Ao invés de desviar o rosto imediatamente como sempre, Ginny segurou o olhar. Sua expressão era impassível, mas novamente Draco teve a sensação que os olhos dela queriam dizer várias coisas ao mesmo tempo.

Sorriu. Ela balançou a cabeça e finalmente desviou sua atenção.

Draco sentiu seu apetite aumentar e encheu seu prato.

-Nunca te vi tão animado assim. - Blaise comentou ao pegar Draco sorrindo para seus waffles. - Está tão ansioso para humilhar os leõezinhos?

-Você não faz ideia.

Harry riu. Como sempre, ele estava calmo. Comendo e conversando com os amigos como se fosse qualquer outro dia. Draco não se lembrava de já ter visto Harry nervoso com uma partida de quadribol. Não tinha porque ficar também. Era o melhor apanhador de Hogwarts. Tão bom que havia rumores na escola de que ele já havia recebido propostas de times profissionais. Harry nunca dissera nada aos amigos, então Draco não sabia se era verdade. Não perguntava, porque tinha medo que fosse.

Why can't I get just one screw
Why can't I get just one screw
Believe me I know what to do
But something won't let me make love to you

Ginny fizera um bom trabalho mantendo-se calma e guardando a informação da aposta para si mesma nos últimos dias. Decidira não aumentar a pressão dos amigos da grifinória que jogariam avisando-lhes que sua dignidade estava em jogo. Estava decidida a guardar aquele segredo, mesmo reconhecendo que tinha grandes chances de perder aquela aposta e acabar tendo que beijar Draco Malfoy, o garoto que mais detestava na escola. (Depois de Theodore Nott. Algo em Nott a irritava profundamente.)

Seu pensamento mudou ao ver que as poucas vezes que os grifinórios conseguiram reservar o campo para treinar, tiveram o treino sabotado pela Sonserina, que apareceu com permissão do diretor. E as poucas vezes que realmente conseguiram treinar... eram péssimos. Ron era um goleiro decente, mas parecia completamente desmotivado. Todos pareciam conformados de que iriam perder. Falavam de futuros jogos contra Corvinal ou Lufa-Lufa com certa empolgação, mas sabiam que não venceriam os sonserinos.

Então Ginny foi no vestiário da Grifinória dois dias antes da partida e contou da aposta.

-Vocês só precisam fazer cinco gols antes de Potter pegar o pomo. - ela pediu. - Cinco gols! O quão difícil pode ser?

A notícia causou um alvoroço maior do que antecipara. Ron ficara tão vermelho que Ginny achou que começaria a gritar com ela. Mas apenas ficou terrivelmente calado, com os olhos arregalados. Os outros jogadores a repreenderam pela aposta irresponsável, mas Demelza Robins aceitou prontamente o desafio de fazer pelo menos cinco gols, parecendo animada por ter, enfim, uma meta atingível.

Os batedores prometeram a Ginny que focariam suas energias em jogar balaços na direção de Harry para atrasá-lo em sua busca pelo pomo de ouro por tempo o suficiente para que os artilheiros conseguissem marcar cinco gols. McLaggen, capitão da Grifinória e o único aluno da casa que Ginny não conseguia suportar, fora quem mais a repreendera pela aposta. Depois brincou que faria quantos gols ela quisesse se prometesse dar um beijinho nele também, o que fez todos os outros jogadores do time o vaiarem e o mandarem calar a boca.

O dia do jogo chegou mais cedo do que ela gostaria. Mal conseguira dormir na noite anterior e seu estômago estava completamente embrulhado. Tentara comer, mas sua garganta parecia completamente fechada. O nervosismo de Ron não ajudava. Então Ginny passou a manhã grudada em Luna, esperando que isso afastasse os jogadores da Grifinória de se aproximassem para repreendê-la mais uma vez, mas quando a hora do jogo se aproximou a corvinal precisou ir ao seu dormitório pegar alguns adereços para a torcida.

Enquanto caminhava para a porta do retrato para trocar as roupas por algo vermelho ou dourado (precisaria pegar da mala de alguma das colegas de quarto ou usar mágica para colorir alguma de suas roupas), Draco Malfoy surgiu subitamente na sua frente, já vestindo suas roupas de quadribol e sorrindo de orelha a orelha. Ginny precisou pular para trás para não colidir com ele.

-Hoje é o grande dia, ruivinha. - ele começou. - Ansiosa?

-Enjoada. - ela admitiu. - Não cante vitória antes do tempo, Malfoy.

-Não estou cantando vitória ainda, Ginny. Estou levando tudo isso muito a sério. - ele afirmou. - Só achei importante te lembrar da nossa apostinha pra você não vir com papinho depois tentando fugir de cumprir a sua parte.

-Malfoy, eu não vou fugir de nada. Fizemos um acordo. - ela respondeu, cruzando os braços na frente do corpo e dando um passo para trás. - E eu ainda não perdi esperanças de ganhar essa aposta.

-Esperança é a última que morre. - ele concordou, sorrindo. - Mas morre.

-Se era só isso... - ela disse, desviando-se do rapaz.

-Não. - ele respondeu, segurando o impulso de segurá-la, e limitando-se a apenas tocar seu ombro rapidamente para fazê-la parar. - Queria acertar alguns detalhes. Se... você ganhar, vou ao Ministério na segunda. Você vai querer me acompanhar para ter certeza de que estou fazendo minha parte?

Ginny ponderou por alguns momentos antes de confirmar.

-Sim. - disse. - Vamos segunda de manhã. É o dia em que eu menos tenho aula. Acha que consegue autorização para sair da escola e ir ao Ministério?

-Sim. E você?

-Meus pais nunca vão deixar. - ela admitiu. - Vou ter que sair escondida.

-Não tem problema. Tem milhões de formas diferentes de te tirar daqui sem ninguém perceber. - ele assegurou. - Iríamos de manhã? Umas nove?

-Ok.

-Agora... - ele começou, voltando a sorrir. - Quando eu ganhar...

-Se você ganhar. - Ginny corrigiu.

-Você não é a única esperançosa aqui, Ginny. - ele riu. - Eu vou querer meu prêmio ainda hoje.

Ginny revirou os olhos. Evitando concordar imediatamente e passar a impressão errada de que estava ansiosa para beijá-lo ou coisa assim. Então suspirou longamente antes de concordar com a cabeça. Se perdesse aquela aposta queria acabar logo com essa história toda no mesmo dia.

-Como você não quer que ninguém saiba, acho que o melhor horário é a noite. Todo mundo vai estar na festa da Sonserina. Me encontra no quarto do Monitor-chefe.

Ela arqueou as sobrancelhas.

-Não. Não confio em você a esse ponto.

Ele revirou os olhos com a desconfiança da garota.

-Ginny, eu não vou te forçar a nada. - Draco disse com a voz carregada de impaciência e frustração. Sabia que era culpado por essa impressão horrorosa que a grifinória tinha dele.

Parecendo perceber a expressão dele, a de Ginny suavizou quase que imperceptivelmente.

-Malfoy, você não é a única pessoa em quem eu não confio. - ela admitiu. - Mas você também nunca me deu motivos para confiar em você. Só estou tentando me preservar.

Para a surpresa da grifinória ele apenas concordou com a cabeça. Sem comentários sarcásticos, engraçadinhos ou raivosos.

-Onde você se sentiria segura então?

Ela pensou por alguns segundos, mordendo o lábio inferior enquanto olhava ao redor. Não conseguia pensar em nenhum lugar da escola em que se sentiria segura sozinha com Malfoy. Ainda por cima beijando-o.

-Que tal... você conhece a Sala Precisa? - ele sugeriu. Quando ela confirmou ele continuou: - É perfeito. Você pode conjurar o que precisar para se sentir segura.

A garota considerou por alguns momentos, antes de assentir. Parte dela queria levar os amigos para esperá-la do lado de fora, mas seu lado orgulhoso a impedia de considerar essa opção. Poderia se cuidar sozinha.

-Você vai ver. Vai dar tudo certo. - ele assegurou, sem nem um pingo de ironia ou malícia na voz.

Aproximou-se erguendo uma das mãos e acariciando, por breves segundos, um lado do rosto da grifinória. Ginny se afastou quase que instantaneamente, deixando a mão de Draco no ar. Ele sorriu derrotado, sem perder o bom humor. Precisou se segurar para não tentar tocá-la novamente.

-Te vejo mais tarde, ruivinha. - ele despediu-se, saindo de sua frente para que ela voltasse a andar na direção do salão comunal da Grifinória.

-Até segunda, Malfoy. - ela disse, decidida, andando rapidamente para longe dele.

Why can't I get just one fuck
Why can't I get just one fuck
I guess it's something to do with luck
But I waited my whole life for just one

Draco não precisou caprichar muito em seu discurso no vestiário antes do jogo. Os sonserinos marcharam para o campo carregados de confiança. Suas Firebolts reluzentes causando admiração. Foram recebidos no campo por uma multidão os ovacionando. Harry parecia ansioso para voar, sem ter ideia do quanto o resultado daquela partida afetaria tudo. Draco mal conseguia conter a sua própria animação.

Como de costume, McLaggen e ele apertaram as mãos com bem mais força do que o necessário. Bem mais forte que o capitão da Grifinória, Draco pôde ver a expressão do rapaz vacilar com a dor, mas ele se recuperou a tempo de disfarçar.

Pouco antes de Madame Hooch apitar e os jogadores estarem no ar, Draco percebeu o olhar de Ron na direção dele. Uma mistura de raiva com enjoo. Se antes tinha dúvidas, agora o sonserino tinha certeza que Ginny havia contado ao goleiro da Grifinória sobre a aposta.

-Três... dois... um!

E o apito de Madadame Hooch soou, seguido do rugido vindo das arquibancadas enquanto os jogadores disparavam para o ar.

Os olhos de Draco foram automaticamente para a arquibancada da Grifinória, mas não teve tempo de localizar a ruiva pois Harper, artilheiro da sonserina, arremessou a goles em seu peito. Por causa de seu momento distração quase a deixou cair, mas recuperou o equilíbrio e voou como uma bala na direção dos aros da Grifinória.

Em poucos minutos, o narrador Owen Cauldwell anunciava a liderança da Sonserina na partida.

-Quarenta a zero para a Sonserina!

Era difícil para o locutor demonstrar muito entusiasmo considerando que torcia para a Grifinória. Os lufa-lufas em geral tinham uma inexplicável afinidade pela casa dos leões.

Ao se desviar às pressas de um balaço, Draco viu Ginny na arquibancada. Os olhos arregalados, os lábios comprimidos, e as mãos fechadas em punhos na frente do corpo enquanto acompanhava o jogo com intensa atenção.

-GOOOL! PONTO PARA GRIFINÓRIA!

Draco ainda a assistiu comemorar, abraçando Neville e uma pessoa que usava uma enorme cabeça de leão, antes de sentir um forte tapa em sua nuca.

-PORRA, DRACO! ACORDA! - Blaise vociferou.

Draco assentiu, voltando a atenção para a partida. Blaise e ele cercaram Nathalie Clearwater, que voava com a goles. A garota era uma artilheira decente pelo que Draco já vira em seus treinos, mas o nervosismo parecia tomar conta quando virava o centro das atenções dos sonserinos e era muito fácil roubar a goles.

Naquele dia ela parecia apresentar mais resistência fazendo manobras elaboradas para se desviar deles. Goyle lançou um balaço que atingiu a Grifinória um instante depois de ela fazer o passe para Peakes. O artilheiro da Grifinória não jogava muito bem, mas fez algumas manobras que confundiram os sonserinos antes de passar a goles para Demelza Robins, que a lançou imediatamente na direção dos aros da sonserina, acertando o do meio em um belíssimo gol.

-QUARENTA A VINTE!

Soltando um alto palavrão, Draco procurou Harry com o olhar pelo campo, encontrando-o acima dos demais jogadores, observando com uma expressão insatisfeita a comemoração das arquibancadas da Grifinória e Lufa Lufa. Logo, voltou a sua procura do pomo. Euan Abercrombie, o apanhador da grifinória, ficava por perto do sonserino.

Draco voltou sua atenção à sua função. Apanhou a goles quando Robins tentou passá-la para Peakes. Um grandioso urro vindo da torcida da sonserina pareceu carregá-lo na direção dos aros da grifinória. Passou a goles para Blaise, que a passou novamente para ele depois de driblar Clearwater e Draco a arremessou com força em um aro da Grifinória.

Ron Weasley surgiu do nada, parecendo se jogar na direção da goles, a desviando com o peito. Um grito coletivo de empatia do quanto deveria ter sido dolorido ecoou pelas arquibancadas e de alguns jogadores, mas Weasley parecia bem. Peakes pegou a goles e aproveitou-se do momento de surpresa de todos para atravessar o campo e fazer um gol sozinho. Urquhart, goleiro da sonserina, por pouco não conseguiu fazer a defesa. Gritou para os sonserinos para que ficassem mais atentos.

Poucos minutos depois Peakes estava nocauteado no chão depois de Crabbe ter arremessado um violento balaço em sua cabeça. Harper conseguira, com dificuldade, fazer mais um gol e Draco agora lutava contra uma persistente Demelza Robins que tentava lhe roubar a goles.

Isso não devia estar acontecendo. Os jogadores da Grifinória nunca conseguiam fazer mais que dois gols e agora já haviam conseguido TRÊS.

Cercado pelas artilheiras grifinórias, Draco foi obrigado a passar a goles para Harper, que a perdeu para Robins que disparou na direção dos aros da Sonserina. Blaise a empurrou e ela quase caiu da vassoura, mas recobrou o equilíbrio a tempo de ver Demelza fazendo o quarto gol da grifinória.

Nervoso, Draco xingou e passou uma das mãos pelo cabelo. Mas seu nervosismo passou ao ver Harry acelerando na direção de um brilho dourado. A atenção da platéia desviou-se para os apanhadores que disparavam atrás do pomo de ouro. Harry em clara vantagem. Draco gritou para Blaise e os dois aproveitaram a distração dos outros para pegar a goles e atravessar o campo.

Para azar de Draco, Weasley não estava distraído. A goles veio diretamente em seus braços quando Zabini a arremessou para o gol. O ruivo olhou para cima, percebendo que a mão de Harry estava a menos de meio metro do pomo.

Draco sorriu para si mesmo. Acabou.

Então Ron Weasley soltou o grito mais frustrado e forte que Draco já ouvira na vida. Algo mais semelhante a um rugido do que a qualquer som humano. A goles que antes estava nas mãos do grifinório atravessou o campo com força e precisão. Urquhart reagiu rápido, mas não rápido o suficente.

-GOL DA GRIFINÓRIA! E... HARRY POTTER APANHOU O POMO! VITÓRIA DA SONSERINA DE 200 A 50!

Draco desceu para o campo urrando de raiva. Quando desceu da vassoura o resto do time o abraçou em comemoração. Ele se desviava das comemorações, xingando e arrancando suas luvas bruscamente, arremessando-as no chão proferindo inúmeros palavrões.

Se a torcida achara estranho a reação raivosa de Draco, não foi nada comparado a perplexidade de todos ao verem Prewett e Longbottom comemorando entre os jogadores da Grifinória com efusivos abraços. Expressões de alívio em seus rostos.

Com raiva, Draco seguiu em direção ao vestiário, segurando a vontade de socar todos os que o congratulavam no caminho.

Day afterday
I get angry
And I will say

That the day
Is in my sight
When I'll take a bow
And say goodnight

Segunda-feira Draco ainda estava irritado com o jogo. Justificara sua fúria para os sonserinos dizendo que os grifinórios conseguiram empatar com eles nos gols, algo que nunca havia acontecido antes. Se Grifinória havia conseguido isso, imagine quando fossem jogar contra o forte time da Corvinal!

Mesmo com a irritação, estava contente que pelo menos havia pensado em fazer a garota ir com ele. Seria extremamente tedioso ir sozinho ao Ministério para lidar com isso. Sabia que o jeito decisivo de Ginny faria com que tivesse mais confiança. Havia avisado seus pais e combinado de se encontrar com o advogado da família no Ministério, o que lhe rendera três berradores de seu pai. Lucius Malfoy estava tão enfurecido com a decisão do filho que Draco quase decidira não cumprir seu trato com Ginny. No entanto, não seria esperto entrar em confronto com a garota. Era melhor seguir os termos da aposta.

Encostado à parede, o sonserino esperava ao lado da estátua da bruxa de um olho só, olhando para o relógio de pulso a cada dez segundos. Prewett estava atrasada. Depois de fazê-lo esperar por quase meia hora ela apareceu, andando apressada na direção dele.

-Bom dia. - ele cumprimentou, fazendo menção ao relógio, esboçando seu desgosto pela hora adiantada. - Dormiu demais?

-Bom dia. Quem dera! Os meninos decidiram fazer um interrogatório quando me viram saindo sem o uniforme. - ela disse, ofegante. - Desculpe o atraso.

-Vamos acabar logo com isso. Não tenho o dia todo, Prewett.

A ruiva apenas assentiu, olhando com curiosidade para a estátua da bruxa. Draco abriu a passagem e a fez ir na frente, lembrando-se um pouco depois que a garota era nova a Hogwarts e não conhecia as passagens que já eram costumeiras para ele.

-Essa passagem sai na Dedos de Mel em Hogsmeade. De lá usamos pó de flu para o Ministério.

-Não tem nenhuma lareira dentro do castelo em que podemos fazer isso? - Ginny perguntou, colocando apenas a cabeça para dentro da passagem e a inspecionando.

-A lareira de Snape. Eu poderia ir, mas você não pode porque não tem autorização para sair do castelo.

-Você podia ter ido sem mim e eu o encontrava lá.

-E te dar chance de me dar um bolo? - ele riu. - Vamos logo, Prewett!

Depois de um suspiro, Ginny entrou na passagem. Andaram em silêncio. Ginny o deixou passar a sua frente para guiá-la e parecia entretida observando a passagem para falar qualquer coisa. Parte de Draco esperava que ao vê-lo ela iria se gabar pela sua vitória. Aparentemente, ela não tinha essa necessidade. Já havia comemorado com os grifinórios e isso lhe bastava.

-Vamos encontrar com meu advogado no Ministério. Ele disse que quando eu chegasse só precisaria assinar alguns papéis.

-Ok.

-Se demorar muito podemos almoçar por lá.

-Eu tomei um bom café da manhã.

Draco revirou os olhos, mas não reclamou.

-Seus amigos sabem que você está vindo comigo?

-Sim. - ela suspirou. - Só contei agora de manhã quando me viram saindo. Quase não me deixaram vir.

-Harry sabe? - Draco perguntou, tentando parecer casual.

-Não por mim. - a garota respondeu, desconfiada. - Por quê?

-Ótimo. Acho melhor deixarmos isso só entre a gente. Não conte para ele.

-Não tenho porque contar. - Ginny respondeu com honestidade, mesmo estranhando o pedido do rapaz.

Ao ver a sombra de um sorriso passar pelo semblante de Draco com sua resposta decidiu que o mais acertado seria comentar com Harry, mesmo contrariando a vontade do louro. Se transformassem aquela saída em um segredo ela teria muito mais significado do que deveria ter.

Oh, ma-mama, mama-mo-ma-mum
Have you kept your eye, your eye on your son?
I know you've had problems, you're not the only one
When your sugar left, he left you on the run

-É a primeira vez que você vem ao Ministério? - Draco perguntou, aumentando a voz para que se sobressaísse ao movimento dos trabalhadores entrando e saindo do Ministério.

-Não. - ela respondeu, apesar de olhar ao redor com a curiosidade de alguém explorando um lugar novo.

Seu olhar acabou por repousar na estátua localizada no centro do átrio do Ministério da Magia, na qual um bruxo e uma bruxa gigantes sentados em tronos, em cima de pessoas pequenas. Trouxas, no lugar em que o Lorde das Trevas acreditava que eles deveriam ocupar. Abaixo dos bruxos.

A garota pareceu ter dificuldade em desviar o olhar da estátua, mas se forçou a olhar em frente. Draco pensou que ela fosse dizer alguma coisa, mas apenas continuou em silêncio na direção dos elevadores.

Ginny lembrava-se de uma época em que precisara vir ao Ministério com os seus pais quase diariamente para resolver papeladas quando era mais nova. Lembrava que aquela estátua, antes mesmo de sua mãe lhe explicar o que significava, lhe inspirava desconforto e medo. Havia esquecido completamente da existência daquela estátua, mas imaginaria que agora, anos depois ela não lhe parecesse tão opressiva como antes.

Tentou impedir sua mente de divagar, concentrando-se no momento. Draco a guiou para os elevadores. Deram espaço para que vários bruxos e aviõezinhos de papel flutuantes saíssem do elevador. O rapaz, então, fez menção para que ela fosse à sua frente e a garota o fez. Chegou a abrir a boca para perguntar a Draco qual nível deveriam ir quando a porta fechou com violência jogando uma lufada de vento em sua direção.

E o cheiro que invadiu suas narinas foi perturbadoramente familiar.

Inspirou novamente, procurando sentir com mais intensidade o cheiro a fim de detectar de onde o reconhecia. Sua mente fazia uma rápida lista de lugares e pessoas, sem encontrar resposta. No entanto, quanto mais inspirava, mais "dicas" seu subconsciente lhe dava.

Felicidade. Couro. Sorriso. Abraço.

Conforto. Segurança. Abraço.

Amor.

Um rosto... olhos azuis... rosto... rugas... pés de galinha...

-Ginny! - Draco exclamou, fazendo-a sair de seus devaneios com um sobressalto. - Chegamos, é aqui!

Ela arregalou um pouco os olhos, encarando a porta aberta do elevador. Os dois eram os únicos restantes. O cheiro pareceu se dispersar com o seu susto, assim como as lembranças que invocou.

-Ok... - ela murmurou, caminhando para fora do elevador. No entanto, antes que pudesse sair a porta se fechou subitamente, a sua frente.

Franziu o cenho ao perceber que Draco apertava o botão para fechar as portas do elevador, lançando-lhe um sorriso de canto de boca.

-Malfoy, o que está fazendo?

-O que aconteceu agora? - ele perguntou, aproximando-se. - Pra onde você foi? Uma hora estava aqui e na outra eu falava com você e nada...

-Eu não sei, me distraí. - ela respondeu, incomodada com a aproximação, andando para trás.

-Tem certeza? Pensando no quê?

-Malfoy, achei que já estávamos atrasados, é melhor...

Ginny fez menção de abrir a porta, mas Draco bloqueou seu caminho antes de avançar mais um pouco em sua direção, fazendo-a voltar a se afastar até encostar em um dos cantos do elevador.

-Foi só eu falar do Harry que você se distraiu.

-O que Potter tem a ver... - ela perguntou, sua mente em alarde pela proximidade do rapaz a impedia de pensar mais claramente. - Eu nem percebi que você estava falando comigo. Eu estava distraída...

-Vamos parar de cercar o assunto e falar claramente? - Draco perguntou, seu sorriso falhando. Um quê de agressividade transbordando em seu tom e olhar. - O que está acontecendo exatamente entre você e Harry?

Ginny arregalou os olhos.

-Malfoy, eu não tenho que te dar satisfações...

-Responde!

Ela revirou os olhos antes de tentar empurrá-lo do seu caminho para abrir a porta do elevador. No segundo seguinte ele a pressionava contra o espelho pelos braços, a barra que contornava o elevador machucando suas costas.

-Malfoy!

-Só me diz o que tá rolando entre vocês. É só isso que eu preciso saber, mais nada.

Ele tentava transparecer calma em sua voz, mas sua expressão e as mãos agarrando os braços da garota contrariavam seu tom. Se Ginny estava com medo era muito boa em disfarçar. Tudo o que sua expressão demonstrava era raiva e indignação.

-Me solta agora! - ela ordenou, sua voz se elevando como ele nunca ouvira antes. - Quem você pensa que é?!

-Quem você pensa que é, Prewett? - ele respondeu, perdendo a paciência, seus dedos cravando-se nos braços da garota. No entanto, afrouxou o aperto imediatamente ao vê-la tentar impedir seu rosto de se contorcer de dor. - Me responde. Não vou ficar com raiva, não importa sua resposta. Eu só preciso saber.

-Se você acha que vai conseguir me intimidar está muito enganado, Malfoy. Você não tem o direito de me manusear dessa forma ou exigir qualquer coisa de mim! - ela disse em um tom ameaçador aproximando seu rosto do dele. Seus olhos brilhando de raiva e indignação. - Me solte antes que eu comece a gritar!

Ele olhou para as próprias mãos segurando os braços da garota como se só naquele momento houvesse se dado conta do que estava fazendo. Mesmo que ainda contrariado, ele a soltou.

-Estamos segurando o elevador. Vamos. - ela ordenou.

Ginny apertou o botão para abrir o elevador e marchou para fora. Draco a guiou na direção de onde o advogado de sua família a esperava, se socando mentalmente por nunca conseguir controlar seu temperamento. Claro que a garota só iria querer distância dele se continuasse agindo daquela forma. O problema era que, quando aquela raiva incontrolável começava a borbulhar dentro de Draco, como se seus pensamentos ficassem turvos. Ele perdia até mesmo a vontade de se controlar e sentia que a única forma de saciar aquele terrível sentimento em seu estômago era extravasá-lo.

Saber que aquele sentimento fora gerado pelo seu melhor amigo, que geralmente tinha o poder de acalmá-lo, era preocupante.

Oh, ma-mama, mama-mo-ma-mum
Take a look now at what your boy has done
He's walking around like he's number one
Went downtown and you got him a gun

Depois de horas que pareceram durar uma eternidade os dois saíam do Ministério. Draco tivera que assinar o que lhe parecera um enorme livro de petições, rubricar todas as páginas, apresentar milhões de documentos. Levá-los de um andar para outro do Ministério...

E quando finalmente parecia que eles conseguiriam ir embora Ginny perguntou o que aconteceria com o hipogrifo. Um funcionário informou que o animal ficaria até o fim de semana sob custódia do Ministério, então um abrigo de reabilitação de animais perigosos o acolheria.

A ruiva já devia ter ouvido falar atrocidades sobre esse abrigo de animais do governo, pois insistiu que havia espaço o suficiente no abrigo Scamander e perguntou sobre a possibilidade de o hipogrifo ser encaminhado para lá. O funcionário, parecendo positivamente surpreso por falar com alguém que se importava em ajudar o animal, deu instruções em mínimos detalhes (incluindo algumas dicas de como burlar toda a burocracia) para que conseguissem encaminhar o hipogrifo ainda naquele dia.

Draco ainda pensou em tentar dissuadir Ginny para que voltassem logo para o castelo, mas ao ver a expressão decidida da garota achou melhor ficar calado e colaborar. Já a irritara o suficiente por um dia.

Então ele a seguiu enquanto andava de um lado para o outro no andar do Departamento de Regulação e Controle de Criaturas Mágicas. Mandara corujas urgentes para o abrigo e para Hogwarts. O abrigo respondeu rapidamente e enviou papéis solicitando e autorizando a transferência do hipogrifo, listando seus programas de reabilitação de animais mágicos e fotos de suas acomodações. A coruja que voltou de Hogwarts era uma autorização dos antigos proprietários do hipogrifo para que ele fosse transferido para o tal abrigo, assinada pela Prof. McGonagall.

Foi extremamente maçante andar de um lado para o outro com todos os papéis até porque os funcionários não pareciam dispostos a cumprir suas funções, sempre empurrando-os de um departamento para outro. Felizmente, as dicas do funcionário anterior impediram que fossem enrolados mais ainda e o advogado dos Malfoy parecia contente em ajudá-los com tudo.

Então agora estavam sendo transportados do Ministério para o abrigo Scamander em um enorme veículo que transportava a jaula do hipogrifo que se debatia contra suas correntes. Encostada ao banco enquanto o transporte cortava os céus, Ginny parecia relaxada. Um sorriso aliviado e cansado em seu rosto.

-Não quer fazer um carinho no hipogrifo não? Ele está bem agitado. - Draco brincou.

-De jeito nenhum. Ele está preso há mais de um mês. Deve estar mais agressivo do que nunca. Vou perder meu braço. - ela respondeu.

-Então você concorda que ele é perigoso? - Draco provocou.

Ginny fez um gesto impaciente.

-Qualquer um ficaria agressivo sendo sequestrado de casa e jogado em uma cela escura por meses. Com certeza, tratado com brutalidade.

-Sequestrado? - Draco riu. - Prewett, é um animal.

-É um ser vivo. - ela falou mais para si mesma do que para ele, seu olhar direcionado para a janela do veículo. - Estamos chegando.

Em alguns minutos, realmente, o carro desceu parando em frente a uma enorme e bonita construção de vários andares, localizada no meio de um grande campo verde, protegida por um portão que possuía uma placa com letras garrafais: Abrigo Rolf Scamander: para Reabilitação e Trato de Criaturas Mágicas.

A próxima casa estava há quilômetros de distância daquela.

Draco e Ginny desceram do veículo para ir a frente, com o agente do Ministério, quando um flash explodiu em seus rostos, quase os cegando. Apesar de alarmado, a garota pareceu bem mais preocupada que Malfoy ao ver alguns jornalistas se aproximando apressadamente fazendo inúmeras perguntas a Draco.

A grifinória recuou para trás de Draco, levando uma mão ao rosto para bloqueá-lo das câmeras. Os repórteres os cercaram de tal forma que os dois não conseguiram seguir o agente do Ministério que seguira a frente.

-Sr. Malfoy, o que o levou a libertar o hipogrifo que supostamente lhe atacou há alguns meses?

-O senhor estava mentindo antes?

-Qual a causa do súbito ataque de consciência?

Draco revirou os olhos, sentindo a raiva borbulhar em seu peito. Seu pai lhe avisara que desde que haviam processado a escola e o hipogrifo vários ativistas ficaram em polvorosa. E os tabloides que amavam caçar podres das famílias mais influentes cairiam em cima dessa história. Agora, pareciam ter recebido a dica de que Draco havia retirado as acusações e vieram importuná-lo aproveitando que não havia ninguém que pudesse protegê-lo de suas invasivas perguntas.

-Diga que você decidiu que todos merecem uma segunda chance. - a voz suave de Ginny sugeriu baixinho. - Que você aprendeu nos últimos meses que é possível reabilitar e treinar criaturas que cometeram crimes bem piores do que esse hipogrifo.

Depois de alguns segundos de perplexidade, Draco acabou repetindo as palavras de Ginny, tentando imprimir simpatia e humildade em sua expressão, o que era algo extremamente difícil para alguém como ele. Achou que seu tom foi bem convincente. Ela sugeriu mais algumas palavras quando as perguntas continuaram e Draco as repetiu:

-Eu fui ingênuo. Achei que a escola seria punida por ter colocado os alunos em perigo e mandar o hipogrifo embora, mas nunca pensei que fossem matar Beakbuck!

-Buckbeak! - Ginny o consertou.

-Buckbeak! - Draco consertou apressadamente.

-Diga que não ia conseguir viver consigo mesmo se soubesse que foi o motivo de alguém perder a vida.

Draco hesitou, virando-se levemente para ela, seu sorriso para as câmeras vacilando.

-Vai, fala. Eles vão adorar isso. - Ginny incentivou.

Ele falou. Não era muito bom ator, então torceu para que sua expressão e seu tom não denunciassem o que realmente pensava daquela palhaçada toda. Pelas expressões surpresas dos repórteres ele havia se saído bem.

Decidindo sair enquanto ainda estava ganhando e conseguindo evitar perguntas mais incisivas ele se desculpou e tomou o braço de Ginny (da forma mais gentil possível, ainda se sentindo culpado pelo que acontecera no elevador), e se encaminhou para o abrigo. Ao ver o quanto ela se encolhia quando as câmeras apontavam em sua direção ele ajudou-a a esconder-se.

Quando finalmente entraram na casa e fecharam a porta atrás deles o agente do Ministério conversava com uma bruxa mais velha e bem vestida, trocando alguns pergaminhos. Ela avistou os dois, e sorriu simpaticamente e apontou para que se sentassem em um sofá. Um funcionário mais jovem apareceu a frente deles, colocando chá, bolo, biscoitos e sanduíchinhos na mesinha de centro.

Alguns minutos depois a senhora, diretora do abrigo, se aproximou dos dois e ofereceu fazer um tour pelo prédio para mostrar como os animais estavam sendo bem cuidados. Draco apenas olhou para Ginny, indicando que ela decidisse. Por um instante pareceu que ela iria recusar. No entanto mordeu o lábio inferior e seu olhar foi para as imagens de diversos animais mágicos e não mágicos espalhadas pelas paredes. Concordou.

Apesar de cansado, Draco ficou feliz. Também estava curioso para conhecer o local e passar um pouco mais de tempo com a garota.

So don't shoot, shoot, shoot that thing at me
Don't shoot, shoot, shoot that thing at me
You know you've got my sympathy
But don't shoot, shoot, shoot that thing at me

Quando Draco falava do amor de Ginevra Prewett por animais não imaginava que estivesse tão certo. Era só uma forma de implicar com ela, chamar sua atenção. Parte dele acreditava que não a via comer carne por alguma dieta maluca ou "frescura" e que só doava dinheiro para aquele abrigo porque era de bom tom. Todas as mais conhecidas bruxas da alta sociedade estavam envolvidas com caridade.

No entanto, conforme eles viam as diversas criaturas, ele percebia o olhar gentil que ela lhes direcionava. Parecia cuidadosa em não tocar muito nos animais, mesmo que acabasse cedendo aos mais carinhosos, afagando-lhes um pouco.

Por mais que ele mesmo não fosse muito fã de animais, Draco teve que admitir que era bem interessante ver uma variedade tão grande de criaturas mágicas em um só prédio, mesmo que se tratasse de uma enorme construção. Os animais pareciam bem cuidados e felizes, até mesmo os aleijados. Os mais magros e mal tratados eram os que estavam ali há menos tempo.

-Satisfeita com seu investimento? - Draco perguntou baixinho, enquanto inúmeros pufosos pulavam felizes de um lado para o outro, pedindo atenção aos dois.

-Sim. - Ginny deu um pequeno sorriso. No entanto, franziu ao cenho quando um pufoso em miniatura e com pelo rosado pulou em seu ombro. - O que é isso?

Draco se aproximou também, aproximando o rosto da criatura que esfregava seu corpo no pescoço de Ginny.

-Eu vi direito? Ele é rosa? - ela perguntou, pois ele não estava mais em seu campo de visão.

-Sim. E nunca vi um tão pequeno assim.

-Mini-pufes. - um dos cuidadores explicou. - Foram criados recentemente por comerciantes do mercado negro. São uma grande atração, mas muitos são abandonados cotidianamente. São pequenos e parecem não dar muito trabalho, mas demandam muita atenção. Esse chegou ontem aqui.

-Ele é bem carinhoso. - Draco comentou, afagando a cabeça do animal que soltou um baixo zumbido, indicando estar contente. - Qual o nome dele?

-Ainda não demos. Se tiverem alguma sugestão?

-Que tal Arnold? - Ginny perguntou. - Ele parece um Arnold.

Draco riu.

-A maioria das garotas diria Fofinho, ou algo assim.

-Nem todas as garotas são iguais. - ela respondeu. - E aposto que já devem ter muitos "fofinhos" aqui.

-Verdade. - riu o cuidador. - Esse seria o Fofinho VI. Arnold é melhor.

Quando decidiram sair da sala para visitar o lado de fora, onde as criaturas maiores ficavam, o pufoso em miniatura não pareceu contente em ser tirado do pescoço de Ginny. Soltou sons de tristeza que deixou até Draco com pena, mas a garota marchou para fora como se não estivesse ouvindo nada.

E diziam que os sonserinos eram os insensíveis.

Quando chegaram aos estábulos viram Buckbeak já no mesmo espaço que alguns hipogrifos. Tinha cara de poucos amigos e suas penas pareciam mal tratadas. Draco se sentiu desconfortável de se aproximar do hipogrifo, mesmo com a cerca os separando. Conforme se aproximavam sentiu certo alívio pela indiferença com que o animal os encarou. Percebeu o quão era estúpido de sua parte pensar que Buckbeak seria capaz de entender, de alguma forma, que fora ele e seu orgulho o causador de seus sofrimentos.

-Oi! - um rapaz chamou a atenção dos dois, se aproximando rapidamente. - Vocês não vão querer se aproximar muito. Esse daí ainda está bastante agressivo. Melhor deixá-lo com os amigos por um tempo.

Ginny fez que sim, olhando do rapaz para os hipogrifos novamente.

-Você é Ginevra Prewett não é? - ele perguntou, parecendo tão animado quanto Madge Tully, limpando a mão no avental que usava por cima das roupas e estendendo-a para ela. - Muitíssimo prazer em conhecê-la. Meu nome é Dean Thomas, e suas doações me deram esse emprego.

Por um instante a garota arregalou os olhos para a mão suja do rapaz, então pareceu lembrar que estava usando luvas e apertou a mão dele. Educado, Thomas ofereceu sua mão a Draco.

-Eu sei quem você é. - Thomas interrompeu quando Draco tentou se apresentar. - Parabéns pela atitude cara. Prometo que vamos treinar bem o hipogrifo e ele não vai atacar mais ninguém.

Draco fez que sim, dividido entre a vaidade por receber um elogio e a irritação pela forma que o rapaz bonito sorria para Ginny.

-Obrigado.

-Dean, eu ouvi falar que receberam um testrálio...? - ela perguntou.

-Ah sim! Por aqui! - ele chamou, guiando-os para uma parte do campo longe dos hipogrifos.

Primeiro Draco viu um cercado vazio. Depois viu uma corda flutuando. Uma ponta amarrada na cerca e a outra amarrada ao ar.

-Ele ainda está bem agitado então infelizmente precisamos amarrá-lo. - Dean comentou olhando, para o nada. - Coitadinho. Está vendo aquelas marcas ali? Queimaduras. Foi muito maltratado.

Draco franziu o cenho para o rapaz, que pareceu finalmente entender o problema e bateu a mão na própria testa.

-Mil perdões! Eu esqueço que vocês não devem conseguir ver...

-Ele não me parece hostil. Parece ansioso. Está tentando vir até nós.

-Você consegue vê-lo...? - Thomas perguntou, arregalando os olhos para a garota. Assim como Draco.

Se conseguia lembrar-se bem de suas aulas de trato de criaturas mágicas, as únicas pessoas que conseguiam ver os testrálios eram aquelas que já haviam presenciado a morte. Se Ginny conseguia ver, isso significava que...

-Sim. - Ginny respondeu. - E você também.

E seu tom foi o de quem encerra o assunto. Thomas olhou para os próprios pés por um segundo, como se tivesse sido extremamente invasivo. Quando levantou os olhos seu bonito sorriso já havia voltado ao rosto.

-Vocês devem estar cansados. Querem comer alguma coisa?

-Na verdade, temos que ir embora. - Draco disse, olhando para o sol poente. Então falou mais para Ginny do que para o cuidador: - Ficamos fora de Hogwarts mais tempo do que pretendíamos. Devem estar preocupados conosco.

A garota concordou, checando seu relógio de pulso.

-Tudo bem, vocês podem usar nosso pó de flu. - Thomas ofereceu, olhando para Ginny longamente antes de fazer menção para que os dois o seguissem.

Ao longo do caminho de volta para o prédio principal os dois foram conversando. Draco analisou que o rapaz deveria ter mais ou menos da mesma idade que eles. Apesar de ser obviamente pobre, Dean era bonito e carismático, e Ginny parecia não ignorá-lo e não responder suas perguntas de forma monossilábica o que devia ser sinal de que havia simpatizado com ele.

Respirou fundo, não entendendo como uma garota que conhecia há tão pouco tempo, e sobre quem não sabia quase nada, poderia lhe provocar tanto ciúme.

Seu lado racional o fez entender que mesmo que ela estivesse flertando com o rapaz, o que era extremamente difícil, era quase impossível que Prewett fosse realmente se interessar por alguém que não fosse sangue puro e da alta sociedade.

-Esperem um segundo aqui, por favor. Aceitam uma água, ou um café?

Ginny fez que não, mas Draco aceitou o café.

Quando Dean os deixou sozinhos Ginny virou-se para ele e pareceu que iria dizer alguma coisa. No entanto, parou subitamente e arregalou os olhos, soltando uma exclamação de susto.

-O que foi? - Draco perguntou alarmado, levantando-se subitamente e indo na direção dela. Relaxou ao perceber que o pequeno pufoso rosa havia se agarrado ao braço da garota.

Ginny sorriu para a criatura.

-Arnold! Você me assustou, como chegou aqui sozinho?

Como que respondendo sua pergunta o cuidador que estava na ala dos pufosos chegou correndo. Soltou uma gargalhada aliviada ao ver onde o mini-pufe estava.

-Ele gostou mesmo de você, que fofo! - comentou.

Ginny sorriu, não parecendo se importar com a criatura que descera para seu colo e pulava a sua frente. Ele obviamente queria carinho. Estava desesperado para receber alguma mostra de afeição ou atenção dela. Mas a garota apenas o olhava com um sorriso, dividindo sua atenção entre ele e sua conversa com o cuidador.

Draco sentiu uma súbita simpatia pela criaturinha.

-Você poderia adotá-lo. - dizia o cuidador.

-Acho que ele estará em melhores mãos aqui. - Ginny rebateu.

-Eu posso adotá-lo. - Draco disse, sem querer. Ao perceber que Ginny e o cuidador o encaravam, elaborou: - Eu posso levá-lo. Ginny e eu estudamos na mesma escola então ele poderá vê-la sempre.

-Malfoy, você tem certeza... - Ginny começou.

-Eles não são difíceis de tomar conta, mas demandam muita atenção. - o cuidador explicou, parecendo animado com a perspectiva de a carente criatura rosa ser adotada.

Draco confirmou com a cabeça. Sabia que poderia se arrepender depois daquela decisão impulsiva, mas naquele momento não conseguia cogitar deixar a criaturinha que se afeiçoara tanto a Ginny ficar ali, longe dela por tempo indefinido. Parecia tortura demais.

-Malfoy, você não vai poder cansar dele e jogá-lo fora. Sabe disso, não?

-Se eu cansar dele, o mando de volta para cá. - Draco escarneceu. - Como eu faço isso? Onde assino?

Don't shoot, shoot, shoot that thing at me
Don't shoot, shoot, shoot that thing at me
You know you've got my sympathy
But don't shoot, shoot, shoot that thing at me

-Posso te perguntar uma coisa? - Draco perguntou enquanto voltavam para o castelo pela passagem que levava da Dedos de Mel até a estátua da bruxa de um olho só. Continuou antes que ela pudesse respondeu: - Qual seu problema com toque?

Ginny franziu o cenho para ele, parecendo não entender a pergunta.

-Toda vez que alguém faz menção de se aproximar você fica meio... sei lá. Estranha.

A garota ficou calada por longos segundos enquanto caminhavam. O único som ao redor deles eram os de seus passos e do zumbido satisfeito do mini-pufe pelo carinho que recebia da ruiva. Quando Draco já havia desistido de obter uma resposta, ela falou:

-Minhas primeiras memórias são de pessoas me machucando. Acho que nunca saí da defensiva.

-No instituto? - Draco perguntou. - A primeira coisa que você lembra é de estar no Instituto?

-Sim.

-Mas o que você sente quando alguém vai te tocar?

-Depende do momento em que eu estou. - ela respondeu. - Às vezes eu quase não me importo, mas nos meus piores momentos chego a ter ataques de pânico.

-Uau. - Draco fez, baixinho.

Ainda tinha muitas outras perguntas, mas sentiu pelo tom da garota que esse era o máximo de informação que ela daria sobre si mesma naquele momento. Ficou genuinamente surpreso por ela ter-lhe respondido. Havia feito a pergunta já esperando que ela se recusasse a responder.

-Malfoy, eu queria agradecer por hoje. - ela disse, subitamente. - Você foi muito além do nosso acordo. Não precisava ter feito tudo aquilo comigo por Buckbeak.

Draco deu de ombros.

-Surpresa por eu não ser esse crápula que você pensava?

Foi a vez de Ginny dar de ombros.

-Você não é um santo, Malfoy. Mas está longe de ser a pior pessoa que eu já conheci. - disse.

-Acho que fazemos um bom time.

-Sim. Nós e seu advogado. - ela brincou.

Enquanto dava espaço para que a garota entrasse no castelo pela passagem, Draco mais uma vez engoliu o sentimento de rejeição pela forma que ela prontamente arranjou uma forma de afastá-lo da ideia de "eles dois", incluindo seu advogado na lembrança do dia que passaram juntos.

Ela entregou o mini-pufe em seus braços e se despediu. A criatura protestava enquanto Ginny se afastava e Draco entendeu porque simpatizara com o animalzinho que implorava pela afeição da ruiva.

Se identificara.

Broken down kitchen at the top of the stairs
Can I mix in with your affairs?
Share a smoke, make a joke
Grasp and reach for a leg of hope

No dia seguinte, nas colunas sociais de todos os jornais havia fotos de Draco e Ginny em frente ao abrigo. As coisas que Ginny lhe mandara responder aos repórteres o fizera parecer alguém altruísta e um filantropo, o que rendeu boas risadas aos seus amigos. Seu pai até mandara-lhe, na hora do jantar, uma carta reconhecendo que ele se portara bem nas entrevistas. A mãe de Draco mandou-lhe elogios mais efusivos e questionou quem era a misteriosa ruiva que escondia o rosto atrás dele. Essa parecia ser a pergunta de todos os jornais.

Apenas a coluna social do Profeta Diário, que havia conseguido tirar uma foto parcial do rosto da garota, sabia que se tratava de Ginevra Analeigh Prewett. Questionava um possível relacionamento amoroso entre os dois jovens (assim como os outros jornais), o que agradara Draco imensamente, mesmo sabendo que isso com certeza desagradaria Ginny.

Harry não parecera surpreso, o que levou Draco a deduzir que provavelmente Ginny ignorara seu pedido de não contar a ele.

Os pais de Ginny não pareceram tão efusivos com sua aparição nos diversos jornais. Percebeu que ela empalidecera enquanto lia uma carta no jantar, e que não conseguiu mais comer depois de lê-la. Alguns dias depois, Astoria lhe contou que Fabian havia ameaçado tirar Ginny de Hogwarts por ela ter saído do castelo sem autorização e ainda ter sido fotografada.

-Ele preza muito a privacidade deles. - Astoria observou.

-Mas ele vai tirá-la daqui então?- Draco perguntou, sentindo a boca ficando seca.

-Não, não. A mãe dela mandou carta depois avisando que era para Ginny ficar tranquila que o pai dela só estava exagerando. Ela vai ter que sofrer até se formar como todos nós. - a loira riu. - Mas coitadinha, ficou tão nervosa com a carta do pai que nem passou no exame de aparatação. Acredita?

-O que aconteceu?

-Os examinadores tiveram que pará-la antes que ela deixasse um membro pra trás. Estava muito distraída e preocupada. - Astoria comentou. - Mas acho que agora está tudo bem. E é como eu disse pra ela: daqui a pouco ela pode refazer o exame e tá tranquilo. Melina também não passou e Daphne só conseguiu passar esse ano.

Draco concordou, pensativo, observando enquanto Astoria brincava com Arnold. A loira cuidava mais do mini-pufe do que ele, o que acabou sendo ótimo porque ela passava mais tempo perto de Ginny, e o animal podia vê-la. Ele mesmo mal vira Ginny nos últimos dias, mas achou um tremendo avanço quando se cruzaram no corredor e ela respondeu o seu "Bom dia", mesmo que de forma automática.

Logo que foram publicadas as fotos deles, Draco tentara falar com ela sobre isso, mas a garota descartou o assunto dizendo simplesmente que "Acontece. Sua família é bem famosa." antes de se desvencilhar dele para ir à aula.

Não entendia porque se sentia tão mal pela forma fria que ela o tratava. Não entendia porque ficara tão feliz ao perceber que ela não estava dando muita atenção para Harry também. Não entendia porque sentia a necessidade de guardar a foto do Profeta Diário. Não entendia porque não conseguia deixá-la pra lá e simplesmente buscar outra garota para se distrair. Chegara a recusar Tory, alegando estar muito cansado, quando ela se insinuara para ele.

Sempre conseguindo entendê-lo com facilidade, a garota não havia ficado ofendida com a recusa. Olhara-o de lado com um sorrisinho de quem sabe demais.

-Mesmo depois da carta de Analeigh tentando tranquilizá-la, ela continua nervosa. - Astoria continuou, arrancando-o de seus devaneios. - Agora só sabe estudar, estudar e estudar. Acho que o pai dela deve ser bem rígido.

-Eles devem se preocupar mais né? Porque ela já passou por bastante coisa.

-Sim. Não consigo imaginar como deve ser horrível perder a memória. - Astoria pensou por uns segundos. - Apagou a infância dela inteira. Para ela é como se tivesse nascido direto na adolescência. Imagina que horror?

Draco fez que sim. Nunca havia pensado dessa forma também. Era perturbador.

-Tenho certeza que Analeigh e o Sr. Prewett devem ter cuidado muito bem dela para compensar. - Astoria tranquilizou a si mesma. - Ela tem uma vida de princesa. Parece ser bem próxima dos pais. Eles mandam cartas e presentes o tempo todo. É incrível.

Draco notou os olhos de Astoria brilhando em admiração a vida de Ginny, até mesmo pelo seu começo difícil e peculiar. Provavelmente, aos olhos da loira, a história da grifinória a tornava mais exótica e interessante. Romantizava a vida de Ginny, principalmente por ela ser filha de seu ídolo: Analeigh Prewett. A socialite que Astoria admirava e aspirava ser desde criança.

Harry parecia querer se aproximar mais pela aparência da garota do que por qualquer outra coisa. Draco não sabia muito bem qual era a sua própria motivação. Talvez as mesmas que as de Astoria e Harry. Sua forte atração pela grifinória não teria sido resolvida nem mesmo se houvesse ganhado aquela maldita aposta e conseguido que ela o beijasse. Ele a queria na sua vida. Queria poder tocá-la de forma cotidiana. Queria acordar ao seu lado, levá-la para sua casa. Queria conhecê-la melhor. Tanto o que tinha em sua mente quanto cada centímetro de seu corpo.

Isso o assustava um pouco, pois não lembrava de ter desejado, além do corpo de uma garota, poder tê-la em sua vida indefinidamente. Apesar do desgosto que a constante rejeição dela lhe trazia, não era inteiramente desagradável o que sentia por ela. E agora que a via cada vez menos com Harry, sentia-se esperançoso. Por mais que não estivesse acostumado a trabalhar muito para obter qualquer coisa, também não estava acostumado a não conseguir o que queria.

-Será que eles vão continuar reclusos nas festas de fim de ano? - Astoria perguntou. - Nos poucos eventos que vão, não levam Ginny. Senão já a teríamos conhecido antes.

-Não sei, Tory. - Draco respondeu.

-Eu acho que não. Mandá-la para Hogwarts também foi uma forma de introduzi-la na sociedade, com certeza. - Astoria raciocinou, antes de sorrir de forma faceira para Draco e brincar: - Sua mãe que vai dar o baile de Natal. Você poderia dar um tour da mansão pra ela.

-É. Como se ela fosse deixar. - Draco escarneceu. - Aquela garota parece um porco espinho. Não deixa ninguém se aproximar.

-Até Harry ela tem cortado um pouco. - Astoria observou. - Comigo e com as meninas ela continua normal. Será que Harry fez alguma coisa?

Draco teve um pensamento aleatório e ilusório de que ela havia se desinteressado por Harry por ter começado a se interessar por ele. Logo depois, no entanto, lembrou do quanto ela fizera questão de ficar afastada dele nos últimos dias. Era difícil não deixar sua imaginação enganá-lo e alimentá-lo com falsas esperanças.

-Talvez ela só não esteja interessada nele.

-Pode ser. - Astoria concordou, parecendo não acreditar muito nessa possibilidade. De repente uma ideia pareceu lhe ocorrer: - Será que ela já tem um namorado?

Draco arregalou os olhos com a possibilidade, negando automaticamente.

-Explicaria porque ela é tão quieta e fica afastando o Harry que é super gato. Explicaria porque ela não te dá muita bola. Porque não gosta de sair em fotos! Na festa a gente só conseguiu tirar aquela foto do grupo porque ela não estava prestando atenção e não percebeu a câmera!

O sonserino lembrou de como ela temeu ser fotografada ao lado dele por todos aqueles paparazzis em frente ao abrigo.

-Mas... acho que ela teria comentado. - Astoria ponderou. -Vou perguntar a ela e te aviso.

Em outros tempos Draco teria conseguido dizer, rudemente, que isso não lhe interessava. Mas na atual situação conseguiu apenas concordar com a cabeça.

Ele já saberia se ela tivesse um namorado, não? Ginevra já teria usado essa informação para afastá-lo. Não que fosse funcionar. Mesmo que geralmente Draco deixasse garotas comprometidas em paz essa ele não conseguiria esquecer nem se ela estivesse casada e com filhos.

Perdido em pensamentos, mal sentiu o beijo de despedida de Astoria em sua bochecha. Redigia mentalmente a carta que escreveria para sua mãe perguntando sobre as festas de Natal e Ano novo e a possível participação dos Prewett.

Words to memorize, words hypnotize
Words make my mouth exercise
Words all failed the magic prize
Nothing I can say when I'm in your thighs

Sorrindo para si mesmo, Draco admirou enquanto Ginny arrastava seu malão para o trem. Recebeu ajuda de Neville e Ron para carregá-lo, o que pareceu irritá-la por alguns instantes.

Isso era algo que Draco, por algum motivo, achava incrivelmente atraente nela. Como ela gostava de fazer tudo sozinha e rejeitava cavalheirismos e ajuda, só aceitando ocasionalmente para não ser rude.

Os sonserinos ajudaram as amigas com suas malas e foram para o vagão de sempre, expulsando alguns primeiranistas desavisados que não sabiam que aquele era o seu vagão. Astoria estava tagarelando com as amigas como sempre sobre os eventos do feriado.

-Dá pra acreditar? Finalmente vamos conhecer a mansão dos Prewett! - Astoria exclamou. As outras meninas também pareciam animadas. - Quando a mãe de Draco contou para ele não acreditei, mas quando minha mãe recebeu o convite... Eu não faço a mínima ideia do que vou usar e Ginny não tem me dito nada! Disse que é novidade para ela também!

-Analeigh quer aproveitar para voltar para a sociedade também não é? - Daphne comentou. - Pelo que mamãe contou ela costumava ser a "rainha" da Grã-Bretanha, mas depois ficou reclusa. Agora sabemos que foi por causa de Ginny.

-Ela fez um mau negócio se casando com Prewett, né? - Blaise perguntou. - Considerando os galhos podres da família dele que os atacaram.

-Não fala besteira Blaise. - Deena disse. - Fabian tem uma fortuna absurda. Acho que só não é mais rico do que... - e fez um gesto apontando para Draco. Achando de mau gosto comentar em voz alta o quanto os Malfoy eram ricos.

-Essa família sofreu muito. - Astoria começou, seus olhos brilhando de admiração. - Indo contra toda a família, Fabian Prewett era fiel ao Lorde das Trevas e se apaixonou por Analeigh. Ela foi contra a família dela também para casar com ele. Lutaram contra tudo e todos e conseguiram se casar. Tiveram uma filha doente e como se isso não bastasse ela foi tirada deles quando a própria família de Fabian o atacou. Ficaram anos sem saber onde ela estava enquanto ela sofria no tal internato. Depois a acharam e ela está assim...

-Cheia de problemas mentais... - Lynn ofereceu, de forma venenosa.

-Eu acho que ela está bem considerando tudo o que passou. - Draco defendeu, repentinamente. - Ela tem essa parada com toques... mas várias pessoas não gostam de ser tocadas...

A reação de seus amigos foi instantânea. O encararam com estranhamento e assombro.

-Desde quando você virou defensor da grifinóriazinha, Draco? - Lynn perguntou, sua expressão contorcida como se estivesse sentindo um gosto extremamente amargo.

-Tô dizendo... - Daphne falou baixinho para Zabini, que concordou com a cabeça.

Draco deu de ombros, sem conseguir olhar nos olhos dos outros, desconcertado.

-Deixem ele em paz, galera. Eu gosto da Ginny, Draco sabe disso e vai deixá-la em paz.

Draco franziu o cenho para ela.

-Também não é bem assim. - disse. Diria mais, mas Harry entrou no vagão e o assunto acabou morrendo.

O grupo acabou criando o costume de não falar de Ginny quando os dois estavam presentes para não gerar mais estranhamento entre os melhores amigos. Então o resto da viagem passaram conversando sobre qualquer tópico menos sobre a grifinória.

Apesar de chateado com a forma que Ginevra Prewett vinha se escondendo no castelo, a ausência dela havia sido extremamente benéfica para a amizade de Draco e Harry, que voltara ao normal. Draco sabia que isso seria um problema mais tarde, mas acreditava que com o tempo Harry seria maduro o suficiente para entender que Ginny não era para ele e seguiria em frente.

Ele repetia para si mesmo que tudo acabaria bem para abafar a voz no fundo de sua mente que dizia que nada ficaria bem. Nada ficaria nem perto de bem.

Oh, ma-mama, mo-ma, mo-ma mother
I would love to love you, lover
City is restless, it's ready to pounce
Oh, here in your bedroom, ounce for ounce

Ao chegarem na estação de Kings Cross Draco colocou na cabeça que queria se despedir de Ginny. No trem havia bolado uma boa conversa entre os dois, cujo tópico seria o baile de Natal de Analeigh. Procurou-a por todos os lados sem encontrá-la. Chegou a perguntar a Loony que lhe informou que ela havia andado na direção da estação St. Pancras.

O plano era ser amigável. Mostrar que podia ser agradável quando queria. Como fora na maior parte do dia em que passaram juntos no Ministério e no abrigo. Que ele não era só aquele monstro que a humilhara nos jardins de Hogwarts. Queria que ela visse o que Astoria via nele. O lado divertido que seus amigos viam e não apenas o lado mimado e infantil.

Estava bem confiante que conseguiria, mas todo o seu bom humor o abandonou quando finalmente a encontrou.

Se não fosse pelo seu cabelo vermelho não teria conseguido localizá-la, pois estava espremida em um canto escuro com as costas contra a parede. Não estava sozinha. Um rapaz pressionava seu corpo contra o dela. Um rapaz de cabelos extremamente assanhados.

-Harry...

Ela parecia desconfortável e em alerta. Harry sussurrou alguma coisa e desceu com os lábios na direção dos dela. Ela o empurrou, ele sussurrou alguma outra coisa em seu ouvido. Draco sentiu seu estômago revirar e um suor frio em seu pescoço ao ver a proximidade dos corpos dos dois.

Seja lá o que Harry houvesse sussurrado no ouvido da garota, a fez parar de querer afastá-lo. Ela encarou-o longamente e não o afastou quando ele voltou a beijá-la, chegando a levar as mãos ao pescoço dele e puxá-lo para si.

Words to memorize, words hypnotize
Words make my mouth exercise
Words all failed the magic prize
Nothing I can say when I'm in your thighs

Não percebeu que estava avançando furiosamente na direção dos dois até sentir mãos pequenas tentando segurar seus braços e uma voz delicada chamando seu nome.

-Draco, pelo amor de Deus! Pare! - ele reconheceu a voz de Astoria.

Parou, olhando para a amiga. Não tinha ideia de como devia estar sua expressão, mas pareceu assustar Astoria.

-Ele falou alguma coisa no ouvido dela e ela deixou. - ele balbuciou. - Ele a ameaçou, Tory!

-Não, Draco! - Astoria rebateu, levando as mãos aos ombros do rapaz e fazendo-o virar em sua direção. - Se você fizer alguma coisa para pará-los agora, você vai sair como o vilão, entendeu? Ela gosta dele, Draco!

Ele tentou afastá-la, mas ela insistiu.

-Se você quer Ginny você tem que saber que ela gosta dele! Você tem que saber disso se quiser entrar nessa batalha!

-Batalha... - Draco repetiu, debilmente.

-Sim, Draco! Batalha! - Astoria reafirmou, fazendo-o virar de costas para o casal. - Draco, conseguir essa garota não vai ser fácil como todas as outras coisas que você teve na vida. Isso não é questão de correr um pouco atrás. Se você quiser ficar com ela vai ter que mover mundos e fundos. Está me entendendo?

Draco fez que sim. Olhando para a garota desesperadamente, aterrorizado com o nó que se formava em sua garganta e que o impedia de falar. Seu coração martelava em seu peito e ele conseguia sentir as batidas em seus ouvidos.

-Você está disposto a enfrentar o que for? Harry, os pais dela, e até a própria Ginny? Você vai ter paciência para dar tempo ao tempo?

-Dar tempo ao tempo? - ele perguntou. - Do que você está falando Astoria? Eu não quero esperar!

-Se fizermos isso do jeito certo você não vai ter que esperar tanto assim. - ela explicou, levando as mãos às bochechas dele. - Draco, eu sei que é difícil, mas se você antagonizar Harry agora vai ser extremamente difícil consegui-la depois. Ela está exatamente onde quer estar. Se você a tirar de lá ela vai te odiar.

Draco se desviou dela, passando uma das mãos pelo cabelo nervosamente e depois pelo rosto.

-E o que eu faço? - perguntou com um fio de voz.

-Agora nada. Vamos para casa.

Ele pareceu entrar em desespero. Estava prestes a protestar quando ela o silenciou com um gesto.

-Você vai ter contato com ela o feriado inteiro. Harry vai viajar. - ela o lembrou. - Se você fizer tudo certo, vai ver que vai conseguir tirá-lo da cabeça dela!

-Como? - Draco quase berrou. - Olhe para eles? Como vai ser possível...

Ele apontou na direção dos dois, mas não quis olhar novamente. Sabia que a visão de Harry e Ginny se beijando o atormentaria por um bom tempo.

-Harry teve paciência. Ele foi se inserindo na vida de Ginny aos poucos e olha o que conseguiu. - Astoria argumentou. - Você é melhor do que Harry, Draco. Você é mais bonito, rico, interessante! Você vai superá-lo. E você tem algo que ele não tem.

Draco duvidava. Sentia que nunca conseguia superar Harry em nada.

-O quê?

-Eu! - Astoria respondeu. - Você tem a mim. Eu só gostava da ideia de Ginny com Harry quando achava que seu interesse por ela não era sério, mas agora... - ela suspirou antes de continuar, energicamente: - Eu sei exatamente o que você precisa fazer e sou amiga de Ginny. Garotas tem muita influência umas sobre as outras. Você vai ver, Draco. Vamos conseguir.

Draco fez que sim. Queria desesperadamente acreditar nas palavras da amiga. O jeito firme que ela falava lhe acalmava e estava lhe servindo como tábua de salvação no meio da confusão dos sentimentos que brigavam em seu peito. Estava usando todas as suas forças para não avançar contra o casal e arrancar Ginny dos braços de Harry.

-Draco... - Astoria chamou sua atenção, apontando para um ponto ao lado deles. Draco seguiu seu olhar.

Aparentemente, Draco não era o único que fora afetado com o beijo. Encarando o casal com a boca aberta e a expressão completamente devastada estava Cho Chang. A bonita chinesa estava pálida e lágrimas rolavam rapidamente por seus olhos. Parecia paralisada, sem conseguir desviar os olhos dos dois.

Astoria riu.

-Aquela esquisita achava que ainda tinha alguma chance com Harry. - desdenhou. - Já foi demais terem saído da primeira vez!

Draco não conseguiu sentir nada além de simpatia por Chang, o que foi assustador. Desde que conhecera Ginny estava descobrindo um arsenal novo de sentimentos que ele não sabia ser capaz de sentir.

-Vamos.

Draco deixou-se levar por Astoria, mas não pode deixar de olhar para trás onde Harry e Ginny ainda se beijavam, as mãos de Harry a puxavam com tanta ânsia que Draco desconfiou que talvez os sentimentos de seu amigo pela ruiva fossem quase tão intensos quanto os seus.

I've given you a decision to make
Things to lose, things to take
Just as she's about ready to cut it up
She says, "Wait a minute, honey, I'm gonna add it up!"
Add it up! Add it up! Add it up!
Add it up! Add it up! Add it up!
Add it up! Add it up!

-Você está muito magro, meu amor! Não pode ficar só músculos. Tem que comer mais. - Narcissa Malfoy reclamava, assistindo o filho jantar com os olhos transbordando de amor e admiração. - Mas está tão bonito! O que tem feito, meu bem? Está mais homem! Não está, Lucius? Ele não está mais homem?

Lucius revirou os olhos.

-Se ao menos ele também se comportasse como um.

-Não liga para o seu pai, filho. - Narcissa contemporizou. - Ele só está de mau humor. Mas ficou bem orgulhoso quando viu como você resolveu toda a história com o animal.

-Realmente, o mínimo que ele poderia ter feito depois de armar aquele circo todo era responder de forma convincente as perguntas dos paparazzis. - Lucius reclamou, com sua voz arrogante. - Draco, você ainda não me explicou exatamente o que te fez mudar de idéia em relação ao hipogrifo.

Draco deu de ombros, tentando se forçar a olhar para o seu pai e não para sua comida.

-Tem alguma coisa a ver com a ruivinha misteriosa que estava com você na foto? - Narcissa sondou. - Misteriosa não, porque sei que ela é a filha de Analeigh.

-Foi por causa da menina de Fabian? - Lucius perguntou, arqueando as sobrancelhas.

Draco olhou de seu pai para a sua mãe algumas vezes, ponderando o que responder. Contrariado, fez que sim com a cabeça.

-Sabia. - Narcissa disse, sorrindo altivamente. - Conversei com Analeigh e ela comentou da paixão da menina por animais.

-Toda aquela confusão por causa de uma garota? - Lucius perguntou, parecendo confuso. - E Astoria?

-O que é que tem Astoria?

-O que é que tem? Ela é sua noiva, Draco! Não se faça de engraçadinho comigo.

-Ela tá bem.

-Draco, cuidado com o que faz. Não rompa o compromisso com Astoria a não ser que seja por um bom motivo.

-Talvez eu tenha um bom motivo.

-E esse bom motivo é a ruivinha?- Lucius perguntou, arqueando uma das sobrancelhas. -Ela não é da Grifinória?

-Sim, mas ela é muito mais do que só uma grifinória. - Draco a defendeu. - Tem as melhores notas do sexto ano. Com certeza será monitora-chefe no ano que vem. - ao ver a expressão descrente de seus pais apressou-se em acrescentar: - Ela é puro sangue! Dos sangues mais puros que existem.

Nisso seus pais trocaram olhares.

-É verdade, Lucius. - Narcissa admitiu. - Ela é descendente das linhagens de Fawley e Prewett. São as famílias de linhagem mais pura de toda a Europa.

Lucius fez que sim.

-Por isso se interessou por ela, Draco?

O rapaz quis revirar os olhos. Sim, porque todo bruxo de 17 anos escolhe garotas pela sua ascendência. Parecendo perceber o absurdo de suas próprias palavras Lucius não lhe deu tempo de responder:

-Se ela for parecida com Analeigh, posso imaginar o que te interessou nela.

Narcissa lhe lançou um olhar furioso.

-Não lembro de ter visto Analeigh direito, mas acho que são parecidas sim. - Draco respondeu.

-Eu vi os retratos da garota na casa dos Prewett. - Narcissa contou. - Ela é quase exatamente igual a Analeigh quando era adolescente. Só parece ser mais séria. Analeigh era bem... festeira, digamos assim.

-Ah! - Lucius pareceu lembrar de algo subitamente. - Ela não é aquela vestida de anjo na foto que você nos mandou da festa de Halloween? A que está no canto com Astoria?

-Isso.

-Muito bonita. - Lucius admitiu. - E a única das garotas que não está vestida que nem uma puta.

-Lucius! - Narcissa protestou. - Isso é jeito de falar de meninas?

-Falei alguma mentira?

Narcissa revirou os olhos, indignada. Draco segurou a risada.

-E não sou eu quem estou dizendo. Foi Paul quem disse! E as filhas dele estão na fotografia! - Lucius fez uma expressão de desaprovação. - Ainda bem que não tenho meninas. Não sei o que faria se visse uma filha vestida daquela forma. Fabian tem sorte.

-Sim. - Draco concordou. - Ginny tem a cabeça no lugar. Não dá papo para nenhum dos meninos de Hogwarts.

-Inclusive você? - Lucius perguntou, a voz arrastada cheia de humor.

Draco engoliu em seco, sem responder. Lucius pareceu satisfeito por ter tocado na ferida. Draco sentiu a mão de sua mãe cobrindo a sua.

-Filho, você realmente gosta dessa menina não é?- perguntou, a expressão séria. - Agora eu realmente quero conhecer essa menina.

-Não precisa se preocupar. - Lucius tranquilizou em um tom mais leve quando Draco passou vários segundos sem responder a mãe. - Depois que você for iniciado nenhuma garota vai conseguir resistir.

Draco riu com escárnio da ideia de que Prewett se sentiria atraída por um comensal da morte.

-Duvido muito.

O patriarca dos Malfoy pareceu pensativo por alguns momentos.

-Draco... - Lucius se ajeitou em sua cadeira, como que se preparando para explicar algo importante. - O pai dela é um comensal da morte. A família dela se move de acordo com as ordens do Lorde das trevas. Fabian é muito devoto ao Lorde. Um comensal da morte seria o ideal para ela.

-Os Prewett não vão me deixar chegar perto dela se souberem que ainda estou noivo de Astoria.

-Quem sabe. Todos sabem que esses acordos são quebrados o tempo todo. Nos três dias que vamos passar na casa deles vou...

-Três dias? - Draco interrompeu.

-Sim, Draco. Eu achei que tinha explicado na carta. - Narcissa disse. - Vai ser uma festa tradicional. Dura dias. Estão arrumando os quartos na mansão para acomodar a todos.

-Se você quer que eu leia uma carta inteira não mande quatro folhas frente e verso.

Draco mal ouviu a bronca de Narcissa pelo seu jeito de falar. Sua mente estava longe.

Três dias na casa de Ginny.

Talvez Astoria estivesse certa.

Talvez o beijo não houvesse aniquilado suas chances com a ruiva. Quem sabe o que poderia acontecer em três dias de festa regadas de álcool?

Quase se sentia mal por Harry.

Esse feriado prometia.

Day after day
I get angry

And I will say
That the day
Is in my sight
When I'll take a bow
And say goodnight

N/A: Oi lindas! Como já é de praxe: desculpem a demora. Infelizmente não posso prometer atualizar mais cedo porque faculdade está acabando comigo. Previsão para próximo capítulo é só em Agosto mesmo.

Agradecimento especial à Anaisa que betou esse capítulo!

Amanhã respondo a todas as reviews. Eu sei que falei isso da outra vez e acabei não conseguindo responder todas do capítulo passado, mas dessa vez eu realmente vou responder! Prometo! Haha!

Uma observação sobre o final da fic: eu NÃO concordo com o Lucius! Se vestir de forma mais conservadora é uma característica da Ginny por razões que ainda vão ser exploradas, mas pra mim cada um se veste como quiser e merece respeito igual! Eu não estou tentando dizer que Ginny é superior às outras meninas porque se veste mais conservadora! Lucius falou o que falou porque é machista mesmo. Do tipo de pai que diz "prendam suas vacas que meu boi tá solto e mimimi".

Acho que deixei isso claro na fic, mas achei melhor explicar aqui. Eu detesto quando estou lendo um romance, e sempre tem aquela vilã que se veste de forma reveladora e fica tentando destruir a mocinha e conquistar o herói, e gastam parágrafos e mais parágrafos descrevendo o quanto a roupa da vilã é reveladora e exagerada. Essa NÃO é esse tipo de história! Nada de slut shaming! Sororidade for the win! \o/

É bom avisar que é bem capaz de Draco retratar ainda muitos comportamentos bizarros e machistas. Não concordem automaticamente com ele só porque o amamos! (Isso vale para qualquer um né? Podemos amar, mas não podemos ficar cegas para os defeitos.)

Obrigada por todo o apoio, suporte, votos, opiniões... vocês são demais. É muito bom compartilhar todas as emoções dessa história com vocês! Estou adorando a experiência de escrever essa fic!

Ah sim! Enquanto eu escrevia o jogo fiz um quadro dos jogadores para organizar minhas idéias. Vou tentar colar aqui, caso ajude vocês a se acharem também, até porque a formação dos times ainda será discutida no futuro!


Sonserina

Capitão: Draco Malfoy

Goleiro: Urquhart

Batedores: Vincent Crabbe; Gregory Goyle

Artilheiros: Blaise Zabini; Draco Malfoy; Sammuel Harper

Apanhador: Harry Potter


Grifinória:

Capitão: Cormac McLaggen

Goleiro: Ron Weasley

Batedores: Ritchie Coote; Fay Dunbar

Artilheiros: Demelza Robins; Nathalie Clearwater; Jimmy Peakes

Apanhador: Euan Abercrombie


Beijos! E muito obrigada!


21/06/2015

Como prometido: Reviews respondidas!

Reviews:

Cap 5

Gabrielly S.N: Que bom que você achou a fic! Porque amei muito sua review! Desculpe ter demorado tanto para responder! Eu concordo sobre as fics D/G serem mais criativas do que h/g. Por isso comecei a shippar mesmo que eu tenha torcido muito para Harry e Ginny terminarem juntos no livro!

As atualizações estão demoradas, eu sei. Mas pelo menos os capítulos estão bem grandes! Espero que você goste desse novo e continue acompanhando a fic!

Muito, muito, muito obrigada! =D

: Obrigada! Desculpe pelas atualizações demoradas! Em compensação esse capítulo novo está bem grande! Espero que você goste! E mil desculpas pela demora para responder a review! Beijos!

Hemanuelly Alves: E aí? Pra quem está torcendo agora depois desses caps? Hahaha! Obrigada pela review! Que bom que você está gostando! Demoro para atualizar, mas quando atualizo é capítulo beeem longo. Hahaha. Mil beijos! Desculpe a demora para responder!

Lilian Ginevra: Obrigada linda! Que bom que você gostou! Ginny é bem fria mesmo. Geralmente fazem o Draco ice king e dessa vez eu resolvi inverter os papéis, hahaha. Depois desses últimos caps você ainda ta no time do Harry ou deu uma oscilada? Nem eu sei em que time estou! XD Mil desculpas pela demora para responder! Amei sua review! Mil beijos!

Cap 6

Guest: Iei! Obrigada! Adoro ver os teams se formando! Hahaha!

Amanda B: Aaai que bom que você está gostando! Espero que a demora pra atualizar não tenha te feito desistir da fic! Eu demoro, mas escrevo capítulos bem longos. Hehe! O que você, que é Team Draco, achou desse cap VII? Muito obrigada pela review! Mil beijos!

Lanni Lu: Olha, tem chances de Harry e Ginny terminarem juntos sim. Eu ainda não decidi com quem ela vai terminar. Ainda não decidi o final então não desista do seu time! Hahaha! Mesmo que Harry e Ginny não terminem juntos (o que pode acontecer. Ainda não sei.) vai ter muuuuito H/G nessa fic, inclusive os próximos capítulos vão ter MUITO H/G. Ginny ainda vai passar por muuuitas provações ao longo dessa fic. Mil beijos! E muito obrigada pela review! 3

Tmalfoy: Aaai que bom que você está gostando! Acho que estou conseguindo escrever a fic um pouco melhor do que AEDC, que era bem mais complicada. Ta que essa aqui também tem um plot bem complicadinho e eu não faço idéia como vai acabar, mas é bem mais fácil de escrever do que AEDC. Hahaha! Muito obrigada mesmo pela review! Me deixou muito feliz! O que você achou desse cap? Ficou tão chateada quanto o Draco com o beijo H/G? Hehe! Mil beijos!

X

As maioria eu respondi por PM!

Muito obrigada a todas!

Mil beijos!