Capítulo 7: Retorno
Joe bateu na porta e esperou alguns segundos, porém não houve qualquer movimento que ele pudesse notar. Bateu mais duas vezes e nada. Chin estava apreensivo. Será que estavam na porta errada? Ou talvez Steve e Daniel estivessem hospedados em outro hotel. Por via das dúvidas...
–Serviço de quarto!
Steve abriu os olhos e levantou a cabeça em direção a porta. Serviço de quarto?! Ele não havia solicitado nada e tinha quase certeza que o companheiro não o fizera. Mas, por desencargo, ele levantou. Procurou por alguma roupa para cobrir sua nudez e não achou.
Daniel acordou com o chefe resmungando. Seus olhos se recusavam a entrar em foco. De olhos fechados, ele chamou pelo outro homem no quarto.
– Steve...
– Desculpe, eu não queria te acordar. O serviço de quarto está na nossa porta e não posso atender pelado. Estou procurando pelas minhas roupas.
– Use um roupão, seu lerdo.
– O único roupão disponível é o que você estava usando quando transamos no sofá, então ele está sujo de esper...
– OK! Não há necessidade de tanto detalhe! Eu te ajudo a procurar uma roupa.
Joe e Chin ainda estavam parados na porta esperando uma resposta. Bateram novamente e se anunciaram da mesma forma de antes.
– Um momento, por favor!
Os homens respiraram aliviados, finalmente alguém escutara. Agora era só esperar pra ver quem estava lá. A voz parecia de Steve, mas estavam tão nervosos e cansados que podia ser confusão causada pelo estresse.
– Droga, Steve! As únicas roupas que tínhamos eram as que estavan no corpo. Você rasgou minha camisa e depois rasgou a sua. Boa sorte se as calças estiverem inteiras.
As calças foram encontradas, porém sem qualquer condição de uso. A de Steve estava suja de esperma e chantilly. A calça de Danny estava de molho na banheira e cheirando a vodca. As cuecas haviam sumido. Enfim, estavam nus e não havia nada que pudessem vestir.
– Danny, deita na cama e se cobre com o edredom, eu vou me cobrir com o lençol.
O comandante abriu a porta. O momento que se seguiu foi inexplicável. Os visitantes estavam pasmados. Sim, aquele era Steve McGarret. Sem sombra de dúvida. O problema era que ele estava usando nada menos que um lençol para se cobrir. Os olhos inchados e com olheiras, indícios de uma noite não dormida. Apenas badalada. Muito badalada. Os lábios mordidos e inchados. Marcas profundas de unhas nos ombros e braços, chupões espalhados pelo tórax e abdômen.
Depois desse exame minucioso, havia apenas uma palavra para definir o que havia acontecido na noite anterior. Sexo. Simples e puro sexo intenso. Chin engasgou e tossia desesperadamente tentando recuperar o fôlego. O outro homem lhe dava tapinhas nas costas e, depois de alguns instantes de agonia, finalmente tudo ficou bem.
Bem, entre aspas.
– Eaí... Tudo bem? O que fazem aqui?
– Bem está você chefe. Parece que a noite foi quente. Viemos te buscar.
– Acontece que eu perdi a hora. O casamento já era, né?
– É isso aí. Abandonou a noiva. A pegada da noite ainda está aí?
– Sim. Quero dizer, não!
Joe franziu as sobrancelhas em confusão. Steve parecia constrangido quando negou a presença da mulher que dormira com ele. Será que ela ainda estava lá e ele não queria que ela fosse vista. Tentou olhar por cima do ombro do ex-SEAL para ver havia alguém no quarto. Infelizmente a única coisa que viu foi Steve lhe dar as costas e bater a porta em sua cara. Também viu as marcas de unhas que deixaram linhas diagonais profundas nas costas dele.
– Joe, você viu as costas dele?!
– Ok, essa história está muito mal contada. Não vamos sair daqui sem ele.
– Esquecemos de perguntar do Daniel.
– Não se preocupe ele vai voltar e perguntamos.
Danny estava ansioso com a demora de Steve na porta, será que havia acontecido alguma coisa? Talvez uma surpresa pra ele. Com aquele clima todo de lua-de-mel... O problema era que ele não sabia se aguentaria outro round com McGarrett. O homem era insaciável! Ainda estava dolorido da noite anterior. Não estava reclamando, o sexo havia sido bom. Mas era melhor dar uma pausa ou seu corpo não ia aguentar.
– Danno, se esconde no banheiro! O Chin e o Joe White estão aí na porta pra levar a gente embora. Não podemos explicar porque estamos assim!
Foi uma confusão de esconde isso e aquilo. Dois homens pelados correndo pelo quarto à procura de provas que pudessem incriminá-los pelo final de semana maravilhoso. Gavetas eram abertas violentamente e portas de armários eras fechadas com força. Os lençóis e travesseiros foram para o chão enquanto a cama era investigada.
– Joga fora as camisinhas, Danno!
– Estão fechadas.
– Não interessa! Joga fora!
– A embalagem colorida vai chamar a atenção. Não cabe no lixo do banheiro com caixa e tudo, vou abrir.
– Peraí! Você disse: fechadas?
– Sim, todas que estavam na cesta estão do jeito que vieram, as coelhinhas trouxeram e elas usaram com os vibradores. Não usamos nenhuma mesmo?!
– Oh my God?! Danno...
– Eu não acredito! Você não colocou camisinha?! Seu irresponsável!
– Não é como se você fosse engravidar! Não coloque a culpa em mim! Você estava todo oferecido daquele jeito e eu não sou de ferro! Não pensei em mais nada. Você também esqueceu, ok?
– Eu devia ter te chutado!
– Vamos discutir isso depois. Precisamos arrumar as coisas e precisamos de roupas.
Williams foi para o banheiro se esconder xingando mentalmente o McGarrett por se esquecer de usar camisinha ao transar com ele, mas ele também tinha sua parcela de culpa por não avisar. Por fim, ele passou o fim de semana todo com o chefe gozando dentro de seu corpo sem proteção. A lembrança desse detalhe era aterradora. Assim que voltassem, iriam ao médico. Isso trazia a recordação de Steve ter lhe chupado sem camisinha também, tinha gozado na boca do moreno e ele engoliu. Sua cabeça começou a latejar com as preocupações e ele preferiu priorizar o esconderijo.
Steve voltou para a porta cheio de preocupações. Durante todo o sexo com Danny não usaram preservativo nenhuma vez. O problema não apenas pelo sexo anal. No sexo oral esqueceram de se proteger também e agora a merda já estava feita. Conversaria com o outro sobre consultar um médico e fazer os exames para DST's.
– Chin, eu tenho um problema. Preciso de roupas limpas pra sair daqui.
– Você chegou aqui pelado?!
– Não, Danny e eu viemos vestidos, mas as roupas não estão mais em condições de uso. Traz alguma coisa da minha bagagem lá no belaggio.
– Ah, sim. O Daniel está aí com você? Porque ele também está sumido.
– Sim, Joe. Viemos juntos.
– Nós recebemos um kit de casamento, fotos, vídeos e lembrancinhas de seu casório com o Daniel. O que aconteceu?
– O quê?!
– Sim, o DVD tem a foto de vocês dois abraçadinhos na capa.
– Não pode ser verdade!
– Sim, nós vimos o vídeo. Sabemos de toda a brincadeira que fizeram com vocês dois. Mas por que vieram pra esse hotel?
– A governadora tinha planejado uma lembrancinha pra minha última noite de solteiro, depois que chegamos apareceram umas garotas vestidas de coelhinhas e o resto já sabem.
– Ufa! Chin e eu quase pensamos que você e Danny pudessem estar juntos, sabe, como casal.
Depois dessa frase um silêncio constrangedor se fez presente e foi quebrado segundos depois pelo barulho de vidro se quebrando dentro do quarto. Steve voltou rapidamente para dentro do aposento, estava preocupado com Danno.
O homem loiro no quarto se assustou ao ouvir o visitante mencionar a possibilidade de Steve ser seu namorado e acabou deixando a garrafa de cerveja cair de suas mãos. Quando o objeto se desfez em cacos de vidro, Danno se xingou em silêncio por ser tão desastrado e estragar o disfarce do chefe.
–Você está completamente equivocado! Daniel e eu somos a penas bons parceiros de trabalho.
Instantes depois a porta foi fechada e o moreno retornou. Por ora estavam quase aliviados, no entanto precisavam esperar até voltar ao Hawaii e o assunto morrer pra ter certeza de que estava tudo bem.
– Danno, vou tomar uma ducha enquanto eles não voltam.
Não demorou muito para que os visitantes retornassem. Dessa vez o detetive atendeu a porta coberto pelo mesmo lençol que o comandante havia usado anteriormente. Mesmo efeito. A imagem cansada do loiro deixou a pior impressão nos homens parados na porta. Parecia que fora atropelado por um tanque de guerra.
O peito e o pescoço cobertos por mordidas e chupões, lábios mordidos e inchados, vestígio de chantilly e leite condensado? Havia uma substância suspeita, esbranquiçada e viscosa escorrendo pelas pernas do loiro e o homem mancava levemente, tentava disfarçar o desconforto que era andar naquele momento. Os pulsos que ele tentava esconder com o lençol tinham marcas de algemas? Esses detalhes foram rapidamente captados pelos olhos de Chin.
As roupas foram entregues e, quando o hóspede voltou para dentro do recinto, permitiu aos dois homens na porta a visão de suas costas. Mais mordidas e chupões e uma parte do quadril que estava descoberta, mostrava marcas de dedos como se alguém estivesse segurado o detetive pelos quadris, um hematoma feio na base da coluna de uma mordida forte com chupão deixou todo mundo com a pulga atrás da orelha... Era melhor não aprofundar muito a lógica para todo o cenário visto.
Algumas horas depois, devidamente limpos, vestidos e penteados. Obviamente algumas das marcas suspeitas estavam à mostra. A roupa não cobria tudo, boa parte permanecia coberta. O detetive loiro se recusava a olhar o corpo nu num espelho. Pela sensibilidade de sua pele em locais que ele não podia visualizar, imaginava o estrago que Steve podia ter causado.
Na saída, a conta no Cesar's foi fechada e os hóspedes, devidamente escoltados, foram conduzidos ao aeroporto e embarcaram de volta para o calor do Hawaii. Steve permaneceu calado a viagem toda e Danno dormiu no momento em que se acomodou na poltrona do avião.
Chin e Joe se revezavam na tentativa de fazer Steve falar. Sem sucesso, claro. Não havia nada a declarar sobre tudo o que acontecera até aquele momento. O moreno sabia que tinha pisado na bola com Lori. O transtorno que havia causado por causa de sua ausência num compromisso tão sério era imenso.
O desembarque foi silencioso e, graças aos distintivos aceitos na terra dos abacaxis e à governadora, eles tiveram total prioridade na burocracia do aeroporto e em pouco tempo estavam no apartamento de Steve desempacotando a bagagem.
Quando se viu sozinho no quarto, o SEAL parou realmente para pensar sobre tudo que havia acontecido nos últimos dias. Tinha saído do Hawaii com a vida bem encaminhada e voltou com sérios problemas para resolver. Lori, o casamento, convidados, família e colegas de trabalho. Tudo sobre o bendito casamento. Sim, todos mereciam alguma satisfação sobre seu papelão e a sacanagem que fizera com a noiva.
Procurou pelo celular sobre a mesinha de cabeceira e discou o número conhecido. A mãe de Lori atendeu.
– Steve?
– Sim. Me desculpe. Eu sinto muito pelo que aconteceu.
– Espero que sinta mesmo, não sabe como nos arrasou.
– Eu queria conversar, é melhor esclarecer tudo pessoalmente.
– Olha rapaz, na verdade minha única vontade é partir sua cara de pau. Mas eu preciso ser ponderada, venha a minha casa e conversaremos. Meu marido e eu estamos esperando.
– Obrigado. Como a Lori está?
– É meio óbvio que ela ficou mal com tudo isso. Na verdade ela ficou péssima e por um bom tempo não quer olhar pra você. Você acabou com a vida da minha menina.
– Eu não quero causar nenhum desconforto pra ela.
– Ela estava louca por você. Estava tão apaixonada, nunca vi Lori tão empolgada com um relacionamento. Casar? Ela nunca quis casar e foi só você aparecer pra mudar a ideia dela. E tudo não passou de uma grande ilusão.
– Eu queria muito falar com ela. Ela mais que qualquer pessoa merece uma explicação. Não que isso justifique, mas eu preciso fazer isso.
– Ela viajou sozinha para o Caribe. Suas passagens ainda estão aqui.
– Eu só quero por um fim nessa confusão. Tchau.
Não estava arrependido por ter perdido a chance de se casar. De certa forma, se sentia aliviado por não estar casado com Lori, curtindo sua lua de mel no Caribe como haviam planejado. Embora ele tenha acabado curtindo uma lua de mel bastante quente e muito intensa... Não tinha o que reclamar do sexo. Danny se revelara um amante maravilhoso.
Nesse momento, ele se lembrou do amigo. Com Lori ele podia se resolver depois que ela voltasse da viagem mais calma. Daniel era outra coisa, algo mais delicado para se tratar. Como ficaria sua relação com o detetive. Depois da convivência haviam se tornado bons amigos e se entendiam muito bem. Mas ele não conseguia entender o que havia acontecido em Las Vegas.
Como acabaram ficando juntos aqueles poucos dias. Ele nunca tivera qualquer interesse pelo outro. Nada mais que a camaradagem e o coleguismo de trabalho. Em momento algum houve qualquer afeto "extra" ou qualquer coisa do gênero. Atração? Impossível. Ele nunca olhara para um homem com segundas intenções. Mas Danno era diferente. Não fora apenas carnal. Ele apreciara cada instante na companhia e estava confortável e satisfeito por tê-lo em seus braços.
De qualquer forma, ele tinha certeza que não partiu dele a iniciativa. Mas se não foi ele, Danny estaria interessado em sua pessoa? Como ele nunca notou qualquer olhar, toque ou palavra que pudesse dar uma pista dos sentimentos do amigo? Desde que iniciou o relacionamento com Lori, notou o loiro mais implicante, venenoso com as palavras dirigidas a mulher, mas isso era apenas um ciúme de amigo, não? Era normal se sentir excluído quando o amigo companheiro de todas as horas o deixava de lado por um rabo de saia. Não era?!
Droga! Ali estava novamente a confusão toda armada. Era melhor colocar tudo em pratos limpos e ser sincero pelo menos consigo. Ele gostava de Danny. Gostava de ouvir a voz dele, a risada, os xingamentos e até as reclamações. Gostava das expressões do rosto dele, triste quando Rachel causava algum problema em relação a Grace, alegre quando podia ver a macaquinha, até a cara de sabe-tudo quando suas suposições estavam corretas em algum caso que estavam resolvendo. Resumindo, gostava da pessoa Daniel Williams como amigo, colega de trabalho e companhia pra cerveja.
Agora, a parte mais polêmica. Sexualmente falando. Ainda não tinha opinião formada sobre qualquer indício de admiração por um corpo masculino. Mas não sentira qualquer repulsa pelo corpo do detetive. Embora fosse um pouco tarde pra ter chiliques sobre isso, quando anteriormente havia tocado esse mesmo corpo. Suas mãos e boca tocaram a pele (troquei "o corpo" por "a pele" para evitar a repetição da palavra "corpo") do detetive Williams e seu membro adentrara o corpo dele sem cerimônia alguma. Não apenas o membro sexual, mas a língua e os dedos também estiveram ocupando o...
Céus, ele precisava se controlar. Tinha que falar com Danno. Não, o momento não era propício ainda mais quando ele estava definindo a questão sexual sobre o que houvera entre ambos. Beijar não foi desconfortável, abraçar e acariciar também não. Não podia esquecer do fato de que sentir o outro estremecer de excitação sob seus toques foi gratificante e prazeroso. Os gemidos proferidos por aquela boca incrivelmente sexy o deixaram em êxtase e o traseiro durinho e empinado o deixaram de pau duro. Nunca pensou que a bunda de um homem pudesse ser tão sexy.
Pronto, problema concluído. Resultado: outro problema pra resolver um tanto urgente. Estava visivelmente excitado apenas por se lembrar da experiência que tivera com o companheiro de trabalho. Seria possível que ele, Steve McGarret precisaria recorrer a própria mão para ficar satisfeito? E desde quando se descontrolava a ponto de se excitar apenas com lembranças?
No quarto ao lado, um homem loiro de estatura mediana se desesperava tentando compreender seu comportamento tão lascivo junto ao chefe. Ainda bem que ninguém tocara no assunto até o momento, mas ele sabia que em algum momento viria a tona e precisariam conversar sobre isso. No entanto, ele não estava preparado e não sabia se estaria preparado algum dia.
