N/A.: (Sim, duas horas da manhã e a Srta. Léli aqui postando! xD Se puderem, leiam o "N/A" do fim da fic! Huahauahau, não é nada exatamente essencial pro entendimento da história, é só que gosto de papear com todas as pessoas que lêem sem ficar interrompendo a fic, né? Bom, de qualquer modo, se não lerem lá embaixo: um grandessíssimo beijo e bom fim de semana!).
Mari s2 – Foi, né? Eu simplesmente babei em cima da parte do beijo deles, sempre fiquei elaborando na minha mente obscura como seria o primeiríssimo kiss dos dois! Não posso negar que adorei o resultado -
Pra ser bem sincera, um dos motivos que me levou a escrever adoidado foi a sua review, hauhuahsuahu! Eu pensei "bom, Leh, vai lá e escreve de uma vez se não quiser acabar esquecendo e apanhando de verdade", e aí está, em tempo recorde, com agradecimentos muito especiais ao apoio que você vem me dando. Ah, li o cap 3 sim! Deixei uma review lá (logicamente elogiando, a sua fic é simplesmente demais! O Remo ficou muito fofo com aquilo de "bom, estou usando a desculpa de estar ajudando meu amigo para ficar com você!").
Mas você tem razão, existe um preconceito incrível com relação à Sonserina, não é? Não podemos negar que isso se dá principalmente pela Rowling não ter escrito sobre nenhum sonserino "bom" (dependendo do ponto de vista, porque como você disse bem e mal é relativo), mas tudo bem... Fico feliz em saber que você é super-legal, e da Sonserina com orgulho! E, bem, sobre a minha demora, mal acreditei quando vi o tempo que tinha passado sem postar... Então, espero que curta esse cap The Flash, hehehe! Beijos e bom Final de Semana!
Thaty – Poisé! Eu fui muito má terminando bem naquele ponto da história o.o" Mas tudo bem, já que dessa vez fui bem mais rápida acho que não tem tanto problema xD
Então! Espero que fique feliz com aS respostas da Evans, porque finalmente realizei meu sonho de fazê-la voltar atrás de uma decisão! (Isso é spoiller? O.o"). Acho melhor eu parar por aqui, hauahaua... Bom final de semana, um grande beijo e boa fic! Espero que goste xD
Istéfani Pontes – Caramba!!!!! Você não faz idéia das coisas que bolei para a fic só de ler sua review! Sério mesmo, esse cap não seria postado tão cedo se não fosse as luzes que você acendeu na minha pobre cabeça!
Bem, em primeiro lugar, eu tinha duas coisas montadas: uma para se a Lily recusasse o pedido, outra para se ela aceitasse. Eu estava sinceramente inclinada a fazê-la recusar definitivamente, mas então veio seu pedido e PAM! Inovou minhas idéias, mas é melhor eu parar de falar, hahauahauahaua! Realmente obrigada, o cap em Hogsmeade será muito mais interessante graças a você!
Em segundo, "na hora da luta q a aangely fiko mal". Eu simplesmente amei a perspectiva de fazê-la com uma outra face, mas para mim era melhor parar por aquela luta, pra não ficar cansativo, certo? Errado! Se você gostou tanto quanto eu, tentar não custará nada, não é mesmo?! Bom, eu curti a "Dark Angel" (já que, como você, adooro ela, ainda mais com o Sirius! aliás, o beijo foi a minha cena preferida até agora na fic inteira!) e espero que você também goste xD Tenha um ótimo final de semana, um grande beijo e até o próximo cap!
Nina Potter – Ahá! Aposto que você vai ficar de cara no chão quando acordar de manhã e ver a fic "No Negrume de um Céu Estrelado" atualizada, né não? Eu disse que ia cumprir a minha promessa, então aqui estou eu (sem falta! Hahaha!). Sei que pontualidade não é bem meu forte, mas estou me esforçando xD E eu sabia que você ia gostar, Loka, foi bem a sua cara! De qualquer modo, se não conversarmos no find (sabe como é, fds geralmente é coisa de família) se divirta bastante por aí! Beijão, até a próxima xD
Bem, eu fiquei em dúvida se deveria fazer isso, mas a pessoa realmente merece!
Istéfani, você ta sendo meu anjo da guarda menina! Agradeçam a ela pela rapidez do cap gente, sem as idéias que me surgiram só lendo a bendita Review dela eu não seria nada! É isso, boa fic pra todos!
XxX.Sentimentos reprimidos e medos escondidos?.XxX
– QUAL É O SEU PROBLEMA, POTTER? TEM TITICA DE GALINHA NA CABEÇA?
Lily explodiu sobre James com o medo que ele a fez sentir repentinamente transformado num ódio pelo maroto tê-la feito ver-se submissa à suas próprias palavras. Ele, agora que passavam por um período mais calmo, vinha e perguntava se Lily queria sair com ele? Maldito Potter, nojento, mentiroso! Fizera a ruiva acreditar que ele estava amadurecendo, que estava mudando, e o que propunha agora, aproveitando-se de uma situação favorável? Qual vil chantagem que fazia agora, alegando ser a última vez que pediria aquilo à moça?
– Tudo bem Lily, não precisa se exaltar! – James olhou a sua volta percebendo, alarmado, as atenções voltarem-se para os berros estridentes de Lily – Eu só perguntei algo a você, não necessariamente precisamos...
– É EVANS PRA VOCÊ, POTTER! EVANS, ENTENDEU? – ela tomou fôlego ao mesmo tempo em que jogava sua mochila no chão e avançava para o maroto com o dedo em riste – CANSOU DE BRINCAR DE AMIGUINHO-DA-EVANS? RESOLVEU VOLTAR AOS TEMPOS DE CAFAGESTAGEM, É, POTTER? POIS ESPERO QUE ESSA REALMENTE SEJA A ÚLTIMA VEZ QUE ME PEDE PARA SAIR, PARA QUE ESSA SEJA A ÚLTIMA VEZ EM QUE EU PRECISE RECUSAR, PORTANTO, VOLTE PARA SUA ESQUINA E VÁ FAZER A ALEGRIA DAS SUAS RAMEIRAS!
James piscou por um momento, atordoado, encarando os grandes olhos verdes de Lily sobrepondo-se a sua pele corada pelo ódio. Absorveu devagar o que a ruiva lhe dissera, e – mesmo que dias antes aquela bronca pudesse parecer a ele revoltante e injusta – tentou segurar seu riso, transformando-o num acesso de tosse para que enfim revelasse-se – inevitavelmente – em gargalhadas histéricas.
– Me... me desculpe, Evans. – Potter se apressou a tentar recuperar o fôlego diante da expressão completamente indecifrável de Lily – É só que... Bem, "volte para sua esquina e vá fazer a alegria de suas rameiras" não é um insulto que eu esteja acostumado a escutar e, se me permite dizer, foi realmente uma boa ofensa, embora eu não trabalhe mais em esquinas e tenha largado a vida de luxúrias. – e, como se ela ainda não mostrasse sinais de nenhum sentimento – Ok, eu já parei de rir. Você sabe que é só brincadeira, não é?
– Eu... – Lily não conseguiu processar o que estava acontecendo. James rira depois de ter sido insultado e chutado apenas por ter pedido para ir a Hogsmeade com ela, e dessa vez de um modo bem mais educado que os inúmeros anteriores? O que diabos estava acontecendo ali? – Você... O quê?!
– Bom, desculpe qualquer coisa. Pode deixar que vou cumprir minha promessa, não voltarei a pedir pra sair com você... – e, estendendo a mão – Paz?
Sem ter tempo para pensar e tentar compreender, Lily apenas apertou a mão de Potter com um aperto frouxo e os olhos arregalados, vendo-o – completamente incapaz de se mexer – descer as escadas acenando sorridente para ela, que continuou parada no início da descida. Sentindo o alvoroço às suas costas, porém, ela fez o rápido movimento de recolher sua mochila e olhar para trás.
Black se aproximava do alto das escadarias, passando à frente de uma espantada e compacta multidão apertada entre dois corredores que se encontravam bem onde Lily havia gritado com Potter. Sua expressão era de curioso divertimento, e a ruiva pode ouvi-lo sussurrar em contraste com a multidão que gritava e conversava entre si, afoita:
– O que está aprontando, James?
o/\o
– Bom... – James deu uma voraz mordida em uma carne de cordeiro da qual se servira sem piedade, mastigando umas cinco vezes ates de engoli-la praticamente inteira como se não fosse nada – Nada. Não estou aprontando nada.
– Ah, corta essa Pontas! – rebateu Sirius sentado ao lado do amigo e virando um copo de suco de laranja (do tipo balde) em menos de cinco segundos sem engasgar ou deixar escorrerem filetes do líquido – Riu na cara da Evans quando ela gritou com você, passou a manhã toda prestando atenção no Slughorn e no Binns (no Binns, Pontas, perceba o que é isso!), não quis nos ajudar a enfeitiçar aqueles aviõezinhos de papel na vinda pro almoço, não chegou nem perto da Evans durante esse tempo todo e nem falou dela, na verdade mal disse alguma coisa, só ficou sorrindo como um idiota sabe-tudo!
– Eu realmente estava parecendo um idiota sabe-tudo? – James arregaçou as mangas de sua capa (alinhadamente colocada sobre sua camisa de botões completamente fechados, gola dobrada e gravata com um nó perfeito), parecendo ter se esquecido completamente da existência de garfos e facas.
– Quando virei pra falar com você na aula de poções, James, te vi tão sério que me deu medo. – comentou Rabicho sombrio, ao que seus amigos concordaram.
James sorriu, mesmo tendo sua comida meio-mastigada ainda na boca. – Genial.
Angel virou a cara, com nojo, sentindo arrepios percorrerem seu corpo ao ver Pontas daquele jeito. – Pelo amor de Deus, Pontas! – exclamou ela – Poupe-nos da visão do estado da sua comida quando chega ao estômago!
Remo concordou, tão enojado quanto a amiga, e Sirius acompanhou ambos embora exibisse um desempenho tão deplorável quanto o de James.
– Aí vem a Evans! – anunciou Peter, animado – Ela fica doidinha quando vê o Pontas todo lambuzado pela comida! Diz que ele não tem modos, e é particularmente engraçado vê-lo repreendido pra variar um pouco.
Imediatamente a postura de James mudou. Ele juntou os guardanapos de Angel, Almofadinhas, Aluado e Rabicho, limpando suas mãos oleosas e seu rosto sujo até a testa com uma rapidez impressionante, agarrando o copo de água de uma quintanista sonhadoramente sentada ao seu lado e bebendo-o fazendo gargarejos – aparentemente para que a comida entalada em sua garganta descesse mais rápido. Endireitou-se no banco, encontrou seu garfo e sua faca e continuou comendo – educadamente – como se sempre estivesse estado assim, impressionando Lily quando esta chegou.
– Bom dia, Srta. Evans. – saldou ele ao ver a ruiva em pé atrás de Sirius, encarando James como se ele fosse um ET – Senta-se conosco?
Almofadinhas resistiu fortemente a vontade de rir, escondendo-se atrás do único guardanapo que James não conseguira alcançar (o dele mesmo). Emitindo ruídos como se misturasse um forte acesso de tosse, engasgo e espirros, Sirius desencadeou em Angely, Remo e Peter uma súbita onda de divertimento – uma mistura de Sirius-fazendo-papel-de-trasgo e James-fazendo-papel-de-trasgo-metido-a-educado.
– Não sei se é uma boa idéia. – respondeu Lily depois de encarar as costas de Sirius, que sacudiam-se sem parar, por um momento em que tentava entender o que estava vendo.
– Compreendo. – Pontas sorriu, amigável, para Lily e suas amigas – Bom almoço, meninas.
Lily se afastou imediatamente, atordoada e seguida por Lucy. Alicia, porém, ficou para trás, de início com uma expressão séria.
– Quem é você e o que fez com James Potter?
Diante disso, Pontas não pôde conter-se e riu também. Escondeu o rosto nas mãos, tentando continuar silencioso, e ouvindo a risada de Alicia ergueu os olhos marejados para ela.
– Fui ridículo, não fui?
Os marotos e a moça responderam em uníssono. – Foi!
– Indubitavelmente ridículo, Potter.
– Pode me chamar de James.
– Ok... – Alicia corou de leve, mas se manteve firme – E então? Porque está fazendo essas coisas?
– Só estou tentando mudar. – James deu de ombros – Esse ano é, afinal, minha última oportunidade de conquistar a Lily, não? Todos nós temos de amadurecer um dia.
– E chegou a sua hora?
– É, chegou a minha hora!
Alicia fez uma expressão feliz, aprovando o comportamento de James, e afastou-se para a outra ponta da mesa sem acrescentar mais nada, embora parecesse realmente satisfeita. Pontas balançou a cabeça num gesto de desaprovação, sorrindo de um modo que não trouxe a ninguém bons pressentimentos.
– "Todos nós temos de amadurecer um dia"? – Sirius cortou o silêncio, obviamente incapaz de conter sua indignação – Pode ir contando o plano perfeito da vez, Potter, ninguém aqui é ingênuo o bastante pra cair nessa!
Angel apontou para o amigo ao seu lado, com uma expressão cansada. – Bom, acho que Peter é.
Rabicho levantou os olhos ao ouvir seu nome, e sorriu olhando do o prato de James para a sobremesa perto do amigo. – Me passa o pudim, Pontas?
o/\o
Lily, sem se dar conta, afastou seu prato de comida e levou o dedo indicador a boca, roendo sua unha tão bem feitinha até que a cabeça de seu dedo ficasse inchada. Fez isso com o resto da mão direita, e depois com a esquerda, inegavelmente torturando-se em silêncio, mas sem receber grande atenção das amigas – elas já imaginavam o que estaria acontecendo.
Potter estava brincando, não estava? Ele não podia parar de chamar Lily pra sair, aquilo não fazia parte de sua filosofia de vida, não é?! Se fizesse isso, todo o ciclo em que estavam envolvidos há seis anos iria se romper! E como, por Deus, alguém podia simplesmente – completamente do nada! – mudar tanto? Lily vira James recusar o convite para causar confusões no corredor. Vira-o sorrir para ela, mesmo depois de ser xingado de modo cruel, e agora estava almoçando comportadamente e civilizadamente, sem se preocupar em chamar a atenção dos outros para si com brincadeiras inoportunas.
– Você acha que o James desistiu de você, Lily? – perguntou Alicia depois de uma troca rápida de olhares com Lucy.
– É o que está parecendo, não é mesmo? – a resposta de Lily foi tão seca que nenhuma de suas duas amigas duvidou: ela estava arrependida de ter dito não. – Mas desde quando você o chama de James?
Alicia deu de ombros, servindo-se. – Ele me pediu agora pouco.
– Então... – Lucy afastou seu prato vazio, bebendo seu suco pensativamente – O que você vai fazer, Lils?
– Como assim o que vou fazer? – ela bufou irritada – Quanto mais tempo o Potter passar longe de mim, melhor! Se ele vai desistir, ótimo, fico em paz e não se fala mais nisso!
Nesse instante, porém, Sirius aproximou-se de Lily e suas amigas com uma expressão de cansaço, tristeza e derrota. Ele espremeu-se entre Lucy e Alicia, afastou as travessas de sua frente e bateu em cheio com a cabeça na mesa de madeira, emitindo resmungos muito audíveis contra James ao mesmo tempo em que continuava com o rosto colado a mesa.
– Black! – exclamou Lily, cutucando o maroto como se estivesse acordando de um susto muito grande – Black, o que há?
Sirius levantou a cabeça, de repente esperançoso. – Aceite sair com o Pontas, Evans! – e, como ela apenas torceu o nariz – Por favor! Estou implorando, saia com o Pontas, tem algo muito errado com a cabeça dele desde que ele decidiu te deixar ser feliz como decidir!
– Como é que é? – Lily sacou a varinha discretamente, cutucando o joelho e Sirius por baixo da mesa – Ele decidiu me deixar em paz para que eu fosse feliz?
– Eu não disse nada disso!
– Aaah, disse sim, Sirius! – Lucy encarou o maroto, tentando encontrar sinais de mentira – Potter não cansou da Lily, então?
Evans encarou sua amiga com a testa franzida. – Você realmente pensou que era isso, Lu?
– Ah... – Lucy corou, encabulada – Quero dizer, você não estava dando brechas para o pobre, outra pessoa já teria cansado há muito...
Sirius, porém, voltou a interrompê-la. – James não é normal! Pensei que soubessem disso! – ele suspirou, claramente desesperado – É sério, Evans, meu amigo está me deixando com medo! Você o viu, Alicia, comportado e calmo, dizendo que sua amiga tinha razão e que todos amadurecem um dia!
Alicia fez acenos de concordância. – É verdade, ele realmente disse isso pra mim.
– Está vendo! James está sendo legal, e nem está fazendo isso pra te conquistar! Aceite sair com ele, por favor! Preciso do meu amigo de volta!
Lily encarou Black, dividida entre seu orgulho (que incluía o fato de já ter recusado veementemente sua "última chance") e o óbvio medo de James ter desistido dela, fosse para o que fosse (mesmo que esse medo ainda precisasse ter suas causas explicadas). Ela inclinou o pescoço para trás, vendo Potter, Nelly e Lupin afastando-se da mesa da Grifinória juntos – Angel e Remo brincando de algo parecido com "quem consegue destruir mais aviõezinhos de papel enfeitiçados para voarem e fugirem" enquanto James obviamente os repreendia, acabando com a brincadeira.
– Ok, Black, me dê um motivo que me convença de que Potter voltará ao normal se sair comigo!
– É simples, ele ficou assim crente de que ser certinho preencheria o vazio que você deixou!
– Tudo bem, considerando que até eu estou com medo dele... – ela fechou os olhos com força, mal acreditando no que diria – Eu vou aceitar ir a Hogsmeade com o James!
Lucy e Alicia disfarçaram sua felicidade mútua, e de repente perceberam que estavam – elas mesmas – sem par para ir ao passeio que seria feito em breve. Alicia deu uma olhada à sua volta, enquanto Lucy simplesmente encarava Sirius de um modo estranho. Sorrindo maliciosamente, a loira passou o braço em volta do pescoço do maroto.
– Você vai a Hogsmeade com a Angely, certo? – Black fez um aceno positivo, com medo do tom da voz de Crawford – Ótimo. Se realmente quiser que a Lily saia com Potter, você e ela vão ter que tentar fazer o Remo me convidar!
Sirius simplesmente olhou para os olhos azuis da moça, e riu. Lu Crawford, pedindo ajuda para que um garoto a convidasse para sair? Remo era mesmo um sujeitinho de sorte!
– Tudo bem, está combinado. – e, vendo uma Lily parecendo muito arrependida levantar-se e ser seguida por suas amigas, acrescentou – Não esqueça que você terá de dizer isso pra ele, Evans! Pontas não pode nem desconfiar que estou metido nisso.
As três amigas se afastaram. Sirius Black riu, gargalhou, e quando elas já haviam sumido de vista encaminhou-se para as portas do Salão Principal de um jeito tão calmamente irritante, assoviando e orgulhosíssimo de sua performance diante de Lily, que a maioria das pessoas parou para olhar.
Pronto, meu querido amigo veado. – pensou ele, sem conseguir conter sua expressão pretensiosa – Agora é com você!
o/\o
James estava ansioso, sentado impacientemente na beirada de sua cama de dossel, no dormitório, torcendo para que o sinal ainda demorasse a soar. Quando Sirius adentrou o recinto, indo direto até Angel e envolvendo a cintura da moça ao mesmo tempo em que dava um estalado beijo em sua testa, Pontas levantou-se e ficou de frente para o amigo com uma expressão tão ansiosa que, quem visse, poderia jurar que era dia do casamento do pobre – E então, Almofadinhas? O que ela disse?
Sirius meramente riu. Mostrou uma expressão ridiculamente convencida, fazendo todos revirarem os olhos, desvencilhou-se de Angel (que pulou para longe do maroto com uma rapidez felina) e pousou as mãos nos ombros de James, rindo de um modo sarcástico.
– Tsc, tsc... – fez ele, ao que Pontas simplesmente bufou – É claro que eu consegui fazer o que você pediu, meu caro amigo veado.
– É CERVO, cervo!
– Tudo bem, não precisa ficar histérica.
– Fala logo o que a Lily te respondeu, pulguento!
– Ok, ok. – ele tomou fôlego, dando um sorriso galanteador para todos os seus amigos presentes – Eu fui lá e fiz o que você pediu, Pontas. Disse pra Evans que você tava pirando depois de tantos foras, e que eu queria meu antigo amigo encrenqueiro de volta, porque não te agüentava mais assim, e entre outros dramas...
– Se a Lily descobrir que vocês que é tudo armação todo mundo vai se ferrar bonito, sabe. – Remo descruzou os braços, adiantando-se para a porta – Quero deixar bem claro que disso eu não vou participar.
– Nada disso, Aluado! – James foi até a porta e puxou o amigo de volta, teimoso – Se a Lily quer que eu mude, eu vou mudar! Quem sabe, percebendo que amadureci, ela não resolve me dar uma chance?
– Mas James, você não mudou! – Angel, com uma expressão preocupada, desencostou da parede perto da qual observava os amigos, finalmente dizendo algo – Continua o mesmo Pontas de sempre, e se a Evans for gostar de você tem que gostar como você realmente é!
Sirius, Peter, Remo e James a encararam, primeiro rindo – achando que a amiga estava fazendo uma piada – e, ao vê-la séria, trocaram olhares espantados.
– Bem, não querendo desvalorizar seu ponto de vista, Fire'Angel, mas... – Pontas sorriu amarelo, dando de ombros – Se a Lily vai gostar de mim do jeito que eu sou ou não realmente não importa, desde que ela goste! Mais tarde, quando estivermos casados, aí sim ela talvez queira gostar do meu lado maroto também, mas por enquanto o certinho já basta...
Todos os homens presentes fizeram acenos positivos, sérios. Angel, porém, assustou-se ainda mais.
– James! Acorda, você não tem um lado certinho! A Evans pode acabar gostando de um "eu" seu que não existe, e quando sua máscara cair pode ser tarde demais! – e, como todos continuavam apoiando Pontas – Ok, eu desisto. – e, resmungando – Não sei por que ainda espero que eles se sensibilizem com o que eu falo...
– De qualquer jeito... – Pontas foi até Angel, segurando-a pelo pescoço e enchendo a moça (que ria) de cascudos – Tenho vários planos de step que já estão em andamento, pelo menos um deles vai ter que dar certo! Não se preocupe tanto comigo, Angel.
Ela riu ainda mais, encarando James com uma severidade fingida. – E quem disse que estou preocupada com você? Estou é com pena da Evans!
– Pena? – Pontas acompanhou a amiga nos risos, encarando-a enquanto fazia poses bagunçando seu cabelo escuro, um costume difícil de perder – De quê? De ser amada e cobiçada por um cara gostoso como eu?
– Sempre tão modesto, Potter. – rebateu Sirius, rindo também, numa costumeira imitação de Lily – Me pergunto como você e seu ego enorme conseguiram chegar à Hogwarts, Sr. Exibicionista Barato!
– Olha quem fala, Black! – Remo, sorrindo levemente, não pôde deixar de participar da brincadeira (já comum entre eles) de imitar as coisas que Evans dizia sem nenhum medo aos marotos – Parece um cachorro rodeado de cadelas no cio, não consegue ver um poste sem ter fortes ímpetos de ir lá e deixar seu cheiro, não é?!
– Ora, Lupin! – Peter riu estridentemente – Está a tanto tempo andando com esses seus amigos nojentos que já está ficando como eles!
– E você, Pettigrew. – veio uma voz da porta, fazendo todos gelarem – Do jeito que come, é capaz de andar perdido num deserto por mais de um mês sem sentir fome.
Todos se viraram. Parada na porta de um jeito provocante estava Elize Spinnet, uma garota do quinto ano que era – inacreditavelmente! – uma talentosa batedora da equipe da Grifinória.
– Olá, James. Sirius. Remo. – cumprimentou ela, entrando no quarto sem ser convidada e balançando seus compridos cabelos castanhos no rosto de Angel, como se não visse a garota ali – Vim aqui porque o prof. Squalor pediu que eu viesse avisá-lo da continuação da sua detenção conjunta com a Evans, James. Pode avisar a ela por mim? – e, fazendo um ridículo biquinho diante da concordância entre risos de Pontas, acrescentou virando-se para Sirius – E sua detenção com a Nelly terá início hoje, Sis! – ela olhou em volta – Onde está ela?
A voz de Angel veio entediada de trás da desfrutável menina. – Estou aqui, gênio.
– Oh, Nelly! – Spinnet segurou as mãos de Angely, sorrindo para ela de um jeito emocionado e sussurrando num tom confidente – Você não está emocionada?! Uma hora completamente sozinha com o gato do Sirius na sala do Filch!
– Oh, sim. – a elfa, séria, cruzou os braços e respondeu num tom de profunda monotonia – É tão romântico que mal posso respirar.
Sirius, Remo, Peter e James deram risadinhas discretas que Elize pareceu não ouvir. Para ela, provavelmente, ambas as garotas estavam conversando tão baixo que ninguém mais as ouvia.
– Qual é! Me contaram do beijo, Angel!
– É Nelly. – Spinnet pareceu se ofender, e fez um expressão de raiva e indignação como qualquer garota do tipo dela faria quando completamente ignorada por quem quer que fosse – Mais algum recado, Spinnet?
– Sim. – a voz dela agora era seca, e quando tirou um pergaminho de dentro do bolso de suas vestes depositou-o nas mãos de Angel com violência – O Diretor Dumbledore mandou que eu entregasse isso a você. – ela deu passos decididos até a porta, dando uma última virada para dizer venenosamente – Espero que esteja encrencada, Nelly!
– E eu espero que sua filha nasça com cérebro, Spinnet! – gritou Angel em resposta, embora estivesse séria e com a testa franzida, examinando o pergaminho – Meu Deus, essa garota tentou tudo quanto é feitiço para abrir a carta de Dumbledore para mim!
– Não duvido de nada que venha dessa garota, Angel. – Remo aproximou-se da amiga, olhando para o pergaminho por cima do ombro dela – É melhor tomar cuidado agora que está namorando com o queridinho dela.
Sirius e Angel se entreolharam por centésimos de segundos diante desse conselho. A elfa deu um passo para trás involuntariamente, esbarrando em Remo e virando para o amigo com uma expressão indecifrável. Resmungando algo sobre ler o pergaminho, ela saiu do dormitório correndo, o eco de seus passos ressoando no ouvido de seus espantados amigos.
– O que deu nela, Sirius? – indagou Remo, desconfiado.
– Hey! Porque eu teria que saber?!
– Ah, não sei! – respondeu James, sarcástico – Será que é porque você está ficando com ela?
– Ficando? – Remo pareceu indignado – Sirius, a Angel não é menina para se ficar!
– Eu sei, eu sei! – Almofadinhas jogou-se de cara na cama de Pontas, abafando o som de sua voz e tapando a cabeça com um grande travesseiro – O que querem que eu faça?
– Aquilo que pensei que você já tinha feito, pulguento! – James empurrou o amigo para longe de sua cama, acomodando-se ali e abrindo alguns botões de sua camisa ao mesmo tempo em que afrouxava o nó da gravata – Nunca pensei que diria isso, mas peça-a em namoro!
– De preferência em Hogsmeade. – acrescentou Peter rapidamente.
– Não acredito que estou recebendo conselhos amorosos de vocês!
James encarou o teto, sério. Pousou uma de suas mãos em seu peito, e a outra colocou atrás de sua cabeça, preguiçosamente deitado. – Bom, temos que nos acostumar às coisas, não é mesmo? Eu também fiquei espantado ouvindo você se declarar pra Angel daquele jeito assustador ontem, mas não...
O rapaz, porém, calou-se diante da expressão primeiro confusa, depois assassina, de Sirius.
– Você... – ele apontou para James, furioso, e o maroto imediatamente se levantou entre o riso e a culpa – Foi você que pegou a capa ontem à noite! Você estava lá!
– Aaah, Sis! – James riu – Não me diga que está bravo? Achei tão fofo! "Oooh, Angel, eu te amo tanto, não saia de perto de mim!"...
Almofadinhas corou, fechou os punhos e sacou a varinha com rapidez. – Se tem amor à vida, Potter... – sibilou ele – Corra!
o/\o
Remo avançou pelos corredores, apressado, com plena consciência de que Rabicho – sensatamente – já tinha ficado para trás há muito tempo, exatamente quando o aviso de que os alunos deveriam ir para suas respectivas salas soou. Mas ele não podia assistir à aula de Squalor, simplesmente não podia, mesmo sabendo que ficaria inacreditavelmente encrencado. Enquanto não achasse Angel, porém, Remo Lupin não descansaria.
Mas onde poderia procurar por uma elfa maluca, em posse de uma carta à qual fingira não dar a mínima atenção, mas – ele sabia! Era confidente de Angel há anos! – era incrivelmente importante. Afinal, ela não era do tipo de garota que depois de ouvir um comentário sobre um suposto namoro saía correndo e chorando. Havia algo aí, ele sabia que havia.
Ele estava distraído, xingando a amiga em pensamento pelo fato de ela ter que sumir em momentos tão críticos, exatamente quando Remo percebia-a cheia de problemas. James e os outros não eram assim, só conseguiam saber que algo fora do comum estava acontecendo quando isso já era óbvio... E era por isso que, talvez, um dia se metessem numa confusão grande demais para terem tempo de se protegerem. E também por isso que Angel insistia em protegê-los, principalmente a Pontas. Pensando em tudo isso, então, Remo andava a esmo pelo castelo, e parecia estar no sexto andar – passando por salas vazias – quando alguém o puxou para dentro de uma delas bruscamente.
– Nem pense em gritar, Aluado. – avisou a voz previsivelmente Angel, segurando com força o maroto contra a porta – O que está fazendo aqui quando têm uma aula três andares abaixo?
Remo não ficou exatamente surpreso em ser puxado sem aviso para dentro de uma sala pela elfa, sem a mínima cerimônia ou menção de convite, e principalmente porque aquela não era nem a primeira e nem a segunda vez em sete anos que aquilo acontecia. E, também sem se espantar, Lupin notou imediatamente que a expressão dela era fúnebre, e que o pergaminho que tinha recebido mais cedo estava jogado sobre uma das carteiras daquela sala.
– Pensei em fazer exatamente a mesma pergunta, mas para você.
A expressão de Angely abrandou-se. Ela deu as costas ao amigo, tirando a pressão de seus braços de cima dele e deixando-o livre pela sala – ao que Remo imediatamente sentou-se, cansado, em uma das cadeiras – enquanto ela ia até uma das janelas.
– Você tem uma particular atração por janelas, não é?
A elfa riu baixinho. Fez um aceno displicente para o céu nublado, como se aquilo fosse completamente óbvio, e seus cabelos densamente escuros esvoaçaram com a brisa enquanto seus olhos incomuns, de um claríssimo alaranjado, esquadrinhavam toda a paisagem longe de Hogwarts.
– Desculpe, Remo. – o maroto precisou ficar em completo silêncio, mal ousando respirar, para ouvir os sussurros da moça – Pensei que você acreditaria sinceramente que eu queria evitar uma discussão sobre meu caso com o Sirius.
– Você não é esse tipo de garota.
– Eu não sou esse tipo de pessoa, Aluado. – ela virou-se para o amigo, sorrindo de leve – Nem eu, nem você.
Uma coisa curiosa, e com a qual Remo ainda não se acostumara direito, era o modo com que Angel desviava-se de um assunto banal para outro de suma importância sem dar o menor aviso disso, deixando a pessoa geralmente confusa e sem saber com certeza sobre o que ela estava falando. Era isso que despertava em Lupin uma grande cautela quando conversava a sós com ela, porque a inevitável impressão que Angel passava às pessoas de percepções apuradas era a de alguém que soubera muita coisa em pouco tempo, e isso era tão constante que ele se sentia muito tapado perto dela quando esta estava verdadeiramente séria.
– Não somos? – perguntou ele, quebrando um longo silêncio com a única coisa que conseguiu dizer.
– Não. – ela fez um aceno com a cabeça para a porta, dando alguns passos em direção ao amigo – Não somos como todos eles, certo? Não importa o que James diga, é inevitável nos sentirmos deslocados.
Parecia que coisas inevitáveis agora surgiam na vida de Remo com uma naturalidade instantânea.
– Quero dizer... – continuou ela, ainda com o olhar distante e sem foco – Existem períodos de nossas vidas em que somos movidos por instinto. Todos são assim, claro, é o que chamam de impulso, mas... Nosso instinto é diferente. É de matar, Remo, de acabar com tudo o que estiver a nossa volta.
– Angel... – Lupin, em geral, não gostava de conversar sobre aquilo. E, mesmo que com a elfa fosse completamente diferente porque ela era a única pessoa em Hogwarts com quem ele realmente se parecia, Remo estava se sentindo mais desconfortável pelo fato de saber que ela estava falando mais de si mesma do que dele – Eu realmente não acho que... Que você precise se explicar pra mim, se não quiser.
– Mas eu quero, Remo. Ou você acha que eu devo falar sobre isso com o Sirius? – ela riu artificialmente, sentando ao lado do amigo – Quero dizer, eles não sabem. Não sabem de nossos maiores segredos, e nem desconfiam que eles existam... Nenhum deles percebe o perigo que correm conosco, nenhum deles desconfia do que vem acontecendo.
– E o que vem acontecendo? – Remo se acomodou melhor na carteira a fim de encarar Angel – Você e eu sabemos melhor do que ninguém que os marotos foram a melhor coisa que nos aconteceu em toda nossa vida! Eles sabem de nós, sabem do que somos, e nos aceitam, são nossos amigos...
– Não estou contrariando isso, e tenho certeza de que mesmo tendo detalhes sobre nós eles não nos abandonariam, Remo. – ela baixou os olhos – O que quero dizer é que eles entenderiam nossa situação, mas jamais o que sentimos. Apenas eu e você... temos consciência do que um e o outro é. Isso é cruel, e é uma verdade que por anos estamos tentando esquecer.
Remo olhou para Angel muito embora ela não o encarasse, e sim contemplasse tristemente o chão. Ele levantou-se de sua carteira, passando para a dela para que dividissem um lugar, e a fez descansar a cabeça em seu ombro enquanto ele afagava sua cabeça lentamente, pensando em quantas vezes aquela cena já tinha se repetido. Remo gostava muito de todas as pessoas maravilhosas que o rodeavam, mas compreendia o que Angel queria dizer... Apenas um entendia o outro, apenas um tinha um laço forte demais para ser rompido com o outro.
– Conte-me o que aconteceu, anjo.
– Ah, Remo! – ela abraçou o amigo com força, com uma voz desesperadamente embargada – Ontem à noite, antes que Sirius me encontrasse... Bem quando James e eu estávamos voltando para o castelo, Ele me chamou. Ficou ecoando coisas em minha cabeça sobre uma forte necessidade de conversar comigo... E eu fui ao encontro Dele principalmente para tentar entender o que estava acontecendo com meus poderes nos últimos dias.
Ela fez uma pausa para respirar fundo, ao que Lupin sentiu parte da tristeza dela contagiar-lhe.
– Quero dizer, não podia ser normal, não é? As coisas que tenho conseguido fazer dentro de Hogwarts. Eu estou desafiando o bloqueio de Dumbledore sem ter o que me impeça de fazer isso, é um poder que me assusta! – ela fez outra pausa, e tremeu antes de prosseguir – Eu estava assustada nos últimos meses. Fui em desespero falar com Ele, mas... Não foi o que eu esperava. Entrei em Hogwarts para tentar isso, mas meu principal objetivo se realizou tão do nada que me assustei ainda mais.
– Oh meu Deus. – Remo sentiu seu sangue congelar nas veias, e segurou Angel com força com medo de cair num abismo junto com ela – Quando você diz "seu principal objetivo" não está querendo... Oh meu Deus, não me diga que você, ontem à noite... Não me diga que...
– Eu sinto muito, Remo! – desculpou-se ela, voltando a um tom de voz gélido – Mas eu realmente... Faço parte da Ordem da Fênix, agora.
O ar pareceu abandonar os pulmões de Remo. Ele e os outros sabiam, desde muito tempo, que Angely Nelly só havia entrado em Hogwarts para tentar se alistar em uma organização que – poucos sabiam – Dumbledore tinha o propósito de abrir. Mas pensar nisso como hipótese cinco anos atrás era uma coisa, perceber de repente que Angely estava envolvida diretamente com lutas contra Lord Voldemort agora era outra completamente diferente!
– Você compreende? – ela estava sussurrando de novo, e Lupin pôde sentir o coração da elfa bater anormalmente devagar – Eu finalmente vou poder fazer a única coisa que me importava antigamente, lutar contra Voldemort e seus malditos seguidores... Mas, naquela época, eu não tinha ninguém para pensar "e se eu morrer?". É claro que ainda fico feliz de poder estar na Ordem da Fênix, de poder lutar com pessoas que apreciam o meu poder, mas essa felicidade está sendo roubada pelo medo de nunca mais ver vocês todos, do meu lado... E pelo impulso natural que tenho em perder a noção do que está a minha volta quando estou em combate com alguém. O meu instinto assassino, Remo...
– Não fale assim, anjo... Você sabe que tem um poder imenso, nenhum Comensal da Morte vai poder te deter. – ele não tinha tanta certeza disso, mas no momento precisava assimilar as informações que recebera – E não fique dizendo que tem um instinto assassino, é só...
– Um vício doentio por lutas. – o timbre da voz de Angel ficou agudo, e ela respirou fundo como se tentasse conter as lágrimas – Eu me odeio por herdar essa necessidade de usar todo o meu poder mesmo que para coisas pequenas, Remo... Odeio não conseguir me conter e colocar em perigo a vida dos meus companheiros, principalmente os da Ordem.
– Dumbledore sabe como você é, ele não te aceitaria na Ordem da Fênix se não te julgasse completamente capaz de conter-se! – Lupin desfez gentilmente seu abraço com a amiga, ficando agora de pé e em frente a ela – Ontem vocês lutaram, não lutaram? – Angel fez um aceno positivo – O que... O que aconteceu exatamente?
Assim, Remo ouviu com atenção cada palavra que Angel dizia, e a cada fato diante do qual o amigo não se espantava ou se assustava a elfa foi recobrando toda sua confiança, sentindo seu medo dar lugar a uma gélida seriedade. O pavor de perder o controle ou morrer ainda estava ali, Angel sabia. Mas, agora, percebia que nada mudaria se ficasse apenas remoendo suas mágoas – coisa que provavelmente Voldemort adoraria saber que ela estava fazendo – e aceitar seu destino, bem como o de todos os outros, com maturidade e seriedade, mantendo a fé em si e no resto do mundo, poderia sim fazer toda a diferença.
– Não foi algo tão horrível! – concluiu Remo, ao fim da narrativa – Quero dizer, Nott e seus amigos nem ao menos reagiram.
– Sim, – concordou Angel lentamente – embora tenha sido apenas pelo susto.
– É... – Remo desviou seu olhar da amiga para o pergaminho, ainda largado em uma das carteias – E o que há nessa carta, Angel? Você se desesperou bastante por ele, também.
– Bom... – a elfa relutou por um instante, agora que era a forte e destemida garota de sempre. Mesmo constantemente tendo algo em seu coração indo contra contar todas essas coisas para Remo, praticamente sempre os fatos saíam no automático, porque ela sentia uma grande necessidade de ter alguém com quem conversar. Agora, porém, com sua sanidade recuperada, a velha hesitação em envolver alguém que amava em seus problemas retornava – Essa, na verdade, é a resposta de uma carta que mandei de manhã logo depois do café... Logo depois da Evans ter descoberto que sou uma elfa.
Remo sentiu um espanto súbito tomar conta dele novamente. – Como é que é? – exclamou ele, praticamente berrando, ao que Angely fez uma expressão de pavor mandando-o baixar o tom de voz ao mesmo tempo em que apontava uma das mãos para a porta (que soltou um zumbido leve e espalhou um raio azulado pelas paredes antes de voltar ao normal). Percebendo que aquela era um deixa para usar o tom que bem entendesse, Remo explodiu – Angely! Explique-se!
– Calma! Respire fundo antes que eu desembeste a falar, porque o modo como ela descobriu se liga a outro assunto que quero abordar! – Angel levantou-se, cedendo seu lugar para Remo poder se sentar e respirando para depois expirar junto com o amigo, que não pôde deixar de sorrir levemente – Pronto para ouvir?
– Vai lá.
– Ok. A Evans entrou no dormitório feminino de manhã bem quando eu estava apoiada em uma das pedras salientes da parede do lado de fora do castelo, tocando aquela flauta que o Hagrid me deu de aniversá...
– VOCÊ O QUE?
– Estava apoiada em uma das pedras salientes da parede do lado de fora do castelo! – repetiu Angel muito, muito rápido.
– Não posso acreditar! Pensei que você tinha concordado em acabar com essa maldita mania!
– Sim, e Sirius tinha prometido que ia me dar o tempo que eu precisasse para pensar sobre nós antes de me beijar no fim da aula de Feitiços!
– Ele realmente disse isso?
– Bom... – ela fez uma expressão culpada – Mais ou menos...
– Você invadiu a mente de Sirius? – e, num tom mais agudo – Você. Invadiu. A mente. De Sirius??!!
– Vai me deixar contar ou não?
A expressão de reprovação de Remo dizia que não. Mas, diante da perspectiva de ela ainda ter feito algo pior, que comprometesse ainda mais sua estadia em Hogwarts, o maroto se calou.
– Eu percebi de cara que tinha alguém no quarto, mas continuei tocando a flauta para ver se a pessoa pensaria que era um barulho do outro dormitório e iria, assim, embora. Como nada aconteceu durante alguns segundos, tentei sentir a aura de quem quer que fosse e deduzi corretamente que era a Evans.
Remo resmungou alguma coisa incompreensível.
– Veja bem, ela ficou realmente espantada. Acho que não pensou muito que qualquer pessoa comum jamais conseguiria se equilibrar daquele jeito, mas não importa muito... – ela deu de ombros – Começamos a conversar. Contei para ela que é mais fácil tomarmos decisões quando estamos com a sensação de morte iminente, então sentamos na beirada do parapeito da janela e ficamos papeando até uma coruja maluca aparecer e desequilibrar a ruivinha.
Remo levantou a cabeça devagar para encarar a séria Angely. Ele estava lívido, seus olhos demonstrando medo.
– Bom, não posso negar que eu hesitei quando a vi caindo. Quero dizer, ela tinha acabado de dizer que sempre desconfiou que eu fosse uma elfa, e Alicia e Lucy adentraram o quarto bem nessa hora! – ela esperou para ver se Aluado tinha alguma coisa a acrescentar – Mas, de qualquer forma, eu pulei atrás dela. Se não o fizesse Lily, Alicia e Lucy nunca teriam certeza de que eu realmente fosse uma mestiça, mas em compensação teríamos picadinho de Evans pro jantar.
Remo respirou fundo três vezes seguidas, sentindo as batidas de seu coração se normalizarem um pouco e percebendo seus velhos e reprimidos sentimentos aflorarem por alguns segundos. Ele pensou em dizer algo, mas o tom rouco de sua voz o denunciaria... Não precisava de mais uma evidência para a completa certeza de Angel sobre os sentimentos do maroto. Não precisava de ninguém pressionando-o para que fosse sincero, não desejava trazer a tona lembranças que escondia tão bem de si mesmo que, por vezes, as julgava fantasiosas.
– Você ainda não esqueceu a Evans, não é? – sussurrou a elfa com sua voz original, límpida e cheia de magia, fazendo o grande vazio gelado do coração de Remo sumir por alguns instantes – Sabe que nunca não acreditei nessa história de você gostar da Crawford, correto, Aluado? Ela é só a garota mais diferente da Lily que você encontrou.
– Não diga essas coisas pra mim, Angel. Lily ama o James, e James ama a Lily, eu nunca me apaixonaria por ela...
– Não? – Angel interrompeu Lupin, levando sua mão gelada ao rosto do maroto com movimentos graciosos. Ela sorriu de leve, seus olhos sendo tomados por uma quase imperceptível sombra, e fez com que seu amigo encarasse-a. Com místicos e hipnóticos sussurros, ela foi aproximando-se devagar de Aluado – Não minta para mim, Lupin. Seu coração é cheio de sombras e sua mente por vezes é tomada por pensamentos cruéis, seu amor... – ela sublinhou aquela palavra de um modo que Remo caiu num profundo devaneio guiado pela voz da amiga – Seu amor, Lupin, seu amor por Lily Evans já vem de antes do amor de James... É injusto, não é? Ela parece gostar mais de você do que dele, não é? – completamente fora de si, Angel envolvia seu amigo numa magia irremediável de puro ódio aos poucos – Ele se diz seu amigo, mas não se importa com o que você sente por Evans... E se ele não estivesse mais em seu caminho, hein, Lupin...? Você não se sente tentado a destruí-lo, não se sente atraído pela perspectiva de acabar com a reputação do Potter diante da moça que deve ser sua, Remo Lupin...? Acabe com ele, você pode fazer parecer um acidente... Morda-o, estraçalhe o maldito que retalhou sua alma cruelmente, mate-o, mate-o, MATE JAMES POTTER PARA MIM!
Angely ofegou. Deu alguns passos para trás, respirando entre arquejos assustadores, caiu de joelhos no chão e pressionou com as duas mãos sua cabeça incapaz de tomar o controle de volta. Raios azuis, alaranjados, verdes, brancos e vermelhos saíam de seu corpo, um de cada vez, como se ela estivesse levando choques constantes. Sua voz oscilava entre gritos e sussurros.
– Mate James Potter, mate Lily Evans... MATE-OS, MATE OS DOIS, TRAGA-OS PARA MIM… Não, não, não mate ninguém, ninguém deve morrer… MATE JAMES POTTER! ACABE COM ELE! – suas palavras eram berradas a plenos pulmões ou sussurradas entre soluços desesperados – MATE JAMES POTTER, NÃO O DEIXE LIVRE PARA FICAR COM LILY EVANS, NÃO DEIXE, NÃO DEIXE, NÃO DEIXE, NÃO DEIXE, NÃO DEIXE, NÃO DEIXE... – Angel tremia agora. Seus olhos, o esquerdo claríssimo e o direito negro como a noite, estavam arregalados e encaravam o chão que por vezes estava embaçado, por vezes nítido. Seus ouvidos estavam invadidos por zumbidos desesperadores, pessoas gritavam em sua mente... Uma explosão exclusiva de seus sentidos perturbados a fez gritar, com medo, e a última coisa que viu antes de finalmente desmaiar foi o rosto assustado de um bebê de olhos acinzentados ter suas faces cobertas por uma fortíssima luz verde que deformou sua testa dando a ela um grande corte. Aos poucos, a forma de uma profunda cicatriz em forma de raio modelou-se na testa da criança ao mesmo tempo em que toda a luz verde se detinha em seus olhos, transformando a cor deles em um límpido verde esmeralda. Angel ouviu alguém berrar o nome que seguramente era o do bebê, e mesmo sem entender qual era de repente percebeu que o gritava em sintonia com quem quer que fosse. Sentindo seu rosto úmido pelas lágrimas, em seu último suspiro um sussurro consciente fez-se ouvir: – James...
E, com uma réstia de alívio, ela não viu, ouviu ou falou mais nada.
o/\o
Quando Remo voltou à consciência, viu-se deitado na ala hospitalar.
– Mas o que diabos...?
– Vejo que já acordou, Remo.
Angely estava sentada na beirada da cama em que Lupin estava acomodado, a postura da elfa desconfortavelmente reta. Só sua delicada silhueta em meio à escuridão em que se encontravam podia ser vista, e – aproximando sua mão direita de seu amigo, deixando-a com a palma virada para cima exatamente entre os dois – um feixe de luz flutuou até o teto e permaneceu lá, iluminando sinistramente a face cansada de Angel.
– Por Merlin, o que está fazendo?! – Remo sentou-se de súbito, tentando encontrar sua varinha em cima do criado-mudo ao seu lado – Alguém pode ver!
– Já passa da meia noite, ninguém mais vai vir até aqui. Sirius foi para a nossa detenção enquanto o professor Dumbledore concordou em adiar a minha, James e a Evans estão participando das loucuras do Squalor, convenci Peter à ir dormir fazem mais ou menos duas horas e a Madame Pomfrey concordou em me deixar sozinha com você.
– Mas... Como eu vim parar aqui?
Angel baixou os olhos. Remo viu que eles estavam levemente mais inexpressivos do que de costume.
– Qual é a última coisa da qual se lembra?
– Estávamos numa sala do sexto andar, você estava me falando de suas desconfianças sobre... Bem, sobre meus supostos sentimentos sobre a Lily. – e, percebendo que sua amiga parecia satisfeita – O que aconteceu, Angel?! Eu não consigo me lembrar de nada que não seja escuridão depois de estarmos juntos naquela sala, de tarde! Como, de repente, pode estar tão escuro e...
– Você desmaiou. Eu te trouxe para cá, fiquei do seu lado esperando que acordasse, mas Madame Pomfrey não soube explicar porque você estava desse jeito, então não pôde aplicar-lhe nenhuma magia para não corremos o risco de você ficar pior.
– Aposto que você pulou alguma coisa. Eu não desmaiaria do nada, não é?!
– Acho que não.
– Então, porque desmaiei?! Porque fiquei desacordado por tanto tempo, Nelly?
Angel não disse nada. Encarou o amigo por alguns instantes, como se avaliasse sua capacidade de entender o que realmente acontecera naquela tarde, e lentamente tirou do bolso de sua capa um pergaminho pequeno, amassado e um pouco chamuscado. – Leia isso. – pediu ela.
Remo franziu a testa, segurando o pergaminho contra a luz.
Nelly,
Nott e os outros fugiram. Venha para a sede o mais rápido que puder, porque – acima de todos nós – você vai ficar em uma péssima situação se eles contarem alguma coisa sobre suas habilidades. Precisamos entender como eles se livraram de seu feitiço, Moody explicou tudo para Dumbledore e você vai usar Pó de Flu para chegar até nós, da lareira do seu diretor. Não demore a chegar se quiser continuar viva! Boa sorte,
Zoe Brown.
Ao perceber que Remo acabara de ler, Angel tomou seu pergaminho de volta e entregou-lhe outro fazendo sinal para que esperasse antes de ler.
– Essa foi a carta que a coruja maluca, aquela que derrubou a Evans, trouxe. É da Zoe, e eu a respondi mais ou menos com um "não posso sair da escola antes das três da manhã, alguém pode desconfiar se não me ver no dormitório".
– E essa carta que estou segurando seria...?
Ela deu de ombros. – Coisa do Moody. Leia e vai entender.
– Moody? Mas aquela garota, Spinnet, não havia dito que era de Dumbledore?
– É que essa carta não foi mandada por correio normal, o remetente entregou-a nas mãos do Diretor, que por sua vez mandou que entregassem a mim. – e, impaciente – Leia de uma vez!
Remo deu de ombros e obedeceu.
Angely Nelly,
Você nos ajudou e salvou a vida de metade da Ordem da Fênix ontem à noite, e assim como foi útil também nos causou grandes problemas. Você tem habilidades élficas – obviamente porque é uma elfa – e, quando Nott narrar com aquela voz nojenta para o Lord dele o modo com que todos, sem exceção, acabaram derrotados por você, não vai haver poder mágico que te salve das garras do lado do mal. Maldita exibicionista, se não se esconder direito juro que arranco seu coração com minhas próprias mãos, isso se Voldemort não o fizer primeiro! Não se atreva a sair de Hogwarts, não dê as caras em Hogsmeade, obedeça minhas ordens e não chame mais atenção alguma para si nas missões da Ordem!
Cuide-se se não quiser ser arrastada para os domínios do Mal, porque se isso acontecer você será obrigada a ajudar Voldemort, criança. E, qualquer coisa, grite meu nome: Alastor Olho-tonto Moody.
– Você lutou ao lado de Alastor Olho-tonto Moody? – indagou Remo, surpreso, soltando um baixo assovio diante do aceno positivo de Angel – Ele é um auror e tanto. Dumbledore mal fez você entrar no Nôitibus e já te pôs na janela, não é mesmo?
– É o que parece.
– E porque mais cedo você estava tão preocupada com essa carta?
– Oh, não sei! – Angel sorriu sarcasticamente – Vai ver é porque aparentemente Comensais da Morte estão me caçando.
Lupin franziu a testa de leve, devolvendo a carta da amiga para ela (que imediatamente guardou-a junto ao outro bilhete). – Você já venceu todos eles uma vez, certo?
– Eu contei com o elemento surpresa, as coisas serão diferentes se nos encontrarmos novamente. – ela suspirou – Não estou mais preocupada com eles, Remo. Você é minha prioridade agora.
– Eu?! – Remo riu – Acho que já estou desconfortável o bastante só de imaginar que você ficou sentada aí olhando para mim a tarde inteira.
Angel sorriu de leve. Tinha tanta coisa a falar para Lupin agora que percebera a extensão de sua dor, queria tanto poder livrá-lo da tortura que era ser acometido por pensamentos malignos com relação a James, um de seus melhores amigos, pelo amor que nutria em silêncio por Evans e que tentava desesperadamente suprimir. Mas não podia contar para ele, não hoje, não agora, que a mente afiada de Angel tinha chego profundamente à parte mais sombria de Lupin, que talvez nem ele soubesse que existia tão acentuada a ponto de provocar horríveis reações na elfa. Ele não podia saber, não podia ver o lado escuro de Angely vindo à tona apenas de ficar em contato direto com os sentimentos dele. Seria doloroso demais.
– Está preocupada comigo, não está? – Lupin suspirou, afundando em seus fofos travesseiros – Quero dizer, comigo desmaiando por aí como um fracote. A lua cheia está próxima, imagino que seja algo relacionado a isso, então não é motivo para alarmes...
A real causa do seu desmaio também não é motivo para alarmes uma vez que sua memória está parcialmente apagada, Remo. – pensou Angel, observando tristemente o amigo e relembrando a estranha visão de um bebê que tivera, e a dor que ela tinha sentido ao tentar suprimir uma maldade estimulada por um lado parcialmente obscuro de seu amigo – O que me preocupa é por quanto tempo você vai agüentar.
– Espere, me lembrei de algo! – exclamou Aluado de repente, deixando Nelly em alerta – Você disse que havia algo importante que se ligava com o fato da Lily saber que você era uma elfa, não é?!
Angel suspirou, aliviada mesmo que Remo tivesse trazido à lembrança dela mais uma preocupação. – Sim, e obrigada por me lembrar disso! – ela fechou os olhos por alguns segundos antes de prosseguir, verificando se ninguém os estava observando ou ouvindo – Eu falei para ela dos meus pais, Aluado. Li a aura de Evans apenas para responder com sinceridade uma das perguntas que ela me fez, algo sobre eu poder saber o que ela estava pensando. Refreei-me com dificuldade para não contar como conseguia saber o que ela estava pensando, e só consegui fazer isso porque desviei bruscamente de assunto. – e, como se tudo aquilo não estivesse produzindo o efeito esperado em Remo, ela bufou e revirou os olhos – Não consigo mentir para Lily, Aluado. Venho percebido isso nos últimos tempos, sou completamente incapaz de usar minha habilidade élfica para enganá-la.
Remo apenas expressou uma leve curiosidade. – E isso significaria...?
– Você não se lembra das coisas que sempre contei para vocês sobre os elfos?!
– Bom... – ele fez uma cara pensativa, franzindo a testa – A maior parte das minhas lembranças inclui o Sirius fingindo que estava prestando atenção enquanto jogava xadrez com o Pontas, e eu ouvindo apenas fragmentos do que você dizia porque estava lendo alguma coisa ou fazendo as tarefas de vocês. – ele franziu ainda mais sua testa, como se estivesse tentando lembrar de um desses fragmentos – Por exemplo, me lembro do dia (o único onde todos nós te escutamos) que você contou sobre o ano que passou na Cidade Branca com seu avô por parte de mãe, o elfo que no fim de sua estadia esqueceu que era seu parente. – Remo riu baixinho – Acho que tinha algo a ver com uma briga feia que você arranjou com alguém, e a partir daí todos os seus conterrâneos passaram a te chamar de Dark Angel.
– Se você tivesse prestado atenção provavelmente entenderia que aquela foi a primeira vez em que meu lado escuro se manifestou, quando fui chamada para uma luta de brincadeira pela pessoa mais próxima a um amigo que eu tinha arranjado naquele lugar infernal e que ainda assim quase matei, levando metade da floresta comigo só porque eu não conseguia tirar da cabeça a sede de vencer. – ela riu, parecendo se divertir de um modo melancólico com suas antigas lembranças – Meu avô ficou furioso, mandou meu pai ir me buscar no mesmo instante em que parou a briga quase tarde demais. Ficou repetindo que eu era um perigo, que deveria viver isolada, e meu pai ficou tão preocupado com o que eu tinha feito que pediu ajuda urgente à Dumbledore.
Remo corou fortemente. – Sinto muito.
– Não vamos nos desviar do principal, Remo. – ela suspirou novamente, por duas vezes – Só existe um tipo de pessoa para a qual eu não posso mentir.
– Uma morta? – sugeriu Aluado, ao que os dois começaram a rir.
– Ok, existem dois tipos de pessoas para as quais eu não posso mentir. – ela revirou os olhos, mesmo que sorrisse – Uma que esteja morta e a outra que tenha um nível de poder superior ao meu.
Remo fez um aceno negativo com a cabeça, sorrindo descrente. – Está sugerindo que Lily...?
– Tem um poder oculto enorme. – completou ela, concordando – Sim.
– Impossível.
– Ah, é? – Angel fez uma expressão desafiadora – E por quê?
– Bem... – Remo apontou para a luz acima da cabeça dos dois – Veja tudo o que você é capaz de fazer apenas com o pensamento certo, Angely. Lily tem um potencial enorme e tal, mas fazer magia consciente sem uma varinha ou lutar com alguém usando os Quatro Elementos combinados com a Energia Universal? – ele fez acenos displicentemente negativos, descartando a suposição – Nunca.
– Ouça-me com atenção, Aluado. – ela manteve seus olhos nos olhos de Remo, falando devagar – O poder de alguém não é medido apenas pelas coisas que ela é capaz de fazer com magia, Remo. Podemos comparar um bruxo excepcionalmente talentoso, mas cheio de sentimentos ruins, com um particularmente fraco, mas de coração nobre e sentimentos sinceros, e o mais poderoso ainda será o mais fraco porque, quando para proteger alguém ou alguma coisa que ama, tal pessoa não medirá esforços e superará qualquer Avada Kedavra, meu caro amigo. – ela levantou-se pela primeira vez em mais oito horas seguidas, sem dor alguma nas pernas ou nas costas sempre retas, puxando uma cadeira para postar-se bem ao lado do rosto de Remo. Ajudou o rapaz a se deitar, e ficou encarando seus olhos complexamente confusos.
– Algumas vezes você fala de coisas que não entendo Angely, sobre um aparente futuro que agora não faz parte das minhas preocupações. E mesmo devendo a você metade do que sou hoje, mesmo sendo seu amigo há muito tempo... – ele finalmente acomodou-se, retribuindo o sério olhar da única garota entre os marotos – Tenho a sensação de você estar longe demais de todos nós para que possamos alcançá-la.
Angel apenas sorriu. Pousou a mão direita gentilmente sobre os olhos de Remo, estalando os dedos com a esquerda e assim apagando a luz que tinha produzido para os dois.
– Você é um dos escolhidos para fazer parte de uma história lamentável, mas necessária, Lupin. – sussurrou ela, embora soubesse que seu amigo não estava mais escutando – Por agora, porém, simplesmente durma. Durma e vague com tranqüilidade pelas inexploradas Terras de seu inconsciente conturbado, o mais longe que vai conseguir estar de uma sucessão de acontecimentos que começarão a partir de... – ela olhou no relógio da parede, que marcava alguns segundos para duas horas da manhã, sem realmente compreender por completo o que dizia – Agora.
o/\o
– O que estou tentando dizer é... – Lily mordeu os lábios, nervosa, e respirou fundo ao mesmo tempo em que sussurrava nervosamente, prendendo a respiração assim que tinha acabado de falar (produzindo desse modo um efeito que era não exatamente muito legal) – Euaceitoirahogsmeadecomvocê!
– Ah... – James desviou o olhar das costas de Squalor, franzindo a testa para Lily sem entender pela quinta vez consecutiva o que ela tanto queria lhe dizer – Como é? Não estou conseguindo entender o que você diz, Lily!
Evans choramingou baixinho. Por Merlin, qual era a grande dificuldade em comunicar a James que, indo contra a tudo o que ela já tinha dito a ele por sete anos, ela aceitava – finalmente – sair com ele? Qual era a dificuldade em voltar atrás de uma decisão já tomada, de deixar de se sentir um símbolo de "Resistência ao Potter"? Qual, afinal, era o problema em ter completa certeza de que ficaria ouvindo comentários desagradáveis sobre si por mais de uma semana depois que a vissem engolindo o orgulho e passeando alegremente com James Potter por Hogsmeade?
Lily preferiu não ser sincera consigo mesma. Por outro lado, tinha prometido aquilo a Black, não tinha? Estava, inacreditavelmente, com medo de – daqui a um mês ou dois – ver James dando uma chance à outra garota de fazê-lo esquecê-la, não estava?
Era agora ou nunca, sem dúvidas. Squalor, porém, escolheu aquele momento para virar-se para os dois com um sorriso maligno.
– Conseguiram resolver esse teste de lógica, queridos?
James olhou do professor para o papel à sua frente, completamente rabiscado – hora por sua letra, hora pela letra de Lily – e daí para sua mão envolvida magicamente por um laço à varinha de Squalor, exatamente como acontecia com a de Lily. Ele olhou de soslaio para sua própria varinha, colocada de qualquer jeito sobre a mesa do professor, e daí seu pensamento voltou-se para a ruiva e seu plano para conquistá-la. Colocou numa balança, livrar-se daquele castigo ridículo por uma magia que Squalor nem veria ou manter a impressão de bom-moço que estava se esforçando para passar a Lily?
Bom, Lily venceu de longe.
– Não, senhor. – respondeu ele educadamente – Mas estamos trabalhando nisso. Dê-nos só mais alguns instantes, e então ele estará resolvido.
Squalor virou uma ampulheta em cima da sua mesa antes de voltar a ficar de costas para seus alunos, arrumando uma pilha de trabalhos escolares. – Mais uma hora se não quiserem ganhar uma detenção extra comigo, e não se discute mais isso.
Lily avaliou as possibilidades do prof. Squalor continuar dando detenções ridículas e prejudiciais aos alunos se Dumbledore soubesse de alguma coisa, principalmente com relação àquela sessão em especial. Porque, por Merlin, desde quando dizer à dois alunos "resolvam esse enigma que está na mesa dos fundos em no mínimo seis horas, sendo que se ultrapassarem esse tempo ganharão detenções extras" era algo digno de um professor com o mínimo senso de tato?!
Pensando por outro lado, porém, ela seria perseguida pelo resto do ano se denunciasse os atos do mestre de DCAT.
– Hey, Lily! – James chamou sua atenção entre novos sussurros – Por favor, o que está tentando me dizer?
A moça segurou firmemente a pena que tinha em sua mão direita, inclinando-se para um pequeno pergaminho – usado para rascunho – e decidindo-se por comunicar sua decisão ao rapaz por meio de escrita. Podia ser um tanto vergonhoso, mas – como ela pôde perceber ao passar o bilhete para James e esconder rosto vermelho concentrando-se no enigma - era bem menos constrangedor do que tentar explicar em voz alta.
Decidi aceitar ir a Hogsmeade com você, leu James com uma felicidade que nunca sentira antes e que, por outro lado, não podia demonstrar, e espero que volte ao normal com isso.
Estou no meu normal, escreveu o maroto em resposta, mostrando o bilhete para Lily (que sorriu e fez acenos de divertida discordância).
Já posso dizer a Squalor a solução desse enigma ridículo?, indagou Lily, ainda por meio do bilhete.
James pareceu se espantar, considerando que não tinha se dedicado verdadeiramente ao conjunto de pistas nem por um segundo sequer. Você sabe a solução?
Ah, se sei! Posso dizer, para que nos livremos dele?
O rapaz nem precisou escrever. Sorriu para a ruiva, sentindo seu coração bater forte e em ritmo de festa, virando-se para Squalor com um tom de voz arrastado e amável.
– Acho que resolvemos seu enigma, senho-o-o-r! – exclamou ele, e riu.
Talvez não estivesse longe o dia em que não precisasse fingir ser o que não era em frente à Lily, e que ela mesmo assim o amaria como ele a amava, afinal!
N/A.: Me superei de novo! Mas dessa vez foi em termos de rapidez, não é?!
Uau, falando sério, 19 páginas em dois dias! Levei completamente a sério minha dívida com vocês, viram? E, conforme meus planos, o 8 não tardará a chegar!
Mas, bem... Quanto mais eu desenvolvo "No Negrume de Um Céu Estrelado" mais eu me espanto com as contradições psicológicas que criei para a Angely, mesmo isso ficando super legal nela. É claro que ela não chega a extremos ridículos, mas realmente estou gostando de ter parado e dito "está faltando um pouco de sombra por aqui". Afinal, é em volta disso que a história gira – mesmo não parecendo no começo, hauahauaha – e é em volta disso que prefiro permanecer.
Espero que vocês também prefiram o.o" Porque, de qualquer modo, já é tarde demais, a partir desse cap as lutas vão começar a aparecerem com mais freqüência (pra quem não sabe, minha intenção sempre foi retratar as 3 vezes em que James, Lily, Alice e Frank enfrentaram Voldemort). Portanto, desejo sinceramente que curtam a leitura de cada cap da minha fic! xD Um grande, enorme beijo,
.Lore.Rozen.Maiden.
