Capítulo 6
Boas Lembranças (Parte II)
Never thought that I could love ( Nunca pensei que eu poderia amar)
Living in shadows, faded existence (Vivendo em trevas, existência morinbunda)
It was never good enough (Isso nunca foi bom o bastante)
Within the darkness, you were the light that shines away (Dentro da escuridão você é a luz que ilumina o caminho)
You're trapped in violence, I can be the man (Mas você é apriosinada na violência, eu posso ser o homem)
Who saves the day (Que salva o dia)
I'm there for you no matter what ( Eu estou aqui por você não importa o quê)
I'm there for you never giving up (Eu estou aqui por você, nunca desistindo)
I'm there for you for you (Eu estou aqui por você)
For You- The Calling
Estava
chuvendo quando eles deceram do táxi, próximos ao
hotel, coisa raríssima de acontecer no verão italiano.
Eles se abrigaram embaixo da lona de uma loja de roupas femininas,
esperando a chuva passar. Ainda tinham esperanças de fazer
algo mais naquela tarde, e por isso não queriam ir para o
hotel.
-Droga de chuva!- ela deixou escapar, e olhou para ele, rindo.- Você parece um pintinho muito molhado.
-E você parece a tentativa frustrada de apagar um incêndio.
-Engraçadinho. Para onde vamos agora?
Ele apenas deu de ombros, e ela suspirou. Também não sabia onde poderiam ir.
-Fale a verdade.Você quase desistiu de me procurar lá no Fórum Romano, não foi?- ela provocou sorrindo, mas ele ficou sério.- Que foi?
-Você desistiria de mim, Gina?- ele perguntou de repente.
-O quê? Lá no Fórum? Talvez, se eu ficasse com muita dor na perna.- ela brincou, mas ele continuou sério.
-Não, de verdade. Você desistiria de mim? Por eu não poder mais mudar?
-Você desistiria de mim, Draco?- ela perguntou igualmente séria.
-Não, mas o que isso tem a ver?
-Então, por que eu desistiria de você?
-Por causa disso.- ele respondeu, erguendo a manga do braço esquerdo.- Está ficando mais forte. Já é tarde demais.
Gina estremeceu ao ver a Marca Negra no braço dele, a olhando ameaçadora, culpada por toda a tragédia que acontecia. Ela então desviou os olhos da tatuagem, a cobrindo com a mão, e olhou fundo nos olhos de Draco.
-Não para mim. Isso é só uma marca, que pode virar a lembrança de algo ruim, não é o fim.
E ele a beijou, um beijo sofrido, por saber que eles não tinham esperanças de continuar juntos, mesmo sem desistir um do outro.
-Scusare.
Eles se afastaram, e se viraram para a voz, que surgira do nada. Havia um italiano baixinho e moreno, estendendo um panfleto para eles. Draco pegou o papel a contra gosto, parecia aborrecido por ter sido interrompido.
-Spettacolo questo notturno. Negli teatro. Sette lezione. Apparire.- o italiano continuou, apontando o outro lado da rua, e foi embora sorridente, distribuindo mais panfletos.
-Grazie.- Gina murmurou.- Pelo menos aprendi isso com você. Mas, não entendi nada do que ele disse.
-Um espetáculo hoje à noite, às sete horas. Ali, - apontou o outro lado da rua.- naquele teatro precário.
-Vamos? Não tinhamos muito o que fazer mesmo.
-Eu estava com esperança que terminássemos o que começamos hoje, no Fórum.-ele sorriu.
-Podemos fazer depois. O teatro começa às sete, e deve acabar rápido.-ela insistiu.
-E qual o nome dessa coisa?- Draco grunhiu, examinando o papel. Ele soltou um muxoxo.- E nem é em italiano. É uma peça escrita na época do latim, e traduzida para o alemão. Eu nem sei falar alemã direito! Imagine entender com um monte de italianos caipiras pronunciando.
-Carmina Burana.- ela puxou o papel.- Já ouvi falar. É uma ópera.
-Você quer mesmo assistir?
-A gente tenta. O ingreço é barato, se for muito ruim, vamos embora fazer outra coisa.
-Tá certo. -ele olhou o relógio.- Dá tempo de comer alguma coisa antes, vem. Estou faminto.
-Quando é que você não está?-ela revirou os olhos.
Entraram na primeira cafeteria que encontraram, comeram tortas e biscoitos com chá, conversando sobre Roma, e do quanto gostavam dali. E com isso, queriam dizer o quanto estavam felizes por estarem juntos. Depois andaram calmamente para o teatro, havia parado de chover havia muito tempo. Parecia que a chuva só havia começado para pararem e receberem o panfleto. Draco pagou as entradas e eles entraram na porta apertada, cheia de gente.
Gina abriu a boca ao entrar, assim como Draco. Era o teatro mais diferente que já haviam visto. Da porta já se entrava nele e era enorme, não de largura, mas de altura.! Um teto de abóbada que chegava até o quinto andar de um prédio, com balcões todo entalhados e decorados, assim como o teto e as paredes. O chão tinha tapetes de veludo vermelho e um gigantesco lustre dourado, de ferro retorcido, iluminava o lugar com velas. Por isso, o ambiente era escuro e abafado, dava a estranha ensação que estavam em um lugar secreto, esquecido pelo tempo.
-Ele dá mais do que oferece.- Draco assobiou. Então foi empurrado, e percebeu que estavam no meio do caminho.-Vem, o nosso lugar é lá em cima, segundo andar no balcão à direita.
Ele segurou a mão dela, para não se perderam, e juntos subiram as escadas, encontrando seus lugares com algum esforço. Se sentaram quietos, observando tudo. Haviam pessoas de todos os tipos ali, mas a maioria parecia familiarizada com o local. Poucos eram os que apontavam tudo, impressionados, e o número de turistas parecia menor ainda.
-Muito bonito aqui.- Gina comentou.
-Esquisito, isso sim.- Draco murmurou, olhando em volta desconfiado.
-Relaxa.- ela sussurou, deitando no ombro dele, e enrolando o dedo indicador no cabelo dele. Aquilo deu uma certa sensação de segurança a Draco, que relaxou na cadeira, e parou de reclamar.
A peça começou, cinco minutos depois da hora marcada. O teatro caiu em um silêncio absoluto, e quando as cortinas abriram, Draco e Gina perceberam que o lustre iluminava diretamente o palco, mas não o público. O homenzinho que lhes entregara o panfleto apareceu, e com pose de profissional, sob o aplauso do público, começou a falar:
-Signoras e signores...
-O que ele está falando?- sussurrou Gina.
-O de sempre "senhoras e senhores...", agradecendo a presença de todos.- ele se calou para escutar mais um pouco, e voltou a traduzir para Gina.- Parece que era uma peça escrita por monges e eruditos em latim, na época medieval. É uma parábola da vida humana, exposta a constantes mudanças.
-Parece perfeita para nós.- ela suspirou.
-A obra tem três partes. O encontro do homem com a natureza, com os dons da natureza e com o Amor.
-É mesmo uma ópera?
-É. Pena, não gosto muito de óperas, são maçantes.
-Você deve estar exagerando! Nunca assisti uma.
-Vamos descobrir se você gosta. Já vai começar.
E mal ele falou isso, houve um barulho forte, e uma música alta e ritmada, que parecia bater junto com seu coração. Gina se viu segurando com força o braço de Draco. Haviam vozes, e parecia que o chão do palco se movia, como água. Foi quando percebeu que eram pessoas, todas deitadas no chão, juntas, fundidas em uma, mexendo apenas seus braços e pernas, se levantando lentamente. Todas vestidas iguais, com panos rasgados amarrados no corpo e maquiagem forte e verde, todas tão parecidas, que não dava para saber quem era homem ou mulher. A música ficou mais devagar, como um se sussurrassem em segredo. Draco se mexeu ao seu lado, então se aproximou:
-Eles estão cantando "Ó Fortuna variável como a lua, como podes, de forma tão implacável destruir minhas virtudes e fazer a todos chorar? Choro as feridas causadas pela fortuna Porque ontem no topo da roda estava. E hoje, caído do cume vejo outro em meu lugar." Isso te lembra alguma coisa?
Gina sorriu, voltando a atenção para o palco. Sim, aquilo a lembrava muito de sua vida com Draco, cheia de subidas e descidas. Suspirou, temia mais que tudo a caída de volta a realidade.
De repente, todos no palco se abaixaram, e um monstro pareceu rugindo. Era feito do mesmo material das roupas, e era duas vezes o tamanho de uma pessoa, seu efeito era mesmo assustador. Havia então, uma acrobata no teto, descendo pelo véu, se torcendo e virando de ponta cabeça, e por fim, montando no monstro. Mesmo que mais tarde quisesse se lembrar de tudo o que vira, Gina não conseguiria. A peça era cheia de detalhes, mas ela lembrava-se bem dos bailarinos. Uma mulher e um homem, que se amavam, no meio daquela loucura, assim como ela e Draco.
-A letra da música é bem interessante.- ele sorriu.
-Achei que você não entenderia alemão, especialmente vindo de um bando de caipiras italianos. -Gina provocou.
-Meu alemão é melhor do que eu esperava.- ele respondeu.- A letra diz "Mercador, dá-me o rouge para colorir minhas faces e conquistar meu amado, fazei amor, moços e moças. Olhai-me, jovem companheiro e deixa-me amar-te." Para um monte de monges eruditos, eles tinham bastante experiência.
-Então, você está gostando da peça?
-Algumas partes.
As danças e a música continuaram, sempre dando novas sensações a Gina. Ela nada entendia do que falavam, mas mesmo assim gostava. Era um espetáculo maravilhoso, que ela estava muito feliz de ter a oportunidade de assitir, especialmente ao lado de Draco. Olhou-o sorridente, ele estava prestando bastante atenção, o que significava que ele estava gostando. Ela tivera medo que ele ficasse entediado. Quando voltou os olhos ao palco, quase soltou um grito. O monstro atacava a bailarina, que delicada, tentava escapar apavorada. Ela não podia morrer! Com uma patada, o monstro a derrubou no chão, foi quando seu amado apareceu, lutando bravamente contra o monstro, derrotando-o. O bailarino agaixou-se então, pegando a bailarina no colo, caída delicada e mole em seus braços.
-O que eles estão dizendo, Draco?- ela perguntou desesperada.
-Hã? - ele pareceu despertar- Ah! " Grande é a minha dor."... "Consolem-me amigos, tua amorosa face me leva ao pranto"... e... "Morro por dentro mas revivo com um beijo teu." É isso.
-Ele a protege, assim como você me protege.- Gina deixou escapar.
-O quê?
-Você também, sempre me protegeu. Não lembra-se?
Março
de 1995, Castelo de Hogwarts
-Weasley! Cuidado!
Gina ouviu alguém gritar, em um corredor vazio, e a próxima coisa que viu foi que estava no chão, Malfoy ao seu lado.
-O que pensa que está fazendo?- ela perguntou confusa, se levantando.
-O busto feio do Eurico, o esquisitão, ia cair na sua cabeça, se você não percebeu!- ele respondeu, parecendo furioso.- Alguns alunos da Sonserina o encantaram para cair, na primeira pessoa que passasse. Será que não ouviu? O boato está por toda a escola!
-Você me salvou, Malfoy!- ela exclamou, parecendo finalmente entender.- Obrigada!
E com isso, de repente, o abraçou.
-Ei, não precisa me matar sem ar.- ele reclamou, assombrado e sem saber o que fazer.
-Muito obrigada mesmo!- ela murmurou. Então, de repente o soltou corada, recolhendo os livros do chão.- Sabe, você é bem mais que tolerável, Malfoy.
-Foi só um impulso!- ele tentou justificar.
-Mesmo assim. Eu tenho que ir, estou muito atrasada para encontrar o Miguel. Obrigada mesmo, por salvar minha vida.
Roma,
atualemente
-Não lembrava disso.- ele confessou.- Foi
muito no impulso, não reparei o que estava fazendo.
-Vou continuar ignorando esse fato.- ela sussurrou.- Talvez inconscientemente você quissesse salvar minha vida.
-Talvez.- ele respondeu, beijando-a na testa. Suspirou, sorte sua tê-la salvo naquele dia, e ajudado em outros.
Os bailarinos estavam novamente em cena, mulheres e garotas suspiravam a toda volta. Draco teve que conter um sorriso, se elas não entendiam a letra "Em dúvida estou entre duas forças entre o amor e o pudor", elas ao menos deviam perceber que os dois estavam se esfregando no palco. Mesmo assim a cena não deixava de ser bonita. "Docemente a ti me entrego", a música falou, e ele entendeu. Ele havia se entregado a Gina, porque abrira mão de tudo o que acreditara a vida toda, por ela. O espetáculo então terminou com a música de início, as pessoas novamente formando um mar de braços e pernas no chão.
O teatro explodiu em aplausos, as cortinas mal haviam se movido. Draco se viu de pé com Gina, aplaudindo e assobiando, flores eram jogadas no placo, enquanto os atores se curvavam e agradeciam. A felicidade era geral, todos haviam apreciado enormemente o espetáculo.
-Eu nunca consegui fazer isso!- ela riu, gritando para poder ser ouvida por cima dos aplausos.
-Isso o quê?- ele gritou de volta, suas mãos doendo de tanto aplaudir.
-Assobiar, com os dois dedos na boca. - ela fez um tentativa frustada.-Desculpe, acho que eu babei em você.- ela riu, tentando seca-lo.
-Você precisa que eu te ensine tudo, Weasley?- ele riu, lembrando-se de algo que acontecera a muito tempo.
Maio de 1995,
Biblioteca de Hogwarts
-Olá, Weasley.- Draco
cumprimentou, aproximando-se de Gina. Ela estava sentada no fundo da
Biblioteca vazia e escura, estudando pelo que parecia horas.
-Oi, Malfoy.- ela repondeu distraída, continuando a leitura, parecia até já ter se acostumado com a presença dele.
-Fazendo o que? Estudando? Como se isso fosse mudar sua vidinha medíocre.
-A gente faz o possível, não é?- ela respondeu sem parecer se importar com o que ele dissera.- Além do mais, a única coisa que quero mudar é minha nota de Feitiços.
-É mesmo?- Draco olhou em volta, para se certificar que estavam realmente sozinhos, e que ninguém poderia ouvi-los.- O que você não entendeu?
-Como eu faço feitiços de troca?- ela desviou o olhar do livro pela primeira vez, e olhou Draco.
-Weasley, como você chegou ao terceiro ano? Nem isso você sabe! Vem aqui, eu te explico.
Gina se aproximou mais, e ele começou a explicar usando sua própria varinha. E para quem os olhasse de longe, nunca adivinharia que, apenas à algum meses atrás, um não conseguia aturar o outro.
Roma,
atualmente
Eles saíram do teatro, de braços
dados e sorrindo. Havia sido uma boa peça, mesmo na opinião
de Draco. Como não tinham para onde ir, saíram
caminhando pela cidade, vendo as lojas iluminadas, observando as
pessoas que passavam em volta.
-Eu adoro o teatro.- Gina falou de repente.- Pena que não tive muitas oportunidades para ir a um. - acrescentou corando levemente. Draco ignorou o fato que ela não tinha dinheiro, aquilo não importava mais.
-Não perdeu muita coisa.- ele respondeu para alegra-la, sem faltar muito com a verdade- Esse é um dos poucos espetáculos que eu já assisti que valeram à pena. Gosto muito mais de partidas de Quadribol.
-Estavamos lá, na Copa Mundial de Quadribol, anos atrás. Lembra-se?
-Como poderia me esquecer? - "Você estava lá.", pensou mas não falou nada.- Foi um bom jogo.
-O melhor que já assisti.- ela concordou.- Incluindo o das Harpias de Holyhead, contra os Tornados.
-Você gosta das Harpias?
-É um time bem feminino. - ela sorriu, e estava sendo modesta. O time, desde sua fundação, era formado apenas por mulheres, daí sua popularidade por entre grupos bruxos masculinos também.- E você, torce para quem?
-A União de Puddlemere. Definitivamente.
-Já sei o que te dar de aniversário então.
-Uma camiseta do time?
-Não, lenços de papel, para quando você chorar. Eles não ganham a liga à quase dez anos.
-Muito engraçado, só porque o seu time ganhou a Liga ano retrazado.
Mas, ela mal
ouviu. Uma lembrança muito forte viera a sua cabeça, e
ela sorriu. Aniversário...
Junho de
1995, Castelo de Hogwarts
Gina andava por uma ensolarada
Hogwarts, infelizmente a caminho da Biblioteca. As provas não
a deixavam em paz, e era realmente uma sorte Malfoy tê-la
ajudado aquelas vezes. Sem ele, talvez não fosse capaz de
alcançar uma nota em Feitiços, alta o suficiente para
agradar sua mãe. Foi quando ouviu os guincho de Pansy
Parkinson, no corredor logo a frente.
-Draquinho, seu aniversário! Oh, você é tão mais velho...
-Seu aniversário é mês que vem.- ele suspirou, parecendo cansado.
-Oh, não pense no meu aniversário.- ela continuou, como se ele não tivesse sido rude- Preocupe-se com o seu, que é hoje. E com o presente que está te esperando no Salão Comunal. Vai adorar minha surpresa!
-Mal posso esperar.- ele respondeu desanimado.- Se me der licença, vou ao banheiro.
Gina ouviu uma porta se fechar, e depois virou o corredor. Pansy esperava do lado de fora, mas ao ver Gina soltou um muxoxo, virou as costas e foi embora, com o nariz empinado. Gina tentou segurar a risada, e quando achou que ela estava longe o bastante bateu na porta.
-Ela já foi.- falou.
Momentos depois Malfoy saia do banheiro, parecendo aliviado.
-Graças, eu já não agüentava mais.- então olhou para Gina desconfiado.- O que faz aqui?
-Estava indo para a Biblioteca, mas ouvi vocês dois, sem querer. Estava engraçado.
-Que bom que minha vida é uma piada para você.- ele retrucou contrariado.
-Então, ela disse a verdade? É seu aniversário mesmo?
-Oh, aparentemente. - ele deu de ombros, então suspirou.- É, é sim.
-Feliz Aniversário, então!- ela sorriu, e o abraçou com força.
-Obri... obrigado.- ele gaguejou, parecendo surpreso e indeciso se devia abraça-la de volta, ou não. Mas, ela o largou antes que pudesse decidir.
-Tenha um dia maravilhoso então.
-Ok.
-E boa sorte com suas provas.- ela continuou, sem conseguir calar a boca.- Espero que você consiga estudar transfiguração, você disse que estava com um pouco de dificuldade.
-É, estudei ontem. Melhorei um pouco.
-Boa sorte, então.- ela repetiu sorrindo.- Tchau.
E sem esperar resposta ela virou de costas e saiu, virando o corredor. Então, correu até o banheiro feminino mais próximo, onde se trancou. O seu coração estava disparado, mas não pela corrida. Ela tinha realmente o abraçado? Malfoy? Um sonserino?
-Oh, meu... - ela quase chorou.- Eu gosto dele!
Ser atropelada pelo trem de Hogwarts deveria ser mais confortável. Ela realmente gostava dele. Seu estômago estava gelado, suas mãos trêmulas, e foi com vergonha que percebeu que falara como ele como se fosse uma idiota. Mas, é que ele era tão legal com ela, a ajudando nos deveres e tudo. Ele estava tão diferente nos últimos dias, gentil e paciente...
-Oh, não! Isso está errado! Está tão errado! -ela falou, escondendo o rosto nas mãos.
Ela não podia gostar dele! Nem perto disso! Ela devia odia-lo! Mas, como ela poderia? Ele não fizera nada de mal para ela, fazia um bom tempo. Na verdade, salvara-a uma vez. Ele era tão... incrível. Incrível? Ela realmente usara esse adjetivo ao invés de 'nojento' ou 'asqueroso'?
E Harry? Bem, ela achava que ainda o amava. Mas, Draco... Oh, meu! Ela o chamara de Draco? E pensava seriamente na possibilidade de ama-lo? O que estava acontecendo com ela?
Roma,
atualmente
Fora quando ela percebera o que sentia por ele. Não
podia dizer desde quando gostava dele, mas apartir daquele dia, tinha
a ceteza de que gostava. E isso mudara sua vida, definitivamente. Ela
havia percebido que gostava dele, e que ele era alguém muito
diferente do que todos pensavam. Tudo em apenas um ano.
-Olhe onde
viemos parar. - a voz dele interromepeu seus pensamentos. Gina ergueu
os olhos e sua respiração quase parou.
Estavam em
frente a uma pequena praça, rodeada de prédios, e no
centro havia uma enorme fonte, onde haviam cavalos, homens e anjos
esculpidos. Era enorme!
-Piazza Novana.- Draco murmurou- Eu não gosto daqui.
-É, eu também não.- Gina concordou, observando a fonte. Algumas esculturas até pareciam gritar, como o cavalo. E inconscientemente o abraçou, outra lembrança vindo a sua mente.
Junho de
1995, Campo de Quadribol- Lado de Fora do Labirinto
Tudo
estava uma bagunça. As pessoas corriam de um lado para o
outro, falavam, gritavam ou apenas choravam. Cedrico Diggory estava
morto. E Harry parecia abalado e ferido. Ela pensou em correr atrás
dele e de Moddy, que se distanciavam em direção ao
Castelo. Ela pensava em oferecer a Harry um ombro amigo, algum
consolo, mas parara na metade do caminho. Era melhor não se
intrometer.
-Preocupada com o Potter?- a voz de Malfoy chegou até ela, que estremeceu. No meio da confusão e no escuro, era difícil enxerga-lo, mas ela reconhecera sua voz.
-O que será que aconteceu?- ela perguntou.
-Eu não sei.- Draco falou sombrio- Só sei que o que quer que tenha sido, o Potter teve sorte.
-Sorte?
-Ele pode contar o que aconteceu, diferentemente de Diggory.
-Pobre Cedrico, esse tipo de coisa não era para acontecer num Torneio Tribruxo.
-Você... você está preocupada com o Potter?- Draco repetiu. Ela teria notado um pouco de ciúmes?
-Claro que sim.- ela respondeu confusa.
-Então, é melhor te deixar sozinha, para você ir atrás dele.- Draco falou baixo, se afastando.
-Malfoy, espere...- ela murmurrou, mas ele não ouviu. Gina suspirou. Ela queria que ele tivesse ficado.
Roma,
atualmente
Eles foram para o hotel, para tomar um banho,
estavam suados desde manhã. Gina estava deitada na cama,
tomara banho e já estava de pijamas, assitindo a TV trouxa,
enquanto Draco estava no chuveiro. Ela podia ouvi-lo lavando a
cabeça, e sorriu suspirando. Iria sentir falta daquele
barulho. Os dias deles estavam acabando, só mais três ,
e não se veriam nunca mais. Tentando segurar as lágrimas,
e olhando a foto deles que mantinha em seu criado-mudo, ela mudou de
canal e começou a assistir um filme.
-O que está fazendo?- Draco saiu, secando o cabelo com uma toalha, a outra amarrada na cintura. Gina podia ver a boa forma física dele.
-Um filme bem interessante. Parece um pouco com a gente, eles se odiavam no começo.
-Hum, é uma daquelas histórias melosas e chatas?
-Não teve nenhum beijo até agora, se você quer saber.
-Hum...- ele fez de novo, e Gina jurava poder ter ouvido ele murmurar "aparelho inútil".
-Você não gosta muito de aparelhos trouxas, não é?- ela sorriu.- Mas, essa história é legal. Já te disse que me lembra de nós. Nosso primeiro beijo também demorou.
-Depende.- ele sorriu, vestindo o pijama, os cabelos molhados caindo um pouco sobre seus olhos.- Para mim que não estava esperando, ele foi muito rápido.
Junho de
1995, Estação de Hogsmeade
Draco andava por
entre os outros alunos, procurando por Crabbe e Goyle. Ele não
conseguia imaginar como dois armários como eles conseguiam
desaparecer. Armários... Um leve sorriso passou pelos seus
lábios, Weasley costumava chama-los assim. Parou de sorrir
imediatamente. Por que pensava nela?
Nesse momento sentiu alguém puxa-lo com firmeza, para dentro do vagão de cargas, e surpreso viu que era ela.
-Oi, sardenta.- ele falou, as costas contra a parede, ela o encarando de frente parecendo nervosa.
-Malfoy, o que eu vou fazer talvez seja a coisa mais estúpida que já fiz na vida.-ela falou séria.
-Então, não faça.- ele retrucou nervoso, querendo sair dali. Seu coração batendo acelerado, mas ela não saia de seu caminho.
-Mas, é fim de ano, antes das férias de verão. E Você-Sabe-quem está de volta, talvez eu nunca mais tenha uma chance. E irei me arrepender se não fizer.
-Por quê?
-Porque é o melhor para nós dois.
-O que você quer dizer...?- ele tentou argumentar, mas ela o interrompeu.
-Eu nunca tive medo de você, Malfoy. Se no começo eu sentia algo, além de ódio, era pena. Pobre garoto rico, sem qualquer coração ou sentimento. E eu senti isso até eu descobrir, esse ano, que você tem um coração. E que ele está cheio de bons sentimentos, mesmo que você tente ao máximo esconde-los.
-O que você quer me dizer, com todo esse discurso?- ele perguntou, tentando trazer algum controle ou sentido para a conversa.
-Que agora eu sinto orgulho de você. Você é mais que um estúpido Sonserino. Você passou por cima de todos esses anos de raiva e orgulho que seus pais te ensinaram a sentir. Você ainda é orgulhoso e estúpido, às vezes, claro. Na maioria do tempo com outras pessoas. Mas, você provou, para mim, que é algo mais. Você é mais forte que eles, eles não puderam acabar com todos os bons sentimentos, que haviam em você.
-Eu não tenho bons sentimentos! - ele gritou desesperado.- Eu não sou bom!
-Sim, você é. Você me ajudou várias vezes esse ano, sem esperar nada em troca.
-Todo mundo comete erros. E você me ajudou também.- ele a acusou.
-Sim, e eu agradeço por tê-lo feito, porque assim eu pude te conhecer realmente.
-O que você está dizendo?- ele tentou voltar o ar zombeiro, sem conseguir.- Que você gosta de mim?
-Minha avó sempre dizia que para entender o coração dos outros, precismos ter um coração. Você entendeu o meu, o que significa mais uma vez, que você tem um também. Sim, Malfoy, eu gosto de você.
Ele queria dar um passo para o lado, e fugir, mas ao mesmo tempo algo o impedia. Era como se quissesse ficar! Paralisado de surpresa, ele viu-a se levantar nas pontas dos pés, se aproximando lentamente. Ela o olhou nos olhos, como se pudesse ver e entender tudo o que se passava dentro dele. E ele apenas ficou ali, paralizado, até sentir os lábios dela contra os seus.
Um tremor involuntário tomou conta de seu corpo, seus olhos ainda abertos. Mas, ao senti-la apertando os lábios suaves contra os seus, fechou-os também, sua mão correndo para o pescoço dela, para puxa-la para mais perto. Ele se sentiu estranho, mais leve. Seu peito parecia cheio de uma grande euforia, de felicidade. E ele não podia pensar em mais nada, nem que aquilo era uma enorme burrice que só lhe traria problemas. Tudo que existia era aquele beijos, os lábios dela, os cabelos incrivelmente vermelhos. Cabelos de Weasley. E isso o despertou, ele segurou-a pelos ombros a afastando.
-Por que fez isso?- ele perguntou furioso, e sem esperar resposta, virou de costas e foi embora.
Roma,
atualmente
-Você me assustou de verdade, aquele dia,
Gina.
-Por quê? - ela riu.
-Ninguém nunca tinha me dito nada como aquilo, especialmente tudo de uma vez. Nunca ninguém realmente tinha me entendido. Como você disse, ninguém sabia que eu podia sentir algo além de ódio e orgulho. Nem mesmo eu. Você foi a única. Foi então que entendi que aquilo tudo, que você disse, podia ser verdade.
-Se te consola, também fiquei confusa. - ela respondeu.- Eu me senti tão... aquecida por dentro. Seu beijo era diferente de qualquer outro que eu já provara. Tão... macio. Sei lá. Então, você saiu correndo e tudo que eu podia pensar é que a culpa era minha.
-Foi sua culpa.- ele sorriu, puxando-a para um beijo.
Ela tentou empurra-lo, para continuar falando, mas não resistiu. Abriu os braços, puxando-o para mais perto. Depois de tanto tempo, e de tantos beijos, ele conseguia continuar tendo o mesmo efeito sobre ela, aquela sensação maravilhosa que sentia. Era muito sortuda por isso. Mesmo!
N/A: Ok, demorei mais do que esperava, e também saiu muito maior do que eu esperava. O não estava recebendo atualisações, ontem, por isso me desculpem a demora. Pelo menos, espero que tenha valido à pena. A música inicial da peça Carminha Burana, que realmente existe e que uns amigos meus apresentaram (eu não sabia tudo aquilo sobre a peça de graça, entende. Mary Campbol é cultura tb, mas nem tanto!), é de Mozard! Se chama Fortuna, e é bem famosa. Quem quiser ver, tem um trecho no youtube ( São meus amigos cantando! E o som tá meio ruim, porque, sinceramente, a gravação está péssima! E o filme mensionado pela Gina, é o meu favorito, 'Orgulho e Preconceito'!!! (assistam também!)
Trecho do próximo capítulo, para deixar todo mundo curioso (risada maquiavélica! Muahahahahahaha) :
' Draco estava tão distraído andando na rua, se lembrando de seu quinto ano, que quase trombou em uma pessoa, parada no meio da calçada.
-Aonde vai tão distraído, Draco?- uma voz conhecida perguntou, e o coração de Draco pareceu parar.
Blaise Zabini estava parado na sua frente, sorrindo de uma maneira ironica, os olhos olhando-o como se rissem.
-Blaise? O que faz aqui?- Draco perguntou, uma sensação amarga em sua boca.
-Eu vim para a reunião.
-Reunião, que reunião?
-Não está sabendo? Por onde tem andado, Draco? Se divertindo nos pontos turísticos de Roma, enquanto caça a pequena Weasley?- mas, felizmente Draco não teve que responder, pois Blaise, rindo da própria piada continuou falando.- Os Comensais resolveram se reunir aqui em Roma, ao invés de Londres. Sorte sua já estar aqui, se não perderia a reunião.
-Sorte mesmo.- Draco murmurou por entre dentes. De todas as cidades do mundo, nas quais ele podia se reencontrar com Gina, ele fora parar bem na que servia de ponto de encontro de Comensais da Morte.'
Obrigada pelos comentários! Comentem todos por favor!
Lolita Malfoy- Espero que tenha gostado deste também! Desculpe a demora, mas realmente não deu para atualisar antes. Eu não vou demorar tanto no próximo capítulo. Bem, pelo menos espero que não... Bjos
Bruhluna- Ah, eles são muito fofos juntos, não são? Sabe que eu me acostumei tanto com essas 'lembranças' na minha cabeça, que outro dia fui conversar com minha prima, e usei uma dleas para esclarecer porque eu gosto tanto do Draco. Ela ficou me olhando com cara de tacho, até eu perceber que a coisa toda não estava no livro. Infelizmente. Ah, quanto ao ministério. Em um dos capítulos o Draco se agradece mentalmente por ter colocado um feitiço ante-rastreamento neles. E acredito que esse feitiço realmente exista, porque se não nos livros do Harry a cada vez que o Voldie pensasse em pegar um copo d'água com a varinha, uns dez bruxos do ministério cairiam em cima dele. Quanto ao guarda, acho que o Zabini pode ser um problema maior no futuro. Espero que tenha gostado! Até mais.
Larissa- Você me fez chorar! Seu comentário de repente começou a ficar borrado, e eu me vi aos prantos. Você realmente lê sua fic durante a aula? E comenta com sua amiga? A fic está tão boa assim?! Eu fiquei tãoooooooooooo feliz ao saber disso! É incrível!!! Muito bom saber que não passei meu tempo criando mary-sues e seus pôneis em um mundo encantado. E a fic te inspira! Oh... agora você me deixou inspirada para melhorar tudo! Espero que sua amiga goste um pouquinho da fic também, mande um alô para ela por mim! Muito obrigada! Bjos
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