Enfeitiçados I
Feitiço de Amor
Capítulo 6
Kagome não conseguia acreditar no que acabara de acon tecer. Tinha sido humilhada... descartada... Por Inuyasha Taisho! Não que fosse uma virgem ingênua. Já estivera com homens antes. Na escola, na faculdade. Não muitos, mas o suficiente para não se assustar com o ato sexual.
Assim, por que um simples beijo do homem a quem detes tara toda a sua vida fazia com que se sentisse descontrolada? Por que sentia que ele estivesse lhe dando mais prazer com um simples beijo do que os outros homens com quem havia feito o ato completo? Por que ele se recusara a fazer sexo com ela?
Havia agido como uma tola, e gostaria de dar um chute em si mesma por isso. Desceu do carro e caminhou para sua casa. O problema era que o pior ainda estava para acontecer. Tinha de fazê-lo mudar de idéia antes que o dia terminasse. Porque já era Dia das Bruxas. À meia-noite, ela faria vinte e sete anos. Não havia como esquecer essa realidade.
Tinha de dormir com Inuyasha.
Mas se isso significasse admitir para o cretino que aquela não seria uma experiência revoltante, então nunca acontece ria. Morreria antes de reconhecer tal coisa.
Estava parada diante da casa, sem vontade de entrar e enfrentar as tias, quando a porta se abriu subitamente. Tia Merri estava pálida, com os olhos arregalados.
— Kagome! Graças a Deus! Estávamos procurando você. — A voz tremia, e ela piscava, tentando esconder as lágrimas.
Alguma coisa horrível estava acontecendo. Com tia Flora.
— Onde ela está? O que aconteceu? — Kagome seguiu Merri para dentro da casa.
Flora encontrava-se no sofá, parecendo adormecida, mas a percepção especial de Kagome lhe dizia que era outra coisa.
— Não conseguimos acordá-la — Fauna murmurou, olhando para a sobrinha sem esconder o desespero. — Ela simplesmente veio até a sala, deitou-se e fechou os olhos.
Kagome olhou para a sua querida tia, tão frágil, deitada ali, imóvel. Ouviu o barulho de um carro parando em frente à casa, e então passos pesados entrando na sala de visitas.
— Kagome?
Ela se virou. Inuyasha estava na entrada com um semblan te de preocupação.
— Como você...
— Eu telefonei para ele perguntando por você — Merri explicou. — Mas você já tinha saído do apartamento.
— O que há de errado com Flora?— Fauna perguntou.
— Não sei. — Tremendo, ela levou a mão ao pescoço da tia para sentir a pulsação, que estava muito lenta. A respi ração parecia prestes a parar a qualquer momento. Oh, sua preciosa tia Flora! — Eu... eu não posso... — Tentou evitar as lágrimas, sem sucesso.
E então sentiu o toque gentil de Inuyasha em seus ombros.
— Sra. Merri, telefone para o hospital e informe que leva remos a Sra. Flora para lá imediatamente. Sra. Fauna, arran je um cobertor. Está muito frio lá fora.
As duas senhoras obedeceram às ordens de Inuyasha sem hesitação. Ele continuava com as mãos nos ombros de Kagome e a sentia soluçar.
— Você pode ajudar sua tia, Kagome. Está deixando as emo ções atrapalharem o seu diagnóstico.
— O que sabe sobre as minhas emoções, Inuyasha?
— Nada. Mas sei que aos dezesseis anos você salvou aquele falcão que eu atropelei com o meu Mustang. Lembra-se disso?
Ela fechou os olhos. Como podia esquecer? Tinha sido a primeira vez que usara seu poder para curar. Fitou-o.
— Você não acredita na besteira da magia, não é?
— Bem, talvez eu tenha mentido. — Ajoelhou-se ao lado do sofá, sem deixar de tocá-la nos ombros. — E talvez neste momento não tenha a menor importância se acredito ou não. Assim, controle-se. Sua tia precisa de você agora.
Kagome sentiu algo ser transmitido para ela. Começou a se acalmar, sua energia foi se fortalecendo, e ela parecia em sintonia com as vibrações ao redor. A força vinha das mãos de Inuyasha, entrava em seu corpo e a preenchia totalmente.
Ele possuía um poder que desconhecia, que estava vivo em seu sangue e que, de alguma forma, lhe incutia coragem. Quando fechou os olhos, ele começou a afastar as mãos, mas ela as segurou e as manteve em seus ombros, querendo que a energia continuasse a fluir. Sabia que os poderes da Mãe Terra e do Pai Céu, e também os da Lua, aumentavam a in tensidade de sua mágica. Mas nunca sentira antes a essência de outro ser humano...
Começou a examinar a tia, movendo a mão bem deva gar, sentindo sua aura, procurando o invasor que a estava deixando tão doente. E o encontrou. Um ponto no tornozelo esquerdo. Rapidamente, puxou a barra da calça para cima e aproximou o olhar.
— Kagome? — Inuyasha chamou.
— Picada de cobra — ela murmurou, identificando as marcas minúsculas e o vermelhão em torno delas.
— Mas... não temos cobras venenosas por aqui. Tem cer teza de que é...
— Temos cascavéis. Não muitas, mas de vez em quando uma aparece. — Seu senso lhe dizia que estava certa. — Tia Merri — chamou bem alto, e sua tia apareceu imediatamen te, segurando o telefone. — Está falando com o hospital? Mande que arranjem Antivenin. Foi uma picada de cascavel. E diga que chegaremos lá em minutos. — Enquanto falava, tirou uma fita de seda da cabeça de Flora e a amarrou na perna, acima da picada.
— Pegue o carro, Inuyasha — pediu suavemente. — Você, dirige.
Inuyasha não acreditava no que havia dito. Mas dissera... Diabos, ele não sabia por que agira assim. Mas tivera de fazer alguma coisa rapidamente porque Kagome estava tomada pelo pânico. Assim, pudera dar-lhe alguma força, aquela da qual ela precisava naquele momento.
E estranhamente, tinha funcionado. Quando ele atendera ao telefone depois que Kagome saíra tempestuosamente de seu apartamento, ouvira a voz; assustada de sua tia e tinha sentido que precisava ajudá-las. Era como se algo o estivesse chamando. Como se Kagome... precisasse dele. Isso era estú pido. Ridículo, na verdade.
Mas quando a tocara nos ombros, tinha sido como se ela houvesse precisado mesmo dele. Como se a tivesse ajudado de alguma forma. Como se ela tivesse drenado algo dele.
Meneou a cabeça e retomou a caminhada pela sala de espera. Dirigira como um louco para chegar ali enquanto Kagome procurava evitar que o veneno da cobra se espalhas se pelo corpo da tia. Em certo momento, havia parado em um farol vermelho.
— Não pare! — ela gritara.
— Mas o farol está vermelho, Kagome. Eu tenho de...
Ela olhara acima do ombro dele, balançara a mão e o se máforo tinha ficado verde.
— Apenas dirija.
E eles não haviam encontrado nenhum outro farol fecha do pela frente, porque, quando iam passar, a luz mudava do vermelho para o verde.
Ele pensava em como aquilo tinha sido estranho quando Merri e Fauna entraram correndo na sala de espera, os olhos cheios de perguntas. Estava prestes a dizer que ainda não sabia de nada, quando as portas se abriram, e Kagome surgiu. Ela olhou um por um até finalmente sorrir, um sorriso can sado, mas que indicava que Flora estava bem.
— Ela vai ficar boa — anunciou. — Vocês podem voltar para casa e...
Não terminou a frase porque as tias passaram por ela e correram para ver a irmã.
Ele deu um passo em direção a ela.
— E quanto a você? Vai ficar bem?
Ela sorriu, fez sinal que sim, e imediatamente suas per nas fraquejaram. Teria caído caso ele não a tivesse segurado. Encostou-se nele e, aos poucos, foi voltando ao normal.
— Estou bem. Realmente estou...
— Está nada. — Ele a fez sentar-se e recostar-se em al gumas almofadas. — Apenas se encoste por um minuto e me conte o que aconteceu.
Kagome obedeceu, fechou os olhos, e uma lágrima rolou por seu rosto.
— Quase perdi a minha querida tia. Inuyasha, eu quase a perdi.
Começou a soluçar, e Inuyasha se emocionou, abraçando-a com força.
— Mas isso não aconteceu. Ela está bem, Kagome. Você salvou a vida dela. Nunca vi nada como o que você fez hoje.
Kagome envolveu-o com os braços.
— Mas se... se eu não tivesse sabido o que havia de erra do...
— Mas você soube — ele disse suavemente. — Não sei como, mas soube. E ela agora vai ficar bem.
— Sei disso. Sei disso, mas...
Ele começou a se afastar, porém Kagome o puxou para mais perto.
— Abrace-me, Inuyasha. Preciso de você.
Ele abraçou-a. Não conseguia acreditar no que ela acaba ra de dizer, mas tinha escutado muito bem. Kagome precisava dele. Ela era suave, e estava tão vulnerável e atormentada naquele momento.
Tudo o que queria era que ela se sentisse melhor graças à ajuda dele.
Oh, e ele que pensara não gostar de Kagome Higurashi. Não conseguia imaginar o que seria melhor do que enlaçá-la da quela forma.
Eu preciso de você.
— Estou do seu lado — disse, acariciando-a nos cabelos. — Apenas me diga do que precisa, e eu farei para você.
Ela suspirou, procurou endireitar o corpo, secou os olhos e fitou-o.
— Espero que esteja sendo sincero.
Sorrindo, ele passou a mão levemente no rosto ainda mo lhado pelas lágrimas.
— Diabos, Kagome, isso pode surpreender até a mim mes mo, mas estou sendo sincero.
— Mas nem gosta de mim.
Inuyasha deu de ombros.
— Você também nunca foi minha fã número um, se me lembro bem. Que tal se esquecêssemos as bobagens todas que fizemos?
Ela o olhou, cheia de dúvidas.
— Será que podemos fazer isso? Podemos realmente es quecer tudo?
— Ora, Kagome, creio que já fizemos isso. Eu lhe digo uma verdade inegável: gosto de você agora.
Ela fechou os olhos, quase como se estivesse se sentindo culpada.
— Você salvou a vida de tia Flora — murmurou suave mente.
— Tudo o que fiz foi dirigir. Você é quem...
— Não. — Ela encarou-o. — Foi você, Inuyasha. Eu estava lá, desmoronada, e você... você me ajudou. Você sentiu a sua energia, não é? E o efeito que teve sobre mim?
Inuyasha se arrepiou.
— De fato senti... alguma coisa. Mas não sei o que era.
Kagome decidiu não se aprofundar naquilo. Endireitou o corpo e ajeitou a roupa.
— Vou ver como tia Flora está, conversar com...
— Quero ver você, Kagome! — ele exclamou. — Quero ver você esta noite.
Ela mordeu o lábio inferior.
— Não sei, não...
— Porque ainda não gosta de mim? — indagou, tentando fazer a pergunta ganhar um ar de brincadeira.
— Não — Kagome murmurou, e estendeu a mão, tocando com suavidade o rosto dele. — É porque, agora, eu gosto.
Olá!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Gostaram do capítulo? Será que finalmente o Inuyasha vai consegui acabar com o seu pequeno problema? A antes que alguém ache ruim a minha pergunta anterior, eu não tenho nada contra a virgindade, só estou brincando porque a sociedade moderna, um homem de 28 anos virgem está fora dos padrões.
Bem essa fic terá somente 10 capítulos, na verdade o livro tem 3 ou 4 capítulos, fora o prólogo, e também 62 páginas.
Agora vou responder as reviews:
Ayame Gawaine – Essa frase no final mostra que realmente tem alguma coisa entre os dois, na verdade o Inu sempre gostou dela, mas como nunca conseguiu entender o que ela era, teve essa postura infantil. Bjs
Dani – Havia desejo, mas como são orgulhosos estava difícil admitirem. Ela caiu direitinho na conversa da tia dela, muito engraçado. Bjs
Krol-chan – Tudo bem, eu te perdôo!kkkkkkkkk... espero que também goste desse último capítulo que eu postei. Bjs
Vou me despedindo, é que estou muito cansada, trabalhei muito e ainda tenho que cuidar da minha ferinha.
Bjs e até a semana que vêm!!!!!!!!!!
Mary
