Eles entraram no lobby do hotel onde era servido o café da manhã, ocuparam uma das mesas e perto da janela e logo a garçonete terminou de servi-los.
Jensen jogava um pouco de geléia em cima de suas panquecas enquanto Jared apenas pediu um café. O loiro sem querer acabou sujando a roupa de leve, na camisa.
- Ah droga! – Ele pegou um dos guardanapos pra limpar, e Jared prontamente tentou ajudá-lo, mas não adiantou muito, ficou manchado.
- Quer trocar de camisa? Posso te dar a minha. – O moreno ofereceu. – Se quiser eu posso...
- Não precisa, Jared, tudo bem. – Jensen respondeu um pouco seco.
- Certo. – Ele se recostou na cadeira, olhando um Jensen extremamente frustrado e mal humorado por causa de uma simples mancha na camisa. – Quer ir no carro pegar alguma na mala.
- Não precisa, Jared. – Ele foi um tanto quanto estúpido dessa vez.
- Por que está agindo assim? – Jared perguntou, confuso.
- Ontem a noite... – Jensen respirou fundo, tentando se acalmar. – Foi... faz de conta, Jared.
- Realmente... começou assim, mas... agora não é mais. – Jared respondeu, sério. – Agora mudou. E até eu mesmo fui um pouco pego de surpresa. – Ele sorriu, olhando Jensen nos olhos. – Foi ótimo!
- Eu estava bêbado. – Jensen sorriu sem graça.
- E daí? – Jared rebateu.
- E daí que foi um erro.
- Foi incrível! E apaixonante. – Jared respondeu, um pouco irritado pela indiferença de Jensen.
- Você está dando mais importância do que deveria! – Jensen retrucou.
- Por que? – Jared olhava Jensen sem entender a atitude do loiro ainda. – Me explique, porque eu definitivamente não sei porque você reluta desse jeito. Por que?
Jensen olhou para Jared pensativo. Ele tomou fôlego, tomou um gole de seu suco de laranja.
- Ok, você quer a verdade? – Jensen olhou sério para o moreno a sua frente.
- Sim, por favor!
- Lembra quando eu te contei sobre o quanto sou ligado a minha mãe? – Jensen perguntou e Jared assentiu com a cabeça. – Bem, eu não te contei a história toda.
- Estou ouvindo.
- Acho melhor você ver. – Jensen respondeu e começou a desenhar no guardanapo na mesa uma amostra do gráfico que seguia e mostrou a Jared com uma breve explicação.
***
- E... você foi o número seis. – O loiro disse por fim, enquanto Jared olhava o guardanapo ainda um pouco confuso.
- Uau... meu Deus. – Ele recolocou o guardanapo na mesa, e voltou a olhar Jensen. – Jen, você tinha sete anos.
- E daí?
- Sua mãe só estava lhe dando algo em que se apoiar... Pra você suportar a perda dela e não pra isso ser um fardo ou um script de como você deve viver sua vida. – Jared, apesar de estar se sentido mal, tentou compreender Jensen.
- Não é um fardo. – Jensen respondeu sério.
- Mas você, mais do que qualquer um, deveria saber que a vida não é previsível! Veja sua mãe, por exemplo, que morreu tão jovem! – Ele inclinou-se na mesa, a fim de olhar Jensen melhor. – Há tantas coisas maravilhosas que não podemos planejar. Apenas acontecem, não estão numa lista. – Ele continuava e, por incrível que pareça, Jensen prestava atenção. – Veja, o problema do gráfico é que ele tira a sua espontaneidade... Não deixa você arriscar.
- Eu me arrisco sim! – Jensen respondeu um pouco inseguro.
- Ah é? Então prove. – Ele segurou a mão de Jensen em cima da mesa, entrelaçando seus dedos. – Arrisque comigo.
- Olha... – Jensen recomeçou, soltando a mão de Jared. – Isso não irá mais longe do que já foi, ok?
Jared baixou os olhos, sem esconder a tristeza agora. Ele ficou pensativo por alguns segundos, mas Jensen não tirou os olhos dele. O moreno então voltou a encarar o mais velho.
- Posso te fazer uma última pergunta? – Jared agora tinha um breve sorriso nos lábios e Jensen apenas disse que sim com a cabeça. – O que acontece agora?
- Agora?
- É... O que acontece depois do número sete?
- Como assim? – Jensen perguntou ligeiramente em pânico e confuso.
- Você vai querer filhos ou fazer doutorado? Escalar o Monte Everest? O que vai fazer? – Jared perguntou sério, tirando a carteira do bolso.
- Eu... – Jensen olhava o moreno que esperava realmente uma resposta e não tinha a menor idéia do que dizer. Ele, na verdade, não tinha sequer parado pra pensar nisso. – Não sei, acaba só...
Jared não fez de propósito, mas por um segundo sentiu um pouco de pena de Jensen. De olhar em seu rosto e sentir-se desamparado por se imaginar sem a lista.
- Vai ser uma grande mudança pra você. – Jared disse, colocando o dinheiro em cima da mesa. – Seguir a vida sem um gráfico. – Ele levantou-se da mesa por fim. – Vem, vamos embora.
***
Jared sabia que havia mexido com a cabeça de Jensen. Ele havia falado pouco durante o caminho de volta, quase não conversaram. Por um lado, talvez isso fosse bom, Jared viu o que acontecia com Jensen e sabia que ele ia ter que parar de ter medo do que a vida tinha a oferecer uma hora ou outra.
Jared estacionou em frente ao prédio de Jensen e simplesmente esperou que ele descesse, não disse nada.
- Ah droga! – Jensen disse ao olhar pelo retrovisor. – Preciso da sua camisa.
- Pode esquecer. – Jared respondeu impaciente ao ver Danneel estacionando logo atrás, entendendo a apreensão de Jensen.
- Eu estou horrível, vamos! – Jensen reclamou.
- Você está ótimo. – Jared disse no mesmo tom.
- Jared, por favor, me dê sua camisa! – Jenen disse num tom mais imperativo.
Jared revirou os olhos bufando e começou a desabotoar a própria camisa, Jensen fazia o mesmo, jogando a sua no banco de trás do carro do moreno e pegando a camisa limpa de Jared.
- Vira pra lá. – Jensen disse, com vergonha.
- O que? – Jared perguntou incrédulo. – A gente transou, eu vi tudo que tinha pra ver aí, Jensen!
- VIRA! – Jensen retrucou impaciente. E Jared passou a encarar a janela do lado oposto a Jensen.
- Meu Deus, quantos anos você tem? Cinco? – O moreno resmungou. – Que besteira, parece adolescente.
Jensen terminou de vestir-se, checou pelo retrovisor para procurar Danneel, mas não viu a loira.
- Ei! – Ela apareceu na janela de Jensen. – Achei que era você mesmo.
- Oi! – Ele cumprimentou sorrindo. – Eu derrubei geléia na camisa, Jared fez a gentileza de trocar comigo... – Ele virou-se para olhar Jared quando falou dele, mas o moreno sequer se deu ao trabalho de retribuir o olhar. – Ei, Jay... – Ele chamou o moreno que virou-se de má vontade para encarar Danneel. – Essa é Danneel, acho que você lembra dela... Dan, esse é Jared.
- Obrigado por trazer ele em segurança de volta. – A loira brincou, simpática.
- Cuidei dele com carinho. – Jared respondeu, com certa ironia, recebendo um olhar reprovador de Jensen antes dele sair do carro.
- Vamos? – Ela disse quando Jensen bateu a porta do carro. – Liguei pro seu celular, Chris e Samantha estavam um pouco preocupados.
- Encontraremos eles agora então! – Jensen disse e logo em seguida voltou-se para a janela do carro para falar com Jared. – Então... vejo você na padaria?
- Tchau! – Danneel disse, segurando a mão de Jensen.
Mas Jared não respondeu nem um e nem outro. Pode ler um 'sinto muito' nos lábios de Jensen enquanto ele se afastava com a moça. Ele viu que Jensen virou para olhar pra ele algumas vezes, mas foi aquilo. Ele passou a mão pelo rosto, em sinal de cansaço. Arrancou com o carro e foi embora.
***
Danneel e Jensen entraram num pequeno restaurante onde Samantha e Chris já estavam esperando pelo casal. Chris correu ao encontro de Jensen quando o viu.
- Até que enfim hein! – Ele abraçou o loiro, dando tapinhas nas costas.
- Acabei de resgatá-lo do carro. – Danneel disse sorrindo, brincando.
- Vocês poderiam ter se acidentado e digo mais! – Samantha começou a falar preocupada. – Quem é esse Jared afinal de contas? Não sei como te deixamos viajar com ele, mal o conhecemos!
- Eu me atrasei cinco minutos gente! – Jensen disse rindo da paranóia alheia.
- Você está lindo, Jen! – Ela passou as mãos pelos cabelos do loiro e ajeitou a camisa. – Essa camisa é linda! – Jensen sorriu sem graça. Ele nem tinha reparado sequer na cor da camisa de Jared. Era realmente uma preta muito bonita. O moreno tinha bom gosto.
- A mesa ainda não está disponível. – Danneel disse.
- Vamos pro bar enquanto isso então! – Christian sugeriu e todos seguiram pra pedir uma bebida. Danneel saiu na frente com Samantha.
- Danneel, você gosta de sapatos? – Samantha perguntou interessada.
- Adoro! Tenho um closet cheio!
- Ei Jen... – Chris perguntou enquanto Danneel e Samantha partilhavam o 'papo de mulher'. – Como foi?
- Ah foi... – Jensen pigarreou e tentou disfarçar o nervosismo. – Normal... sei lá.
- Olha, acaba com essa presepada toda com o padeiro, Jensen! Vou te odiar se não ficar com a Danneel! – Christian dizia divertido. – Ela é linda, educada, inteligente... e gostamos dela! – Christian virou-se para olhar a moça de longe. – Cara, ela é perfeita pra você?
- Você acha? – Jensen olhou pra ela dessa vez e parece que não viu mais tudo aquilo que via antes.
A mesa deles ficou pronta e logo a garçonete veio para guiá-los até seus lugares. Eles elogiaram a comida e o atendimento e conversaram bastante.
- Esses bolinhos de siri estão uma delícia! – Danneel disse logo depois de comer um.
- Eu realmente queria saber como eles fazem! – Samantha acrescentou depois de comer um também.
- Ah eu sei como é! – Jensen riu e começou a colocar um monte de bolinhos na boca de uma vez. – Você coloca todos os ingredientes na panela assim... – Ele dizia de boca cheia, enquanto os três olhavam pra ele como se ele fosse louco. – Mexe na panela, mistura bem e pronto! – Ele começou a rir e abriu a boca cheia de comida mostrando pra todos.
Christian arregalou os olhos querendo matar Jensen pelo mico na frente de Danneel. Samantha o encarava como se o loiro tivesse tido algum tipo de surto psicótico e estava perdendo a razão. Danneel riu de canto, tímida, não entendendo nada.
Jensen disfarçou, e engoliu a comida descobrindo que aquilo só tinha graça com Jared.
***
Eles seguiram caminhos diferentes e Danneel foi pra casa de Jensen. Eles entraram e ele, por um segundo, percebeu que igualmente não era mais o momento pelo que ele tanto esperava. Talvez fosse o cansaço.
- Vou fazer um chá, certo? – Jensen disse, dando um beijo na testa da loira e se afastando. Mas ela o puxou de volta pelo braço, beijando os lábios do loiro demoradamente.
Ela começou a desabotoar a camisa de Dean, beijando o pescoço dele, deixando claro o que queria fazer e certamente não era tomar chá. Ele a levou até a cama, desfazendo-se de parte das roupas dela.
O problema era que as coisas 'lá embaixo' não estavam colaborando. Por mais sexy que a loira parecesse e se movimentasse e obviamente queria mostrar a ele que estava pronta pra aquilo, quanto mais ela o beijava, mais ele pensava no quanto o beijo de Jared era infinitamente melhor.
Ela ficou por cima dele, beijando o peito do loiro, sentando sob seus quadris, apenas de calça e sutiã. Ela definitivamente começou a ficar um pouco frustrada pelo fato dos instintos de Dean não estarem correspondendo as expectativas.
- O que foi, Jensen? – Ela perguntou, parando o que estava fazendo e apenas o encarando.
Jensen obviamente não sabia direito onde enfiar a cara. Ele escondeu o rosto com as mãos, bronqueando mentalmente consigo mesmo e com seu... 'equipamento'.
- Eu estou fazendo algo errado? – Danneel perguntou, saindo de cima do loiro.
- Não, definitivamente a culpa não é sua... – Ele respondeu, ainda sem graça. – Eu acho que... é a expectativa...
- Ah, está nervoso é por isso! – Ela disse de um jeito terno, compreensivo, quase maternal. – Tudo bem, sem pressão certo? Vamos apenas dormir...
- Dan... – Ele tentou ainda achar uma boa explicação, mas ela apenas o abraçou,deitando a cabeça em seu peito.
- Jen, não precisa ficar um adolescente traumatizado, isso acontece! Não é culpa sua.
"A culpa é do maldito padeiro!" Jensen pensou, respirando fundo. Ele acariciava os cabelos de Danneel enquanto a moça quase pegava no sono. Ele lembrou-se da noite que passou com Jared, lembrou do passeio de caiaque e da dança. Mas especialmente do discurso de Jared no café da manhã. Estava até com um pouco de raiva de si mesmo por causa do apenas um final de semana, Jared havia mexido com uma vida inteira de Jensen.
***
Jared passou de carro pela manhã em frente ao apartamento de Jensen e viu que o carro de Danneel estava lá. Obviamente ele imaginou que a loira havia passado a noite lá. Ele deu um longo suspiro e seguiu, mas não para a padaria.
Quando Jensen acordou, Danneel não estava ao seu lado. Ele levantou-se vagarosamente, sentando na cama, mas viu que a blusa e os sapatos dela ainda estavam no quarto. Antes de chamá-la ou até mesmo procurar por ela, ela apareceu, saindo do banheiro.
- Ei... – Ela sorriu dando um selinho em Jensen quando chegou até a cama, mas não deitou-se, começou a vestir-se.
- Dan, me desculpe... por ontem a noite... – Jensen disse ainda sonolento, enquanto a moça parecia apressada pra ir trabalhar.
Ele achou que precisava desafiar a vida, desafiar a si mesmo e provar que Jared estava errado.
- O que você acha de fazermos uma loucura hoje? – O loiro disse, animado.
- Como assim? – Ela perguntou,calçando os sapatos.
- Não sei... – Jensen parecia uma criança. – Vamos faltar no trabalho! –Ele acrescentou e Danneel começou a rir. – Jogar hóquei!
- Isso é muito tentador! – Ela respondeu, encarando Jensen. – Não, esquece, trabalho!
- Não! Esquece o trabalho! – Jensen levantou-se da cama, jogando sua própria agenda no chão. – Vamos,está um belo dia em Nova York! Vamo sair, caminhar...alugar um Cadillac ou... andar de caiaque!
- Você sabe andar de caiaque? – Danneel perguntou, sorrindo.
- Não, mas estou aprendendo! – Jensen disse, sentando ao lado dela na cama. – Digamos que eu já aprendi que não se pode ficar em pé no caiaque!
- Eu tenho uma reunião as 9, não posso faltar! – Danneel disse, levantando-se da cama e preparando-se para sair. – E você também tem seus compromissos hoje!
- Sim, eu e mais doze, ninguém sentirá minha falta! – Jensen respondeu um pouco manhoso.
- Faremos tudo isso no sábado, ok? – A loira sugeriu.
- Quero fazer hoje. – Jensen disse um pouco mais sério, segurando na mão dela. – É importante.
- Jensen, eu tenho compromissos e responsabilidades hoje. Não posso deixar pra lá. – Danneel respondeu no mesmo tom. – Ela concluiu e Jensen sorriu de canto, resignado. – Preciso ir, ok? – Ela deu um selinho do loiro. – Mas te vejo amanhã a noite, não é?
- Claro. – Ele disse, sem nenhum ânimo.
- Bom trabalho! – Ela desejou enquanto saía pela porta.
Mas Jensen não foi trabalhar. Ele tomou um banho gelado e decidiu que a partir daquele dia as coisas seriam diferentes. E uma delas mudava hoje. Ele foi cedo rumo a padaria de Jared. Não porque estava com fome ou porque era hábito, mas era porque seu coração estava o enlouquecendo de tanto pedir pelo moreno.
Ele entrou porta adentro como se fosse salvar a vida de alguém, indo pra aquela parte do balcão onde sempre encontrava com Jared. Mas, para sua surpresa, ele não estava lá.
- Oi! – Uma das atendentes disse ao ver Jensen.
- Jared...
- Ah sim! – Ela interrompeu o loiro. – Jared disse que você viria buscar isso. – A moça entregou a mala que Jensen havia deixado no carro de Jared e seu travesseiro. O loiro sentiu um aperto no coração.
- Onde ele está?
- Não sei. – A moça respondeu. – Ele não veio hoje. – Ela concluiu e Jensen sentiu o ar lhe faltar nos pulmões. – Precisa de mais alguma coisa?
- Não. – Jensen se apressou a responder. – Não, obrigado.
Ele voltou pra casa atordoado. Jogou a mala e o travesseiro na cama de qualquer jeito, quando viu cair algo do meio de suas coisas.
Ele pegou do chão e viu que era uma foto. A foto dele e Jared no casamento de Genevieve e James. Ele olhou o sorriso de Jared na imagem e teve vontade de se jogar da janela de seu apartamente. Como diabos ele não havia percebido? "Que há de errado com você, Jensen, seu idiota?" ele se xingava mentalmente olhando a foto, lembrando das mãos, lembrando dos 'fogos de artifício'...
"Não é possível que eu tenha sido tão estúpido! O que foi que você fez comigo, padeiro?" Ele deitou-se na cama sem conseguir tirar os olhos da foto, deixando as lágrimas molharem o papel precário da Polaroid da festa.
Isso o lembrou de uma injustiça que ele também cometera. Ele pegou o telefone e discou um número conhecido.
- Ei pai... – Ele disse tentando disfarçara voz chorosa. – Bom ouvir sua voz... Eu estou ligando porque... queria pedir desculpas pelo que eu disse no sábado, eu... não falei por mal e não quis lhe faltar com respeito...
- Eu sei disso, filho. – Roger respondeu calmo. – Quer passar aqui? Podemos almoçar...
- Claro. Seria ótimo!
***
- No fim acho que... você estava certo. – Roger dizia, enquanto tomava um drinque com Jensen na sala. – Já fiquei tempo demais sozinho.
- Que nada, pai. Além disso, quando você resolver que precisa de alguém, não sou eu que vou te dizer quem e nem quando... E eu sei que a mamãe vai aprovar.
O loiro parou de falar porque sentia que ia começar a chorar de novo.
- O que foi Jen? – O pai perguntou, obviamente notando, de uma forma compreensiva.
- É que... Ela sempre segurou a minha mão através do gráfico e agora... e agora ela vai soltar! – Jensen parecia ter se dado conta apenas agora, depois de tantos anos, a ausência literal da mãe, enquanto chorava feito uma criança desamparada.
- Jensen, já está mais do que na hora... – Roger andou até o filho o abraçando carinhosamente.
- É que eu estou tão confuso!!
- Tudo bem, é normal que você esteja! – Roger tentava acalmar Jensen. – Sua mãe, Jensen, era muito, muito inteligente... E existe uma razão pela qual ela deve ter encerrado o gráfico naquele ponto. – Jensen apenas concordava com a cabeça. – Número sete é apenas uma metáfora para a pessoa que nasceu pra você, Jensen... E o mais importante, a única coisa que importa na verdade... é que a escolha é sua. – Roger acrescentou, enquanto Jensen limpava as lágrimas. – Você escolhe o número sete. – Quando Roger concluiu, o primeiro sorriso calmo de Jensen apareceu.
***
Durante o coquetel na outra noite dos colegas de trabalho de Danneel, Jensen observava de longe a moça conversar com algumas pessoas, se despedindo e pedindo licença quando viu Jensen e, obviamente, não queria deixá-lo sozinho.
- Desculpe por isso! – Danneel disse sorridente, quando chegou perto de Jensen.
- Sem problemas. – Ele respondeu, servindo-se de mais vinho. – Então, não entreguei ainda minha demissão oficialmente, mas... estou saindo do escritório. – Ele contou, orgulhoso.
- Vai trabalhar sozinho em seu próprio escritório? – Danneel disse, pronta praticamente pra fazer um brinde.
- Bom... – Jensen sorriu sem graça. – Estou pensando em muitas opções agora e advogar não é mais uma delas.
- Oh, Jen... – Danneel olhava pra ele como se ele fosse extremamente ingênuo. – Eu sei que foi legal tirar dois ou três dias de folga, mas acho que você está sendo radical! – Ela disse e Jensen baixou os olhos, suspirando. – Podemos viajar juntos se quiser, assim quem sabe você volte a toar uma outra decisão mais racional... Não pode largar seu emprego, Jensen.
- Não, Danneel, você não está entendendo, eu...
- Danneel! – O chefe da moça se aproximou do casal, interrompendo a conversa.
- Bryce! Como está? – Danneel cumprimentou simpática. – Bryce, esse é Jensen Ackles. Jensen, esse é Bryce Sanders, meu chefe.
- Como vai? – Jensen cumprimentou formalmente o homem grisalho que retribuiu o cumprimento.
- Ele é meu namorado. – Danneel acrescentou, e Jensen quase teve uma síncope, ficando completamente atordoado, como se uma 'profecia' tivesse se cumprido. Profecia que ele mesmo havia dito para Christian e Samantha, sobre a perfeita definição do número seis. – Quer mais um vinho? – Danneel perguntou, tirando Jensen de seu transe.
- Que tal um whisky? – Ele sugeriu, não conseguindo olhar Danneel.
- Claro, como quiser. – Bryce respondeu, sinalizando o garçom. – Podem passar na minha mesa depois, podemos...
- Claro,podemos nos conhecer melhor. – Jensen interrompeu o homem e comeou a puxar Danneel pelo braço. – Pode nos dar licença um segundo? – Ele não esperou o homem responder. – Obrigado.
- Jensen! – Danneel protestou enquanto eles se afastavam. – Era meu chefe, que grosseiria1
- Você acabou de me chamar de namorado!
- E daí? Não está bom pra você? – Ela perguntou confusa.
- Mas você é a numero sete!
- O que?
- Esqueça.
- Olha, Jen... – A loira começou, olhando firme para Jensen. – Eu sei que faz poucas semanas que estamos saindo, mas eu quero muito isso! Quero me comprometer com você! Temos tudo em comum, pensamos igual... Somos um casal perfeito!
- Não somos. – Jensen disse, sorrindo de canto e se achando realmente idiota. Ainda estava bronqueando consigo mesmo por não ter percebido antes. – Você acha que sou perfeito pra você porque me vê muito superficialmente... Você nem sabe o quanto odeio meu trabalho! Eu estou cansado de ser... previsível! Quero ser ousado, quero correr riscos! Eu não sei...
- Eu gosto e você do jeito eu é, Jen! – Ela respondeu sincera.
- Como supostamente pode dizer isso, Danneel, se não sabe nada a meu respeito? – Ele disse num tom plácido, e na realidade, discursava mais para si mesmo do que pra ela. – Você é uma mulher incrível Danneel... É educada, inteligente, carinhosa, atenciosa... Mas... – Ele pensou em Jared quando foi concluir a frase. - ...Preciso estar com uma pessoa que me faça ser alguém melhor... que cresça comigo, que haja parceiria... cumplicidade...
- Claro... – Ela respondeu, mas ainda não tendo idéia do que Jensen estava falando.
- Quer dizer... – Ele recomeçou. – Eu sequer segurei sua mão alguma vez... – Ele se afastava dela, indo em direção a porta de saída.
- Jensen... – Ela parecia ainda confusa e agora sua expressão dava lugar a tristeza.
- Não... sinto muito, Dan... – Ele parecia querer correr pra rua, pra longe dali e a loira apenas o acompanhava com os olhos.
***
Três dias haviam se passado e Jensen ainda não tinha noticias de Jared. Ele pôs a foto em seu criado mudo e olhava para ela quase durante o dia todo. Ele pegou o baú de coisas que tinha embaixo da cama, com lembranças de toda sua vida, de todas as etapas e olhou cada uma delas com um novo olhar agora. Aquilo não eram testes, nem fases, nem provações... Ele se deu conta finalmente do que significava experiência de vida.
Ele pôs o CD que Louise havia lhe dado de presente no tempo em que namoraram. Ela disse que dar CDs eram sempre bons presentes porque música simbolizava eternidade. Era um CD do Eastmountainsouth que ele deixou tocar várias vezes, especialmente a música 'Too Soon'
My mother's face
(O rosto de minha mãe)
Her state of Grace
(Seu estado de graça)
I hope I have your strength
(Eu espero ter a sua força)
And all your gentle ways
(E todos os teus hábitos gentis)
Ele pôs o boné que Brian havia lhe dado após o jogo do Dallas Cowboys, pra quem Jensen torcia como e sua vida dependesse do time. Jensen ficou admirando a foto dele com Elizabeth e sentiu falta da escola, mais ainda quando viu os rabiscos que Vince havia feito numa já amarelada folha de caderno quando Jensen acabou descobrindo quem era a grande paixão do garoto e, de quebra, descobrindo também sobre sua própria sexualidade.
O loiro releu o cartão de natal que Leo havia mandado no ano anterior. Leu as palavras dessa vez com mais cuidado. "Quando você tiver que escolher entre ficar sentado ou ir dançar... Eu espero que você dance!"
She smiled and we were safe
(Ela sorria e estávamos seguros)
She cried the cords gave way
(Ela chorou as cordas cediam)
We grew into life
(Nós crescemos na vida )
We left our homes too soon... too soon...
(Nós deixamos nossas casas cedo demais... cedo demais...)
Ele finalmente achou o antigo gráfico em meio a todas aquelas coisas. Olhou o desenho da mão de sua mãe ao lado da sua de quando era pequeno e sorriu ao perceber que, ao contrapor sua mão sobre a da mãe, descobriu que agora a sua é que estava bem maior.
- Não eram fogos de artifício literais, não é? – Ele disse enquanto relia as sete regras no papel. Parecia que finalmente havia se dado conta.
***
Ele acordou de manhã e, como geralmente fazia, pegou a foto dele com Jared para olhar. Quando girou o braço para recolocar a foto, sua agenda caiu no chão numa página específica. Coincidentemente no dia certo.
Dia 18: Encontro com Sophia e Chad no Excelsior, às 15h.
Ele arregalou os olhos e literalmente pulou da cama para se arrumar. Estava aí a sua chance de encontrar Jared. Ele tinha que admitir que já estava em pânico por não ter notícias no moreno há tantos dias e, de certa forma, sabia que merecia mesmo o total desprezo do 'padeiro'.
Ele pegou seu carro e foi direto para o tal hotel. O caminho todo ele foi pensando no que dizer para Sophia e Chad, já que eles iriam achar muito estranho ele aparecer sozinho lá. Rezava para que Jared estivesse lá.
Ele entrou correndo no lobby do hotel e viu de longe Chad sentado na mesa sendo servido por um dos garçons.
- Olá! – Ele disse animado.
- Jensen? – Chad parecia surpreso e encabulado por ver o loiro ali. – Que está fazendo aqui?
- Vocês convidam as pessoas e depois esquecem é? – Jensen brincou. – Jared já deve estar chegando e...
- Ele nos contou, Jensen. – Sophia interrompeu o loiro. – Vocês nunca foram um casal, não é?
- Mas... – Jensen corou e não sabia bem o que dizer. – Não... que isso seja necessariamente verdade.
- Ei. – Chad disse calmo. – Está tudo bem, ok? Só sentimos muito na verdade a culpa foi nossa. Nós o pressionamos demais e ele acabou mentindo apenas para pararmos de os preocupar com ele...
- Mas você interpretou muito bem. – Sophia disse, um pouco magoada.
- Mas esse é o problema... – Jensen sorriu. – Não foi interpretação... certo, foi no começo, mas...
- Sem ressentimentos, Jensen. – Sophia o interrompeu novamente. – Se quiser se sentar com a gente, não tem problema.
- Obrigado, mas eu realmente preciso ver o Jared... – Ele sorriu sem graça, e claramente implorava com o olhar. – Eu realmente preciso dele agora...
- Ele não vai vir. – Sophia respondeu.
- Por que? Onde ele está? – Jensen perguntou aflito.
- Ele voltou pra costa... Está em Orcs Island... – Chad respondeu calmamente.
Jensen teve certeza que Chad e Sophia não interpretaram como grosseria o fato dele praticamente sair correndo atrás de Jared sem sequer despedir-se deles dois, mas definitivamente ele não iria esperar nem mais um segundo. Entrou no carro e rumou para onde tudo começara.
***
Ele chegou ao hotel onde tinham ficado no casamento e correu imediatamente para o salão onde serviam o café da manhã. Correu os olhos pelo lugar imenso e não encontrou o moreno. Estava praticamente vazio àquela hora.
Ele foi até a janela olhar o lago de um lado e o campo de golfe do outro, mas não encontrou quem procurava.
- Posso ajudá-lo? – A garçonete perguntou quando viu Jensen um pouco perdido.
- Ahn.. – Ele não sabia o que queria. Ou melhor, sabia, mas definitivamente a garçonete é que não lhe daria. – Um croissant de chocolate e um café sem açúcar... – Ele respondeu automaticamente.
- Vou querer o mesmo que ele. – A figura do moreno alto surgiu ao lado da garçonete que anoto os pedidos se retirando.
Jensen abriu seu melhor sorriso enquanto um Jared extremamente calmo se aproximava dele.
- Oi. – Jensen disse.
- Oi. – O moreno sorriu novamente. – Como sabia que eu...
- Chad e Sophia. – Jensen respondeu, ficando ainda mais perto de Jared.
- Você foi encontrá-los? – Jared pareceu surpreso.
- Olha, Jay, eu queria te dizer que... – Ele encarou os próprios pés por um segundo. – Larguei meu trabalho... – Ele sorriu de um jeito infantil.
- Ah é mesmo? – Jared respondeu, orgulhoso. – Estamos... procurando um novo gerente pra padaria, sabe...
- Sério? – O loiro pareceu empolgado.
- E adivinha só, sou eu quem cuido das contratações. – Jared continuou e Jensen entendeu o recado. – Procuramos alguém organizado e que... tenha algum conhecimento de Direito e que goste muito de croissants...
Jensen riu segurando o rosto de Jared, encostando seu nariz no dele, e aos poucos deixando suas bocas se encontrarem. Quanto mais Jensen beijava o mais novo, mais tinha certeza de que era ele o escolhido e, definitivamente, era uma excelente escolha.
Jared pegou nas mãos de Jensen e entrelaçou seus dedos nos dele quando finalizaram o beijo. O moreno olhou curioso para as mãos juntas deles.
- Não é estranho como elas parecem... se encaixar perfeitamente? – Ele disse, beijando uma das mãos e Jensen agora.
- Na realidade... – O loiro respondeu. – Acho perfeitamente previsível! – Ele riu fazendo Jared rir também da brincadeira.
- E então, qual é a programação agora? – Jared perguntou. – Que vai fazer pelo resto da sua vida?
- Não tenho a menor idéia! – Jensen respondeu sorrindo e sem medo nenhum agora, enquanto voltava a beijar o se único e eterno número sete.
FIM.
