DISCLAIMER: Saint Seiya, obviamente, não me pertence. Esta estória esta sendo baseada no livro Eragon e em Senhor dos Anéis.

SUMÁRIO: Há milhares de anos atrás o mundo era governado pelos cavaleiros e seus Dragões. Esse tempo foi conhecido como a era de ouro. Por muito tempo os cavaleiros conseguiram manter a paz em todo o mundo. Os povos de diferentes raças viviam em harmonia uns com os outros. Entretanto a era dos cavaleiros entrou em extinção quando a maldade invadiu o coração de um deles.

"Cold be heart and hand and bone. Cold be travelers far from home. They do not see what lies ahead, when Sun has failed and Moon is dead."

"O vento uiva pela noite trazendo consigo um aroma capaz de mudar o mundo."

Eragon.

"Cai a escuridão... Colidem as espadas... Reina o mal.".

Eldest.


Capítulo – IV

Arredores de Schwert – Império.

O primeiro soco veio de encontro ao seu rosto perfeito. Ela pode sentir os nós dos dedos dele contra a sua mandíbula e logo depois o estalo da mesma saindo do lugar, a dor preencheu seu corpo, principalmente o seu rosto, mas aquela sensação era boa, há muito não sentia aquilo, há muito ninguém conseguia realmente machucá-la, mesmo ela estando bêbada. No meio de lama e de barracos, em volta de um ringue uma multidão gritava e apostava seus últimos centavos ganhos em um longo dia de trabalho. Naquele local era normal esse tipo de situação. Para as horas e os dias passarem mais rápidos, os soldados e alguns mercenários da região apostavam seu mísero dinheiro em ringues de luta. Neste momento, um grande soldado andava em círculos observando a sua presa colocar a mandíbula no lugar.

Para alguns homens ela era conhecida como SB, para outros, apenas como puta e vadia - não que ela não fosse -. Ela era tudo e mais um pouco. Santana Blackbell era conhecida por sua arrogância e crueldade. Vadia sem escrúpulos, fazia de tudo para perturbar o juízo dos homens e para ter aquilo que ela queria em mãos. Em toda a sua vida, nunca recebeu um não como resposta e ninguém se atrevia a fazê-lo.

Bom, nem todos faziam o que ela queria. Este soldado em si, era uns dos poucos que tinham coragem de enfrentá-la. Ela não se importava com isso, afinal, há muito tempo que alguém não a desafiava para um duelo. Santana não era uma Elfa, não tinha a força deles, e muito menos era uma feiticeira, não gozava da magia, mas ela era uma esplêndida metamorfa. Desde pequena nunca controlou a sua transformação, sempre tocando nas coisas e nas pessoas. Às vezes transformava-se sem se dar conta do que tinha feito.

Apesar de não ter controle quando pequena, seu pai que era um humano, levou dez anos para desconfiar que a filha não fosse como ele, e sim diferente. Quando ele a viu, a primeira coisa que pensou, foi que a sua esposa o havia traído. Afinal, ele não sabia que a sua mulher era uma metamorfa. A segunda coisa foi algo simples: mesmo que ela fosse realmente sua filha, ele não podia admitir que ela fosse um monstro. Pegou a criança e a colocou em um lugar para órfãos bastardos. Naquela época, Santana era conhecida como Angelina Berry, mas seu pai com nojo do que ela era, trocou o nome da filha colocando-o como Santana Blackbell.

SB, como preferia ser chamada, passou a ter raiva e ódio dos humanos por causa do pai. Quando saiu do orfanato vagou sem rumo de cidade em cidade, até que resolveu voltar para a sua cidade natal. No meio do caminho ela conheceu Noah, um feiticeiro, que a salvou de um quase assalto. Noah a acompanhou até a sua cidade natal, lá ela descobriu que seu pai tinha matado sua mãe logo assim que ele a colocará naquela pocilga.

Santana, obcecada pelo ódio e rancor, matou seu próprio pai, vingado a sua mãe e a si própria. Depois desse episódio, ela passou a viver com Noah, aprendendo a se defender e a manejar armas. Ela era muito boa corpo a corpo, e sabia usar uma espada, mas se pudesse optar, ela sempre escolheria um bom arco e flecha. Depois de longos anos, Noah e ela haviam se despedido, pois o mesmo iria para a guerra, onde ele encontrou o descanso eterno.

Mais uma vez, SB estava sozinha no mundo, vagando de cidade em cidade a fim de se firmar em algum lugar. No final, acabou por viver em qualquer lugar que lhe desse na telha, usufruindo do dinheiro que alguns senhores e Kanon pagavam por alguns trabalhos "sujos". Naquele instante, ela estava lutando por ela mesma. Lutando pela sua honra e orgulho, honra pelo simples fato dele tê-la insultado, chamando-a de covarde e fraca, e orgulho, bom seu orgulho fora ferido quando ele a chamou de fraca na frente de várias pessoas. Recusar uma luta daquela seria a mesma coisa que admitir que fosse fraca algo que ela não era.

Olhando-o de cima a baixo, ela pode perceber que o fato dele ser alto iria ajudá-la e muito, afinal, ela era bem mais baixa que ele. O soco que ele desferira contra ela não foi uns dos piores. Ela podia aguentar mais de onde aquele tinha saído, mas não estava querendo ficar com a pele manchada de tons amarelados e roxos. SB abriu e fechou a boca umas três vezes, para ter certeza de que a sua mandíbula estava realmente no lugar, quando teve a sua confirmação sorriu para o soldado a sua frente.

Cambaleou de um lado para o outro, alguns soldados a empurravam na direção do outro que sorria de orelha a orelha, achando que a vitória já estava garantida. A metamorfa cuspiu no chão um pouco de sangue e foi cambaleando até ele. O soldado levantou os braços e sacudiu a cabeça cantando vitória, afinal, ela estava indo direto até ele. SB sabia que nesse tipo de luta não existiam regras então uma morte poderia acontecer sem problema nenhum. Quando ela ficou próxima o bastante dele, ergueu a cabeça e o fitou.

- Você acha mesmo que pode me vencer? – Ela perguntou com certa ironia. Fincando seus pés na lama, para não perder o equilíbrio.

- Você é apenas uma mulher! – Ele cuspiu na cara dela.

SB limpou o rosto sorrindo.

- Você vai se arrepender disso.

Seus olhos verdes escuros se transformaram em um dourado juntamente com o seu corpo, que foi se arqueando e ficando cheio de pelos dourados também, como os olhos. Garras apareceram no lugar de unhas e presas no lugar de dentes. Seu tamanho duplicou e o soldado recuou até encostar-se à madeira que circulava o ringue. Os gritos da multidão cessaram e o espanto tomou conta de todos. Um rugido alto e perturbador preencheu o local.

O homem forte, musculoso e antes cheio de si, estava praticamente se fundindo contra a madeira. Suas calças estavam molhadas e a todo movimento que ele fazia para sair do ringue, o leão rosnava para ele fazendo com que seus movimentos se congelassem no mesmo lugar. SB não tinha se transformado em um leão normal, e sim um leão da montanha. Maior, mas forte e mortal.

Os metámorfos quando se transformam em algum animal, pegam a sua essência também, não toda, mas 1% dela. O soldado para Santana era uma presa, um bolo de carnes que ela adoraria degustar. O efeito do álcool havia sumido, devido a sua transformação, outra curiosidade engraçada a respeito deles. Seus pelos se eriçaram e suas patas se prepararam para saltar sobre ele.

O estopo que antes assolava a multidão cessou e os gritos invadiram o lugar, sobressaindo aos rosnados de SB. O lugar virou um caos, mas ela não se importava, estava com fome e com raiva e ele parecia apetitoso demais.

- Por favor, não! – Ele implorava. – Por favor!

Ela não quis saber, pulou contra ele.

- SANTANA! – Gritou Kanon.

O soldado sentiu a baba dela contra sua pele, o hálito de morte invadindo as suas narinas e um rosnado ensurdecedor sair de sua garganta. Ela voltou ao normal da mesma forma que tinha se transformado. Seus olhos voltaram a ser verdes, sua estatura voltou a ser baixa e seu longo cabelo voltou a cair em ondas contra as suas costas.

- Salvo pelo gongo. – Ela sussurrou contra o ouvido do soldado. – A gente se esbarra por ai.

Ela deu as costas para ele e se dirigiu até Kanon que estava montado em seu cavalo negro todo glorioso.

- Todos os lugares que eu vou, ou o soldado morre, ou esta prestes a morrer. – Vociferou ele. – Narya, Brougha e você, vão acabar com os soldados do império.

- Não dá para chamar isso. – Ela gesticulou com as mãos. – De soldado Kanon. São vermes, lixos, escórias da sociedade. Os rebeldes estalariam os dedos e eles iriam se desintegrar de medo!

- Não me responda Santana! – Ele a encarou friamente. – Você é apenas uma serva como eles e me deve obediência.

- Hunpf! – Bufou. – O que quer?

- Saia do meio dessa lama e vá se trocar você está fedendo a cerveja e a outras coisas que não consigo distinguir. – Ele bateu com o calcanhar no cavalo que relinchou e andou para trás, fazendo uma curva e indo a outra direção. – Estarei no castelo, me encontre lá! – Com isso seguiu a galope.

Santana estalou o pescoço e saiu de dentro do ringue passando pelos soldados assustados que se mantinham o mais longe possível dela. Ela respirou profundamente e sorriu para si mesma.

- Cheiro de medo. – Passou a língua pelos lábios. – Isso me lembra de que preciso comer. Agora o que, ou quem?


Floresta Feywood - Estrada que leva ao Império.

Os raios de sol beijavam as folhas verdes dos pinheiros e das antigas árvores que ali residiam. Não dava para ver o céu azul, a copa das enormes árvores não deixava quem estivesse ali ter uma boa visão. A estrada não era larga, apenas dois cavalos podiam passar por ela um ao lado do outro, caso o exército do Império resolvesse marchasse seguindo por aquela estrada, levaria alguns belos dias para atravessar aquela floresta. Não havia animais na floresta, como a mesma ligava o império a outros lugares, a caça naquele local foi tanta que todos os animais fugiram em busca de outro lugar mais seguro para viver. Uma vez ou outra se podia ver uma ave descansando nos galhos das árvores.

Yuráh estava sentada, encostada em uma árvore larga e velha, seu musgo escorria lentamente pelo tronco até encontrar o chão, onde uma pequena poça esverdeada se formava. Seu cavalo estava preso a um galho descansando da longa viajem. A jovem feiticeira tinha os olhos fechados, seus pensamentos vagando entre ajudar Kanon ou ajudar Saga. Seu irmão Kanon por parte de mãe era alguém que ela se importava demais, mas o caminho que o mesmo havia escolhido não era o certo, não era o caminho que ela escolheu para si, e no final dessa jornada, no final de tudo, ela conseguia ver que o seu irmão poderia morrer.

A inveja e o orgulho estavam cegando os olhos dele, e o papel dela seria abri-los de novo. Mesmo que ele não soubesse quem era ela, ela o ajudaria, da melhor maneira possível. Yuráh bocejou e apoiou a cabeça nos braços. A brisa lhe agradava e lhe dava conforto, afastando o calor. O cheiro da terra úmida e as folhas secas contra a sua pele a agradava mais ainda.

- Mestre, o que você faria? – Perguntou ela para o vento ainda de olhos fechados. – Ir até Kanon e ajudá-lo, ou seguir até os Rebeldes e ajudar Saga?

O que ela faria se encontrasse com Kanon? O que ela faria se ele descobrisse que ela era sua irmã? Sua irmã bastarda? Agiria da mesma forma que age com Saga? Teria ódio dela? Tentaria matá-la? Yuráh sacudiu a cabeça afastando tais pensamentos. Mesmo que ele venha a odiá-la ela não deixaria nada de ruim acontecer com ele.

- Por que você se uniu a Darius meu irmão, por quê?

E lá estavam os pensamentos mais uma vez, as lembranças daquele dia enfadonho. Um dia escuro e nebuloso, ela ainda podia ouvir os gritos dos cavaleiros e os rugidos de dor dos Dragões que sucumbiram. Aquele poder nefasto de Wegor, aquela sensação de impotência, de sentir a sua vida ser sugada para um buraco negro. Escudos, espadas, nada tinha efeito contra ele, nada. As chamas lambiam as árvores e o calor era insuportável.

O solo estava morto, os animais também, os cavaleiros acabados, dor e raiva preencheu o coração de Yuráh. No meio do caos ela podia ver Mu ao lado de seu mestre tentando amenizar o estrago, logo depois de uma luta entre os Orcs, lembrava-se do feiticeiro correr com o corpo do seu mestre nos braços a procura de um abrigo, lembrava também de Léia morrendo quando seu dragão Ismael, teve seu coração arrancado do peito pelas mãos de Darius. Ela mesma, não pode com tanta destruição, os Elfos foram embora, os humanos nem mesmo entraram na guerra, os anões fugiram para as suas montanhas, os metamorfos eram indiferentes a luta e os feiticeiros, só alguns entraram e os mesmos morreram no final.

Cem anos se passaram, cem anos e Darius ainda controlava tudo e a todos. O medo ainda assolava os corações das pessoas. Até ela mesma tinha medo do que estava por vim, ainda se lembrava da profecia dita por Mu há anos atrás, quando os dois tinham se encontrado por acaso. "Dias manchados de vermelho estão para surgir, quatro irão liderar e apenas um irá cair. A guerra irá começar, o dia se transformará em noite, o sol se banhará em vermelho, o rei amado irá sucumbir pela mão do traidor, a raiva irá tomar o coração do cavaleiro, a busca do traidor terá sucesso, mas a vitória e a derrota dependerão do seu servo mais leal e para ele o exílio será o fim e no final, o verdadeiro Rei irá triunfar sobre o mal.".

- Mu, por onde será que você anda? – Ela suspirou.

Aquela profecia não era conhecida por todos, mas Yuráh sabia que Darius tinha conhecimento sobre ela. Ele sabia de tudo. Ele sempre soube o que fazer, ele já vinha planejando e almejando o trono. Yuráh tinha pena de seus servos, pois eles não sabiam quem era o verdadeiro usurpador. Eles não tinham noção do que aquele homem era capaz. Ela viu, ela sentiu, ela esteve lá, ela ainda tinha pesadelos com aquele homem e com aquele Dragão negro.

- Kanon, onde foi que você foi se meter.

Seu irmão não passava de uma mosca perto do rei, ele não era nada, ninguém lá era páreo para ele, Yuráh cansará de pensar em quem seria o tal servo que traria a destruição para Darius e que Rei amado iria morrer? Saga? Ela não podia deixar que a esperança da humanidade morresse. E quem seria aquele que irá cair? E o que Darius estava buscando? Aquelas perguntas fervilhavam em sua mente, mas ela sabia que no final, no final de tudo, o verdadeiro Rei iria triunfar, mas quem era o verdadeiro Rei? Saga? Kanon? Ou outro Rei?

Perguntas sem respostas, uma direção a ser tomada e um caminho incerto. Ela estava sozinha, ela teria que resolver seus problemas com Kanon sozinha, mas não poderia passar a mão na cabeça dele, ela iria até Saga, era o certo a fazer, tinha que lhe dizer sobre a profecia, alertá-lo. Ela não sabia se ele tinha noção sobre a mesma e não sabia se ele já havia desvendado a mesma, iria ajudá-lo e no caminho, ela ajudaria Kanon também.


Arredores de Hügel – Província dos Rebeldes.

- Bennetti. – Chamou Calla. – Não vá para muito longe! – Advertiu a menina.

Calla era uma jovem de apenas dezessete anos que tinha se juntado aos rebeldes quando o lar onde morava tinha sido destruído por Darius. Na época, o orfanato não era grande coisa, então para ela não fez muito diferença ele ter sido destruído. No final, o que importou mesmo, foi ter encontrado Aiolia, por quem nutria um grande carinho, carinho de irmã. Ela ainda era pequena quando ele a encontrou, Bennetti na época não era tão agarrada a ela ainda.

Com o passar do tempo, as duas ficaram amigas inseparáveis. Do mesmo modo que Calla nutria um sentimento de irmã para com Aiolia, ela nutria por Bennetti. Bennetti era uma metamorfa que sempre usava a forma de um corvo, muito raramente a menina voltava a sua forma normal e sempre que o fazia, era para proteger Calla de alguma coisa que como corvo, ela não podia fazê-lo.

Neste momento ela voava pelas montanhas saboreando o vento fresco e a sensação maravilhosa de planar no ar. Com seus olhos aguçados, olhou para o ponto onde tinha deixado Calla, a jovem estava sentada de baixo de uma árvore apreciando a sombra e água fresca. Tinha os olhos fechados e sua expressão era neutra, estava apreciando o frescor. O acampamento dos Rebeldes era bastante quente e o cheiro de suor inebriava o lugar, deixando a jovem enjoada.

Nem sempre Bennetti e Calla podiam ficar dentro das acomodações dos Senhores. Onde eram planejadas as estratégias de guerra, Calla ficava na maior parte do tempo em sua tenda, enquanto Bennetti voava por ai observando os arredores e informando a situação a Camus. Os anões eram bastante convidativos, porém eram barulhentos e ela estava à procura de paz, e ali juntamente com Bennetti, ela tinha essa paz.

- Calla. – Aiolia a chamou.

A jovem de longos cabelos alaranjados, da cor das folhas quando estavam no outono abriu os olhos e encarou o amigo. Um pequeno sorriso travesso formou-se em seus lábios.

- Ops... Encontrou-me. – Ela deu de ombros. – O que quer?

- Você não devia estar aqui Calla. – Falou o feiticeiro levemente irritado. – Você deveria estar dentro de Hügel, onde é seguro. A floresta não é um lugar para crianças como você.

- Falou o feiticeiro que tem apenas dezoito anos. – Debochou a jovem. – E, além disso, estou com Bennetti, não estou só.

- Onde ela está? – Ele perguntou rispidamente.

- Estou aqui. – Bennetti saiu de trás de uma árvore. Vestia apenas uma tanga feita de pele de animal para cobrir as suas partes intimas e uma blusa curta, feita do mesmo material, cobrindo apenas os seios. Seus cabelos vermelhos estavam soltos e despenteados, como se ela tivesse acabado de acordar. – O que quer Aiolia?

- Ai, ai... – Suspirou o feiticeiro cansado. – Voltem para o acampamento, temos uma reunião, que já devia ter começado, mas as duas estavam tendo o seu momento de descanso enquanto alguns trabalham.

- Não seja tão rude conosco Aiolia. – Calla levantou-se indo em direção ao amigo. – Já estamos indo.

Bennetti lançou um olhar enviesado para o feiticeiro e se transformou em corvo de novo, assim pousou nos ombros de Calla onde ficou observando tudo ao redor com seus olhos vermelhos.

Não demorou muito para chegarem ao centro de Hügel, Calla estava entediada, e o amigo não ajudava em nada. Aiolia tinha esse costume de ficar calado quase o tempo todo, igual ao irmão, só se pronunciava quando Saga ordenava - pau mandado – o que não era necessário, já que o mesmo fazia questão de ser chamado pelo nome e ser tratado por eles formalmente.

Os anões e os humanos estavam fazendo seus afazeres normalmente, Calla seguia Aiolia quieta, quando ele virou em outra direção que não era a que levava até a grande construção, ela achou estranho, Saga sempre fazia reuniões lá dentro, o que estava acontecendo? O que será que ele estava planejando?

- Aonde vamos? – Ela perguntou como quem não quer nada.

- Você irá ver. – Limitou-se a dizer somente isso.

- Hunpf! – Bufou a ruiva.

Caminharam por alguns minutos até chegarem a uma grande tenda no final do acampamento, alguns guardas selecionados, - pelo que Calla pode perceber - faziam a segurança da mesma. Saga estava sendo cauteloso, o porquê ela não sabia, mas estava prestes a descobrir.

Quando ela entrou na tenda, Saga estava de costas para todos os presentes. Calla pode perceber que Aiolos e Camus estavam juntos discutindo alguma coisa e Heide estava sentada afastada dos outros, já Ayala parecia perdida em seus pensamentos.

- E ai, pessoal. – Calla falou de formar descontraída. – Esperavam por mim?

- Calla.

Camus só tinha dito o nome dela, mas o tom de sua voz, forte e cheia de uma segurança e força misteriosa a fez calar-se. Normalmente ela discutiria com ele, implicaria ou até mesmo mostraria a língua para o ruivo, mas não achou que o momento fosse apropriado para aquilo.

- O que houve? – Ela limitou-se a perguntar.

- Sente-se Calla. – Falou Saga docemente. – Estávamos a sua espera sim. Espero que você e Bennetti tenham descansado bastante.

Calla sentiu as bochechas corarem, ele colocando daquela forma a deixava com vergonha, vergonha do seu pequeno ato de egoísmo.

- Sinto muito Saga, não irá se repetir. – Ela se sentou ao lado de Heide.

Saga apenas sorriu para ela, era um sorriso caloroso e cheio de vida. O que deixou Calla com mais vergonha ainda do seu ato estúpido. Ele foi até o centro da tenda, que era bastante grande, tinha alguns pufes feitos de peles de animais espalhados para que os mesmos pudessem sentar. Uma pequena mesa com algumas frutas e vinhos estava deposita no canto esquerdo, ao lado de Heide. As espadas e escudos dos homens estavam encostados em um canto da tenda e no centro, a madeira que erguia a mesma, que a mantinha de pé, tinha um pequeno espelho fixado, um espelho encantado pelo Calla pode perceber.

O jovem rei suspirou e olhou ao redor para cada rosto ali presente. Todos aguardavam aquela reunião desde cedo, todos estavam curiosos a respeito do que ele falaria. Será que Darius havia descoberto a entrada de Hügel? Será que os exércitos do traidor chegariam ali naquela noite? Será que os anões não os querem mais ali? Não querem mais ajudar com a guerra?

- Eu tive uma breve conversa com Shaka hoje. – Saga disse naturalmente. – Ele me disse que três elfos estão vindo para Hügel se juntar a nós e que eles irão trazer algo muito importante e de grande valia para nós, rebeldes.

Calla não pode deixar de se sentir incomodada com isso. Elfos? Eles eram frios e egoístas. De egoísmo já bastava o dela, eles não precisavam de mais.

- Um espectro atacou uma Elfa que tinha saído de Silverseed sem a permissão dele. Ela e os outros dois chegarão dentro de uma semana, quero que vocês deem total apoio e lhe expliquem tudo sobre o lugar. Os anões não gostam dos Elfos e vice e versa, então prevejo que problemas irão surgir. Aiolos, preciso de você para controlar essa situação, Camus e Aiolia, vocês vão ficar encarregados de explicar tudo para os Elfos, Ayala, gostaria muito que você os tocasse, principalmente essa Elfa em questão. Quero saber o que aconteceu, e se tivermos sorte, o que poderá acontecer.

Ayala fez uma careta ao ouvir aquelas palavras. Ela não gostava daquilo, mas não iria contra as ordens de Saga. Tentou ao máximo não mostrar o que estava sentindo. Não seria egoísta, estava ali para ajudar.

- Heide, preciso que você se lembre do que sonhou. Preciso de detalhes, seja lá que guerra é essa que você previu, preciso saber, precisamos saber. – Falou gentilmente. – Calla e Bennetti, vocês são como dois espíritos livres, fazem o que querem e quando querem, mas preciso da colaboração das duas. Evitem causar problemas.

Bennetti grasnou enquanto Calla apenas suspirou tentando não ficar mais vermelha do que já estava.

- Sim senhor. – Ela disse cheia de vergonha.

Saga fez um pequeno gesto com a cabeça e sorriu para a ruiva.

- Preciso de vocês, confio em vocês e preciso que confiem em mim. – Ele andou até o espelho fixo na madeira. – Shaka entrara em contato conosco de novo, ele irá falar mais reservadamente comigo, antes não pode por causa do conselho, mas eu pude sentir que algo aconteceu, ele estava diferente.

- Como podemos saber que os Elfos são confiáveis? – Perguntou Aiolos. – Eles já se negaram a ajudar-nos.

- Eu confio em Shaka, mas iremos nos precaver. – Saga olhou para o amigo. – Por isso preciso de vocês.

- Conte conosco. – Camus falou seriamente. – Seja o que eles estejam planejando, eu irei descobrir.

- Quando os Elfos chegarem, me chame em meu quarto. – Falou Ayala saindo da tenda deixando-os sozinhos.

- Espero que ela consiga lidar com tudo isso. – Heide disse melancólica. – O fardo dela é maior que o meu.

- O fardo de todos aqui é igual. – Falou Aiolia friamente. – Todos nos temos responsabilidades e deveres. Ayala deveria saber disso.

- Ela sabe. – Saga sentou-se e apoiou a cabeça contra as mãos. – Ela sabe, ela só precisa de tempo para se acostumar com a ideia. Ela é jovem e dedicada, é amorosa e gentil, vai fazer o que é certo, vai fazer isso por mim, por nós.

- Saga, o que eu preciso fazer para ajudar? – Perguntou Calla.

Aquilo chamou a atenção de todos. Calla nunca se oferecia para nada, nunca quis saber de nada e nem queria se meter na guerra, só queria viver a sua vida. Era bastante mimada e egocêntrica, Camus se surpreendeu com a atitude da menina.

- Você só precisa obedecer às ordens que lhe forem dadas, pequena Calla. – Saga sorriu para a menina. – Você é alegre, tem um espírito forte, precisa saber quando é hora de brincar e quando não é. – Ele levantou-se e se ajoelhou de frente para jovem. – Eu confio em você. – Passou as mãos pelos cabelos alaranjados dela. – Me deixe orgulhoso.

- Irei deixar. – Ela disse sorrindo.

Saga se levantou e olhou para Camus sério.

- Do mesmo modo que está ensinando Enor, quero que ensine tudo sobre política a Calla, assim ela saberá se portar diante dos Anões e dos Elfos. Quero também que você me informe sobre Gillius e Aldebaran, até agora não tenho notícias dos mesmos. – Saga olhou diretamente para Heide e para Calla. – Aiolos, quero que você treine as duas. Preciso delas prontas para uma guerra, não posso me preocupar com as seguranças delas quando a mesma vier, não conseguirem ficar tranquilo.

- Deixe comigo senhor. – Falou o guerreiro. – Irei ensiná-las tudo o que sei.

- Bennetti, conto com você para vigiar os arredores de Hügel. Mantenha-nos informados do que está acontecendo e quero que você vigie a entrada dos Elfos e faça a sua escolta junto com Aiolia. Como ele é um feiticeiro, poderá ajudar a proteger Hügel, caso os Elfos tentem algo.

Bennetti apenas o encarou com os belos olhos vermelhos. Calla suspirou e se retirou da tenda, estava cansada e aquele papo toda tinha a deixado com dor de cabeça. Não queria trabalhar, mas Saga era gentil e bondoso e a forma como ele falava deixava-a cheia de energia e de forma estranha, só lamentou o fato de ter que estudar com Camus e treinar com Aiolos. Isso sim seria um tédio.


Heilige – Floresta Sagrada dos Elfos.

Shura e Mu estavam parados encostados em um tronco de árvore a espera da rainha dos Elfos. Ela poderia dar a permissão de entrada a eles, assim os dois poderiam conversar com Léia. Léia era a única cavaleira que havia sobrevivido à queda. Darius não desconfiava de que a mesma estava viva. Mu tinha escondido juntamente com Shaka a sua existência.

Na época, quando Ismael foi morto, a dor que preencheu o coração da cavaleira foi enorme, a solidão invadiu o seu âmago e assim ela se deixou cair dentro de um grande abismo de escuridão. Shaka que tinha sofrido um sério dano na luta contra Darius, conseguiu despistar o cavaleiro junto com Dohko e Shion, enquanto Mu corria para Léia e a escondia dos olhos predadores do traidor. Não foi uma tarefa fácil, Léia estava inerte em seus braços, ela chegou em um estado lamentável, sua desolação era palpável, fazendo com que o Feiticeiro tivesse certa dificuldade e fazer a magia para protegê-la.

Mas o destino sorriu para eles no meio do caos. Ele conseguiu salvar a vida da jovem e levá-la até a entrada de Heilige, lá ele a colocou encostada ao mesmo tronco que ele Shura estavam neste momento. Fazendo isso, partiu e desde então nunca mais a viu. Shura, que na época tinha participado da guerra, ajudou o amigo a despistar o traidor. Lutou ao lado de Yuráh e quando o mestre da mesma morreu, ele a levou para longe da guerra a comando de Mu. Desde então Shura vinha procurando por Léia.

- Por que não me disse que sabia onde ela estava? – Shura perguntou mal humorado. – Você é ou não meu amigo?

- Eu sou seu amigo, mas eu não podia dizer isso para ninguém. – Ele deu de ombros. – Nem mesmo o senhor Gato sabia dessa informação.

- Claro. – Shura ainda estava mal humorado. – Como se o Gato se importasse com isso.

- Ele se importa. – Falou o amigo gentilmente. – Ele é bem curioso, garanto para você que foi bem difícil esconder essa informação dele.

Shura revirou os olhos e lançou um olhar mortal para Mu. Logo depois resolveu esquecer aquele assunto, o importante era que tinha encontrado Léia e agora as coisas poderiam mudar, ela poderia se juntar aos rebeldes e passar todas as informações que sabia sobre Darius para Saga.

- Mu.

Iebel flutuava, suas assas batiam rapidamente fazendo com que a mesma planasse no ar. Aquela visão era algo encantador. A Elfa era bela e seus olhos dourados chamavam a atenção de todos. Shura e Mu se pegaram querendo mergulhar dentro daquele olhar.

- Minha senhora. – Disse os dois em uníssono.

Iebel fez um gesto com a mão e a barreira invisível que bloqueava a entrada a Heilige desapareceu.

- Vocês dois podem entrar. – A voz dela era suave e delicada. – Sigam-me.

Shura e Mu não falaram nada. A rainha não era alguém de livre acesso e tê-la ali com eles, era algo inusitado. Eles passaram pela barreira e nem precisavam conferir para saber que ela estava lá, de volta no lugar. Shura pode perceber pelo canto dos olhos que alguns Elfos estavam observando-os a distância, em cima das árvores, atrás delas, escondidos no chão, todos camuflados. Não que eles precisassem fazer algo, já que Iebel era bastante poderosa.

- O que querem com Léia? – Perguntou a Rainha quebrando o silêncio.

- Queremos a ajuda dela Vossa Alteza. – Mu falou calmamente. – Já está na hora de agirmos.

- Uma vez você a salvou feiticeiro, trouxe ela até mim e eu pude amenizar a dor que assolava o seu coração, agora você irá pedir para que a mesma lute junto com os rebeldes, contra o usurpador?

- Irei minha rainha.

- Que a mãe natureza esteja com vocês. – Ela virou-se para olhá-los. – Léia está amargurada e cheia de um rancor que eu não consegui curar. Espero que vocês consigam salvá-la. Ódio e vingança são sentimentos pesados que corroem a alma.

- Iremos fazer o possível para que Léia nos ouça e nos ajude. – Disse Shura decidido. – Não iremos embora sem ela.

- Acredito nas palavras de vocês. – A rainha voltou a olhar para frente e continuou guiando-os. – Logo mais iremos saber como a jornada de vocês irá terminar.

Mu e Shura não tinham certeza do que poderia vir a acontecer, mas eles estavam dispostos a conseguir o que tinham ido buscar. Mu, que tinha aceitado entrar naquela guerra, não sairia de Heilige de mãos vazias e sabia que podia contar com a determinação de Shura. Seja o que for que acontecesse, eles só tinham um caminho a trilhar.


Povo que amo tanto, espero que gostem desse capítulo e me perdoe por eu ter postado tão tarde e atrasado. Sábado eu tive um casamento e domingo um aniversário, então não deu para escrever então, passei segunda e terça feira escrevendo sem parar, falei que ia postar até 00 de terça, mas meus dedos não foram tão rápidos assim.

Enfim, é isso ai.

BeijosMeLiga.


Respondendo os Recadinhos felizes. *OOO*

Krika Haruno –Espero que goste da aparição da sua personagem. (:

Ainda não fiz o tão esperado encontro, mas logo, logo irá acontecer. E será engraçado sim. Obrigada pelas palavras bonitas, fico toda, toda aqui. Sentindo-me a escritora profissional.

Jules Heartilly– A Zara é bem Zen, mas será que ela vai ser assim sempre?! Também achei sacanagem com os porcos depois que eu postei. Tadinhos, eles mereciam coisa melhor. Daí pra frente só tende a piorar.

Milo sem camisa deixa todo mundo nervoso, eu babei aqui escrevendo, pena que ele não é de verdade, mas a gente finge. Elinor que tome cuidado com ele.

Ayala vai saber de muitas coisas, mas será que ela vai contar?

Black Scorpio no Nxy– No próximo capítulo teremos Reganna e seu poder glamoroso.

Que bom que você tem gostado amor, faço com muito carinho. Essa fic esta me dando um trabalhão, estou desenvolvendo os personagens com calma, para todos se alegrarem.

Darkest Ikarus – Querido, venho por meio deste te agradecer por ter me ajudado e claro dar os devidos creditos a você também por ter ajudado a criar a nossa querida Ayala.

Fico feliz em saber que gostou da cena da Orc. Que bom que atingiu as suas expectativas, como será o embate dela com o Gillius?

Aredhel Atreides – To tentando imaginar a Ayala lendo a Zara também. Um grande arco-íres. Cheia de emoções e sentimentos guardados a sete chaves, fora o seu lado peculiar que ela ainda não mostrou, às vezes sinto pena do Kanon.

Pure-Pet Cat – Meu amor, sua personagem entrou. Fiz com carinho, amor, dedicação e entre outras coisinhas a mais. Espero que goste. Foi muito divertido escrevê-la.

Dark Okami – Tudo bem amor, eu entendo. Sem problemas. Eu me estresso com ele sempre também, principalmente quando vou escrever o seu nome. Ele fica me trolhando.

Daniela Moreira – Cena do Mu especialmente para você. Sei que o ama, então sempre que escrevo a respeito dele, penso em ti. Ah! Feliz aniversário! Eu sei que foi sábado, e eu sei que já desejei, mas quis escrever aqui também!

Notte di Luce – Cara, eu adoro as suas reviews. Elas me deixam boba aqui. A Ayala vai conseguir ver a áurea de todo mundo, mas não vai conseguir distinguir quem é homem e quem é mulher, ela pode ficar na dúvida, porque uma cor representa várias coisas, isso pode deixá-la confusa, até mesmo no quesito sentimento.

Mas uma parte dos rebeldes para você ler, já que gosta tanto. (:

Erika K – Realmente as duas seguiram caminhos bem diferentes, até que seria legal, escrever sobre um Orc que não gosta de guerra e tudo mais, bem diferente. Fico muito feliz em saber que gostou da estreia da sua personagem. Gostei muito de escrevê-la. Esse tipo de personagem é fácil de escrever e tudo fica mais gostoso quando as ideias fluem.

Emmit Remmus – Sem problemas querida, quando tiver tempo leia. Espero que esteja tudo bem ai. Beijos.

Shina com – Caraca fiquei muito feliz com a sua review. Cara, que bom que gostou de como ficou, eu modifiquei e fiquei com medo de você não aprovar, mas estou muito feliz que tenha gostado.

Eu a adoro, ela é cheia de um amor inimaginável, é até difícil escrever, porque ela é boazinha, meiga, gentil, ela é a personificação do bem.

Girtab Scorpii – Moço, que bom que o senhor apareceu. (:

Gostou da Elinor? Ela é linda e meiga e ficou tão perfeita a ficha dela. Já a coloquei contracenando com o par dela. Gostou da cena, das atrapalhadas delas?! Foi divertido escrever.

Sentiu dor foi? Eu que não sou homem senti dor no meio das pernas com essa cena em particular.


P.S: Quero agradecer a Marcela e a Thamires por serem minhas lindas betas. Rebolando na cara das recalcadas de plantão. /brinks

E claro, quero agradecer a Ikarus por ter lido a profecia e gostado.