N/A: Lá vamos nós de novo. Para os que sentiram falta de H/G, aqui está.

Sob o céu estrelado

Enquanto fogos de artifício podiam estar saindo de Rony e Hermione, Harry se encarava no grande espelho do banheiro masculino. Entrara no cômodo rapidamente depois de perceber sua falta de controle bem ali, no meio do salão, às vistas de todos os convidados e em especial os irmãos e pais de Gina. Não, ele não poderia ultrapassar essa barreira assim, seria a maior falta de respeito para com o Sr. e a Sra. Weasley depois de tudo que fizeram por ele.

O mármore e as velas davam ao banheiro um ar ainda mais elegante do que já era pela decoração. A iluminação dourada emoldurava o rosto de Harry, se encarando confuso e agitado. Passara a mão molhada de água gelada na nuca umas três vezes, enquanto sentia o corpo relaxar mais uma vez.

O que estava fazendo? Não podia exigir de Gina um momento como aquele. Ele iria embora no dia seguinte e como ficariam? Tinha certeza de que se, pela falta de controle, se entregasse ao desejo, sentiria como o pior verme da face da Terra na manhã posterior. Não era dessa forma que esperava dizer adeus à bela garota ruiva.

Decidido ele mirou o Harry do espelho e soube o que aconteceria.

Foi com o olhar decidido que se dirigiu a Gina, sentada sozinha na mesa que anteriormente estava cheia. Ela devolveu o olhar assustada:

- O que foi, Harry? Aconteceu alguma coisa?

Sem palavras, ele ergueu sua mão para ela e aguardou que a garota retribuísse. Puxou-a para longe da pista, dos convidados, da luz. Gina percebeu que estava sendo guiada até o altar no jardim, que agora estava escuro, iluminado fracamente pela luz que vinha do salão montado.

Harry tirou o paletó e o aumentou magicamente, esticando-o na grama.

- Sente-se. – murmurou para ela.

Ambos estavam agora dividindo o paletó preto de Harry, deitados de barriga para cima, observando o céu estrelado. Lentamente ele moveu sua mão para perto da dela e a segurou, cheia de calor.

- Não posso fazer o que queria fazer com você esta noite, Gina.

Sem virar-se para o rapaz, ela suspirou:

- Eu sei. Obrigada.

- Obrigada pelo quê?

- Harry, eu não nasci ontem. Eu sei os seus motivos.

O jovem virou o rosto para encarar a pele alva de Gina. Sentiu a tristeza subir pela garganta, consumindo as palavras que queriam sair, mas agora estavam afogadas na dor. Sua mão direita, que segurava a mão esquerda da moça, soltou-se e subiu pelo seu braço macio. Precisava dizer tudo, exatamente como pensava, para que quando a deixasse, não houvesse qualquer mal entendido. Seria pior, ele sabia bem, ir embora sem ter dito tudo o que queria e talvez nunca mais encontrá-la.

- Gina... – ele murmurou com dificuldade – Eu preciso me explicar.

Ele sentiu medo que ela se levantasse e ralhasse com ele, dizendo que não havia nada para ser explicado e que era o fim de tudo. Mas ela não fez. Ela simplesmente virou-se para encará-lo também e abriu um sorriso conformado.

- Tudo bem. Estou te ouvindo.

- Não posso... Não posso ficar com você esta noite. Não posso deixar que isso tome conta de mim e sei que vou me sentir um lixo pela manhã, mas vai ser bem melhor que ir embora sentindo que peças não estão se encaixando.

- Entendo...

- Eu amo você, Gina.

Uma lágrima solitária correu pelo rosto claro da ruiva.

- Não queria que nossa última noite fosse assim, dessa forma, cheia de... de sentimentos físicos e pouco amor, que é o que realmente deveria ter. Não é assim que deveríamos dizer adeus, como se precisássemos extravasar toda a nossa tensão com uma noite e depois... Lembrarmos somente daquele último momento físico. Não é assim que quero pensar em você quando eu estiver longe. Quero lembrar de você assim.

Ela soluçou lento e baixo.

- Quero lembrar da linha do seu rosto debaixo da noite estrelada, olhando para mim como eu estou olhando para você: com amor. Quero lembrar é disso, do amor expresso pelo seu olhar, para que, quando eu estiver sabe-se lá onde, desesperado, desesperançado, eu ter forças para continuar e vencer. Vencer, para mim, significa poder voltar para você.

Ela sorriu através da lágrima, tristemente.

- E quando eu voltar, poderei fazer o que mais quero nesse mundo: ficar com você e enfim... Fazer amor com você. Sei que isso soa clichê e muito pouco original, mas é isso que penso. Não quero fazer sexo, quero fazer amor.

- Acho que não poderia ter se expressado melhor, Harry. – ela murmurou.

No silêncio então eles se encararam, firmes e intensos, sentindo as palavras fazerem efeito mais forte. O beijo que se seguiu foi lento e amoroso e as estrelas ficaram esquecidas por bastante tempo.

As horas passaram suavemente, em que eles alternavam admirar o céu e encarar seus rostos, com as mãos sempre dadas, aquecendo uma à outra. Muito tempo depois o manto azul começou a clarear e as estrelas foram de apagando até que a última, finalmente, se foi. Eras as primeiras horas da manhã e Gina precisava ir dormir. Sem dizer palavra, levantaram-se, recolheram o paletó e Harry guiou a amada até seu quarto.

Antes que ela fechasse a porta, eles se encararam mais uma vez tentando expressar no olhar aquilo que mais sentiam um pelo outro, para que a última imagem que tivessem de si fosse apenas aquilo que valesse a pena lembrar.


Enquanto Harry e Gina iniciavam sua romântica e silenciosa noite, Jorge sentiu que ia cair no sono e Fred resolveu ajudá-lo, carregando-o até o quarto. Chegaram diante da porta. Fechada.

Fred olhou para o gêmeo desconfiado, que lhe retribuiu.

- Nós deixamos essa porta escancarada, não foi?

- Pelo que me lembro...

Jorge alcançou a maçaneta e a girou lentamente. Estava trancada.

Ambos arregalaram os olhos um para o outro e cobriram a boca com as mãos.

- Será que...?

- Será, nada. Tenho certeza.

- Como que você pode ter certeza? Você está tão bêbado quanto eu e ficou rondando as damas de honra a festa toda.

- Simplesmente sei. Aposto que Roniquinho está aí. – disse Fred, cruzando os braços com pose de quem sabe tudo. – Com a Hermione.

Jorge não pôde segurar o sorriso inundou todo o seu rosto. Ficaram ambos se encarando, marotos, rindo. Até que Fred pareceu lembrar-se de um fator que não estava bem em seus planos bem calculado.

- Jorge... E se não for o Rony? E se for... o Harry?

O outro encarou o irmão sem entender por alguns segundos, até que o entendimento atingiu-o:

- GINA!

Jorge, muito bêbado, demorou a puxar a varinha do casaco, mas ia destrancar a porta a qualquer custo. Não podia deixar sua irmãzinha dormir com um homem, não daquele jeito!

- Jorge, acho melhor não! – Fred foi rápido (para seus padrões alcoólicos) em impedir seu irmão. – Imagine só... Se for Gina mesmo – olhou para cima, como se encarasse os céus pedindo compaixão – vai ser bem desagradável flagrarmos ela nessa situação. Vamos... Vamos lá caçar aquelas veelas e tomar mais uns traguinhos.

- Pelo menos uns cinco para esquecer isso né?

- Absolutamente.


Notas: Primeiramente, mil desculpas. Sei que prometi NC17 de ambos os casais, mas não deu gente. Não deu mesmo. A história não pediu isso nesse capítulo, então não pude fazê-lo. Sei que muitos vão ficar putos da vida comigo e eu peço um milhão de desculpas, mas creio que haverá um calor bem quentão entre Harry e Gina mais parafrente, só peço para que aguardem um pouco mais.

Me chegaram duas reviews ontem e fiquei muito agradecida! Uma das pessoas que me escreveu foi bastante clara em todas as falhas que cometi (auahiuahaiu, e foram muitas) e por isso agradeço, sinceramente. A explicação do que aconteceu entre Hermione e Rony virá no próximo capítulo, não está tudo tão escurecido e tão mal pensado assim!

Essa fanfic é de final feliz (não consigo fazer finais tristes!!), então àqueles que se sentiram frustrados com Harry e Gina nesse pedaço aqui, não temam! A salvação virá! Espero, danda, que esse capítulo tenha sido mais satisfatório no quesito "tamanho"!

Muito obrigada mais uma vez!