Nota da autora: último capítulo aqui!Claro, ainda vou vir com um epilogozinho esperto, mas aqui acaba a a nossa história. Vou sentir falta dessa fic! Me digam se gostaram do fim, okay? E obrigada mais uma vez por comentarem! A Lise que betou esse capítulo - obrigada, linda!


Et on se prend la main, comme des enfants
Le bonheur aux lèvres, un peu naïvement ¹


Ron saiu correndo até o quarto da namorada, bem a tempo de ver os enfermeiros levando sua filha em uma pequena cama hospitalar.

- Esperem! – ele gritou, tentando pará-los. – Aonde vocês vão?

- Ron, ela ainda é muito pequena. – Molly explicou, parando atrás do filho enquanto os enfermeiros deixavam o corredor. – Precisa ser cuidada!

- Cuidada por quê? – sua voz saiu esganiçada. – Por que ela precisa ser cuidada?

- Porque ela é muito pequena, eu já disse! – Molly exclamou, começando a se irritar com a impaciência de Ron. – Isso aconteceu com Percy também!

- Oh não, Ron! – George exclamou, de repente. Segurando o irmão pelos ombros. – Sua filha vai ficar como o Percy! Você tem que impedir!

Todo o clima tenso que dominava o corredor antes se dissipou. Ron e todos os outros, inclusive Percy, começaram a rir. E foi então que o jovem percebeu que não só sua filha tinha nascido e estava bem, mas George tinha voltado ao normal. Ele voltara a ser ele mesmo. Aquele nascimento trouxera George de volta.

Ron, sem conseguir parar de rir, abraçou o irmão como não se lembrava de ter feito em anos.

- Tudo bem, bonitão. – George disse, soltando-se de Ron, sem jeito. – Vá abraçar a sua namorada que passou as últimas horas sofrendo dores terríveis por sua culpa!

Quando Ron entrou no quarto, Hermione estava dormindo. Os cabelos dela, que sempre foram completamente desajeitados, estavam bem piores agora. Seu rosto estava corado e sua testa estava molhada de suor. E mesmo cansada, com a respiração descompassada, ela parecia ótima para Ron. Ele se sentou ao lado dela na cama e começou a acariciar seus cabelos, disposto a esperar que ela acordasse.

Não precisou esperar muito. Logo ela começou a abrir os olhos, devagar, tentando se acostumar com a claridade do quarto.

- Acordei você? – Ron perguntou, sorrindo para ela.

Hermione apenas fez que não com a cabeça, sorrindo para ele também. E então começou a olhar para os lados, com uma leve expressão de preocupação.

- Os enfermeiros a levaram. – ele disse, sabendo quem ela procurava a filha. – Minha mãe disse que ela precisa de cuidados, mas...

- Eu sei. – Hermione respondeu. – Ela ainda é muito pequena...

Ron se sentiu um pouco idiota por ser o único que ficou assustado com os cuidados especiais do hospital com o bebê. Mesmo que já soubesse como cuidar de crianças, ou ao menos que já levasse jeito para isso, ainda teria que aprender muitas coisas sobre elas. Seria bom ler alguns daqueles livros que Hermione havia comprado sobre o assunto.

- Olá! – Ginny disse, entrando na sala e trazendo Harry pela mão.

- Como vocês estão? – Harry perguntou, parando ao lado da cama e pegando a mão de Hermione. – Cansada?

- Como no fim da guerra! – ela disse, rindo e fazendo os outros rirem.

- Já decidiram o nome? – Ginny perguntou, animada.

Ron e Hermione se encararam. Entre todos aqueles problemas, entre comprar uma casa, trabalhar e estudar, entre as brigas e a reconciliação, eles tinham se esquecido de escolher um nome para a filha! Nunca tinham sequer conversado sobre isso.

- Vocês não pensaram sobre isso antes? – a ruiva perguntou, e os dois olharam para ela com um leve ar de desespero. – Isso é tão típico de vocês dois!

- Bom, tem vários nomes que eu gosto... – Hermione começou. – Por exemplo, tem...

E não conseguiu completar a frase. Devia ter pensado naquilo antes, quando não estava cansada demais para pôr os pensamentos em ordem. Mas a melhor ideia que poderia ter lhe ocorreu quando Harry pegou Ginny pela mão, chamando-a para mais perto.

- Ron... – Hermione começou, com o mesmo tom de voz que usava quando tinha um ótimo plano de estudos para a próxima prova. – Você não acha que o nome da criança deve ser escolhido pelos padrinhos? – perguntou, olhando para o casal de amigos.

- Você tem razão... – Ron disse, dando a volta na cama e parando na frente de Harry e Ginny. – Os padrinhos deviam escolher o nome...

Harry olhou para a a namorada, que exibia um grande sorriso no rosto. Os dois não sabiam o que dizer sobre serem os padrinhos e, muito menos, sobre qual seria o nome da nova afilhada.

- Vamos lá, um nome que vocês achem bonito! – Ron disse, sentando-se na cama e segurando a mão de Hermione.

- Espera, Ron, a escolha do nome é importante! – Hermione disse, olhando apreensiva para os amigos. – Tem que ter um significado especial!

- Eu gosto de Lauren. – Ginny disse, dando de ombros. – É bonito de falar e tem um significado legal. – e repetiu o nome, separando as sílabas.

- É bonito, mesmo! – Harry exclamou. – O que significa?

- É uma referência aos louros da vitória. Quando os gregos faziam Olimpíadas, os vencedores ganharam folhas de louro que colocavam atrás da orelha, simbolizando que eram os campeões. Era uma espécie de prêmio dos torneios daquela época. – Hermione respondeu tão rápido que os outros demoraram um pouco para processar tudo.

- Combina com ela. – Ron respondeu, depois de pensar um pouco. – Ela é o nosso prêmio. – continuou, sorrindo.

- Ah, isso é bonitinho! – Ginny disse, rindo. – Meu irmão vai ter que trocar fraldas, acordar de madrugada com choro de criança...

- E tem o resguardo, ainda. – Harry completou, rindo. Ginny começou a rir também e Hermione, apesar de corada, acompanhou os dois.

- Esperem... – Ron começou coçando nervosamente o pescoço. – O que é resguardo?


¹ "E nós damos as mãos, como crianças/ Um sorriso nos lábios, um pouco ingênuo." - Trecho de Comme des Enfants, da banda Coeur de Pirate.