Disclaimer: CCS não me pertence e qualquer outra referência também não é de minha autoria.

Escrito por: Maghotta (Lis J.B.)

Revisão: Naure, Bruno Naure (007)

~ Espero que tenham uma boa leitura! ~


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Cinco segundos de honestidade nunca matou ninguém

Existe um tipo de estado espiritual que faz todo seu corpo ficar pesado e sua mente carregada por momentos que passam em câmera lenta . Para alguns, isso funciona bem ao entrar no automático. Você sorri para fotos, abraça pessoas, conversa como se as conhecesse e aparenta ser a criatura mais radiante do ambiente, se assim o pretender. Seu organismo vai processando isso como se fosse uma comida sem sabor, onde sua única função é mastigar.

-Vocês vão ter filhos tão lindos! – uma jovem mulher encarou o marido de Sakura.

Marido de Sakura!

Ela fechou os olhos por um instante. Isso estava acontecendo. Ela sentia tudo. O salto começando a fazê-la cansar de tanto rodar por aquele salão gigantesco. Pra quê um lugar daquele tamanho?

A mulher que antes conversava com o Li recém-casado veio para a mulher de vestido branco e a sacudiu. Com certeza ela não era a única que não podia acreditar que estava naquele casamento.

Seu casamento.

A cabeça de Sakura girou, não podia mais se permitir pensar demais. Alisou o vestido e seguiu para a próxima mesa. No início, ela e Syaoran até tentaram segurar um na mão do outro, mas aí já era forçar demais. Todos viram seus votos. Todos viram quando colocaram a aliança um no outro. Todos viram quando mentiram que aceitavam um ao outro. Eles não aceitavam! Apenas fingiam isso. E todos acreditavam na mentira.

Syaoran aceitava sacrificar alguns meses de sua nada pacata vida para depois reavê-la, porque se assim não fizesse, teria de abrir mão dela. Isso nem se quer fazia muito sentido para Sakura.

Ela aceitava se sacrificar por uma situação que não lhe fazia diferença. Estar casada com Syaoran não diminuiria as perspectivas de estar vivendo sozinha até então. Seria como se continuasse solteira, só que agora, ela não podia de forma alguma, fazer qualquer esforço para mudar essa situação. No campo profissional era muito pouco provável que Syaoran a afetasse em alguma coisa. Seria apenas mais uma despesa dentro de casa. Uma conta a mais para pagar. A prova que precisava para confirmar suas suspeitas de que ser sozinha era mais econômico e eficaz. Se tudo corresse como o esperado, Syaoran lhe ensinaria que aquela estranha e totalmente nova sensação de achar crianças fofas eram apenas um precedente para a maior dor de cabeça de sua vida.

Ela não estava nem próxima da idade de se sentir maternal.

Revirou os olhos e encontrou a mesa para a qual seguiam. Finalmente um rosto conhecido. Se antecipou, deixando a encargo do noivo os diálogos sem pé nem cabeça de constituírem uma família assim ou assado.

-Papai… - ela sorriu, abrindo os braços para o homem já de idade.

-Minha flor – ele veio para ela com o sorriso que Sakura reconhecia ser de pura comoção – A cerimônia foi tão…

-Longa! É… eu sei – Sakura o apertou como fazia quando era pequena.

Ela sentia falta dele.

-Você está maravilhosa.

-Obrigada.

-O que está achando? – ele meneou discretamente a cabeça na direção de Syaoran.

-Ah, ele quer sabotar nosso casamento – foi sincera – E concordo com ele nisso, mas sou contra os métodos, sabe?

Fujitaka olhou para a filha e ponderou por um segundo, para então cair na gargalhada. Sakura fez uma caretinha, era de se esperar que o pai não acreditasse nela.

-Já conversou com ele sobre voltarem para o Japão?

Voltar para o Japão? Mas é claro que ela voltaria para o Japão. Em momento algum isso tinha sido posto em discussão. Sakura até mesmo havia se adaptado a idéia de ter Syaoran no Japão com ela. Se encarregaria de deixar comida na geladeira e as contas pagas. Não se importaria dele usar o quarto de visitas pelos próximos seis meses.

Mas… ficar na China? De maneira alguma! Sua vida estava lá e ela tinha muita certeza que estava sacrificando bem mais que ele.

-Kinomoto Fujitaka? – Syaoran se aproximou com um sorriso largo.

Sakura reparou como ele quase parecia feliz de conhecer seu pai.

-Ouvi bastante sobre o senhor esses últimos meses. Minha mãe o admira bastante – ele olhou na direção da mulher que conversava com algumas pessoas em outra mesa.

-Ela e minha esposa se davam bem.

-Acho que pude perceber isso… - Syaoran arqueou a sobrancelha e olhou para Sakura.

-Estávamos conversando sobre como a cerimônia foi…

-Longa! – Sakura interrompeu o pai.

-Elas são assim – Syaoran finalizou.

-Acho que estou segurando vocês por tempo demais – Fujitaka sorriu – É um prazer falar com você, Syaoran. Bem vindo a família!

-Obrigado, senhor Kinomoto – ele disse polido.

-Onde estão Touya e Tomoyo?

-Tomoyo disse que ia retocar a maquiagem e Touya perseguiu o garçom – havia humor na voz do patriarca – Deve esbarrar com ele por aí.

-Ah, certo. Até mais, papai – ele o beijou e se afastou junto com Syaoran.

Ele a observou se distanciar do pai. Sentiu que ela estava com a guarda baixa, por isso havia abaixado a sua. Eles precisavam daquele minuto de trégua. Não eram inimigos um do outro, apenas da situação a qual foram jogados.

-Eu preciso de uma bebida também… - ele sussurrou para ela.

-… - Sakura demorou um tempo para responder – Pode fazer o que quiser. A festa é sua.

Ele sorriu.

-Seria mais fácil encontrar com seu irmão se perseguíssemos um desses caras com bandeja – ele sugeriu.

Sakura franziu a testa. Era impressão sua ou Syaoran estava tentando ser legal?

-Acho que tem razão… - ela deixou um sorriso brotar no canto de seus lábios – As pessoas entenderiam que precisa de uma bebida depois dessa volta toda que demos.

-Você me acompanha?

-É só o que tenho feito…

Ele se virou para ela e devolveu o sorriso. Sakura, sem se preocupar com o que poderia significar, enlaçou seu braço no de Syaoran e esperou que ele começasse a guiá-la. Talvez desse para suportar bem aqueles meses se fossem gentis um com o outro.

O que será que o havia feito mudar de idéia?

Talvez o beijo…

Aquele beijo! Que coisa mais inesperada foi aquele beijo?

Estranho… muito estranho. Mas, todo beijo tem sua mágica. Talvez a magia do beijo que eles trocaram na igreja tenha se revestido em uma coisa boa. Eles podiam tentar ser civilizados. Talvez se conversasse com Syaoran quando tivessem mais tempo, ele concordasse com ela sobre o Japão.

Seguiram entre algumas mesas e acenaram para algumas pessoas. Eles tinham um objetivo.

Sakura pode ver Touya, ele estava de costas e entornava uma taça. Parecia bastante sorridente e comunicativo. Tinha alguma coisa errada. Foi então que ela avistou. Aquilo seria uma convenção de padrinhos? Apertou os olhos…

-Oh, não… - sussurrou.

É fácil passar uma festa fugindo de alguém. Principalmente quando se é do sexo oposto e se tem olhos de águia. Mas fugir de alguém como Eriol, sendo você a fugitiva mais procurada por todos os presentes no salão, pode ser comparado a andar com um letreiro luminoso rosa-pink sobre sua cabeça.

Com choque, Sakura assistiu Eriol se aproximar. Voltou-se, em reflexo, para Syaoran. Qual seria o vínculo deles? Eriol tinha sido o padrinho de seu marido, mas isso os classificava como melhores amigos? Alguém como Syaoran tinha capacidade de manter um vínculo duradouro com outro ser humano? Caramba, só de pensar em Eriol, Syaoran perdera toda sua credibilidade.

Ela analisou o jeito do esposo.

Ele estava sendo legal.

-Kinomoto Sakura – a voz do homem a fez arrepiar.

Definitivamente a última pessoa na terra que esperava encontrar em seu próprio casamento. E com a mais profunda certeza, a única com a qual não queria falar se o encontrasse. Mas lá estava Eriol. Diante dela. Falando com ela!

Olhou por sobre o ombro dele, Touya também acabara de os avistar. Ele viria. Ele tinha que vir.

-Ou devo dizer, senhora Li Sakura?

-Olá, Eriol. Espero que esteja tendo uma ótima noite – ela o abraçou tentando parecer cordial e acabar de vez com aquilo

Pretendia evitar diálogos.

-Há quanto tempo, não?

Syaoran franziu a testa.

-Muito, verdade. Pena não poder ficar de conversa com você. São tantas pessoas com quem falar e outras tantas pra tirar fotos. Você sabe…

-Sei?

-… - ela engasgou – Deveria saber. Já esteve em outros casamentos, presumo?

-Mas nunca em uma posição na qual me comprometesse em falar com tantas pessoas e tirar fotos com outras tantas.

-Ahnn… - Sakura emudeceu.

Era isso. Não tinha escapatória. Um show em praça pública estava para ser realizado. Qual seria o nível de álcool correndo no organismo de Eriol?

Sakura olhou para Syaoran. Onde estava Syaoran?

Girou o corpo.

Mas que mulherzinha mais infeliz era aquela que o tirara do seu lado? Fuzilou com os olhos a velha senhora que o agarrava como se ele pudesse evaporar se o soltasse. Tinha hora mais inconveniente? Claro que não.

-Eu estive te procurando.

-Não sou uma pessoa de localização tão difícil assim, não é mesmo?

-Sabe que não estou falando de agora.

-Oun! Suas ligações? Pensei em retornar, mas minha vida virou de cabeça pra baixo.

-Que bom que é só isso, houve uma hora em que cheguei a imaginar que estava me ignorando.

-Por favor, tolinho… - ela sorriu de maneira nervosa.

-Isso significa que nós…?

-Estou casada, Eriol – ela ergueu a mão com a aliança.

-Não é para sempre.

Seus olhos se encontraram. Era uma situação desconfortável. Se Sakura pisasse na bola, seu tombo seria grande demais. Eriol era alguém notável e muito discreto, quando queria ser assim. Mas ele era feito de pura depravação e luxúria. Para completar, Eriol sabia demais.

Por que cargas d'água Sakura havia topado aquela idéia idiota? Ela não conseguia entender. Mas o fato é que estava sendo difícil demais se retratar. Provavelmente foi a falta de aventura, os livros que não representavam grandes desafios, a ausência do tesão da coisa toda que era viver. Não é uma sensação tão rara. É tipo a carência, só que um pouco mais física e destrutiva.

Foi por isso que ela disse 'sim' ao ménage à tróis.

Precisava tomar cuidado com esse negócio de dizer 'sim'. Andava aceitando muita coisa ultimamente.

Não foi há tanto tempo. Ela tinha saído com uns velhos amigos da faculdade. Gente bem chata e metida a inteligente. A falta de opção a forçara a ir com eles para uma boate. Sakura detestava boates, gente descontrolada, o povo dançando naquele esfrega-esfrega repugnante.

Lá estava ela, se sentindo velha demais para o lugar, repelindo as bebidas que lhe eram oferecidas, fingindo estar super tolerante ao alto teor de álcool na cabeça dos seus companheiros de farra. "Quem são essas pessoas?", ela chegou a se perguntar certa altura da noite.

Foi então que, milagrosamente, como se um caminho ao paraíso tivesse se aberto exclusivamente pra ela, um cara boa pinta e de sorriso acolhedor, surgiu. Ele se sentou ao seu lado e bebeu. Parecia não ficar bem no cenário, mas isso não o chateava tanto quanto à Sakura.

Eles começaram a conversar, continuaram a beber e então, após o cara se apresentar como Eriol-algumacoisa-wa, ele finalmente se manifestou. Queria esquentar as coisas, fazer umas loucuras. Eriol até revelou que invejava um amigo próximo por viver a vida dos sonhos.

Sakura engasgou lembrando disso.

-Seu amigo… - ela apertou os olhos.

-Desculpa, eu não ouvi.

-Ei! – Syaoran interrompeu, seu timing estava funcionando – Espero não estar interrompendo nada de muito importante.

-A festa é sua.

Era a segunda vez que lhe diziam aquilo.

-E a esposa vem de brinde – ergueu sua taça como se fosse fazer o tal brinde, então virou todo o liquido de uma vez, surgindo uma careta no fim – Sobre o que estavam conversando? Já se conhecem?

-Não! – Sakura se precipitou.

-Sim! – Eriol disse junto dela.

-Ok! Isso parece complicado – Syaoran sorriu de lado – Mas depois falamos sobre o assunto. Agora temos que ir. Se tiver que falar com alguém, esposinha, essa é sua chance.

Para surpresa geral, ou não, Touya apareceu.

-Pareceu uma eternidade desde que te vi – ele abraçou a irmã.

Sakura percebeu que Touya já estava "alto".

-Do que está falando? Foi meu padrinho.

-Eu sei, mas já sinto sua falta – ele a puxou para um abraço – Minha proposta ainda está de pé?

-Não acha que é um pouco tarde pra fugir? – ela lhe mostrou a mão.

-Minha cara, nunca é tarde enquanto se está vivo.

-Desde quando se tornou tão filósofo?

-Eu fui abduzido para um mundo estranho, o que mais posso dizer?

Syaoran pigarreou.

-Não está falando da minha terra, está?

-Ah, é… você é chinês – ele apertou os olhos – Então, se você é chinês e matematicamente falando, porque eu sou bom em matemática… - Touya juntou as mãos no rosto – Você é o panaca com quem minha irmãzinha teve que se casar!

Ele parecia contente com sua conclusão.

-Devo ser… – ele esticou o braço – Nos vimos durante a cerimônia, suponho…

-Finalmente alguém com senso de humor normal nessa festa!

Um silêncio desconfortável se apossou do grupo logo depois do aperto de mão entre os dois homens.

-Ok, eu não imaginei que em algum momento teria que fazer isso, mas… acho melhor sairmos – Sakura pegou no terno de Syaoran – Por favor

-Eu passo – Touya respondeu no lugar do marido de Sakura – Infelizmente tenho que voltar pra minha mesa e esperar alguma coisa de espetacular acontecer, maninha. Sabe como é… nunca se tem uma festa de verdade até que um idiota caia bêbado.

-Vai entrar na disputa? – Syaoran se interessou em saber.

-Não, pretendo observar o pobre infeliz definhar no chão – ele arqueou a sobrancelha sugestivamente – Só me daria mais prazer se pudesse ver a cara do sujeito no dia seguinte. Ouvi dizer que o fundo do poço é apenas o começo.

Syaoran forçou um sorriso. Ele tinha pego a indireta. Um irmão super-protetor. Previsível. Mas Sakura não parecia estar tão satisfeita assim. Ele notou a preocupação nela. Assim como também notara o desconforto com os olhares de Eriol. Tinha alguma coisa errada ali. Ele iria descobrir para caso algum dia precisar de informação. Syaoran não se enganava pelo hoje, conhecia muito bem do futuro para saber que cedo ou tarde se surpreenderia.

-Nos vemos por aí – Eriol se aproximou de Sakura e lhe deu um beijo na bochecha – Espero que tenha uma grande noite, Syaoran – ele piscou.

-Sabe, chinês, posso te dar o benefício da dúvida? – ele olhou para Sakura como se pedisse desculpas – Meu julgamento está prejudicado…

Ele se afastou.

-E agora? – eles se voltaram para as mesas atrás.

-Eu não quero voltar pra lá – Sakura apontou.

-Nem eu…

Ficaram parados, observando as pessoas com seus rostos em expectativa.

-Syaoran…

-Que foi?

-Não vamos ficar aqui.

-É, eu sei.

-Não, quero dizer… não vamos ficar na China.

Ele a encarou, como se não entendesse.

-Vamos para o Japão. Eu tenho uma vida lá.

-Está insinuando que não tenho uma vida aqui?

-Não, de maneira alguma. Você tem uma vida aqui, mas, convenhamos, tudo que você faz aqui, é perfeitamente fácil de fazer em qualquer lugar do mundo.

-Você acha?

-Não estou te criticando. Mas você não tem emprego e, basicamente, vive na casa dos seus pais. É mais fácil pra você se mudar do que…

-É isso que pensa?

-Não é assim?

Ele apertou os olhos. O futuro às vezes chegava rápido demais.

-Acho que a gente deve ir.

-Ir? Pra onde?

-Dar o fora daqui.

Sakura quase pareceu feliz.

-Preciso trocar de roupa antes de embarcarmos.

-Ah, não meu amor, não é pra lá que vamos – Syaoran sussurrou.

-Eu estou exausta, Li. Não dou conta de fazer mais nada por hoje. Será que pode pular a parte do mistério e falar para onde é?

-Noite de núpcias.

-Como? – ela engasgou outra vez.

-Você me ouviu. Vamos consumar esse casamento. Você agora é minha mulher…

Sua mulher… era engraçado.

-Vamos transar aqui ou você prefere esperar a grande surpresa da noite? Por que, sinceramente, acho que festas de casamento são apenas para os convidados. E acho que não vou conseguir fazer alguma coisa especial tendo-se em conta que um motel é só um motel. A menos que saiba de alguma coisa mais…

-Você me dá nojo – Sakura tentou se afastar.

-Não vá vomitar pelos próximos seis meses, ok? Temos de tentar uma convivência saudável até nos separarmos. E espero que pra você, engravidar esteja fora de cogitação.

-Qual o seu problema?

-Nenhum… - ele deu de ombros – Agora vem!

Syaoran segurou Sakura pelo pulso e a arrastou para fora do salão, não se preocupando em ser grosseiro com aquele bando de gente que troca meia dúzia de palavras uma ou duas vezes na vida.


SabotandoOsLi


-Sabe pra onde ir – Syaoran sorriu para o motorista, bateu na bunda da esposa e apertou sua cintura – Não vai esquecer essa noite, esposinha

-Não vou a lugar algum com você, Li Syaoran! – ela respondeu enérgica, empurrando o marido.

-Quando aqueles portões se abrirem, um mar de fotógrafos vai explodir. A menos que entre nesse carro exatamente agora, vai ter que se virar com as desculpas que dará a mídia – ele sorriu – Eu sei encenar muitíssimo bem, mas e você?

-Eu posso ficar na festa.

-Você não suportaria as perguntas – ele entrou no carro – Estou indo embora. Pode me acompanhar ou ficar aí, agüentando toda essa gente, so-zi-nha!.

Ele não deixara realmente muitas opções, deixara?

Seu pai estava feliz. Ela lembrou do rosto do pai.

Touya podia acabar com ele se estivesse sóbrio. Mas Touya estava bêbado demais.

E também tinha Eriol…

Ela nem chegara a se encontrar com Tomoyo.

-Vai ficar, então? – Syaoran bateu a porta – Boa sorte! Espero que tenha jogo de cintura.

-Espera! – Sakura abriu a porta – Eu vou sair com você, mas me deixará na sua casa e fim.

-Isso não vai acontecer… - ele sorriu para ela e puxou seu braço.

Sakura caiu deitada no banco. Syaoran bateu a porta do carro outra vez e falou com o motorista. Depois disso, ele apenas a olhou. Seu olhar tinha um brilho estranho, perigoso, ameaçador.

-Espero que tenha dito tudo o que queria, esposinha. Por que agora, é minha vez.

-Você tem algo a dizer? – ela se arrumou no banco – Não bastou aquela conversa que tivemos?

-Shhiu… - ele colocou o indicador sobre os lábios dela – Eu bem que tentei ser um cara legal por essa noite.

Sakura rolou os olhos.

-Podia ter se esforçado mais.

-Eu podia ter feito muitas coisas. Agradáveis ou não.

Ela se silenciou. Syaoran agora era o alfa.

-Nunca duvidei disso.

-Qual é… cinco segundos de honestidade nunca matou ninguém.

-Está bem, se quer conversar… me diga sobre o quê quer conversar! Mas antes… - ela se aproximou dele – Preciso jogar o buquê!

Syaoran encarou Sakura como se nunca a tivesse visto. Ela se aproximou do motorista e pediu que passassem em uma floricultura. Na altura do campeonato, se a mulherada solteira soubesse que a noiva já havia partido, estaria tendo um ataque na disputa de quem pegaria primeiro o buquê.

-Sabe onde posso encontrar um bando de mulheres encalhadas? – ela o olhou cheia de animosidades.

-Sei de todos os lugares.

-É pra lá que vamos em seguida – disse ao motorista.

Cada um sentou em um canto da limusine. Não tardou para pararem na frente da única floricultura aberta aquela altura da noite. Sakura desceu sendo seguida por Syaoran. Ela ia pegando flores aleatórias. As mais caras e perfumadas. Com cores vivas e que podiam significar alguma coisa para quem as receberia. Seu vestido ia molhando graças ao piso encharcada da loja. Estava úmido demais.

Seguiu para a estufa e procurou por mais alguma coisa.

Finalmente o buquê estava pronto.

Syaoran olhou para ela.

-Não espere que eu tire uma carteira de dentro desse vestido – ela arqueou a sobrancelha.

Ele pagou e voltaram para o carro.

-Quando terminarmos, serei toda ouvidos. Espero que saiba usar seu tempo.

Seguiram em direção a um lugar há muito conhecido por Syaoran. Era uma das boates que ele costumava freqüentar. Como imaginava, estava apinhada de gente, mas ele sentiu uma pontada estranha no estômago. O lugar continuava entupido, mesmo ele não estando no meio daquelas pessoas. Ele sempre imaginou que era daquele jeito por sua causa. Ele tornara o lugar badalado.

-Algum problema, senhor? – o motorista perguntou.

-Não…

Ele acompanhou Sakura.

-Seu vestido não está chamando atenção demais?

Sakura olhou para o rosto das pessoas em volta. Depois olhou para o próprio vestido.

-Abra! – virou de costas para o Syaoran, afastando o cabelo para o lado.

-Quer tirar agora?

-Sim.

Ele a olhou desconfiado.

-Estou de anágua – ela respondeu a pergunta que ele não fizera – E mesmo se ficasse pelada, pareceria o natural para essas pessoas.

Ela lançou um olhar de desprezo para seu entorno. Syaoran a obedeceu e ajudou a tirar o vestido. Tinha um quê de erótico nisso, mas ele não fizera comentário algum, apenas a observou com um sorriso travesso.

Sakura e o esposo receberam passe livre para entrar no local. Todos pareciam surpresos em tê-los ali, certamente boa parte encontrava-se acompanhando os fatos pelos jornais e revistas. Agora, lá estavam eles, no habitat natural de Syaoran, parecendo prestes a cometer alguma loucura.

-Senhoras! – Sakura gritou quando conseguiu alcançar o DJ – Ouçam bem, senhoras! – ela berrou enquanto o rapazinho ia abaixando o volume – Essa é uma noite muito especial – sorriu, mais uma mentira – e espero que estejam curtindo! Agora, eu tenho uma surpresinha para todas as solteiras! – ela olhou na direção de Syaoran – Meu brilhante esposo teve a magnífica idéia de virmos até aqui para que eu pudesse jogar meu buquê! Espero que não se importem de trazermos essa parte da festa pra cá.

As mulheres vibraram.

-Não vou enrolar mais – ela sorriu – Preparem-se…

Afastou-se do microfone e o DJ se encarregou da contagem regressiva. O som de uma enorme explosão fez-se ouvir quando a contagem chegou ao final. O buquê vôo e se perdeu no mar de gente. Um tumulto breve aconteceu no meio da boate, então alguém ergueu algumas flores e outras tantas foram surgindo, dispersar. O buquê havia se partido.

Syaoran caminhou para Sakura e a ajudou a descer de lá.

-Vamos conversar – ela moveu a boca, mas o som daquelas palavras não chegaram até ele.

Ainda havia alguma coisa ali. Uma faísca. Os olhos de Syaoran continuavam vibrando. Continuavam ameaçadores. Mas também havia o desejo desperto. Por duas vezes eles se afundariam envolvidos pela química do lugar.

O vestido de noiva, símbolo do laço puro e do beijo significativo que eles haviam trocado, tinha sido abandonado no banco de trás do carro que os esperava do lado de fora.

Syaoran puxou a esposa para perto de si, envolveu sua cintura com os braços e a ergueu do chão. Ele fizera algo parecido enquanto dançavam no casamento, mas seu motivo agora era diferente. Abaixou a cabeça em direção a dela e a beijou leve.

-Cinco segundos de honestidade vão me fazer cometer uma loucura – ele falou o mais alto que pode no ouvido dela – Essa noite, eu realmente quero você!

Ela engoliu em seco. Juntou as mãos no rosto de Syaoran e afastou-o dela. Sakura pensou por um segundo, apertou os olhos e arqueou a sobrancelha.

-Você mesmo disse… Cinco segundos de honestidade nunca matou ninguém! – prendeu os dedos nos braços dele e fez o mesmo que ele fizera, puxou-o para si.


N/A: Eu sofri para escrever esse capítulo. Mais do que deveria sofrer. Sofri tanto, que escrevi ele três vezes em três ângulos diferentes. Mereço ser recompensada por isso, não? A menos, claro, que não tenham gostado. Daí eu me dou um chute mental e vou tentar não dar a mínima, pq eu realmente sofri. Foram longos períodos de abstinência para que algo assim saísse. De agora pra frente, não sei como será. Tenho alguns captos escritos e uns plots, mas vamos ver. Estou trabalhando em algumas coisas em paralelo que consomem muito da minha criatividade e tempo. Só Deus sabe como ainda resta neurônios dentro da minha cabeça. Próximo capítulo? Só mês que vem! Não me apressem. Eu passei por maus bocados esses dois últimos meses.

N/R: Bom... Sei que muitos de vocês eperam que um revisor fale isso de sua autora, mas já faz muito tempo que eu conheço a Lis e mais de um ano que trabalhamos juntos, mas eu só tenho uma palavra para o capitulo... Brilhante.

Tenham uma boa leitura e, por favor, deixem Reviews!