Desculpa a demora pra postar, gente, mas tá aê. Boa leitura! ^^'

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Capítulo Sete

O som abafado de passos na trilha fez Kagome estremecer e seu coração disparar.

Ela tentou se levantar e sair correndo, mas suas pernas não a obedeceram. Mal teve forças para colocar o capuz do manto sobre a cabeça e se encolher bem apertado. Com sorte, poderia ser confundida com um toco de árvore.

As passadas aproximaram-se cada vez mais. De repente, elas se detiveram.

— Kagome? Onde está você? Precisamos fugir!

Ela tentou chamá-lo, mas sua voz parecia presa na garganta. Erguendo a mão, puxou o capuz para trás e o viu, de pé, perto dela.

Ele também a avistou, pois saiu correndo em sua direção.

— Pelo amor de Deus, menina, você me deu um susto e tanto! Pensei que algo de mau houvesse lhe acontecido!

Depositando o que carregava no chão, ele começou a lhe remover a capa com mãos firmes, mas gentis.

Alguma estranha compulsão fez Kagome resistir, apertando a vestimenta ao seu redor. Sentia-se como se InuYasha estivesse privando-a da única fonte de conforto e proteção.

— Não escutou o que eu disse? — Ele ajoelhou-se diante dela, erguendo seu queixo com a dobra do dedo, forçando-a a fitá-lo nos olhos. — Temos de nos afastar daqui. O máximo possível. Escutei pessoas vindo para cá. Podem não nos querer mal, mas depois do que acabou de acontecer, não quero correr o risco.

Kagome fitou o fundo de seus olhos azuis, saboreando a ilusão de segurança que lá encontrava.

— Vamos recolocar a sua túnica em você, e nos poremos a caminho — insistiu InuYasha.

O tom sereno de sua voz e seu olhar fixo funcionaram como um feitiço sobre ela. Kagome soltou o manto e InuYasha conseguiu tirá-lo de cima dos ombros dela.

— Prontinho. — Ele pegou a túnica do chão. — Agora passe isso por cima da cabeça e logo estará...

Quando o olhar de InuYasha desceu para a parte da frente da bata da moça, sua voz falhou abruptamente, como se mãos invisíveis o houvessem estrangulado.

Kagome soltara as pernas, revelando enormes manchas de sangue que cobriam o linho branco. Ela se engasgou na bílis que se formava no fundo de sua garganta.

— Tire isso!

InuYasha puxou a bata. Seu toque não era mais gentil nem hesitante, parecia pronto a arrancar a vestimenta do corpo da moça.

Kagome não teria se importado se ele o houvesse feito. Com desespero semelhante àquele com que se agarrara ao manto, agora queria se ver livre do lembrete vivido do que acontecera ali e do que fizera.

Para tirar a bata, cooperou com InuYasha o máximo que podia. E quando se viu sentada diante dele, nua da cintura para cima, sentiu-se curiosamente indiferente, como se seu corpo pertencesse a outra pessoa.

— Pode ficar com a minha roupa de baixo — ofereceu InuYasha. — Agora ela já está bem quente.

Kagome sacudiu a cabeça ao pegar a túnica.

— Não temos tempo.

Ela torcia para que suas palavras rápidas fossem o suficiente para convencê-lo.

Na verdade, receava que as dobras generosas da roupa de baixo a lembrassem por demais do ataque, e do terror impotente que a dominou quando se viu enrolada nela.

InuYasha nada respondeu, mas ergueu a túnica e a segurou para que ela pudesse vesti-la. Depois prendeu a bolsa ao redor da cintura de Kagome, e o manto sobre os ombros.

Ao longe, um cachorro latia.

— Vamos!

InuYasha pôs-se de pé e começou a caminhar, puxando Kagome atrás de si.

Ela só conseguiu dar alguns passos oscilantes antes que suas pernas falhassem.

InuYasha olhou apreensivo para a direção de onde vinham os latidos.

— Deixe-me. — Kagome largou-se no chão, amaldiçoando os membros inúteis. — Vou me esconder atrás de uma árvore e me cobrirei com folhas. Assim que recuperar as forças nas pernas, eu o alcançarei.

Ele franziu a testa por um instante, ao considerar suas opções. Depois, InuYasha sacudiu a cabeça.

— Não posso abandoná-la.

Segurando-a pelos braços, ele a ergueu sobre os ombros.

— O que está fazendo, Taisho?

— Não está vendo? — Ele pegou o cajado e seguiu pela trilha, carregando-a. — Estou levando-a para longe daqui. Avise-me quando achar que suas pernas já conseguem sustentá-la.

Pela respiração dele, Kagome percebeu que InuYasha torcia para que não fosse demorar muito.

Por sorte, não demorou.

O desconforto e a indignidade de ser carregada pela floresta sobre o ombro de um homem como um saco de batatas serviram para sacudir Kagome de sua estupefação horrorizada.

Eles não haviam caminhado muito, quando ela cutucou InuYasha nas costas.

— Ponha-me no chão antes que tropece e quebre alguma coisa. Acho que, agora, minhas pernas vão me agüentar.

— Tudo bem. — Ele não conseguiu disfarçar sua exaustão ao se deter e colocá-la no chão. — Vou lhe emprestar meu cajado — ofereceu. — Mas sob a condição de que prometa não me acertar a cabeça com ele da próxima vez que eu ofendê-la.

Ela recompensou a brincadeira dele com um débil sorriso.

— Temos um trato, Taisho.

A princípio, Kagome apoiou-se muito no cajado, concentrando toda a sua força de vontade em dar o próximo passo. Mas cada passo cambaleante foi ficando mais confiante, até que, por fim, saíram da Floresta Thetford para uma clareira aquecida pelo sol primaveril.

Kagome sentiu-se como quem acabara de acordar de um terrível pesadelo.

— Quero agradecer-lhe.

Ela simplesmente deixou escapar as palavras que havia muito estavam em seus pensamentos, grata por sua voz não lhe ter falhado.

Quando InuYasha ergueu a sobrancelha, ela acrescentou:

— Pelo modo como tomou conta de mim depois... Bem, depois.

— Não tem de quê, é claro — retrucou ele. — Mas não fiz nada de mais. Tenho certeza que, se eu não tivesse estado lá, no final das contas, minha presença não teria feito diferença.

Por que não estivera lá para cuidar do fora-da-lei? Isso foi o de menos.

InuYasha protegeu os olhos com a mão e perscrutou região.

— Assim que percebesse que não podia depender de ninguém senão de si mesma, tenho certeza de que teria se levantado, feito o que tinha de fazer e seguido o seu caminho. — Ele a fitou. — Assim como fez depois de Lincoln, quando recebeu a notícia sobre seu pai e Souta. Assim como fez quando soube que Naraku estava de olho em Harwood e Wakeland. O abade Oyakata disse que você é uma mulher notável, e tinha razão.

Com a mesma facilidade com que via o sol e sentia o seu calor, Kagome notou a admiração nos olhos e na voz de InuYasha. Mas não se sentia muito digna de tal admiração.

— Você me abraçou enquanto eu chorava e vomitava como um bebê.

Queria odiá-lo por tê-la visto daquela maneira, tão fraca e descontrolada — do mesmo modo que o odiava por romper os esponsais e abandoná-la sem dizer uma palavra.

Ele tornara mais difícil do que nunca odiá-lo. E ainda mais difícil zombar de seus ideais elevados. Até mesmo do seu juramento de abdicar de violência, que poderia acabar custando caro ao povo de Kagome.

Agora que suas mãos foram banhadas pelo sangue de um inimigo cuja morte ela causara, Kagome podia começar a entender. Não tencionava matar o bandido, apenas impedir que ele lhe fizesse mal. Embora esta morte horrenda a houvesse abalado, não podia fingir que o marginal fora uma grande perda para a humanidade.

E se, como InuYasha, houvesse empunhado a espada em batalha, com toda a intenção de destruir o inimigo? E então, ao longo de um dia sangrento, se houvesse matado vários homens cujo único crime fora a lealdade a um senhor diferente? Homens que outrora poderiam ter sido seus vizinhos, talvez até seus amigos?

Juntar-se à abadia e renunciar à violência era uma reação mais sensata do que muitos imaginavam, especialmente para um homem de honra e ideais impossivelmente elevados.

Perdida em seus pensamentos, Kagome só notou a aproximação de InuYasha quando ele a tocou no braço.

— Fico feliz que tenha chorado.

Ela estremeceu diante do toque.

— O quê?

InuYasha pegou sua mão na dele e reduziu o passo.

— Fico feliz que tenha chorado. Jamais me perdoaria se o fardo que carregou por estes últimos anos a tivesse tornado insensível a ponto de derramar o sangue de um homem sem se importar.

— E por que se culparia?

— Porque o fardo que carrega deveria ser meu. Mas eu não estava lá.

Um novo pensamento veio à cabeça de Kagome.

— Se tivesse apoiado o rei Estevão, como meu pai tentou convencê-lo a fazer, também poderia ter morrido em Lincoln. Todas as responsabilidades ainda cairiam sobre minhas costas. E você não estaria aqui agora.

O esforço que InuYasha fez para sorrir chegou a ser quase doloroso de assistir.

— Então prefere um traidor vivo do que um herói morto? Sua natureza prática me confunde.

Soltando a mão da dele, Kagome começou a caminhar mais depressa. Desde hoje de manhã, e até desde antes — do momento em que pôs os olhos nele novamente —, começou a ter dificuldade para se reconhecer. Todos os seus sentimentos estavam por demais expostos, à flor da pele. Aptos a, sem qualquer aviso, romper a barreira de sua compostura.

Nem mesmo em troca da cabeça de Onigumo Naraku numa bandeja permitiria que InuYasha a visse chorar duas vezes no mesmo dia.

— Pensei que ficaria satisfeito em saber que abri mão de um pouco da amargura que tive por você durante tantos anos — disse.

— E fiquei. — InuYasha apressou-se em alcançá-la. Sua mão a agarrou pelo ombro e a fez se virar na direção dele. — Fiquei mesmo, Kagome. Acho admirável que tenha sido capaz.

— Admirável ou confuso? Qual dos dois vai ser?

Ela devolveu o cajado a InuYasha. Agora que voltara a ter controle sobre as pernas, precisava menos do bastão do que ele.

— Se quer mesmo saber, ambos. Você mudou tanto nos anos em que ficamos separados. Ou, talvez, eu nunca a tivesse conhecido tão bem assim.

Kagome não conseguiu fitá-lo nos olhos.

— Mudei para melhor ou para pior?

Não queria se importar com a opinião dele.

— Não me cabe julgar. — Ele colocou a mão sobre oombro dela, num gesto amigável. — Embora, por mais que resista à idéia, eu comece a pensar que gostarei do desafio de conhecer a nova Kagome.

Aquele simples gesto casto a desarmou por completo.

— Você não precisa ficar. — As palavras saíram de sua, boca num misto de ansiedade e relutância.

InuYasha franziu a testa.

— Ficar?

— Em Wakeland, quando lá chegarmos. — Kagome falou rapidamente, antes que a pressão quente da mão dela a tentasse a voltar atrás. — Nem em Harwood. Você mesmo disse que eles não são mais seus para defender. Não deveria ter forçado você a vir contra a sua vontade.

Onde estava a expressão de alívio que esperava encontrar no rosto de InuYasha, quando o desobrigasse? Em vez disso, ele franziu a testa e apertou os olhos, e seu rosto assumiu uma expressão que ela não sabia interpretar.

Será que estava preocupado? Ou, talvez, dividido?

— Você não me forçou a nada, lembra-se? O abade Oyakata fez isso.

— A meu pedido. — Por que InuYasha estava tornando isso tão difícil para ela? — E, talvez, para testar sua obediência.

InuYasha retirou a mão do ombro dela, como se, subitamente, este houvesse ficado quente demais para se tocar.

— Acho que o abade quer me testar de diversas maneiras. Se tenho a verdadeira coragem das minhas convicções, devo receber de bom grado a provação.

A noção de que ele via o tempo passado em sua companhia como uma provação magoou Kagome e serviu apenas para fortalecer sua determinação de dispensá-lo.

— Se o liberar de suas obrigações, tenho certeza de que o abade achará outras maneiras de testá-lo.

— Diga-me a verdade. — Um sorriso esboçou-se no canto da boca de InuYasha, embora com a testa franzida parecesse mais pensativo do que alegre. — Decidiu que vou dar mais trabalho do que ser útil. Um campeão incapacitado pelo seu juramento idiota.

— Em parte, é isso. — Ela baixou o olhar. — Mas não é tudo. — Como odiava ter de admitir seus defeitos. Mas InuYasha merecia a verdade. — Hoje aprendi como a morte pode chegar rápido e de surpresa. Isso fez como que eu examinasse minhas ações e motivos nesta história toda. Descobri não poder me orgulhar de nenhum deles. Usei necessidades práticas como justificativa para muitos atos indesculpáveis.

Que ele tivesse a satisfação de saber que estivera certo a seu respeito.

Será que ele ousava examinar de modo tão implacável os próprios atos e motivos?, indagou-se InuYasha. Será que não acabaria descobrindo que seus ideais elevados não passavam de uma fachada ousada e atraente para esconder sua culpa e covardia? E, se viesse a descobrir tão vergonhosas falhas de caráter, teria a coragem para admiti-las, como Kagome acabara de fazer?

— Você quer que eu retorne para Breckland assim que a deixar sã e salva em casa? — perguntou.

Não que, se necessário, ela não pudesse dispensar a sua proteção.

Kagome estivera fitando o chão. Agora ergueu o olhar para ele.

— Quero que se sinta livre para ficar ou para partir ao seu bel-prazer. Um serviço relutante pode acabar sendo pior do que nenhum serviço. E você já me serviu mais do que mereço.

A oferta era tentadora, por mais motivos do que poderia enumerar, inclusive alguns que preferia não admitir. A ajuda que poderia lhe oferecer poderia não significar nada diante de um inimigo violento como Onigumo Naraku. E mesmo que os esforços de InuYasha fizessem diferença, não seriam o suficiente para pagar tudo que devia a Kagome.

Mas como poderia retornar à abadia, fazer suas preces, arar os campos, consertar cercas, com sua frágil paz de espírito envenenada pelo fato de que a abandonara quando ela mais precisava dele... pela segunda vez?

— Meus serviços podem não lhe ser de muita valia. — InuYasha respirou fundo, como se estivesse prestes a mergulhar em águas perigosas. — Mas não há dúvida de que os merece. Eu os ofereço a você agora, como deveria ter feito logo que falou comigo na abadia, sem reservas.

Por um instante, Kagome nada falou. InuYasha receou que, no final das contas, ela pudesse recusar sua oferta.

Foi então que um sorriso iluminou o rosto dela. E também pareceu iluminar algo no íntimo de InuYasha.

— Aceito sua ajuda. — Ela estendeu a mão. — Com gratidão.

InuYasha estendeu a mão para apertar a dela. Mas, no último instante, algum impulso, tão surpreendente quanto poderoso, o fez levar a mão da moça aos lábios.

Embora ela se recusasse a admitir, ele sabia que Kagome ainda precisava de alguém em quem pudesse, ocasionalmente, se apoiar. Alguém de braços fortes e coração valente para confortá-la quando necessário. Mas com discernimento o suficiente para saber quando estava pronta para caminhar sozinha. E a autoconfiança necessária para deixá-la ser tão fraca ou tão forte quanto precisasse ser.

Se ao menos ele não houvesse abdicado do direito de ser este alguém.

O restante da viagem de InuYasha e Kagome até Wakeland acabou sendo tão calmo quanto o seu início fora recheado de perigo. Estavam passando tão longe das terras pantanosas que havia pouco a temer do Lobo e de sua matilha. Na companhia de um homem alto e forte, Kagome não precisou viajar às escondidas.

Enquanto caminhavam, InuYasha perguntou sobre as mudanças que os últimos cinco anos trouxeram às suas propriedades. Quanto mais escutava, maior a sua admiração por ela.

E quanto mais se aproximava da terra onde nascera e crescera, mais tranqüilo ficava o seu passo e mais avidamente o seu olhar buscava pontos de referência familiares.

Durante a noite se abrigaram numa cabana de pastor que fora abandonada porque o pasto ficava muito longe e porque era demasiado vulnerável nestes dias desprovidos de lei. Para o jantar, dividiram o pão e a carne-seca da bolsa de Kagome. Depois dormiram entre velocinos que já estavam velhos e não lá muito limpos, mas tão quentes que InuYasha não se queixou do terrível odor.

Murmurando suas preces, ele adormeceu mais tranqüila e profundamente do que já fora capaz de fazer em todos os anos na abadia.

Na manhã seguinte, acordou com o toque firme da mão de Kagome no seu ombro, e o som de seu nome sussurrado pela voz rouca da moça.

— Venha, InuYasha. Já passa da hora de nos levantarmos e seguirmos o nosso caminho. Estou ansiosa para chegar em casa antes do pôr-do-sol.

Ele abriu lentamente os olhos, para saborear a primeira visão que teria dela no dia.

Não lembrava muito aquela criatura etérea de seus antigos sonhos. Havia palha entrelaçada nos seus cabelos. Pequenas sardas salpicavam-lhe o nariz. E havia leves rugas de preocupação ao redor dos olhos que ele não notara antes. A despeito, ou talvez por causa, de tudo aquilo, sua beleza outonal o comovia de uma forma inédita.

Seus olhares se encontraram e transmitiram uma perigosa sensação de intimidade. Kagome também devia ter sentido, pois retirou a mão e falou rapidamente:

— Deus sabe que problemas vou encontrar depois de ficar fora por seis dias. Shippou com certeza terá caído da muralha ou então está aleijado um cavalo. Mamãe provavelmente ficou doente, a cerveja deve ter azedado ou o meu capataz fugido com todo o dinheiro do mês.

InuYasha se espreguiçou.

— Então devemos nos apressar enquanto ainda temos chance de encontrar os muros do castelo de pé.

— Está zombando de mim? — Ela colocou as mãos nos quadris. — Verá com os próprios olhos quando chegarmos lá.

Um novo pensamento ocorreu a InuYasha, e a pergunta deixou seus lábios antes que pudesse pensar melhor.

— Por que nunca buscou um marido para retirar esse fardo de seus ombros, ou pelo menos compartilhar dele?

Será que ele realmente teria gostado disso?, perguntou-se InuYasha, no instante em que fez a pergunta. Se Kagome houvesse se casado, ele teria outro homem como senhor de suas propriedades e detentor de seus títulos. No entanto, isto não o incomodava tanto quanto a idéia de Kagome compartilhar a cama com outro homem.

Talvez Kagome não houvesse percebido a importância da pergunta, pois respondeu casualmente ao inclinar-se para pegar sua bolsa:

— Bons homens são raros em tempo de guerra. E eles têm coisas mais importantes em que pensar do que fazer a corte.

— Mas, com certeza, recebeu propostas.

Sem dúvida. Uma beldade daquelas com um belo dote. O pensamento fez com que InuYasha se contorcesse por dentro.

— Dos poucos que estavam disponíveis, a maioria não me seria de grande ajuda. Um ou dois que pareciam mais capazes, julguei um pouco ambiciosos demais. Receei que não se contentariam com as propriedades do meu dote, e poderiam acabar sendo tentados a também tirar Wakeland do jovem Shippou.

Será que aqueles foram os únicos motivos pelos quais Kagome jamais desposara alguém? Ela parecera disposta a lhe oferecer sua mão em casamento e suas terras em troca de ajuda. A cautela avisou InuYasha para não seguir por esta trilha.

— Shippou. — Ele optou por um tópico seguro. — Suponho que eu mal vá reconhecê-lo. Ele era apenas um menino quando o vi pela última vez.

Levantando-se relutantemente de sua cama de peles macias, mas malcheirosas, InuYasha colocou o seu manto, pegou o cajado e seguiu Kagome para fora da cabana. A região estava coberta por uma névoa prateada.

— Shippou se lembra muito bem de você. — Ao se dirigir para oeste, na direção de Cambridge, Kagome soltou uma ligeira risada. — É um milagre que o jovem maroto tenha sobrevivido o bastante para crescer, depois de algumas das diabruras que aprontou. Fingindo ser um grande guerreiro como papai, Souta... e você.

— O grande guerreiro que abdicou de violência — ironizou InuYasha, num tom de voz recheado de amargura. — Receio que eu vá ser um grande desapontamento para ele.

Quase tão grande quanto fora para a irmã de Shippou.

— Besteira. Shippou vai adorar ter um outro homem por perto. Além do mais, não vejo motivo para contar-lhe, ou a qualquer um, sobre o seu voto.

Será que, além de desapontada, ela também tinha vergonha dele?

— Recuso-me a mentir para todo mundo!

Kagome soltou um suspiro pesado.

— Não estou lhe pedindo para mentir, InuYasha. Apenas não quero que grite a verdade aos quatro ventos. Será que isso é um pecado tão grande?

Ela parecia tão irritantemente sensata.

— Sei que me considera um tolo. Não a culpo. Considero-me um tolo com freqüência alarmante. Um homem inteligente jamais enxergaria a vida em preto e branco, como eu faço. Um homem inteligente jamais ficaria sem ação ao encontrar um trecho cinzento. Ou, Deus nos livre, um trecho vermelho.

Quando se deu conta, Kagome já estava plantada diante dele, fitando-o furiosa.

— Você não é um tolo, InuYasha Taisho! — Ela sacudiu a cabeça. — Embora Deus saiba que realmente enxerga o mundo de maneira diferente das outras pessoas. Talvez, no final das contas, a abadia realmente seja o melhor lugar para você.

InuYasha não tinha como contestar. Nem queria fazê-lo. Ao longo dos anos, repetira a mesma coisa várias vezes para si próprio. No entanto, estremeceu ao escutar as palavras vindas dos lábios de Kagome.

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sayurichaan - Todas pensamos iguais, sim, ai ai (sem mais comentários, lol) ^^

Ele foi muito fofo cuidando dela, né? Mas a teimosa nem retribui direito :/

Você vai ver, a verdadeira história de amor começa a partir de agora xD

Beijinhos.

Srta Kagome Taisho - Horrível esperar pra saber o que vai acontecer, né? ^^

Nesse capítulo, finalmente saíram da floresta e chegaram em casa. Agora sim, a história vai começar a esquentar ;D

Beijo e até o próximo capítulo o/

Matt Guell Yamato - Vou continuar, sim. Geralmente, posto um capítulo por dia, ok? xD

Que bom que está gostando. Beijo :*