Capítulo VII

-Bells, você viu a Dr. Tanya hoje? – Indagou Alice ao adentrar no posto de enfermagem como um furacão e sentando-se ao seu lado na mesa – Ela está tão estranha... Sorridente e cantarolando. Acho que finalmente superou o divorcio e eu aposto que tem uma nova paixão envolvida nisso!

-Você ficou sabendo que o paciente do 205, Riley Biers, foi pra UTI? – Indagou Bella de modo distraído – Ele teve um desequilíbrio metabólico plantão passado, e o caso se agravou. Espero que melhore... A mãe dele parecia tão preocupada...

-Você prestou atenção no que eu disse? Oh, céus... Parece que a Tanya não é a única que anda nas nuvens ultimamente. Aposto que o Edward tem algo a ver com isso.

Bella sentiu suas bochechas corando imediatamente e mordeu o lábio inferior em sinal de constrangimento. Não sabia se Alice tinha visto os beijos que ela trocara com Edward durante o show, mas só em pensar naquela possibilidade, sentia seu coração disparando no peito. Jamais guardava segredos de Alice, porém, queria manter aquele momento só para ela ao menos por enquanto.

Na verdade, desde o final de semana que Bella vinha agindo como uma adolescente, esperando ansiosamente que Edward a telefonasse ou imaginando o que aconteceria quando eles se encontrassem no próximo plantão. Não sabia como agir... No início pensou em tratá-lo como se nada tivesse acontecido, mas depois achou que aquilo seria muito imaturo de sua parte. Ela nunca fora boa nessas coisas, e gostaria que houvesse um manual ensinando o que fazer após ser beijada em duas ocasiões diferentes por seu colega de trabalho.

-Não fale bobagens Alice. – Disse na defensiva – Se quer vi o Dr. Cullen após o show.

-Isso até pode ser verdade, mas Jasper disse que viu quando os dois saíram juntos e só voltaram tempos depois. E hoje você veio trabalhar maquiada, o que sustenta ainda mais as minhas suspeitas!

-Sempre passo um pouco de pó. Sabe disso!

-Um pouco de pó? – Indagou Alice com um sorriso zombeteiro nos lábios – Acho que se esqueceu de mencionar o blush e a máscara de cílios.

-Ótimo, se isso te incomoda tanto, irei agora mesmo no banheiro lavar o rosto. Está feliz?

-Não. Não estou. – Disse ficando séria de repente e encarando Bella com aqueles grandes olhos escuros – A única coisa que eu quero, é ver você feliz. Quando foi a última vez que saiu com alguém? Há um ano? Antes a desculpa era a especialização, mas e agora?

-Alice, você sabe que estou dando um tempo nos relacionamentos...

-Dando um tempo? Você vem dando um tempo desde o Jacob, e isso já faz mais de cinco anos. Não pode deixar que algo sem importância afete sua vida para sempre.

-Sem importância? – Indagou olhando a amiga com um leve desapontamento nos olhos – Não foi você que foi tratada como uma leprosa pelo seu próprio namorado!

-Estou cansada de dizer que Jacob era um idiota! Além disso, você nem gostava dele... Só aceitou namorá-lo por que se sentia sozinha!

-E veja só no que deu... Obrigada, mas não quero passar por aquilo de novo... Foi humilhante.

-Você age como se todos os homens fossem iguais, mas não são! Edward parece ser um cara legal, e tenho certeza de que ele não se importará com o que você é por fora. Eu até tomei a liberdade de...

-De que Alice? – Questionou sentindo seu sangue ferver.

-De pedir para que ele a levasse para a confraternização de natal.

-Você o que?! – Céus, aquilo era pior do que pensava! Como Alice pôde fazer isso com ela? Como pôde pedir para que Edward a convidasse para irem a uma confraternização juntos?

-Bem, você nunca vai para as reuniões que fazemos, e eu achei que se ele te convidasse você acabaria cedendo... Te conheço desde que éramos meninas, e sei que você está interessada nele!

-Quer saber? Eu vou fingir que não ouvi isso. Tenho um plantão inteiro pela frente e não estou disposta a começar com seu sangue em minhas mãos! Agora, se me dá licença, vou visitar a Bree antes que ela vá dormir.

Sem dizer mais nada, Bella levantou-se de modo brusco e saiu do posto de enfermagem, indo em direção à pediatria. Aquela conversa com Alice a fez lembrar-se de quem realmente era e do modo como Jacob a olhara quando se expos para ele. Como pôde se esquecer disso? Essa era uma lição que aprendera há muito tempo, e não estava disposta a cometer o mesmo erro novamente.

Ela e Edward tinham se beijado durante o show, mas após isso, ele não a telefonara, nem mesmo mandou uma mensagem. Provavelmente, para ele, aquilo não passou de um pouco de diversão... Era isso o que as pessoas normais faziam, não era? Saiam para festas, ficavam com alguém, e no dia seguinte agiam como se nada tivesse acontecido.

Mas ela, como sempre, acabou criando expectativas e ilusões. Passou horas pensando se deveria se maquiar e no modo como prenderia o cabelo, mas agora compreendia que nada daquilo mudaria o fato de que jamais teria uma vida normal, que sempre estaria condenada a esconder-se nas sombras. Sentia-se miserável, e achou que seu dia não podia piorar, quando viu James caminhando em sua direção pelo corredor. Pensou em dá meia volta para evitá-lo, mas sabia que não podia parecer fraca na frente dele.

-Ora, ora! Vejam quem temos aqui... – Provocou no momento em que cruzaram, segurando o braço dela para impedi-la de prosseguir. O desgraçado tinha os longos cabelos loiros presos em um rabo de cavalo ridículo e olhou-a de cima a baixo, comendo-a com aqueles frios olhos cinzentos – Não parece tão valente hoje.

-Mas em compensação você continua sendo o covarde de sempre. – Respondeu com um sorriso sínico nos lábios enquanto tentava livrar-se de suas garras.

-Ainda não esqueci a humilhação que você me fez passar, Isabella! E tenha certeza de que vai se arrepender.

-Não tenho medo de você!

-Deveria. Se resolver ir à confraternização de natal, me avise. Será a minha despedida, e eu vou lhe dá um presente especial, se você me mostrar o que tanto tenta esconder.

-Do que está falando?!

-Não se faça de idiota. – Disse James, de forma provocante – Victoria sabe que você esconde algo em seu corpo. Aposto que deve ser uma tatuagem. O que me diz?

-Digo que você é um idiota! Agora me solte ou do contrário farei um escândalo.

Bella achou que ele não a soltaria, mas por fim, James a deixou ir. Como o detestava! Por sorte, não teria que aturá-lo por muito tempo, afinal, o contrato de James terminaria no fim do mês, mas ainda assim, não via a hora de se ver livre dele. Tentou controlar-se para não sair correndo pelo corredor, e só soltou o ar que prendia em seus pulmões quando finalmente chegou no quarto de Bree. Encontrou a menina sentada em sua cama, brincando com uma boneca de pano e parecendo solitária.

-Pensei que você não viria me visitar hoje! – Disse com um enorme sorriso ao sentir a presença de Bella em seu quarto. Era incrível como Bree conseguia saber quem estava por perto, mesmo sendo cega.

-Prometi que viria vê-la antes que dormisse e aqui estou. – Respondeu enquanto sentava-se ao lado dela na cama e dava um beijo rápido na cabecinha careca da menina – Como passou o dia?

-Não muito bem. Segunda é dia de quimioterapia e eu vomitei durante toda à tarde, mas a minha tia veio me ver! Ela disse que trará uma surpresa no natal.

-Isso é ótimo! Mas aposto que está cansada de louca para dormir.

-Sim... Quis te esperar acordada. Sua voz parece estranha... Aconteceu alguma coisa? – Bella engoliu em seco. Não tinha como omitir nada dos ouvidos de Bree!

-Estou cansada, só isso.

-Humm... Ouvi a enfermeira Jessica dizendo que algo estava acontecendo no hospital! Ela falou que o novo médico, o Dr. Cullen, parece ter sido fisgado por alguém.

-Jessica é uma fofoqueira e você não deveria ouvir o que ela fala. – Disse na defensiva, sentindo seu pulso disparar. Será que Jessica descobrira algo sobre Edward e ela?

-Sério? Ela disse que o Dr. Cullen era o homem mais bonito que já vira e que ele consegue derreter qualquer uma só com o olhar. Como são seus olhos, Bella?

A pergunta tinha lhe pego de surpresa. Como explicaria para Bree, uma garota cega, que os olhos de Edward eram verdes? Teria que usar os outros sentidos... Sentidos que a garota compreenderia.

-Os olhos do Dr. Cullen parecem com licor de menta. Você já tomou licor de menta alguma vez?

-Sim! – Respondeu com um sorriso sapeca – Uma vez, durante o meu aniversário. Minha mãe tinha uma garrafa escondida na dispensa e eu tomei um pouco.

-E qual foi o gosto?

-Humm... Era muito refrescante. Mas no final me senti aquecida por dentro! Parecia que minha garganta queimava e meu coração bateu forte. É assim que se sente quando olha nos olhos do Dr. Cullen?

Bella ficou sem reação. Tinha comparado o licor de menta com os olhos de Edward apenas por conta de sua cor verde-esmeralda. Mas agora, percebia que era exatamente assim que ela se sentia quando estava perto dele. Só que não podia dizer aquilo a uma garotinha de onze anos!

-Isso terá que perguntar a enfermeira Jessica.

-Ou a pessoa que está parada na porta! – Falou Bree enquanto virava o rosto na direção da entrada.

Bella sentiu seu coração dando um pulo no peito ao olhar para a porta e encarar Edward parado bem ali, encostado de modo casual na parede e com as mãos nos bolsos do jaleco branco. Ele tinha feito a barba e seus cabelos estavam penteados para o lado, o dando um ar sério. Bella engoliu em seco novamente! Por que diabos Bree não falara sobre a presença de alguém desde o começo?

-Então meus olhos parecem licor de menta? – Indagou com um maldito sorriso nos lábios – Estou impressionado. É a primeira vez que alguém faz essa comparação.

-É o Dr. Cullen? – Perguntou Bree a Bella, curiosa.

-Sim, querida. É o Dr. Cullen. Parece que ele criou o péssimo habito de nos espionar e agora o ego dele será agraciado!

-Bem, então irei nos deixar quites. – Disse Edward enquanto entrava e sentava-se na cama, do outro lado de Bree – Quer saber como são os olhos da enfermeira Isabella?

-Oh, sim! Quero muito!

-Então vejamos... – Edward a encarou diretamente nos olhos e Bella sentiu seu corpo se aquecendo por inteiro, ficando completamente paralisada por alguns segundos – Já bebeu chocolate quente com canela?

-Acho que sim... No começo parece amargo, mas é muito docinho e cremoso.

-Pois é exatamente assim que os olhos da enfermeira Isabella parecem. Amargos no começo, mas se você tiver coragem de encará-los, descobrirá que são doces no final. Tudo o que precisa para se aquecer em uma manhã fria de inverno!

-Vocês poderiam parar de falar sobre mim como se eu não estivesse aqui? – Disse Bella sentindo-se constrangida com o comentário. Seria assim mesmo que Edward a via? Como uma xícara de chocolate quente em uma manhã fria?

-Apenas disse a verdade. Bem, mas agora tenho que interromper esse momento entre vocês. Preciso de sua ajuda com uma paciente, Bella.

-Oh, claro... Já estava mesmo na hora de Bree dormir.

-Mas não estou com sono! – Protestou a menina fazendo biquinho.

-Se colaborar conosco, prometo que trago um pouco de chocolate quente com canela da próxima vez que vier aqui! – Prometeu Edward, convencendo Bree a se deitar.

Os dois saíram do quarto em completo silêncio, seguindo em direção a clinica médica. Bella esperou que ele falasse algo, mas por fim resolveu iniciar um diálogo neutro.

-Posso saber do que se trata?

-Claro. Tenho uma paciente internada temporariamente no leito 213 em observação após um desmaio. Aparentemente estava usando medicação para emagrecer sem prescrição médica. Agora pede por um exame clínico das mamas alegando que notou um pequeno nódulo e eu gostaria que você me ajudasse no exame.

-Quantos anos ela tem? – Perguntou curiosa.

-É jovem... Creio que vinte sete ou vinte oito.

Bella sentiu-se mais tranquila. Naquela idade, era difícil um nódulo mamário ser canceroso. Talvez fosse necessário uma cirurgia para tirar o tumor, mas nada radical. Quando chegaram no leito 213, viu a referida paciente sentada na cama e usando um penhoar de seda vermelha bastante provocante. Era uma mulher atraente, com os cabelos extremamente negros e os olhos verdes.

Bella conhecia aquele tipo de mulher. Gostavam de ir ao médico em busca de aventuras românticas e aparentemente Edward também notara isso.

-Senhorita Park, essa é a enfermeira Isabella Swan. – Disse ele de modo bastante profissional – Ela está habilitada a realizar o exame clínico das mamas e tenho certeza de que fará um ótimo trabalho na senhorita.

-Pensei que fosse o senhor quem me examinaria. – Apontou a tal senhorita Park aparentando insatisfação.

-Não se preocupe, sou completamente capaz de realizar o procedimento. – Argumentou Bella com um sorriso forçado – Caso encontre algo de anormal, o Dr. Cullen irá encaminhá-la para um mastologista.

-Que seja então. Vamos acabar logo com isso.

Edward saiu do quarto para dá-las um pouco de privacidade e Bella ajudou a senhorita Park a deitar-se na cama onde a examinou. A mulher choramingava vez ou outra, dizendo que Bella estava sendo rude e que a estava machucando, mas ela não deu muita importância aquilo. Ao concluir o exame, ajudou a senhorita Park a vestir o penhoar novamente e saiu do quarto, encontrando Edward a esperando no corredor.

-E então? Encontrou algum nódulo?

-Difícil dizer. – Respondeu com um tom de voz baixo, zelosa para que a paciente não os ouvisse – As mamas da senhorita Park encontram-se um tanto edemaciadas. Eu a perguntei em que fase do ciclo menstrual ela estava e aparentemente irá menstruar daqui há dois dias.

Edward compreendeu exatamente o que ela quis dizer. O exame clínico das mamas deveria ser realizado sete dias após a menstruação, quando a mulher não apresentava as mamas edemaciadas e doloridas, caso contrário seria extremamente difícil detectar algum nódulo. A senhorita Park estava apenas querendo uma desculpa para ficar despida na frente dele.

-Incrível! – Exclamou Edward enquanto jogava as mãos em sinal de desistência – Voltarei para o Haiti. Lá as pessoas procuravam os médicos apenas quando realmente estavam doentes.

-Acostume-se. Em Newcastle existem centenas de pacientes como a senhorita Park. São mulheres em busca de algo para comentar com suas amigas.

-O que me recomenda? Que a examine novamente após menstruar?

-Se fizer isso, ela pensará que você ficou interessado e que quer vê-la novamente. – Apontou de modo lógico. Aquela mulher seria a primeira de muitas. Quando a notícia de que o novo médico era um verdadeiro monumento se espalhasse, Edward teria sérios problemas – Acho que o melhor é encaminhá-la para um ginecologista nos ambulatórios. Afinal, seu trabalho é atender apenas os pacientes internos, e creio que a senhorita Park terá alta em breve.

-Sim, farei isso e depois vou tomar um descanso... Necessito de cafeína para suportar o resto do plantão. Me acompanha?

-Acho que não está na hora do meu intervalo. – Disse na defensiva. Não sabia se aquela seria uma boa ideia após o que ocorreu entre eles... Não queria esquecer novamente quem era.

-Vai ser só um café! Além disso, o plantão de hoje parece calmo e não aceito recusas.

Após falar aquilo, Edward entrou novamente no leito 213, deixando Bella sem chance de protestar. Ele passara o final de semana inteiro se segurando para não pegar o celular e ligar para ela. Isabella parecia ser o tipo de mulher que preza por sua privacidade, e não queria pressioná-la, mas agora que a vira, não conseguiu se controlar. Sentia uma enorme necessidade de ficar ao seu lado.

Quando terminou com a senhorita Park, saio da Clinica Médica e seguiu rumo a cafeteria, passando pela entrada da UTI no caminho. Infelizmente, teve que fazer uma pequena parada, pois viu quando a psicóloga tentava consolar uma pobre senhora que chorava de modo inconsolável.

-Essa não é a mãe do Riley Biers? – Indagou a Victoria Fontaine, que estava parada na entrada do setor.

-Sim. Está chorando por que o filho acabou de falecer. O desequilíbrio metabólico dele se agravou e acabou desenvolvendo um quadro de acidose. Morreu agora a pouco.

Edward sentiu um aperto no peito ao ouvir aquilo. Lembrava-se daquele paciente em seu último plantão. Não esperava que fosse a óbito tão rápido! E não pôde deixar de pensar também em Isabella. Ela parecia simpatizar com o rapaz e certamente ficaria bastante abalada quando soubesse de sua morte.

-A enfermeira Swan já sabe disso? – Indagou preocupado.

-Não sei, mas se sabe ou não, não fará diferença, acredite. – Respondeu Victoria de modo enfadonho – Eu lhe disse que Isabella só se importa com os pacientes vivos, mas depois que eles morrem não podem mais puxar o saco dela.

E após falar isso, tornou a entrar na UTI, deixando Edward um tanto confuso. Não sabia por que Victoria detestava tanto Isabella, mas começava a suspeitar que James Cater tinha algo a ver com isso. Iria investigar melhor aquela história, mas antes, tinha que correr até a cafeteria! Sendo assim, continuou seu caminho, sem fazer mais paradas dessa vez. Encontrou Isabella sentada em uma mesa, tomando café, e admirou-a um pouco a distancia. Parecia tão solitária...

-Desculpe a demora. – Disse ao sentar-se em sua mesa – Tive um contratempo.

-Não tem problema. – Respondeu sem encará-lo, o que deixou Edward um tanto em alerta. Ele pediu um cappuccino a moça da cafeteria, antes de começar um diálogo corriqueiro.

-Como foi o seu final de semana?

-Tranquilo. Não fiz nada de mais após o show.

-Espero que esteja livre no natal. Carlisle dará sua tradicional festa e eu gostaria que você me acompanhasse.

-A confraternização natalina? – Indagou de modo cauteloso – Desculpe, mas eu nunca vou a esses eventos... Além disso, sei que foi Alice quem o convenceu a me convidar.

-Bobagem. Estou convidando-a por que quero que vá. Será apenas um jantar com as pessoas do hospital. O que pode dá errado?

-Não é isso... Eu só... – Ela transparecia relutância, deixando-o impaciente – Acho que irei estragar o clima da festa.

-Você é bem vinda na casa dos Cullen e é isso o que importa. Agora, falando de algo mais sério... Passei na frente da UTI antes de vir.

-Algum problema?

-Bom... Sim. – Edward não queria falar daquilo e estragar o momento, mas sabia que Isabella acabaria ouvindo sobre o óbito, e preferia que fosse ele quem a desse a notícia – Não queria dizer isso, mas... O rapaz que sofreu um desequilíbrio metabólico no plantão passado, Riley Biers, acabou de falecer. Sinto muito, sei que você gostava dele.

Edward a encarou, esperando ver tristeza em seus olhos ou qualquer sinal de abalamento. Mas Isabella se quer piscou. Apenas deu um pequeno gole em seu café e depois soltou o ar que prendia nos pulmões.

-É uma pena. – Disse tentando parecer indiferente – Ele não tinha mais que dezesseis anos.

-Isabella, sei que está triste. Não precisa se fingir de forte...

-Não estou me fingindo de forte! O que quer que eu faça? Corra e chore por aí?

Ele nada respondeu. Apenas ficou encarando-a como se tentasse compreender o que ela acabara de dizer. Por que tentava agir daquele modo frio? Sabia que ela estava sofrendo por dentro, mas queria que ela exteriorizasse aquilo. A morte era uma constante companheira naquela profissão, e por isso eles deveriam compartilhar suas dores. Queria que Isabella confiasse nele, que tirasse forças de si, mas antes que pudesse verbalizar isso, acabou sendo interrompido por Jessica Stanley que parou em frente a mesa onde ambos estavam sentados.

-Dr. Cullen! – Disse com um sorriso no rosto – Que bom que o encontrei. Passei o plantão querendo lhe perguntar algo.

-Então pergunte. – Respondeu tentando livra-se dela o mais rápido possível.

-Bem, não tenho muita certeza, mas acho que o vi ontem saindo do Teatro Royal, e se não me engano, acompanhado da Dr. Tanya.

Bella parou de beber seu café e encarou Edward automaticamente. Não queria acreditar no que ouvira, mas acabara lembrando-se do que Alice dissera mais cedo: Tanya parecia apaixonada... Então foi por isso que ele não a telefonou durante todo o final de semana? Por que estava saindo com a Dr. Denali? Céus... Como fora ingênua!

-Sim. Por coincidência nos encontramos no Teatro Royal no domingo e acabamos assistindo a peça juntos. – Respondeu enquanto apoiava as costas no espaldar da cadeira e cruzava os braços.

-Ah, sabia! Meus olhos nunca me enganam. Bem, acho que o senhor fez uma boa escolha. Tanya é realmente deslumbrante e uma médica excepcional.

-Não crie tantas expectativas enfermeira Stanley. Tudo não passou de coincidência, nada mais.

-Oh, claro, entendo. – Disse Jessica com uma cara de constrangimento ao notar que ele não gostava daquela conversa – Acho melhor eu ir indo... Tenho pacientes para evoluir.

-Sim. Certamente.

Jessica deu um sorriso sem graça, antes de sair da cafeteria, os deixando a sós novamente. Bella sabia que não tinha direito algum de cobrar fidelidade da parte dele, mas não conseguiu segurar a língua.

-Então, se eu não aceitar ir a confraternização natalina com você, irá convidar a Dra. Tanya?

-Não é nada disso. – Defendeu-se com um tom enfadonho – fui ao teatro sozinho, mas acabei esbarrando em Tanya e resolvermos fazer companhia um para o outro!

-Oh, claro, do mesmo modo que você me encontrou casualmente naquele show. E agora quem será a próxima? Victoria? Bem, pois sugiro que a leve em algum lugar mais luxuoso do que um simples pub. Ela adora ser o centro das atenções.

-Não me acuse por algo do qual não tenho culpa!

-Acha que eu sou idiota? – Exclamou tentando não gritar. Já estava fazendo uma força enorme para não chorar pela morte de Riley, e agora aquilo... Não sabia se conseguiria se conter – Como pôde levar a Dr. Tanya ao teatro depois do que aconteceu entre nós dois na sexta a noite? Claro, você deve achar que sou apenas mais uma enfermeira com a qual vai se divertir.

-Está me ofendendo! Sabe muito bem que não sou esse tipo de homem.

-Quer saber? Fique com ela então e divirtam-se na confraternização de natal. Mas aviso logo de que a Dra. Tanya já foi muito machucada e que não merece outro babaca em sua vida. Tenha uma boa noite.

E após falar aquilo, levantou-se de modo irado e saiu como um furacão da cafeteria. Não queria ver a cara dele pelo resto do plantão e sentia ódio de si própria por ter confiado naquele desgraçado. Edward Cullen era só mais um homem superficial que se importava apenas com as aparências. Precisava sair dali o quanto antes... Não queria que vissem suas fraquezas.


Geeente! As teorias de vcs estão ficando cada vez melhores! Algumas leitoras já chegaram bem perto do q a Bella tem :D

E o que acham da Tanya? Será q ela vai causar problemas para o nosso casalzinho? Confesso que é difícil introduzir uma personagem tão odiada em um perfil mais neutro, mas estou tentando ahahha

Hoje os agradecimentos serão para a Christye-Lupin, Ginna M. Weasley P, Tomoe-chan, Marjorie e JOKB. Vcs são nota 10!

Essa confraternização de natal promete em? hahaha Até amanhã ;*