Capítulo reescrito em 19 de novembro de 2014, porque eu estava bêbada quando o publiquei... Shiryu terminou o sexto capítulo dormindo e no começo desse, que era uma sequência, ele estava acordadíssimo. Então arrumei a bagaceira e acrescentei mais uns detalhezinhos. ;)

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Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada. Se fossem meus, o negócio se chamaria Saint Shiryu. Não ganho nada com minhas fics.

INESPERADO

Chiisana Hana

"Então venha pra mim como você é

Não precisa pedir desculpas

Saiba que você vale a pena

Eu trocarei seus dias ruins por bons

Caminharei através dessa tempestade

Eu farei tudo isso porque eu te amo" (1)

Capítulo VII

– Isso é um lugar de sonho – murmurou Shunrei, admirada com o quarto onde estavam hospedados. O dia acabara de amanhecer e Shiryu abraçou-a.

– Fico feliz que pense assim – ele disse. – Quero que esses dois dias sejam especiais.

– Eu sei que serão!

– Verdade. Tenho mais algumas surpresas para hoje...

Shunrei sorriu.

– Eu preciso me acostumar com essas suas surpresas – disse.

– Vai se acostumar logo – ele disse. – Mas agora vou tomar um banho.

– Isso é uma boa ideia – admitiu Shunrei. Shiryu estendeu a mão convidando-a e então os dois foram tomar banho juntos, compartilhando de mais um momento de intimidade. Depois do banho, Shunrei demorou-se examinando os detalhes do quarto, que era bem decorado com quadros e objetos de arte de bom gosto. Quando se casou, ela e o marido passaram a lua de mel num balneário na China mesmo, num ótimo hotel, mas que em nada se comparava a esse quarto.

"Nada se compara ao que estou vivendo agora", corrigiu Shunrei em pensamento, voltando o olhar para Shiryu, que a esperava na mesa à beira da piscina.

– Bom dia, meu amor – disse Shunrei, olhando a mesa farta, com comida que daria para pelo menos mais duas pessoas.

– Bom dia, querida – Shiryu respondeu, e levantou-se para beijá-la. – Pedi logo o café.

– Fez bem – ela disse, e sentou-se à mesa. Logo notou que também estava faminta.

– Depois do café, que tal uma volta na praia? – sugeriu Shiryu.

– Eu topo, claro!

Depois de fartarem-se com os pães e as frutas servidas, Shunrei foi trocar-se para o passeio. Shiryu vestiu rapidamente seu traje de banho e esperou a namorada numa espreguiçadeira. Ela, entretanto, olhava fixamente o conteúdo de sua mala aberta e não conseguia tomar uma decisão: usava o biquíni novo ou o velhinho da Hello Kitty? Depois de ponderar muito, decidiu vestir o biquíni velho. Porque era o que ela gostava, era o que a camponesinha chinesa gostava. Se Shiryu achasse ridículo, paciência. Ela era assim.

Foi encontrá-lo à beira da piscina, esperando que ele risse do traje. Ele, no entanto, pareceu nem notar. Ofereceu o braço a ela e caminharam juntos para a praia. O motoqueiro usava uma sunga preta e Shunrei achou que ele estava muito, muito sexy e que, comparando-se a ele, ela estava mesmo parecendo ridícula.

– Achei que você ia rir do meu biquíni – ela confessou, um tanto envergonhada.

– Eu achei engraçadinho mesmo, mas é o que eu esperava de você. Não esperava vê-la, sei lá, num biquíni minúsculo, dourado, com tudo quase de fora. Simplesmente não combina com você.

– Isso é verdade. Eu resolvi vestir esse porque é assim que eu sou.

– E é assim que gosto de você – ele completou.

Os dois caminharam na beira da praia até que, cansados, sentaram-se sob uma tenda, onde começaram a trocar beijos e carícias que logo se tornaram ousadas demais.

– Acho melhor a gente voltar para o quarto – sussurrou Shunrei. Apesar de aquela parte da praia ser privativa do quarto deles, ela se sentia exposta demais ali.

– É, aqui não – ele concordou. – Mas eu tenho outra ideia... – disse, pensando na banheira de hidromassagem. Ainda era ao ar livre, porém protegida do olhar de qualquer curioso.

Correram até lá e entraram na banheira, onde se amaram febrilmente, terminando o que havia começado na areia.

– Estou lembrando que quase fizemos amor na sua piscina... – ela disse, descansando nos braços dele. – Foi difícil resistir! – admitiu.

– É... Pra mim também. Sabe, eu estava morrendo de vontade...

– Mas respeitou meu tempo – Shunrei completou. – Fico feliz por isso.

Ela ia comentar sobre o marido, o qual nem sempre era compreensivo, nem sempre respeitava sua vontade ou a falta de vontade, mas resolveu deixar para lá. Não queria ficar comparando os dois, embora fosse inevitável. Podia, porém, restringir a comparação ao pensamento e não falar disso com Shiryu.

– Você sabe sobre mim – ela disse. – Sobre o meu casamento de mentira e tal, mas eu não sei nada sobre sua vida amorosa.

– Não tem muito para saber – ele disse. – Eu tive poucas namoradinhas na adolescência. Sempre fui meio tímido, mas minha aparência ajudava bastante. As meninas acabavam chegando em mim, o que era muito bom, já que eu não tinha coragem de fazer o contrário.

– Isso não se parece nada com o motoqueiro maluco que me beijou ao vivo na TV.

– Não mesmo – ele riu. – Depois namorei uma moça por muitos anos. Ela estava comigo durante o processo de reconhecimento de paternidade e quando eu venci e recebi o que me pertencia. Só que ela mudou depois que o dinheiro veio.

– Mudou de que jeito?

– Bom, ela queria que eu me tornasse um executivo convencional, que ficasse de terno e gravata, cuidando somente das empresas e, nas palavras dela, "largasse essa vida louca de saltar naquela droga de moto". É claro que a responsabilidade que caiu nas minhas costas junto com a herança foi grande. Eu fui estudar, fui aprender tudo que era necessário para cuidar do meu patrimônio recém-chegado, mas nunca passou pela minha cabeça largar o motocross. É o que eu sou. É voando com a moto que eu sinto vivo de verdade.

– Voando... – repetiu Shunrei, sonhadora. – Me dá muito, muito medo, mas deve ser bom.

– Um dia salto com você.

– Não, obrigada! – ela apressou-se em dizer. – Prefiro ficar no chão. Mas entendo o que você sente a respeito disso, de ser parte do que você é, sabe? .

– Sim. Depois dela, passei um tempo sozinho e acabei namorando uma milionária – ele disse rindo. – As empresas dela têm parceria com as minhas e acabamos nos conhecendo nas reuniões, saindo e enfim começamos a namorar. Não deu certo, claro. Só falávamos de negócios... Às vezes, até na cama...

Shunrei deu uma gargalhada.

– Isso é grave – ela disse.

– Muito grave. Enfim, namoramos uns meses e resolvemos terminar porque éramos mais parceiros de negócios que namorados. Agora ela está namorando meu melhor amigo e eles estão muito felizes. E é isso, essa é minha vida amorosa. Aposto que não é tão movimentada quanto você pensava.

– Apostou certo. Pensei que você ia falar de atrizes, cantoras, super modelos, sei lá...

– Bom, não vou negar que tive alguns casinhos com mulheres assim, mas a maioria delas perdia o encanto quando abria a boca. É difícil quando você não tem nada além da beleza e não consegue nem sustentar uma conversa.

– E como é – concordou Shunrei, lembrando-se outra vez do ex-marido. No começo, ele falava pouco chinês, ela não falava nada de italiano. Acabavam se comunicando em japonês, língua que os dois falavam de forma razoável. Mais tarde, quando já dominavam os idiomas que precisavam, era difícil encontrar um assunto que os mantivesse conversando por mais de meia hora. Simplesmente não tinham afinidade, nem se interessavam pelos mesmos assuntos.

"Ou talvez ele me achasse uma idiota com a qual não valia a pena conversar", pensou, magoada, e voltou-se outra vez para Shiryu. "Tenho coisa muito melhor para fazer aqui do que pensar naquele italiano sem vergonha".

No final da tarde, Shiryu levou Shunrei para mais uma surpresa que havia preparado: jantar num barco, à luz de velas, a fim de contemplar todo o esplendor do pôr do sol.

– Parece que essa cor invade a gente... – murmurou Shunrei, recostada no colo de Shiryu, referindo-se ao tom laranja avermelhado do céu.

– Parece... – ele concordou.

Além da cor do céu, havia o perfume de Shiryu, aquele que inebriava Shunrei.

"Eu podia ficar assim para sempre", ela pensou. "É tão bom!"

Quando voltaram do passeio para o quarto, Shiryu conferiu o celular.

– Dezessete chamadas perdidas – ele disse, rindo.

– Ai, meu Deus! – Shunrei exclamou, batendo a palma da mão na cabeça.

– O que foi?

– Esqueci de ligar para a Mino! É minha melhor amiga, eu prometi que ligava pra dizer que estava bem e que...

Shunrei parou de repente, deixando Shiryu curioso.

– E que? – ele a instigou a continuar.

– E que você não tinha me matado, esquartejado e guardado meu corpo no freezer.

Shiryu deu uma gargalhada.

– Quanta imaginação! Você devia ser escritora e não jornalista.

– Bom, se quer saber, eu comecei a escrever um romance, mas nunca consegui terminar.

– Pois eu espero que termine. Imaginação você tem! Quando acabar, me avise que eu patrocino o lançamento.

Shunrei olhou para ele desconfiada, enquanto mexia na bolsa procurando o celular. "Lançar um livro?", pensava. "Será?"

Shiryu entregou o próprio celular a ela.

– Ligue para a sua amiga do meu.

– Não precisa, Shiryu.

Ele insistiu.

– É melhor. Não vai ser uma ligação muito barata. Pode ligar e falar à vontade.

– Está bem – cedeu Shunrei, e pegou o aparelho. Shiryu saiu, deixando-a sozinha para que falasse com a amiga sobre o que quisesse. E é claro que ele sabia que seria o assunto principal da conversa.

Shunrei discou o número de Mino. No primeiro toque, a garota atendeu, mesmo sem reconhecer o número.

– Oi, Mino. É a Shunrei.

– Garota! – gritou Mino. – Eu estava arrancando os cabelos aqui! Tá tudo bem?

– Tá sim! Desculpa, devia ter ligado de manhã, mas esqueci.

– Esqueceu, é? A coisa tá boa assim? Onde você tá? Okinawa?

– Um pouco mais longe... Phuket.

– Oi? Tailândia?

– É – respondeu Shunrei, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

– Ok. O cara é mais doido que eu esperava.

– Viemos no avião dele e, amiga, dá pra morar dentro do negócio. Depois conto tudo direito. Tá tudo bem, não se preocupe. Quando eu voltar a gente conversa melhor. Só liguei mesmo para não te deixar preocupada.

– Tá. Divirta-se muito, curta muito o seu gato maluquinho e faça muito amor com ele.

– Mino! – gritou Shunrei, corando.

– Vocês estão aí pra isso, né não? Não me diga que ainda não rolou.

– Ai, caramba! Sim, sim – ela respondeu. – Depois te conto!

Depois de desligar, Shunrei foi até Shiryu e devolveu o celular. Deu vontade de dar uma espiadinha nas mensagens, mas ela resistiu bravamente.

– Agora deixa eu avisar que eu estou bem – ele disse. – O Seiya já me ligou dezessete vezes, né? Ele é o cara que cuida da minha carreira esportiva. E o que namora minha ex.

– Que confusão! – ela riu, mas ficou intrigada. Seiya? Será possível que se trate daquele Seiya? – Vou tomar um banho, certo?

Enquanto ela se banhava, ele ligou para o amigo.

– Ô cara, onde é que você se meteu? – Seiya perguntou, parece desesperado. – Já liguei para sua casa, para o escritório, e...

– Dezessete vezes pro meu celular – completou Shiryu. – O que pode ser tão urgente?

– Ah, nada, mas você sumiu. Fiquei preocupado. Sei lá, você tá meio maluco, né? Não tá queimando dinheiro ainda não, tá?

Shiryu ignorou a pergunta.

–Eu precisei viajar – disse –, mas segunda-feira estarei de volta. E eu não estou meio maluco! E nem queimando dinheiro!

– Sei... viajar, né? Com a repórter?

– Você quer dizer com a minha namorada? É, com ela.

– E onde vocês estão?

– Longe – Shiryu disse. – Eu preciso desligar agora, Seiya.

– Tá, né? Curte aí a sua repórter! Vê se não pira esse cabeção de vez.

– Seiya, vai pro... Deixa pra lá.

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No domingo de manhã, o casal namorou um pouco na piscina e mais tarde foram novamente à praia. Depois desfrutaram de um almoço perfeito, com uma comida cheia de sabores e perfumes. Passaram a tarde passeando pela cidade, onde fizeram compras. Assim que anoiteceu, voltaram ao hotel, onde jantaram e prepararam-se para ir embora.

– Ah, não quero voltar – murmurou Shunrei. – A realidade não é assim como esse sonho.

– Da próxima vez, vamos ficar uma semana – Shiryu disse. – Passou rápido demais, meu bem.

– Demais, demais, demais – ela disse. – Só não sei quando será essa próxima vez, já que sabe Deus quando terei férias.

– E quando começarem os torneios vai ficar um pouco complicado pra mim também, mas acho que posso dar um jeito. Pra você, eu sempre vou poder dar um jeito – ele disse e tomou Shunrei nos braços, beijando-a longamente.

Shiryu fez o checkout no hotel e os dois foram para o aeroporto, onde o avião de Shiryu já estava pronto. June os cumprimentou e eles embarcaram. Dessa vez, comportaram-se no voo. Apenas viram um filme e depois adormeceram. Shunrei queria estar descansada para enfrentar o dia de trabalho que viria pela frente.

Assim que desembarcam em Tóquio, o motorista de Shiryu esperava por eles no mesmo Maybach da ida. Foram direto para a casa de Shunrei. Shiryu ajudou-a com a mala e com as sacolas de compras. Poucas, porque ela não deixou que ele pagasse nada.

– Tenha um bom dia de trabalho – Shiryu desejou, depois de beijá-la.

– Você também, meu amor – ela disse. Ele tinha comentado que passaria em casa, mas depois iria para a empresa.

– Obrigada. Ligo mais tarde, certo?

Shunrei assentiu e entrou em casa. Deixou a mala num canto e jogou-se no sofá. Ainda parecia um sonho esse final de semana na Tailândia, mas o cheiro de Shiryu estava nela, o anel estava no dedo, ainda sentia o sol na pele. Era real. Muito real.

Pensou em ligar para Mino, mas deixou pra depois. Queria aproveitar sozinha as horas que tinha antes de ir para o trabalho, rememorando os momentos que viveu com ele na Tailândia.

– Shiryu – murmurou, passando o dedo sobre o anel, e suspirou profundamente. Ficou devaneando no sofá, até que chegou a hora de enfrentar o dia na emissora. Ao sair de casa, pensou que não importava qual era a pauta do dia, pois nada estragaria a felicidade que estava sentindo. Porém, ela estava enganada. Poucos minutos depois de entrar na redação, Eiri apareceu.

– Shunrei, você tá namorando o milionário e não me contou nada? – disparou a loira, em tom de acusação.

– Hã? – grunhiu Shunrei, imaginando como ela teria descoberto e procurando ganhar tempo.

– Eu tenho uma fonte suuuuuuper segura que me garantiu que o avião dele saiu do hangar na sexta à noite e decolou com destino à Tailândia.

– E o que eu tenho a ver com isso? – Shunrei tentou despistar.

– Tem que a fonte me garantiu que você estava no avião. Como você me nega uma bomba dessa?

– Eiri, por favor, eu não sou notícia!

– Mas o bofe é!

Eiri notou o anel no dedo de Shunrei e só de olhar ela sabia que era uma joia muito cara.

– Foi ele quem te deu esse anel, né? – perguntou.

– Com licença, Eiri. Eu tenho que fazer umas entrevistas no centro – Shunrei disse e saiu de perto dela o mais rápido que pôde, apesar de saber que a loira não desistiria da "pauta".

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Shiryu e Shunrei falaram-se todos os dias da semana, mas só puderam se reencontrar na quinta-feira à noite, quando ele a levou para um restaurante. Era um lugar meio escondido, simples, mas com boa música tocando e comida de excelente qualidade.

De repente ela prestou atenção na música que tocava. Falava de uma mulher que tinha tocado um homem tão profundamente que o levou a roubar um beijo. Um gesto inesperado que os uniu e que mudou a vida dele. Que ela era tudo que ele esperava na vida, algo com que ele sonhou ainda sem saber.

– Essa música... – murmurou Shunrei. – Nunca ouvi essa música antes. Parece que fala da gente. E também não conheço esse cantor.

Shiryu sorriu satisfeito. Tinha conseguido o que queria.

– É porque é sobre a gente – ele disse. – E porque sou eu que estou cantando.

– É? – indagou Shunrei, sentindo-se prazerosamente surpresa.

– Aham. Bom, achei que você ia curtir um presente assim, pessoal, já que reclamou das joias. Então eu fiz isso.

– Ai, meu Deus! Eu não devia me surpreender porque já sei que você é doido, mas caramba, ficou tão linda!

– Sou doido por você...

Sem se dar conta, Shunrei estava chorando e mal conseguia captar as palavras da canção.

– Coisa mais linda – murmurou emocionada quando a música acabou. – E não é que você canta bem?

Depois da primeira música, começou a tocar outra, também cantada por Shiryu e igualmente inédita. Shunrei notou que falava da viagem do final de semana passado, do avião, do jantar no barco ao por do sol. E a terceira música falava do futuro.

– Do futuro com você – ele murmurou, olhando para ela.

Continua...

(1) Unconditionally, Katy Perry