VI

Rony

Rony nunca tinha se sentido tão triste, transtornado, raivoso e todos os outros sentimentos ruins juntos.

A vontade dele era sair pelo mundo caçando aquela deusa maluca e arrancar a cabeça dela. Em uma mesma noite ele descobriu que não era filho da família que o criara, que sua mãe estava morta, que seu pai era um deus e que a mulher que o criou estava prestes a morrer. Pra falar a verdade Rony não sabia nem quem era ele mesmo mais.

Ele já não fazia mais ideia de quanto tempo estava sentado naquele sofá chorando. Ele tentava parar, mas as lágrimas simplesmente caíam por seu rosto. Ao seu lado sua irmã parecia à beira do abismo. A ruiva sempre foi a preferida de todos, a mais mimada, a mais amada, a mais paparicada. Era como se ela tivesse perdido tudo aquilo que ganhou durante a vida. Era como se a ruiva tivesse perdido todo amor e todo carinho que recebeu durante a vida.

As cenas que Juno mostrou para Rony não saíam de sua cabeça. O homem de um olho só, Antonina morrendo para salvar os dois, a imagem dos dois bebês no berço, e principalmente a semelhança física entre Antonina e Gina.

- Rony, você precisa se acalmar. Sua mãe vai melhorar. Ela é forte – Harry tentou animar o amigo.

- Não vai Harry. Não entendo como, mas sei que tudo o que ela disse é verdade. Ela não é minha mãe de verdade. Essa não é minha família –

Então Rony contou a Harry sobre o sonho, e sobre as palavras ditas por sua mãe, inclusive a parte que incluía Harry e Hermione.

- eu não consigo entender. Creio que só aquela tal de Rose poderá nos explicar isso tudo – Harry disse e permaneceu em silêncio ao lado do amigo.

Do outro lado da sala Gina e Hermione se abraçavam e choravam. Gina e Rony sabiam que não havia mais o que fazer. A coisa naquele momento estava completamente fora de seu alcance. Era só esperar acontecer e ver o que o futuro guardava para eles.

As horas passaram sem que ninguém na Toca pregasse os olhos. Não demorou muito para que Gui e Fleur chegassem, assim como Percy um tempo depois.

Quando a lua já dava lugar ao sol, os amigos da família começaram a chegar. A pergunta sempre era mesma: O que aconteceu com Molly?

Rony agora não chorava mais, porém seu coração parecia pesar mais que seu corpo todo. Suas narinas e olhos ardiam de tanto chorar, seu estomago estava embrulhado, não aceitava nada que o ruivo mandava. O clima na Toca já era de velório. Molly ficava mais debilitada a cada minuto e já não conseguia falar mais. Hermione havia feito um chá forte para o Sr Weasley, que estava desolado.

Eram seis horas da manhã quando finalmente aconteceu. Ao ver Fleur descendo as escadas chorando mais que o normal, o ruivo soube que tinha perdido mais uma mãe. Não tinha como não se lembrar da imagem mostrada por Juno, do homem de um olho só matando Antonina, a mulher que lhe colocara no mundo. E agora havia perdido a mulher que o criou.

Ele não aguentou os vários sons de choro dentro da casa, teve que ir para o quintal, tentar respirar um pouco de ar puro. As lágrimas não caíam mais, era como se tivessem secado.

Ele pôde ver no horizonte um pontinho roxo e lembrou as palavras da mãe na noite anterior: "Eu não chegarei ao café da manhã. Quando Rose chegar eu já terei ido".

Ele sabia que agora era mais um momento difícil. Rose estava vindo para esclarecer duvidas e provavelmente lhes fazer alguma proposta.

- Eu sinto muito – Rose disse quando chegou próxima ao ruivo.

- Seja breve, por favor – Rony pediu.

- Creio que breve isso não vá poder ser. Preciso falar com todos juntos – Rose pediu e Rony entrou rapidamente na casa e chamou Gina , Harry e Hermione para os jardins.

Os olhos de Gina estavam quase da cor de seus cabelos e ao seu lado Harry também chorava. Hermione era a que parecia mais controlada, apesar de estar com os olhos bem vermelhos também.

- Entendo que é um momento difícil, mas eu preciso que me escutem – Rose pediu.

- Pode falar – Gina disse.

- Ainda... Não posso falar na frente de dois filhos gregos. Não entendo os planos de Juno querendo juntar Gregos e Romanos, mas me recuso a falar na frente de dois filhos da Grécia – Rose falou.

- hein? Dois filhos de quem? – Gina perguntou.

- Vocês vão entender isso mais tarde, mas me recuso a falar qualquer coisa na frente desses dois – Ela apontou para Harry e Hermione.

- Então você que vá embora. Os dois não vão sair daqui – Rony disse como uma criança birrenta.

- Não Rony, tudo bem. Nós saímos. Isso é importante para vocês dois. Nós vamos ver como o pessoal está – Harry disse puxando Hermione, que saiu a contra gosto.

- E então? Porque minha namorada e meu melhor amigo não puderam ficar aqui? – Rony perguntou rabugento.

- Isso você vai entender futuramente. No momento não estou com tempo para explicações detalhadas – Rose disse e Rony percebeu que a todo instante ela olhava para trás.

- Está esperando alguém? – Ele perguntou.

- Sim. Não podemos ficar aqui por mais muito tempo. Existem coisas em volta dessa casa que não querem vocês dois vivos – A mulher falou e mais uma vez olhou para trás.

- Como assim não podemos mais ficar aqui? E que coisas são essas? – Gina perguntou de maneira assustada.

- Olha, a amiga de vocês, a maluquinha –

- Luna? – Gina arriscou.

- Sim, ela mesma. Ela tem o oráculo dentro dela. Apesar de ser uma simples mortal, ela é muito especial. Eu já sei sobre a profecia que ela fez na frente de vocês –

- Hãn? Como assim profecia? – Rony arregalou os olhos.

- "Fogo e Poesia juntos deverão salvar a rainha, ou a humanidade viverá em eterno caos". Isso é uma antiga profecia, muito antiga mesmo. Tão antiga que até tínhamos nos esquecido dela, até um mês atrás, quando Juno sumiu –

- Juno? Mas essa mulher apareceu em nossos sonhos essa madrugada – Gina retrucou, sem entender.

- Eu sei. Ela também apareceu em meus sonhos a uma semana. Ela está fraca, mas com força suficiente para se comunicar com a gente. Ela me deu por sonho, a ordem de procurar por vocês, e as coordenadas para isso. Não sei o que ela quer de vocês, mas sei que ela já planejava isso a muito tempo –

E planeja mesmo. Rony sabia disso só de se lembrar do sonho que Juno lhe mostrou. Ela própria entregando ele e Gina ainda crianças para os Weasley.

Rose ia continuar falando mais alguma coisa quando um garotinho loiro veio correndo em sua direção. Rony tinha certeza que a criança não passava de treze anos e parecia bastante ocupado. Ele tinha nas mãos uma lança, a armadura estava amassada, seu rosto estava sujo de fuligem e um pouco de sangue manchava seus tênis.

- Ciclopes. Por todos os lados. Fomos pegos de surpresa. Tristan foi ferido – O garoto falava tudo entre imensas arfadas procurando pelo ar.

Rony não entendeu nada do que o garoto falou. Só a parte de que alguém tinha sido ferido.

Ele estava prestes a perguntar para Rose o que estava acontecendo quando uma explosão o deixou parcialmente surdo.