Capítulo 07: Fall in Love

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Takanori afastou-se em choque. Seus lábios estavam vermelhos, entreabertos e sua respiração um pouco descompassada, enquanto seus olhos piscavam diversas vezes fitando incrédulos os de Akira.

Então ele abriu mais a boca em uma exclamação muda e negou suavemente com a cabeça, em claro sinal de confusão, desviando os olhos do sempai; aparentemente sem perceber que seus braços ainda circulavam o pescoço dele.

Já akira tentava conter o sorriso que queria se formar em seus lábios, ainda não acreditando que não só tinha conseguido beijar Takanori, mas como também o segundo beijo tinha sido iniciativa do garoto mais novo.

Ele voltou a se aproximar, aproveitando que o outro ainda digeria o que tinha acontecido. Roçou os lábios no canto de sua boca, sabendo que talvez estivesse arriscando demais em querer um terceiro beijo, mas não era como se ele conseguisse se refrear aquela altura.

E como era de se esperar, Takanori pareceu sair do seu estado de choque com o novo contato, afastando-se bruscamente, os olhos arregalados.

- E-eu... e-eu acho melhor voltar pra casa – disse atropelando as palavras antes de se virar de costas e começar a caminhar rapidamente.

- Espera, Taka, eu vou com você – Akira o seguiu, torcendo para não ter estragado tudo, mas parou de andar quando o outro se virou bruscamente.

- Não! Olha, eu posso ir sozinho – disse impacientemente, entretanto, ao perceber o tom que usara, tentou contornar a situação. – Desculpe, sempai, mas eu... eu...

- Eu entendo – murmurou, dando alguns passos para trás, ainda olhando o menor. – Eu não devia ter feito isso, Taka. Desculpe. Eu só... eu só não consegui não ter beijar, digamos assim – completou meio sem jeito.

Ruki riu baixo, ainda desconcertado com o que havia acontecido. Achou graça no que o outro tinha falado, mesmo que aquilo fizesse com que suas bochechas queimassem ainda mais.

- Amanhã a gente se vê – disse antes de se virar novamente e recomeçar a andar, dessa vez sem tanta pressa.

Akira permaneceu parado, vendo-o se afastar. Ainda que tivesse certeza de que estragara tudo, não conseguia conter o sorriso bobo que insistia em adornar seus lábios.


Kai lançou um olhar preocupado pela enésima vez para Ruki, que estava sentado ao seu lado, mais distraído que de costume. Parecia incomodado com algo muito importante e o moreno era esperto o suficiente para deduzir que aquilo talvez tivesse a ver com Suzuki-sempai.

Ele vinha estranhando toda aquela história de, subitamente, o loiro da faixa se apaixonar por Ruki. E estranhava ainda mais o fato de Nao sempre parecer incomodado em tocar no assunto, além de ter dito que não deveriam se meter naquilo.

Mas ele não ia seguir o conselho do namorado, levando em conta que o seu amigo parecia quase aflito com aquela situação.

Discretamente, fazendo todo o possível para não ser visto pelo professor, cutucou a cintura de Ruki. O menor sobressaltou-se um pouco assustado, mas logo voltou ao normal ao ver que era apenas Kai o chamando.

Lançou um olhar irritado para o moreno e suavizou a expressão ao perceber que a testa do outro estava franzida em sinal de preocupação.

- Está acontecendo alguma coisa, Ruki? – perguntou baixo, desviando os olhos para ficar atento ao professor e garantir que ele não os pegaria conversando.

- Hm, não... Por quê? – Takanori inclinou-se um pouco para o lado, querendo escutar melhor o amigo e saber a razão da pergunta.

- Você parece perturbado com algo. Tem a ver com Suzuki-sempai, não é? – achou melhor ir direito ao ponto e confirmou que estava certo quando o menor se empertigou na cadeira sem responder a sua última pergunta. – Olha, se ele estiver fazendo algo...

- Não é nada disso, Kai... – interrompeu, não querendo tocar em qualquer assunto que envolvesse Suzuki. O que ele vinha tentando fazer desde que acordara era não pensar em Akira Mas claro que não estava se saindo muito bem sucedido. – Só que já está perto da hora do almoço e ele sempre aparece com algo e eu já disse a você que ele cozinha muito mal, é apenas isso.

Kai acenou levemente, fingindo acreditar nele. Mesmo assim iria averiguar o que estava acontecendo realmente. Está certo que ele já tinha escutado Ruki reclamar inúmeras vezes sobre o almoço que Akira vinha preparando para ele, na semana que se passara... Mas ele sabia que aquilo não era razão suficiente para deixar o menor tão pensativo e agindo como se tivesse alguma culpa por Akira estar apaixonado por ele. O que, claro, não fazia o menor sentido.

Afinal Takanori nunca dera a mínima para Suzuki e isso o levava à conclusão de que o pequeno não era nem um pouco responsável pela paixão que o outro, muito de repente, desenvolvera.

Enquanto Kai desistia momentaneamente do assunto e voltava sua atenção à matéria, Ruki estava, mais uma vez, tentando tirar Akira de seus pensamentos. Sabia que deveria se concentrar, como o bom aluno que era, na aula.

O problema era que aquela já era uma batalha perdida há muito tempo.

A cena do beijo ficava passando na sua mente diversas vezes como se ele tivesse apertado o botão do repeat em seu cérebro. E em resposta ao fato de estar relembrando aquilo continuamente, a sua já tão conhecida (e por que não dizer amiga?) pedra de gelo havia se instalado, confortavelmente, mais uma vez no seu estômago. E chegava a ser engraçado concluir que, diferentemente das outras vezes, a sensação era até agradável.

Takanori abaixou a cabeça, apoiando-a nos braços ao perceber sua linha de raciocínio. Definitivamente, a razão daquela sensação de frio na barriga parecer boa significava o quanto ele estava ferrado e indo por um caminho possivelmente sem volta.

O que ele menos queria agora era se apaixonar por Suzuki. Isso seria uma tremenda estupidez.

Claro que ele até cogitaria a possibilidade de ser algo perfeito, já que Akira gostava dele. E sentir algo recíproco por alguém deveria ser muito melhor do que o sentimento unilateral que nutria por Takashima.

A única coisa que tornava a situação uma verdadeira idiotice de sua parte em se apaixonar pelo garoto da faixa, era lembrar que Akira não o correspondia verdadeiramente. Ele estava sob efeito de uma poção, efeito esse que só duraria durante aquela semana.

Então o que parecia mais sensato para o pequeno era não se apaixonar pelo loiro. Ele queria continuar gostando de Kouyou, quase se forçava a isso naquele memento. Porque ele sabia lidar com aquela paixão platônica em que nunca tinha recebido um olhar sequer do outro. Mas ele não saberia lidar consigo ao estar apaixonado por Akira e vê-lo deixando de gostar dele quando o efeito da poção do amor passasse.

O sinal que indicava que a aula tinha chegado ao fim tocou e ele apenas se deu ao trabalho de virar o rosto para o lado, desanimado, vendo Kai guardar seu material apressadamente. Provavelmente ele iria para a sala de Nao, já que costumava preparar o almoço do namorado. Assim como Akira prepara o seu, sussurrou uma voz divertida em sua mente.

Isso foi o suficiente para fazê-lo voltar a lembrar que ele já devia estar chegando com o bento que sempre preparava. Endireitou-se na cadeira e seus olhos ficaram fixos na porta esperando o momento em que o sempai entraria por ela. Nem sequer notou que Kai já tinha ido embora. E a última coisa que ele queria saber era o que aquela ansiedade em ver o outro poderia significar.

Não demorou muito para que Akira surgisse, não tão sorridente como costumava aparecer por ali, e entrasse na sala. Nem ao menos olhou diretamente para Takanori, mantinha a cabeça meio abaixada e andava em passos lentos.

Então, ao invés de puxar alguma cadeira para perto de onde Ruki sentava, como sempre fazia, se postou a frente do mais novo antes de começar a falar.

- Er... eu estava pensando, Taka-chan, e o que você acha de ao invés de comermos aqui na sua sala, irmos um pouco lá pra fora? – perguntou ainda sem olhá-lo e Ruki deduziu que talvez isso fosse pelo ocorrido no dia anterior.

- Tudo bem, sempai – respondeu, levantando-se, as intrépidas borboletas começando a dançar no seu estômago.

Caminharam em silêncio pelo corredor e aquilo já estava incomodando o mais novo. Akira não parava de falar quando estava ao lado dele e aquele jeito calado era atípico vindo dele.

Quando chegaram ao jardim do colégio, o loiro da faixa o guiou até uma das árvores e Ruki sentou apoiando as costas no tronco, enquanto Akira sentava de frente para ele e entregava o bento embrulhado com cuidado.

Ruki a desembrulhou lentamente, atrasando o momento em que teria que começar a comer, questionando-se internamente se não morreria intoxicado na próxima poção de comida que levasse a boca. E todo aquele silêncio já estava começando a irritá-lo.

- Olha, a respeito de ontem – começou a falar, deixando de abrir o bento e fitando Suzuki, que pela primeira vez naquele dia o encarou. – Vamos esquecer, está bem? Você não precisa ficar desse jeito...

- Eu não quero esquecer – Akira disse, sem esconder que estava chateado com o que tinha escutado. – Não fale como se desse para esquecer simplesmente assim. Você gostou tanto quanto eu, só não quer admitir isso.

Ruki abriu a boca para retrucar, mas se viu sem palavras. Estava no mínimo em choque com o que tinha escutado. Porque uma coisa era ele admitir secretamente para si que tinha adorado aquele beijo, outra, completamente diferente, era ouvir isso de Akira, que parecia certo do que falava.

- E eu não sei por que você reluta tanto em deixar isso acontecer. O que há de errado? – ele olhou Takanori diretamente, ansiando por uma resposta, já cansado de todo aquela resistência vinda do menor.

Ruki negou com um aceno, deixando o bento de lado, sem saber como se explicar. Ele não podia dizer que não iria arriscar algo sabendo que em poucos dias Akira provavelmente nem olharia mais para ele.

- Só... só não está certo – murmurou, abaixando o rosto, sem conseguir encarar o garoto a sua frente.

- O que não está certo? – Akira perguntou impacientemente e irritado pelo o outro não fitá-lo mais. Pra ele tudo estava perfeitamente certo, com exceção do fato de Takanori estar em negação em relação ao que sentia.

- Não era pra isso estar acontecendo, sempai. Não era pra você gostar de mim – disse mesmo sabendo que Akira não entenderia por que estava falando aquilo.

- Por que não era para eu gostar de você, Takanori? – perguntou em um tom mais suave, tentando se acalmar.

Ruki hesitou durante longos segundos em responder, mas ao erguer um pouco o rosto e ver a forma carinhosa com que era olhado pelo garoto da faixa, ele já sabia o quanto estava perdido. Desejou ter sempre aquele olhar vindo de Akira, mesmo sabendo que só o receberia pelos próximos sete dias.

- Porque você não escolheu isso – disse, a voz saindo ainda mais baixa. Mesmo assim Akira ouviu e não pode deixar de sorrir de forma suave, sentando ainda mais perto do mais novo.

- Eu acho que ninguém escolhe de verdade. Só acontece – murmurou, erguendo uma das mãos e alcançando o rosto de Takanori, onde roçou os dedos levemente.

Ruki o fitou ao negar com um aceno, mas deixou que o mais alto se aproximasse ainda mais, o rosto ficando a centímetros do seu, fazendo com que desistisse de contra argumentar. Não quando sentia aquele perfume suave vindo de Akira e a respiração dele colidindo contra a sua.

Deixou que Suzuki acabasse com a pouca distância, quase se debruçando sobre o seu corpo e o prensando contra a árvore. Circulou com os braços os ombros largos do loiro, adorando a sensação de ter o corpo dele tão próximo ao seu. Então entreabriu os lábios, em um pedido mudo para que o beijo fosse aprofundado, sendo prontamente atendido pelo loiro.

E naquele momento ele decidiu que aproveitaria aqueles dias com o outro, sem se importar com as conseqüências que aquilo traria unicamente para ele. Não quando já sabia que estava completamente envolvido por Akira.

Continua...


N.A: Obrigada pelas reviews, meninas ^^