Capítulo 7

Foi com as bochechas vermelhas, o queixo erguido e os olhos brilhando com desafio que Hermione chegou para o jantar, na primeira noite fora da Ala Hospitalar. Tomara café-da-manhã lá mesmo e havia perdido o almoço por conta de um dever de Runas Antigas, mas agora não tinha mais desculpas para evitar as refeições no Salão Principal.

Sabia a respeito dos rumores enquanto estivera fora. Naturalmente, ninguém acreditava na história do vírus mágico. Claro que não – era a verdade! Que graça teria a verdade quando havia mentiras a se espalhar?

A reação por toda a volta no jantar não fora tão devastadora como temera, apesar disso. Houve alguns sussurros e risadinhas quando sentou à mesa da Grifinória, mas de maneira geral, a notícia parecia já ter perdido a graça.

Suspirou aliviada. Sem querer, olhou para a mesa da Sonserina quando passou, mas o garoto loiro que procurava estava compenetrado em uma conversa, e não reparou nela. Lembrando que isso era bom, foi em direção a seus amigos e sentou-se de costas para o resto do Salão.

Malfoy tinha ido visitá-la duas vezes enquanto ainda estava na Ala Hospitalar. A primeira foi depois de receber seu bilhete, e a segunda uns dois dias depois. Na primeira, parecia genuinamente preocupado, mas na segunda fora apenas arrogante, irritante e ofensivo, como sempre. Conseguira deixar o pobre Harry tão estressado que Madame Pomfrey ameaçou expulsá-lo por perturbar a tranquilidade. O loiro fora a personificação da inocência até a enfermeira virar as costas, e depois disso, começara a se vangloriar abertamente. Hermione não conseguira decidir se ele lhe irritava ou divertia, então sentia um pouco dos dois – mais irritação, claro.

Quando sua voz falhara, lutando para respirar, no entanto, ele inventara uma desculpa, recolhera os livros e desaparecera dali. Não a visitara novamente depois disso, e na ocasião, ela não soubera o que pensar.

Ainda estava longe de saber.


Nos dias seguintes, passou muito tempo tentando conseguir uma palavrinha com Malfoy. Não era que sentia uma terrível aversão a falar com ele em público, mas não lhe agradava que seus amigos ouvissem o que tinha para dizer, e pedir por um minuto em particular na frente deles seria tão ruim quanto isso.

O garoto ainda parecia muito cansado e assombrado, e muito mais sério do que ela jamais pensara que veria. Cercava-se de sonserinos e só ocasionalmente parecia voltar a ser ele mesmo. Em uma dessas ocasiões, azarara um segundanista corvinal, apenas por ser o único não-sonserino por ali. Exceto por Hermione, que estivera escondida, considerando seu próximo passo. Depois de ver a azaração, entretanto, girou nos calcanhares e foi embora, horrorizada consigo mesma por querer a atenção de alguém tão tirano.

Ainda assim, na maior parte dos dias o veria imerso em pensamentos e ignorante ao que ocorria ao seu redor. Ele pareceria humano e vulnerável, e a garota sentiria uma enorme urgência de falar com ele outra vez.

Eventualmente, decidiu que precisavam mesmo conversar, e que sua melhor chance seria na aula de Aritmancia, já que nenhum dos amigos mais próximos de ambos frequentavam aquela matéria. Mas essa resolução significava dias de espera, e toda vez em que o via sentia a coragem ir pelo ralo, mas não podia evitar. O garoto simplesmente não se permitia andar sozinho, e ela precisava da tal conversa.

Ele parecia tão indiferente quanto antes de ela ficar doente. Bem, não agira assim enquanto estava doente, mas... talvez isso apenas mostrasse que era realmente humano. Talvez não a achasse mais atraente. Por que acharia? Talvez devesse deixar para lá…

Aconteceu em um intervalo, enquanto as pessoas andavam em pequenos grupos, conversando. Hermione abandonara Harry e Ron para permitir que falassem sobre Quadribol, e também para tentar recuperar a sanidade. Malfoy estava encostado em uma das inúmeras e enormes janelas do castelo, olhando pensativamente para o céu escuro e tempestuoso, nem parecendo perceber a briga de Crabbe e Goyle ao seu lado. Parecia estranhamente solitário.

A morena considerou ir falar com ele. Afinal, aqueles dois mongos que sempre andavam ao seu redor mal apresentavam ameaça. Ainda assim, não conseguia encontrar a coragem. Era da Grifinória, droga, o que seria se não fosse corajosa? Debateu consigo mesma por vários minutos, mas acabou desistindo.

Era estúpida demais por permitir toda essa dor e confusão em sua vida apenas por um pouco de prazer físico. Talvez fosse mesmo hora de começar a sair com outros garotos, ou melhor: namorar alguém de verdade. E eles nem sequer saíam juntos; apenas se escondiam por aí às costas de todos que se importavam com eles. E para quê? Por uma rapidinha intensa aqui e outra ali? Não valia a pena. Realmente não valia.

Rapidamente se virou para ir embora, batendo de frente com Pansy.

"Sonhando acordada com meu namorado outra vez, é?" a outra garota disse com violência, alguém rindo às suas costas. Oh, maravilha, ela tinha trazido público. "Que pena para você que ele não se envolve com sangues-ruins."

Oh, ele tinha se envolvido uma sangue-ruim, sim senhora. "Como sempre," Hermione disse, em sua melhor voz de tédio. "Não tenho a mínima ideia do que você está falando."

Fez menção de ir embora, mas Pansy a bloqueou. "Acha que eu não percebi o quanto você o observa?" disse, com arrogância. "Acha que ninguém percebeu? Você não é nada além de uma grande piada, Granger."

Hermione sabia que todo o sangue tinha sumido de seu rosto, e não havia nada que pudesse fazer para prevenir isso. Pansy devia estar apenas cuspindo seu desprezo, mas e se realmente houvesse algo por trás do que dizia? E se as pessoas estivessem mesmo falando sobre isso?

"Você está seriamente iludida," conseguiu dizer, friamente. "E posso apenas imaginar o que a faz sentir tão insegura." Com isso, finalmente conseguiu fugir dali.


Não considerou aproximar-se de Malfoy outra vez, ou sequer olhar em sua direção. Deixara Pansy vencer, mas era uma batalha que havia sido perdida muito antes disso. O garoto tinha demonstrado uma tendência clara de persegui-la quando a queria, mas agora... não o fazia. Não sabia por que o pensamento a magoava, mas supunha que era normal quando a outra pessoa se cansava primeiro, nada mais.

Começou a passar mais e mais tempo na biblioteca. Era o único lugar em que teria paz e tranqüilidade, e nada de Draco Malfoy ou Pansy Parkinson à vista. Era seu refúgio. Nada era capaz de acalmá-la tanto quanto a visão, o toque, e até o cheiro dos livros, e agora aproveitava isso ao máximo.

Então, em determinada noite, ouviu uma cadeira arrastando ao seu lado, e quando olhou para cima viu Malfoy, o que a chocou profundamente.

"Preciso da sua ajuda," disse sem preâmbulos, jogando alguns pergaminhos na mesa e sentando.

Dever de casa? Então era para isso que servia agora?

"Oh, uau, que sorte a minha," disse secamente, voltando a olhar para seu livro, desejando mais que tudo que ele fosse embora e a deixasse em paz.

"Imaginei que fosse dizer isso," respondeu. "Vou te pagar."

Hermione enrijeceu. De todos os insultos que poderia imaginar vindo dele, esse era... bem, um dos cinco piores, no mínimo. "Não preciso do seu dinheiro," disse.

"De que precisa, então?"

Sentiu a raiva subindo e borbulhando dentro de si. Então agora importava o que ela queria? "Preciso que saia da minha frente e mantenha-se assim," grunhiu, lançando um olhar maligno a ele e falando muito, muito sério.

O garoto estremeceu. "Isso pode ser arranjado até certo ponto," respondeu, a voz calma desmentindo a expressão involuntária. "Mas realmente preciso de sua ajuda."

Por que deveria se importar com o que ele precisava? Poderia apodrecer, de tanto que se importava! "Por quê?" ouviu-se perguntando.

"Eu tenho sido..." parecia procurar pelas palavras certas, "bastante negligente com meus deveres ultimamente; agora ameaçam me expulsar. Pensei que me repetiriam de ano, no máximo."

A morena o encarou, estupefata. "Então você está sendo um idiota preguiçoso e quer me pagar para fazer todo o trabalho por você?"

Parecia um pouco aliviado porque ela entendera. "Sim. Então, vai fazer isso?"

Levantou-se; a cadeira quase caindo pra trás com a força do movimento. "Não. Terá que pagar a outra pessoa." Virou-se e saiu da biblioteca. De todas as cenas em que imaginou falar com ele novamente, essa não chegava nem perto de ser uma opção.

O garoto a alcançou segundos depois. "Tem que ser você," disse.

"Por quê?" perguntou, suspeita.

"Porque você frequenta as mesmas aulas que eu, e é a mais inteligente do ano, e é capaz de fazer com que pareça que eu fiz o trabalho." Malfoy parecia achar que estava sendo perfeitamente razoável, e Hermione estava irritadíssima consigo mesma por se magoar com a proposta e a lógica por trás dela. Então, era a isso que havia sido reduzida: massa encefálica de aluguel. Supunha que deveria agradecer por seu cérebro ser tudo o que ele estava disposto a comprar.

"Não vou trapacear por você," rosnou.

"Não, apenas comigo," ele murmurou.

A garota travou, incapaz de lembrar por que algum dia havia se atraído por essa imitação barata de um bruxo. Ele estremeceu novamente, percebendo o erro. "Desculpe," disse. "Não quis dizer isso."

"Sim, você quis." Disse, friamente, perguntando-se por que ainda estava sequer falando com ele.

"Não, não quis," insistiu com firmeza. "Olhe, estou desesperado, ok? Não posso ser expulso. Dê o seu preço."

Um mundo de possibilidades vertiginosas entrou em sua mente. Até que ponto poderia testar o grande Draco Malfoy antes de ele empacar?

"Você não deve mais provocar as pessoas e nem chamar ninguém de sangue-ru –"

"Feito!"

Olhou-o por um segundo. Estava realmente desesperado, não estava? Parecia ter percebido que desistira fácil demais, porque suas bochechas estavam um pouco rosadas.

"Você teria que me tratar com respeito."

"Sempre."

"Isso inclui manter sua namorada sob controle."

Ele franziu o cenho. "Pansy? O que –"

"Nem se incomode com isso. Só garanta que ela não me perturbe mais." Não podia contar o que havia acontecido; era vergonhoso demais.

O loiro aquiesceu, parecendo um pouco curioso.

"Você teria que se esforçar de verdade para recuperar o tempo perdido e fazer parte do trabalho por conta própria."

Ele concordou outra vez, relutante.

Tentou pensar em mais alguns termos; ainda estava pegando leve demais. E então a inspiração veio. "E ser simpático com Harry e Ron –"

"Espere um segu –"

"– e Hagrid também."

Ele parecia horrorizado.

A morena quase sorriu. Quase. "E vai ter que manter tudo isso até que não precise mais de mim."

Os olhos brilharam perigosamente, como chumbo borbulhando, e ela aprendera a ter cautela nessas ocasiões.

"E," adicionou rapidamente, "não deve tentar me dar o troco."

"Não estava pensando nisso," o loiro disse, suavemente.

"Ah, estava sim," disse. "Você é óbvio demais, às vezes."

Seu olhar esquentou. "Você também. Sabe que não há maneira de eu concordar com todos os seus termos."

A morena cruzou os braços. "Você pode. Só não quer."

"Não, realmente não posso."

"Por que não?"

"Porque," disse entredentes, chegando mais perto dela, "as pessoas começariam a questionar a razão de eu ter mudado tanto e, ou descobririam a verdade, e aí seríamos ambos expulsos por trapaça, ou pior: todos pensariam que estamos namorando."

Os olhos de Hermione se arregalaram. Não tinha pensado nisso. Tinha? Não. Apenas queria provocá-lo, testá-lo. Supunha ter encontrado o ponto-limite dele – estar associado a ela de uma maneira muito pessoal.

Além disso, ele estava perto demais para ser confortável.

"Certo," disse, dando um passo para trás. "Não precisa ser legal com meus amigos." Fez beicinho, um pouco desapontada por ter que desistir da parte divertida.

"Você o fará, então?" perguntou. "Se eu concordar com o resto?"

Hermione considerou. Não deveria. Ele era mimado, arrogante e totalmente desagradável. Hogwarts seria um lugar melhor sem ele.

"Creio que sim," disse, notando o quão aliviado ele ficara. E agradecido. "Com mais uma condição."

"O quê?" perguntou, cauteloso.

"Terei um pedido livre. A qualquer momento, posso te pedir uma coisa e você vai ter que fazer ou me dar."

Malfoy parecia ter engolido algo que não queria descer. "Se possível," disse, finalmente. "Somente se for possível sem–sem arriscar a minha vida."

Revirou os olhos. O que ele pensava que pediria? "Feito," disse, voltando para a biblioteca. "Me siga."

"Para onde?" perguntou.

"Deixei minhas coisas na biblioteca," disse, um rubor fraco subindo às bochechas. Estivera tão nervosa e ansiosa por sair de perto dele que esquecera a mochila.

Quando chegaram, pegou um pergaminho, escreveu as condições, bateu com a varinha algumas vezes e entregou a ele. "Assine isto."

O garoto franziu o cenho, provavelmente lembrando-se do incidente com Marieta Edgecombe no ano anterior. "Não confia em mim?" perguntou a ela.

Hermione gargalhou antes de poder se conter. Aparentemente, era resposta suficiente para ele, que lhe deu um olhar obscuro e assinou.

"Me diga uma coisa..." disse, depois de ela ter assinado também e enrolado de volta. "Por que está tão brava comigo?"

A morena travou. Como deveria responder a isso sem acabar com sua dignidade? "Sua proposta –"

"Não foi nada que você não esperasse de mim e consegui te fazer concordar, não foi? Pense em outra desculpa, Granger."

"Não é uma desculpa!"

Ele fez um som incrédulo.

Oh, essa era uma conversa que não queria ter. Não que quisesse qualquer tipo de conversa com ele.

A biblioteca estava fechando, então pegou a mochila e saiu, esperando que ele entendesse a deixa.

E talvez tivesse entendido, mas, dessa vez, escolhera ignorar. "Sua falta de resposta é muito esclarecedora," disse, tentando conversar.

"Eu respondi. Você escolheu ignorar a resposta." apressou o passo, mas ele apenas começou a andar mais rápido também.

"Sabe o que acho?" perguntou a ela.

"Que o mundo gira ao redor do seu umbigo?" adivinhou.

Ele sorriu e disse, "Acho que sentiu minha falta."

A garota tropeçou, rapidamente se endireitando antes que caísse. "Meu palpite foi bem certeiro, então," disse com a voz um pouco rouca para seus próprios ouvidos.

Ele agarrou seu braço e a levou para uma sala escura, onde a encostou à parede. Estava tão perto, e a escuridão fazia tudo parecer ainda mais íntimo. Por que a droga da escola tinha que ser tão grande e cheia de salas vazias?

Seu coração batia com excitação, desejo, e um pouco de medo. Medo de que isso fosse um jogo, e ele estivesse realmente disposto a expô-la e humilhá-la; ainda assim, nem considerou pegar a varinha.

"O que está fazendo?" perguntou, com cautela.

"Tudo o que tinha que fazer, Granger...era pedir," disse, antes de se inclinar para capturar seus lábios.

E o garoto vencera antes mesmo de tocá-los. Estava certo, é claro. Havia sentido demais sua falta, e não podia dizer não a isso, mesmo que significasse que os amigos dele pulariam do escuro para rir dela. Seus olhos se viraram para a escuridão atrás dele. Não... não parecia ter ninguém escondido ali.

Então houve o mais suave roçar de lábios, e esqueceu tudo a respeito de falta de confiança e ridicularização. Uma das mãos dele estava em sua cintura, e a outra na base de seu pescoço, gentilmente mantendo-a parada. Seus lábios voltaram a massagear os dela e, com um suspiro, acabou se rendendo e colocando os braços ao redor de seu pescoço. Que mal poderia haver em um beijinho?

Encorajado por isso, tirou a mão do pescoço dela e, suavemente passando o dedo por seus lábios, partiu-os. Ela o mordeu de brincadeira e imaginou ver um lampejo de puro desejo naqueles olhos cinza. Era um pouco bobo, na verdade; estava escuro demais para ver qualquer coisa. Ainda assim, quando os lábios voltaram a encontrar os dela, foi com muito mais força.

A morena gemeu um pouco quando ele a prensou contra a parede com seu corpo, e o loiro aproveitou a oportunidade para enfiar a língua em sua boca. Ela o trouxe mais para perto, querendo mais, e ele obedeceu, pressionando com mais força, sem quebrar o beijo. Sua língua massageou a dela, provocando-a.

Hermione sentiu uma leve tontura. Agarrando em seus ombros, trouxe-o ainda mais perto e devolveu o beijo com entusiasmo, deixando a língua deslizar pela dele e entrar em sua boca. Sentiu-se extremamente satisfeita quando o garoto gemeu em sua boca, e o beijo ficou selvagem e cheio de vontade.

Ele a ergueu, ao que imediatamente o envolveu com suas pernas, fazendo-o gemer outra vez. As coisas estavam saindo rapidamente do controle, e sabia que estavam prestes a fazer sexo, bem ali, naquela sala abandonada perto da biblioteca. Não se importava. Ou melhor, se importava sim. Mas não queria que parasse. Tinha sentido sua falta – falta disso – demais.

O loiro quebrou o beijo, deslizando os lábios por seu pescoço, colocando a língua para fora para prová-la. A garota suspirou, inclinando a cabeça para trás para lhe dar melhor acesso.

E ele pulou para trás.

"Não devíamos," disse rouco.

Não, não devíamos. Quando foi que isso te impediu?

"Oh," foi o que disse, sentindo o rosto esquentar com a rejeição. Burra. Burra, burra, burra.

"Não aqui," continuou. "Você viria comigo para um lugar melhor? Voluntariamente, quero dizer?"

Por alguns segundos, a morena foi incapaz de compreender.

"Granger?" perguntou. "Se precisar, eu vou ter você aqui e, dessa vez, você não vai me negar nenhum prazer."

Ele… a queria?

"Por que está me olhando assim?" exigiu saber. "Depois de me beijar desse jeito, não pode estar surpresa por eu –"

E ela pressionou seu corpo contra o dele e calou sua boca com outro beijo.

"Eu vou com você," disse, suavemente.

Por um segundo, o garoto a encarou, incrédulo, e pela primeira vez considerou que ele tivesse suas próprias dúvidas com relação a ela. Então, sem mais uma palavra, agarrou sua mão e a levou. Podia sentir a urgência nele e combinava com a dela. Ambos precisavam disso. Desesperadamente.

"Espere," Hermione disse quando não reconheceu o caminho. "A Sala Precisa é para outro lado."

Reparou que ele travou as mandíbulas antes de dizer, "Não podemos usá-la. Eu a destruí."

"Você o quê?"

"Destruí. É inútil agora."

"Mas por quê?"

O loiro sacudiu a cabeça. "Isso realmente importa agora? Você consegue se disfarçar de alguma maneira?" Tinha começado a andar de novo, trazendo-a consigo.

Queria mesmo saber por que ele havia destruído a sala com aquela cama enorme e confortável, mas sabia que não diria. Suspirou. "Por que preciso me disfarçar?"

"Estou te levando para o meu quarto."

A garota entrou em choque. "Não!" E fincou os pés no chão, forçando-o a parar.

"Quero você numa cama, Granger, e não conseguiremos me enfiar na sua, então iremos para a minha."

"O quê? A Sonserina tem quartos separados agora?"

"Claro que não." Franziu o cenho para ela.

"Então…espera que eu durma com você na frente dos seus amigos?"

Ele realmente sorriu. "Por mais divertido que isso soe, Granger, pensei que poderíamos fechar as cortinas."

Ela gemeu. "Não, eles vão saber."

"Não vão."

"Claro que sim!"

O garoto suspirou, impaciente. "Sempre enfeitiço minhas cortinas, assim não serei ouvido ou perturbado. Se pudermos colocar você lá dentro, eles não vão saber."

Hermione franziu o cenho. "Por que você faria isso?"

"Merlin, Granger, você tem que questionar tudo?"

"Sim, tenho," respondeu, levantando o queixo, desafiadora.

"Por quê? Por que não pode confiar em mim só um pouquinho?"

"Confiar em você, Malfoy?" perguntou, incrédula. "Desde quando tenho motivos para isso?"

O garoto parecia bastante irritado com ela. "Maldita seja você por precisar de explicações; é esperta demais para seu próprio bem. Não pode aceitar o fato de que não tenho motivos para mentir sobre isso?"

"Não vi motivos para mentir pra mim sobre ter dormido com Pansy. E se quer dormir comigo agora, o que foram essas semanas que passaram senão uma mentira também?"

"Você sentiu minha falta!" Parecia atordoado pela revelação.

Hermione lutou contra o rubor de mortificação. "Eu... apenas pensei..." murmurou.

"Pensei que era isso que você queria! Depois da última vez… você lutou comigo e disse que não aconteceria mais. Estava respeitando sua vontade. Bem, até hoje, de qualquer forma."

Sentiu-se tonta e oscilou um pouco no lugar. Ele estava respeitando minha vontade.

"Você está bem, Granger? Não vai ficar doente de novo, vai?" Segurou a garota no lugar com uma mão. "Por que talvez eu tenha que ter você de qualquer jeito, e seria muito nojento."

Ela deu um tapa em sua mão. "Estou bem. Obrigada pela preocupação… ou pela falta dela." Mas não estava ofendida pelo comentário estúpido. Não conseguia. Não quando ele acabara de dizer uma coisa tão maravilhosa.

"Chega disso," disse. "Venha comigo. Não vai se arrepender, eu prometo."

A morena aquiesceu. Se ele a pedisse para pular da Torre de Astronomia, provavelmente teria concordado. Deu um passo para trás, fechou os olhos com força e, concentrando-se muito, bateu com a varinha na própria cabeça. Abriu os olhos e viu que Malfoy a encarava.

Droga. Não funcionou? Olhou para sua mão. Sim, tinha funcionado, estava vendo o chão ao invés de seus dedos. Tentou dar alguns passos, mas os olhos dele ainda a seguiam.

"Faltou alguma parte?" perguntou.

Ele sacudiu a cabeça. "Não… como você sabe fazer isso? Feitiços de Desilusão são nível de NIEM, e muito avançados mesmo para isso. E desaparecer completamente é incrivelmente raro."

Hermione tentou se esconder atrás dele, mas o garoto virou-se também, ainda a encarando.

"Depois que Harry..." Pausou. Não, ele não precisava saber disso. "Ouvi falar desse feitiço e li sobre ele, depois pratiquei. Como pode me ver, se o fiz tão bem?" Estava um pouco irritada por não ter feito perfeitamente.

"Sei que você está aí e vejo ondulações quando se mexe," disse, claramente focando nela. "Se não se mover quando alguém olhar diretamente para você, deve ficar tudo bem." Agarrou sua mão, procurando no ar antes de encontrá-la. "Venha, temos que ir." E a arrastou consigo.

Estavam mesmo indo para seu quarto. O garoto a levou por vários lances de escada abaixo, e ao chegarem à parede que permitia a entrada para a Sonserina, reparou que nunca estivera ali.

Malfoy murmurou alguma coisa que soava suspeitamente como sangue-ruim antes de a parede abrir. Largou a mão dela e entrou. O coração de Hermione estava na garganta, e tinha certeza de que não conseguiria fazer isso, afinal. Mesmo assim, apressou-se pra dentro, antes de a parede fechar outra vez.

O garoto caminhava pela Sala Comunal quando uma voz feminina e irritante o chamou. "Draco! Não vai se sentar comigo um pouquinho?" Pansy, claro. Hermione não podia ver uma maneira de ele escapar dessa. Quanto aborrecimento.

"Não..." respondeu. "Não estou com cabeça pra ouvir sua tagarelice incessante hoje." Os olhos de Hermione se arregalaram com a grosseria e acidentalmente deixou escapar uma risadinha. Rapidamente, tapou a boca e olhou ao redor para ver se alguém reparara. A sala estava quase vazia. Será que estava assim tão tarde? Somente Pansy, Zabini e alguns garotos que não conhecia estavam lá. Era sorte demais que ninguém parecesse tê-la ouvido.

Malfoy desapareceu por uma porta na outra ponta, e Hermione se apressou para alcançá-lo. Logo, estava no que parecia ser seu dormitório. Não era muito diferente dos da Grifinória, exceto por não ser redondo e em uma torre, mas um pouco quadrado, e nas masmorras, e as roupas de cama eram verdes ao invés de vermelhas, e... ok, talvez fosse um pouco diferente.

Ele caminhou até a cama mais longe da porta e virou-se, franzindo o cenho na única direção em que ela podia estar. Ah, certo. Não podia vê-la, podia? Manteve-se parada, pensando no que ele faria.

"Sei que está aí," disse muito suavemente, fazendo-a perceber que os outros já tinham ido dormir. "Eu te ouvi na Sala Comunal. Não foi muito discreto da sua parte, terá que melhorar isso." E fez um gesto para que ela deitasse na cama.

Revirou os olhos, mas fez o que lhe foi pedido.

Assim que viu o colchão ondular, o garoto fechou as cortinas e juntou-se a ela, lançando alguns feitiços e soltando uma pequena bola de luz flutuante de dentro de uma caixa, para que pudessem ver melhor. Hermione, distraidamente, decidiu que queria uma dessas; tornaria tão mais fácil ler na cama.

"Pode falar agora," disse. "E, se não se importa, gostaria que ficasse visível de novo. Não sou tão excêntrico assim."

Hesitantemente, a garota reverteu o feitiço. "Tem certeza de que está tudo bem? Alguém pode decidir vir falar com você ou ver o que está fazendo..."

"É, da última vez que isso aconteceu, Goyle ficou dois dias na Ala Hospitalar com bolhas por todo o corpo. Não acho que vão tentar de novo tão cedo."

"Mal-humorado de manhã, hein?"

"Por que não fica e descobre?" perguntou, puxando-a para perto.

Seus lábios eram uma mistura maravilhosa de maciez e firmeza enquanto acariciavam e mordiscavam os dela. Podia sentir o desejo descontrolado do garoto, enquanto deslizava a língua por seu lábio inferior, provando-a, estimulando-a a abrir-se para ele. Oh, céus. Sentiu a língua quente penetrar sua boca, apenas para provocá-la e sair, quebrando o beijo. Ela grunhiu. Queria mais. O garoto a beijou novamente, e tirou a língua outra vez. Tentou fazê-lo ficar parado, mas parecia só querer provocá-la, parando justamente quando estava ficando bom.

Finalmente frustrada, rolou por cima dele e o beijou do jeito que queria. Tinha esperado por isso tempo demais, merda. Não deixou de notar a surpresa em seus olhos, e nem pôde evitar um sorriso. Traçou seus lábios com a língua e, desta vez, foi ela quem a retirou quando o garoto tentou atraí-la para sua boca. Sentiu o cinto abrir e as mãos dele em suas pernas, levantando suas vestes, mas não deixou que a distraísse... muito.

Afinal, mergulhou a língua por entre seus lábios para encontrar a dele, e Malfoy gemeu, agarrando sua cintura por debaixo das vestes e pressionando-se contra ela, sem deixar dúvida alguma quanto à sua vontade. O desejo dele era o combustível para o dela, e o beijou mais profundamente enquanto se afundava nele, fazendo-o arfar e fechar os olhos em uma expressão de êxtase dolorido.

A morena afastou-se e sorriu, aproveitando o efeito que tinha sobre ele.

"Não pare," disse, a voz gutural. "Nunca. Pare." Seus olhos suplicavam e ordenavam ao mesmo tempo.

Moveu as mãos nas laterais do corpo dela, tirando as vestes junto e atirando-as para o lado. Atrapalhou-se um pouco com o cinto dele, até que finalmente conseguiu abri-lo e tirar de uma vez só.

Quando se deu conta, estava embaixo dele novamente, puxando suas vestes, enquanto o garoto esmagava seus lábios com os dele e reivindicava o interior de sua boca com a língua. Finalmente conseguiu tirá-lo de dentro das vestes, deixando-o impaciente por ter que parar de beijá-la para passar a roupa pela cabeça. Agora, a quantidade de tecido entre eles tinha diminuído consideravelmente, e quando se deitou sobre ela outra vez, a garota gemeu ao sentir sua dureza e à memória de como era bom tê-lo dentro de si.

Malfoy se embaralhou por um momento com o sutiã, até ela mostrar como este abria pela frente, e então estava aberto, e ele olhava avidamente seus seios. Ergueu uma mão para acariciar um deles, e a garota se arqueou contra ele, tornando o toque mais firme. Abaixou-se para acariciar o outro com a língua, e Hermione gemeu desesperadamente. Ele mordeu com gentileza a carne macia, fazendo-a choramingar e ser incapaz de ficar quieta. Era demais; sentia-se febril.

Mergulhou os dedos nos cabelos loiros e o puxou para violar sua boca. O garoto cedeu, acalmando temporariamente o desejo, antes de deslizar os lábios por seu pescoço e encontrar o ponto sensível na junção com o ombro, que havia descoberto semanas e semanas atrás. Sugou-o com força, fazendo-a gemer e se pressionar contra ele, enfiando as unhas em suas costas. Ele estremeceu, e ela soube que tinha de ser agora.

"Preciso de você", o loiro sussurrou, ecoando seus pensamentos, enquanto mordiscava sua orelha. "Agora."

A resposta dela foi agarrar a borda das boxers e cuidadosamente empurrá-las para baixo. O garoto as chutou e respondeu à altura, removendo sua calcinha. Novamente, olhava para um lugar que a deixava envergonhada, mas, ao mesmo tempo, o olhar de admiração em seu rosto fazia valer à pena.

Hermione o puxou para perto, querendo que seu corpo a cobrisse totalmente, e ele obedeceu. Deslizou as mãos por suas costas, desejando poder sentir mais de sua pele, e envolveu-o com as pernas para incentivá-lo a ir logo. Fazia tempo demais. Enfiou as unhas nele novamente, e o garoto fez um som de engasgo e inclinou-se para frente, penetrando-a em um único movimento.

Ela arfou, e por um momento o tempo pareceu parar quando seus olhos se encontraram e ele a esticava por dentro, preenchendo-a completamente. Então, o tempo voltou a correr e ele fechou os olhos com um gemido, e começou a se mover dentro dela, entrando e saindo em um ritmo constante.

Era bom demais para explicar com palavras, e Hermione o agarrou, encontrando-o a cada estocada.

"Merlin, Granger," gemeu, pressionando-a contra o colchão. "Você é tão gostosa... tão..." E cortou a frase com um engasgo, quando ela mordeu seu pescoço. Tinha descoberto que o garoto gostava disso e, para confirmar, as estocadas ficaram mais fortes, rápidas, profundas, como ela esperara.

Hermione sabia que o clímax viria logo, que esta vez seria tão apressada e desesperada como todas as outras. Era bom demais, intenso demais, poderoso demais para se segurar. "Mais..." gemeu. "Mais forte!"

Os olhos acinzentados se arregalaram um pouco, e ele emitiu um som ininteligível antes de obedecer, tomando-a com tal força que a cama rangeu, e a garota tinha certeza de que a escola toda ouvira. Não se importava. Tudo que lhe importava era a sensação dele movendo-se contra ela e o orgasmo quase a seu alcance, quase, quase, quase...

Gemeu alto em abandono quando a primeira onda a atingiu, fazendo-a convulsionar violentamente enquanto ele continuava a mover-se sem parar. Sabia que nunca sentira tamanho prazer em toda a sua vida. Outra onda a atingiu e outra, até que estivesse choramingando, e ele gradualmente diminuiu o ritmo para permitir que respirasse.

Abriu os olhos para vê-lo. Ele a encarava com admiração, êxtase e uma necessidade insatisfeita bem clara em seu rosto. Havia se segurado para assistir a seu orgasmo, e agora tremia, deixando beijos suaves por todo o seu rosto, olhos, lábios, esperando que recobrasse a força para aguentar o que ele precisava fazer, mas claramente com dificuldades para se conter.

Sentia cada músculo retesado do garoto e adorava ter esse efeito sobre ele. "O que está esperando?" sussurrou. "Você sabe o que quer."

Com um som estrangulado, começou a se mover novamente, rápido e com força, enterrando a cabeça no pescoço dela, que o abraçava forte, encontrando-o a cada estocada, arranhando-o com o prazer, até que o sentiu enrijecer, afundar-se com força e segurá-la no lugar, gemendo alto enquanto alcançava seu clímax em meio a tremores.

Finalmente se exauriu e deitou-se sobre ela, praticamente desabando, e ficou assim imóvel, a respiração ofegante, enquanto a garota acariciava suas costas. Jamais imaginara sentir tanto prazer apenas por ser responsável pelo orgasmo de outra pessoa.

Escutava a respiração do garoto e sentia o coração batendo forte contra o seu, enquanto ambos gradualmente se acalmavam.

Finalmente, ela perguntou, "Então...a última vez foi melhor?"

Ele riu e esfregou o nariz em seu pescoço, mas não fez nenhum movimento para sair de cima dela. Hermione não se incomodava nem um pouco. "Caramba, não, nem perto disso," murmurou perto de sua orelha.

A garota sorriu. É, também achava que não.

"Nunca se negue outra vez", ele sussurrou, tirando um pouco do peso de cima dela e beijando-a. "Não importa quais sejam suas razões, não vale a pena."

No exato momento, sentia-se inclinada a concordar com ele.


Hermione acordou em um sobressalto na manhã seguinte e percebeu que havia pessoas se movimentando e falando do lado de fora das cortinas. Vozes masculinas. O que estavam fazendo no quarto dela? Franziu o cenho. E por que sua roupa de cama estava verde? E por que estava deitada contra o corpo de outra pessoa que a abraçava...

As memórias da noite passada voltaram com força.

Ainda estava na cama de Malfoy.

Prendeu a respiração quando alguém se aproximou, acusando outro de roncar a noite toda. Encolheu-se de encontro ao corpo quente atrás de si, como se isso pudesse salvá-la de ser vista caso decidissem abrir as cortinas.

Lançou um olhar para Malfoy. Ainda dormia e parecia mais em paz do que jamais o havia visto. Aquele cretino. Tinha sido ele a insistir que não fosse embora na noite passada, quem a fizera deitar-se com ele, e quem tinha ameaçado silenciá-la se não parasse de criar empecilhos. Esse era o resultado. Devia estar mesmo cansada para dormir a noite toda deste jeito. Não tinha nem ideia de que horas eram, mas já que as pessoas ainda não tinham descido para o café-da-manhã, não devia ser tarde. A menos que o café tivesse terminado. Gemeu, imediatamente tapando a boca com a mão. O movimento acordou o garoto que dormia a seu lado, e ele a puxou para mais perto e encostou o nariz em seu pescoço. "O que foi?" perguntou, um pouco grogue.

"Shhh", sussurou enfaticamente. "Pessoas."

Ele riu. Realmente teve a audácia de rir. "Você não acha que se eles pudessem ouvir alguma coisa, teriam ouvido bastante na noite passada, hmm?"

"Mas eu posso ouvi-los," sussurrou, um pouco corada pela memória de todo o barulho que haviam feito.

"Sim..." ele murmurou, perdendo o interesse na conversa quando o cobertor caiu e revelou seus seios, e suspirando quando ela se cobriu novamente. "Eu não fiz com que funcionasse dos dois lados. Imaginei que gostaria de saber se um dragão se perdesse por aqui ou algo do gênero."

"Onde estão minhas roupas? E minha varinha?" lutou para se sentar.

O garoto a soltou e deitou-se no colchão com outro suspiro. "Suas roupas estão ali," gesticulou para o pé da cama, "Eu as recolhi depois que você dormiu."

Ela tinha dormido primeiro? Apressada, Hermione pegou suas roupas e se vestiu antes de ele poder mudar de ideia sobre deixá-la ir embora.

"Venha amanhã," ele disse.

"Não posso."

"Não comece de novo!" sentou e olhou-a, irritado. Estava uma graça todo despenteado.

"Não, realmente não posso. Vou para a festa de Natal do Slugue." Hermione tentou pentear os cachos com os dedos, mas logo desistiu por ser uma causa perdida e acabou por usar a varinha.

"Ah, o Natal..." Malfoy franziu o cenho, como se tivesse esquecido em que época do ano estava. "Bem, venha depois?"

"Não sei quão tarde isso vai ser, e meu acompanhante pode achar estranho se eu o largar cedo para vir ficar com meu amante." Hermione considerara se devia lhe dizer isso, mas agora já tinha escapado. Ficou esperando sua reação com cautela.

"Acompanhante? Que jogo estamos jogando agora?" perguntou, parecendo um pouco irritado.

A garota o olhou com frieza. "Nenhum jogo. Tenho um encontro." Estava falando a verdade; tinha chamado o outro garoto para ir com ela quando pensou que Malfoy estava cansado de brincar.

"Isso é seu jeito de me punir por causa de Pansy? Porque eu –"

"Não tem nada a ver com você mesmo!" interrompeu-o. "Decidi que queria levar alguém comigo, eu o convidei e ele aceitou." Estava ficando decididamente irritada. O que havia de errado com ele? Que egocêntrico! Não era como se ela pudesse tê-lo convidado!

"É?" perguntou. "Quem é então? É aquele Weasel, não é? Ele provavelmente ficou ofendido por seus amigos e irmã terem sido convidados, enquanto ele –"

"Você está insinuando que Ron é o único que sairia comigo?" Estava realmente com raiva – e um pouco magoada – agora. "Porque posso te garantir que vários garotos –"

"Não foi isso que eu disse!" apressou-se a afirmar. "Apenas não te vi perto de muitos garotos, e ele parece estar sonhando acordado com você."

Nem um pouco convencida, certificou-se de que todos haviam ido embora, abriu as cortinas e saiu para colocar os sapatos.

"Não faça isso, Hermione..." ele disse, parecendo confuso. "Estou certo de que você poderia escolher –"

"Para sua informação," interrompeu, nervosa. "Nunca fui rejeitada para um encontro. Eu até saí com Viktor Krum, por Merlin! Só porque você é superficial o suficiente para não querer ser visto com uma sangue-ruim, não quer dizer que todos pensem igual! Eu vou para a festa com Cormac McLaggen, e sabe o que mais? Eu vou – não; ele vai se divertir muito!"

Malfoy ficou encarando a garota, claramente sem palavras diante de sua explosão, enquanto ela bateu com a varinha na cabeça, ficando invisível antes de enfrentar a Sala Comunal da Sonserina parcialmente cheia.


Continua...