Capítulo 6.Obliviate
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O inverno nunca fora confortável. Bonito. O inverno é tão gelado que queima a pele, os sentidos.
O inverno sempre tem uma cor só. Branco e branco e ponto. Tudo que é uma coisa só é triste e monótono. Sem vida.
Tudo deveria estar dando muito errado. O mundo viraria inverno. Uma cor só, um sangue só: Puro.
E mesmo assim, os dias e as noites estavam cheios de infinitos matizes de cores. A monotonia corria a léguas de distância.
Porque estávamos juntos.
Juntos.
Harry e eu tínhamos inúmeras discussões, sobre a guerra, sobre Dumbledore, sobre a impulsividade que corria livre dentro de Harry.
Mas nós gostávamos tanto um do outro que sempre nos entendíamos. Ele me olhava com sua compreensão bonita e segurava a minha mão.
Eu sabia de alguma forma que esses seriam os nossos melhores dias.
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Fazia um frio dos diabos e precisávamos sempre de umas chamas azuladas que eu conjurava para nos aquecer. As cinzas eram guardadas em um jarro, e vez por outra nos esquecíamos do frio e nos despíamos, em meio a beijos roubados e risos fáceis.
Jantávamos em silêncio naquela noite e eu me sentia incrivelmente confortável vestida apenas com um moletom vinho dele e um cachecol cinza ao redor do pescoço.
_Você sabe, apenas o cachecol ficaria muito mais apropriado. – Ele disse entre uma piscadela e um sorriso.
_Ah.. sei...o moletom está fora de moda?- comentei muito irônica.
_Não é isso...É que o moletom é meu. E eu estou querendo ele de volta agora. Então...pode ir tirando...
Eu ri.
_Eu estou falando sério! – Ele me fitou e eu me levantei da cadeira enquanto sentava em seu colo.
_Imagino...- o beijei devagar.
Harry passara o dia inteiro inquieto. Muitas vezes parecia triste. E eu sabia que era porque o frio, e as visões de Voldemort o estavam atormentando.
_Harry...Eu queria muito que fizesse algo por mim.- Ele me fitou muito atento.
_Você precisa descansar. Não parece nada bem...- Ele suspirou irritado. Eu me levantei e busquei uma calça e vesti imediatamente. _Eu vou para a vigia, você tenta descansar...tudo bem?
_Eu não quero Mione...Você pode ir se deitar. De verdade. Deixe hoje por minha conta. Por favor?
Enquanto qualquer resposta se formulava na minha mente, ele quase em um salto seguiu para a vigia. Quis me chatear. Não consegui. Relutante, marchei para a cama e adormeci.
_Hermione! Hermione! – Harry me chamava muito distante. Quando me dei conta do que estava acontecendo, sentei-me depressa, tentando tirar os cabelos do rosto.
_Que aconteceu? Harry? Você está bem?
_ Calma, tudo está bem. Mais do que bem. Estou ótimo. Tem alguém aqui.
_Como assim? Quem...?
A visão dos cabelos ruivos e das sardas me deixaram um pouco tonta. Eu não conseguia acreditar no que estava vendo. Era Rony. Rony. E eu só conseguia pensar como ele foi idiota por ir embora, por não me ouvir, por ser teimoso.
Me senti tão magoada. E Harry parecia muito feliz com ele ao lado. Estupidamente feliz. Como se Rony nunca tivesse nos abandonado.
Eu quis matar Rony. E gritei muitas coisas para os dois. Falei como eu tinha me sentido idiota. Harry interviu. Defendendo Rony.
O fitei incrédula.
Harry acrescentou no meio da discussão:
_Hermione, ele salvou a minha vida. – O argumento dele me parou por um instante. Harry havia ficado em perigo? Envolta de pura raiva, ignorei o que Harry disse para que ele pensasse que eu não o estava ouvindo.
Perguntei ainda muito indignada o que tinha acontecido. E eles contaram tudo o que houve. Mas algo dentro de mim não se satisfez.
Harry parecia que estava escondendo algo. Olhei nas orbes verdes e então percebi que ele não viera para o meu lado desde que Rony chegou.
Merda.
Eu ainda precisava lidar com aquilo. Harry e eu tínhamos que falar para Ron tudo o que havia acontecido.
Fitei Harry novamente, dessa vez de forma mais expressiva, como quem ansiosamente buscava respostas. Ele estava no canto da barraca. Ele meneou a cabeça negativamente e baixou o olhar.
"Não agora", foi a resposta dele.
Eu simplesmente sabia que havia muito mais por trás dos olhos repentinamente tristes de Harry.
Voltei para a minha cama e Harry e Ron seguiram para as suas beliches entre conversas e algumas risadinhas.
Não conseguia lembrar a última noite que havia se passado sem que Harry dormisse ao meu lado.
Meu estômago afundou e não consegui voltar a dormir.
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Horas ou minutos se passaram. Eu não consegui contar direito em meio aquela cama vazia, o som do ronco de Rony ressoava por toda a barraca.
Quando me virei, uma mão gelada tocou o meu ombro.
_Harry...- sussurrei. Ele juntou o dedo indicador a boca em sinal de silêncio, e me beijou.
_Vamos lá para fora. – Ele disse.
Ele me conduziu para o meio das árvores, onde Ron jamais pudesse nos ver. Ele me abraçou e me beijou sem hesitar.
Então compreendi o que estava acontecendo. Dentro de mim algo urrou em aviso. E então apenas pressenti que tudo ao meu redor fedia a despedidas. Fedia a tragédias cheias de um temor gélido no peito. Invernal. De uma cor só. Branco e branco, sem cores infinitas e sem verde muito claro de olhos tão conhecidos.
Compreendi tudo pela maneira como me beijou tão profundamente como se quisesse memorizar o gosto, a maneira como fitava as nossas mãos unidas, como se aquele gesto significasse muito mais. Ou talvez, pela maneira que fujia do meu olhar, como se não tivesse forças, ou coragem de encará-los.
_ Hermione, eu...
A minha visão embaçou levemente, a vivacidade dentro de mim foi mergulhada em um balde de morbidez, eu sentia gosto de ferro e sangue. Gosto de perda, gosto de dor. Ele parou de falar.
_Continue. – eu disse firme. Ele fechou os olhos. -_Continue.
_Nós não podemos mais. Você sabe. Não podemos continuar como estamos. Precisamos desistir disso.
_ francamente, Harry! Francamente! Desistir? – A raiva era o escape óbvio para aquela sensação de desespero, de perda sem fim. De algo que começa a doer e não para. Simplesmente não para. E você sabe disso tão profundamente quanto sabe o quanto está doendo agora.
_E-e-eeu...- Ele olhava para os lados desesperado, sua mão passava pela nuca rapidamente como gesto de descontrole. Quem diabos liga para o descontrole no fim das contas? Se era tão difícil para ele fazer aquilo, porque ele tinha que fazer?
_O que aconteceu naquele lago, Harry? – Ele não respondeu. Limpei a garganta.-_Você realmente precisa responder essa.
Ele ainda hesitou, mas começou a falar.
_Ele destruiu a Horcrux, como eu já disse. Mas antes...Quando o medalhão abriu, uma voz começou a falar com ele, Hermione. E a voz começou a dizer que o conhecia, que tinha visto qual era o seu maior medo. Sabe qual é o maior medo dele? Perder você. – Ele parou por um minuto e pensei que algumas lágrimas escorreriam dos seus olhos tão verdes, tão bonitos.-_ Mas não é simplesmente perder você. É perdê-la pra mim. O que era uma voz que falava com ele se transformou em uma espécie de fumaça. Mas não era uma fumaça comum, era como se fosse você e eu, e eles se beijaram. Hermione, eu juro a você...Eu nunca vi Rony daquela forma! Ele estava com tanta...raiva! Se continuarmos juntos, ele não vai suportar.
Prendi a respiração. Uma certeza sem tamanhos me tomou. Eu já sabia como deveria terminar. Lembrei dos meus pais e do esquecimento eterno.
A guerra era traiçoeira, mas nada se comparava aquilo. Senti algumas lágrimas na minha bochecha e então compreendi o que deveria fazer.
Fitei Harry muito de repente.
_ Obliviate, obliviate !- Comecei a repetir: _ Obliviate Harry! Você sabe o quanto essa palavra significa pra mim, você sabe o que esse feitiço é dentro de mim, pois agora, eu quero que você o use em mim. Esse é o único jeito de fingir que nunca houve nada entre nós...Então pode começar a recitar o feitiço. – pela primeira vez ao longo de toda aquela conversa, ele me olhou nos olhos, e toda a sua feição fraquejou de tal forma que seus joelhos caíram levemente, um muralha acabara de cair diante de mim, ele não conseguia se conter, por isso procurou me abraçar, mas eu recusei.
_ Eu não quero a sua comoção Harry! Não quero que a pena que você esta sentindo de mim o faça querer lutar por nó dois! Eu jamais pediria isso. – Ele desviou o olhar, e eu segurei o seu rosto rudemente.
_ A única coisa que eu peço é Obliviate. – eu estava resoluta, mas se ele reparasse bem, - o que eu tinha certeza que estava fazendo- Havia uma espécie de desconsolo contido, de tristeza árdua, e de súplicas de socorro. Ele encostou a testa na minha e suspirou.
_ Eu não quero que se esqueça de mim. Não quero que se esqueça de... como eu amo você. –
E essa fora a primeira vez que ele realmente disse que amava uma mulher, a primeira vez que ele realmente disse que me amava..
Soube ali, que ninguém mais, nem em cem anos, teria aquilo. O primeiro eu te amo de Harry. Porque ele jamais fora suficiente forte para dizê-lo a qualquer um em voz alta. Me senti responsável por algo grande demais. Eu ainda o fitava séria. Preocupada.
Então soube também que ele tinha exata consciência da grandiosidade de palavras que demoram tanto para serem ditas, enunciadas em voz alta, e por isso entregara a mim, porque jamais encontraria alguém tão suficientemente responsável.
Responsabilidade, essa palavra eu conhecia bem, e quase pude sentir que pertencia unicamente a mim. Então era isso, a grandiosidade das palavras de Harry me serviram de lembrança para quem eu realmente era. Alguém comprometida demais com o certo e a responsabilidade que não poderia deixar que nós seguíssemos adiante. Ron estava dormindo na barraca ao lado, com suas sardas que combinavam silenciosamente com seus cabelos vermelhos. Vermelhos de cor Weasley. E então me lembrei, haveriam Weasleys demais para decepcionar
O que havia acontecido na floresta teve o mesmo efeito em Harry. Ele havia recordado o seu dever de ser o herói, de salvar o mundo e sacrificar os seus sentimentos, de sacrificar à mim.
Ele me abraçou. Sem me pedir. Ou esperar que eu dissesse algo. Tentei não chorar, mas ele sempre soube que quando me abraçava daquela forma eu não conseguia me controlar, porque seu abraço permitia. Porque quando sentia seu cheiro tão perto do meu, me sentia livre dos meus disfarces e tentativas de perfeição, me sentia eu mesma.
Ele encostou sua bochecha na minha e depois me olhou, cada parte por vez, primeiro meus olhos, minhas sobrancelhas, e então meu nariz, e as bochechas, e a minha boca. Harry tocou no meu dente de forma leve e sorriu como se o fizesse lembrar coisas boas . Então ficou sério. E suspirou.
_ você é quem deveria colocar o obliviate em mim. Se há alguém pode aguentar algo Mione, esse alguém é você.
_ Então, então, você quer me esquecer?
Ele contraiu os lábios como se estivesse insatisfeito.
_ Você diz que não vai conseguir continuar vivendo, mas vai Hermione, você sempre consegue. Eu não. Não conseguiria olhar novamente para você e saber que eu poderia estar com você, e que só isso me faria ficar feliz e mesmo assim, não poder estar. Quando Voldemort for me matar Hermione, e não, não faça essa cara...Eu não posso estar com medo de morrer porque preciso voltar para alguém. E eu não morreria Hermione, sabendo que te deixaria sozinha, sabendo que não poderia voltar pra você.
_ Patético.- murmurei de forma calma- Eu não sou Ginny, Harry. Eu não vou aceitar suas desculpas.
Ele sorriu como se risse de mim.
_ Você sabe que não acho que seja Ginny. – parou e me olhou triste, de uma tristeza profunda, como aquela que eu sabia que ele sentia quando se lembrava de Sirius, ou de seus pais._ E você sabe que não são meras desculpas.
_ Entendo pelo que é.- Olhei novamente para os seus olhos e me despedi. _ Um Herói precisa agradar a todos não é? Tem a droga de um dever social. Você não conseguiria acordar todas as manhãs e saber que decepcionou uma dúzia de cabeças vermelhas.
_Hermione, eu sequer sei se vou conseguir acordar pela manhã. Quando tudo isso acabar, eu posso estar morto. E não, você não pode exigir que eu coloque nenhum feitiço em você porque...se, e há um enorme SE aqui Hermione, eu sobrevivesse, você acha que eu viveria com mais essa perda? Não é o bastante meus pais terem morrido antes mesmo de conseguirem me ensinar a falar? Não é o bastante meu padrinho ter morrido diante dos meus olhos? De Dumbledore ter caído de uma torre, moribundo, enquanto eu estava petrificado e incapaz sob um feitiço? Se não bastasse todas essas coisas, no final de tudo, eu teria que amar você e mesmo assim não a ter? eu teria mesmo que te ver casando com Ron? Tendo filhos com ele?! Não posso aguentar.
Quando seus lábios se fecharam depois de todas as frases e argumentos lançados, não me importei se iria parecer patética, mas o apertei contra o mim muito forte. Éramos Harry e Hermione, não éramos? Os melhores amigos que mais se abraçam no mundo.
Ele me olhou da mesma maneira de semanas atrás, quando me tomou como sua. Quando passamos do limiar final.
_Mione, por favor, não me obrigue a fazer nenhuma besteira. Me deixe livre de arrependimentos.- Ele pausou muito brevemente e continuou- Coloque o feitiço em mim.
Há meses atrás, esse mesmo Harry não conseguia pronunciar frases inteiras de carinho e emoção e agora estava falando de forma tão íntima e profunda comigo.
Fora por isso que como se não me preocupasse com os segundos ou qualquer metragem temporal, me aproximei dos seus lábios e o beijei.
Senti o seu gosto doce com gotas de chá de limão, senti suas mãos quentes na minha cintura, e senti meu corpo entorpecer pela última vez.
Ele se afastou novamente e me disse "Obrigado" como se tivesse lido os meus pensamentos e soubesse que eu havia tomado a minha decisão: Obliviate, meu carma, meu tormento.
Nos abraçamos de olhos fechados e puxei a varinha do bolso dele.
_ah.. Harry...sabe, eu te amo também. – falei convicta e ele sorriu
_ eu sei.
Mas deixará de saber. Toquei o seu rosto e falei o feitiço
Tive que ponderar porque eu não poderia apagar tudo
"obliviate".
Encostei meus lábios nos dele de forma desesperada e rapidamente me afastei.
Adeus querido precipício, sentirei sua falta.
N\A: Estou com muita vergonha de aparecer na cara de pau depois de seis meses. Mas, eu nunca vou desistir disso aqui. Por isso precisvaa vir atualizar.
Quando imaginei essa fic, esse era o final dela. Teria apenas mais um capítulo explicando como a vida deles acabou exatamente como os livros. Mas não consegui parar. Essa fic merece mais, Harry e Hermione merecem mais. Ainda estou na dúvida se o final será triste ou feliz, ou feliz porém ainda sim triste kkk.
Queria agradecer a todos pelos reviews, foram os mais lindos de toda a minha vida. E é na esperança de ainda tê-las por aqui que venho atualizar. Porque vocês me dão forças! Especialmente a minha amiga e GATA DEMAIS Victória Regina. 3 Obrigada por tudo minha linda.
Também preciso agradecer de coração
Ceclia, obrigada por conseiderar essa a favorita das minhas ahaha, isso é muito fofo! ; Luana Evans, também os acho perfeitos um para o outro. NÃO SUEPR ESSE SHIP NUNCA!; Mrs Granger Potter, é com pesar que venho comunicar que infelizmente eles não assumiram nada. ¬¬ covardes kkkk obrigada pela participação isso é muito importante!; Imy C. AMO TEUS COMENTÁRIOS! dá pra saber exatamente o que a pessoa que tá lendo sentiu. hahahahs Olha só, eu estou tentando seguir a ordem cronológica do livro sete, desde a ida de Rony. Por isso fico colocando os trechos. e colocando muitas vezes as falas dos personagens iguais ao dos livros. Esse capitulo , por exemplo, tem muitas falas do livro na hora que Rony volta. Eu realmente fico triste pela Hermione. Mas sabe, a estória tá só começando hahahaha.; Victória, minha gata, espero que nesse capitulo tu tenha tudo mais ideias e que escrevas mais HHRs porque eita saudade de ler coisa nova e de boa qualidade (especialidade tua, inclusive);Joyce Padackles , , obrigada pelos comentários e estou aqui! Atrasada, mas firme e forte. hahaha
